The Blood of Olympus
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CCFY de Aniversário - Going back in time

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CCFY de Aniversário - Going back in time

Mensagem por Georgia Blanchard em Qua Jun 28, 2017 11:35 pm


I couldn't stand the person inside me
I turned all the mirrors around.
O barulho de abafado de lâminas metálicas findando-se em seus alvos era constante naquela arena. O sol estava se pondo, a maioria dos campistas dirigiam-se para seus respectivos chalés em grupinhos, conversando animadamente e provavelmente pensando no incrível jantar que seria servido em alguns momentos, todos exceto por uma: Georgia Blanchard continuava a atirar facas no pobre e mutilado boneco de palha á sua frente. Desde que tinha aprendido a técnica numa aula, um certo gosto pela prática havia se desenvolvido, e com ele uma obsessão, é claro. Era típico daquela garota, sempre que aprendia algo e gostava da coisa acabava tornando-se obcecada por tal, e por isso estava ali: Toda suada, a regata carmim colada no tronco, a calça suja de poeira, cabelos incrivelmente revoltos além uma dor muscular que só podia estar sendo diretamente enviada por Nyx, como um castigo pessoal pelo ocorrido de uma semana atrás.

A memória fez com que parasse no meio de um lançamento e seu ferimento no pescoço formigou. Aquela foi a madrugada onde a fria face da morte mostrou-se para a jovem. O demônio enviado pela senhora da noite para caçar a alma de mãe havia cravado as garras imundas em seu pescoço, causando um horrível sangramento e foram uns bons 4 dias de cama para que se sentisse plena novamente, porém embora seu corpo estivesse aparentemente bem, o psicológico estava longe disso. Seus habituais pesadelos agora vinham acompanhados daquela horrível banshee e sua voz sibilante. O braço da semideusa fez um arco para trás e em seguida uma faca foi arremessada diretamente no olho do boneco e com ela um rosnado se desprendeu de seus lábios. Acreditava que o reencontro com a mãe poderia coloca-la em contato com seu antigo eu, sua sanidade e sua paz interior; porém em vez disso apenas novos medos e paranoias foram adicionadas a sua biblioteca pessoal. Parecia que independente de tudo que tentasse fazer a sua mente insistia em mergulhar cada vez mais naquele mar tóxico de doença.

Acho que já chega por hoje — Uma voz masculina soou atrás de Georgia fazendo-a dar um pulinho assustado. Um grande erro, nunca surpreenda uma garota com a cabeça ferrada, principalmente se ela tem facas na mão. Quando virou-se para esbravejar com quem estivesse atrapalhando seu treino percebeu que era um conselheiro de chalé. Ela não tinha ideia de quem caralhos era aquele cara, mas soltou a lâmina que remanescia em sua destra na mesa ao lado e saiu pisando duro sem dar uma palavra em resposta. Tinha plena ciência de que se abrisse a boca para falar até mesmo uma “boa noite”, iria acabar arrumando uma briga graças aos seus nervos que fervilhavam como o diabo.

Os passos de volta até o chalé foram firmes e pesados, dentro de seu peito havia uma mistura de irritação e nervosismo, pois sabia que depois da hora do jantar não restaria nada além dela e seu chalé fantasmagoricamente vazio, seus pesadelos exibidos no teto mágico sendo a única companhia que tinha durante todos aqueles anos. Balançou a cabeça vigorosamente antes de entrar naquele lugar, não era uma boa ideia sofrer por ansiedade;

“Aproveite o agora, deixe o sofrimento de mais tarde para mais tarde”.


Durante o jantar, a mesa do chalé de Morfeu como sempre estava vazia, exceto por Georgia, que revirava seu macarrão no prato sem muito interesse. Alguma coisa peava em sua consciência, mas não sabia bem o que era e aquilo estava começando a lhe provocar um ataque de nervos.

Se não comer tudo vai ficar fraca demais até pra levantar aquelas facas.

Ergueu os olhos do seu prato já frio e o rosto familiar de Theo foi visualizado, seu amigo mais próximo no Acampamento. Ela lhe deu um sorrisinho fraco e continuou a cutucar o macarrão, que agora fazia um barulho molhado e nojento.

Está preocupado comigo, Theodor?

Ele colocou a palma no peito como se estivesse abismado com o questionamento que lhe havia sido feito e puxou uma cadeira com movimentos quase teatrais.

Eu me preocupo com os animais em extinção e você é a única prole de Morfeu por ai, então...AI! — Ele não chegou a concluir aquele pensamento, pois sua canela foi alvo de um chute muito bem dado por Georgia.

—   Agradeço a preocupação, mas estou ótima. – Deu uma garfada nos restos de seu prato e com uma careta, botou a comida para dentro.  — [color:a3bc=4A708B] Viu? Ótima! — Ela empurrou o prato para longe, arrependendo-se imediatamente de sua atitude anterior, o gosto do molho de tomate com a massa fria fez seu estomago revirar, então resolveu focar-se em dar golinhos na sua coca-cola para eliminar aquele sabor estranho a língua.

A resposta pareceu não convencer o filho de Aurora.

Você está com aquele olhar.

Que olhar? — Disse com a voz abafada graças ao cálice em sua boca.

Aquele olhar estranho de quando tem algo errado.

Esse olhar não existe. — Pousou o cálice na mesa e afastou-se. Seu tom na última frase fora de encerramento, mas mesmo assim quando empurrou a cadeira para longe, foi seguida pelo rapaz e quando alcançaram a saída do refeitório, ele agarrou-lhe pelo braço com certa força e a puxou para a lateral do refeitório onde o fluxo de pessoas era inexistente.

Pra que isso?! — Ela esbravejou puxando o braço de volta com violência, porém Theo apenas a encarou com os braços cruzados sobre o peito.

Conta logo, você sabe que só fica pior quando guarda essas coisas. Ta na cara que você ta prestes a entrar em colapso, Blanchard!

Georgia soltou um ruído rasgado pela garganta e desviou o olhar, os lábios se projetando ligeiramente para frente enquanto protelava. Não era bem o tipo de pessoa aberta e comunicativa, porém sabia que Theo tinha sua parcela de razão. Andava com a cabeça tão cheia que o fluxo constante de pensamentos a impedia de por as coisas em ordem, de decifrar o que realmente importava.

É a minha mãe... — Suspirou deixando que a cabeça pendesse para baixo ao final da sentença, não queria que Theo visse fragilidade em seus olhos, então tratou de focar sem seus tênis imundos, e manter a voz neutra enquanto tocava no assunto, nunca antes dito em voz alta: o modo como havia perdido a mãe pela segunda vez.

Então não a conseguiu traze-la de volta, não é? — A voz mansa lhe perguntou ao fim da explicação e teve como resposta um aceno negativo de cabeça. — Mas pelo que me falou, você já esperava isso. — Georgia acenou novamente, dessa vez de forma positiva e os dentes se fincaram no lábio inferior ao passo que os dedos dos pés começaram a se torcer dolorosamente. Pensou que dividir aquela história seria algo mais simples, porém seu peito estava apertado e ela mal conseguia conter o nó que se formava em sua garganta. — Então o que está sentindo? — Theo voltou a perguntar colocando ênfase nas últimas palavras.

A jovem não ousava erguer os olhos, mantinha-os fixos nas pontas de seus calçados enquanto mil vozes berravam dentro de sua cabeça. A confusão era tão grande que ela cogitou se agachar ali mesmo e tapar os ouvidos só para abafar todo aquele barulho. Parecia que sua cabeça era uma espécie de bar lotado de beberrões das periferias do Brooklyn, havia apenas o caos em forma de diferentes diálogos. Era enlouquecedor, porém de certa forma, todas as vozes pareciam convergir em um único consenso: Ponto final.

Ponto final... — Ela repetiu num sussurro quase inaudível, erguendo os olhos pela primeira vez naquela conversa. Theo assentiu, incentivando-a para continuar. — Acho que preciso finalizar isto de alguma forma.

Tem alguma ideia de como isso irá acontecer? Quer dizer, a sua mãe... — Ele não terminou a sentença e nem precisava. Por alguns segundos houve uma longa pausa onde os únicos sons ouvidos eram as conversas no refeitório e o burburinho que as folhas faziam quando sopradas pelo vendo. Georgia pressionou ainda mais as costas contra a parede e elevou a vista para o céu, fitando seu vazio negro e pontilhado de estrelas.

— [color=#4A708BO apartamento.[/color] — Murmurou em resposta voltando a fitar Theo, que parecia prestes a perguntar o que aquilo significava. — Minha mãe tinha um apartamento no Brooklyn, ela ia vender quando nos mudamos, mas o comprador desistiu depois que soube da tragédia, então ele ainda está lá!

E com 13 anos de condomínio atrasado. — Murmurou o rapaz e Georgia revirou os olhos.

Vamos lá, é minha melhor opção! Eu posso finalizar isso de uma vez por todas.

Ela soava quase empolgada, era a reação mais saudável que havia esboçado até o presente momento e a única coisa que Theo pode fazer foi menear a cabeça e abrir um sorrisinho.

E quando pretende ir?

Amanhã, quanto mais cedo melhor.

O sol mal tinha dado as caras no céu, mas Georgia já estava finalizando sua “bagagem”. Com a mochila sem fundo que havia ganhado de um certo filhote do submundo, as coisas ficavam bem mais fáceis. Sabia que a Névoa ocultaria seus pertences mágicos, mas não sabia exatamente no que eles seriam transfigurados e chamar atenção era a última coisa que queria naquele momento. Quando bateu a porta do chalé atrás de si, pode notar que céu ainda possuía uma tonalidade azulada em alguns pontos e ao misturar-se com o laranja da alvorada, tingia as nuvens de roxo. Um cenário realmente adorável, porém o tempo para avalia-lo era escasso, pois a viagem para o metrô era um tanto longa e ela tinha pressa.


[...]


Hey, querida.

O cumprimento veio acompanhado por uma longa e irritante buzina de caminhão. Georgia apertou com mais força as alças da mochila e manteve a cabeça baixa enquanto andava pelo acostamento da estrada. O veículo diminuiu a velocidade, passando a acompanhar os passos da prole de Morfeu, que trincou os dentes irritada. “Motorista de caminhão idiota, me deixa em paz!”, ela queria gritar aqueles pensamento porém sabia que arrumar confusão com um mortal fedorento não iria lhe ajudar em nada.

É perigoso andar por aqui esse horário! — O homem lhe gritou e uma sensação estranha percorreu a espinha de Georgia, fazendo-a virar a face para encara-lo. Era um velho de mais ou menos 60 anos e usava um boné de caminhoneiro para cobrir a careca, algo em sua expressão facial dizia que ele não tinha más intenções. “Ele realmente não parece um maníaco“, pensou enquanto seus olhos examinavam o rosto alheio. Naquele ritmo ela nunca chegaria no Brooklyn a tempo, tinha que se apressar

Estou indo para a cidade, o metrô pra ser mais exata. — Sua resposta foi alta o suficiente para sobrepor o som do motor, que logo diminuiu quando o caminhão foi parado e a porta do passageiro aberta. Georgia apoiou um pé no pequeno degrau de aço e içou-se para o banco, em poucos segundos o caminhão estava de volta a seu curso.

Pela posição do sol, que agora iluminava a estrada com seus raios dourados e gentis, ela pôde afirmar que era cerca de 8 da manhã, o que significava que ela havia caminhado por quase uma hora. Se estivesse sem carona, o tempo que demoraria para chegar ao apartamento da mãe seria muito maior, e por isso sentiu-se na obrigação de agradecer ao caminhoneiro, porém não tinha nenhum dinheiro mortal para entregar-lhe, apenas um punhado de dracmas jogados em sua mochila. A medida que o veículo deslizava pela lisa estrada, a ansiedade de Georgia aumentava.

Seus olhos verdes estavam fixos nos horizonte e apesar da passividade em seu olhar, sua mente estava uma verdadeira guerra. Centenas de vozes berravam em conjunto coisas diferentes, suas opiniões pareciam mais opostas do que água e fogo. A jovem desejava poder bater a testa compulsivamente no porta luvas para faze-las se calarem, porém aquilo provavelmente iria causar uma reação negativa no motorista. “Eles sempre estranham, mas nunca perguntam o que está acontecendo.”

(.....)


O chiado dos pneus marcando o solo juntamente com o estalar de engrenagens anunciou a parada do caminhão.

Chegamos, garota. — O motorista lhe disse e ela assentiu, uma mão já pousada no trinco da porta. — O metrô é a dois quarteirões daqui.

Georgia tentou sorrir, porém tudo que a ansiedade lhe permitiu fazer, foi curvar a ponta esquerda dos lábios de forma estranha.

Obrigada, senhor. Gostaria de lhe dar algo, mas infelizmente mal tenho o dinheiro da passagem. — Ela confessou em voz baixa, e o homem imediatamente enfiou a mão no bolso de trás da calça e apresentou a jovem uma nota de 20 dólares. Suas mãos imediatamente se agitaram, o coração dando um salto nervoso dentro do peito. — N-não, eu me viro. Está tudo bem.

Vamos, garota. — Ele lhe sorriu. — Vai precisar. — Ela hesitou por alguns longos segundos, porém acabou aceitando a nota com um suspiro. — Pode me falar seu nome?

Georgia. — Respondeu baixando os olhos. — Georgia Blanchard.

Muito bem, Georgia, Eu me chamo Gary Rogers. Espero que tenha um bom dia hoje e se cuide!

Com um aceno e outro sorriso constrangido, a jovem abriu a porta do caminhão e saltou para fora. O metrô era a dois quarteirões dali, mas seu estômago já se espremia em sua barriga, protestando a falta de café da manhã. Georgia olhou a nota de 20 dólares em sua mão e a apertou enviando um agradecimento mental a Gary Rogers.
Saindo do estacionamento de caminhões, achar um lugar pra comer não foi uma tarefa difícil, afinal estava em Nova Iorque, a cidade dos carrinhos de comida. O cheiro de café quente mesclado a outras dezenas de aromas se destacou fazendo seu estômago roncar. O carrinho colorido estava logo a sua frente, e por alguma razão, sem fila alguma.

Um expresso puro, sem açúcar ou creme por favor. — Disse num tom quase desesperado, atirando a nota de 20 no pequeno balcão. — E um donut de geleia! — O atendente não demorou a preparar seu café e logo o pedido estava nas mãos de Georgia, assim como seu troco. Ficou feliz em saber que havia gasto pouco naquele capricho e assim, seguiu seu caminho para o metrô.

O som da voz abafada do condutor finalmente anunciou a chegada do veículo no Brooklyn e Georgia quase saltou do banco ou escuta-la. Parecia que estava sentada a horas e não meros trinta minutos. Praticamente empurrou todos os passageiros que estavam a sua frente e ao som de reclamações e pisões de pé particularmente fortes, ela finalmente saiu daquele vagão abafado.

Enquanto caminhava para fora da estação acompanhada da multidão de civis, a prole do moldador de sonhos mal sentia seus passos cobrirem o terreno. Estava ocupada demais presa em sua própria teia de ansiedade para que pudesse prestar o mínimo de atenção em suas ações e quando alcançou a saída, seu coração doeu como se alguém tivesse acabado de aperta-lo como um patinho de borracha. O bairro não havia mudado nada durante os 4 anos em que passou fora, tinha o mesmo cheiro urbano de sempre mesclado com o aroma de carrinhos de comida. Era tão familiar e reconfortante que ela quase sorriu. Seria uma visita adorável se a semideusa não estivesse tão atormentada. E porque? Era isso que se perguntava enquanto descia a esquina pela calçada imunda na direção do subúrbio. Ela não tinha ideia. Sair do acampamento era algo perigoso, principalmente quando Nyx estava a espreita de qualquer semideus desatento, pronta para dar o bote e acabar com suas existências. Georgia sentia, é claro. Era extremamente sensitiva e mesmo assim não era preciso nenhum talento excepcional para captar o peso da tensão que caia sobre o Acampamento. Um confronto estava próximo e podia-se esperar um inimigo a cada esquina. Todo olhar torto, toda sombra, todos os detalhes deveriam ser observados naquela situação.

Alguns quarteirões percorridos sob o sol da manhã e Blanchard alcançara sua antiga morada. O prédio não era diferente de qualquer outro, tinha a mesma construção de tijolinhos avermelhados, janelas brancas e escadinhas de pedra que levavam até as portas. Mas mesmo assim ele parecia diferente, talvez por ter passado toda sua infância ali podia notar mais detalhes e isso o tornava especial. Ou seria outra coisa? Não tinha tempo para pensar, sentia como se um enorme peso estivesse comprimindo seu peito naquele instante. Obrigou suas pernas a se movimentarem e praticamente saltou os degraus até a porta, e ao girar a maçaneta descobriu que estava trancada.

Legal. – Sussurrou para si mesma apoiando as mãos na cintura de forma irritada. Não morava ali a 13 anos e nunca havia recebido uma chave, o que fazia sentido pois na época só uma não passava de uma criança. Não podia arrombar a porta e entrar como bem entendesse, muito menos transformar-se num inseto e passar pelo buraco da fechadura, o que seria bem mais fácil, mas haviam mortais demais andando nas calçadas para que pudesse fazer qualquer coisa.

Você mora ai? – Perguntou uma voz anônima fazendo com que Georgia virasse a cabeça para trás apenas para se deparar com uma mulher com cerca de 40 anos vestida em roupas de corrida super apertadas e com um copo de suplemento alimentar azul berrante na mão.

Oh, eu... – Georgia desviou o olhar, atrapalhada pela surpresa. Não era uma boa mentirosa, mas poderia contornar a situação com o poder da omissão. – Minha mãe morava.  – Gesticulou para o prédio da forma mais descontraída que podia. – Só vim pegar umas coisas. – Ela deu um sorrisinho amarelo e teve como resposta um franzir de sobrancelhas e um olhar desconfiado.

É o 302b? – A jovem fez que sim e a mulher imediatamente fechou a cara, subindo as escadas com passos duros. Encaixou a chave na fechadura e a girou, abrindo a porta. Ela encarava Georgia com seus olhos minúsculos olhos castanhos. – Espero que limpe aquele lugar. O síndico já tentou de tudo para entrar ali, mas por algum motivo sua porta não abre e o cheiro de mijo de gato está abominável! – Esbravejou com a cara vermelha, a cada palavra falada ela pontuava com um dedo na cara da jovem, que já estava ficando meio vesga. – Moro aqui a 30 anos e desde que a tal da Eleanor morreu, ninguém entra mais ali. Está um problema seríssimo.

Eu vou dar um jeito nisso. – Disse constrangida, andando com passos ladeados e as costas espremidas contra a parede, para que pudesse entrar no prédio e livrar-se da desconhecida. – Obrigada por abrir a porta. – Dito isso, a jovem disparou pelas escadas ignorando completamente o elevador parado e a cada passo que ecoava nas paredes de tijolinhos vermelhos, refletia sobre a fala dita anteriormente. “O síndico já tentou de tudo para entrar ali, mas por algum motivo sua porta não abre e o cheiro de mijo de gato está abominável!” Como assim ninguém conseguia entrar no apartamento a 13 anos? Era apenas uma porta normal e qualquer um poderia arrombar a fechadura para fazer uma limpeza!

Graças a sua correria o terceiro andar foi alcançado rapidamente. Georgia agora encarava a pintura gasta da porta do apartamento 302b com o coração quase saindo pela boca; e a mortal de antes tinha razão: O cheio de urina de gatos era bem forte por ali, o que a fazia pensar “Será que Dusty, o gato que adotaram quando tinha 5 anos ainda estava vivo? Não seja idiota”, balançou a cabeça negativamente para si mesma, uma sugestão de sorriso esboçando seus finos lábios. “Há coisas mais importantes para se preocupar no momento”. E realmente haviam: Estava frente a frente ao que poderia ser o ponto final de todo seu drama maternal das últimas semanas, ou até mesmo de uma solução para seu quebra cabeças de memórias perdidas e mais uma vez fora impedida por uma porta trancada. “Só que agora não tem mortal algum olhando”, riu-se enquanto enfiava a mão na parte de trás da calça e puxava sua fiel adaga de bronze. Você sabe o que eles dizem: Se a vida te der portas trancadas, arrombe-as com uma faca. E foi isso o que ela fez. Não podia simplesmente arrombar a fechadura de qualquer jeito e fazer barulho, se chamasse mais atenção ainda poderia sair dali sem informação alguma e com uma divida de 13 anos que sua mãe deixou.  Então, com todo cuidado possível, a jovem encaixou a pontinha da faca no parafuso superior da fechadura e o girou até que ele se soltasse, repetiu o processo com o inferior e o das laterais, assim logo havia uma fechadura solta em suas mãos.

Em seu peito o coração martelava mais do que nunca e seus ossos pareciam ter virado marshmallow , mas mesmo assim obrigou-se a empurrar a porta e adentrar no recinto.  Ao ser aberta, a porta emitiu um rangido baixo e um estranho som que pareciam papeis sendo arrastados no chão.  
Georgia se esgueirou para dentro e ao dirigir o olhar para detrás da porta seus olhos registraram uma enorme pilha de correspondência  enfiadas pela brecha que ficava no chão e entre as dezenas de envelopes, contas atrasadas e avisos de despejo, haviam bilhetes amarelados pelo tempo e escritos a mão endereçados a Eleanod Blanchard. “Cartas dos vizinhos”, concluiu ao pegar um dos retângulos de papel para uma melhor análise.

Que útil. – Murmurou sarcasticamente enquanto seu pé empurrava a pesada pilha de papeis para a porta juntamente com uma cadeira da mesa de jantar onde seu peso a manteve fechada já que a fechadura não existia mais. – E agora? – Murmurou para si mesma enquanto olhava ao redor e batia a mão direta nos jeans de forma distraída. O apartamento realmente estava em ruínas. As paredes tinham infiltração em vários pontos, a pintura descascava, haviam teias de aranhas em todo canto e sem mencionar a camada monumental  de poeira que se formava em toda superfície que estava a vista. Georgia suspirou com pesar, sentia-se completamente perdida. Onde começaria a procurar? E o que estava procurando afinal? Havia viajado toda aquela distância para encontrar algo que não sabia o que era num lugar abandonado e fedido? Era triste, porém a realidade era inegável.

Lamentar a realidade não ajuda. – Disse para as tristes vozes em sua cabeça que lhe informavam o fracasso de sua expedição. Tinha que se mexer, a resposta para seus problemas não iria simplesmente pular na sua cara de graça e sendo assim, começou a vasculhar o lugar todo a procura de algo que ainda nem sabia o que era. “Vou saber quando encontrar”, tranquilizou as vozes em sua mente que pareciam mais agitadas do que o normal.

Cada gaveta revirada levantava uma nova nuvem de poeira, cada móvel analisado revelava um novo ninho de traças ou aranhas e a escuridão no apartamento graças a energia cortada também não ajudava muito; mas mesmo assim a jovem não desistiu e revirou cada cômodo, até mesmo a cozinha, onde achou uma família de ratos vivendo no forno. Mas foi no seu antigo quarto que sua busca finalmente chegou ao fim. Enquanto revirava sua antiga cômoda de roupas acabou por encontrar um novo envelope, mas este era diferente. Estava lacrado com um sela bonito e seu nome estava escrito numa familiar caligrafia redonda. Suas mãos tremeram um pouco e houve uma certa dificuldade para romper o selo, mas quando o fez, recuou alguns passos para a cama onde sentou-se levantando uma pequena nuvem de poeira.

“Minha bonequinha,


Se está em posse desse envelope eu provavelmente estarei morta, você já saberá sua verdadeira identidade e estará a procura de respostas. Gostaria de estar ai, de ter visto você crescer, ter dado-lhe atenção e uma infância maravilhosa como merece. Mas infelizmente não é o tipo de coisa de uma pessoa como eu pode oferecer.

O mundo não é um lugar seguro para pessoas como nós, Georgia. Quando você nasceu lembro-me bem de como seu pai se ficou arrasado. Não entenda errado, por favor! Ele a amava e temia que coisas ruins lhe viessem a lhe acontecer. Você foi a primeira filha que ele teve em décadas e semideuses tendem terem vidas tortuosas e com finais infelizes, acredite em mim quando te falo! Mas mesmo assim espero que você seja a exceção, afinal é a prole do moldador de sonhos, não? Os sonhos são os que nos mantém vivos, o que nos fazem seguir em frente e suportar nossas realidades horrendas. Você é a própria esperança, bonequinha.

Eu a amo demais, e por isso estou em lágrimas enquando escrevo esta carta. Neste exato momento você está brincando com suas bonequinhas na sala, é uma bela festa do chá e seu riso ecoa pelo apartamento. É tão bom vê-la dessa forma: Feliz, inocente e ignorante... Infelizmente este último adjetivo é um perigo para a você de agora. Não sei com que idade está, mas espero que encontre esta carta antes de fazer dezoito anos, pois quanto mais cedo souber, mais tempo terá para se preparar pro futuro.

Não há uma boa forma de dizer isso, então  apenas falarei de uma vez: Eu também sou uma semideusa. Sou filha do deus da Guerra, Ares,e isso faz de você não apenas neta dele, mas sim um legado. Eu sinto muito por ter a colocado nesse mundo para um destino tão cruel, já não é fácil viver como um semideus normal e sendo um legado ainda por cima! Não posso se quer imaginar como deve estar agora, mas é impossível que não me permita permanecer esperançosa.

Seu caminho não será mais fácil daqui pra frente. Com esta informação, deve procurar dentro de si sua segunda herança: Força, disciplina, poder e perseverança. Se conseguir descobrir seu verdadeiro potencial, seu destino será brilhante.

Com todo o amor do mundo, mamãe.




Ao final da leitura Georgia percebeu que não respirava mais. Seus olhos de esmeralda estavam fixos no papel machado e cheio de mofo enquanto lagrimas escorriam livremente pela sua bochecha e as mãos tremiam compulsivamente. Então quer dizer que sua vida não havia chegado nem do ápice de sua desgraça ainda? Era como se as garras da Banshee que outrora havia derrotado estavam envoltas em seu músculo cardíaco e o apertava com toda a força, perfurando-o e destruindo-o. Um  grito se formava em sua garganta mas por algum motivo ele simplesmente não saia, estava preso por um nó. Explicar a confusão que se passava pela cabeça daquela pobre jovem era impossível, em sua mente o habitual burburinho de vozes estava aumentado dez vezes, cada um gritava algo diferente e nada parecia convergir daquela vez. Era tudo um caos, um mar de doença e desespero.

“Então pra que continuar essa tragédia” Soou uma das vozes na cabeça de Georgia e ela franziu a testa.

Eu não... Eu não entendo. –Respondeu-lhe numa voz tão baixa que quase não poderia ser ouvida.

O burburinho morreu, era a primeira vez em anos que a mente da semideusa ficava completamente silenciosa em 13 anos, mas então outra voz resolveu se pronunciar, era difícil definir seus gêneros, todas pareciam algo distorcido e abstrato demais.

“O que está fazendo consigo mesma, garota burra? Ficará sofrendo por mais uns anos até ser finalmente morta como um peão dos deuses?”

“Devia por um fim nisto você mesma.” Houve uma concordância entre todas as vozes e Georgia pulou da cama, escorregando seu corpo para o chão e trazendo os joelhos junto ao peito e encostando sua testa ali. As lagrimas agora escorriam com velocidade, seu nariz parecia mais uma cachoeira e em seus ouvidos havia um zumbido alto. Levou ambas as mãos até o local e tentou abafar aquele som horrendo e irritante.

Cala a boca! Para de falar merda! – Esbravejou enquanto balançava o corpo para frente e para trás batendo as costas na armação da cama. – Sai da minha cabeça! – Ela esperneou e seu calcanhar atingiu a perna da mesa.

“Deveria fazer algo por si mesma pelo menos uma vez na vida. Deixa de ser um peso morto”. Dessa vez ela pode distinguir melhor a voz, era algo semelhante a uma avó de interior muito brava, porém soava como se estivesse modificada eletronicamente.

“Além do mais, quem disse que estamos na sua cabeça?” Ao soar daquele pensamento a visão de Georgia começou a escurecer e então o chão foi recoberto pouco a pouco por um por um líquido extremamente grosso e viscoso. Ela pulou imediatamente para tentar evitar que aquilo encostasse em seu corpo, mas no exato momento em que fez isso, uma onda entrou pelo quarto derrubando tudo quando era mobília.

Naquele instante ela pensou que estivesse finalmente pirado de vez. Seu corpo resolveu não lhe obedecer e seus movimentos foram congelados, eram como se fios de metal estivessem ligados as suas articulações e por sua vez presos ao chão, impedindo-a de mover-se um milímetro se quer. E assim, a onda negra lhe alcançou. O liquido viscoso invadia suas vias respiratórias e lhe sufocava. Tentou nadar para cima mas seu corpo magro não era forte o suficiente para romper aquelas amarras invisíveis e abrir caminho até o ar. No desespero seus lábios de abriram para gritar, talvez alguém pudesse lhe ouvir, mas sua boca foi invadida pelo líquido e foi ai que Georgia sentiu a real falta do ar.

Seu corpo que antes vibrava na tentativa de espernear e chutar de repente não tinha mais forças para reagir contra aquela paralisação, seus pulmões queimavam e sua visão ficou turva. Ela realmente achou que iria morrer. Poderia ter acatado a paranoia como uma boa garota e ficado na segurança do acampamento, mas não! Tinha que tentar resolver seus problemas e agora iria pagar pelo erro com a vida.

–  Uma alma tão jovem, e mesmo assim carrega as dores de quem já viveu centenas de anos. – Uma voz soou de lugar nenhum.

“ME AJUDA!” Ela queria gritar, mas seu corpo já desfalecia, aquele momento parecia estar se passando em câmera lenta, ela podia ver as camadas de breu se sobrepondo umas as outras e suas ondulações detalhadamente. Foi quando achou que finalmente iria sucumbir que tudo simplesmente parou e uma lufada de ar invadiu seus pulmões. Seu corpo foi liberado da paralisia e o mar negro que lhe rodeava havia se tornado uma espécie de quadro branco como se fosse outra dimensão.

Alguns metros a sua frente havia um homem. Sua aparência era difícil de ser descrita, sua face era atemporal o que tornava a tarefa de deduzir sua idade impossível. Sua pele era caucasiana, mas mesmo assim parecia brilhar. Ele trajava vestes antiquadas como um homem dos anos 40, exceto que seu terno parecia ser feito de nuvens.

Sabe quem eu sou, criança? –  A voz era calma e fluida, tão leve quanto o próprio ar. Mas Georgia não conseguia apreciar-lhe, estava em total estado de choque e tudo que pode fazer foi encarar a entidade com uma expressão indescritível.

O que está...? Quem... Quem é o que está acontecendo?

A entidade riu da sua pergunta mal elaborada mas Georgia continuava a lhe encarar.

Me chamo Éter. Sou o deus primordial dos céus, o ar sagrado respirado pelos deuses.

Você pode me tirar daqui? – Questionou com um olhar de desespero estampado na face, mas a expressão divertida de Éter pareceu se entristecer.

–  Infelizmente você está fora do meu alcance, Georgia. – Ela se assustou por ele saber seu nome, porém já deveria estar acostumada com aquilo, afinal deuses sabem de tudo. –  Aquela que comanda as sombras da noite lhe envolveu novamente em uma de suas armadilhas mortais. Tudo que posso fazer por você é uma singela ajuda, mas preciso que faça algo por mim.

A cada palavra de Éter Georgia sentia como se sua corrente sanguínea se congelasse. Nyx novamente? A pouco tempo atrás a deusa primordial havia tentado mata-la e agora tentava aquilo novamente? Não fazia sentido! Nem era uma semideusa poderosa, não oferecia ameaça alguma então porque a perseguição?


Não estou em posição de oferecer ajuda nem para mim mesma. –  Admitiu com a voz cheia de decepção.

É mais valiosa do que pensa, Georgia Blanchard. Você mesma já sabe como sair disso, só não juntou as peças corretamente. Nosso tempo é curto e você precisa encontrar seu caminho. – Ele fez uma pausa para analizar a expressão da filha de Morfeu com cautela. –  Acha mesmo que alguma coisa que está acontecendo aqui tem sentido? –  Ela titubeou o melhor que podia e felizmente a resposta brotou em sua mente com uma bolha.

Não, não faz o menor sentido...

Exatamente. Respire fundo, criança. Isso não é real. Respire fundo de verdade e assim achará sua saída quando afastar as nuvens cinzentas que lhe escondem a verdade – Ele lhe encarava com aqueles olhos brilhantes e cheios de poder. – Se sair viva, o que eu espero que aconteça, gostaria que se juntasse a mim.

Georgia franziu a testa e inclinou a cabeça para o lado, uma clara expressão de confusão.

Quer que eu... Siga você, digo, o senhor? – Ele fez que sim e a jovem sentiu seu coração pular uma batida. – Não entendo, eu não sou poderosa, sou apenas...

Você é forte, minha criança. Preciso de fortes semideuses ao meu lado na guerra, e agora que a ajudei, posso contar com a sua retribuição? – Ele ofereceu uma mão para a jovem que hesitou por alguns segundos, mas enfim acabou apertando. Tão rápido quanto apareceu Éter desapareceu, levando junto seu cenário de tranquilidade e deixando em seu lugar o mar negro de piche que voltara a  sufocar Georgia.

Respire, Éter havia dito. Aquilo era uma ilusão ela simplesmente não conseguia ver saída, geralmente ilusão apresentam falhas. Seus pensamentos voltaram a ficar confusos e ela só tinha uma pequena porção de ar restante em seus pulmões, não iria durar muito mais tempo então era tudo ou nada. Naquele milissegundo em que hesitou, jurou a si mesma que quando morresse ali, iria procurar a mãe no submundo. Porém se vivesse, dedicaria sua vida a Éter. “É uma ilusão, eu estou no apartamento”, foi seu último pensamento antes de encher seus pulmões com o que esperava que fosse o líquido viscoso, mas ou invés disso ela só sentiu um fortíssimo cheiro de mofo e urina de gatos. Uma sensação engraçada tomou seu nariz e então ela espirrou. Quando abriu os olhos estava no seu antigo quarto, caída no chão e respirando de forma ofegante, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa ouviu um grasnido irritado ao seu lado e em seguida uma mão com garras afiadas puxou seus cabelos para cima. Tudo que pode ver antes que sua testa fosse de encontro ao chão empoeirado foi a um borrão azul com feições horrendas e em seguida sentiu a pancada.

Georgia grunhiu de dor e tentou levantar-se, mas novamente aquilo a que a segurava bateu sua testa no chão e ela viu estrelas. O movimento se repetiu por umas três vezes e ela achou que fosse perder a consciência, porém seu corpo pareceu reagir sozinho e seu cotovelo tomou um breve impulso antes de se jogar para trás, atingindo algo macio. O aperto afrouxou e houve um som similar ao de uma velha prestes a vomitar. Repetiu a cotovelada e a coisa se afastou. Mesmo tonta e com o nariz sangrando, possivelmente quebrado, Georgia se pois de pé e virou para encarar seu agressor. Tinha a aparência de uma senhora de idade extremamente enrugada com nariz grande, a pele azulada e olhos arregalados. Pode notar que seus dedos terminavam em garras de ferro pontudas e brilhantes. Ao baixar os olhos a jovem pode notar um estranho cinto rodeando a cintura dela e demoraram alguns segundos para que percebesse que aquilo era um amontoado de peles humanas artificialmente pintadas. Seu estômago revirou mas ela não perdeu o foco.

Que porra você ta fazendo na minha casa? – Disse puxando a adaga guardada atrás da cintura. A velha rosnou, parecia ter se recuperado do golpe e encarava a filha de Morfeu com seus olhos vazios e brilhantes.

Minha casa. – Ela rosnou numa voz rouca como se não falasse há meses. – Você invadiu, vai ser o jantar. – Ela abriu um sorriso de dentes afiados e Georgia enfureceu-se; Aquele era o lugar onde havia tido parte da sua infância, a casa de sua mãe e agora um monstro qualquer estava se apoderando como se não fosse nada? Não, aquilo não ficaria assim.

A velha avançou com uma velocidade surpreendente e a prole de Morfeu teve tempo apenas de desviar para a esquerda, mas mesmo assim as garras rasparam em seu ombro; Não era uma ferida profunda, mas mesmo assim a dor era irritante. Um soco lhe acertou no queixo e ela cambaleou para trás, a visão turva pela dor e pelas pancadas na cabeça de alguns momentos atrás. “Velha idiota”, pensou enquanto impulsionava seu corpo para a frente e acertava um gancho de direita no queixo da criatura.

Devia ter ficado em sua toca, coisa estúpida. – Disse-lhe com fúria na voz antes de erguer a mão que segurava a faca e acertasse a velha na garganta. Seus olhos se esbugalharam e ela ainda realizou uma patética tentativa de ferir a semideusa, porém as garras rasparam de forma ineficaz em sua cintura. Quando puxou a arma para si, o corpo da criatura começou a se desfazer em areia dourada antes mesmo de atingir o solo. Georgia ficou de pé, o ombro ferido, sangue saindo do nariz e boca enquanto seus olhos verdes acompanhavam o desaparecimento do corpo.

Longos minutos se passaram até que a jovem conseguiu sair do lugar. Naquele momento seus ferimentos não lhe preocupavam, mas mesmo assim ela rasgou um pedaço do lençol que cobria sua cama, bateu longe a poeira e o usou para limpar o sangue do nariz, lábios e em seguida o amarrou na ferida do ombro afim de evitar exposição a agentes infeciosos. Seu corpo parecia agir de forma automática demais para perceber que as vozes em sua cabeça não estavam discutindo ou provocando-a. Todas estavam e silêncio, apenas pensamentos abstratos e vislumbres mal formados a preenchiam agora; aquela foi a primeira vez que Georgia desejou que elas falassem, pois nem ela sabia o que fazer depois de todo aquele acontecimento. Como se não bastasse descobrir que era neta do deus da guerra, havia feito um voto com o deus primordial dos céus e lutaria em seu nome. Ela nem sabia por onde começar, sua cabeça girava como se tivesse acabado de sair de um carrossel.

Café. – Sussurrou para si mesma e houve um murmúrio de concordância em sua cabeça. – Vou tomar um café gelado e comer biscoitos. Uma coisa de cada vez.  – Continuou a conversa consigo mesma enquanto se dirigia para fora do quarto, mas quando seus olhos bateram numa bonequinha de pano que ficava na estante, não resistiu a leva-la junto consigo.

Antes de deixar o apartamento, Blanchard resolveu dar uma última olhada no quarto da mãe. Ao empurrar a porta, ela rangeu exatamente como todas as outras porém o cheiro do lugar estava insuportável, parecia que alguma coisa  havia morrido ali dentro, e ao olhar mais com mais atenção, percebeu que algo realmente havia morrido ali dentro. Ao lado da cabeceira da cama totalmente destruída havia uma pilha de animais mortos e a jovem pode ver algo que parecia um braço humano no meio deles. Seu estômago revirou e ela fechou a porta imediatamente. O ódio dentro do seu coração parecia ter chegado a níveis astronômicos. Aquele monstro nojento havia deturpado sua casa, estragado as lembranças de sua mãe e provavelmente matado algum mortal. Era realmente repugnante.

Quando você voltar do tártaro eu vou ter minha vingança. – Jurou em voz baixa enquanto dava as costas para a porta da sua mãe e seguia pelo corredor da sala, onde pegou sua mochila e finalmente deixou o apartamento para trás, assim como seu passado.


Armamento:

× Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ] (preso a calça, utilizado)

× Espada de Ferro [ Uma espada de lâmina reta com um fio duplo - ou seja, possui dois gumes - feita em ferro estígio, sua lâmina tem cerca de 90cm enquanto tiras de couro negro envolvem seu cabo. Possuindo em seu pomo um espaço para uma única gema.| A espada é coberta por veneno, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de envenenar caso atinja a corrente sanguínea, causando -15HP por 4 turnos | Ferro estígio| Espaço para uma gema| Beta | Status 100%, sem danos. | Mágico| Quando o passado revive.] (Na mochila sem fundo, não utilizado)

× Pulseira de perícia  Avançada [Pulseira de couro que se ajusta perfeitamente ao pulso do usuário, possui amarras de cordinhas na parte de baixo, então é fácil de equipar-se com ele, se for cortado, ou destruído, perde totalmente o efeito, ou seja, é preciso estar em uso, no pulso, para que o efeito continue a ser efetivo para o semideus, do contrário, ele perde o bônus da perícia completamente, só funciona através da pulseira | Aumenta a perícia de uma arma de sua escolha em +50%, provocando um dano de +30% (ADAGA) | Couro | Sem espaço para gemas| Sigma | Status: 100% sem danos | Mágico |  Loja especial do dia dos namorados]  (no pulso direito)

× Mochila sem fundo [Mochila de prata com material simples, sem bolsos laterais, com um único zíper, uma única entrada e uma única saída.| A mochila não possui fundo, foi encantada para caber inúmeros objetos, ou seja, seu espaço é infinito, tudo que você colocar dentro dela permanece ali, desde que passe pela parte de cima, ou seja, você precisa conseguir colocar o item pelo buraco, que é largo o suficiente para passar até uma panela de pressão. Para pegar o item de volta basta colocar a mão dentro da mochila e pensar nele, e ele retorna para suas mãos.| Indefinido | Sem espaço para gemas | Alfa | Status: 100% sem danos |Lendário e mágico | Loja especial do dia dos namorados]

Referência do monstro:



Black Annis: Outro tipo de bruxa, a lenda da Black Annis soa bastante similar ao nosso Homem do Saco. O ser maligno perambula pelo interior de Leicestershire, na Inglaterra, se alimentando de ovelhas e crianças sem distinção. Quando consegue pegar um pequeno garoto ou garota, ela tinge sua pele e a usa em torno de sua cintura, formando uma espécie de cinto macabro.

Sua residência é uma caverna que ela escavou usando suas garras de ferro. Os pais do século XIX forçavam seus filhos a se comportarem afirmando que seriam levados embora pela Black Annis se aprontassem muito. Ela costuma esfolar suas vítimas, tingir suas peles e usa-las como cinto.



Habilidades Passivas:

× Força: Mesmo que sua aparência seja de uma de uma senhora idosa, a criatura possui uma força que chega a se igualar a de um homem adulto musculoso.

× Garras e Dentes: A Black Annis possui garras de aço no lugar das unhas e dentes amarelados e pontiagudos que usa para dilacerar a carne de suas presas.

Habilidades Ativas:

× Ilusão: A Black Annis pode criar quadros ilusórios extremamente poderosos para enganar suas presas. Tais quadros podem ser tanto de coisas boas, para atrair a presa, quanto de coisas ruins para assusta-las e tornar sua caçada mais simples.

× Camuflagem: A criatura pode mudar aspectos de sua aparência para ficar similar a uma idosa comum.


Habilidades:


× Noção Básica de Pugilismo:  Pugilismo, ou boxing, é a habilidade de usar os próprios punhos como poderosas armas de impacto. São extremamente úteis quando o semideus encontra-se desarmado e precisa lidar com uma situação crítica com o uso da própria força. Golpes só serão descontados de dano se atingirem áreas sem armaduras. Em caso de golpe em armadura de couro ou golpes de raspão, dano reduzido em 50%.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum.
Dano: Todo dano físico, com o uso dos punhos, recebe dano padrão de 25HP.

× Nível 12 Nome do Poder:
Pericia com Adagas II
Descrição: Com o treinamento certo o semideus se torna um ótimo combatente de adagas, ele não é perfeito, comete erros é claro, mas consegue vantagem ao lutar com adagas.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +15% de assertividade no manuseio de adagas.
Dano: +10% de dano se a arma atingir o oponente do semideus.

× Nível 1
Nome do Poder: Aterrorizador
Descrição: A presença do semideus – quando esse estiver irritado - pode provocar medo similar ao medo de um sonho ruim.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Pode fazer o inimigo hesitar durante um turno.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
?


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Georgia Blanchard
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Re: CCFY de Aniversário - Going back in time

Mensagem por Vênus em Sab Jul 01, 2017 3:57 pm

Ficha aceita
3.500 (x3) = 10.500 xp + 4.000 Dracmas

Apenas deixando o comentário que muitos staffers elogiaram você, parabéns querida, continue assim, sempre dando o seu melhor.


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Vênus
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