The Blood of Olympus
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O Portador da Tormenta

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O Portador da Tormenta

Mensagem por Abramov Levitz em Dom Jun 25, 2017 8:34 pm




CAPÍTULO I
Out of the blue, into the black
Era noite em Nova York, a chuva forte espantava as pessoas da rua, mas ainda assim haviam corajosos que ousavam correr pelas calçadas, por qualquer motivo que fosse. E no meio delas, estava Abramov Levitz, ceifador de Thanatos, em uma missão à mando do mesmo. Sua jaqueta de couro, com asas de anjo negras pintadas nas costas, contrastava de maneira interessante com seu jeans escuro. Os cabelos, agora mais longos, caíam de leve por cima da testa, molhados por conta da chuva. Sem rumo, ele caminha todo de preto, misturando-se na multidão da metrópole, que era conhecida pelo visual apelativo e alternativo. Seus olhos atentos seguiam a movimentação dos carros, à procura de um sinal, mas há horas vagava sem respostas. Já prevendo que isso aconteceria já que nada parecia dar certo, acaba se cansando em um momento, e resolve entrar na primeira lanchonete que encontra.

– Guarda chuva, senhor? – Uma garçonete logo o recepciona na entrada.

– Hm... não, esqueci o meu em casa. – Ele se assusta com a abordagem, pois não estava acostumado a ser chamado de senhor. Julgou que a barba para fazer, em conjunto com as vestes, o fizeram parecer mais velho do que realmente é.

– Já tem algo em mente? – Ela pergunta, enquanto o leva até uma das mesas.

– Um misto quente e um chocolate também quente, por favor. – Tenta brincar, mas seu tom soa menos amigável do que de costume.

– Ok. –  Sorri meio forçadamente, estranhando a brincadeira.

Já sentado, o semideus se pega olhando as gotas de água escorreemr pelo vidro da janela, na parte de fora, enquanto pensa na vida como um todo. Desde que jurara lealdade à Thanatos, sentia-se diferente com relação à tudo em sua volta. Toda vez que se olhava no espelho, não reconhecia a pessoa que lhe encarava. A questão nem era física, apesar de se sentir mais abatido do que de costume, e sim psicológica. Sua empatia excessiva aos poucos parecia se esvair, como se ele não se importasse mais com as coisas bobas que antes lhe tiravam o sono. Até tinha deixado de pensar em Cody, mesmo este estando morto, e quando se lembrava disso, uma breve culpa lhe assolava mas logo voltava a não se importar.. Além disso, suas paranoias diárias iam aos poucos dando vez à voz da razão, que preferia preservar sua sanidade por questões de sobrevivência. Para que esquentar a cabeça com uma situação não tão importante, se podia ficar em paz para lidar com outra que realmente significava algo. Seu novo mestre lhe alertara das contrapartidas de se tornar um ceifador, e só agora ele percebia o quão verdadeiras as palavras do deus eram.

"Out of the blue, into the black..." A música surge em sua mente, enquanto ele mexe seu chocolate quente com a colher para o esfriar.

Pelo menos seu paladar não tinha sido afetado, e cada mordida que dava em seu sanduíche lhe revigorava um pouco. Claro que, como tudo que é bom na vida de um semideus, aquele momento de prazer logo é interrompido quando uma luz de farol forte se destaca na rua lá fora. Os olhos de Ab piscam pela luminosidade inesperada, mas assim que sua visão volta ao normal, ele vê que o veículo tinha quase batido em um outro. Nesse breve momento de confusão no trânsito, sua vista pega a placa da van preta que ali se encontrava parada.

"São eles!" Quase se engasga quando percebe que seu alvo estava bem ali em sua frente.

Apressado, Abramov deixa uma nota de valor alto na mesa e corre com o último pedaço do misto quente, assustando o povo que ali comia. Havia chamado atenção desnecessária, mas se não corresse iria perder a van de vista, e isso estava fora de cogitação. Não podia simplesmente sair voando por ai, muito menos disputar corrida com um carro, mas havia algo que podia fazer. Antes que alguém pudesse notar, ele corre para um beco qualquer, e lá usa os ventos para escalar até o topo de um prédio qualquer. Depois disso a cena passa a ser algo ao estilo homem aranha, onde ele salta de telhado em telhado. O super herói usava teias, ele os ventos, e seja em quadrinho ou realidade, ninguém lá embaixo parece notar. Provavelmente era obra da névoa, mas nem pensava nisso, pois se preocupava em ficar para trás com sua velocidade não tão alta.

A van seguia pelas ruas de Nova York, cortando ruas e acelerando ao máximo, ao ponto de quase derrapar no asfalto molhado. Pelo caminho que seguia, ela provavelmente se dirigia para o Queens, um bairro famoso da cidade. Ab não era de lá, mas tinha passado muitos finais de semana por ali junto de seus pais. E pelo pouco que conhecia, o lugar era cheio de depósitos abandonados em ruas afastadas, sendo perfeito para o propósito dos fugitivos. O único problema se deu pelo fato de que em um momento do trajeto, os prédios iam diminuindo de altura e aumentando o espaço entre eles. Impossibilitado de seguir pelos ares, ele se viu correndo em meio à chuva, desesperado para não se perder. Sua sorte era que já estavam chegando no local, e por isso consegue alcançar por pouco o veículo, que estaciona em frente à um depósito.. A rua em que se encontravam era larga porém curta, deserta e meio escura. Poucos postes a iluminavam, e ainda assim muito pobremente, dando um ar assustador para o cenário.

Da van, três lagartos humanoides descem segurando três crianças pelos braços. De acordo com Thanatos, aqueles jovens semideuses haviam sido raptados à mando de Nyx. A deusa primordial não tinha revelado seu real objetivo ou plano ainda, mas andava recrutando gente para seu exército. E em alguns desses recrutamentos, os escolhidos não tinham bem o direito de aceitar se juntar ou não. Crianças estavam sendo desvirtuadas do caminho dos semideuses, sendo alcançadas por agentes da deusa antes que sátiros pudessem lhes encontrar e levar até o acampamento. E bem, calhou da missão de Abramov envolver se meter naquela assunto, ainda que não fosse seu objetivo principal.

"Não pode ser só isso..." Pensa, enquanto observa os monstros de cima de um depósito à frente do que era usado pelos demônios de Nyx.

Em sua concepção, era impossível que um esconderijo como aqueles fosse guardado apenas por três monstros, e como já esperava, estava certo. Segundos depois, a porta de metal do armazém é levantada, e de lá um mini exército de criaturas surge. Em uma rápida análise, Ab pôde contar cerca de quinze bichos, além dos três de antes, variando de dracanaes à mais dos lagartos humanoides. E por falar neles, nunca os tinha visto antes, e muito menos sabia seus nomes. Eles tinham a estatura de um atleta olímpico, mas seus corpos eram cobertos por escamas verdes, e sua cabeça era de uma lagartixa adulta. E se não bastasse isso, mais duas crianças saem de dentro do armazém, e ficam do lado das outras que haviam acabado de chegar. Ab nota que as criaturas conversam sobre algo em sua própria língua, e depois gritam algo para os reféns fazendo-os entrar no depósito, e os tranca lá. É nessa hora que o ceifador resolve agir, aproveitando que os inocentes tinham sido isolados.

Primeiro, Abramov absorve toda a energia dos poucos postes que iluminavam a rua. Em grandes quantidades, muita energia absorvida poderia lhe matar, mas não se tratava de uma quantidade alta, e sim de umas três ou quatro lâmpadas de rua, algo tolerável para. Tendo assim levado escuridão ao campo de batalha, ele salta com maestria, e pousa levemente no chão dando início à dança.

O cenário era escuro o suficiente para que as criaturas não enxergassem direito. E diferente destas, os olhos do ceifador logo se adaptam ao escuro, enxergando até melhor do que antes. A única coisa que se pode ouvir são seus passos, quando pisa nas poças de água provenientes da chuva forte. Segundos depois, grunhidos de monstros começam a surgir enquanto Ab os corta com sua espada. O corpo do rapaz gira de maneira majestosa por entre seus inimigos, retalhando-os sem muita dificuldade à principio. Todos os seus golpes se conectam em seus alvos, mas ninguém consegue lhe atingir, já que ele sempre se afastava depois das investidas. Seu maior adversário é a resistência natural de seus adversários, que não morriam com cortes simples, e é visando sobrepor ela que ele canaliza eletricidade em sua lâmina.

Cada golpe conseguinte reluz em meio à escuridão, revelando sua localização no último seguinte antes de enterrar a espada no corpo de algum infeliz. Não só isso, por conta da chuva, a eletricidade acaba se espalhando aos poucos pelo chão ao menor toque da lâmina no asfalto. Abramov ia eliminando os servos de Nyx um por um, sendo o único ponto de luz em meio à escuridão daquele lugar. O que antes era uma tentativa de cercar o semideus por parte dos bichos, considerando que estavam em maior número, logo muda para um plano de retirada mal elaborado. Eles tentam correr, mas Ab crava sua espada no chão e expande a corrente elétrica. Como se uma teia de aranha, só que com fios de eletricidade, fosse surgindo a partir de seu ponto e espalhando-se pera área. O golpe termina de derrubar, por conta do choque, quase todos os demônios de Nyx, com exceção de um dos lagartos, que se refugia em cima da van, escapando da técnica no último instante.

– Insolente, como ousa atrapalhar os planos de minha senhora!? – O lagarto grita, em um tom de voz meio monstruoso e estranho. – Vai pagar por isso! – Ele atira algo com a boca em um rápido movimento, e atinge o braço direito do rapaz. – Já era para você, semideus!

– ... – Ab retira as duas agulhas que tinham se cravado nele, e as joga no chão. Sua jaqueta especial, que tinha sido uma regalia de seu senhor, era resistente o suficiente para não ser tão profundamente penetrada pelo projétil. – Minha vez. – O adolescente retira duas penas da vestimenta negra, e as arremessa contra o monstro. Este, por sua vez, estica a língua reptiliana e se agarra no telhado do depósito, sendo alçado até lá antes de ser atingido.

– Quem é você, desgraçado? – Ele curva a cabeça, enquanto suas pálpebras se fecham na vertical ao invés da horizontal.

– ... – O ceifador nada responde, usando seu tempo para tentar atingir o monstro com mais penas, mas este apenas desvia dos lançamentos com uma agilidade inesperada.

– Vai se arrepender de ter feito isso. – O lagarto começa a juntar algo na boca, e logo cospe uma gosma verde e pegajosa no semideus.

Abramov consegue desviar a tempo por conta de seus reflexos apurados, mas nota que teria sido tráfico caso fosse atingido por aquilo. O chão onde a gosma atinge começa a derreter, e não só o concreto, mas também o teto da van onde alguns pingos tinha caído.

"Ácido? Por que os outros não usaram isso também?" A única explicação que podia pensar era que estava lidando com um monstro mais forte que aqueles servos.

Nesse meio tempo, a eletricidade do chão some, mesmo com os monstros ainda inconscientes nele. E sabendo disso, o oponente do ceifador pula no chão novamente, e avança para o combate. Ab pula para trás, sem dar as costas para seu inimigo, e com um gesto de meia lua aberta utilizando o braço direito, faz inúmeras foices negras surgirem, e as arremessa usando sua mente. O demônio apenas se defende com um braço, revelando ter escamas mais resistentes que a dos demais. Além da defesa, ele salta e cospe mais ácido no semideus, e este se joga para o lado evitando ser atingido, mas quando o faz, vê seu tornozelo ser agarrado pela língua do bicho. O simples toque do órgão muscular em seu corpo causa ardência, e só não é pior pelo material de sua calça ser mais denso. O filho de Zeus aperta as mãos por conta da dor, mas antes de ser arrastado pelo chão consegue usar sua espada para cortar a língua.

– Nãu! Ma ingua! – O lagarto se afasta após ser mutilado. – So teá volta! – Diz, com dificuldades, antes de saltar para o topo do depósito e fugir pelos fundos.

Abramov logo conclui que era inútil ir atrás do fujão, ainda mais com seu tornozelo ferido daquele jeito. Poortanto apenas tenta se recompor enquanto sente o machucado se recuperando com as sombras. Ao mesmo tempo que isso, sua espada volta ao pingente que antes era, e com as mãos livres, ele utiliza as sombras para trazer o Jarro da Morte até si. O objeto emerge das sombras à sua frente, conforme sua vontade, e logo ele o abre, dando inicio à uma de suas tarefas como ceifador. Os monstros caídos no chão, inconscientes por conta do forte choque de antes, vão sendo mortos um por um, e suas almas armazenadas no recipiente da própria morte.


– Quem está ai? – A voz de uma menina surge em meio à calada da noite. – Alguém ajuda a gente!

– Hm? – Ab ergue o jarro, que tinha um tamanho médio, e usa quase todo o resto de sua energia para acender a luz das lâmpadas novamente. Depois, força a porta de metal até ela ceder, e a levanta para que os raptados pudessem sair.

– Quem é você? – A menina pergunta, destemida. Ela não parecia nada abalada com a situação, diferente dos outros quatro, que permaneciam perto uns dos outros por conta do medo.

– Ninguém. – Responde, enquanto observa os semideuses. Todos ali pareciam ter cerca de dez anos, ou pouco mais, jovens demais para terem sido reclamados. E a julgar pela forma como se portavam, completamente aterrorizados, descobriram da pior maneira possível que sangue olimpiano corria em suas veias.

– Ninguém é ninguém. – Indaga. – Você matou esses bichos todos sozinho? Você salvou a gente! Foi Brumus que te mandou, não foi?

– Brumus?

– Meu amigo sátiro. Ele encontrou eu e os meus irmãos. – Ela aponta para os outros dois que tinham saído da van com ela. – Ia levar a gente pro tal acampamento, mas ai aqueles lagartões surgiram e pegaram a gente. Brumus conseguiu fugir, e prometeu que viria atrás da gente. Então foi você que ele mandou, né?

– ... –  Ab percebe pela forma como a pequena falava, ela provavelmente não tinha sido alfabetizada apropriadamente.

– Por que você não fala nada? Você é surdo? Não to entendendo. – Se irrita, enquanto encara o ceifador.

– Brumos não me enviou, vim à mando de outra pessoa.

– Ah... tudo bem, acho que ele não conseguiu vir então, né...

– Você é Laura Moon. – Diz, mais como afirmativa do que pergunta.

– Sim, eu mesma. Você me conhece?

– Meu mestre te conhece, imagino que saiba de quem eu estou falando.

Laura demora alguns instantes, mordendo os lábios inferiores. – Ele me deixou vir, eu juro! Eu disse que precisava ajudar meus irmãos, eles não conseguiriam sobreviver na rua sozinhos e... – Ela se segura para não chorar.

– Eu sei, sua história me foi contada. Por isso sei que concordou em retornar quando seus irmãos estivessem em segurança.

– ... uhum. – A menina se vira e abraça os dois irmãos, enquanto tenta esconder as poucas lágrimas que não conseguiu segurar, para que eles não as vejam.

– Laura, pessoal! – Uma voz nova se junta à conversa, revelando-se logo em seguida como um sátiro, que corre pela rua deserta na direção do grupo.

– Brumus! – Os irmãos mais novos da menina gritam em uníssono, contentes com a presença de um conhecido.

– Por Pan, vocês estão bem! – O sátiro abraça o trio. – Me perdoem por não vir antes, eu não consegui achar para onde eles tinham levado vocês e...

– Tudo bem, eu entendo. – Laura o interrompe, e logo se vira para Abramov. – Acho que essa é a hora, então...

– Não! Você não pode fazer isso, não é justo! Ela mais do que qualquer um merece uma segunda chance! – Brumus aponta para Ab. – Você não tem o direito de levá-la!

– Não cabe a mim julgar o que é certo ou não. Estou apenas fazendo meu trabalho. – Sua postura é tranquila e seu tom indiferente.

– Mas... mas... isso é errado! Por tudo que é mais sagrado, me leve, mas não leve ela!

– Brumus!

– Eu falhei, falhei em te proteger, aquele acidente, ele nunca teria acontecido se eu tivesse achado vocês à tempo!

– Brumus, para com isso! – Laura continua se segurando para não chorar. – Não é verdade, você sabe disso, não é! Não foi culpa sua, foi minha ideia correr pela rua, a gente não tinha outra escolha mesmo e...

– Não! Eu errei! Aquilo não tinha que ter acontecido, eu falhei, eu... – O sátiro se emociona. – Você não devia ter morrido! – E então põe para fora aquele sentimento que vinha guardando para si, se desatando a chorar.

– Brumus... – Os irmãos Moon choram também, enquanto as outras duas crianças que mesmo não entendo do que se tratava aquilo, também se emocionam.

– Não, foi minha escolha, meu erro, minha culpa. – Laura afirma. – Eu tenho que voltar, eu prometi pra ele que ia voltar, pelo bem dos meus irmãos.

– Laura... – Ele a abraça de forma apertada, aceitando sem escolha a decisão da semideusa. – Você é tão jovem, mas tão corajosa... – A menina sorri para ele.

– Ei, vocês vão seguir com o Brumus, ok? Eu vou para outro lugar agora. – A garota se vira para as crianças

– Mas irmã, você vai abandonar a gente de novo... – Um dos irmãos Moon choraminga.

Aquilo atinge o coração da garota como uma faca, ultrapassando-o de maneira lenta e dolorosa. – Shadow, me perdoa, mas eu fiz uma promessa. O que eu disse sobre sempre manter nossas promessas? – Eles a respondem, confirmando que tinham sim escutado o ensinamento. – Então, vocês me prometeram que iriam continuar lutando, mesmo sem mim, igual a gente fez depois que o papai e a mamãe foram embora.

– Por favor, não vai. – O outro irmão a abraça forte.

– Luke, confia em mim, vai dar tudo certo, tá bom? Vamos ficar bem, eu prometo que vou voltar, mas não agora. – Laura deixa mais algumas lágrimas escaparem. – Façam isso por mim, ok?

– Tá bom... mas não demora. – Eles a beijam e depois vão para o lado do sátiro.

– Creio que saiba como chegar até o acampamento. – Ab se dirige ao sátiro.

– Obviamente. – Brumus se ofende com o comentário do semideus.

– Aqui, isso deve bastar para um táxi até pelo menos metade o caminho, é tudo que tenho. – Abramov tira alguns dólares de seu bolso, que se encontravam úmidos por motivos óbvios, e entrega para o ser mágico.

– Obrigado. – O sátiro aceita o dinheiro de bom grado, e pegue as quatro crianças para seguir pelo caminho de onde viera.

– Até logo, meus amores... – Laura se despede de seus irmãos, enquanto os assiste sumirem em meio à distância que aumentava a cada passo entre eles.

– Você fez uma promessa que não poderá cumprir, no fim das contas. – O ceifador comenta, agora a sós com a semideusa.

– Quem sabe? Se o próprio deus da morte me deu uma folga, quem garante que eu não consiga outra?

– Mentira. – Diz, notando a falta de verdade nas palavras da garota. – Você sabe que não tem chances de voltar.

– ... e daí? Que escolha eu tinha? Prefiro desgraçar o resto que me resta de alma, do que abandonar eles sem nenhuma resposta igual minha mãe fez. – Os olhos dela brilham por conta da luz da lua, revelando terem a cor azul do céu, iguais aos de Ab.

– Como disse antes, não é meu papel jugar. Mas agora, é hora de cumprir a promessa que fizera ao meu mestre.

– Tudo bem, faça isso logo, não quero mais continuar aqui mesmo. – Ela mente novamente.

– Laura Moon, é chegada a sua hora de retornar ao submundo. – O ceifador molda uma foice feita puramente de sombras, e a gira com a mão direita, parando a ponta da lâmina no coração da menina. – Como aceitou cumprir sua parte do acordo de boa fé, uma morte pacífica lhe será dada, simbolo de meu senhor lorde Thanatos. – E então ele enterra a lâmina no peito da semideusa, que inspira fundo com o golpe, e logo some em meio à chuva que ali caía...

"We lopen
We vallen
We leren, we falen, we staan
We vechten
We helpen
Haten, luisteren, en gaan
Beminnen
We duiken
We dansen, we lachen, ontluiken
Verwonderen
We hopen
We bidden, verlaten, vergaan"

Abramov recita as palavras de uma canção que sua avó costumava cantar para ele, e que tinha um significado especial. A letra sempre persistira em suas memórias, mesmo ele não entendendo o porque, mas só agora ele enfim entende o que ela significava. A letra falava sobre o ciclo da vida e suas repetições sem fim. Não importando o que você faça em vida, não há maneiras humanas de se escapar da morte quando for sua hora. E ali, era a hora de Laura Moon retornar para o submundo. A menina tinha conseguido a simpatia de Thanatos, que lhe permitira voltar para o mundo dos humanos e ajudar seus irmãos. E agora que aquilo estava feito, não havia mais motivos para ela continuar. Essa era sua verdadeira missão, ceifar uma alma à mando de seu mestre. Porém, ali em pé em meio à água que continuava a cair do céu e o jarro que segurava em mãos, não havia sensação de dever cumprido. Haviam apenas lágrimas derramadas por sua alma, que ansiava pela dor, mas nada sentia. Em sua opinão, ele sabia que aquilo não era justo, mas por mais que tentasse, não conseguia se entristecer ou chorar pela alma inocente que tinha sido ceifada.


"Por que... por que eu não sinto nada?" Sua mão direita aperta o coração, enquanto ele olha para o céu. "Essa é a maldição que atormenta a morte?" Em sua concepção, sabia a resposta para sua última pergunta. E por mais cruel e solitária que ela pudesse ser, ele não conseguia sentir remorso naquilo que tinha feito. Terminando então apenas aceitando o fardo que lhe fora dado, e caminha em meio à outra rua de onde viera, sumindo mais uma vez na noite chuvosa de Nova York.

"We sail the seas of life and believe
The storms will lead us home
These open roads will call us with The Promise
We walk the Earth alone"

Habilidades Ativas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Extração
Descrição: O semideus, em tal nível, poderá extrair eletricidade de objetos ou casas, no entanto não irá absorver tal eletricidade. Apenas poderá extrair e manipula-la. Sendo que a mesma irá se dissipar em poucos segundos.
Gasto de Mp: 5 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Eletric Aiser
Descrição: Esse poder permite ao semideus filho de Zeus/Júpiter, descarregar uma ponta de energia sobre sua arma, deixando-a eletrizada durante dois turnos. Enquanto a arma do semideus estiver carregada com a potência de raio, faíscas saltarão da lamina, e sua força no impacto terá um efeito maior.
Gasto de Mp: 30 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: A arma fica eletrizada por dois turnos inteiros, e o dano no impacto aumenta.
Dano: 35 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Intensificação
Descrição: O semideus é incapaz de gerar eletricidade, no entanto, poderá, em tal nível intensificar correntes elétricas as deixando mais fortes. Podendo no máximo dobrar o valor da corrente de determinada arma ou objetos que tenha eletricidade.
Gasto de Mp: - 60 de MP
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Habilidades Passivas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Pericia com Espadas II
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter virou um excelente espadachim, além de atacar e defender com a arma, dificilmente é desarmado, e ainda por cima consegue tirar as armas das mãos dos oponentes. Com a espada o semideus se torna quase imbatível.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +100% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 35% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nome do poder: Antigravidade
Descrição: Os céus conspiram a favor do filho de Zeus/Júpiter, de maneira que, ao entrarem em queda livre, mesmo em grandes alturas, será como se a velocidade da queda fosse amortecida pelo ar, desacelerando e, consequentemente, diminuindo o impacto da queda.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Ao cair de grandes altitudes os ventos podem lhe servir como aliados, fazendo a queda ficar mais lenta, o impedindo de morrer.
Dano: Nenhum.

Habilidades Passivas - Ceifador de Thanatos:
ʡ  Visão Noturna – Seus olhos adquiriram a capacidade de ver no escuro, com ainda mais claridade e melhor percepção de tudo do que quando há luz.

ʡ Besta Noturna – Basta a noite chegar para que os Ceifadores tenham seus sentidos mais aguçados, maior precisão e velocidade de ataque.

ʡ Jarro da Morte - O ceifador consegue criar um jarro médio , capaz de armazenar 10 almas. O ceifador pode usar as almas destes 10 mortos, que só morrerão com a destruição do vaso ou com a morte do ceifador e possuem todo o poder de quando estavam vivas (ao encher o vaso, o ceifador deve levá-lo à Thanatos e este irá recompensar o semideus).

ʡ Hipercinese II – Com o segundo nível desta habilidade, o cérebro do ceifador torna-se extremamente rápido e perceptivo, de modo que nenhuma tentativa de enganar o ceifador terá resultado. Sendo assim, são imunes a mentiras(sempre sabem quando alguém está mentindo próximo a ele), ilusões e qualquer outra tentativa de os enganar.

Habilidades Ativas - Ceifador de Thanatos:
ʡ Foices negras – Basta passar uma das mãos no ar em um formato de meia lua. Seu rastro fará 6 pequenas foices negras surgirem. As mesmas podem ser lançadas no adversário da maneira que desejar.  [ -5MP]

Armas Utilizadas:
ϟ Mini Raio Mestre - Um anel que permite ao prole de Zeus soltar mini raios infinitos. Tem ¼ do poder do Raio de Zeus, a corrente elétrica que há nele pode gerar mais alguns raios minúsculos que causam graves queimaduras.

ϟ Espada Neal – Feita de ouro celestial, assim como o escudo, sua lâmina pode ferir tanto semideuses quanto mortais. Tem 90cm de lâmina e 15cm na base que é azul escuro com pequenas pedras lunares, o manuseio é perfeito para filhos de Zeus, quando absorvida a energia de raios a espada fica mais forte. Transmuta-se em um colar em forma de raio.

Pingente de Asas Cinzentas [Um pingente que pode ser facilmente encaixado em pulseiras ou colares que, quando ativado se transforma em uma jaqueta de couro, no entanto tal peça não é tão comum quanto aparenta. Ganhando pequenas penas feitas de ferro estígio, que revestem o couro. Tais penas são finas e podem facilmente ser arrancadas, servindo para atacar inimigos. | O pingente sempre irá retornar para o semideus. | Ferro estígio e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem nenhum dano. | Mágica. | Nível 3. | Presente de Reclamação, grupo extra: Ceifadores de Thanatos/Leto. ]

Kyra


Breve explicação: Esta trama girará em torno das responsabilidades do rapaz agora que se tornou um dos servos de Thanatos. Isto, ao mesmo tempo em que lida com o conflito entre Nyx e Zeus, por ser filho deste último, e decide de que lado ficará em meio à guerra. Seja do lado de seu pai, da deusa primordial, ou neutro como ceifador.

Ps: Play plus, o bônus triplicador de xp, ativo nessa postagem como consta em meu perfil.


Última edição por Abramov Levitz em Dom Set 10, 2017 1:41 am, editado 2 vez(es)
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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Quione em Seg Jun 26, 2017 2:22 pm

Modo de avaliação:

Realidade de postagem + Ações realizadas. –  2.500  xp
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc. –  2.500 xp
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência.  – 2.500  xp

TOTAL: 7.500 xp - 5,000 dracmas

(Os valores acima são referentes a valores máximos, não necessariamente significa que você terá essa pontuação.)

Abramov:

Realidade de postagem + Ações realizadas. –  2.000  xp
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc. –  2.400 xp
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência.  – 2.400  xp

Total: 6.800 x 3 = 20.400 xp - 5,000 dracmas


xιόνη
winter
is coming
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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Abramov Levitz em Qua Jun 28, 2017 4:38 am




CAPÍTULO II
I’m not afraid of God, I am afraid of man
Ab estava encostado em uma pilastra qualquer no salão principal do palácio de Thanatos, no submundo. Junto dele, o restante dos ceifadores ali se encontravam para uma reunião de última hora. Gerrard passava as informações que conseguira em sua última missão, alertando aos outros dos avanços de Nyx. Aparentemente a deusa não estava para brincadeira, e deixava isso claro em todos as ações que vinha tomando. Para piorar, desde que descobriram a passagem que ela usava para trazer os mortos de volta ao mundo dos vivos, relatos desses ocorridos continuavam a ser ouvidos.O que intrigava à todos naquele encontro, já que isso indicava a existência de uma outra passagem. Abramov mantinha-se calado, envolto em seus pensamentos, até que seu líder lhe chama a atenção.

– Ab? – O filho de Netuno diz, enquanto arqueia uma das sobrancelhas intrigado.

– Perdão, o que foi mesmo? – Responde, enquanto percebe que o restante dos ceifadores lhe observavam, e isto lhe incomoda. Em especial Robin, que parecia lhe avaliar com desdém.

– Perguntei sobre o que descobriu em sua última missão. Disse algo sobre monstros que não tinha enfrentado antes.

– Ah, sim. Uns lagartos humanoides estranhos. – Comenta. – Além da língua que se esticava e era forte, um deles cuspia ácido.

– Peculiar. – Acrescenta. – Não me recordo de um monstro desses, também.

– Gilas. – Robin interrompe. – São monstros antigos, costumavam viver espalhados pela Grécia antiga sem se envolver em grandes acontecimentos. Por isso não são tão citados nas histórias, ou conhecidos por nós semideuses.

– Robin está certa. – Thanatos enfim se pronuncia. – Minha mãe é ardilosa, não me surpreenderia ela estar recrutando criaturas antigas e misteriosas.

– Uma bela jogada. – O líder continua. – Mas era só isso, mais nada de útil? – O romano lhe encara com toda sua enormidade.

Abramov pensa por uns instantes, se lembrando do que tinha combinado com seu mestre, e resolve manter para si. – De útil contra Nyx, sim, só. – Não ousa mentir já que ele mesmo sabia que poderiam perceber, portanto apenas responde de outra maneira.

– Entendo. Bem, acho que é isso então. – Gerrard conclui a reunião, repassando mais algumas informações com a própria morte à sós, andes de liberar o resto do grupo.

O filho de Zeus deixa o jarro - com as almas que coletou em sua última missão - com seu mestre, e se despede dos outros antes de sair dali. Por sorte havia uma entrada, também saída, para o submundo em Hollywood, na sua própria cidade. Não podia pedir por um emprego melhor, trabalho só quando realmente fosse convocado, um deus como seu protetor, e ainda morar perto do escritório. A única coisa que faltava era o salário propriamente dito, mas não é como se precisasse disso considerando o patrimônio de sua família.

"Se bem que o valor do dracma subiu muito na bolsa, não sei se os dólares do meu pai vão bastar." Pensa, e logo abre um breve sorriso, contente por ainda ter um pouco de humor.

Já em casa, ele se envolve em uma rápida discussão com sua mãe, que lhe cobrava mais atividades na casa. De acordo com ela, o rapaz andava muito ausente e afastado, mesmo sendo fim de semana em casa, já que o resto da semana ficava no acampamento. Katya, sua mãe, queria que ele participasse mais dos momentos que ficavam juntos, que em sua maioria envolvia cocktails com amigos na casa. Mal a mulher sabia que seu filho na verdade não tinha controle sobre aquilo, seu isolamento social era uma consequência de suas escolhas. E por nunca haver uma conversa direta e honesta entre os dois, típico das relações familiares, o clima acabou passando de amistoso para ruim em questão de dias. Acarretando assim em atitudes desnecessárias e grosseiras por parte do jovem adulto, que chega em casa sem dar boa noite e apenas se tranca em seu quarto.

– Abramov Alexander, não importa quantos anos tenha, ou quantos monstros enfrente, você vive sob meu teto e meu susteno! – Katya bate na porta do quarto do filho, gritando com o mesmo. – Não quero mais briga essa hora da noite, mas se você bater esta merda de porta mais uma vez, eu juro que não vai ter deus que lhe proteja de mim.

– ... – Ele apenas se mantém deitado em sua cama, ainda de tênis, observando o teto. Sua mãe eventualmente desiste daquilo e o deixa pelo resto da noite, até que o semideus pega no sono.

Em seu sonho, estava de volta ao palácio de Thanatos, porém apenas este último também se encontrava presente. O deus se sentava em seu trono, tocando uma belíssima melodia com o auxílio de uma harpa. O som era angelical e cativante, fazendo Ab viajar dentro do próprio sonho, se imaginando em um lugar mais tranquilo e pacífico, longe de todo o caos da realidade. Porém, de maneira abrupta, o momento é interrompido pela voz da entidade.

– Um pequeno vislumbre da terra prometida, e você já cai de encantos, semideus. – A morte lhe critica.  

– Me perdoe, lorde Thanatos. – Se curva perante seu mestre.

– Não há necessidade para tamanha formalidade, como já deveria saber. – Corta. – Há um assunto inacabado entre nós dois, receio.

– Meu senhor... acho que não sei do que diz.

– Laura Moon. Filha de Zeus, morta atropelada enquanto fugia de monstros com seus irmãos mais novos. Permitida a retornar, por cortesia minha, ao mundo dos vivos para terminar o que começou. E quando garantiu a segurança de seus queridos, retornou para cá, cumprindo com nosso acordo.

– ... –

– Discorda de algum desses fatos? – O deus lhe encara de maneira séria, e o semideus sente como se sua alma estivesse exposta, sendo que isso era realmente verdade se tratando de Thanatos.

– ... – Ele sabe que de nada adiantaria mentir, portanto apenas responde a verdade nua e crua. – Ela não merecia isso. – Enfim diz. – Eu não hesitei em lhe ceifar, muito menos sofri por sua ida, mas algo me diz que ela não merecia isso. – Acaba se lembrando da cena dramática entre os resgatados, o sátiro e Laura.

– E o que espera que eu faça quanto à isso? – Pergunta no mesmo instante.

– Nada. Não há nada a ser feito. – Também não mente quanto à isto. – Essa é apenas o ciclo da vida.

– É reconfortante saber que entende como as coisas funcionam. Não pense que lhe pressiono a aceitar minha interpretação da roda da vida. Afinal, com tantas crenças e mitos a respeito dela ao redor do mundo, não seria eu prepotente por me achar o dono da razão?

– ... –

– Você me lembra alguém, Abramov. – Thanatos se ajeita em seu trono, intrigado. – Um semideus que conheci numa praça, ajeitando a correia de sua bicicleta.

Ab pega a o comentário, mas não entende o porque dele dizer que seu eu de agora lhe lembrava do seu eu de semanas atrás. – Imagino que isso seja bom, não?

– Quem sabe? Ainda há resquícios que assemelham ambos, mas eles estão sumindo pouco a pouco. – A morte parece incomodada com algo, o que preocupa o semideus. – Imagino que seja de conhecimento comum que aqueles que perdem a própria essência, acabam vagando sem rumo, Abramov Levitz. Lembre-se disso, a maldição que lhe assola não é responsável por tudo que lhe aflige. Trata de se achar novamente, ou será tarde demais quando estiver perdido dentro de si.

– Como assim? Eu não sei mais o que pode ser. – Ele diz, aflito. A única coisa que reconfortava seus pensamentos sombrios, era a culpa que jogava na tal maldição. Mas se ela não era a única responsável, o que mais poderia ser?

– Sinto em lhe dizer que nossa conversa terá de se encerrar por aqui. Sua atenção é mais necessária no mundo ai em cima.

– Do que está falando? O que houve?

– Acorde, Abramov. – O deus diz em um tom alto e claro, despertando o ceifador de seu curioso sonho.

De volta em sua cama, o californiano ouve uma gritaria estranha vindo do quarto de seus pais. Ainda estava meio zonzo por conta da maneira que tinha sido acordado, e não consegue identificar ao certo o que estava a ouvir. Porém, desde que se entendia por gente, seus pais nunca haviam brigado de gritar um com o outro, pelo contrário. E pelo inesperado acontecer, acaba se alarmando e corre até lá para checar. Sua primeira surpresa se dá no corredor que ligava os cômodos, onde o chão se encontra sujo de terra, e, por conta delas, pegadas marcam a passagem de algo não humano. Ou que pelo menos os pés não eram humanos, já que eram muito maiores e largos que o normal. Ao ver isto, Ab corre sem se importar em fazer barulho, e quando entra no quarto em questão, enfim entende o que estava acontecendo.

– Olha quem acordou. – Era o mesmo gilas, lagarto humanoide, do dia anterior. Ele segurava a mãe do semideus com um dos braços, enquanto que o pai deste se encontrava jogado em um outro canto.

– Mãe, pai... – Diz, de maneira calma paciente. – Gilas.

– Parece que sabe o que sou, andou fazendo o dever de casa?

– ... o que quer?

– Achei que fosse óbvio: você.

– Aqui estou, sou seu. Eu vou contigo, do jeito que quiser, mas deixa eles em paz.

– E arriscar você usar algum truque com eletricidade novamente? Tenta outra vez, semideus.

– Você não vai querer as forças armadas dos E.U.A contra você, seu... monstro! – O pai de Ab grita, mas a criatura apenas lhe ignora.

– Se machucar ela, eu juro que faço você se arrepender das próximas cem vezes em que voltar do submundo. – Seus olhos se acendem, como se trovões rugissem dentro de suas órbitas.

A ameaça é intensa o suficiente para fazer a criatura recuar. Porém, o agente da deusa da noite sabia que detinha a vantagem ali, portanto não desiste de seu plano. – Menos papo e mais passo, venha comigo até um lugar seguro, e então eu solto ela.

– ... ok.

– Ab, não, ele vai te matar, você não... – A mulher tenta dizer algo, mas é interrompida quando o braço de seu raptor se aperta ao redor de seu pescoço.

– Mãe! Ei, desgraçado! Você disse que não a machucaria se eu fosse contigo!

– Verdade, me desculpe pela confusão. – Debocha.

– Para onde vamos? – Sua vontade era de voar naquele bicho ali mesmo, mas se controlava para não estragar tudo em um momento irracional.

– Para lugar algum. – Uma voz interrompe o encontro, e, no mesmo instante, a janela - que também era a porta do quarto para a varanda - se abre com uma forte ventania.

O que se vê a seguir poderia ser questionado por todos ali presentes mesmo dias depois. A noite parece estar viva, como se a escuridão se juntasse para dar forma à algo. Uma figura humana surge de pé sobre a varanda do quarto, formada apenas pelo escuro. Não havia nada que identificasse seu gênero fisicamente, com exceção de sua voz que soava de maneira feminina e cativadora.

– Minha senhora! – O gilas reverencia a recém chegada. – Consegui o semideus. Abramov Levitz é seu! Podemos matá-lo aqui mesmo!

– E quem disse que era para fazer isso? Tudo que lhe pedi foi para que o encontrasse. – Nyx mantém-se estática em sua posição, e do nada o monstro é reduzido à pó. – Uma pena ser tão estúpido.

– ... – Ab corre até sua mãe, que desmaia do nada junto de seu pai. – O que você fez com eles!?

– Não se preocupe, apenas os adormeci. Precisamos conversar à sós, filho de Zeus.

– Me pergunto o que é que temos para conversar.

– Vim em paz, semideus. Entenda o sacrifício de meu agente como uma demonstração amistosa de respeito, pelo inconveniente que ele lhe causara.

– ... –

– Você me julga como o lado errado, semideus. Enxerga apenas o que querem que enxergue.

– E quer agora que eu enxergue o que você enxerga.

– Não, quero que tenha sua própria visão das coisas. Mas isso só é possível quando se conhece os dois lados da história.

– De fato. – Não sabia o que Nyx pretendia com aquilo, mas ela tinha um ponto. – E qual é o seu lado da história?

– Já conhece ele, apenas não percebeu ainda. Pense bem, Abramov, a que ponto as coisas chegaram no mundo? Você mesmo teve de ceifar uma criança, que teve de morrer para proteger os irmãos.

– Porque os seus monstros estavam atrás deles!

– Errado. Meus aliados não foram os responsáveis por aquilo, apenas os enviei para pegá-los. Isto, é claro, depois que vi que era tarde demais para que fossem para o acampamento meio sangue.

– ... –

– Agora tente se lembrar do que fez eles chegarem àquele ponto.

– ...a morte de seus pais. – Diz, enfim.

– A mãe dos irmãos Moon foi assassinada em uma tentativa de assalto. E como se não bastasse essa barbárie, as crianças ainda ficaram sem lar. Ninguém quis adotar três irmãos, ainda mais tendo a idade que tinham. Sem escolha, e sem ninguém para lhes guiar, foram parar na rua, à mercê do acaso.

– Que acabou resultando na morte da garota. – Conclui.

– Exato. Agora me diga, essa não é a realidade do nosso mundo? Evidenciei um caso isolado, mas há situações piores e muito mais tenebrosas ai fora.

– Sim...

– Me alegra saber que concordamos quanto à isso, semideus. Sinto um pesar em seu coração, você tem se perdido cada vez mais em sua própria existência.

– ... – Seu coração acelera de maneira abrupta. Era a segunda vez que lhe diziam aquilo. Primeiro Thanatos, e agora sua mãe, Nyx.

– Ajude-me a trazer paz novamente para todos.

– Me aliando à você? E indo contra meu pai, seu filho e meus amigos?

– O que seu pai tem feito, Abramov? Quando foi a última vez em que se encontraram?

– ... nunca nos encontramos.

– Como temi. Seu pai negligencia a verdade, meu caro. Não posso continuar parada e aceitar isso. Não quando nosso querido mundo chega ao ponto em que chegou.

– Mas agir como tem agido não é a resposta, você não entende? É tolice iniciar uma guerra contra os deuses!

– E o que você sabe sobre minhas ações, semideus? – Seu tom de voz muda de amigável para intimidador, enquanto as sombras que lhe dão forma se agitam. – Julga-se conhecedor de minha estratégia, ou do que posso fazer, mas mal sabia o que assola sua alma. Não confunda minha cortesia com piedade. Não há piedade para aqueles que se opõe aos ideias de seus deuses, e não haverá para aqueles que se oporem à mim.

– Sei que seus demônios têm matado semideuses inocentes.

– Os combates que andam acontecendo no mundo? Aquelas criaturas desacataram minhas ordens, e foram punidas por isso.

– Sendo à mando seu ou não, sangue inocente foi derramado!

– E acha que não sei? Por quem me julgas, semideus? Eu estive lá antes de seu pai, eu presenciei o nascimento do mundo e seus filhos. Eu antecedi à primeira glória do império romano, eu chorei as mortes de todas as guerras. Não ouse falar sobre perdas comigo, quando fiz meus sacrifícios em prol do bem maior. – As sombras se agitam ainda mais, quase engolindo todo o quarto.

– ... – Ele sente a força de Nyx sobre si, suprimindo-o por ser uma existência quase nula perto da deusa.

– Tudo está errado, Abramov. Aqueles que me seguem enxergam isso por conta própria, e não sob pressão minha. Pense a respeito do que eu lhe disse, de tudo que vem acontecendo à sua volta. Sei que há razão em seus pensamentos, agarre-se à ela, antes que seja tarde demais... – E toda a escuridão da cena some quando Nyx desaparece, e a luz do luar volta à adentrar o cômodo.

O rapaz consegue por seus pais para dormir novamente, e algo lhe diz que não se lembrarão do ocorrido quando acordar. Já ele mesmo mal consegue pegar no sono novamente, e só apaga já de manhã por conta do cansaço. De volta em seu sonho, dessa vez ele está novamente no quarto de seus pais, mas já tarde demais. Seu pai encontrava-se morto no chão, e na hora que abre a porta, o monstro quebra o pescoço de sua mãe. Ele tenta gritar, mas sua voz não sai, tenta correr, mas seu corpo não se move. Aos poucos as sombras da noite lhe cercam, até ser completamente coberto por elas e cair no nada. É nessa hora que seu pai lhe acorda, perguntando se ele tinha saído de madrugada, já que o corredor estava todo sujo de terra; Durante o resto do fim de semana, o jovem Levtiz resolve acatar os pedidos de seus pais, ficando mais próximo deles, mesmo que por dentro sua preocupação sempre estivesse em outro lugar.

É só na segunda-feira que o filho de Zeus enfim retorna ao Acampamento Meio-Sangue. Seu objetivo era ter uma conversa com Quíron, seu confidente, a respeito de tudo que vinha acontecendo. Porém, antes mesmo de se acomodar novamente em seu chalé, ele é convocado por Thanatos, que lhe chama mentalmente, e logo parte em missão. Para sua sorte, seus assuntos da vez se encontravam em Allentown, na Pensilvânia, portanto pôde pegar carona na van do acampamento até seu destino.

"E lá vamos nós..." Pensa, já na outra cidade, instantes antes de iniciar sua missão.
Kyra


Comentários: Capítulo mais de história; Entrega do jarro, com o qual ele coletou as almas no capítulo passado. Se isso é obrigatório ou não, ou se dá recompensa ou não, está entregue:

Spoiler:
ʡ Jarro da Morte - O ceifador consegue criar um jarro médio , capaz de armazenar 10 almas. O ceifador pode usar as almas destes 10 mortos, que só morrerão com a destruição do vaso ou com a morte do ceifador e possuem todo o poder de quando estavam vivas (ao encher o vaso, o ceifador deve levá-lo à Thanatos e este irá recompensar o semideus).


Última edição por Abramov Levitz em Qua Set 06, 2017 4:59 am, editado 1 vez(es)
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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Érebus em Sex Jun 30, 2017 11:43 pm

Recompensas simbólicas: 2000XP
Item pela entrega do jarro: Semente do Submundo - Uma pequena semente negra que só é cultivada no submundo, ao ser ingerida recupera 50% do valor total da MP (Mana Points) do semideus.


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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Vênus em Sab Jul 01, 2017 12:12 am

Atualizado


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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Abramov Levitz em Sab Jul 01, 2017 8:39 pm




CAPÍTULO III
Haunted by the world
Sentado em um bar, o semideus bebia água enquanto assistia ao noticiário na TV. Mais um atentado terrorista no Reino Unido, dessa vez em Manchester, durante um show. A reportagem mostrava os destroços da arena que tinha sido explodida, além das vítimas desesperadas por conta de suas perdas. A cena era lamentável, e infelizmente não inédita para a atualidade. Uma senhora, que trabalhava como atendente no balcão de bebidas, conversava com um outro cliente. Os dois discutiam sobre como esses terroristas eram um perigo para o mundo todo, e que a solução seria atacar de volta, e dar fim àquilo. O homem até tentava argumentar que isso apenas geraria uma nova guerra, mas acaba cedendo e concordando argumentos da outra.

– Vai ficar só na água mesmo, filho? – A senhora se dirige à Abramov do nada.

– Hm? Ah, sim, obrigado. – Ele até tinha vontade beber qualquer coisa com álcool, mas estando em serviço como estava seria imprudente.

– Você não é daqui, né? – Ela continua. Seu sotaque sulista é pesado, tornando engraçado qualquer coisa que falava.

No, ma'am. Brinca, já que não havia necessidade para responder tão formalmente. – Estou aqui à trabalho... para a família.

– Trabalho? Um moço tão bonito desses trabalhando? Se eu fosse você, já tinha arrumado uma velha rica e casado logo.

Ab sorri, apenas por educação. – Mas e quem disse que esse não é meu trabalho? – Dá corda á brincadeira.

– Verdade, esperto você, rapaz. – Ri. Seu rosto parecia bem cuidado para sua idade. Mas, como esperado de alguém que aparentava já ter passado da casa dos cinquenta, rugas surgem quando ela sorri, denunciando sua idade. Não que ela se importasse com isso, já que fazia questão de deixar seus cabelos acinzentados à mostra.  

– Faço o que posso. – Ab precisava de informações, e não havia lugar melhor que um bar movimentado de uma cidade. – Mas e quanto à você, muitos anos de casa?

– Eu? O bar é meu, garoto. – Ela gargalha novamente. – Trinta anos já, e ainda parece que comecei ontem. – Seu tom parece melancólico, enquanto ela limpa um copo com a toalha que carregava no ombro esquerdo.

– Isso que eu chamo de dedicação. – Tenta ler o provável nome dela num quadro com informações mais atrás do balcão, mas sua dislexia ataca e mal enxerga as letras. – Queria eu poder dizer o mesmo da minha atual ocupação. Mas não, aqui estou, bebendo água num bar sem fazer ideia de para onde ir.

– E o que você faz? Parece novo, mesmo com essa barba toda. Achei que estivesse brincando sobre o trabalho.

– Antes fosse. Estou atrás de um primo meu, à mando de uma tia. Ele fugiu de casa e sobrou para mim tentar achar.

– Se ele fugiu é porque tem um motivo. A melhor coisa que podem fazer é deixar pra lá, e quando as coisas apertarem ele volta com o rabinho entre as pernas.

– Exato! Foi o que tentei falar, mas adiantou? Como eu estava aqui do lado acharam melhor eu vir checar. Problema com drogas, pelo que entendi.Cochicha ao fim, fingindo constrangimento.

– Ah, imaginei, típico. Um fugitivo viciado aqui na cidade só vai para um lugar. – Ela pega um pedaço de papel e uma caneta, e escreve um endereço no mesmo. – Dá uma olhada lá, filho. Acho que vai encontrar seu 'primo'. – Pisca, deixando claro que sabia que aquilo não se tratava de assunto de família. Pelo menos não do jeito que o rapaz dissera.

– Agradeço. – O semideus procura a carteira para pagar a conta, mas é interrompido.

– Nada disso, foi só água mesmo, é por conta da casa. Além de que, não é todo dia que um rostinho bonito e novo aparece por aqui.

– Bem, obrigado por tudo então. – Se despede, enfim.

Ainda era cedo, mal tinha passado das dez da noite, e Abramov já estava no endereço certo. Não conhecia bem a cidade, mas aparentemente o tal prédio era bastante famoso, de maneira que na primeira informação que pediu lhe indicaram o local. A construção parecia abandonada, talvez porque realmente era, além de ter um canteiro de obras imenso ao redor. Mais afastada ao norte da Allentown, a movimentação por ali era escassa o que tornava a área bastante assustadora para desconhecidos. Por sorte Ab sabia que perigos mortais não eram seu problema, portanto não temia se aventurar por ali mesmo de noite. Enquanto caminhava, podia perceber algumas pessoas avulsas em cantos, ou em becos sem saída, provavelmente consumindo drogas. Se tivesse mesmo um primo fugitivo viciado, bem, tinha certeza de que o encontraria por ali.

"Afinal, por que alguém viria se abrigar aqui?" É seu primeiro pensamento ao se aproximar da entrada do prédio.

Alguns moradores de rua se encontravam por ali, se drogando ou apenas passando o tempo. Todos encaram o semideus quando se aproxima, mas ele não se abala ou desvia o olhar, o que intimida os observadores. Não era muito difícil para o ceifador manter a postura que adotara para andar por ali, ainda mais se tratando de simples mortais. Porém, por dentro se coçava para não espirrar, já que todo aquele cheiro tóxico irritava suas narinas. Deixando de lado esse momento cômico, Ab enfim adentra a construção se deparando de cara com um prédio mal acabado. Na verdade, aquela construção nem tinha terminado, o que tornava tudo ainda mais caótico. Seus cinco andares eram ligados por escadas mal feitas de concreto, e em cada um haviam barraquinhas de feira espalhadas. Pessoas comerciavam todo tipo de coisa por ali, desde drogas à utensílios úteis para moradores de rua: colchões, roupas e até comida.

"Isso é um carregador de celular?" Se surpreende quando repara em um carregador do mais novo Samsung lançado, bem ali, exposto para venda.

Por alguns minutos Abramov caminha pelo primeiro andar, sem rumo, perdido nas dezenas de pessoas aleatórias que por ali perambulavam. Precisava encontrar seu alvo, e havia uma pessoa ali que poderia ser seu informante. Thanatos lhe avisara de que não seria simples convencer esta pessoa à lhe ajudar, portanto qualquer método que escolhesse para isso seria permitido. E por qualquer método, ele queria dizer até mesmo à força, o que deixava tudo mais sério.

– Ei, bonitão. – Uma moça encostada em uma pilastra lhe chama. Sua aparência denunciava sua condição de vida como sem teto, mas ela era bastante bonita, ainda assim.

– Hm? – Se surpreende ao ser chamado daquela forma.

– Você mesmo, de olhos azuis. Parece perdido, na verdade, nem daqui você é, né? Conheço todo mundo da área.

– Não. – Reluta antes de continuar. – Mas estou bem, valeu.

– Tem certeza? Tá procurando por quem?. – Ela se aproxima, rondando e avaliando o rapaz de cima à baixo. – Talvez eu possa te ajudar.

– Não precisa, tá tudo certo. – Corta.

– É raro um semideus por essas bandas, fiquei curiosa.

Abramov se alarma na hora, levando a mão esquerda até a altura de seu bolso, onde guardava seu pingente especial. – Quem é você?

– Eu? Ninguém. A menos que queira me conhecer melhor. – Seus dedos caminham sobre o ombro direito do filho de Zeus.

– Não é o caso.

– Que pena, então não vou poder te apresentar pro chefinho.

– Chefinho? Tá falando do Olho de Vidro?

– Ele mesmo. – Ela se afasta e gargalha de maneira estridente e estranha. – Vocês sempre estão procurando por ele, é incrível!

– E onde eu o encontro?

– Aqui, ué. O quinto andar é o escritório dele. Mas hoje é dia de luta, duvido muito que ele aceite conversar com você.

– Bem, não vou dar a ele a chance de recusar meu encontro. – Ab volta a caminhar.

– Ou você pode fazer ele querer conversar.

– E como seria isso? – Enfim se interessa na desconhecida.

– Tudo vai depender do quão bem você sabe lutar. – Ela dá outra risada, dessa vez breve e mais provocativa.

A tal luta da qual a mulher se referia era uma mini competição que acontecia toda semana por ali. Olho de Vidro era um traficante conhecido na cidade, quase dono da mesma para todos os efeitos. O homem tinha bastante dinheiro e o usava para manter-se à salvo da polícia corrupta, mas não só isso. Ele também era um semideus, o que lhe fazia saber de todo o assunto mágico da região. E dentro desse tal assunto mágico, estava a localização de um outro semideus que possuía assuntos inacabados com a morte, já que sabia se esconder muito bem. Portanto a maneira mais fácil e rápida de achá-lo seria através da única pessoa que sabia onde todos estavam naquela cidade.

"Olho de Vidro..." É seu primeiro pensamento ao ver o homem em seu trono.

A arena era organizada no quinto andar do prédio, cobrindo quase todo o espaço. Em uma das extremidades, que calhava de ficar de frente para a escada de acesso ao local, estava um trono de sucatas, e nele o homem do momento. Olho de Vidro parecia ter chegado na casa dos cinquenta, mas Abramov tinha certeza de que ele não era tão velho assim. Gordo e cheio de bolhas pelo corpo, sua careca brilhava de tão lustrosa, além da barba grisalha que cobria toda a parte inferior de seu rosto. Vestia uma camisa social vermelha com uma bermuda de surfista, seus pés estavam descalços e seus olhos cobertos por óculos de sol. E como se não bastasse esse visual estranho,  comia frango frito do KFC, o que deixava os únicos pelos de seu rosto oleosos e sujos.

Pessoas se inscreviam para as batalhas com uma mulher que andava por ai com uma prancheta. Ela se vestia como uma executiva, desde a roupa social azul marinho, até o penteado preso em um coque. Sua pele era negra e sua beleza estonteante, destacando-se em meio à multidão de mendigos. Ab não consegue parar de prestar atenção nela, principalmente quando a mesma se dirige à ele.

– Semideus. Me chamo Lina, sou o braço direito do senhor Olho de Vidro. Imagino que queira falar com ele. – A mulher põe a prancheta de lado e cumprimenta o recém chegado.

– Abramov. – Cumprimenta. – Sim, gostaria de dar uma palavrinha.

– Também imagino que Adelaide tinha lhe dito que meu senhor está ocupado no dia de hoje. – Ela olha para a moça que acompanhava Ab.

– E é por isso que participarei do torneio. Se eu vencer ele vai ter que falar comigo.

– De fato. Então preciso que assine seu nome aqui. A premiação, como deve saber, é uma conversa com o próprio Olho de Vidro. – Entrega a prancheta com um papel e uma caneta para o rapaz, e este assina. – Os nomes serão sorteados em instantes, e peço que já se prepare para as batalhas. Armas não serão permitidas, limitando os participantes à socos e chutes. Quem cair inconsciente primeiro, perde.

– Parece justo. – Comenta, mas Lina apenas arqueia uma sobrancelha como se não concordasse.

Abramov não deixa seus pertences com ninguém, temendo que fossem rouba-los, entãos apenas os deixa em suas formas alternativas - pingentes enfeitando cordão e pulseira. Parando para pensar, era engraçado o tanto de pingente especial que ele carregava consigo. Por sorte os escondia bem, ou então pareceria um camelô alternativo ambulante.

"Não que isso seja um problema." Mentaliza, com medo de alguém estar lendo seus pensamentos e lhe julgar.

Cerca de dez minutos se passam até que a primeira batalha enfim se inicia. A arena em si era um octógono improvisado, com a tela de proteção rasgada em alguns pontos, além de não estar elevada em relação ao resto do andar. Os competidores, que em sua maioria eram moradores de rua, se socavam sem muita coordenação ou técnica, deixando as lutas demoradas e dolorosas de serem assistidas. O único que parecia realmente contente com aquilo era o próprio Olho de Vidro, que gargalhava sempre que sangue era derramado. Já em suas batalhas, o filho de Zeus acabou tendo de lidar com alguns adolescentes viciados, que viam a competição como uma maneira de conseguir mais drogas. Sem alternativa, teve de nocauteá-los para pode avançar, e não foi nada simples. Seus adversários não eram os melhores lutadores do mundo, mas eram destemidos e estavam motivados por conta da abstinência. Os golpes dos semideus atingiam em cheio, mas seus oponentes insistiam em continuar lutando, o que lhe irritava. Em um momento se viu quebrando o nariz de um adolescente, e este, mesmo sangrando continuamente, avançou contra ele com tudo. Por sorte seu treinamento no acampamento lhe deu uma noção melhor de luta, caso contrário seria facilmente vencido pela vontade de vencer alheia.

– Abramov Levitz é o vencedor, avançando agora para a final! – Lina anuncia.

Na última luta, o semideus teve de lidar com um brutamontes que tinha quase o dobro de seu tamanho e largura. O homem mal encarado tinha dado cabo de todos os seus inimigos com apenas um golpe, até então, o que lhe intimidava. Porém, ele sabia que podia sobrepor força bruta com técnica, desde que agisse com cautela. Portanto, sua estratégia foi de se afastar e contra atacar sempre que possível, o que teria dado certo se seu adversário não tivesse surgido com uma barra de ferro do nada.

– Ei, isso não é permitido! – Grita, assim que uma pessoa da plateia joga a arma para o brutamontes.

– De fato não é permitido, mas não há punição nem nada do tipo. O combate segue. – Lina responde.

"Ah vai tomar no cu." Xinga mentalmente.

O homem avança com a barra de ferro em mãos, e tudo que Ab é capaz de fazer é desviar dos ataques. Cada golpe parecia aproximar o ferro cada vez mais, já que o espaço era limitado. Abramov até considera utilizar alguma de suas armas, mas seria muito estranho se uma espada surgisse em suas mãos - ainda mais por espadas não serem comuns na vida real. Assim, resolve recorrer a algo mais sútil. No instante em que seu inimigo tenta lhe acertar, ele se abaixa no último instante e gira o corpo apoiando as mãos no chão, e esticando a perna direita para dar uma rasteira. Em uma situação normal, não teria força suficiente para derrubar aquele peso todo, mas os ventos que entravam pelas paredes quebradas do prédio lhe auxiliam na tarefa.

– Ugh! – O brutamontes urra ao cair de costas no chão.

A queda é tão feia que um barulho imenso é feito, levando a plateia ao delírio. Entre ela, alguns gargalhavam por conta da situação, o que incomoda o finalista caído. Irritado, o homem se levanta e avança novamente, mas Ab é muito mais ágil que ele e consegue se esquivar outra vez. Tendo gingado para o lado direito na hora que a barra desce verticalmente em sua direção, ele dá uma cotovelada na costela direita de seu oponente e se afasta novamente. Aos poucos ia lesionando seu inimigo, e evitando ser atingido em cheio. Com certeza era mais demorado do que um golpe direto na cabeça, por exemplo, mas não queria arriscar sair dali sem memória, e muito menos com o crânio esmagado.

– Eu vou apertar sua cabeça com tanta força que seus olhos vão pular para fora!

– Isso é permitido? Achei que não pudéssemos matar ninguém!

– Também não disse nada a respeito, afinal, matar é uma maneira de deixar alguém inconsciente. – Lina diz.

Abramov enfim vê que aquilo era mais sério do que imaginava quando jogam um facão para seu inimigo, que começa a cortar o ar andando em sua direção. Sua preocupação muda de não ser esmagado, para não ser fatiado, e ele age com ímpeto. Primeiro, pega a barra de ferro do chão - que tinha sido jogada contra ele quando o homem decidira que não a utilizaria mais -  e então a usa para correr até seu adversário. No último instante, quando parece que chocaria sua arma contra a de seu inimigo, ele apoia o pedaço de ferro no chão e o usa como apoio para saltar por cima do brutamontes. O movimento é tão rápido e inesperado, que o homenzarrão não tem reação, perdendo de vista o semideus que cai em suas costas, e o chuta com força na parte traseira das pernas. E só quando o grandalhão cai de cara no chão, que Ab sobe nele e pega sua cabeça para bater mais algumas vezes contra o concreto, nocauteando-o enfim. Obviamente aquele movimento, digno de uma competição de salto com varas, só foi possível graças as sua habilidades de utilizar os ventos para lhe erguer no ar. Porém, como os espectadores não sabiam disso, eles gritam de animação ao ver a cena.

– Temos um vencedor: Abramov Levitz. – Lina anuncia, não muito empolgada ou impressionada com o ocorrido.

– Fora, todo mundo, saiam! – Olho de Vidro grita repentinamente. Sua voz grave e potente assusta todos ao sobrepor os gritos da multidão. E como um rei dando ordens ao seus súditos, todos ali correm para descer pela escada. Somente Lina permanece por ali junto do vencedor. – Quem é você? – Pergunta, agora que o andar havia sido evacuado.

– Um parente distante.

– Sei que é um semideus, percebi isso nessa final. Mas o que quer comigo? – Ele se ajeita no trono, de forma impaciente.

– Informação, nada mais que isso.

– De qual tipo?

– Preciso encontrar alguém.

– Aqui? Na minha cidade?

– Sim. Seu nome é Igor Romanov, um semideus assim como nós dois.

– E o que faz achar que eu daria essa informação para você?

– Eu venci o torneio, tenho direito à uma conversa contigo.

– A gente está conversando. Isso não é uma conversa para você? Seu prêmio é uma conversa, e estamos conversando, o que mais poderia querer?

– ... – Abramov começa a perder a paciência com aqueles dois. Tanto o chefe quanto a empregada pareciam lhe sacanear desde o início com relação as regras. – Meu mestre me deu ordens explícitas de tirar essa informação de você, não importa como. E tenho certeza de que não quer irritar Thanatos.

– Guarde suas ameaças pra outra pessoa, ceifador. – Ele o encara de 'cara feia'. – Eu já tinha enfrentado coisa pior que seu tipinho, e você nem era nascido, insolente.

– Então coopere e não haverá necessidade disso. – Não recua ou se dá por vencido.

– Abaixe o tom, antes que eu acabe com você. – Olho de Vidro se inclina na cadeira e os óculos caem de leve sobre seu nariz, revelando os olhos. Seu olho esquerdo era da mesma cor que o de Ab, e seu direito de fato era de vidro. Porém, dentro do globo de vidro, pequenos raios se agitavam a todo instante. – Acha que é alguém? Pois saiba que eu era um dos príncipes do rei do olimpo antes mesmo de você sonhar em existir, pivete.

Um temor surge dentro de si, surpreso por saber que era irmão de uma pessoa como aquela. O rapaz se sente enjoado e revoltado com a situação, como podia um filho de Zeus ser tão mesquinho, baixo e corrupto como Olho de Vidro? – Quando foi que você se tornou essa pessoa?

– Que pessoa?

– Escrota. Que deixa a cidade ficar abandonada, que alimenta os vícios mortais dos outros, enquanto promove um ringue de briga de galo por puro prazer pessoal.

– E o que você sabe sobre comandar uma cidade? Não faz ideia do que já tive que enfrentar e lidar em nome de nosso pai, moleque. Na verdade, o que nosso papaizinho sabe sobre comandar alguma coisa? As coisas estão uma merda e não é novidade para ninguém, me poupe. Eu já passei da idade para ficar me preocupando com essas merdas. Preciso sobreviver, e é assim que faço. Se tem algo de errado nisso, que que posso fazer? Pego as migalhas que me são dadas e fico grato.

– Se esconder aqui no meio de desabrigados e comer frango frito até morrer é sua maneira de sobreviver?

– E qual o problema nisso? Ham? Vou morrer rindo da desgraça alheia e comendo o que mais gosto. Além de que, sempre que precisam de algo, vocês aparecem aqui. Quer que eu faça mais o que?

– Que tal levantar essa sua bunda desse lixo que chama de trono e impedir que Nyx domine o mundo?

– Ir contra uma deusa primordial? A que pretende trazer a paz que os olimpianos não conseguem manter mais? Você tá falando sério? – Gargalha.

– Melhor do que ficar sentado e esperar uma guerra gigantesca destruir o que resta da civilização.

– Para de ser inocente. Quantas guerras os olimpianos não já travaram antes? E quantas vezes o mundo acabou? Não seja burro, eles vão se estapear, e perdendo ou ganhando, a gente vai continuar por ai, comendo o resto do jantar deles e tendo que aceitar isso mesmo.

– ... – O rapaz estava realmente ressentido com tudo aquilo. Por mais nojento que seu meio-irmão pudesse ser, ele tinha razão quanto a certos pontos. – Chega, não tem porque continuar discutindo com você. – Corta. – Vim aqui à mando de Thanatos, vou perguntar pela última vez: onde eu encontro Igor Romanov?

– E eu vou responder pela última vez: vai se foder.

– Meu senhor. – Lina se aproxima do homem, e sussurra algo em seu ouvido direito.

– Tá legal, irmãozinho. Acho que não tenho motivos pra não te ajudar com essa, não é mesmo? Mas espero que se lembre do seu irmãozão aqui, caso essa tal guerra realmente aconteça.

– ... –  Estava curioso para saber o motivo dessa troca de posição repentina por parte de Olho do Vidro. Lina parecia ser engenhosa e muito mais do que uma simples secretária, e isso lhe intimidava. – Quem sabe. – Provoca.

– Humpf. Tanto faz, Lina, entregue a ele um papel com as informações necessárias. Mas eu não recomendaria se meter com aquele cara, ele faz qualquer um questionar a própria moral.

"Me pergunto o que quer dizer com isso."

– Obrigado, Olho de Vidro. – Pega o papel com a mulher, e olha para os dois uma última vez por cima do ombro, antes de descer a escada e sair dali.

As informações dadas pelo homem indicavam que seu alvo na verdade não estava tão escondido assim, pelo contrário. Igor Romanov havia descoberto uma maneira de assumir uma nova identidade, literalmente, através de um método secreto. Seu atual nome perante aos mortais era George Dwayne, e ele era um pai de família e exemplar vice-prefeito. Porém, para a morte, sua existência não havia sido completamente apagada, não quando a dívida que tinha era tão grave. E como um bom cobrador, Thanatos estava em seu encalço através de seu ceifador, disposto a por um fim à isso de uma vez por todas. Assim, lá estava Abramov, na parte da frente de casa de seu alvo, escondido nas sombras enquanto observava colocar sua filha para dormir pela janela do segundo andar. De todas as opções disponíveis para abordar o indivíduo, ele resolve optar pela mais improvável de todas.

*Ding... dong*

O ceifador toca a campainha da casa, e minutos depois Igor atende. Assim que se depara com o semideus, o homem se espanta e tenta fechar a porta, mas Ab impede com o pé. O vice-prefeito então corre de volta para casa, derrubando a estante do corredor no caminho, e indo em direção à cozinha. Abramov o segue correndo, mas quase tropeça no primeiro obstáculo. A breve perseguição causa tanto barulho que a esposa e filha acordam, e descem às pressas para ver o que era.

– Amor. – Igor já estava abrindo a porta dos fundos quando vê a mulher e a garota.

– O que é isso? – Ela pergunta, assustada com a bagunça na cozinha.

– George? – A menininha trazia consigo um ursinho de pelúcia, mas não parecia assustada ou preocupada com o pai.

– Tudo bem, docinho, papai tá bem. – Responde com a voz trêmula.

– Quem é você? – A mulher olha para o semideus, enquanto tenta pegar o telefone da cozinha. – Vou ligar para a polícia agora.

– Não. – O ceifador encara a mortal direto em seus olhos, e utiliza de sua aura mórbida pra lhe amedrontar. – Pegue a garota e suma daqui.

Seus poderes não envolviam controle mental, entretanto, o pânico as vezes podia fazer as pessoas agirem irracionalmente. E essa era uma das vezes em que apenas um vislumbre da morte bastava para fazer alguém fugir de sua presença.

– Amor... – Diz, enquanto observa a esposa pegar a filha pelo braço e correr em direção à escada de acesso ao segundo andar.

– Prefere que elas fiquem e assistam?

– Assistam o que? – Seu tom muda de assustado para enraivecido. – O que quer comigo? Foi Thanatos quem lhe enviou?

– Sim. E com esse sim já sabe o que quero contigo.

– Sei sim... e bem, vai ter que tentar mais do que isso se quiser mesmo me pegar. – Igor termina de abrir a porta dos fundos, e dispara para fora da casa com uma velocidade tremenda.

Pelas informações que lhe foram dadas, o homem era filho de Hermes, e isso se prova de cara por sua incrível velocidade. Abramov não consegue acelerar como seu adversário, mas arremessa uma pena eletrificada de sua jaqueta rápido o suficiente para perfurar o calcanhar direito deste último. O ferimento é leve e não muito danoso, porém, sua intenção era de desacelerar seu alvo, e em alguns instantes consegue isso. O leve choque adormece os músculos, inutilizando a perna atingida, fazendo com que em pouco mais de quarenta segundos de disparada Igor parasse. Por ser filho de quem era, o indivíduo consegue percorrer uma distância boa, alcançando o bosque no fundo de seu quintal antes de cair, distante o suficiente para que ninguém na rua pudesse lhes ouvir.

– Isso tudo foi planejado? Fazer eu correr até aqui para me matar longe de tudo e todos? – Rasteja por entre a grama baixa do terreno.

– Não, acho que no fundo isso foi consequência de seus atos mesmo. – Ele caminha calmamente agora que tinha seu oponente bem na sua frente.

– Você não sabe o quão trabalhoso foi conseguir essa nova vida. – Arfa do nada. – Não permitirei que a tire de mim assim.


Igor para por um instante, e solta um frasquinho que usava como pingente no cordão ao redor de seu pescoço. Ab sabia que aquilo não era nada bom, mas não tem tempo de reagir ao ato de ingerir, seja lá o que estivesse ali dentro, por parte do filho de Hermes. E nos segundos seguintes, o semideus caído começa a se levantar, enquanto seu corpo aumenta de tamanho. Não era uma transformação inteiramente bestial, mas seus músculos se atrofiavam e expandiam pouco a pouco, fazendo seu tamanho ultrapassar os dois metros. Não só isso, seu tronco se alarga em músculos com veias saltando, enquanto seu rosto fica irreconhecível por conta da mudança.

– É minha alma que você quer? Então vem pegar. – Sua voz muda para um tom grave e nada humano.

Aquilo não intimida Abramov, que já tinha enfrentado coisas piores e mais feias, mas com certeza lhe surpreende, lhe fzendo entrar em estado de alerta. Sua espada nova surge em sua mão direita, enquanto seu anel se ativa na mão esquerda, pronto para o que viria à seguir. O primeiro ataque é um investida rápida e pesada por parte do transmutado, que tenta cravar suas grossas e afiadas unhas em Ab, mas este voa para longe.

"Não tem porque encarar esse cara de perto." Pensa, enquanto faz as nuvens se agitarem no, não tão nublado antes, céu da noite.

Igor olha para cima apenas para perceber a chuva caindo do nada, e logo entende contra quem estava lidando. Sua reação é flexionar os joelhos, pegando impulso, para só então com uma força sobre-humana saltar em direção ao semideus que voava. Aquele movimento foi tão inesperado e surreal que o filho de Zeus não consegue escapar a tempo, tendo seu pé direito pego por uma das mãos do homem. Não bastava a força do corpo lhe puxando para baixo, Romanov também usa sua força para no mesmo combo jogar Ab com tudo contra o chão. A queda aliada ao lançamento é tão feia, que Ab além de sentir seu pulso esquerdo quebrar, vê seu sangue escorrer por um corte feio na lateral direita de sua testa. Além disso, uma tontura consequente da batida da cabeça lhe impede de reagir precisamente.

– É só isso que sabe fazer? Já enfrentei mortais piores que você, servo da morte. – Provoca.

O homem corre novamente em direção à Abramov, pronto para lhe esmagar. Para piorar a situação do ceifador, seu inimigo, mesmo sendo grotescamente grande, conseguia manter uma velocidade acima da média por conta de seu progenitor olimpiano. A distância entre os dois é encurtada rapidamente, dando tempo apenas para que o californiano apontasse sua espada para seu inimigo. E ao fazer isso, um raio irrompe dos céus caindo diretamente em cima da prole de Hermes. O choque atinge Igor em cheio, que estremece brevemente pela intensidade - já que estava molhado por conta da chuva - e cai no chão.

– Ugh. – Tenta arrumar o pulso quebrado, mas apenas sente uma dor aguda e desiste.

Sem perder tempo, o semideus se aproxima de seu inimigo caído, pronto para enfiar sua espada em seu peito. Mas, para sua surpresa, Igor se levanta subitamente e lhe agarra pelo pescoço. Os dedos, absurdamente grandes e fortes, apertam com força suficiente para impedir que Ab pudesse respirar.

– Achou mesmo que nessa minha forma um simples raio iria bastar? A morte é uma piada. – Ri. – Mande um abraço para Thanatos. – Ele tenta quebrar o pescoço do rapaz, mas este aproveita que já estava de boca aberta para liberar um ar denso. O truque utilizado por Abramov nada mais era que um gás tóxico, que adentrava os orifícios faciais da pessoa e lhe impediam de respirar. Então quando Igor se aproximou para lhe matar, acabou respirando toda a técnica do rapaz e vacilou por um segundo.

Esse breve vacilo é suficiente para que o grego pudesse respirar novamente, e transformar seu corpo em sombras, livrando-se das mãos de seu inimigo. Estando livre, o ceifador materializa seu corpo somente quando atinge alguns metros de distância, e logo encaixa outro ataque.

– A morte é mesmo uma piada. Mas só para aqueles que são bons apreciadores – Diz, momentos antes de abrir o primeiro selo.

Os quatro selos da morte eram poderes dados pelo próprio Thanatos à seus servos. Porém, seu uso era restrito, limitando-se apenas à situações de punição contra aqueles que se recusassem a aceitar sua sentença de morte. E como esse era o caso de Igor Romanov, que além disso insultou o deus e seus aliados, o ceifador tinha não apenas o direito de utiliza-los, mas sim também o dever.

– O que é isso?

– O abraço da morte. – Seus olhos reluzem em meio à luz da lua, enquanto ele encara inexpressivamente seu oponente.  

Uma praga de insetos comedores de carne surgem em meio ao cenário, cercando o transmutado e lhe devorando vivo. O vice-prefeito grita de dor enquanto tenta se livrar dos ataques, mas os bichos eram tão pequenos e estavam em tamanho número, que acaba sucumbindo em meio à eles. Não satisfeito, Abramov recita mais algumas palavras em grego antigo, e logo em seguida a chuva comum é substituída por uma de ácido. Cada gota que atinge a carne do homem a corroê, fazendo-o urrar ainda mais por conta da dor. Depois disso, o terceiro selo é aberto, liberando uma névoa de gás hilariante.

– Eu implo... hahahaha. – Igor não consegue conter as gargalhadas, mesmo em sua forma monstruosa, enquanto chora por conta da tortura.

– É tarde demais para se arrepender. Aceite as consequências de seus atos... e morra.

O quarto selo é enfim rompido, liberando do chão uma caveira com um par de chifres em seu crânio. Seus ossos são revestidos com uma armadura dourada, e em sua mão direita uma foice idêntica à da morte é erguida. O espectro avança com tudo contra Igor, cravando a ponta da arma em vários pontos de seu corpo. Sangue é jorrado para tudo que é lado, e ao fim do ritual macabro a transformação enfim acaba, deixando apenas um atlético ser-humano adulto caído no chão. Ab se aproxima à passos curtos, ainda ferido por conta da queda, e com a mão que não tinha quebrado faz uma foice surgir das sombras.

– Sua alma será ceifada, e o julgamento lhe aguarda. – Se dirige ao ser que havia invocado, enquanto fala de Igor, e este entende o recado, retornando em seguida à terra.

Thanatos era conhecido como o deus da morte pacífica, porém, até mesmo ele possuía um lado furioso, e os quatro selos representavam bem a ira da morte. Ainda assim, não era papel dele julgar as almas dos mortos, portanto Abramov tinha apenas que ceifar o resto da vida que ainda restava ao filho de Hermes. Mas uma curiosidade incomum lhe assola, quase que como uma voz familiar no canto de seu mente, lhe instigando a fazer o que tinha vontade. Ele fita o nada por alguns segundos, antes de encostar sua mão direita no tronco de Igor.

– O que... está fazendo? – Cospe mais um bocado de sangue, e quando sente a mão gelada do ceifador lhe tocar, se eriça todo. Seus olhos ficam completamente pretos, assim como os de Ab, e sua vida passa diante dos mesmo em um rápido instante.

As informações obtidas eram todas absorvidas pelo semideus, que recua alguns passos ao fim do processo. O que ele havia visto lhe perturbara tanto, que foi capaz de lhe tirar do sério. Seu semblante de indiferença logo é substituído por um de ódio, e ele sente seu corpo esquentar por conta da raiva.

– Como você pôde? Como pôde viver consigo mesmo tendo feito o que fez? – Grita para o homem, enquanto a chuva, agora normal, continua a cair.

– ... –

– SUA PRÓPRIA FILHA? – Ele sente o almoço da tarde voltar por sua garganta, e por pouco não vomita de nojo.

Assistindo as memórias, o rapaz enfim entende o que o Olho de Vidro quis lhe dizer a respeito do homem. Igor Romanov tinha criado uma poção que lhe permitia mudar de aparência permanentemente, além de permitir que ele mantivesse a mesma idade para sempre. E foi com ela que viveu por mais de cem anos, mesmo quando já deveria ter morrido. Mas a questão real não era essa, e sim o que ele fazia com as próprias filhas que tinha ao longo de seus casamentos. E o que era para ser uma ceifada rotineira, acabou se tornando pessoal para Ab, que sente seu corpo tremer enquanto resiste para não terminar espancando o homem.

"Aqueles que perdem a própria essência acabam vagando sem rumo..." As palavras de Thanatos voltam à sua mente do nada, e ele se foca nelas enquanto soca repetidamente o chão. Se continuasse assim acabaria quebrando o pulso que ainda estava bom, mas por sorte acaba voltando à razão antes que isso acontecesse. Ele olha para o céu, enquanto sente as gotas pingarem em seu rosto, e, pela primeira vez em meses, chora. As lágrimas eram poucas, mas reais, quentes, mas escassas. Eram tudo que ele mais queria, e ao mesmo tempo tudo que mais temia.

– Isso tá errado... tudo tá errado... – Sua conversa com Thanatos passa por sua cabeça, logo em seguida o noticiário de mais cedo sobre o atentado terrorista, e por fim seu diálogo com Nyx.

Ao fim daquele momento de auto reflexão, Abramov se recompõe e pega novamente a foice de sombras. Com um olhar morto, ele desfere o golpe final contra Igor, dando fim à sua duradoura e pecaminosa vida. Não havia satisfação naquilo, mas sim a sensação de estar tão sujo quanto o morto apenas por ter lhe tocado. Mesmo após ter cumprido sua missão, ele acaba por ficar encarando a noite por um tempo antes de partir. E bem, como todos sabem:

"Quando se olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você."

Habilidades Ativas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Nephoscinese II
Descrição: O semideus possui uma certa afinidade com as nuvens, inclusive podendo trabalhar com elas de um jeito que outro semideus não consegue. Nesse nível já consegue manipular as nuvens para fechar o céu, o escurecendo e tornando-as negras, também pode carrega-las, fazendo com que fiquem pesadas e liberem uma chuva leve – não uma tempestade, e sim uma garoa – podendo trazer a chuva para o campo de batalha a fim de atrapalhar seus inimigos. Pode deixar um campo de terra como lama, por exemplo, o fazendo ficar escorregadio.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Controle dos Ventos II
Descrição: Agora você adquiriu um melhor controle dos ventos, agora consegue criar campos de gravidade negativos e grandes ventanias, que podem erguer objetos maiores, também atrapalha o inimigo ao se locomover em campo, o tornando lento. Sua visão ficara turva, e a dificuldade de acertar algo em campo é grande.
Gasto de Mp: 60 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Dura dois turnos, o semideus não é afetado pela tempestade e pode continuar lutando normalmente, ao contrário do inimigo que fica vulnerável.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nome do poder: Voo IV
Descrição: O semideus concentra uma grande parte de sua energia e consegue içar a mais metros do chão. Ao redor de seu corpo, correntes de ar o mantem estável e equilibrado, ele também consegue ficar mais rápido, desde que se concentra mais ainda tem dificuldade em batalha, e se for acertado, pode acabar perdendo parte do equilíbrio e despencando alguns metros. É bom se manter atento.
Gasto de Mp: 20 por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Já pode se erguer até 10 metros acima do solo.

Nome do poder: Rei Furioso
Descrição: Apontando sua espada para um determinado inimigo, um raio cairá do céu e o atingirá. Este raio não é forte o suficiente, e não poderá matar seus inimigos, mas consegue atordoa-lo e deixa-lo incapacitado de lutar pelo turno seguinte, os olhos do oponente ficarão turvos, e seu estomago embrulhado, além dos músculos pareceram ficar meio trêmulos. Isso o impede de usar poderes ativos que precisem de mira, pois, não será capaz de acertar o filho de Zeus/Júpiter, armas a mesma coisa.
Gasto de Mp: 50 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 60 HP
Extra: Nenhum

Habilidades Passivas - Ceifador de Thanatos:
ʡ Phobos e Deimos – Temor e Pânico. Se estas são características da guerra, são ainda mais da morte. Um ceifador ativa instintos e acelera qualquer coração. Sentir a proximidade da morte é uma tortura para quem guarda a vida, e retira deste ser a capacidade de agir perfeitamente ou com total determinação. O efeito aumenta conforme o uso (e o aumento de nível) de “Visão da Morte”.

ʡ Os Últimos Instantes – Ao tocar um ser, você é capaz rever toda sua vida em um segundo, junto a ele. Sendo presságio de morte para muitos, é também muito útil para o Ceifador conhecer pontos fracos e torturar a vítima.

Habilidades Ativas - Ceifador de Thanatos:
ʡ Umbocinese V – Manuseio avançado da energia escura, podendo, inclusive, moldar diversos tipos de armas. Pode transformar todo o corpo em sombra.

ʡ Sopro da Morte - Essa habilidade apenas funcionará se estiveres próximo do seu oponente. O ceifador consegue expelir um ar denso pela boca que se envolverá nos orifícios faciais do adversário, um gás incolor capaz de sufocar gradativamente o alvo, pois impede a entrada de oxigênio.

ʡ Os quatro selos  - O primeiro selo: Ao abrir liberará uma praga de insetos comedores de carne, o enxame de insetos voará por todas as partes onde se encontra seu inimigo e tentará devora-lo vivo. [ 1 vez por evento] (Dura 1 post) [ - 20MP]

ʡ Os quatro selos – O segundo selo: Ao abrir libertará uma chuva de ácida sobre seus oponentes, cada gota é tão corrosiva que seria capaz de corroer até uma barra de ouro.  [1 vez por evento] (Dura 1 post) [- 20MP]

ʡ Os quatro selos – O terceiro selo: Ao abrir este selo libertará uma nevoa a mesma causará em seus oponentes um ataque hilariante, isto é, eles vão ficar rindo e rindo sem parar, os ceifadores são imunes. [Uma vez por evento] (Dura 3 posts)  [-20MP]

ʡ Os quatro selos – Ao abrir o ultimo selo libertará um ser feito de ossos, possui dois pares de chifres, asas feitas de ossos, seu ossos são revestidos com uma armadura dourada, na sua mão um gadanha (Foice idêntica a da morte). ( Life: 120MP/HP) [1 vez por evento] (Dura 4 turnos) [-20MP]
Kyra


Última edição por Abramov Levitz em Qua Set 06, 2017 5:03 am, editado 1 vez(es)
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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Érebus em Sex Jul 07, 2017 6:42 pm


Missão Avaliada!

Modo de avaliação:

Realidade de postagem + Ações realizadas. –  4.500XP
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc. –  4.500XP
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência.  – 4.500XP



Abramov

Que diabos eu posso e devo dizer da sua missão? Esplendoroso, dinâmico, magnifico e quase perfeito, seriam só alguns dos grandes e variados elogios que eu poderia aplicar para essa CCFY. Dizer que eu estou surpreso? Bobagem, já sabia do seu potêncial desde o dia em que li sua ficha e ajudei para que fosse aprovado como filho de Zeus. Agora, certamente devo dizer que você me surpreendeu e muito em uma questão: Evolução pessoal. Nessa CCFY, pra mim que acompanhou muito de você desde que entrou no fórum, ver como seu personagem tem se tornado sério, envolvido, sombrio e tempestuoso foi uma grande surpresa, não por que imaginei que não fosse capaz de evoluir tanto, mas por que você está longe de ser aquele filho de Zeus que derrotou meio às avessas o leão de nemeia, muito ao contrário, você tem envelhecido nos últimos dez dias, o que não tinha envelhecido nos últimos dez anos.

Realidade de postagem + Ações realizadas. – Valor 4.500XP
Pontuados: 4500XP


Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc. –  Valor 4.500XP
Pontuados: 4500XP


Criatividade/Estratégia em combate + inteligência.  – Valor 4.500XP
Pontuados: 4500XP



Pontuação Geral: 13500 Pontos de XP
Multiplicador? Sim (x2)
TOTAL (Dracmas e Experiência): 10000 Dracmas e 27000XP.

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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Abramov Levitz em Sab Jul 15, 2017 5:46 pm




CAPÍTULO IV
Cry, who needs sorry when there's Hennessy?





"You bought a star in the sky tonight
Because your life is dark and it needs some light
You named it after me, but I’m not yours to keep
Because you’ll never see, that the stars are free
Oh, we don’t own our heavens now
We only own our hell
And if you don’t know that by now
Then you don’t know me that well..."

O semideus estava sentado na mesa perto do palco, junto de sua família, atento à apresentação. O evento nada mais era que uma festa beneficente, organizada pela alta elite californiana, que naquele salão se reunia. Pelo menos dessa vez a causa era realmente nobre, envolvendo arrecadação de dinheiro para ONGs voltadas à crianças sem teto e órfãs. Sendo filho de quem era, o semideus não tinha a opção de não comparecer ao evento, e para não causar mais atrito com os pais, apenas concordou em ir. Entretanto, seu clima não era festivo, e por trás de todos os sorriso que esboçava, e palavras de cumprimentos que proferia, sua vontade era apenas de sair dali e ir dormir. A única coisa que lhe prendeu a atenção foi a canção, já que a artista tinha uma voz bastante melancólica e hipnotizante. Seu primeiro pensamento foi de que se tratava de algum monstro, ou semideusa, mas ela parecia mortal demais para qualquer um dos casos.

"Antes meu problema fosse alguém tentando me conquistar através de bens materiais..." Pensa consigo mesmo, a respeito da música cantada no momento. Eu sua opinião, qualquer problema mortal seria mais atrativo que os divinos com os quais andava lidando. Se pegou ponderando até mesmo sobre uma nova paixão, mas logo deixou para lá, afinal, não teria cabeça para isso, e muito menos tempo. "Ótimo, agora nem ao álcool posso recorrer." Dá o último gole em seu vinho, não sentindo nada mesmo sendo essa sua terceira taça. Não havia necessidade em se alimentar ou ingerir líquidos, mas ainda o fazia apenas para se lembrar de que ainda é meio mortal. Porém, naquele momento, não saberia dizer o motivo certo que lhe fazia sentir sede, e muito menos o porque de sua boca estar seca. E sem vontade de descobrir a razão por trás disso, apenas pede licença da mesa e se levanta para ir em direção ao bar.

— Belo evento, devo admitir. — Uma mulher se aproxima de Abramov no bar, enquanto ele esperava pela bebida.

— ... — Sua vontade era de apenas ignorar a presença da outra, mas temia estar sendo observado de longe por sua mãe. — Concordo. A senhora Hamilton sabe mesmo dar um baile quando quer. — Ao se virar para encarar a indivídua, percebe enfim que não a tinha visto antes, pelo menos não naquela festa. Com uma altura comum, seus perfeitamente cacheados cabelos caíam pouco abaixo de seus ombros. Sua pele era clara e perfeita, combinando com seu rosto também simetricamente modelado. E não bastando isso, seu corpo parecia de uma modelo famosa, e ainda assim, eram seus olhos castanhos que prendiam completamente a atenção, como se alguém pudesse ser perder neles. — Me desculpe, acredito que não tenhamos sido apresentados ainda. — Repara também em suas vestes, que pareciam simples e ao mesmo tempo caras e deslumbrantes. Nunca imaginou que um vestido branco assessorado por jóias de ouro roubariam tanto a cena.

— Não mesmo, e acredito que em partes seja uma demonstração de respeito por parte de seu pai. — O barman retorna com as duas bebidas prontas, e ela pega a dela e dá um gole. — Hm, divino.

— Meu pai? — Faz uma breve pausa. — Vocês se conhecem?

— Sou a mulher da vida dele, querido, claro que o conheço. — Não havia mentira em suas palavras, e ela o encara direto nos olhos, desafiando-o a dizer o contrário.

— Perdão, essa é nova. — Seu olhar é desviado para a mesa onde seus pais estavam, enquanto ele encara sua mãe ser cortejada por seu pai. — O que você quer aqui? Algum tipo de comoção e vexame? — Se irrita, já que detestava aquele tipo de drama, muito menos quando envolviam sua família nisso.

— Ó, não, me desculpe, esqueci que preciso ser clara com vocês. Costume meu achar que todos tem a linha perfeita de raciocínio, assim como meus filhos. — Intercala a fala com goles no drink. — Não falo daquele mortal ali sentado, e sim de Zeus, o rei do Olimpo.

— ... — Engole seco, e quando percebe isso acaba dando também um gole em sua bebida, apenas para não perder o costume. — Você é Hera? Digo, você é Hera. — Seus olhos piscam em descrença até ele concordar com a ideia. Não tinha se encontrado pessoalmente com um deus ainda - exceto Thanatos, claro- e sua única conversa direta tinha sido com uma aparição de Nyx, portanto não estava acostumado àquilo.

— Sim, eu mesma. Esposa do rei, o que me faz rainha do Olimpo... — Ela continua a encarar o rapaz, não desviando o olhar nem por um segundo.

— E o que quer comigo? — Para por uns instantes antes de continuar. — Quer dizer, não me entenda mal, mas de todos as deusas que um dia imaginei, voc- — Corrige. — A senhora é a última pensei encontrar.

— Me pergunto o motivo disso, semideus. Achei que não houvessem desavenças entre nós dois, ou julguei errado a situação?

— Não, não há. — Responde, incerto. — É só que...

— Você é fruto de um ato de infidelidade, sei bem, não preciso que reafirme isso mais vezes. Se bem que acabou de me fazer proferir essas palavras... — Fecha os olhos por um instante, como quem tenta se acalmar.

— Sinto muito. Mas então, foi meu pai quem lhe enviou?

— E meu marido precisa me dizer o que devo fazer? Sou a deusa das mulheres, além do casamento, semideus, não precisamos de homens nos dizendo o que fazer. Então não, não foi ele quem me enviou, vim por vontade própria.

— ... — Acaba desviando o olhar novamente para a mesa onde seus pais estavam, e a deusa nota.

— Preocupa-se tanto com o que eu posso vir a fazer com uma das amantes de meu marido, mas não considera o que ela fez ao meu casamento.

— Minha mãe não sabia quem ele era, muito menos sobre ser casado.

— E acredita mesmo nisso? Conheço seu pai, tenho certeza de que avisara que era casado, e ainda assim...

— ... — Se irrita com o comentário maldoso sobre sua mãe, mas nada diz, já que não era estúpido o suficiente para o fazer.

— Mas não se preocupe, meus tempos de perseguição às amantes de Zeus já passaram, o que nos deixa em bons termos.

— Entendo... — Ainda era difícil acreditar naquele discurso, já que Hera ficou famosa por suas perseguições às mulheres com as quais o marido se envolvia. E não bastando isso, ela ainda estava sempre no encalço dos bastardos, e foi dessa amargura que os desafios de Hércules surgiram. Portanto, não era de se espantar que não pudesse confiar plenamente na divindade.

— Cá estou eu, de livre e bom grado, disposta a lhe propor algo, deixando de lado as desavenças que possam haver entre eu e a mortal que lhe deu a luz. Se isso não é um ato de levantar bandeira branca, não sei mais o que seria.

— Acredito em você. — E realmente acreditava, ainda que não plenamente. — E o que deseja propor?

— Seu pai não está cego com relação aos últimos acontecimentos, como acha. E isso inclui sua situação. — Diz, ciente de que Abramov sabia do que ela falava. — Porém, mesmo ele não tem encontrado tempo para resolver todas as pendências.

— O que inclui nem mesmo responder às minhas oferendas na fogueira do acampamento. — Retruca, claramente ressentido.

— Me diga, sem levar para o pessoal. O que é mais importante: uma guerra iminente ou seus problemas pessoais? — Não havia ironia ou deboche em seu tom.

— A guerra.

— Então entende-se que se conforma com isso. Realmente acha que não estamos cientes dos recrutamentos de Nyx? Ela é esperta, e tem atacado no assunto mais delicado dos olimpianos, sua prole. Infelizmente esse discurso de falta de atenção por parte dos deuses sempre funcionou. Mesmo na Grécia antiga já existiam semideuses insatisfeitos com os pais, e adivinha, sempre será assim. Vai da pessoa saber lidar com isso ou não. Posso citar inúmeros semideuses que não se aliaram à primeira deusa maluca que lhes evidenciou o óbvio.

— Não é necessário... quer dizer, a menos que queira.

— Enfim. — Ela o repreende com o olhar, por ter lhe cortado. — Sabe bem que não podemos interferir diretamente nos acontecimentos do mundo, já que esse é o trabalho do destino. Só que, ainda podemos lhes guiar pelo caminho certo, e evitar que mais imprudência aconteça.

— Então no fim veio apenas tentar me convencer a me manter do seu lado da guerra. — Diz, já sem paciência.

— E quem julgas ser para achar que és tão necessário assim? — Subitamente a presença da deusa parece crescer, não sendo possível explicar, apenas sentir, e Ab se sente acoado. — Não, semideus, não lhe digo o que fazer quanto à isso. O assunto que me trouxe aqui é completamente à parte de tudo isso que tem acontecido.

— ... — Não ousa insistir e discutir com Hera, então apenas continua escutando.

— Preciso que resolva uma das tais pendências de seu pai. É algo simples, mas muito importante para ele.

— Como uma das provações de Hércules?

— Se isso lhe fizer se sentir mais especial, por que não? — Debocha, claramente. — Como eu disse, seu pai não me enviou, e é provável que nem saiba de nosso encontro, portanto pense nisso como uma agradável surpresa para ele, sim? Agora devo ir, há limites para tudo nessa vida. — Ela caminha para longe dali.

— Espera, mas e como vou saber o que é para fazer?

— Não tenha pressa, as respostas virão. Afinal, não é de meu feitio estragar eventos familiares alheios. Até mais, Abramov Levitz. — Enfim se vai.

— Quem era aquela mulher linda com quem conversava? Ela estava te cortejando, por isso demorou tanto para voltar? — A mãe do rapaz enfim chega, e tudo que encontra é seu filho com uma cara de espanto sem motivo algum.

Na manhã seguinte, Ab nota a presença de uma carta na mesa de seu quarto e logo entende do que se tratava. Estava surpreso por Hera não ter lhe amaldiçoado, ou à sua mãe, e mais ainda pela deusa ter comparecido a um evento no qual a Levitz também estava presente. Seria aquilo apenas uma jogada para apaziguar sua situação com seu pai? Não saberia dizer, e bem, como a própria rainha do Olimpo dissera, ele era só mais um semideus em meio aos outros. "Washington, D.C?" Se surpreende ao ver o destino de sua tarefa. Na tal carta, a esposa de Zeus lhe informava sobre um antigo amigo de seu marido, que por algum motivo andava o ignorando e isso estava deixando o senhor dos céus bastante irritado. E que era de extrema importância que o semideus dissesse que foi seu pai quem lhe enviara.

A viagem se dá de maneira bastante tranquila, dessa vez. As regalias de ser filho de pais ricos, e também do deus dos céus, lhe permitiam viajar de avião sempre que quisesse sem risco de acidentes e afins. A única novidade era de fato a capital do país, nunca antes visitada pelo californiano, que se perde no caminho do aeroporto até o hotel. No aplicativo do celular, a localização de ambos os pontos parecia próxima, mas descobriu na marra que teria de andar cerca de dez quilômetros, no mínimo, até lá. No caminho, acaba  reparando em alguns protestantes democratas, que eram contra o atual presidente republicano, Donald Trump. Política costumava ser um assunto importante para o jovem adulto, mas desde que se descobrira semideus, outros assuntos haviam virado prioridade.

Tendo enfim guardado suas coisas no hotel, e pego apenas os itens que poderia vir a utilizar, o ceifador finalmente parte até o local indicado. O endereço era de um prédio comercial no centro da cidade. Daqueles com mais de vinte andares, e todo espelhado, o que dava um ar de importante e luxoso. Abramov, para o próprio azar, vestia-se de maneira largada, como sempre fazia quando ia para suas missões. Roupas leves e confortáveis era mais adequadas em combates, e ao mesmo tempo nada indicadas para situações como aquela.

— Senhor Wilson, por favor. — Informa à moça na recepção a respeito de quem ele gostaria de falar.

— Hm, você tem horário marcado com ele? — A recepcionista o inspeciona com os olhos, já imaginando a resposta de sua pergunta.

— Não. Mas é de extrema urgência. — Mente, já que nem ele sabia ao certo o que era para resolver com o homem.

— Olha, vou ser sincera com você. Eu até poderia mentir e falar que ele tá em reunião, mas nem é o caso, viu? Ele é o presidente da empresa, só gente importante pode falar com ele. — Sussurra as duas últimas sentenças.

A primeira impressão que o rapaz tivera era de que a moça era muito sincera, e isso era bom. Só que depois se tocou de que provavelmente ela não duraria naquele ramo, se continuasse batendo com a língua nos dentes daquele jeito. — Entendi. Mas eu preciso mesmo falar com ele. Não há nada que possa fazer a respeito?

— Infelizmente não. Ai, tadinho, você veio de longe? Eu posso te dar o dinheiro da passagem de volta, se for o caso.

— Que? Não, não é isso. — Estranha.

— Ah, é porque vez ou outra alguém chega aqui alegando ser filho do chefão. Desculpa se achei errado. — Confessa, também baixinho.

— ... — Fica sem reação com aquele fato, a princípio. — Sabe, nada garante que ele não seja meu pai. — Repensa. — Na verdade, eu tenho certeza, por isso vim até aqui. — Resolve mudar de abordagem.

— Ó. — Se espanta. — Você pretende fazer algum tipo de escândalo ou algo nesse nível? Porque se sim eu já adianto que aqueles dois guardas ali. — Olha de relance para dois mortais que mais pareciam gigantes pela estatura. — Vão te imobilizar e te levar pra longe daqui antes mesmo que você termine a sentença. Se eu fosse você nem tentaria, viu.

— Caraca, que pesado. Eles iriam me enxotar sem nem mesmo o tal chefão ficar sabendo?

— Não, o senhor Wilson provavelmente tá vendo isso aqui agora. Ele fica fazendo nada na sala, só olhando as câmeras de segurança, porque jura que tem uma mafia assassina atrás dele.

— A é, é? — Ab se afasta um pouco do balcão, procurando a primeira câmera do recinto, e quando a encontra, fita a mesma enquanto faz seu discurso inesperado. — Sou filho de Zeus! Sim, o senhor do Olimpo, proprietário de todo o império mortal que vive aos seus pés! Que não quer me assumir como sua prole, e no entanto, me envia até seus aliados em seu nome! — Os guardas correm na hora, prontos para derrubar o lunático que gritava no hall do prédio, porém, eles são completamente derrotados pelo filho de Zeus, que desvia no último instante e faz com que os dois choquem as cabeças.

— Essa é nova. — A recepcionista observa tudo bastante animada, enquanto lixa as unhas. — E eu achando que o coitado era normal. — O telefone da recepção enfim toca, e quando ela atende, ouve um patrão bastante aflito gritando-lhe para mandar o maluco subir. — Uau, hoje é seu dia de sorte, filho de Zeus. O senhor Wilson disse que era para você subir que ele quer falar contigo.

— Obrigado, não foi fácil gritar essas verdades para mortais ouvirem.

— Mortais? Que isso, você é algum tipo de semideus mesmo?

— Sim. Vejo que sabe dessas coisas.

— Mas é claro, amo mitologia grega. Já perdi as contas de quantas vezes assisti Fúria de Titãs na Netflix.

— Ah, entendi. Mas é nessa onda ai, matar a Medusa e outros monstros. Principalmente a parte das relações familiares, o que mais rola é intriga entre parentes.

— Imagino. E você derrota todos eles com suas armas, né? Aposto que é uma lança. — Pisca, como quem fingia acreditar naquele papo. — Pronto, pode passar a roleta, o escritório dele é no último andar. — Libera a entrada para o indivíduo.

— Obrigado...

— Irene. — Diz seu nome, enquanto observa o estranho entrar no elevador.

A subida parecia uma eternidade mesmo com toda a tecnologia, já que por volta do sétimo piso cada andar passava a tomar cerca de pouco mais de um minuto até ser ultrapassado. E como o prédio tinha vinte e seis andares, bem, façam as contas. No fim, Abramov só queria respirar o ar livre novamente, mas para seu desespero, as portas do aparelho se abrem direto no escritório.. Escritório este que não passava de uma imensa sala, cercada por janelas inteiramente de vidros. Porém, nenhuma delas estava aberta, deixando o recinto completamente abafado e quente por conta do sol forte que batia no vidro. O lugar era vazio, exceto pela mesa que ficava na extremidade oposta ao elevador. Ampla e feita de madeira lustrada, ela estava repleta de papeis jogados por cima, além de um computador normal. E atrás dela, uma daquelas cadeiras típicas de presidentes de empresas, que se vira revelando enfim o grande chefe.

— E você é... — O homem parecia ter mais de sessenta anos, mas tinha uma aparência conservada e juvenil, o que era contraditório já que era confuso alguém parecer mais velho e mais novo ao mesmo tempo. Sua pele era clara e com cicatrizes por todos os lados, inclusive na bochecha direita. Seus lisos cabelos eram pretos, mas as vezes quando o sol batia pareciam claros, e o mesmo acontecia com seus olhos, que mudavam de azul para preto, dependendo do ângulo. Vestido formalmente como um executivo, ele pega uma caneta aleatória e começa a bate-la contra a mesa, demonstrando certa impaciência.

— Abramov Levitz, filho de Zeus.

— Já entendi, eu vi seu discurso. Mas o que quer? Seu pai lhe enviou? O que ele quer comigo? Achei que estivesse claro que não trabalharíamos mais juntos! Estou na minha, ele que fique na dele! — Solta as perguntas e afirmativas uma seguida da outra, não dando tempo para que o ouvinte processasse de fato nada.

— ... — Sua única pergunta era: quem é esse cara? — Na verdade... — Quase solta que o responsável pelo encontro era Hera, mas se lembra das ordens da deusa e reformula. — Eu não quero nada, sabe. Quem quer é meu pai mesmo. — Para por uns segundos, afinal, não sabia exatamente o que falar. Suas informações limitavam-se ao fato desse homem ter tido boas relações com o rei do Olimpo no passado, e era isso que este último desejava novamente. Mas como tinham se desentendido, se é que tinha mesmo acontecido isso, e o motivo disto, eram perguntas das quais não possuía as respostas.

— Eu sei que é ele, foi uma pergunta retórica. Perguntas. Algumas. Três. Sendo exato. — Diz, enquanto começa a digitar algo no computador. — Maldita inflação, isso só fecha os portos estrangeiros para nossos produtos.

— ... — Ab fica ali, em pé, observando o todo poderoso, e então percebe que nem seu primeiro nome sabia. — E então?

— E então o que? — Não tira os olhos da tela.

— Como fica? Há algo que eu possa fazer em nome de Zeus para compensar... seja lá o que tiver acontecido. Sussurra ao fim, incerto sobre aquilo.

— Agora estamos falando minha língua! Negociações! Transações! Expansões! Abertura e fechamento de contratos! — Se levanta da cadeira, e olha com um sorriso de ponta à ponta para o rapaz. — Eu tenho inimigos, sabe? Todo mundo tem, então é óbvio que o mundo tem! Não é? Se todo mundo tem, o mundo também tem!

— Sei. — Diz, ainda que não entendesse que papo era aquele do indivíduo, que agora parecia realmente pirado.

— Ajude-me com um deles, e eu posso responder à última mensagem de seu pai, e não mais que isso!

— E que inimigo é esse?

— Acabei de enviar um fax para Irene com tudo que precisa saber. — Continua digitando.

— Entendi. Hm... — Nunca tinha ficado tão sem saber como agir igual naquele momento. — Meu pai ficará contente então, né.

— Se tudo correr bem, filho!

— Se tudo correr bem, isso ai. Então é isso, vou me indo, senhor Wilson. — Volta para o elevador.

— Você pode me chamar pelo meu verdadeiro nome: Mister World! — Grita, mas o semideus mal consegue ouvir direito já que as portas de metais se fecham e impedem a passagem do som.

A descida é completamente oposta à subida, e em questão de instantes ele alcança o hall novamente. Tem de se segurar para não vomitar com a queda repentina, e não tem tempo de por a cabeça no lugar até Irene chegar com uma pasta de arquivos e lhe entregar estes.

— Parece que conseguiu a papelada para ser reconhecido como filho dele, semideus, boa. — Ela pisca para o rapaz, e volta para seu lugar.

Abramov nem perde tempo abrindo a pasta, já que a coisa que mais queria era sair do prédio e respirar o ar fresco do dia lá fora. E só quando preenche seus pulmões com oxigênio puro - ou pelo menos o mais puro que se podia ser vivendo no planeta terra -  resolve ver do que se tratava sua nova missão. As informações ali contidas eram muitas, e em nada faziam sentido para ele, que resolve voltar até o hotel para relaxar e tentar organizar os fatos.

"Uma missão dentro de uma missão, parece que to naquele filme, como é o nome mesmo... A Origem." Se joga na cama, já em seu quarto, enquanto resolver escutar música um pouco, para ver se lhe ajudava a se concentrar.

Os papeis continham informações sobre uma empresa francesa que estava abrindo uma filial nova mais ao norte da cidade, perto da área de fazendas e cultivos. A companhia era de agropecuária, e pelo que entendera, uma carga de bois chegaria a esta noite. "Impeça-a..." Enfim lê o comentário em itálico no meio do texto, concluindo então que aquelas eram suas ordens. Além da escrita, haviam fotos do caminhão à caminho da indústria e da própria indústria por fora, de ângulos que mais pareciam ter sido tirados por satélites. "Como ele conseguiu essas imagens?" Se impressiona com a qualidade do material.

— Ok, isso deve ser fácil. — Comenta consigo mesmo, antes de ir para o banho que antecederia sua arrumação pré trabalho.

Dessa vez seu escudo iria em suas costas, talvez parecendo uma mochila para os mortais ludibriados pela névoa, além de suas armas de costume. Pela primeira vez utilizou seus poderes como ceifador para viajar nas sombras em uma velocidade impressionante, atravessando toda Washington em questão de minutos, e enfim chegando ao ponto indicado nos arquivos. A entrada da fábrica era cercada por arame farpado elétrico, sendo seu único portão o local por onde o caminhão passaria. Ab estava adiantado, portanto ele resolve escolher seu lugar de ação, seguindo a estrada no sentido contrário, para interceptar a carga no meio do caminho, onde seria mais adequado e evitaria grande movimentação por parte dos funcionários da empresa.

O caminho era asfaltado, mas cercado por um denso bosque que intimidava durante a noite. Sendo uma rota de ligação do centro da cidade à área privada da empresa, nenhum outro carro passava pro ali, quiçá pessoas. "Quanto tempo vou ter que esperar aqui? Esfriou do nada." E a resposta vem após meia hora, tempo este que ele espera encostado em uma árvore, camuflando-se nas sombras. Somente quando enfim a luz do farol surge em meio à escuridão, ele dá início à sua abordagem. Tinha previamente encharcado aquela parte da estrada, deixando-a propícia para derrapamentos, e então quando o veículo o alcança, faz uma rajada de forte de ventos lhe desestabilizar, e salta sobre o carro quando este freia à tempo para não virar com a carga dentro.

Era a primeira vez usando a capa preta, já que até então não tinha achado necessário esconder sua identidade. Mas lidando com mortais daquele jeito, não era interessante para sair por ai expondo sua face para qualquer um. Assim, Ab utiliza sua foice para furar o metal na parte da frente, onde o motorista ficava, e enfim ordena. — Saiam. — Diz, ao perceber que havia um carona também. Tendo dito isto, os dois abrem as portas e saem correndo dali. Logo em seguida, o semideus vai até a traseira do caminhão e abre as portas, liberando cerca de dez bezerros que eram quase amassados dentro do compartimento. "E o que vou fazer com vocês?" Suas instruções eram de interceptar a entrega, mas não o que fazer com o produto. Para seu azar, ou quem sabe sorte já que não sabia o que fazer com os animais, uma criatura de quase quatro metros de altura sai do meio do bosque e lhe encara.

"Isso é... um Andarilho da Noite?" Já tinha ouvido falar daquele bicho, e quando percebe a aura gélida deste, confirma suas suspeitas. "Então é por isso que tinha esfriado tanto." Conclui.

Abramov comete o erro de fitar os olhos do monstro por breves instantes, e é nesse meio tempo que acaba sentindo sua existência se abalar, como uma confusão mental tremenda. Tudo que consegue fazer é se manter em pé, encarando o vazio enquanto os bezerros fogem pela estrada, espalhando-se por ai, enquanto a criatura avança contra ele. Uma luta espiritual tremenda é travada naqueles segundos por Ab, que consegue retomar o controle de seu corpo - talvez pela habilidade passiva adquirida ao se tornar agente de Thanatos - e tenta se mover. Porém, é tarde demais até mesmo para ele, que sente o punho do andarilho lhe acertar em cheio e lhe jogar longe ainda na estrada.

Sua capa acaba sendo rasgada nas pontas por conta do atrito com o asfalto enquanto é arrastado pelo mesmo. Se antes estava tonto por problemas mentais, agora tonteava por conta da pancada. A força daquele bicho era absurda, e tinha certeza de que havia quebrado uma costela. "De novo..." Imaginou que por já ter fraturado aquele osso, isso se repetir seria mesmo mais fácil. Entretanto, não se deu por abatido, uma vez que já tinha aguentado dores piores. O rapaz gira a foice e faz um corte no chão, abrindo-o para invocar um mini exército de vinte soldados zumbis, mais fortes e velozes que o normal, todos armados com espadas e escudos.

Os servos do ceifador cercam o monstro, desferindo ataques em suas pernas e distraindo-o como podiam. Enquanto isso, Ab sobrevoava a criatura, que era grande o suficiente para lhe forçar a voar alto. Lá de cima, golpes de raio eram lançadas contra o bicho, que mesmo em toda sua majestosa força e resistência, não podia se defender de tantos ataques vindo de lados diferentes. O andarilho ainda consegue exterminar os soldados, mas acaba sendo derrotado quando a foice lhe atinge no pescoço, e Abramov abre este com um profundo e grotesco corte, que faz jorrar sangue azul para todo o lado.

— Que bagunça... — Olha para baixo e nota o caminhão abandonado na estrada, além da sujeira e rachadura no chão.

Começa a descer novamente, mas antes de pisar em terra firme, uma mão vindo do nada lhe agarra e o prende. Um segundo Andarilho da Noite revela sua presença, já tarde demais para que o californiano pudesse reagir. O bicho era forte, e o apertão parecia ser capaz de lhe esmagar, e se não fosse sua habilidade de transmutar-se em sombras, provavelmente esse teria sido seu fim. Quando se desvincilha de seu inimigo, Ab utiliza alguns segundos para se arrumar ainda no ar, e então começa a agir. A criatura tenta lhe pegar novamente, mas ele é muito mais ágil nos domínios de seu pai do que no chão, tornando a tarefa quase impossível para algo tão grande e lento como seu oponente. Não tinha seus lacaios para ajudar na distração dessa vez, portanto contou consigo mesmo para o trabalho.

Seu corpo rodeava o monstro e lhe talhava vários cortes com a foice, abrindo as feridas e se afastando para evitar ser pego. Lenta, precisa, e, principalmente, muito efetiva, sua estratégia ia minando a vitalidade da criatura que urrava por conta da dor. E para finalizar, um raio carregado e preciso cai sobre sua cabeça, pondo-lhe ao chão onde um furo com a ponta da lâmina atravessa seu coração. Ainda assim, a paz não vem, não quando mais um daqueles adversários irrompe da escuridão, tentando lhe agarrar. "Porra, de onde eles estão vindo?" Voa alto para escapar do golpe, e dessa vez ascende ao máximo que podia, na esperança de visualizar a melhor a região abaixo. "O que é aquilo?"

Mais adentro do bosque que cercava a estrada, um campo aberto parecia reluzir com o luar, e isto chama sua atenção. Sem perder tempo, o semideus locomove-se até lá, apenas para encontrar o que parecia ser uma cova rasa. Seus olhos não acreditavam no que viam, logo ali, abaixo dele, a terra estava remexida e algumas partes necrosadas de corpos humanos ficavam expostas. O cheiro forte lhe enoja, mas não havia muito o que pudesse fazer a respeito disso. "Na verdade..." Uma ideia surge. Até onde sabia, Andarilhos da Noite surgiam perto de locais onde grandes males haviam sido perpetrados, portanto, se desse um jeito naqueles restos mortais, talvez pudesse livrar a área daquela energia negativa que parecia atrair os monstros para perto.

Ainda com medo de ser pego de surpresa por algum dos monstros que pareciam se camuflar no escuro, voltou voando com tudo até o caminhão. Do automóvel, Abramov retira, com certa dificuldade, o tanque de combustível, derrubando o líquido em sua maioria na rua, mas sendo capaz de salvar um pouco que fosse para seu objetivo. Repetindo o processo de antes, retorna até a cova e lá joga o líquido inflamável. Em seguida, corta alguns galhos da copadas árvores ao redor, e também despeja estes na cova. Por fim, concentra-se em produzir um forte raio que atinge o local profanado em cheio, dando início ao processo de ignição que incendeia os materiais.

A fumaça começa a subir, enquanto o fogo aumenta, queimando e estalando em meio ao silêncio da noite. Ainda no ar, Ab repara de relance em mais duas figuras que surgem do nada, encarando-lhe. "Mais dois... acho que o fogo chamou a atenção deles." Além disso, tinha quase certeza de que sua presença também tinha atraído os monstros, explicando o porque de eles não terem feito nada antes de sua chegada naquela região. Seja como for, o semideus não perde mais tempo, já que era seu trabalho lidar com aqueles monstros, e parte para cima deles.

Como eram dois ao mesmo tempo, não podia simplesmente ignorar um e voltar para a estratégia de atacar e recuar. O plano da vez foi atacar em área, visando derrubar os dois de uma só vez. E bem, pode-se dizer que ele estava criativo naquela noite. "Espero que funcione." Fecha os olhos e se concentra nos ventos, fazendo-os transpassar as chamas e consequentemente expandi-las ao mesmo tempo em que as redirecionava. Resumindo, o filho de Zeus utilizava o fogo para atingir os inimigos que estavam perto, queimando-os nas partes atingidas. O único problema era que eles eram resistentes demais, e intensificar ventos considerando suas auras gélidas também tinha suas consequências. Dentre elas, o resfriamento do próprio ar que respirava, que atrapalha sua respiração e o impede de se concentrar em seus golpes. "De novo não!" Percebe outro soco resgando o ar indo ao seu encontro, e tudo que consegue fazer é manobrar o corpo para um lado aleatório, sendo atingido de raspão.

O golpe o faz rodopiar no ar pelo menos umas cinco vezes, terminando com o semideus jogado no topo de uma árvore qualquer, com arranhões por todo o corpo, e claro, a dor da costela quebrada que tinha sido magoada novamente. Irritado, Abramov resolve utilizar algo que não era costumeiro para si, mas que se mostrava necessário dada sua posição em combate; Rapidamente, um círculo surge no chão abaixo de um dos andarilhos, e dele marcas surgem e se misturam à sua pele, cobrindo a criatura por completo. "Now kill, my dear." A voz de uma personagem de um jogo querido por ele surge em sua mente, a qual ordena que o monstro afetado pela técnica ataque o próprio aliado. Seu poder não era adequado à criaturas daquele tamanho, sendo mais efetivo em humanos, entretanto, o ceifador tinha influência suficiente para controlar brevemente os movimentos de seu alvo, o que lhe compra tempo para se reerguer.

Vendo que já não era o centro das atenções, Ab se camufla nas sombras e delas lança seu escudo, que até então estava acoplado em suas costas, contra seus adversários. Aegis o terceiro, como apelidara sua arma, batia com força na carne do corpo de seus alvos, abrindo talos profundos graças à fina camada cortante de ar que o circulava. E não só isso, ele também ricocheteava, rebatendo no segundo andarilho e só então voltando para os mãos do filho de Zeus. "Vamos lá, só mais um pouco..." Ele continua fazendo isso, até que seus selos desaparecem, libertando um de seus inimigos, e é nessa hora que parte para o golpe final.

— Segura isso aqui! — Pula das árvores, revelando sua presença conforme as chamas da cova iluminam seu rosto, e, em um movimento só, arremessa o escudo uma última vez. O projétil roda no ar com uma força e velocidade tremendas, chamando a atenção dos dois andarilhos que olham para o escudo. A ação de se distrair com a arma condena os monstros, que não conseguem se defender das inúmeras pequenas foices de sombras que voam contra eles, perfurando seus imensos corpos. E, por fim, Abramov em pessoa voa até eles e abre suas barrigas - já com suas resistências minadas - eletrocutando sua lâmina segundos antes para garantir a morte daquelas coisas.

Diferente do de costume, os andarilhos caem para frente, por cima da fogueira, e seus corpos começam a pegar fogo. O cheiro da carne mágica queimando impregna o ar mais ainda, e demora alguns minutos para que eles deteriorem por completo, um tempo muito mais rápido que de comum ainda que lento comparado ao fim da existência das criaturas mitológicas. Ao fim do processo, Ab volta para o chão, exausto por ter gasto tanta energia com seus poderes, além claro, dos ferimentos do combate. O retorno por entre as árvores é sofrido e lento, e após alguns minutos de caminhada, enfim alcança a estada novamente. Exausto, fica alguns instantes observando o nada, até que um repentino barulho denuncia a chegada de algo. Vindo da direção da indústria, luzes de farol iluminam a região, gritos o confundem, e do nada...

BANG!

O som dos disparos lhe assustam, e tudo que consegue fazer é misturar-se às sombras e as utilizar para se transportar em uma velocidade absurda. Quando enfim alcança uma distância segura da zona de perigo, resolve parar porque podia jurar que seu escudo tinha sido atingido, já que ouvira o barulho do projétil se chocando. E ao inspecioná-lo, comprova o pequeno amassado no nariz da Medusa, que por algum motivo tornava a figura ainda mais assustadora. "Esse sangue não é do andarilho..." Repara no líquido quente e vermelho que manchava sua roupa, e então percebe que tinha sido baleado. Não tinha sentido a dor até aquele momento, só o vai fazer quando abre a capa e percebe o ferimento de bala na lateral de seu corpo. E por ter se apressado tanto com a corrida nas sombras, tinha forçado a ferida e perdido muito sangue.

— O que... — Pronuncia muito baixo, antes de cair na entrada da cidade, apagando por ali mesmo.

Seus olhos se abrem para revelar o local onde se encontrava: um quarto de hospital. Por mais estranho que pudesse parecer, aquilo lhe deixa contente. Isto porque significava que era uma realidade, descartando então a possibilidade de estar tendo mais um daqueles sonhos malucos típicos de semideuses que caem inconscientes. Tenta mover seu corpo, mas uma dor aguda na lateral do tronco o faz desistir. Agoniado, seus olhos fitam a janela aberta, por onde uma brisa de ar entrava, e nota então pela ela que ainda estava em Washington. A televisão, ligada desde o início, lhe prende a atenção apenas quando a reportagem foca nele, ou pelo menos nas ações dele.

— As autoridades afirmam que restos mortais foram encontrados na cova rasa, e não só isso. Os bezerros, que deveriam ter sido entregues à fazenda mais próxima ao local da barbárie, foram encontrados mortos. Pelo estado que estavam, provavelmente foi o mesmo animal que derrubou o caminhão. — O repórter discorria sobre o caso chocante da última noite na capital dos Estados Unidos da América. Abramov não conseguia imaginar o que a névoa tinha inventado dessa vez, mas o simples fato de não associarem nada daquilo à sua pessoa já bastava. Porém, antes que pudesse ouvir o final da reportagem, a energia do quarto vacila por um instante e desliga todos os eletrônicos. Um barulho de trovão lhe faz olhar lá para fora, apenas para ver que o dia ainda estava claro e limpo, deixando-o confuso pelo que acabara de ouvir.

— Olá, Abramov. — Uma voz lhe chama da outra extremidade do quarto, e ele rapidamente se vira para ver quem é.

— Você... — Seus olhos piscam, enquanto ele fita o homem em pé, metros de distância separando este de sua cama.


— Zeus?

Habilidades Ativas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Movimentação Aérea II
Descrição: Estando em pleno ar o semideus possui uma movimentação superior a outros semideuses, sendo melhor no ar do que em terra. Como se fosse um pássaro.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +35% de força e velocidade quando o semideus lutar enquanto flutua.
Dano: +30% de dano quando o inimigo for atingido pelos poderes ativos do semideus.

Nome do poder: Velocidade III
Descrição: Você aprendeu que a velocidade pode ser uma grande aliada em campo de batalha, e com isso treinou ainda mais arduamente, agora ficou mais rápido, esquiva-se com facilidade, e domina a luta ao seu favor. É difícil combater seu herói desse jeito.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de velocidade
Dano: Nenhum

Nome do poder: Força II
Descrição: O semideus treinou e evoluiu ainda mais e agora consegue carregar ainda mais peso, levantar coisas mais pesadas e efetuar lançamentos com uma facilidade tremenda. Conforme se desenvolveu, ficou ainda mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de força
Dano: +20% de Dano se o ataque do semideus atingir.

Habilidades Ativas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Rei Furioso
Descrição: Apontando sua espada para um determinado inimigo, um raio cairá do céu e o atingirá. Este raio não é forte o suficiente, e não poderá matar seus inimigos, mas consegue atordoa-lo e deixa-lo incapacitado de lutar pelo turno seguinte, os olhos do oponente ficarão turvos, e seu estomago embrulhado, além dos músculos pareceram ficar meio trêmulos. Isso o impede de usar poderes ativos que precisem de mira, pois, não será capaz de acertar o filho de Zeus/Júpiter, armas a mesma coisa.
Gasto de Mp: 50 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 60 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Controle dos Ventos II
Descrição: Agora você adquiriu um melhor controle dos ventos, agora consegue criar campos de gravidade negativos e grandes ventanias, que podem erguer objetos maiores, também atrapalha o inimigo ao se locomover em campo, o tornando lento. Sua visão ficara turva, e a dificuldade de acertar algo em campo é grande.
Gasto de Mp: 60 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Dura dois turnos, o semideus não é afetado pela tempestade e pode continuar lutando normalmente, ao contrário do inimigo que fica vulnerável.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nome do poder: Voo IV
Descrição: O semideus concentra uma grande parte de sua energia e consegue içar a mais metros do chão. Ao redor de seu corpo, correntes de ar o mantem estável e equilibrado, ele também consegue ficar mais rápido, desde que se concentra mais ainda tem dificuldade em batalha, e se for acertado, pode acabar perdendo parte do equilíbrio e despencando alguns metros. É bom se manter atento.
Gasto de Mp: 20 por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Já pode se erguer até 10 metros acima do solo.

Nome do poder: Nephoscinese II
Descrição: O semideus possui uma certa afinidade com as nuvens, inclusive podendo trabalhar com elas de um jeito que outro semideus não consegue. Nesse nível já consegue manipular as nuvens para fechar o céu, o escurecendo e tornando-as negras, também pode carrega-las, fazendo com que fiquem pesadas e liberem uma chuva leve – não uma tempestade, e sim uma garoa – podendo trazer a chuva para o campo de batalha a fim de atrapalhar seus inimigos. Pode deixar um campo de terra como lama, por exemplo, o fazendo ficar escorregadio.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum.

Habilidades Passivas - Ceifador de Thanatos:
?  Visão Noturna – Seus olhos adquiriram a capacidade de ver no escuro, com ainda mais claridade e melhor percepção de tudo do que quando há luz.

? Silenciosos – Quando os Ceifadores se mechem eles não fazem barulho os deixando menos propícios a ataques de monstros.

? Cura sombria II – Através da sombra e da escuridão, você recupera HP (+5 por turno) e a recuperação de um ferimento é três vezes mais rápida.

? Besta Noturna – Basta a noite chegar para que os Ceifadores tenham seus sentidos mais aguçados, maior precisão e velocidade de ataque.

?  Deadbody – Como um “corpo morto” você é imune à venenos e qualquer ação natural (fome, sede, dormir) ou induzida (bebidas ou alimentos, sem exceção, não terão efeitos no seu organismo).

Habilidades Ativas - Ceifador de Thanatos:
? Foices negras – Basta passar uma das mãos no ar em um formato de meia lua. Seu rastro fará 6 pequenas foices negras surgirem. As mesmas podem ser lançadas no adversário da maneira que desejar.

? Umbocinese V – Manuseio avançado da energia escura, podendo, inclusive, moldar diversos tipos de armas. Pode transformar todo o corpo em sombra.

? Necromancia III - Esta habilidade lhe permite invocar um exercito de 20 soldados zumbis mais fortes e rápidos que os esqueletos da Necromancia II. Carregam consigo espadas e escudos mais resistentes. [-20 MP]

? Tabuleiro Ouija - Um círculo na superfície vai se formando em volta do oponente, marcas negras estranhas começam a fazer parte do corpo do adversário e imediatamente o ceifador começa a controlar a pessoa com a sua energia.

Armas Utilizadas:
*Capa Negra - Uma capa desfiada que cobre completamente o corpo do ceifador, escondendo sua identidade e tem a resistência de uma armadura. Protege em 40% dos ataques desferidos, não é possível outra pessoa retira-la apenas o ceifador pode.

*Foice da Morte - Uma foice forjada no rio estige, onde sua foice queima onde toca. Algumas podem ser abençoadas por Thanatos e terem poderes como invocação de fantasmas infinita, que não afeta a saúde do usuário. Caso alguém que não seja ceifeiro tente manuseá-la sem permissão, sofrerá uma dor agonizante

• Escudo de Ouro Imperial [Apelidado de Aegis o Terceiro, é uma réplica de mesmas dimensões do escudo de Zeus, assim como o que Thalia Grace possuía na série. O rosto de Medusa é seu ornamento principal, tornando o item assustador para monstros e até semideuses que o encaram. Diferente dos escudos normais, ele pode ser lançado e cortar seus inimigos, graças à uma fina camada de ar que o circula, tornando suas extremidades afiadas. Pelo lado interno, foram desenhados e inscritas runas e talismãs que conferem ao item qualidades mágicas | Efeito 1: a arma é revestida por uma fina corrente de ar, tão fina que acaba permitindo um corte mais afiado, provocando 40% (+20% pela runa de ar) a mais de dano e dobra as chances de causar danos a materiais de resistência superior; Efeito 2 (mecânico): a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado; Efeito 3: Também conhecido como efeito bumerangue, Abramov poderá lançar o escudo em direção a algo sólido que irá rebater em um determinado ângulo seguindo uma linha reta atingindo um segundo alvo, depois o escudo retornará para seu braço independente do resultado ou para onde foi rebatido | Ouro Imperial | Espaço para duas gemas | Resistência: Beta | Status: 100%, sem danos | Épico | Ganhado no evento Quando o Passado Revive]
Kyra


Enfim avançando na relação com Zeus, e já introduzindo personagens que estarão diretamente ligados à isso. Até então, os capítulos anteriores tinham servido para inserir o personagem na trama do fórum, e explicar como ele chegou à este ponto com seu pai divino.

Edit: Duplicador de XP e dracmas ativo, como consta no perfil (válido na época dessa postagem)


Última edição por Abramov Levitz em Qua Set 06, 2017 5:07 am, editado 2 vez(es)
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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Thanatos em Dom Jul 16, 2017 6:57 pm


Avaliação

Critérios de Avaliação:

• Enredo e coerência de batalha - 50% (3.000xp)
• Gramática - 20% (2.000xp)
• Criatividade - 30% (3.000xp)

Total: 8.000 de xp e 6.000 dracmas.

Abramov

Avaliação:

• Enredo e coerência de batalha - 40%
• Gramática - 20%
• Criatividade - 30%

Recompensa Ganha: 7.700XP – 6.000 Dracmas.

Comentário:  Rapaz, acredito que já tenha dito uma vez no chat e volto a repetir que estou orgulhoso do seu desempenho como semideus e da evolução que vem apresentado durante suas tramas e até mesmo suas relações com outros semideuses neste jogo. Abramov é um personagem misterioso e cativante, nos faz querer saber mais sobre ele e sempre ler mais e mais sobre suas aventuras.

Hoje você teve uma boa aventura, digna para todos os efeitos e eu gostei muito, sabe? Teve alguns poucos erros de pontuação mas tão poucos que não tive coragem de lhe tirar pontos na parte de gramática o enredo, a sua relação com Hera, me deixou um pouco confuso. Como você sabe, Hera não gosta muito dos filhos de Zeus e entendo que você explorou bem isso mas ainda sim ficou um ponto confuso - a Deusa realmente se deslocaria do Olimpo apenas para falar com um fruto de uma traição sem que este fosse seu campeão escolhido como o caso de Jason Grace? Essa é a pergunta que me fiz e espero que entenda o motivo da redução de seus pontos.

Quaisquer dúvidas podem e devem ser tiradas via MP.



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Re: O Portador da Tormenta

Mensagem por Abramov Levitz em Sex Jul 28, 2017 4:33 am




CAPÍTULO V
I can still feel the burn in my mind
— Zeus? — O homem se aproxima da cama onde Abramov estava deitado, revelando-se enfim. Sua altura quase passava dos dois metros, musculoso e de rosto bem modelado, seus cabelos pretos eram curtos contrastando de maneira harmoniosa com sua pele clara. — Eu pareço com meu pai?

— Nunca o vi. Julguei pela entrada triunfal aqui e bem... sei lá. — Não se surpreende, apesar de realmente ter criado expectativas de que era seu pai ali. — Quem é você?

— Essa pergunta é séria? Ou é algum tipo de brincadeira? — Seu tom parecia sério demais ao falar aquilo.

— Foi mal, mas é sério.

— Filho de Zeus, boa pinta, doze trabalhos...

— Hércules! — Exclama, sem querer. Era um grande fã do maior herói da história, então não consegue conter a animação. — Deuses, me desculpe eu não...

— Relaxa, pelo menos reconhece que sou alguém. Mas aí, cortando o papo porque meu trabalho aqui é curto, brother. Nosso pai ficou sabendo de um serviço que você fez em nome dele, sabe do que falo?

— Sim, o que Hera me pediu envolvendo aquele empresário lá e... é, não sei exatamente o que eu fiz, para ser honesto. — Responde, de boa vontade, ainda sentindo uma pontada de dor na costela onde tinha sido baleado.

— Então, esse é o problema... ham, Abramet?

— Abramov.

— Então, esse é o problema, Abramov. Não era Hera.

— Não era era?

— Não era Hera, Hera, a deusa.

— Ah sim. Pera, como não era Hera?

— Não sendo. Era um impostor, um inimigo do nosso pai, por assim dizer. Você foi usado por interesse dele mesmo, e bem, agora Zeus não está muito feliz com você.

Ab acaba arregalando os olhos sem querer. — ... sério?

— E eu sou um contador de mentiras agora? Tenho um trabalho sério a se fazer, você sabe quais as funções do guardador das portas do Olimpo? Só vim aqui porque Zeus mandou.

— Você guarda as portas do Olimpo tipo... como um porteiro? — Questiona, sem maldade.

Uma veia salta na testa de Hércules, que parece se controlar para não lhe esmagar. — Continuando. O pai não está nada satisfeito com isso, e ele me mandou para dizer isso: desfaça a burrada que cometeu.

— Como? Eu nem sabia, não é justo.

— E quando assuntos divinos foram justos? Supera. Se eu sobrevivi à tudo que me aconteceu, você pode dar um jeito. Por sinal, é sério que achou que Hera sairia do Olimpo para vir falar pessoalmente com você?

— ... — Continua observando estático, incrédulo com as informações. — Espera, e quem me garante que é quem diz ser?

— Nada garante, mas ai é problema seu. Vou indo.

— E como vou consertar algo que nem sei do que se trata? — Mas antes de qualquer resposta, Hércules some novamente e outro trovão ruge lá fora, anunciando sua partida.

O resto da semana se dá de maneira lenta e apreensiva para o ceifador que não tem escolha senão manter-se por ali de repouso. O ferimento não tinha sido grave, mas se saísse antes da alta médica poderia demorar ainda mais para cicatrizar. Isso considerando que os poderes mágicos aceleravam o processo de cura, ou então seria ainda mais tempo. Sua mãe ficou por lá todos os dias, fazendo-lhe companhia e tentando o convencer de tirar umas férias dessas missões como semideus. E por mais irritante que isso possa parecer, Abramov sentia-se grato pela preocupação de sua progenitora, sendo aquilo um alívio real de toda as coisas malucas em que vinha se metendo. De qualquer forma, o tempo em que passa deitado na cama acaba servindo como tempo para refletir, e pensar a respeito do recado de Hércules. Era surreal pensar que o maior herói da história tinha sido mandado para lhe alertar de que tinha pisado na bola com seu pai, que calhava de também ser pai dele.

"Da última vez em que uma figura divina veio ao meu encontro apenas para me passar uma missão, terminei aqui." Pensa a respeito do ciclo vicioso em que parecia ter entrado. Hera surgiu, lhe passou uma tarefa, a qual foi resolvida, então Hércules surgiu em seguida lhe avisando que tinha feito a tarefa à mando da pessoa errada. Quais eram as chances dele seguir as ordens de seu meio-irmão, e ao fim receber uma outra ilustre visita lhe avisando de que tinha sido mais uma vez ludibriado? "Muito arriscado. Mas se for verdade..." Temia ser mal visto por Zeus. Não só isso, era preocupante saber que um suposto inimigo do rei do Olimpo sabia de sua existência e já o tinha utilizado como peão. Com tanta dúvida em mente, e a ausência de respostas para todas elas, Ab resolve seguir para o único caminho que tinha certeza de onde encontraria alguém.

— Semideus! — A recepcionista grita quando percebe a chegada do rapaz.

De volta ao prédio comercial do tal senhor Wilson, o campista buscava informações e quem melhor que seu último contratante para as ter? — Hey. Vim falar com meu pai. — Mente, já que dá última vez ela estava certa de que ele era filho do dono da empresa.

— Vou só ligar para conf... — Mas antes que pudesse terminar, o telefone toca, e quando atende é o homem em questão lhe ordenando para que a visita subisse. — Você deve ser muito especial mesmo, hein, sobe lá.

Já preparado para o elevador lento, Abramov surpreende-se quando a subida é rápida. E ainda seguindo essa linha de diferenças entre a primeira vez em que esteve ali e agora, a sala não estava vazia. Inúmeros seguranças que formavam um quadrado pelas extremidades da sala o esperam. A peculiaridade era que eles não tinham rostos, e quando Ab dá alguns passos para fora do elevador e a porta se fecha atrás dele, outros desses indivíduos surgem do nada atrás de si, prendendo-o como em um cordão humano dentro do recinto.

— Abramov Levitz! — Wilson o aguardava sentado à frente da mesa, dessa vez, enquanto o encarava frontalmente. Algo inesperado já que antes mal focava a visão no campista. — Devo lhe agradecer pelo serviço prestado semana passada.

— ... — Sua mão é instintivamente levada à cintura, onde sua faca estava guardada. Só tinha consigo os itens da missão passada, portanto não podia se dar ao luxo de escolher mais que isso. — Bom saber que ficou grato. Agora, fiquei sabendo que na verdade meu pai não lhe devia favor algum.

— Mentiras, garoto, mentiras. Seu pai me devia sim, ainda deve! Em quem prefere acreditar? Um suposto maior herói da história que é o porteiro do Olimpo e mesmo assim foi até você? Na rainha do Olimpo que odeia os bastardos de seu marido e ainda assim foi ao seu encontro? — Ele mostra uma foto, que mesmo de longe era bastante visível e nítida, de Hércules andando próximo ao hospital onde esteve internado, só que transformando-se em algo enquanto andava. — Vê? Algum tipo de metamorfo, dos traiçoeiros ainda por cima! Não seja tolo, garoto.

A garganta de Ab seca subitamente, enquanto ele sente que estava de fato em uma enrascada das graves. — Ou posso estar sendo enganado novamente por você. — Ousa dizer, e quando o faz, os homens sem rosto dão um passo à frente.

— Jamais! Quero seu bem, Abramov, entenda isso. Seu pai vai pagar pelo que tem feito, mas você não precisa se envolver nisso. Há uma saída, sempre há. Você sabe quem procurar para isso.

O papo repentinamente tinha ficado estranho, e agora Ab já não tinha certeza de nada. Estava falando da relação de seu pai com o senhor Wilson, ou referia-se ao impasse com Nyx? — Tudo bem, tá legal, se é assim vou indo então, ficar na minha, não me envolver mais... — Mas quando tenta dar um passo para trás, os guardas dão outro para frente, chegando mais e mais perto dele.

— Abramov, aceite a noite, entregue-se à ela. Procure a razão em meio ao caos, a salvação em meio à perdição. Os olimpianos não vão resistir, e quando seu império cair, seus seguidores cairão junto.

— Sinto muito, mas isso não vai rolar. — Tenta forçar caminho em uma arrancada rápida em direção ao elevador, mas dois dos indivíduos trombam de volta com ele e acaba caindo de bunda no chão.

— Escolha errada... e acho que aqui acaba sua simulação. Até que durou muito, adeus, Abramov.

O mini exército de guardas sem rosto avança contra o filho de Zeus, prontos para acabar com sua existência. A prole de Zeus, por sua vez, saca a adaga em um giro no mesmo ponto, intensificando o pouco ar da sala abafada para criar um tornado pequeno ao seu redor e afastar seus oponentes. Logo em seguida, ele voa e parte em direção às janelas, chocando-se contra elas e quebrando-as ao mesmo tempo em que pulava para fora dali. Por um segundo esqueceu que estava no vigésimo sexto andar e começa a cair, recuperando a estabilidade depois e voando até o topo de outro edifício. Seu coração estava acelerado pela adrenalina do momento, mas quando pensou que estava à salvo, olhou por cima do ombro e percebeu que seus adversários pulavam lá de cima e caíam atrás dele como super-homens. "Meu Zeus." Arregala os olhos e volta a correr.

Seus oponentes eram muitos, e todos pareciam robôs que tinham saído direto de um filme de ficção científica dos bons, já que voar pela cidade não os impedia de lhe seguir pulando de telhado em telhado. A perseguição pela capital do país se dá por mais alguns minutos, enquanto o rapaz tentava pensar em uma ideia rápido para sair daquela situação, mas nada conseguia. Seus pensamentos estavam focados em não parar, ou seria alcançado na mesma hora, e por mais desesperado que estivesse para evitar isso, nada foi capaz de fazer quando um dos homens dá um super salto e pega em seu pé, trazendo-lhe com tudo para baixo novamente.

— POOOORRAAA! — Grita, enquanto vê a cidade passar verticalmente diante de seus olhos, e o chão ficar mais próximo à cada instante.

Nos metros finais, consegue se desvincilhar de seu peso vivo e usar os ventos para amortecer a queda, mas ainda se choca violentamente contra o chão. Sua costela logo dói, devido à tanta injúria que ela andava sendo submetida. Segundos depois, o restante dos homens sem rosto pulam ao seu redor, assustando os mortais e parando o trânsito de uma avenida principal de Washington. "Que porra é essa? O exterminador do futuro?" Se irrita com a persistência de seus inimigos. Estava cercado de gente, e tudo que conseguia imaginar era em que loucura a névoa inventaria para camuflar toda aquela cena, mas, por mais que quisesse chamar por dia ali mesmo, os seguranças de Wilson não pareciam concordar.

— Ok, arrombados, vocês querem mesmo, então venham. — Ele saca o escudo que vivia acoplado em suas costas, gira a foice que carregava consigo.

Estava preparado para a luta, mas não para seus inimigos. O exército de homens sem rosto era ágil, forte, e, o pior, habilidoso marcialmente. Os ataques com a lâmina do semideus nunca se conectavam, no que seus alvos sempre desviavam. Não só isso, cada desvio por parte de um dos homens, um contra ataque em forma de um punho forte e bem dado acontecia, e ao final de quatro desses, Abramov já estava voando meio tonto. "Cacete." Irritado, e já pouco se fodendo para os espectadores, faz as nuvens sobre aquela área ficarem carregadas e fecharem o tempo, antes de começar a cair a garoa. Depois, mini raios são lançados por seu anel, visando atingir algum de seus inimigos, mas todos no chão desviam com facilidade dos disparos.

Tendo visto seus ataques um por um falhar, Ab resolve lançar rajadas de vento para retardar seus oponentes, mas estes reagem de maneira absurda. Com uma força nada humana, alguns dos seguranças cravam as mãos no chão, e em uma puxada só retiram pedaços imensos do concreto e os arremessam contra o filho de Zeus. "WTF" Pensa, na mesma hora em que voa para um lado desviando do projétil enorme que se choca contra um prédio do lado. Não contentes com aquilo, eles começam a levantar os carros e os lançarem contra o semideus, que agora se via desviando de automóveis voadores. A cena era de fato caótica e impressionante, ainda mais pela correria e gritaria dos civis que se viam perdidos em meio ao combate.

Ainda sem um plano decente para lidar com aquilo, o californiano se pega tentando não ser atingido pelos ataques de seus inimigos, ao mesmo tempo em que desferia golpes com sua lança. Porém, acaba batendo de costas com um poste, e quase tem a cabeça esmagada por um soco, que entorta o poste no segundo em que Ab desvia dele. "É isso." Já que estava tudo sendo destruído mesmo, e não disposto a morrer ali, ele lança seu escudo contra a fiação dos postes, cortando-a em várias partes e jogando fios elétricos no chão molhado. E é nesse momento em que uma destruição absurda começa no cenário.

Os fios elétricos batiam contra o chão sem controle, eletrocutando tudo que encostava na água, que ia de homens sem rosto à carros, onde estes últimos entravam em circuito explodindo instantes depois. Por mais devastador perigoso que pudesse ser, aquela era única maneira que tinha encontrado de derrotar seus oponentes, que o superavam em quantidade e qualidade. Em meio ao choque em área, Abramov descia, ainda que planando, apenas para arrancar a cabeça dos homens com sua foice, e quando faz isso, descobre que eles eram de fato algum tipo de robô, já que fios e pedaços de metal substituíam carne e veias. "Que porra..." Se surpreende com aquilo, mas algo ainda mais absurdo acontece e lhe chama a atenção.

— Abramov! É chegada sua hora! Uma saída lhe foi oferecida, e você a recusou, agora morra! — Wilson grita com uma voz monstruosa, só que seu rosto emergia do prédio empresarial ao longe. Na verdade, o prédio era seu rosto, então quando gritava, toda a cidade podia lhe ouvir. Não só isso, quando ele abre a boca feita de janelas, tudo à sua frente começa a ser sugado, como se um buraco negro bizarro estivesse ali.

— QUE MERDA É ESSA? — Volta a gritar, agora enquanto tenta voar para longe daquele monstro.

Seu voo não era nada comparado à força de sucção daquele bicho, então não demorou até tentar se segurar nas paredes dos prédios. Pessoas, objetos, animais, carros, tudo era sugado por Wilson, e a cidade era pouco à pouco varrida. Aquilo era demais até mesmo para ele, que uma hora acaba não resistindo mais e se vê sendo tragado com tudo pela imensa boca. Quando enfim é engolido pela escuridão da aberração, tudo fica escuro e então ele apaga.

Quando acorda novamente, Ab se vê de volta à mesa no evento beneficente de uma semana atrás, onde tinha encontrado Hera e toda aquela confusão começara. Assutado com a mudança de cena, ele se assusta na cadeira e isso chama a atenção de todos ao seu redor, interrompendo a cantora e atraindo os olhares para si.

— Querido, o que foi? — Sua mãe pergunta, preocupada.

— ... — Nada diz, partindo em direção ao banheiro, onde enxágua o rosto algumas vezes, apenas para ter certeza de que aquilo era realidade.

Abramov acaba indo até o bar, esperando para que a deusa aparecesse, mas nada acontece. Diferente da primeira vez, a noite segue de maneira calma e normal. Não só a noite, o resto da semana, que antes tinha sido dedicado à trama envolvendo Zeus, Hera e Wilson, e agora é substituída pela rotina ordinária de sua vida. Aquilo o intriga, já que as lembranças do que tinha acontecido iam pouco à pouco sumindo de sua memória. E quando enfim chega o dia onde supostamente tinha morrido, ele acaba se esquecendo de tudo, até que enfim algo acontece.

Os mesmos homens sem rosto de antes invadem a casa de seus pais, destruindo tudo e lhe acordando no meio da noite. A gritaria de seus pais sendo pegos lhe desperta, então Ab corre até a sala para apenas chegar tarde demais e ver ambos serem assassinados na sua frente. — NÃO! — Exclama, quando vê a cena. Seu corpo gela, como se ele perdesse o controle sobre o mesmo, e tudo que consegue fazer é cair sobre os joelhos, com os olhos arregalados e vidrados nos cadáveres.

— Este é o preço que se paga por dizer não à noite, Abramov. — A voz de Wilson ressoa em sua mente, instantes antes dos indivíduos sem rosto partirem contra ele. Enquanto é espancado até a morte no chão, Ab recupera a memória da semana perdida e começa a enlouquecer. Em um momento agoniava por lembrar de ser engolido pela boca gigante, e no outro fitava o corpo de seus pais mortos ali na sua frente. Não tinha condições físicas e muito menos mentais para reagir, então apenas fecha os olhos enquanto sente sua vida acabar em meio à chutes e murros.

(...)

Quando enfim acorda, está novamente em seu quarto no hospital, onde ficou internado após levar o tiro. De novo se agita, agora deitado no colchão, com a transição de cena e acaba se desesperando. Lembrava-se de tudo que tinha acontecido, sabia que estava preso em algum tipo de ilusão, só que não conseguia fazer nada. A dor que sentia da bala lhe impedia de se mover apropriadamente, e mesmo que o fizesse, para onde iria? À quem recorreria? Os pensamentos esquizofrênicos se intensificam, e quando percebe já está tão agitado que os aparelhos ligados à si apitam alto, chamando a atenção da equipe de enfermagem.

— Meu filho! — Sua mãe grita, desesperada ao entrar no quarto e ver que dois enfermeiros o sedavam para que se acalmasse. — Estou aqui, calma. O que aconteceu, moço? — Pergunta à um dos enfermeiros.

— Mãe... — Sua voz fraqueja, e então mais uma vez ele apaga.

Ao despertar, Abramov ainda estava em seu quarto, sua mãe dormia em uma poltrona ao lado de sua cama e a noite lá fora parecia tranquila. Ele nota que tinha se passado alguns dias, ao menos, já que podia sentir seu cabelo encostar em sua orelha, indicando que o mesmo tinha crescido. A televisão liga do nada, e na tela uma repórter anuncia que Nyx havia enfim derrotado Zeus, e agora tudo melhoraria. Aquilo o alarma, já que agora não lembrava mais que estava em uma ilusão. — Mãe! — Grita, para acordar a mulher.

— Ab? O que foi? — Responde, meio sonolenta ainda.

— Quanto... quanto tempo eu dormi? O que está acontecendo? — Pisca os olhos com força, meio zonzo.

— Como assim? Você está aqui há um ano, meu amor, sabe o porquê disso.

— UM ANO? — Um enjoo toma conta de seu estômago, e resolve se levantar mas não consegue mexer as pernas. — Mãe... minhas pernas... eu...

Ela se emociona. — Ab, por que todo dia você faz isso? — Segura o choro.

— Isso o que? Minhas pernas... não consigo... não se movem.

— O tiro atingiu em um ponto vital da sua coluna, meu amor, você sabe isso, não se torture assim. — Se levanta para o confortar, entristecida por provavelmente ter vivenciado aquela cena inúmeras vezes nesse ano em que esteve internado.

A cena triste é interrompida pela janela do quarto sendo explodida com a entrada de alguém. Em um movimento rápido e único, Hércules irrompe em meio à noite adentrando o cômodo. Ele rapidamente pula por cima da cama do semideus, e alcança o pescoço da Levitz, quebrando-o com apenas uma mão. — MÃE!

— Olá, brother. A chefia agora é outra, e bem, essa é a consequência de não ter ajudado ela na guerra. — O herói dos heróis chuta a cama, virando-a e derrubando o enfermo no chão. — Ah, você não pode andar, esqueci disso. Bem, não ia ser um combate bom com você por inteiro mesmo. — Soca as costas do rapaz indefeso, que urra com a dor.

Não somente as porradas de Hércules lhe machucavam, mas também naquele momento sua memória volta e então todas aquelas cenas malucas passam diante de seus olhos, de maneira confusa e misturada, fazendo seu cérebro doer. Em meio ao tormento do momento, ele tenta se arrastar para longe, mas sem poder andar era impossível fazer algo. Não demora até que seu meio-irmão divino termine com ele, esmagando sua cabeça ao fim, o que lhe faz apagar mais uma vez.

(...)

"A vida é bela, afinal..." Suspira fundo, enquanto dá um gole em seu refrigerante.

Abramov agora estava em uma praia em Los Angeles, sua cidade natal, junto de seus amigos. O grupo assistia o por do sol, enquanto comiam um lanche do Subway, a lanchonete favorita deles. Não se lembrava de como tinha chegado ali, muito menos de tudo que tinha acontecido, mas sentia um conforto imenso em seu coração, satisfeito e feliz com o momento.

— As coisas estão mais fáceis agora. Lembra como era antes? Você sempre ocupado com assuntos semidivinos. — Uma amiga sua comenta.

— É, Ab, você mal tinha tempo para a gente. — Um outro amigo brinca.

— Tudo está melhor agora com Nyx no comando. — Diz, ciente de que era um seguidor da noite e não havia nada de errado nisso.

O encontro termina e todos voltam para suas casas. O filho de Zeus enfim se deita para mexer em seu notebook, algo que fazia comumente agora que monstros não eram mais perigo. Nas redes sociais, podia ver todos seus colegas de acampamento curtindo suas vidas, como se tudo realmente fosse melhor agora que os olimpianos tinham caído. Entretanto, um vento forte abre a janela de seu quarto, e quando ele olha para o lado, acaba pegando o espelho de seu guarda-roupa de relance. Ao focar seu olhar no reflexo, repara em um adolescente acorrentado em um porão, adormecido e indefeso. Mas não só isso, mesmo com a cabeça baixa, identifica sem muita dificuldade quem de fato era. "Eu?"

Subitamente o teto de seu quarto é arrombado, e uma entidade sombria e imensa que se mistura literalmente à noite surge acima de si. — Abramov, não renegue a razão. — Anuncia antes de mergulhar sobre ele. Era como se a noite caísse em cima dele, com o peso de um planeta e uma energia carregada o suficiente para obliterar sua existência.

(...)

— Querido, o que foi? — Sua mãe pergunta, quando percebe que o filho se agita na cadeira.

— O... que... — Estava de volta à festa, onde tudo começou. Sua cabeça latejava muito devido à toda a confusão mental em que era submetido.

Ab se levanta abruptamente e corre para fora do salão. Na rua, ele tenta respirar o ar livre mas ainda assim era complicado. Estava tendo um ataque de pânico, e nada conseguia lhe fazer acalmar. De repente os homens sem rosto caem dos céus, como gárgulas da noite, anunciando que o processo de tortura mental estava prestes a começar novamente. — Não! — Grita, sem condições de batalhar.

Novamente começa a ser espancado, agora em meio à calçada com as pessoas passando ao redor como se nada acontecesse. Seus pensamentos estavam bagunçados e já sem sentido algum. Não sabia o que era realidade e o que não era. Afinal, quem tinha matado sua mãe? Hércules à mando de Hera, não? Não tinha sido Nyx quem lhe socorrera quando Wilson tentara lhe sugar em sua forma de prédio? "Entregue-se à noite, entregue-se à noite, entregue-se à noite." Mentalizava, enquanto sentia seus ossos tremerem. — Chega... chega... — Sussurra, exausto com tudo aquilo. Suas energias iam acabando novamente, encerrando assim mais um ciclo de vida. Só que dessa vez algo inesperado acontece. Um raio irrompe em meio à noite e atinge o grupo que batia em Abramov, destruindo-os e ao mesmo tempo clareando toda a escuridão.

"Onde... estou?" Seus olhos se abrem e ele percebe que não havia nada ao seu redor, exceto uma eterna imensidão branca, como um limbo.

— Abramov. — Uma voz lhe chama, nunca antes ouvida por ele, vindo de suas costas.

— ... — Dessa vez tinha certeza, mesmo nunca o tendo visto antes, de quem se tratava. — Zeus... pai.

— Momento oportuno esse o meu. — Caminha em direção ao nada, o que faz o semideus lhe acompanhar, mesmo que de longe. — Já sabe que nada disso é real, não é mesmo?

— Inclusive onde estamos agora.

— Sim.

— O que faz de você uma ilusão também.

— Quem sabe. É bom suspeitar. A suspeita move o homem, criança. Mas agora temos problemas maiores. Só terá uma chance de se livrar da ilusão, então se agarre à ela com tudo na hora certa.

— Do que está falando?

— Você entenderá o que eu digo quando for o momento. — Zeus tinha um tom autoritário, mas indiferente, não tornando nada pessoal e indicando uma postura imparcial de líder.

— Ok. — Tinha uma ideia do que podia estar por vir.

— Não pense que renego meus filhos, Abramov. As coisas são mais complicadas do que parecem. Cometo meus erros, mas não sou cego pelo orgulho, ou eu não teria sido capaz de manter o Olimpo até hoje. — O encara nos olhos. — Por serem meus filhos, sei que serão capazes de aguentar até o pior dos tormentos, afinal, vocês são tormenta. — Encara Ab diretamente nos olhos. — Não é negligência, é saber em quem depositar sua confiança. Um dia entenderá o que isso significa.

Havia muita coisa que Ab queria por para fora, mas ali, no meio do nada, em meio à todo caos que acontecia consigo naquele momento, nada diz.

— Agora é o momento. Vá e vingue à si mesmo. — Um barulho de trovão interrompe a cena, cegando Ab novamente.

Ele volta para cena na rua onde enfim consegue se levantar, já que seus carrascos tinham sido destruídos. Uma tempestade de raios havia tomado conta de Los Angeles, como se uma nuvem nebulosa soltasse seus raios de um ponto só. Mas não só isso, era como se a realidade fosse destruída por aqueles raios. Melhor, era como se estivesse em uma programa de computador, e agora o sistema era danificado revelando o grande telão que os cercava e parecia ser o céu. E mesmo em meio à toda essa destruição e caos, o filho de Zeus percebe o que estava acontecendo. Seu pai havia aberto uma saída dali, e ela era através da nuvem carregada de raios.

"Não tenho outra escolha." Começa a voar em direção à saída.

— Ab, o que está fazendo? Você vai morrer! — Sua mãe sai do prédio, gritando desesperada quando o vê indo em direção à morte.

"Não é real... isso não é real." Mentalizava aquilo, mesmo sentindo tudo perfeitamente. "Eu vou morrer, estou caminhando para a morte." Sentia inclusive os raios quando eles os atingiam, e sua alta resistência à eletricidade não parecia lhe ajudar naquele momento. Porém, as palavras do rei do Olimpo voltam à sua mente, sobre se agarrar à única chance que teria, e ele continua a subir.

O resto do caminho no ar é torturante. Os choques eram fortes e carregados, fritando sua carne enquanto fumaça saía de seus cabelos. Seus sentidos estavam todos adormecidos, e ainda assim sua mente não desligava, forçando-o de alguma forma a continuar subindo. — AAAAAAH! — Exclama nos metros finais, sentindo a maior dor de sua vida, até que enfim entra na nuvem e é ai que uma explosão elétrica acontece, destruindo toda a cidade e lhe acordando ao mesmo tempo.

— Ic! — Soluça ao recuperar o ar. Abramov tenta se mover, mas ainda estava muito tonto. Para piorar, suas mãos estavam presas em correntes acima de sua cabeça. Seu corpo estava molhado, e seu tronco exposto, contando apenas com uma calça, que logo reconhece como sua, para aquecer as pernas. Havia pouca iluminação ali, mas entendia que se tratava de um porão. Sua visão demora a se acostumar na escuridão, até que enfim passa a enxergar tudo normalmente - habilidade de ceifador - e ambientar-se com o local.

"Então era mesmo eu preso naquele espelho." Se lembra do reflexo no espelho, dentro da ilusão, e agora entende que aquilo era uma visão do mundo real, e confirma então que não estava mais alucinando.

Tenta forçar as correntes, mas elas pareciam resistentes demais, ou então era ele quem estava muito fraco. "Para que forçar isso?" Com uma simples concentração, ele transforma os pulsos em sombras e se livra da prisão. Ao tentar se levantar, nota que estava mesmo fraco, já que se apoia na parede para não cair. As sombras lhe curavam, condição como servo de Thanatos, mas era o ar livre quem lhe revitalizava de verdade. E ficar naquele lugar abafado e mofado não ajudava. Assim, não ligando para o que poderia estar lhe esperando lá fora, ele abre o alçapão que o trancava ali embaixo e sai.

— ... — Se surpreende quando percebe que sai em um corredor, no meio de um para ser mais preciso. Estava dentro de alguma casa, mas não parecia haver ninguém por ali. Sua visão dói quando se choca com a luz da lâmpada, mas o pior era de fato o mal estar. Suas pernas estavam fracas, e isso dificultava seu andar. Por conta disto, acabou se escorando na parede e indo em uma direção qualquer, até que se depara com uma sala de guerras. O espaço era amplo e havia uma mesa no centro, com um mapa do país e bonecos que pareciam de planos de guerra. Três janelas na parede direita revelavam que havia uma floresta lá fora, e que era noite. Ele caminha até a mesa, tentando ver o que exatamente era planejado ali, mas uma voz anuncia a chegada de uma pessoa.

— Fugiu, tenho que soletrar? Não está lá mais! — Uma mulher adentra o recinto, seguida por um demônio de Nyx. — Ache-o, agora!

A criatura parte pela outra porta e ela continua por ali. — Desgraçado... mas ele não deve ter ido longe, não... — Repara que alguém havia mexido na organização da mesa e tenta arrumar.

"Merda..." Abramov estava escondido embaixo da mesa. Não era muito difícil para ele segurar a respiração e manter-se em silêncio, mas sabia que em algum momento teria de sair, e não estava certo de sua condição física para lutar.

— Interessante. O demônio teve que destrancar a porta por aqui, e as janelas ainda estão trancadas. — Começa a caminhar ao redor da mesa. — Mas ainda assim, alguém mexeu nos peões. — Ela saca uma adaga e em um movimento rápido e preciso se abaixa e a lança para baixo da mesa.

Ab consegue desviar da lâmina por pouco, sentindo seu ombro direito ser cortado. Nessa hora gira o corpo para o lado oposto e sai dali.

— Você devia ter ficado lá para sempre. Mas agora me diga, à quem serve?

— Zeus. — Responde, instantaneamente.

— Resposta errada. — Saca mais duas adagas do cinto - que parecia mágico já que era simples e sempre que queria surgia com armas novas - e as arremessa contra Ab.

O rapaz desvia por pouco dos ataques, distraindo-se quando a janela atrás de si é quebrada, e quando se volta para frente sua inimiga já está pulando em sua direção. A mulher usa o próprio peso para derrubar o semideus, e quando o rende no chão, arruma mais uma faca e fura seu braço esquerdo. Abramov se segura para não gritar de dor, mas em desespero usa a outra mão para tentar pegar algo no cinto, e nada acontece. — Ele é meu, só funciona comigo, burro. —Diz, antes de puxar outra adaga e tentar furar o rosto dele.

O ceifador percebe que morreria e então reage usando os ventos que entravam pela janela quebrada para tirar sua adversária de cima dele. — Quem é você? — Pergunta, levantando-se e tirando a lâmina que estava cravada em seu braço.

— Sou Igrit, filha de Belona, serva de Nyx, irmã de Gabriele. — Joga mais armas contra o outro, que desvia por pouco, enquanto se afasta.

— Quem é Gabriele? — Ao perguntar aquilo, sua inimiga se enfurece e avança contra ele, desferindo cortes no ar e o fazendo recuar mais ainda em direção às janelas.

— Ela era minha irmã, e você a matou à mando de Thanatos, seu rato imundo.

"Lembro disso..." Se recorda então sua primeira missão à mando do deus, onde havia matado uma serva de Nyx. — Ela me prendeu em alucinações também... então foi você quem fez isso.

— Claro, animal. Aproveitei que estava desarmado e distraído naquele evento de ricaço

"Então foi ali que tudo começou." Agora pelo menos sabia até onde suas lembranças eram verdade. Ainda que não soubesse quanto tempo ficou preso, já que nos delírios pareciam que semanas tinham se passado. E muito menos sabia onde estava agora. — Então isso tudo foi por vingança.

— Eu queria sua cabeça, mas minha senhora disse que todos são úteis, então tentamos lhe converter da maneira mais efetiva. E se mesmo assim não adiantou, estou livre para lhe matar. — Parte contra ele novamente.

Os ventos e o ar revitalizavam Abramov, que resolve voar contra sua oponente no intuito de se defender atacando, ou então acabaria morto. Ambos se embolam em um combate físico, e quando Ab usa os ventos para tentar afastar novamente a mulher, ela se agarra nele com força e os dois são jogados pela janela. Estando no segundo andar, a queda não passa dos dez metros, terminando com ambos chocando-se contra o chão. Porém, apenas um deles estava com sorte.

— Ugh. — Igrit se engasga com o próprio sangue, por conta da própria faca que furara seu pescoço na queda.

Mesmo sendo quem era, tendo presenciado tudo que presenciara, a cena era forte e apelativa demais para o semideus, que se afasta ainda caído no chão. Seu corpo ainda estava meio fraco, seu braço sangrava do ferimento, e agora seu ombro direito tinha sido deslocado por conta da queda. "Para onde?" Procura uma direção, só que tudo ao seu redor era floresta, que parecia nada convidativa com o breu da noite. Porém, quando ouve barulho vindo de um local mais atrás de si, não perde tempo e começa a correr para frente e reto.

— Ali, ele está ali!

Habilidades Passivas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Movimentação Aérea II
Descrição: Estando em pleno ar o semideus possui uma movimentação superior a outros semideuses, sendo melhor no ar do que em terra. Como se fosse um pássaro.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +35% de força e velocidade quando o semideus lutar enquanto flutua.
Dano: +30% de dano quando o inimigo for atingido pelos poderes ativos do semideus.

Nome do poder: Força II
Descrição: O semideus treinou e evoluiu ainda mais e agora consegue carregar ainda mais peso, levantar coisas mais pesadas e efetuar lançamentos com uma facilidade tremenda. Conforme se desenvolveu, ficou ainda mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de força
Dano: +20% de Dano se o ataque do semideus atingir.

Nome do poder: Velocidade III
Descrição: Você aprendeu que a velocidade pode ser uma grande aliada em campo de batalha, e com isso treinou ainda mais arduamente, agora ficou mais rápido, esquiva-se com facilidade, e domina a luta ao seu favor. É difícil combater seu herói desse jeito.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de velocidade
Dano: Nenhum

Nome do poder: Respiração
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter é mais resistente que a maioria dos campistas, e dificilmente fica cansado em batalha, podendo aguentar treinamentos mais árduos, e batalhas mais longas sem necessidade de parar.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de resistência em batalha
Dano: Nenhum

Habilidades Ativas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Controle dos Ventos II
Descrição: Agora você adquiriu um melhor controle dos ventos, agora consegue criar campos de gravidade negativos e grandes ventanias, que podem erguer objetos maiores, também atrapalha o inimigo ao se locomover em campo, o tornando lento. Sua visão ficara turva, e a dificuldade de acertar algo em campo é grande.
Gasto de Mp: 60 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Dura dois turnos, o semideus não é afetado pela tempestade e pode continuar lutando normalmente, ao contrário do inimigo que fica vulnerável.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nome do poder: Voo IV
Descrição: O semideus concentra uma grande parte de sua energia e consegue içar a mais metros do chão. Ao redor de seu corpo, correntes de ar o mantem estável e equilibrado, ele também consegue ficar mais rápido, desde que se concentra mais ainda tem dificuldade em batalha, e se for acertado, pode acabar perdendo parte do equilíbrio e despencando alguns metros. É bom se manter atento.
Gasto de Mp: 20 por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Já pode se erguer até 10 metros acima do solo.

Nome do poder: Nephoscinese II
Descrição: O semideus possui uma certa afinidade com as nuvens, inclusive podendo trabalhar com elas de um jeito que outro semideus não consegue. Nesse nível já consegue manipular as nuvens para fechar o céu, o escurecendo e tornando-as negras, também pode carrega-las, fazendo com que fiquem pesadas e liberem uma chuva leve – não uma tempestade, e sim uma garoa – podendo trazer a chuva para o campo de batalha a fim de atrapalhar seus inimigos. Pode deixar um campo de terra como lama, por exemplo, o fazendo ficar escorregadio.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum.

Habilidades Passivas - Ceifador de Thanatos:
ʡ  Visão Noturna – Seus olhos adquiriram a capacidade de ver no escuro, com ainda mais claridade e melhor percepção de tudo do que quando há luz.

ʡ Cura sombria II – Através da sombra e da escuridão, você recupera HP (+5 por turno) e a recuperação de um ferimento é três vezes mais rápida.

Habilidades Ativas - Ceifador de Thanatos:
ʡ Umbocinese V – Manuseio avançado da energia escura, podendo, inclusive, moldar diversos tipos de armas. Pode transformar todo o corpo em sombra.

Armas Utilizadas:
• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

ϟ Mini Raio Mestre - Um anel que permite ao prole de Zeus soltar mini raios infinitos. Tem ¼ do poder do Raio de Zeus, a corrente elétrica que há nele pode gerar mais alguns raios minúsculos que causam graves queimaduras.

• Escudo de Ouro Imperial [Apelidado de Aegis o Terceiro, é uma réplica de mesmas dimensões do escudo de Zeus, assim como o que Thalia Grace possuía na série. O rosto de Medusa é seu ornamento principal, tornando o item assustador para monstros e até semideuses que o encaram. Diferente dos escudos normais, ele pode ser lançado e cortar seus inimigos, graças à uma fina camada de ar que o circula, tornando suas extremidades afiadas. Pelo lado interno, foram desenhados e inscritas runas e talismãs que conferem ao item qualidades mágicas | Efeito 1: a arma é revestida por uma fina corrente de ar, tão fina que acaba permitindo um corte mais afiado, provocando 40% (+20% pela runa de ar) a mais de dano e dobra as chances de causar danos a materiais de resistência superior; Efeito 2 (mecânico): a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado; Efeito 3: Também conhecido como efeito bumerangue, Abramov poderá lançar o escudo em direção a algo sólido que irá rebater em um determinado ângulo seguindo uma linha reta atingindo um segundo alvo, depois o escudo retornará para seu braço independente do resultado ou para onde foi rebatido | Ouro Imperial | Espaço para duas gemas | Resistência: Beta | Status: 100%, sem danos | Épico | Ganhado no evento Quando o Passado Revive]

*Foice da Morte - Uma foice forjada no rio estige, onde sua foice queima onde toca. Algumas podem ser abençoadas por Thanatos e terem poderes como invocação de fantasmas infinita, que não afeta a saúde do usuário. Caso alguém que não seja ceifeiro tente manuseá-la sem permissão, sofrerá uma dor agonizante

Kyra


Link do RP onde Abramov conheceu Gabriele, explicando de onde a trama veio: aqui.

Observação: Duplicador de XP ativo, como consta no perfil.


Última edição por Abramov Levitz em Qua Set 06, 2017 5:13 am, editado 1 vez(es)
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