The Blood of Olympus
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CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

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CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Beorn Jarbeorn em Qui Jun 22, 2017 9:31 pm

Capítulo 1 – Aquele momento em que você descobre que sua família é mais problemática que a do vizinho.


O barco balançava nas altas ondas daquele temporal em alto mar. Já se faziam 10 dias que eu estava dentro daquele contêiner. Foi uma ajuda providencial, então não reclamo, mas que era complicado era. Estava indo da Islândia para os Estados Unidos. Tinha que encontrar meu caminho lá, como um semideus, e tentar entender o que meu pai queria de mim. Mas seja lá o que fosse, eu iria fazer e provar meu valor a Vulcano. Faltam mais ou menos mais 10 dias para chegar em Virgínia.  

Por mais incômodo que fosse todo aquele balanço no mar, de certa forma me trazia boas lembranças de casa, quando eu saia para pescar com meu avô. Mesmo no frio, era tão legal. Lembranças assim me fazem pensar no dia que tudo isso mudou, uns 11 dias atrás.  

Lembro do cheiro do bafo daquele cachorro negro de olhos vermelhos que atacou minha casa e quase matou minha mãe, ele conseguiu destruir a oficina na garagem, ferir minha mãe na perna e me dar um corte feio na costa antes de eu conseguir matar ele com uma serra circular. Eu também me lembro das palavras dela, logo após esse incidente:  
 
" Meu filho, tenho que te falar algo"  
 
Ela era uma engenheira automobilística numa grande empresa da Alemanha, se formou no M.I.T em engenharia mecânica, depois foi chamada para essa empresa. Quando engravidou de mim, disse que foi convencida por meu pai, que nunca conheci, a se mudar para a Islândia, que seria melhor, ela se recusou de início pois não queria perder o trabalho. Porém meu pai parecia um cara influente, e conseguiu a transferir para a Islândia, ainda a colocou na equipe principal de engenheiros e teve um bom aumento de salário e bonificações. Ele parece bem poderoso e legal, mas nunca o conheci, uma pena.  
 
"Ehhh... o que eu tenho a te dizer é um complicado para você filho. Acho que você já teve muitos momentos estranhos e um poucos perigosos nesses últimos anos, e tenho certeza que esse foi o mais estranho e muito mais perigoso de todos!"  
 
Eu não podia deixar de concordar, esse com toda a certeza foi o top 1 de tudo.  
 
" Bem, filho, isso é porque você não é normal" - olhei para ela com olhar preocupado e um pouco triste - " Quero dizer, não é culpa sua e nem quer dizer que você seja ruim ou louco, quer dizer situações ruins e loucas como essa podem vir a ocorrer de novo, mas não é algo como uma maldição, é mais uma benção, por mais perigosa e pesada que seja!"  
 
Dessa vez eu olhei para ela muito confuso. Ela respirou fundo, e olhou nos meus olhos.  
 
" Seu pai é um Deus, Beorn, uma Divindade Romana para ser mais específica, e você é um semideus!"  
 
Bom, eu esperava ela dizer que era um espirito fugido do inferno, ou que nassa família vinha de um clã de vampiros vikings nórdicos, mas por essa eu não esperava. Eu acreditei na minha mãe, ela nunca mentiu pra mim, e olhando nos seus olhos soube que não era nenhuma mentira ou brincadeira. Repassei tudo o que ocorreu de estranho na minha vida, pessoas estranhas, as vezes monstruosas, perseguições, acidentes estranhos. Nada daquilo fazia sentindo sem algo divino no meio. Minha cabeça tava mais ligada do que já era, tentava lembrar das aulas de história sobre a Grécia, possibilidades, coisas se encaixando e pontas soltas aparecendo. Mas a única coisa que consegui dizer naquele momento foi:  
 
" Mas se ele é um Deus Romano não deveríamos estar em Roma??  
 
Minha mãe riu da minha confusão.  
 
" Não meu filho, mas Roma não mais a mesma coisas, os deuses se movem com a civilização ou algo assim, que parece que eles estão no E.U,A"  
 
" Então porque não estamos lá?"  
 
" Seu pai disse que aqui era melhor, mais seguro, protegido, pelo menos por mais tempo, algo como mais distante, outra esfera divina. Estamos num domínio de outro panteão divino. É melhor para você e para mim."  
 
- Porque Mãe?  
 
- Também sou uma semideusa filho, sou filha de Athena, deusa da sabedoria. Por isso você nunca conheceu sua vó. Ela se apaixonou pela a inteligência e habilidade do seu avô, ele sempre foi assim, e por isso ele é um médico genial. E eu, herdei a inteligencia e a Habilidade dos dois, mas foquei tanto em engenharia que chamei a atenção do seu pai.Eu sou uma semideusa grega, mas minha mãe achou melhor eu tentar ir para o Acampamento Romano,em vez do grego, que eu estaria melhor preparada para as coisas e iria ficar muito melhor apoiada para o estudo. Então partir para o Acampamento Júpiter, sendo uma filha de Minerva, eu lhe admito que foi muito difícil. Depois que eu me mudei para cá, aparecem poucos monstros, e eu posso lidar com eles. Essa região pertence a outra esfera de poder, então ficamos camuflados, mas agora é diferente. Eu estou segura aqui, mas você não, tens tanto sangue de um Deus, quanto de uma semideusa, isso deixa mais forte seu cheiro. É assim que os monstros te percebem melhor. Esse ataque agora pode ter sido um acaso, mas eu sei que não vais sobreviver sem nenhum treinamento, e agora a frequência disso tudo pode aumentar.  
 
"Mãe, quem é meu pai?"  
 
" Meu filho, isso é algo que vais ter que buscar só, faz parte do teu destino."  
 
" E pra onde eu devo ir?  
 
De repente um pequeno fogo surge em cima de uma mesa, nos assustando, e some na mesma velocidade. Onde ele queimou existia uma área preta e um papel com palavras simples, e escritas de uma maneira forte.  


Docas, setor C, exatamente às 10:00


 " E o que vai acontecer se eu for para esse lugar?"  
 
"Deves começar tua jornada rumo ao Acampamento Júpiter e isso foi um recado do seu pai."  
 
- Acampamento Júpiter?  
 
- É um lugar seguro para nós, fica em San Francisco, nos E.U.A - ela passa a mão no braço e tira uma camada de maquiagem de cima de uma tatuagem com imagem de uma coruja, uma palavra e 10 barras pretas, pareciam um código de barras - Servir o tempo que eu estive no M.I.T. É o melhor lugar para você ir agora.  

Vi nos olhos dela a dor ao dizer isso, mas devia ser mesmo o melhor. Creio que ela entende isso e já deve ter passado por situação igual.

- Então, mãe, pode me ajudar com as coisas? Não posso deixar que isso lhe aconteça de novo" - Eu disse olhando para o ferimento na perna dela.  
 
Ela se ajeita na cadeira e faz mais uma pressão na ferida.  
 
- " Sabe meu filho, nós descendemos de um clã de guerreiros antigos, bravos, valentes e bla bla bla", todas essas baboseiras que seu avô falava. Mas tem uma coisa que é verdade, que todo e qualquer Jarbeorn é Valente, Forte e Desbravador. Por isso ele não me barrou quando decidir ir pro M.I.T e entrar na Legião. E por isso eu vou te ajudar a ir nessa jornada da tua vida agora, que eu tenho certeza que é a mais difícil que qualquer Jarbeorn já passou. Por mais que isso faça meu coração doer. Vamos arrumar suas coisas para viagem "  
 
Cheguei 9:40 nas docas. Tinha uma mochila cheia nas costas. Comida enlatada, roupas para frio, um dinheiro extra, cerca de 100 dólares, água e o mais importante: Um bom kit de ferramentas. Minha mãe preparou uma sacolinha com kit de bicos trocáveis de chave de fenda, philips, alen, estrela, torque. Além de chaves de roda, alicates, pregos, parafusos, porcas, martelo, fita métrica e ferro de solda. Eu não sabia pra onde ia, mas se precisasse de um reparo, estaria preparado. E também me deu uma carta de recomendação, para quando fosse me apresentar na legião.

9:58. As únicas coisas que se mexiam eram os guindastes carregando aquelas caixas de metal. 10:00 em ponto, um contêiner desceu bem em frente a mim. Era vermelho-alaranjado e estava escrito " Vulcanus LMTD". Lembrei de minha aulas de história, bem acho que caiu a ficha. A porta do contêiner estava aberta, eu pensei um pouco e entrei. Quando tranquei a porta fui içado, possivelmente para o cargueiro.  

Me virei e encarei minha moradia, tudo escuro. Fui tateando as paredes, não sabia se iria encontrar, até que meus dedos tocam na pequena alavanca e as luzes se ligam. Realmente fiquei impressionado com o lugar, em primeiro lugar por ter luz elétrica, mas tudo bem. O contêiner era grande, não tanto, mas dava muito pro gasto. Ele tinha uma mesinha logo na frente, uma cama de armar, um fogão portátil com um pequeno botijão de gás. Uma área cheia de enlatados, não perecíveis e água. E também tinha uma salinha fechada no fundo, um banheiro, equipado com um vaso, pia e um chuveiro. O vaso parecia ter ligação direta com o lado de fora do navio, tudo o que eu fizesse iria cair pela lateral direto pro mar. O chuveiro e a pia era interligados á uma caixa d'água com uns 150 litros. Não ia dar pra quase nada, mas como acho que iria ficar ali a viagem toda, poderia economizar bem.  

Me aproximei da mesinha, tinha dois itens e vários papeis. Um dos itens era uma adaga de bronze, mas assim que a toquei sabia que não era um bronze comum, era mais poderoso, mais antigo. Não sabia o que era, mas acho que seria útil. O outro era um canivete, peguei-o e abri seus apetrechos, uma faca, uma chave de fenda e um alicate. Era normal, abri de novo a faca, e notei um botão no lado do canivete. Quando eu apertei, o canivete se transformou num machado com cabo de madeira, punho de couro, lamina de aço. Eu peguei um susto enorme, nunca tinha visto algo sequer parecido com aquilo. Ainda tinha um botão logo acima do punho, apertei e ele voltou a forma de canivete. As outras duas formas eram uma bastão de ferro e um tesourão de bronze.  

Nem sei dizer como aquilo era absolutamente demais, e mágico, minha cabeça estava explodindo já. E o pior de tudo, eu não via aquilo como estranho, nem era algo que um pensava ser impossível de fazer. Olhei os restos das coisas em cima da mesa, eram papeis e pergaminhos com anotações sobre maquinas, armas, aparelhos, construtos e até membros mecânicos. Tudo muito bem detalhado e explicado, em latim, mas eu entendi tudo. Os membros mecânicos eram perfeitos e bem equilibrados, e eu entendo disso.  Com minha mãe sendo engenheira e meu avô médico, eu sabia de tudo um pouco dos dois mundos.  
E assim, minha viagem rumo a América começou"


Última edição por Beorn Jarbeorn em Dom Jun 25, 2017 10:20 am, editado 4 vez(es)


As vezes não existe nada pior que uma lua flamejante.

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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Beorn Jarbeorn em Qui Jun 22, 2017 9:46 pm

Capítulo 2 – Parentes novos! Como entrar numa batalha com a Família.

A tempestade passou, o barco está navegando tranquilamente de novo, releio um bilhete, que estava no meio dos papéis. Palavras diretas, como sempre, num papel sujo de graxa e carvão.  

Galpão Colchis, falar com Mcbeth, vai lhe dar a direção. Cuide do negócio das armas para mim. Até mais

Só isso foi dito. Então tenho que encontrar esse Mcbeth, no galpão Colchis e descobrir meu caminho. E também tenho que cuidar de armas. Será que ele quis dizer essas que ele me deu? Devem ser da coleção particular ou algo do tipo. Bem, vou cuidar, se foi pedido, vou cuidar.  

Depois de mais 10 dias, eu já sabia decorado todos os pergaminhos e anotações, não sabia como, ma minha cabeça fervilhava de ideias, e armazenava tudo. Eu senti o navio fazer uma manobra, não sabia se era ou não, mas por via das dúvidas arrumei as coisas, coloquei mais alguns enlatados na mochila, junto com os papeis, empacotei tudo, tava pesado, mas suportável. Destranquei a porta, entreabria e olhei para fora, realmente tínhamos aportado. Agora era só esperar descer o container.  

Depois de uns minutos, senti o solavanco na caixa de metal, e fui içado em direção a terra firme. Me preparei e abri a porta devagar, olhei ao redor e não vi ninguém. Então sai calmamente, como se eu sempre estivesse ali. Fui andando, cumprimentei as pessoas por quem passei, até chegar no portão da doca. Cheguei perto da guarita e falei ao guarda que estava lá:  

-Olá, bom dia, eu acabei de chegar aqui  e tenho um compromisso no Galpão Colchis, o senhor poderia me informar onde fica?  

- Claro, esse galpão fica descendo a rua para a esquerda, é o terceiro galpão.  

- Obrigado!  

Segui a direção indicada pelo guarda, ele disse que era só descer, mas não disse o quão longe era, levei cerca de 20 minutos para chegar. O galpão era roxo, bem roxo mesmo. Era mediano, não era tão grande quanto os outros, mas passava um ar inexplicável de imponência. Em dourado estava escrito: Galpão Colchis. Também estava escrito em letras menores em baixo, o mesmo nome, só que em latim.  

Me aproximei do lugar e pude perceber que era uma pequena fabrica e oficina de peças de navios, carros, caminhos e coisas do tipo. Era tudo bem organizado, e bem equipado. Caixas de materiais e algumas hélices enormes. Sentado bem na frente, escorado no portão, havia um cara dormindo. Ele era grande, alto e cheio de músculos, tinha aparência de um cara na casa dos 40, quase 50, cabelo escuro com mechas grisalhas e uma cara, que mesmo relaxada, era de poucos amigos. Ele vestia uma calça jeans bem escura, botas escuras de combate e uma camisa roxa. Fui me aproximando mais, não sabia se acordava ele ou não, até que uma voz profunda e grave fez-se ouvir.  

- Ave Romanus!  

Aquela frase ativou algo na minha cabeça, conhecimentos antigos, como se eu sempre soubesse, mas tinha esquecido em algum momento da vida. Eu sabia o que ele queria dizer, e sabia o que responder.  

- Ave Legionarius!  

Ele abriu os olhos e sorriu para mim, se levantou e abriu os braços como se fosse me abraçar. Pude notar uma tatuagem com um símbolo, algumas palavras e linhas como códigos de barras, pude contar algo perto de 15. Era a mesma que a mamãe tinha.  

- Bem vindo jovem semideus, eu sou Mcbeth, o que o trás á Colchis?  

- Meu pai me disse para vir aqui. Prazer, sou Beorn!  

- Então parece que o velho Vulcanus ainda está na produção. - ele sorriu- Bem vindo irmão, também sou filho de Vulcano.  

- Então é Vulcano mesmo!  

- Você não sabia?  

- Eu desconfiava, porque tudo isso entrou na minha vida faz uns 22 dias, mais ou menos, e desde ai, ele me ajudou, mas nunca deixou nada assinado pra confirmar, ainda acho um pouco demais tudo isso para minha cabeça.  

- Entendo criança, realmente és prole de Vulcano, senhor do fogo e das forjas, porque só ele sabe onde estou, então se viestes aqui por ordem do seu pai, só ele poderia ter contado. -  Ele se aproximou e abraçou meu ombro - Vamos entrando, você parece cansado, vou te dar um café, um banheiro e algumas roupa. Em troca, quero saber sua história até aqui.  

- Obrigado por sua hospitalidade!  

- Não se preocupe irmão, é meu dever ajudar um irmão necessitado.  

Ele me levou para uma área mais reservada, no canto do galpão, onde tinha uma cozinha toda em aço inox e totalmente equipada. Uma sala com TV de tela plana de umas 70 polegadas, sofá em L enorme, mesinha de centro toda em ferro negro e vidro e vários tipos de consoles. Logo acima da sala, existia uma plataforma, conectada por uma escada no andar de baixo, onde eu podia ver parte de uma cama. Tinha algumas portas dando acesso a outros lugares, que eu não sabia o que poderia ser. Mcbeth entra na cozinha e me joga uma latinha de cerveja, era uma boa cerveja, em seguida sobe e volta com uma toalha, uma calça e uma camiseta roxa como a dele. Me indicou uma porta à esquerda, era um banheiro, todo em mármore negro, e com um chuveiro digital excelente.  

Depois daquele banho excelente, como tava com saudade disso, voltei para a sala e Mcbeth já me esperava com uma boa xícara de café bem forte e um sanduíche com tudo que tinha direito pra mim e pra ele. Como combinado, contei minha história até encontrar ele mais cedo.  

- Meu garoto, pelo visto já passastes um pouco de dificuldade para chegar até aqui. Eu nunca pensei em usar uma serra circular para matar um cão infernal. Foi um cão infernal o que tu enfrentou, um jovem, mas foi um grande feito. - ele me serve um pouco mais de café - Bem, deixa eu tentar te explicar a situação que o papai quer que resolva, pelo o que dizia o bilhete, estamos no mesmo caso. - Ele se levantou e pegou mais bolinhos.

- Bem, estamos com um problema relacionado a tráfico de armas. Sei que parece coisa da polícia, mas isso é algo a mais. Algum ser mitológico, não sabemos quem ou o que é, mas ele está produzindo e distribuindo armas mortais e divinas e tudo isso está caindo nas mãos de monstros, semideuses renegados e mortais, o que é muito muito perigoso. Vulcano e Marte são responsáveis por esse controle de armas aqui, então Vulcano está organizando seus filhos para desmantelar esses esquemas e tentar descobrir quem está por trás disso. É difícil saber, depois das confusões que teve nos últimos anos, muita gente voltou de onde não devia ter saído, então temos que ter cuidado. Eu fui alocado aqui faz um ano, sai de Nova Roma e vim pra cá. Estou Investigando e tendo pequenas batalhas com a base de importação e exportação aqui na região portuária.  

- Então foi isso que ele quis dizer. Uma guerra de máfia e armas. Pelo visto estou muito ferrado no meio disso.- Eu ri um pouco, pois lembrei de meu avô dizendo que nosso destino era as batalhas - Mas eu sou um Jarbeorn, não temos medo de lutar. Então vocês sabem onde é a base um do outro, porque não houve um ataque grande ainda?  

– Sozinho, não tenho poder ofensivo e defensivo o suficiente, ele só tem mortais lá, comandados por dois copiadores, o Atos e o Aman. Copiadores são seres que podem copiar a aparência de qualquer criatura humanoide, acho que podes conhecer como doppelganger. Eles tem força,mas não mais que a minha força, sem falar que meu sistema de defesa do galpão é impecável, mesmo com a vantagem numérica, ele não podem fazer nada, são só mortais. E eu não ataquei por falta de números, não conseguiria atacar solo. Mas contigo aqui isso pode mudar!  

- Como posso ajudar?

- Vamos atacar a base deles e tomar controle! - Olhei um pouco surpreso para Mcbeth Não agora é claro, precisas descansar primeiro, e eu vou te passar algumas informações, te ajudar com suas habilidades, te ensinar a lutar basicamente, te ensinar as coisas. Acho que uma semana tá bom, na próxima semana vamos atacar bem cedo.  

- Habilidades?  

- Sim, é um bônus de ser semideus, ou pensou que a unica coisa que ganhamos eram monstros tentando nos matar? - ele riu um pouco - Nossa linhagem divina nos colocar um pouco acima dos mortais comum, e também nos dar um poderes bem legais as vezes. Quanto mais forte tu ficar, mais poderes tu ganha e mais forte eles ficam. Vou te ajudar a entender eles, e te ajudar a usar.  

- Nossa, por essa eu não esperava, obrigado Mcbeth!  

- De nada garoto, e pode me chamar de Bors.  

- Por onde começamos então Bors?  

- Calma garoto, não vamos começar com isso hoje, estás cansado dessa viagem toda, e vais precisar estar bem descansado. Mas posso começar a te ensinar sobre nossas maiores habilidades: Projetar, imaginar e forjar!  

E nisso ele pega seu computador e começa a me mostrar vídeos, projetos, programas, notas, manuscritos sobre engenharia, robótica e a arte da metalurgia. A parte mais incrível e estranha, foi que eu entendi tudo sem problema nenhum, que nem os projetos da minha mãe, mas sempre pensei que fosse algo meu e dela, agora percebo que meu pai estava no meio disso o tempo todo. Depois ele me levou para um tour pelo galpão, me mostrou cada máquina e como elas funcionavam, até chegarmos numa forja, mais ao fundo. Ela era uma piscina de carvão incandescente, com uma bigorna e uma mesa de ferro ao lado. Na parede havia uma infinidade de martelos e outras ferramentas, e também tinha uma outra infinidade de barras e bolotas de metais aos pés da forja.  

- Vamos passar um tempinho aqui, vou te ensinar a usar e vais fazer tuas próprias armas, esse é um dos nossos ritos, a forja da sua primeira arma. Vamos vir aqui amanhã também. Por enquanto, vamos voltar e pedir uma pizza para jantar.  

Essa semana passamos estudando projetos, treinando batalhas com armas e sem armas, estratégias. Bors me ensinou a entender e usar os poderes que eu tinha disponível, e também me ensinou sobre os monstros que eu iria enfrentar. Também fiz minha própria arma, um machado de uma única lâmina, no estilo dos meus antepassados vikings, e o batizei de Ignis, uma primeira homenagem. Bors me disse que quase todos batizavam a primeira arma com nomes assim.Ele me falou o plano de ataque e foi me guiando no que eu devia fazer para me preparar, não só para o ataque, mas para tudo.  

Na noite que antecedia o ataque, nós estávamos sentados comendo pizza novamente, Bors encarava pizza como uma forma de comemoração, e também a melhor comida para quando for se encarar a morte.  

- Toma garoto - ele me entrega uma carta - Essa é a sua carta de recomendação para quando entrares na Legião, vais precisar. Já sabes para onde tem que ir, podes ir logo depois de amanhã, tenho uns carros no fundo do galpão, podes pegar qualquer um, e não precisa se preocupar em me devolver, carro com semideuses tem tendencia a explodir, então não se preocupa. - Ele ri - Precisas ir para a Legião, ganhar habilidades, força e companheiros, porque eu sei que nossa missão não vai ser nada fácil. Estou desconfiando do chefão por trás de tudo isso, creio que ele é mais forte do que pensamos. Então precisas estar preparado!  

- Obrigado Bors, pela hospitalidade e tudo até aqui. Pode deixar, seguirei o caminho até lá, e vou voltar e te buscar para a batalha final.  
Guardo a carta na minha mochila, a segunda, e terminamos o jantar. Lavamos a louça e vamos dormir cedo, porque amanhã iria ter uma bela briga, e depois, só Vulcano sabe como seria meu caminho. Me ajeitei no sofá, que era muito bom e dormi, um pouco inquieto,mas dormi.  

Acordamos 5 horas da manhã do outro dia, tomamos um café rápido e logo começamos nossas preparações. Eu usava uma calça jeans preta, botas de caminhada preta, e uma camisa roxa. Por baixo dessa eu usava uma cota de malha, que eu fiz, a pedido do Bors, iria ser necessário, e também usava uma jaqueta de couro preta, com placas de metal por dentro, para garantir mais uma proteção. Ignis estava preso ao meu cinto por uma fivela, o canivete mágico estava num bolso no cinto também, e a adaga estava em sua bainha na minha lombar. Também carregava umas granadas especiais escondidas em em algibeiras na minha jaqueta. Bors desce vestindo uma roupa parecida com a minha, só que ele carregava 4 espadas, duas na cintura e mais duas na costa, um arco e uma aljava carregada de flechas e dois cintos de facas e granadas cruzando o peito. Ele carregava um escudo de aço,com cerca de 1 m de diâmetro, brilhando em prateado e bem polido.

- Toma - ele me entregou o escudo - Vais ser a minha proteção. Ele devem estar armados com metralhadoras e pistolas, espero que nada muito forte, o escudo vai segurar. Eu cuido deles com as flechas.  

- Entendo, só acho que o escudo não vai ser grande o suficiente para dar um boa cobertura.  

- Aperta o botão no apoio do escudo e segura bem ele.  

Apertei o botão, o escudo vibrou um pouco e se expandiu de forma rápida, agora ele
tinha quase 2 metros de diâmetro.  

- Oww! Isso aqui foi muito legal. Me ensina a fazer, por favor!  

-Não te preocupa com isso agora, na hora certa vais saber como fazer, naturalmente.  

Bors se aproxima da mesa de computadores dele e a liga, eu aperto o botão pro escudo voltar a seu tamanho original e me aproximo. Aquela mesa dele era o setor de inteligência, era tão bem equipada que não perdia em nada para a CIA ou FBI. Ele tinha infiltrado uma boa quantidade de autômatos esquipado com câmeras e sensores por toda a base inimiga, e agora ele reativou os drones para sobrevoar o galpão inimigo. Em segundos temos 4 imagens diferentes do Galpão Wars exportação. Em seguida, temos imagens interna e leituras térmicas.  

- Temos 25 inimigos, mais os dois copiadores na sala de comando.  

Olhei para a sala e vi dois corpos com coloração arroxeada, diferente das tonalidades de vermelho que os mortais apresentavam. Segundo o Bors, eles tinham uma temperatura menor na forma original, mas isso mudava quando eles se transformavam.  

- O plano de ataque continua o mesmo. E não se esquece, Beorn, no momento em que entrarmos os dois podem se transformar, não vamos saber que são, mas como eles estão num processo de treinee, eu acho, o Aman é muito jovem, então seus olhos podem brilhar em amarelo, fica de olho nisso, e joga aquela granada especial que eu te dei, pra revelar eles. Ai eu acabo com eles.  

- O que tem nessa granada?  

- Veneno para Copiadores. Não sei como fazer, só consegui comprar duas.  

- Saquei, vamos lá? Tô animado para isso!  

- Vamos lá, e calma Jarbeorn, sem muita euforia!  

- Okay, desculpe.  

Respirei fundo e controlei minha emoção. Era a primeira vez que iria fazer uma batalha assim, então estava muito entusiasmado mesmo. Saímos de Colchis e seguimos rua abaixo. O Galpão deles ficava cerca de 1 km rua a baixo. Levamos 20 minutos de caminhada, e logo estamos em frente ao galpão tinha dois vigias, mas caíram com flechas soníferas do Bors. Ele havia me dito que se possível não matar os mortais, porque se não iria ser muito problema. Nossas armas de bronze celestial, no momento, só minha adaga, não chegavam nem a tocar neles, então sem matar pessoas, só monstros.  

Explodimos as portas do galpão e entramos com tudo, entrei na frente com o escudo,e jogamos uma bomba de fumaça. Bors ativou seu óculos de visão noturna. Sério, quero ser como ele um dia. Os inimigos estavam confusos e surpreendidos pela explosão e fumaça. Bors já tinha derrubado cinco quando começaram a atirar de volta. Eu parei e ativei o escudo, ele cresceu e eu o finquei no chão, era nossa parede de proteção. Uma saraivada de balas reverberava no metal, fazendo meu ouvido zunir. Coloquei os fones de proteção que o Bors tinha me dado, e preparei uma granada, Bors estava do meu lado, e também preparou seus fones quando sinalizei jogar a granada. Eu lancei, era uma granada sonora. Mesmo com os fones, ainda pude ouvir um pouco do som agudo produzido. Olhamos pela beira do escudo, todos os inimigos estavam ajoelhados ou escorados em algo, com as mãos no ouvido. Bors logo atirou 3 flechas de gás sonífero e todos caíram.  

Fizemos uma contagem rápida, 25 pessoas jogadas aqui, mais dois lá fora,27. Então os Copiadores estavam aqui. Joguei a granada especial. Dois seres cinzentos e pálidos surgiram no meio das outras pessoas. Bors soltou duas flechas, a ponta de bronze celestial brilhando quando atingiu a cabeça deles. Ele se desfizeram em pó amarelo. Eu me assustei com aquilo tão repentino, mas depois dessa semana aprendo e pensando sobre tudo o que soube, sabia que era para ser assim, piedade as vezes é igual a morte.  

Amarramos os mortais , colocamos numas das caminhonetes deles,e seguimos para Colchis. Bors disse que cuidava deles depois.  

- Foi bem mais fácil do que eu esperava. Acho que eles não contavam com duas pessoas. - Ele sorriu e bateu no meu ombro  
- Bom trabalho garoto, você é bom nisso, tenho certeza que vais chegar vivo em Nova Roma.  

- Obrigado, e obrigado por me ajudar até aqui.  

- De nada garoto, você me lembra eu, quando tinha sua idade, acho que pode ser comum a todos filhos de Vulcano.  

Chegamos no galpão e colocamos os mortais num canto escuro e afastado. Entramos na parte residencial do Bors e fui tomar um banho enquanto o ele fazia algo para comer. Quando estávamos limpos, fomos almoçar o belo porco assado que Bors fez, acompanhado com uma bela cerveja preta. Havia me viciado nela nessa ultima semana.  Ela era boa, e amarga na medida certa. Depois do almoço, arrumamos as coisas para minha partida. Eu fiquei com Ignis, a jaqueta e minha cota de malha. Bors me deu um kit de primeiro socorros e um pouco de Néctar e Ambrósia, comida dos Deuses.  

- Sabe garoto, foi bom ter você aqui esses dias. Você é muito esperto, as vezes me surpreendia em algumas coisas, sua cabeça parecia funcionar mais rápido que de um filho de Vulcano comum.  

- Obrigado Bors. Bem, ser filho de uma semideusa ajuda?  

- És um legado? Quem é tua mãe garoto?  

- Lagertha Jarbeorn, filha de Minerva!  

Bors começou a sorrir, e bateu no meu ombro.  

- Isso explica muita coisa garoto. Eu conheço sua mãe, servimos juntos, fomos centuriões da II juntos. Ela era uma das maiores guerreiras que eu conheço, mesmo com o preconceito que se tem de filhos de Minerva, ela arrasou com todos e conseguiu chegar no topo. Se quisesse tentar a vaga para Pretor, com certeza conseguiria.  

Fiquei feliz em ouvir aquilo da minha mãe, sempre soube que ela era uma guerreira exemplar, e lutou muito para chegar onde ela está hoje. E saber mais isso, aumentou muito meu animo.  

- Agora tenho mais certeza que vais conseguir chegar lá tranquilamente. - ele me levou para a parte de trás do galpão. Era um pátio enorme, com uns 15 carros estacionados por lá - Escolhe um, e eu já disse para não se preocupar sobre devolver!  

Escolhi um Atlas, nome bem sugestivo, um dos novos SUV da Volkswagen, porque eu conhecia muito bem, minha mãe assina o projeto desse carro. Bors me deu a chave, e encheu o tanque. Dava para uns 200 Km se soubesse economizar. Ele também me deu uns 300 dólares, para ajudar no que fosse necessário. Eu realmente não sabia como agradecer a ele.  

- Eu não encontro palavras pra te agradecer tudo isso Bors, mesmo!  

- Já disse que não precisa garoto. Estou ajudando um irmão, um colega de missão e ainda um amigo de uma boa amiga. Eu acho que ainda é pouco.  

- Eu acho que é minha hora! Ainda tenho um bom caminho pela frente - Aperto a mão dele e entro no carro - Obrigado novamente!  

- Siga com cuidado garoto, tenha um boa viagem, que Vulcano te dê benção. E não se esqueça de sempre estar atento a qualquer coisa estranha. Eles provavelmente vão atrás de você também, então cuidado. Duodécima Fulminata!  

S.P.Q.R!

Ao dizer isso,um trovão caiu ao fundo. Liguei o carro e sai pela parte de trás do galpão direto numa estradinha de terra batida, segundo Bors iria dar numa das afluentes da via principal.


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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Beorn Jarbeorn em Qui Jun 22, 2017 9:50 pm

Capítulo 3 – Minha pequena piromania com um gigante

Eu iria pegar a estrada direto até Kentucky, de lá pegaria Missouri, Kansas, Colorado,Utah,Nevada e então chegaria na Califórnia. Havia estudados os mapas e decidido o caminho, Bors me ajudou a marcar uma rota por onde eu passasse o mais longe possível de afluentes mitológicos e assim tivesse menos perigos e problemas. Preparamos tudo e programamos num GPS portátil que ele tinha feito, era melhor que os convencionais, mais resistente e mais preciso, não importa o caminho que eu iria estar, eu não ia me perder. Tinhamos 3 Satélites semideuses e mais alguns rackeados.  

Segui pela estrada o dia todo, parando só em alguns postos de combustível para comprar algum lanche e ir no banheiro. Tudo foi tranquilo, sem nenhum ataque, perseguição, algo estranho. A não ser de noite, um pequeno sentimento de medo se instalou na minha cabeça, não era nada de mais, mas eu estava alerta, como se esperasse algo. Não sabia se era um sentido semideus ou algo assim, mas era um pouco estranho.

Em mais dois dias de viagem eu sair da Virginia e entrei no Kentucky, minha viagem estava demorando um pouco mais que o comum, pois estava evitando as estradas principais, sempre que possível, pegando estradas menores e de menos importância, sempre seguindo o GPS, que era realmente muito bom, me dava a localização e condições em detalhes. Eu estava seguro e livre de perigos, até agora, graças a Vulcano, eu acho. A única coisa que me perturbava era aquela sensação pequena de medo, mas constante, que chegava toda a noite. As vezes transformava meus sonhos bons em alguns sonhos conturbados.

Estava na metade do Kentucky, quando meu primeiro amigo monstro apareceu. Estava numa estradinha de terra, que corria em paralelo com a principal, quando uma cão infernal pequeno apareceu, pequeno por assim dizer porque ele tinha o tamanho de um Dog Alemão Adulto. Ele apareceu depois de eu passar por uma sombra, correndo ao lado do meu carro, e isso era impressionante, pois eu estava a 120 por hora.  

Olhei novamente para o Cão Infernal, havia algo diferente nele, ao redor dos seus olhos rubros, haviam veias muito avermelhadas, e até onde eu lembrava, não existia algo assim em um HellHound, aquilo era bem estranho. Mas não tinha tempo para parar em pensar sobre isso, tinha que acabar logo com ele. Minha mente começou a funcionar a mil por hora. Parecia que existia três mentes funcionando ao mesmo tempo na cabeça. Meus olhos se aguçaram, comecei a fazer cálculos estratégicos e medir distâncias, pensar como funcionaria as coisas de vários ângulos. Olhei para frente e cerca de uns 150 metros tinha um pedaço de tronco cheio de galhos afiados. Preparei meu plano.

Reduzi minha velocidade para 100 km/h de supetão. Graças as habilidades que eu tinha, eu entrei no sistema automático do carro e programei um piloto automático, o qual eu ativei, para manter o carro na reta. Abrir a porta e me "deitei" no banco. Puxei Ignis e esperei o momento certo. O Cão estava tentando reduzir a velocidade, mas ele estava muito veloz para fazer isso rápido. Aceitei Ignis no tendão da pata traseira dele, ao mesmo tempo que me focava em fazer surgir uns pequenos pregos na direção das patas dianteiras. Os pregos entraram na carne e ele deu um pulo alto, ganindo de dor .Rapidamente reassumi o volante e dei uma guinada em sua direção, acertei ele com tudo, e usando minha velocidade mais a dele, mandei-o direto para o galhos, que o empalaram, fazendo se dissolver em sombras com um choro alto.

Se eu não soubesse o que era, eu teria tido pena daquele choro.

Segui o caminho tomando o maior cuidado possível. Não querias mais surpresas como aquelas. Consegui passar o resto do Kentucky sem nenhum problema.  Somente aquele medo estranho toda noite, já estava desconfiando que não era um senso de perigo, mas algo mais forte, mais maligno talvez. Não sei ao certo, mas eu não estava feliz com isso.

Cheguei no Missouri e o clima ficou frio, muito frio, agora agradeço a mamãe pela roupa de inverno. Eu estava numa estradinha, era noite, pensando em algo para fazer, meu dinheiro estava acabando e não sabia como ia colocar mais combustível, eu tinha acho que suficiente para mais um tanque. Depois disso iria ter que arrumar de alguma forma. Talvez eu fosse trabalhar por uns dias numa oficina de alguma cidade que eu fosse passar, a fazer isso até um chegar na Califórnia. Queria evitar pegar um ônibus, poderia colocar a vida das pessoas em risco, o que era ruim demais.  

Era umas 9 da noite. Encontrei uma áreas de acampamento Acho que seria bom descansar numa barraca em vez do carro essa noite. Entrei e depois de  alguns metros floresta a dentro, encontrei uma clareira bem grande e vazia, tinha uns cestos de lixo e uma casa de madeira, que tinha uma placa indicando o banheiro. Mas tudo parecia que não era usado à meses.  Estacionei meu carro e olhei ao redor, parecia bem seguro, sem marcas ou rastros. Entrei no banheiro, estava limpo, pelo menos das nojeiras principais, só estava com uma camada de poeira nas coisas. Usando uma lanterna, verifiquei até encontrar um gerador pequeno, movido a gasolina. Tentei dar a partida, mas como desconfiava estava sem combustível. Fui até o carro e peguei um pouco, coloquei no gerador e voilà, habemus Lux. Muitas línguas, eu sei.

Fiquei feliz por haver luz e água, dei um olhada e parece que havia um bomba que puxava água de algum lugar, um poço ou rio próximo talvez. Único problema é que estava "cortando a pele" de tão gelada. Mas não era um problema para mim. Eu tinha recolhido algumas sucatas e coisas velhas pelo caminho e fiz um sistema de resistências e conectei a um tubo de ferro, liguei tudo isso ao chuveiro, coloquei numa tomada e pronto, chuveiro elétrico.
Era tão bom tomar um banho quente nesse frio. Ficar bem limpo era uma coisa magnífica depois de todos esses dias de viagem. Terminei o banho troquei de roupa e fui armar minha barraca, eu tinha pego uma com o Bors, por via das dúvidas. Eu a armei do lado do carro e coloquei meu saco de dormir e fui acender uma fogueira. Tinha aprendido a controlar minhas habilidades e uma era bem útil. Preparei a fogueira e acendi um fósforo, coloquei no meio das lascas de madeira e me concentrei e foquei no fogo, o fiz ir aumentando até ele pegar em toda a fogueira, era legal, mas cansava muito fazer isso. De sentei um pouco, me recuperando e depois fiz minha comida enlatada, que era boa bem quente.

Terminei de comer, esteva bem feliz de barriga cheia, me deitei dentro da barraca e peguei o GPS, analisei o lugar onde estava, ficava perto do lago Can Ibal, devia ser uma terra indígena. Marquei minha rota para o próximo dia, ia passar perto de um posto de uma cidade pequena, em dois dias, acho que conseguia aguentar até lá. Aí seguia o plano pra arranjar dinheiro e seguia viagem.

Eu já estava dormindo quando acordei com um grande barulho. Eu não estava tendo um sonho bom de qualquer jeito, aquele medo estava bagunçando minha cabeça, mas conseguia ignorar normalmente, mas quando eu dormia não dava. Meus sonhos viravam pesadelo do nada, agora com uivos ao longe, sempre uivos. O barulho apareceu de novo, parecia passos grande e pesados. Agradeci tudo estar desligado e a fogueira ter apagado, uma fina camada de neve jazia sobre o chão. Abri a barraca bem devagar e coloquei a cabeça para fora, as nuvens cobriam a lua, o que deixava tudo escuro. Mas por algum motivo eu conseguia enxergar, não muito bem, mas o suficiente para destingir as coisas. Pude ver um vulto humanoide de uns 2,5 m se aproximando pelo norte, a direção do lago.  

Comecei a pensar no que fazer, estava limitado a não saber sobre meu oponente ali, mas tinha certeza que era um monstro. Ele chegou na clareira, fazendo barulhos como se estivesse farejando o ar. Ele sabia que eu estava ali, só pelo visto não conseguia me ver. Ainda bem que estacionei perto do banheiro, a construção camuflava o carro. Então, ouvi um uivo ao longe, muito longe mesmo, e um vento forte afastou as nuvens. A lua cheia brilhou intensamente. Parte boa, eu consegui ver o monstro muito bem, parte ruim, ele também me viu. Os olhos dele faiscaram na minha direção, então não tive tempo de pensar, só tinha que correr primeiro. Ele começou a andar em minha direção, com as presas a mostra num sorriso torto. Eu peguei as latas que estava do lado da barraca e joguei nos resto da fogueira. Uma nuvem de cinzas subiu, tirando a visão dele sobre mim. Peguei Ignis e meu canivete, usando toda minha destreza, corri em silêncio para a floresta e me escondi entre as árvores. Ele olhou ao redor me procurando, mas não me encontrou.  

Agora sim podia parar e pensar na situação. Puxei na minha memória coisas sobre ele. Ele era alto, com pele avermelhada, os dentes eram todos pontiagudos com presas enormes. Músculos grandes e a pele era coberta de tatuagens tribais. Seus pés eram enormes mesmo, algo entre número 55 e 60. Ele usava uma roupa de peles de animais costuradas e carregava um porrete que me lembrava um totem tribal. Ele era um Lestrigão, e eu estava muito morto.

Comecei a pensar em algo para conseguir fugir, dificilmente eu iria vencer o gigante lá, não era forte o suficiente para isso. Tive alguns planos, mas nada muito certo ou bom. Eu só tinha um que ia me deixar muito ferrado, mas era o jeito. O lestrigão estava no centro da clareira, olhando para todo o lado, me procurando. Eu estava me esgueirando até chegar no carro. Cheguei nele e o toquei, ele se destravou. É uma das minhas habilidades, maquinas me entendem. Abri a porta silenciosamente e entrei. Comecei a fazer a programação que ia ser necessária, e peguei todas as minhas coisas que estavam lá. Antes de sair, levantei o estofado do banco traseiro e fiz um pequeno corte na parte do tanque de gasolina que ficava lá. Fechei todo carro e me preparei.  

O vento mudou e o gigante virou em minha direção.

- Merda, logo agora!

Pelo visto esse negócio de semideus e azar era verdade.

- Ora, Ora, Ora se não é o pequeno semideus fujão. Acho que ia conseguir escapar de Come-fêmur? - Ele deu uma risada bestial e gutural. Acho que Come-fêmur é a graça dele. Mas que nome bosta. - Não se preocupe, vou te comer rápido, não vais sentir nada!

Era agora, preparei Ignis e ativei o canivete no modo machado, os dois eram quase iguais, o canivete se adaptou ao meu estilo, agora também era um machado nórdico.  

- Ihh, chupa-tíbia, acho que tu se ferrou nessa, meu gosto deve está horrível. Tô com intestino podre. Tinha que sentir o cheiro do banheiro ainda agora.

Eu errei o nome dele de propósito, criaturas tribais tem um apreço enorme pelo nome.

- MEU NOME É COME-FÊMUR! - ele berrou e veio correndo desesperado para cima de mim.

Parte 1 do plano " Como assar um idiota gigante " efetuada com sucesso. Esperei ele ir chegando mais perto. Apertei o botão na chave eletrônica do carro, o motor deu a partida. Nisso o Come-fêmur já tinha chegado em cima de mim e desferiu um golpe para baixo com seu porrete, eu deis 3 passos rápidos a frente, sai do alcance do golpe e entrei na área do Lestrigão. Eu só me entreguei aos instintos de luta, tanto de semideus, como os dos meus antepassados vikings. Girei meus machados e dei um corte no braço, outro no peito e um duplo na costela. Ele gritou de dor e pulou para trás. Parei no mesmo lugar. Os golpes não foram muito fundos, por mais que eu tenha colocado força, pois ele ainda era mais forte que eu.

Bem agora é aquele momento mentira, mas juro que foi verdade. Eu estava parado no mesmo lugar, na mesma posição, provocando-o, lhe mostrando que aquele ataque não foi nada, tentando o irritar, e admito que consegui. Ele gritou ainda mais alto, e veio para cima de mim, porém dessa vez eu quase me ferro. A velocidade dele era bem maior que a primeira vez, quando eu fui perceber, ele já vinha com um golpe lateral pronto, iria me varrer bonito dali. Mas meu corpo recebeu uma carga enorme de adrenalina. Eu pulei para cima dele, e fui usando seu braço, que nessa hora efetuava o golpe, como apoio. Pulei sobre a cabeça dele, acertando um golpe com Ignis, dei uma pirueta e cai rasgando a costa dele com os dois machados.  Não entendo como eu fiz isso, juro que não entendo, só fiz. Ele deu um grito enorme de dor, arqueando as costas e eu não pedir tempo, usei minha habilidades e fiz o carro avançar em marcha ré na direção do come-fêmur. E em seguida cortei com tudo a parte de trás dos seu joelhos e me joguei com tudo nas costas dele. Ao mesmo tempo o carro o acertava nas perna, derrubando o gigante em cima do mesmo. O bastão do gigante voou e acertou com tudo minha barraca, a destruindo. Me afastei correndo para trás, pois era o momento final.  

Eu só consegui fazer isso com o gigante por causa de elementos surpresas, até para mim mesmo, tanto que come-fêmur já estava até se levantando do carro, então apertei novamente o botão do controle. E o acendedor do carro se ativou, conforme eu havia programado. Nessa hora o carro estava tomado por gás da gasolina, então ele só explodiu. Fui jogado para trás com a onda de choque e cai no chão. Ainda ouvi o grito final do lestrigão e depois só o som do fogo crepitando. Eu continuei deitado no chão, pois meu corpo estava todo doendo e eu não tinha mais forças.

Fiquei deitado por quase meia hora, antes de conseguir ter forças novamente. E eu digo, isso esgota qualquer um, mesmo. Além de tudo, o medo ainda estava ali, me enchendo o saco, não sei porque eu conseguia manter ele controlado daquele jeito, mas que estava me perturbando, isso estava. Fui cambaleando até minhas coisas, tinha tirado tudo do carro e o resto estava na barraca, me lembrei do porrete destruindo a barraca. Quando cheguei lá a barraca estava mesmo destruída, mas o resto estava milagrosamente intacto. Reuni minhas coisas na mochila, amarrei o saco de dormir por cima e me aproximei do carro explodido, o fogo já estava diminuindo, mas tinha uma coluna enorme de fumaça ali. Não poderia ficar por muito mais tempo. Teria que ir. Mas eu precisava comer, peguei minha panelinha, enchi de água e coloquei para aquecer no fogo do carro mesmo. Não restava mais nada do lestrigão, mas algo me chamou atenção, um osso muito branco estava no meio dos destroços. Ele tinha uns 70 cm fácil, olhei mais atentamente, me lembrando do que meu avô me ensinou. Aquilo era um fêmur, um grande e resistente fêmur. Ri da ironia do momento.

- Obrigado Come-fêmur, pode ter certeza que usarei bem isso - falei, rindo, olhando para o vento.

Quando a água ferveu eu preparei dois potes de rámen instantâneo que vendia por ai. Não enchia por muito tempo, mas dava pro gasto, e aquecia também.  Terminei de comer, organizei de novo minhas coisas, coloquei o fêmur no meio do meu saco de dormir, e segui viagem à pé pela estradinha, com meu GPS na mão, havia o salvado.


As vezes não existe nada pior que uma lua flamejante.

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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Beorn Jarbeorn em Qui Jun 22, 2017 9:56 pm

Capítulo 4 – Estou na Estrada do Inferno? Sei não, mas encontrei um anjo de neve!

Caminhar diminuiu muito meu ritmo, já estava andando a uma semana e estava somente na metade do Missouri. Não queria pedir carona ou pegar ônibus para não colocar os outros em risco. Nesse meio tempo só encontrei dois cães infernais pequenos, eles tinham o tamanho de um Pitbull, me deram uns cortes no corpo, mas no fim consegui vencer. Outra coisa que me perturbou foi o medo noturno. Agora, de vez em quando, eu tinha uma paranoia extrema e ficava morto de medo de tudo. Sempre ouvia uivos, cada vez mais perto.  Não sabia o que estava acontecendo, mas tinha que descobrir. Agora evitava viajar de noite, e isso acabava me atrasando mais, quando a noite caia, eu procurava um lugar para ficar quieto e ter minhas crises de medo, e ao raiar do sol, eu seguia caminho novamente.

Agora o Sol estava se pondo novamente, e eu encontrei caminho numa floresta, um caminho que levava à uma clareira. Era um bom lugar, limpo e reservado. Havia comprando uma manta térmica grande à alguns dias, eu a usava como substituta para a barraca, não tinha dinheiro para comprar outra. Eu pendurei a manta em alguns galhos baixos das árvores, e depois acendi uma fogueira. Eu não estava ficando mais tão cansado por usar meus poderes para manter e crescer a chama, o que era bom.  Esquentei uma sopa de lata, tomei e me aconcheguei no meu abrigo.

Era perto da meia noite quando acordei com um grito alto. Sentei encharcado de suor,  o que não era muito bom, já que estava nevando toda noite, ia ficar muito frio. Até que ouvi de novo um grito agudo, um grito de mulher. Vesti meu casaco e corri para a floresta, como minhas armas na mão, em direção do grito. Cerca de 50 metros da minha clareira havia outra, e nessa clareira havia uma garota linda. Seus cabelos eram escuros, sua pele era alva, sua beleza era quase élfica, e os seus olhos brilhavam num azul claro tão intenso quanto os fiordes da Islândia. Fiquei hipnotizado por um momento, ela era tão linda que não reparei ao redor. Porém o sibilar próximo me fez voltar ao mundo.

Aos pés dela, um cão infernal estava se dissolvendo , com duas facas de caça de gelo cravadas na costela. E a sua frente estavam duas Dracaenaes, usando armaduras leves, tridentes e redes. Suas vozes eram sibilantes e venenosas, elas falavam e riam da garota, que estava sentada no chão, com um corte enorme e muito sangrento na perna. Comecei a correr em direção as dracaenaes, não me importando se iam me ver ou não, eu só me importava em salvar aquela garota.

- E agora prole da neve? Acha que consegue fugir de nós? Acha que consegue nos matar? - a mulher-dragão mais longe de mim fala e dá uma gargalhada sibilante - Seu arco caiu lá atrás e não podes mais correr. Acho que é seu fim!

Eu já estava perto da primeira, com os dois machados em mãos, girando meu golpe duplo em direção da cabeça da que estava mais próxima.

- Quem sabe quando eu te devorar, eu possa ficar com sua bel...

- Opa, o que estavas falando? Parece que tem um machado saindo pela boca!

Eu havia cortado completamente a parte de cima da cabeça dela com meu golpe. Sangue verde voou para todo lado, a cabeça dela saiu voando para longe, e o corpo começou a se dissolver em peles de cobra, com um cheiro horrível de peçonha.

- Acho que nem devorando Vênus vocês vão ficar mais bonitas!

- Seu bastardo, o que você fez, matou minha irmã, seu maldito

- Ops, foi mal! - falei fingindo uma cara de arrependimento.

Me coloquei em posição de batalha. Eu já havia feito minha estratégia, pelo o que eu sabia, já estava preparado. Ela jogou a rede, me desviei girando para um lado, ela já esperava isso, e lançou um ataque reto com o tridente, porém eu já esperava esse movimento e desvie o tridente para cima com meus machados e fui escorregando de joelhos, porém ela me deu uma rabada ou chute, sei lá com uma das duas caldas ou pernas, sei lá de novo, e me mandou para longe. Bati com tudo numa árvore. Essa eu não esperava, mesmo. Me levando com dificuldade, e me esquivo por pouco de um golpe de tridente, rasgando a manga do meu casaco no processo. Ela lança a rede, mas desvio num rolamento. E com mais outro eu consigo ir para suas costas. Recuo para perto de uma árvore, entrando na floresta novamente e ela vem atrás boleando, mas algo a incomodava, e ela não parecia ser tão rápida quanto diziam. Era o frio, o frio estava atrapalhando ela. Tinha que usar como vantagem, mas tinha que pensar como.

Porém a mulher-dragão não me dava chance, atacava muito rápido, não me dava tempo para pensar ou para um contra- ataque. Ela me acertou novamente no peito e me mandou voando, creio que fraturei algumas costelas. O machado – canivete caiu da minha mão enquanto eu voava. Agora só estava com Ignis. Ela me atacou com o tridente, tentei desviar, mas quase não consigo, um corte na minha coxa foi feito, não muito profundo, mas o suficiente para eu perder a força na perna. Porém quando ela jogou a rede, a mesma prendeu em alguns galhos. Ela puxava a rede com tudo mas essa ação só piorava a situação, pois enrolava ainda mais a rede. Eu consegui me levantar, e corri pra cima dela, eu estava muito mais devagar. Mesmo assim, ainda era uma ameaça. A dracaenea tentou me acertar com o tridente, desviei, e me aproximei de seu outro braço, com machado pronto. Ela tentou puxar a mão, mas já estava engatada na rede. O som do machado descendo se fez ouvir em toda a clareira, assim como o som de cortar carne, e em seguida o grito agudo da mulher-dragão.

Um jato de sangue verde pintou a árvore, e eu pude reparar que devia ser um pouco ácido pois a árvores soltava um pouco de fumaça. Ela partiu pra cima de mim enlouquecida, mas não conseguiu me acertar, acho que a dor estava a deixando fora de controle, porém eu também não conseguia chegar perto para lhe matar, pois ela estava realmente atacando com tudo, só podia desviar. Continuei fugindo, até a gente chegar a beira da clareira, a menina passava neve em sua perna, eu não sabia para que, mas vi que o sangramento estava parando. Eu já estava cansando e morrendo de dores, minha perna gritava por ajuda, eu não sabia se poderia continuar por muito mais tempo, teria que matar ela, ou eu ia morrer. Ela veio para cima novamente e usei todas as minhas forças para esquivar de tudo, foi um ataque feroz e obstinado.

Me joguei para trás e encostei a costa numa árvore com força. Fiz de tudo para não gritar com a dor que eu senti no impacto. Fiquei lá parado, não podia mais fugir, não tinha nada de força, minha vista começou a querer escurecer, não sabia mais o que fazer. Mas me mantive numa pose de ataque, como se eu tivesse só esperando, brincando com ela. Vi nos olhos dela que ela pretendia me atacar, mas acho que estava cautelosa, pois em um movimento assim tinha perdido a mão. Ela olhou profundamente para mim, e depois para a menina, algo brilhou nos seus olhos. Pensei que ela fugiria, que o plano não tinha dado certo e ela iria embora, mas estava enganado.  

O braço dela se moveu rápido, como um raio, e lançou o tridente em direção a menina, eu não teria tempo de gritar e a menina desviar. Nem sei se poderia me jogar na frente, não tinha forças para nada. Eu iria ver a menina linda morrer na minha frente, eu ia perde-la assim. Então uma força rompeu no meu interior, algo como uma pequena chama, mas era o suficiente. Usei toda a minha força e lancei Ignis no tridente. Com aquele impulso e minha força naquele momento, o machado voou com tudo e acertou o tridente no meio, o quebrando e jogando para longe. Ignis se cravou numa árvore, no outro lado da clareira. A chama se apagou, me deixando ainda mais exausto, e agora desarmado.  

O movimento fez a garota notar as coisas ao redor e começar a se mexer. Pelo menos eu consegui salvar ela, e aquilo me deixou muito feliz. Muito feliz mesmo. Eu não conseguia explicar. Eu olhei em seus olhos e vi seu brilho, ela também estava olhando para mim. Eu estava ensaiando um sorriso quando senti uma dor enorme no meio tórax, a dracaenae maldita havia me agarrado e estava me esmagando, eu não tinha forças, mas tentava lutar contra, era muito forte, sentia que meus ossos iam quebrar a qualquer momento. Ouvi um estalo e senti que mais umas costelas minhas estavam quebrando, e um pouco de sangue apareceu em minha boca, eu realmente iria morrer. Então eu ouvi algo cortando o vento e depois um baque, de algo acertando a carne, o aperto da mulher-dragão foi afrouxando aos poucos, com ela gritando e tentando alcançar as costas. Ela me soltou e fui rolando no chão. Pude ver as facas de gelo cravadas na sua costa, e olhando mais ao longe a menina com o arco preparando duas flechas de gelo também.

A dor que eu sentia me ajudou a me manter acordado e alerta, mas ainda sim estava esgotado. A única coisa que eu pude fazer foi puxar minha adaga de Bronze Celestial, que estava em sua bainha na minha costa, que eu juro pelos deuses que havia esquecido que estava lá, eu me sento e a seguro com as duas mãos, morrendo de dor. O assobio das flechas cortando o ar foi alto. Elas atingiram a base da coluna e uma das pernas da dracaenae. Outro grito de dor, e ela só caiu para frente, por azar para cima de mim, sem poder mexer a parte de baixo do corpo, usei toda a minha força para levantar um pouco a adaga e sustentar. Quando ela caiu em cima de mim, a adaga entrou com tudo em sua barriga, e o Bronze Celestial fez seu trabalho, mas antes dela morrer, ela teve sua vingança e cravou as presas dela em meu ombro. Uma dor lancinante explodiu em parte do meu corpo, eu pude sentir o veneno queimando aos poucos em minhas veias. Ela se desfez em peles mortas e o cheiro de peçonha como a outra, mas deixou um pedaço grande de pele com escamas verdes para trás.

Minha consciência estava num limiar, o abraço frio da morte chegava cada vez mais perto, mas eu ainda consegui ficar acordado o suficiente para ver a menina chegar mancando perto de mim, com algumas lágrimas escorrendo de seus lindos olhos, e eu balbuciar sobre meu acampamento que estava perto, ao norte e remédios nas minhas coisas. Queria pelo menos que ela cuidasse do ferimento na perna dela, isso poderia ser fatal, e eu não queria que ela morresse. Ela falou alguma coisa que eu já não podia escutar. Eu sorri para ela e  fui sugado pela escuridão.

Quando abri os meus olhos vi uma luz forte e o contorno de uma mulher, ela brilhava com cristais de gelo ao redor, era linda, seus olhos azuis me enfeitiçavam, era um anjo de gelo, certeza. Eu senti o gosto de assado de carne que minha mãe fazia, era muito bom, o cheiro e o sabor preenchiam todo me corpo. Eu estava no céu.

- Ei, acorda por favor – uma voz melodiosa e chorosa estava falando - Por favor, eu não posso te ver morrer depois de tudo. Por favor acorde.

Era uma voz doce, totalmente angelical. Era divina. Queria enxergar direito e ver céu e seus anjos. Gotas geladas caíram em meu rosto, e eu comecei a piscar. A luz foi se dissipando, e eu pude ver com clareza. A dona da voz era a mesma menina que eu vi na clareira, os mesmo olhos azuis brilhantes, a mesma pele alva, a mesma beleza hipnotizante. Ela estava ajoelhada ao meu lado, com um pedaço de ambrósia na mão. Ela era realmente linda.

- Nós dois morremos? Merda! - Eu falei confuso ainda, e um pouco triste, minha cabeça zunia muito - Eu queria ter te salvado!

- Ninguém morreu aqui seu idiota!

- Hã? Como assim? Jurei que estava no céu e você era o meu anjo! Que a gente ia fazer várias coisas legais, tava até feliz com isso! - eu disse com um sorrisinho abrindo em meu rosto.

Minha resposta foi um tapa forte e uma exclamação indignada. Realmente não tinha morrido, e minha cabeça voltou ao lugar.

- SEU IDIOTA!  

O grito dela explodiu o silêncio com tudo e senti ela se afastando aos poucos. Me levantei com tudo, mas acho que era cedo e foi rápido demais para eu fazer algo assim. Minha vista escureceu novamente, sem falar da dor explosiva que senti em meu tórax. Deitei com tudo, com um grito abafado de dor. A garota voltou para o meu lado rapidamente, tocando em minhas costelas com leveza, e um frio se espalhou por elas, acalmando a dor.

- Idiota

- Você só sabe falar isso?

- A culpa não é minha se você é um idiota, eu só falo o que vejo!

A voz dela era realmente linda, afinada e harmônica como cristais de neve. Ela tirou as mãos , a dor tinha diminuído consideravelmente, tentei me levantar lentamente. Ela me ajudou e apoiou minha costa numa árvore. Agora que fui reparar que estávamos na minha clareira, parte das minhas coisas estavam espalhadas pelo chão, e minha mochila revirada. Mas agora eu entendi o porque dela tá com néctar e ambrósia. Eu lembrei que disse para ela onde encontrar a clareira. Mas não entendi o que eu estava fazendo lá.

- Mas me explica o que aconteceu! Por favor.

- Bem depois que você desmaiou, eu consegui lhe arrastar até aqui, mas você estava muito mal. Eu não sei medicina, mas sei um pouco de primeiros socorros para saber que tinhas umas costelas quebradas, algumas outras feridas e sem falar no veneno daquela maldita se espalhando pelo corpo. Cheguei aqui e procurei os remédios e por sorte encontrei teu néctar e tua ambrósia, te dei quase todo o resto do néctar, e uns pedaços da ambrósia, e o veneno foi sumindo, mas o resto dos ferimentos não. Fiquei com medo de te dar mais, pois estavas muito quente já, usei um pouco dos meus poderes para lhe esfriar, mas como você não acordava, ia te dar mais. Então você acordou e bem, agora estamos aqui.

- Eu lhe agradeço por salvar minha vida, eu jurei que estava morto quando fechei os olhos lá. Muito obrigado mesmo.

- De nada, você me salvou antes, você lutou muito bem contra elas, eu não tinha mais como lutar. E você quase morreu por isso. Vou ser eternamente grata por isso. - Ela abriu um lindo sorriso para mim. - Ah, outra coisa, isso caiu estava em cima de você, é a pele dela, acho que é seu espólio.  

Ela disse pegando um pedaço de cerca de 1 metro² de pele de cobra, com escamas verdes um pouco brilhantes. O material parecia bem mais resistente que um pele comum e um pouco mais elástica. Observei mais um pouco e olhei para a garota linda.

- Obrigado, por tudo até agora. E a propósito, meu nome é Beorn Jarbeorn, filho de Vulcano.

- Eu também agradeço por tudo até agora. Eu sou Julia Volpeghiaccio, filha de Quione. Prazer em conhece-lo.

- O prazer é todo meu! Ei e sua perna, tava ferida, e sangrando muito!

- Ah, tá tudo bem, a neve vai me curando aos poucos - ela disse escondendo a perna ferida.

Eu peguei suas mãos e a parei, fui me aproximando aos poucos, peguei sua perna e puxei calmamente, ela fez um pouco de resistência, mas olhei nos seus olhos e por fim ela deixou e puxar a perna e ver. O corte parecia bem pior do que estava da ultima vez, mas mesmo assim era uma enorme ferida de garra, que abria a panturrilha dela de cima a baixo. Estava realmente muito feio. Peguei o resto de néctar e ambrósia, dei a ambrósia para ela comer, e comecei a jogar o  resto do néctar na perna dela, só tinha um pouco, mas foi o suficiente para começar a fechar. Ela ainda segurava a ambrósia, a olhei e disse:

- Come logo, para fechar antes que infeccione!

- Mas e você? Está bem pior que eu, precisa mais!

- Eu estou no meu limite de tolerância, e querendo ou não, já tá fazendo efeito, só que vai demorar mais pra mim, ele cuidou primeiro das costelas e do veneno, o resto vai seguir um ritmo só um pouco mais acelerado que o normal, mas vai curar. Come logo, precisas desses músculos.   - ela comeu e eu sorri para ela - Muito bem, agora é hora dos curativos.

Fui até minha mochila e vasculhei minhas coisas, encontrei meu kit de primeiros socorros, dado por minha mãe e pelo Bors. Voltei até a Julia, nome lindo, e voltei a examinar sua perna. Já estava bem evidente que o corte estava se fechando, mas mesmo assim passei um pouco de álcool e enfaixei, por via das dúvidas. Depois fui cuidar dos meus. Tirei minha camisa e vi que meu tronco tava em várias tonalidades de roxo, verde e amarelo. A área das minhas costelas estavam tomadas por um enorme placa roxa doíam um pouco, mas fazendo um exame melhor, sabia que não estavam mas tão quebradas, estavam só um pouco trincadas, pela dor que ainda sentia. A mordida no meu ombro era bem feia, mas estava normal, tipo só uma mordida, sem nada infeccionado ou verde assim. Minhas pernas e braços tinha cortes de todos os tamanhos, mas nada muito anormal, somente um corte na perna que tava bem fundo, mas não sangrava mais. Pedi ajuda a Julia para enfaixar meu tórax e limpar meu ombro. Fiz todo o curativo, e tomei um remédio para dor que tinha. A única coisa que eu tive trabalho foi limpar e suturar o corte na perna, pois não sabia se ia curar tão rápido assim. Ia ter que ir devagar nos próximos dias. Bem em resumo, foi bom eu ter passado tantos verões no hospital com o vovô, e também ter me machucado tanto.

Depois disso tudo nós estávamos morrendo de fome, fizemos uma fogueira e esquentamos minhas comidas enlatadas, eu não tinha muito mais, mas acho que era o suficiente para duas pessoas por uns 2 dias, ia ter que comprar mais, eu tinha cerca de 40 pratas, ia ter que me virar. Depois de comer, arrumamos minhas coisas e fomos atrás das minhas armas, e a senhorita Julia foi atrás das suas coisas, que estava jogadas em alguma área por ali. Encontramos o canivete mágico e Ignis e mais alguns metros a dentro, encontramos uma mochila azul com as coisas dela. Ela não tinha muitas coisas, mas dava para sobreviver por mais um tempo, que bom que nos encontramos. Conversamos um pouco durante o caminho e soube que ela também estava indo pro Acampamento Júpiter sob ordem de sua mãe, e de seu pai, que era um ex-legionário, como minha mãe e Bors. Ele havia a treinado um básico e depois a mandou seguir seu próprio caminho, me pareceu cruel, mas acho que era natural e necessário para nós. Decidimos seguir juntos, não falei nada sobre a conspiração das armas, que meu pai havia me encarregado, mas disse que possivelmente teriamos alguns inimigos atrás de nós.

Chegamos até minha tenda/manta térmica, e ajeitamos o espaço para nós dois, ia ser estranho, mas era necessário. Ela tinha seu saco de dormir, então não teria problema. Ajeitamos a manta para ficar mais baixa, porém mais larga, e usando o poder dela, cobrimos tudo com neve, camuflando mais a tenda improvisada. Estávamos muito cansados para tentar ficar de vigia, só caímos e dormimos. Devo dizer que quando minha adrenalina passou, aquele medo voltou para mim, eu estava me esforçando ao máximo para não ceder, não ficar paranoico, mas estava cada vez mais difícil, minha cabeça já estava minada pelo medo. O problema é que quando durmo não tinha como controlar isso.

O pesadelo veio de novo com uma floresta escura, com árvores retorcidas e uma luz vermelha sinistra de fundo. Rosnados e uivos eram presentes, como sempre, só que dessa vez estavam mais perto. Não era algo que eu tinha medo, sinceramente, cresci com uivos de lobos na floresta e até já fiquei frente a frente com alguns na Islândia, mas por algum motivo aqui me enchia tanto de medo, que era inexplicável para mim. Aquilo me suprimia e me deixava numa situação que não sabia o que fazer. Só ficava lá ajoelhado, no meio da floresta. Aqui não era eu, não era meu medo, não podia ser. Então do nada senti uma brisa fria passar e aquilo foi se acalmando aos poucos, tinha forças para lutar novamente e então consegui acordar. Levantei, totalmente molhado de suor e com o ritmo cardíaco acelerado. Julia segurava minha mão , mas ela estava de olhos fechados, fingindo dormir. Não a acordei, mas apertei a mão dela de leve, agradecendo. Me acalmei e voltei a dormir, e dessa vez sem pesadelos.


Última edição por Beorn Jarbeorn em Sex Jun 23, 2017 3:01 pm, editado 3 vez(es)


As vezes não existe nada pior que uma lua flamejante.

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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Beorn Jarbeorn em Qui Jun 22, 2017 10:06 pm

Capítulo 5 - Sabe aqueles momentos da vida que tudo dá certo e depois o errado vem com como um trator enorme te esmagando? Pois é, eu sei!



A gente ficou naquela clareira por mais 2 dias, e graças aos deuses nada de mais aconteceu. Eu e Julia não falamos nada sobre o ocorrido naquela noite, mas ela sempre me dava a mão para dormir, por mais que fosse de uma maneira tímida e contida. Eu a agradecia com meus gestos, do jeito que eu podia. Depois desses dois dias a perna dela sarou bem, e meus ferimentos estavam muito melhores também.

Decidimos seguir um caminho perto da estrada principal e evitar florestas, mas primeiro tínhamos que fazer umas compras e parar em algum lugar para pelo menos tomar um banho. Julia tinha 100  dólares que juntando com os meus 40, deu para comprar mais comida e ainda pagar uma noite num motel na beira da rodovia. Foi bom tomar banho, comer algo bom e dormir numa cama macia. O quarto tinha duas camas de solteiro e tv, foi o suficiente para passar uma boa noite. Dessa vez o medo não foi tão forte, acho que ele dependia da floresta ou algo assim, mas foi bom dormir de mãos dadas com a Julia de novo.  

Já estávamos na fronteira do Missouri com o Kansas, atravessamos a fronteira e algo apitou na minha cabeça, uma direção a seguir. A direção nos levava até um ferro velho, bem grande por sinal, com montanhas e montanhas de sucata, fomos entrando aos poucos, eu com o canivete na mão e a Julia com sua presilha/arco de gelo. Eu ouvi um barulho de maquina, metal batendo em metal e uma voz grave xingando e resmungando. Seguimos os barulhos e chegamos até um senhor tentando reparar um guindaste de imã. Guardamos as armas, mas ainda estávamos atentos. Fui me aproximando e falei:

- Hum, olá, desculpe entrar assim, mas o senhor precisa de ajuda?

O homem se assustou e saiu rapidamente do guindaste, meio sujo de ferrugem e graxa. Ele tinha uma aparência envelhecida, mas não devia ser muito velho. Ele tinha uma barba marrom com alguns fios prata, assim como o cabelo. Seu corpo era forte e grande, mas não totalmente definido. Ele usava uma camisa xadrez vermelha, jeans, botas, e um cinto de ferramentas.

- Oh, olá garotos! Bem vindos ao Ferro velho do Mac, agora ferro velho do Carl. Eu sou o Carl. Eu preciso, não sei consertar essa porcaria aqui e eu preciso muito dela agora. - ele chuta o guindaste - Mas o que vocês fazem por aqui, jovens?

- Nós perdemos nosso ônibus de excursão na cidade da fronteira, agora temos que ir andando até a próxima cidade razoável para conseguir tirar dinheiro e pagar outro.

Julia falou com uma convicção e um rosto tão tranquilo que até eu acreditei. O cara chamado Carl, olhou para gente, pensei que ele tinha sacado que era mentira, até que ele abriu um sorriso e disse.

- Poxa meus jovens, queria poder ajudar vocês, mas já gastei todo o meu dinheiro para comprar isso tudo aqui no leilão. Por isso preciso dessa maquina funcionando, para poder começar a ganhar mais. Mas o antigo dono, o Mac, é um pilantra sem vergonha, ele não aceitou perder esse lugar, mas a culpa é dele por não pagar os impostos. Mas mesmo assim, ele quebrou as máquina para ninguém usar, ou gastar todo o dinheiro concertando isso. - Ele disse com um pouco de raiva e cuspiu no chão.

- Se o senhor quiser, posso dar uma olhada nisso. Sou formado em engenharia.

- Mesmo garoto? Me pareces muito jovem para isso!

- Sou formado no M.I.T!

- Bem garoto, se estas dizendo, bora ver se consegues mesmo. Se você conseguir, dou um jeito de ajudar vocês.

- Pode deixar comigo, só preciso das ferramentas.

Ele deixou o cinto de ferramentas comigo, além do resto que ele tinha e foi ver algo dentro do escritório. Julia ficou me observando, enquanto eu encostava na máquina e entendia e sentia ela aos poucos. Ela estava com três problemas, um no motor, outro na comunicação e o ultimo no sistema de comunicação e energia do imã. Comecei a fazer os reparos, era fáceis, só demorados e delicados, mas depois de algumas horas consegui terminar e tudo voltou a funcionar perfeitamente. Era cerca de 13 h e eu nem tinha notado. Carl nos trouxe alguns sanduíches e limonada para o almoço. Julia e ele já estavam comendo. Fui limpar um pouco o rosto e os braços, para comer também, pois eu estava totalmente imundo. Quando estava no banheiro, senti algo estranho e vi umas sombras se movimentando do lado de fora, tentei olhar direito, mas não tinha nada. Devia ser minha mente medrosa pregando peças logo cedo.  

Almoçamos e ficamos conversando, Carl nos agradeceu e muito pela ajuda, e eu ofereci para concertar mais qualquer coisa necessária. Ele ficou ainda mais feliz e ofereceu umas motos velha que tinham lá, que estavam num estado bom, só com alguns problemas, mas se eu quisesse concertar, seriam nossas. Agradecemos a ele, e ele me mostrou mais umas 5 maquinas que precisavam de reparo. Comecei a reparar, e até o fim da tarde 3 já estavam boas. Depois ele mostrou as motos, avaliei o estado delas, e vi que só ia dar pra uma ficar boa para nós dois. Comecei a fazer os reparos, mas ia demorar um pouco. Carl ofereceu para nos levar para casa dele, na cidadezinha ao lado, mas recusamos, por segurança dele. Ele nos deu acesso ao escritório para dormir, e deixou um pouco de comida.  

Já tinha anoitecido e eu tinha acendido uma fogueira do lado de fora, para ficarmos um pouco lá, e ir consertando a moto.  Por mais que eu não tivesse problema nenhum em ver no escuro, resolvi para depois de um tempinho para ficar com a Julia. Arrumei as ferramentas, peças e a moto e fui tomar um banho para tirar toda a sujeira do corpo. Depois disso eu voltei e sentei ao lado dela, que estava assando umas salsichas que o Carl havia deixado.

- E ai, como vai as coisas?

- Amanhã eu termino a moto, só vai dar pra um mesmo, vamos ter que ir juntos.

- Eu não vejo nenhum problema com isso! - ela disse um pouco baixo, eu fingi não ouvir, mas um sorriso nasceu nos meus lábios - Você trabalha bem rápido com isso. E com as máquina, fomos salvos por tuas habilidades.

- Obrigado! Mas isso é mais algo natural, de Vulcano, então nem sei se é totalmente meu mérito.

- Bem, eu vejo suas mãos sujando e concertando, então para mim, é seu mérito. - Ela abriu um sorriso lindo.

- Obrigado, e obrigado por ficar comigo toda noite, tem me ajudado muito, de verdade.

- Tuas noites são difíceis pelo visto. O que é? Algum trauma do passado? Pode me contar?

- Eu não faço ideia do que seja, não é uma trauma, só vem esse medo e fico sonhando com florestas e uivos, não sei explicar. Mas o medo não vem disso, ele só vem, um medo, sem nenhuma explicação, só é medo.

- Entendi. Olha sei que é novo no mundo dos semideuses, mas pelo visto alguém pode está brincando contigo, ou ter te amaldiçoado. E quando digo alguém, quero dizer um alguém divino.

- Mas porque? Nunca fiz nada para ninguém, ninguém nem falou comigo, sou novo aqui, como você mesma disse!

- Não sei, pode ser uma desavença com o seu pai, ou com sua mãe, já que ela também era uma semideusa. Ou alguém realmente não gostou de ti. Soube que Vênus é mulher do seu pai, e por mais que ela traia ele a torto e a direito, talvez não goste de ver um semideus dele.

- Só me faltava essa, ser jogado no meio das mesquinharias divinas e me ferrar por isso.- Suspirei bem pesado. Me concentrei no fogo e fiz o fogo aumentar nas minha salsichas que estavam cozinhando. - Gosto das minhas um pouco tostadas.

Ficamos comendo e conversando, falando um sobre o outro, rindo, tendo momentos sérios e alguns momentos com trocas intensas de olhares e sorrisos envergonhados. Já estávamos sentados um pouco mais próximos e perto da fogueira, quando ouvimos um barulho. Pegamos discretamente nossas armas e deixamos a postos, escondidas. Então vemos uma sombra se aproximar.

- Olá Jovens, eu voltei, não queria deixar vocês só assim. - Era Carl, usando a mesma roupa e trazia umas sacolas. Ele abriu um grande sorriso para gente - Trouxe um pouco mais de comida!

Ele colocou as sacolas no chão e se sentou à nossa frente. Ele colocou as mãos no bolso e continuou sorrindo amigavelmente. Mas tinha algo estranho, o sorriso dele passava um certo nervosismos, e ele suava um pouco, e o clima tava bem frio, a única que não se incomodava era Julia, mas não era um clima para suor. Será que ele ouviu nossa conversa agora pouco, ou percebeu o clima agora? Não sei, mas meus sentidos diziam que algo estava bem estranho.

- Oh Carl, obrigada, não precisava se preocupar assim conosco. E sua mulher? Ela não ficou chateada por você voltar aqui agora?

Ela sorriu para ele e olhou para mim, vi que ela também estava alerta, também tinha sentido algo estranho.

- Não não, na verdade ela me brigou por deixar vocês aqui assim, e com só o pouco de comida que tinha. Ela que arrumou mais comida para eu trazer, está agradecida pelo o que estão fazendo por nós aqui.

- Que isso, não é nada de mais, você está nos ajudando muito mais!

- Então jovens, o que vão fazer depois daqui?

- Ainda não sabemos ao certo, só vamos seguir!

- Sim, sem nada muito precipitado!

Acho que dessa vez eu tenho que agradecer a paranoia que o medo dava, porque eu estava atento em tudo ao meu redor, todos os barulhos, movimentos, tudo. Graças a isso eu ouvi os barulhos atrás de nós, e pude perceber o brilho amarelo nos olhos de Carl. "Copiadores, e estamos cercados, tenho que pensar rápido".  Fingi estalar o pescoço para olhar ao redor, vi uma placa de metal um pouco atrás de nós, e um pedaço de ferro um pouco a frente do meu pé. Eu só tinha que esperar o movimento deles.  

Não foi preciso muito, pois em segundos, o copiador que estava atrás de nós se mostrou, ele era um policial, com a arma em punho. Rapidamente me levantei fazendo dois movimentos, chutei o pedaço de ferro na fogueira, fazendo brasas e faíscas irem para cima do falso Carl, o atrapalhando. Ao mesmo tempo que usava meus poderes para puxar a placa de metal. Os tiros ressoaram no metal, protegendo Julia, que graças aos deuses foi rápida o suficiente e sacou seu arco atirando com tudo para cima do falso Carl, três flecha pegaram nele, o jogando para trás. O outro veio com tudo para cima, mas eu já estava com Ignis e o machado-canivete em punhos. Ele voltou a atirar, e eu desviei o melhor que eu pude, mas alguns tiros ainda pegaram de raspão e um acertou em cheio meu ombro. Eu gritei alto e algumas pedrinhas voaram do chão e acertaram a cara do falso policial, atrapalhando sua mira, em seguida, bati meu pé no solo e pregos surgiram debaixo do pé dele, fazendo ele pular, gritando de dor. Ele voltou a sua forma verdadeira, uma criatura esquia, alta, cinza e com olhos amarelos com pupilas em fenda. O Doppelganger olhou para mim com fúria e jogou um pedaço de ferro em minha direção, não era muito pesado, mas me jogou no chão, ele vinha para cima de mim quando ouvimos um grito.

- Agros, me ajude por favor, eu estou congelando!

Nós dois olhamos em direção a voz, e lá estava o outro copiador, com 5 flechas de gelo de Julia cravadas em seu peito, e aos poucos sua pele estava sendo coberta por uma camada de gelo. A mesma estava já com seu arco apontando para o meu oponente, com uma flecha encaixado, porém a única coisa que ele via era o seu aliado caído no chão.

- ANGUST,NÃO!

O corpo do Angust ficou totalmente congelado, ele não falava, nem se mexia. A ira nos olhos de Agros foi palpável no ar. Nessa hora eu já estava de pé, e ele partiu para cima de mim, atirando, mas o nervosismo dele fazia as balas erarem em muito a gente. Quando acabou as balas, ele jogou a arma longe e partiu pra cima aos socos e pontapés, mas aquilo era mais perigoso para nós, porque pelas marcas e moças que ele fazia pelas coisas no caminho, ele era bem mais forte que nós. Fomos nos afastando aos poucos, fugindo dos seus golpes, tentando ver alguma brecha para atacar, mas estava difícil, a fúria o havia transformado numa máquina de destruição.

Em um momento, ele pegou um pedaço de sucata e lançou com toda a força em cima de Julia, ela desviou por pouco só dano total, mas ainda sim um corte foi feito na sua testa e ela caiu para trás com a força mínima do impacto. Se aquilo tivesse pegado em cheio, ela teria morrido na hora. E naquele momento eu fiquei muito enfurecido, eu não entendi de onde veio tanta fúria ou o porquê de ser assim, mas pensar nela morta foi demais para mim. O medo que eu sentia foi transformado em combustível para minha raiva, eu parti para cima do coisa cinzenta como um berserk, tentando acerta-lo com meus machados. Nossa batalha estava equilibrada, mas eu provavelmente ia levar a pior no final. Eu era forte, mas ele era um pouco mais. Meus corte eram um pouco profundos e ele já tinha alguns. Mas seus socos também eram fortes, e eu já estava sentindo meus ossos trincando baixo a eles. Eu não ia aguentar muito mais, mas não podia deixar ele impune depois de fazer aquilo com Julia.

Aos poucos fui recobrando minha calma e comecei a lutar melhor. Encaixava melhor meus golpes e desviava melhor os dele, mas eu já estava lento com as dores que eu sentia. Fiz uma finta e tentei encaixar um golpe final nele, e consegui, abri um corte duplo no peito dele, não muito fundo, mas grande o suficiente, e muito sangue preto começou a verter de lá. Mas ele também conseguiu acertar um golpe forte na minha cabeça. Fiquei tonto na hora e cambaleei para trás, com sangue começando a sair do meu supercilio e caindo no meus olhos. Ele não sentiu o golpe tanto quanto eu, pois logo ele estava vindo com os punhos prontos, quando duas flechas de gelo acertaram seu ombro e um acertou sua coxa. Aquilo pareceu acordar ele, fazendo-o recuar. O local onde as flechas tinha acertado tinham começado a congelar, como foi com Angust. Ele quebrou as flechas, mas o congelamento ainda continuava.  

- Isso não acabou, eu vou matar, vou estraçalhar vocês por terem matado meu filhote. Vocês estão marcados, crias de deuses!

Ao falar isso, ele se virou e saiu correndo, mancando, mas ainda com uma velocidade impressionante. E ele sumiu na noite. Respirei fundo, e pude ouvir Julia fazendo o mesmo. Ela veio se aproximando de mim, e me abraçou.

- Eu pensei que irias morrer agora! - Ela disse como a cabeça enterrada no meu peito - Seu idiota!

- Eu também pensei que ias morrer,  não pude perdoar isso.

- Idiota! Você não pode morrer assim! - ela apertou um pouco no abraço e eu gemi de dor. - Meus deuses, desculpe, estas todo ferido. Bora, vamos cuidar logo disso. - ela começou a me puxar para o escritório de Carl.

- Olha quem fala, também estás toda ferida. Também vou cuidar de ti. Também não podes morrer!

Entramos no escritório, nossas mochilas estavam lá, e começamos a reunir nossas coisas de primeiros socorros, e também pegamos as coisas que Carl tinha lá. Depois de uma briga rápida, cuidei primeiro dela, graças aos deuses ela só tinha aquele corte na testa, não se feriu mais. Limpei, passei uma pomada para baques e fiz um curativo. Em seguida foi minha vez, tirei minha camisa, e eu tinha uma pequena coleção de roxidões, alguns ferimentos nas costelas e no braço direito, onde as balas tinha pego de raspão e a bala que estava cravada no meu ombro. Julia olhou para aquilo com um rosto preocupado, e um pouco choroso, mas começou a cuidar de mim. Passou pomadas para baques nos roxos, limpou e cobriu os raspões e fez o mesmo com o ferimento no supercílio. O mais demorado foi cuidar do tiro no ombro. Pegamos uma pinça e esquentamos, ela limpou todo o ferimento ao redor e esfriou aquela área para ficar dormente. Então eu disse para ela usar a pinça quente ainda, que não tinha problema, e não tinha mesmo, quase nem senti a temperatura. Ela tirou a bala, e terminou de fazer a limpeza. Eu a orientei a cauterizar o local, pois o calor não ia me fazer mal, então ela o fez e começou a fazer o curativo.

- Acho que sempre vou ter que ficar fazendo curativo em ti, seu idiota!

- Sempre?

- Sim, sempre! - ela disse levantando a cabeça, com o rosto bem em frente ao meu.

Eu a puxei pelo pescoço e comecei a beija-la, e o beijo me foi correspondido com um aumento na intensidade. Fomos nos deitando no sofá enquanto peças de roupas saiam voando pelo local. As caricias foram intensificando, pegadas, gemidos. O corpo frio dela, contrastava com o meu calor. E bem, a noite foi boa, muito boa, a melhor da minha vida.  

Acordamos no outro dia deitados seminus no chão, logo corremos para nos vestir e arrumar as coisas antes que Carl chegasse, mas quando olhamos no relógio ainda eram 7:00 e ele só chegaria as 9:00 horas. Respiramos um pouco, e terminamos de arrumar com calma, depois tomamos um banho juntos e nos vestimos. Aqueles doppelgangers tinham mesmo trazido comida, e Julia foi logo arrumar na nossa mochila, já que Carl iria trazer algo para nós. Eu fui organizar o cenário da batalha de ontem. Agros tinha se desfeito em pedaços de gelo, que estavam derretendo. Só varri para longe dali, e deixei num lugar que iam derreter e sumir. O resto só tirei os pedaços de metal que estavam pelo chão e joguei nas pilhas de sucata. Depois disso comecei a concertar o resto das maquinas, e quando Carl chegou com café da manhã e algumas compras.

- Bom dia jovens! Pelo visto começaram cedo! A noite foi boa? Trouxe café da manhã e um pouco de comida para você.

- Obrigado Carl, estamos morrendo de fome, e foi tudo tranquilo sim

- Bom dia Carl, só falta uma agora. A noite foi tranquila sim.

Ele sorriu para gente e piscou com uma cara de quem sabia das coisas, e foi arrumar a mesa para o café. Nós nos olhamos um pouco vermelhos e sorrimos, depois Julia me deu um selinho e foi ajudar Carl, enquanto eu fui me limpar. Tomamos um bom café da manhã, a mulher de Carl tinha mandando uma boa quantidade de comida em agradecimento. Ficamos alertas, pois foram as mesma palavras do Angust se passando pelo Carl, mas dessa vez estava tudo bem. Terminamos o café e eu fui terminar a última máquina, com Julia me ajudando. Carl já começou a trabalhar de novo, aproveitando que tudo estava funcionando. Quando deu meio dia, eu tinha terminado tudo, todas as máquinas o ferro velho estavam em pleno funcionamento. Fomos almoçar e Carl ficou no agradecendo toda a hora pela ajuda.

Passei a tarde terminando de ajeitar a moto, lá pelas 17h, ela estava funcionando plenamente. A moto não era nova, mas ia servir muito bem. Era uma Suzuki, agora bem customizada. Arrumamos nossas coisas, agora estávamos bem equipados para o resto do caminho talvez, se tudo desse certo. Carl encheu nosso tanque, e nos deu mais um galão, eu tinha ajeitado o motor para ser econômico, então ia dá para ir longe. Tomamos banho e nos vestimos para viagem, Julia tinha cismado em ficar com uma camisa xadrez minha, então era dela. Nos despedimos de Carl, agradecemos por tudo, ele também e seguimos viagem com o sol se pondo no horizonte.

Demoramos cerca de 1 semana e meia para atravessar o Kansas e o Colorado. Nesse meio tempo só tivemos problemas com um Cão Infernal, mas matamos ele facilmente. Também paramos em algumas cidades para arranjar algum serviço e consegui uma grana. Trabalhar em oficinas era fácil para mim, e eu sempre conseguia fazer um bom serviço e rápido. Em algumas cidades, ele tinham costume de caçar e nisso Julia se destacava com louvor. Arrecadamos 300 dólares, porém gastamos cerca de 200 com gasolina e estadias. Levamos mais alguns dias para atravessar Utah, e finalmente chegamos em Nevada. Só mais um estado e chegaríamos no Acampamento. Se estivéssemos usando as estradas principais, já teríamos chegado lá, mas era complicado demais isso, era mais perigoso de encontrar algo. Então com a ajuda do GPS de Bors seguíamos por estradas laterais e mais escondidas.

Essas semanas com Julia foram perfeitas, nos entendíamos e éramos certos um para o outro. Ela era demais. Estava pensando em pedir a mão dela assim que nos ajustássemos por lá e tudo tivesse bem, porque eu tinha certeza que era ela.

Logo depois de passar a fronteira de Nevada, a moto começou a apresentar umas falhas. Algumas peças estava desgastadas, coisa que eu já esperava, pois era uma moto com peças velhas. Fiquei pensando ia atrás de peças novas agora, mas nossos recursos eram poucos. Então fiz uma busca no GPS por ferros velhos pela região. Ele apontou um numa cidadezinha 100 km a noroeste, fiz um reparo para chegar lá. Andar na neve não era problema com a Julia do meu lado. Ela sempre via o melhor caminho e a moto nunca teve nenhum problema quanto a isso. E isso era a melhor coisa, já que o inverno estava chegando no seu auge, espero chegar na Califórnia antes de ele chegar de fato, porque quando o inverno chega, as coisas ficam pretas.
 
Chegamos nesse ferro velho no meio da tarde, ele estava abandonado, e a algum tempo já. Eu já estava preparado para negociar as peças, mas acho que não vai ser necessário. Eu me sentia um pouco mal por fazer algo assim, fui criado para nunca roubar nem nada, mas esse tempo tinha me ensinado que antes de tudo, eu tinha que sobreviver, e agora eu ainda tinha a Julia, e eu não iria deixar nada de mais acontecer. Paramos do lado de fora e eu pedi para Julia esperar no portão com a moto. Fui entrando aos poucos, Bors já havia me falado que as vezes, alguns ferros velhos eram lixeira das oficinas do papai, então poderia ter projetos defeituosos e coisas amaldiçoadas por aqui, por isso entrei só. E também me disse que por ser do papai tínhamos uma ligação especial com esses lugares. Cheguei no meio do ferro velho e me concentrei no que eu queria. Aos poucos fui sentindo coisas surgirem aos meus pés e ficava cada vez mais cansado com isso. Aguentei até onde eu pude, e quando parei tinha uma pequena pilha de coisas e sucatas. Havia me concentrado no que eu precisava para a moto, mas as vezes não conseguimos o que queremos, então só fui invocando as coisas. Na pilha tinha as peças que eu precisava, e mais algumas outras coisas, sucatas normais. A única coisa estranha que tinha era um adaga negra, que eu não tinha visto na pilha quando meti a mão e me cortei, o mais estranho foi que o corte não dou tanto e nem sangrou e a arma se desfez depois disso. Foi um corte longo na costa da minha mão, mas o mesmo já estava se fechando. Dei ombros, vai ver por isso a  adaga estava ali, ela não sabia cortar direito.

Levei as peças e ajeitei a moto. Não era muito complicado, só precisava trocar as peças mesmo. Ia escurecer em breve, então decidimos seguir caminho e acampar numa reserva que tinha perto dali, segundo o GPS. Eu estava me sentindo estanho, um pouco mal humorado, o que não era normal. Mas quando Julia me abraçou, isso passou, do mesmo jeito que o medo noturno sumia quando ela estava comigo. Chegamos na Reserva Montain Red Wolf ao por do sol, era um lugar bem tranquilo, com uma floresta bem fechada, mas tinha umas boas clareiras para picnics e acampamentos. Escolhemos uma clareira mais no centro, longe das vistas. Fiz uma boa fogueira, enquanto Julia ajeitava nossas mantas, havíamos comprado mais uma para completar uma boa proteção,  e nossa "cama". Cozinhamos um pouco de comida enlatada, assamos salsichas e fizemos um chocolate quente instantâneo, não era o melhor, mas servia para aquele momento. Depois fomos para nossa cabana improvisada e fizemos coisas legais.

- Eu te amo, garoto urso!

- Eu te amo, floco de neve!

Acordamos com o barulho de algo enorme vindo em nossa direção, levantamos com armas em punhos e saímos. Um cão infernal do tamanho de um touro vinha em nossa direção, rosnando e babando para todo lado, com olhos vermelhos como brasas. Olhamos um para o outro, sabíamos exatamente o que fazer, não era a primeira vez que víamos um ataque assim. Preparei os machados e ela puxou suas facas. Esperamos o momento certo, quando ele estava a uns 2 metros de nós, nos separamos e saímos correndo, cravando nossas armas nas laterais dele, o cortando profundamente. O cão ganiu e caiu, se arrastando e desfazendo em névoa negra pelo chão. Acabamos ficando a uns 5 metros de distância depois disso. Guardei meu machado e fiz um sinal que ela havia me ensinado, ela linguagem de sinais, coisa que ela aprendeu com a avô, que tinha problemas auditivos. Levantei a mão e fiz um sinal que lembrava o sinal de rock. I Love You. Eu sorri para ela, e ela sorriu para mim quando viu.

E foi naquele momento em que tudo na vida caiu num buraco sem negro e sem fundo. As coisas aconteceram em câmera lenta. Vi uma coisa brilhar em alta velocidade na minha frente, e passar pela minha mão. Eu juro que não sentir a dor, não senti nada naquele momento. Acompanhei com o olhar a coisa, e ela se cravou no chão com força. Era uma flecha.  Julia gritou olhando para minha mão. Acompanhei seu olhar, no lugar onde estava meus dedos levantados, não existia mais nada, a não ser esguichos de sangue. Meus dedos estavam caído na neve, a qual se manchava de vermelho. Olhei para Julia sem entender as coisas. Porém uma coisa eu entendi no momento em que a olhei, mais alguns objetos velozes estavam indo em sua direção, e ela olhando para mim não os percebeu. Eu gritei seu nome, mas era tarde demais. As flechas se cravaram no seu peito e barriga. 4 no total, uma delas havia errado o alvo e se cravou no chão ao seu pé.

Ela olhou para as flechas e olhou para mim. O pedido de desculpas mudo estavam em seus olhos enquanto ela caia ao chão. Um sorriso surgiu em seus lábios, e lagrimas caiam de seus olhos. Naquele momento tudo no mundo sumiu, somente existia ela. Corri em sua direção, esquecendo totalmente dos meus dedos. Me sentei ao seu lado, colocando sua cabeça no meu colo, um pouco de sangue escorria pelo canto de sua boca, mas eu não me importei e selei meus lábios no dela. Lagrimas minhas molhavam o rosto dela, e as dela rolavam para a neve.

- Desculpa garoto urso. Acho que não vou poder ficar para sempre cuidando dos teus ferimentos.

- Shhh, calma, eu vou dar um jeito de te salvar floco de neve. Não desiste, por favor!

- Calma meu amor, não fica assim por favor. - Senti a mão dela tocar meu rosto. - Eu não estou sentindo dor, a neve tá me mantendo bem. Beorn, obrigado por esse tempo que passamos juntos. Eu realmente te amo muito. Me desculpe por não poder estar contigo aqui. Mas eu vou estar te esperando, sempre. Só seja feliz, por favor. Me promete isso!

- Eu não vou conseguir ser feliz sem ti! Mas eu prometo! Eu te amo muito floco de neve!

- Obrigada! Eu te amo muito garoto urso!

Nós nos beijamos, pela ultima vez, e eu senti ela ir nos meus braços. Eu a abracei, gritando aos céus, toda a dor que eu estava sentindo. Eu senti mais uma dor aguda na minha costa. Uma flecha havia acertado, eu tinha mais uma na perna e outra no braço, mas naquele momento eu não estava sentindo nada disso. Olhei para trás, em busca do assassino de Julia, e lá estava ele, Agros, na sua forma verdadeira, com o arco na mão. Ele tinha algumas cicatrizes de cortes, e cicatrizes de queimaduras de gelo no ombro e na perna.

- Eu disse que vocês iam pagar, eu disse, e agora é sua vez de morrer!

"Mata ele! Amedronta ele até o ele implorar para morrer, e então mata ele! É uma sorte eu querer te ajudar agora filho de Vulcano, então aceite a maldição que lhe dou e vingue-a!"

Uma voz surgiu em minha cabeça. Era uma voz grossa e imponente, pavorosa de certo modo, mas era mais como se ela quisesse mesmo causar medo. Eu senti algo crescer dentro de mim. O Medo que eu sentia toda noite crescia cada vez mais, mas não era algo que me amedrontava, era algo querendo sair de mim.  Olhei novamente para aquele verme cinzento, a raiva, a dor, a fúria de matar aquele ser amaldiçoado me fez ouvir aquela voz. Todo aquele medo foi crescendo e "saindo" de mim. Eu gritei de raiva e de dor. Pude ver o medo nos olhos de Agros, que começou a fugir. Mas de algum modo eu conseguia ouvir os batimentos acelerados dele, eu sabia onde ele estava. Olhei mais uma vez para o corpo de Julia, e me entreguei. Levantei minha cabeça e olhei para os céus, a lua estava brilhando no seu ponto máximo. Gritei mais uma vez, a única coisa que eu queria era estraçalhar o corpo daquele verme cinzento, acabar com ele e toda a raça dele, e com qualquer um que se metesse no meu caminho. Eu ai acabar com ele, mesmo que tivesse que matar o mundo todo para isso. Então uma dor agonizante se passou pelo meu corpo, eu gritava, muito, até que meus gritos se transformaram em uivos. E quando dei por mim novamente eu não era mais um ser humano, eu era um lobo , enorme e poderoso, e com uma grande sede de sangue. Eu uivei para lua e corri atrás daquele maldito, com uma velocidade incrível.

Eu cheguei rapidamente no encalço de Agros, que quando me viu tentou correr mais rápido, mas não conseguia fugir de mim. Dei um golpe com minhas garras em seu tornozelo. Ele caiu de cara no chão com força. Eu parei e comecei a rodeá-lo. Ele se virou e ficou me encarando, balbuciando coisas sem nexo e que eu não entendia. Ele tentava fugir, mas eu não deixava. Eu quis que ele sentisse medo de mim, eu quis provocar o pavor nele, e cada vez me aproximava mais dele, com olhos fixos, faminto e furioso. Ele era minha presa, e eu ia despedaçar até a alma dele. Pode ver o terror nos olhos deles, pude sentir o cheiro do medo, e aquilo era delicioso, me excitava mais, eu queria ouvir ele gritar. Rapidamente avancei e mordi com tudo seu ombro, sentei pela primeira vez o gosto do sangue podre dele na minha boca, era horrível, mas eu não ligava. Apertei ainda mais a mordida e sacudi a cabeça, pude sentir o ossos dele se partindo e a carne se rasgando. Ele gritou de dor, e aquilo era música para meus ouvidos. Arranquei membro por membro daquele ser desprezível, com toda a ferocidade que eu conseguir, tentando causar a maior dor possível. Até que não existia mais nada a não ser seu tronco e sua cabeça, fui me aproximando devagar e olhei em seus olhos. Pude ver o terror profundo que ele sentia de mim, o sangue escorria pela suas boca, mas ele não tinha mais forças para gritar. O encarei mais um pouco, com minha pata esmagando seu peito, eu estava saboreando aquilo. E então, eu abri minha boca e cravei minhas presas em sua cabeça, esmagando-a aos poucos, ao mesmo tempo que esmagava com força seu peito, amassando por completo. Arranquei sua cabeça com um puxão e a joguei para longe. Então levantei a cabeça e uivei com toda a força para os céus. Meu extermínio estava só começando.


Última edição por Beorn Jarbeorn em Sex Jun 23, 2017 3:19 am, editado 3 vez(es)


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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Beorn Jarbeorn em Qui Jun 22, 2017 10:11 pm

Desonra pra mim, desonra pros meus pais, e se eu tivesse uma vaca, seria desonra para ela também!


Cheguei cambaleando na clareira, já em forma humana, eu estava muito cansado, e totalmente pelado. Me ajoelhei ao lado de Julia e a tomei em meus braços novamente, chorando.

- Sabe tem uma colina aqui perto, eu acho que seria perfeito para enterrá-la!

- Essa voz, você, você fez isso!

Eu me virei e encarei um homem vestido com uma armadura negra, eu não podia ver nada a não ser seus olhos brilhando em vermelho. Ele era alto, carregava uma espada totalmente negra em sua cintura e exalava uma aura medonha.

- Eu não sou culpado por nada disso! Isso é coisa daquela missão que seu pai te deu! A única coisa que eu sou culpado aqui é por te amaldiçoar!

- Me amaldiçoar? Como assim?

- Sou Timmor, deus do medo!  

- Então aquele medo que eu senti toda noite era sua culpa?

- Sim, essa é minha culpa, mas agora está bem melhor! Bem, o que posso dizer que não vais sentir mais medo, agora vais causar!

- Então aquilo de ainda agora...?

- Sim, agora és dos meus! - Ele riu para mim - Sabe, eu estava fazendo tudo aquilo contigo porque queria me vingar do teu pai e da tua mãe, ele me humilharam. Então decidi encher a vida do filho deles de medo. E estava muito divertido ver tu ficar sem dormir a noite. Até ela chegar, mas de certa forma, eu não me importei muito. No final de tudo, tu mesmo se amaldiçoou. Se lembra daquela adaga negra? Ela era de um antigo seguidor, e ele morreu. Quando tu se cortou, tu contraiu, bem acho que pra ti é uma maldição, para outro é uma benção. Então a culpa é sua. E sabe o que é melhor, assim tu é uma desonra para teus pais! Agora eu estou feliz. - Ele riu novamente - Bem, eu vou embora, pequeno amaldiçoado. Não esquece da colina, acho que ela gostaria de lá, e tem uma oficina de um ciclope na próxima cidade, não sei se consegues, mas podes tentar fazer algo enquanto aos dedos.

E assim ele sumiu numa onde de energia preto-avermelhada, gerando uma camada de medo no local. Eu xinguei e gritei alto. Aquilo era realmente uma maldição, uma desonra, uma grande merda. Fiquei com raiva por mais um tempo, mas percebi que eu não podia ficar assim, tinha que dar um adeus digno à Julia. Me vesti e fui atrás dessa colina que o idiota divino falou. Não era muito longe da clareira, e era realmente linda, limpa, provavelmente daria lindas flores na primavera, e ficava com aquele tapete magnífico de neve no inverno. Tinha varias pedras por ela, e eu fui juntando para fazer um leito e depois esquife de pedras para ele. Ajeitei tudo e fui busca-la. Tirei as flechas, limpei os ferimentos, troquei sua roupa e coloquei minha camisa que ela tanto gostava.  Carreguei para a colina, minhas lagrimas caiam a cada passo que eu dava.  

O leito de pedras que eu fiz estava coberto por uma camada fofa de neve quando cheguei, e não estava nevando. Agradeci a mãe dela por isso, a deitei lá e coloquei suas armas em suas mãos, as facas e o arco. Comecei a cobrir com pedras, tomando cuidado para ficar tudo bem bonito. Quando terminei, olhei para o montinho de pedra e vi ele se congelar por completo, fazendo uma cobertura parecida com cristal e totalmente brilhante. Agradeci mentalmente a Quione por isso novamente e comecei a recitar algo que era comum para minha cultura no norte:

-" Eis que vejo meu pai… Eis que vejo minha mãe, minhas irmãs e meus irmãos... Eis que vejo a linhagem de meu povo, desde o início. Eis que eles me convocam. Eles pedem que eu assuma meu lugar entre eles, nos Salões de Valhalla.
Onde os bravos vivem para sempre!'


Fiquei em pé mais um tempo ao seu lado, e pude ver o sol nascer, brilhando no seu caixão de cristal.  

Fui arrumar as coisas de volta, ajeitei tudo, coloquei sua mochila amarrada na minha garupa e segui caminho para a cidade que foi dita por Timmor. Nem precisei procurar muito a tal oficina, era a única da cidade e era enorme. Parei a moto bem na frente, desmontei e entrei. Ouvi ao fundo o barulho de um martelo batendo com força numa barra da ferro. O cara que estava trabalhando metal era bem mais alto que eu, tinha mais de 2 metros fácil.  Ele usada um macacão grande e manchado e tinha um cabelo castanho desgrenhado com um ninho de rato. Ele batia com força e precisão na barra, era um trabalho de mestre. Eu pigarreei e ele virou assustado, olhou bem para mim com seu único olho castanho e pude ver o medo crescendo.

- Por favor não me mate!

- Só farei isso se me atrapalhares!

Eu admito que estava de muito mal humor, e não tava ligando para ser gentil. E acho que minha presença estava um pouco mais medonha.

- Preciso usar a forja, se não for problema, para resolver um problema!

- Qual problema, posso ajudar? - Ele perguntou um pouco amedrontado ainda.

- Esse! - Eu mostrei minha mão sem dedos para ele.

- Ah! Bem, posso ajudar a fazer dedos mecânicos novos, não vão ser os dedos, mas vão funcionar.

- Acho que vai servir, obrigado! Sou Beorn!

- Sou Matthew!

E assim começamos a fazer meus dedos novo. Fizemos medidas e projetos, e depois começamos a forjas peça por peça em bronze e aço. Depois de 3 dias eles estavam prontos e colocados no lugar dos antigos. Não era algo magnifico, eu só conseguia abrir e fechar, as movimentações normais, e as vezes eles travavam, mas era melhor que ficar sem dedos.

- Obrigado Matthew, mesmo! Olha vou deixar 60 dólares contigo, depois eu juro que volto para acertar direito. E se precisar, pode ir atrás de mim no Acampamento Júpiter.

- Eu que agradeço a companhia, foi um prazer poder ajudar. Se cuida Beorn, e não te preocupa, tudo vai dar certo. Vais conseguir. Tens que viver por ela e por ti agora!

- Eu sei Grandão, não vou desistir. Nem me deixar abater. Obrigado mesmo!

Apertamos as mãos e eu subi na moto, rumo a San Francisco, Califórnia.


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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Beorn Jarbeorn em Qui Jun 22, 2017 10:20 pm

Finalmente cheguei e eu odeio 8 patas


Depois de 3 dias de viagem havia chegado a San Francisco. O caminho foi novamente tranquilo, sem nada querer me atacar a cada 5 km, ou alguém morrer ao meu lado. Eu já havia me decidido, iria acabar com a vida de todos os envolvidos nesse negócios das armas e também ia apagar a raça chamada Copiador da face da terra. Eu havia acabado de entrar em Oakland Hills, e seguia a avenida principal em direção do Túnel Caldecott, onde era a entrada do Acampamento Júpiter. A brisa do mar afastava a força do inverno, mas mesmo assim estava frio. Estava realmente louco para chegar num lugar seguro, tomar um banho quente e dormir, coisa que eu não fazia haviam 2 dois. Me recusei a parar, só queria chegar logo aqui. O Sol brilhava fraco no céu, mas ainda fazia meus novos dedos brilharem com a luz. Dobrei uma esquina e finalmente vi o Túnel. Acelerei mais um pouco, querendo chegar logo, quando ouvi uma movimentação rápida e suspeita vindo da floresta.  Do meio dos arbustos, um Escorpião gigante, de cor âmbar, pulou em cima de mim, me derrubando da moto. Eu sai escorregando pela pista, que misteriosamente não tinha nenhum carro passando, e fui parar no canteiro no meio da pista. Graças a quantidade roupa que eu usava me ralei pouco, mas mesmo assim, fiquei dolorido. Eu já tinha uma grande quantidade de ferimentos e ossos trincados, e agora tinha mais alguns.  

Levantei, já ativando meu canivete no modo machado e pegando Ignis, e encarei o bicho. Era realmente enorme, tinha certa de 2,5 m. As pinças eram quase do tamanho do meu braço e o ferrão eram do tamanho do meu antebraço. Aquilo seria muito difícil de vencer. Eu só queria saber se ficavam mandado aquilo atrás de mim ou era só meu azar trabalhando contra mim. Respirei fundo e olhei ao redor. Minha moto estava caída em minha frente, ligada ainda, e o túnel estava cerca de uns 300 metros. O escorpião estava um pouco atrás da moto, preparado para atacar. Eu não tinha nada para usar ao meu favor, ou fazer uma armadilha. Minha únicas opções eram fugir ou lutar.

Ele avançou mais rápido do que eu podia imaginar. Pulou para cima de mim, com as pinças batendo, desviei por baixo dele e tentei um golpe, ele só bateu na carapaça do bicho com um forte barulho metálico. Merda, aquela porcaria era dura. O bicho se ajeitou e lançou um ataque com o ferrão, desviei de novo e usei toda a força para bater com Ignis em sua cabeça. O barulho alto de um gongo foi ouvindo. E depois o barulho de metal se partindo, pensei que era o escorpião, mas na verdade era Ignis se partindo. Olhei para a lâmina do machado e vi uma grande rachadura. Mas o escorpião também estava meio zonzo com o golpe. Sabia que não era algo que poderia vencer agora, então só bati de novo em sua cabeça com toda minha força, e vi a lâmina do machado se partir em vários pedaços. O escorpião ficou mais confuso, e uma rachadura se abriu em seu casco, mas não parei para tentar a sorte de novo, só levantei a moto e acelerei com tudo em direção ao túnel.  

Eu estava a 150 metros e já podia ver a entrada do túnel de serviço, entre as duas bocarras enorme e podia ver a silhueta de duas pessoas. Bors me disse que sempre existiam guardas na entrada, esperava que eles me ajudassem. Porém eu ouvi o som de oito patas batendo a toda velocidade no asfalto atrás de mim, olhei pelo retrovisor, o escorpião desgraçado estava correndo na mesma velocidade que a moto, estava colado atrás de mim já. Eu vi o movimento da sua garra e me preparei. Ele cortou meu pneus traseiro, fazendo a moto voar, e eu já preparado, pulei e cai com um rolamento no canteiro. A moto quase ao meu lado, toda amaçada e soltando fumaça. Olhei para o escorpião com raiva, estava cansado de todos esses monstros. Estava cansando de fugir. Lembrei do sorriso brincalhão de Julia. Eu ia matar cada um deles. Levantei e encarei o escorpião, ele espumava pela boca e me encarava com aqueles olhos de contas negras. E ele pulou para cima de mim.

Desviei novamente por baixo, com um rolamento, mas ele foi mais rápido em dar sua ferroada dessa vez. Porém eu também não queria desviar, eu sabia por algum motivo o veneno desse escorpião era um pouco fraco, se eu tivesse um socorro rápido, ia sobreviver tranquilamente. Eu podia ver os dois guardas já correndo em minha direção. Então levei a ferroada no ombro. Pude sentir o veneno e a dor que ele trazia, mas segurei a cauda, e com um movimento rápido e forte, puxei minha adaga de bronze celestial das costas e cortei a cauda bem na base do ferrão. O monstro foi andando para trás, fazendo barulhos agudos de dor. Eu puxei o ferrão do meu ombro, e vi um buraco enorme e com as bordas esverdeadas. O bicho tropeçou na minha moto e caiu. Me aproximei dele, com um fúria que sabia que era e não era minha ao mesmo tempo, e cravei  a adaga na rachadura que estava em sua cabeça. Ele deu mais um grito agudo, e começou a se desfazer, deixando para trás apenas a carapaça e o ferrão que estava na minha mão.

Eu senti o veneno no meu corpo. Eu estava quase desmaiando. Mas peguei minha mochila, e tirei de lá minhas cartas de recomendação. Os dois vigias chegaram correndo, vestidos com calças jeans, camisas roxas, peitorais e elmos. Eles portavam lanças, escudos e gládios em suas cinturas, eles olharam para mim, minha vista já estava escurecendo.

- Recruta Beorn Jarbeorn se apresentando para o serviço. Segunda Coorte. Aqui está minhas recomendações. - Eu estendi o ferrão e as cartas - S.P.Q.R

Depois disso eu desmaiei.


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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

Mensagem por Vênus em Dom Jun 25, 2017 9:15 pm

Ficha para filho de Vulcano aceita!
Recompensas -> 2.500 xp + 2.500 dracmas
Explicações extras:

Querido, infelizmente seu pedido para ser legado de Athena e Lycan foi legado. A parte como legado ficou muito confusa, Minerva não tem filhos, sua mãe - a parte da explicação dela - ficou totalmente contraditória, eu não sabia se você queria dizer se ela era de Minerva ou Athena, mas inclusive tem um trecho que me fez deduzir que ela mesma era um legado de dois deuses, eu realmente não entendi bem essa parte. Além disso você não explorou seu lado legado em nenhum momento na missão, por isso a recusa. Quanto a parte dos Lycans, além de confusa, não ficou muito bem explicada, ficou um pouco estranha também, a parte de Timmor eu tive que reler, outra staffer leu, e concorda comigo, logo não achamos suficiente que você ganhe o grupo. Para completar seus erros de ortografia e gramatica, além da coerência em algumas situações, ficaram bem evidentes, então não tenho como aprova-lo. Por ultimo, sobre seus espólios, caso tenha interesse envie as descrições por MP para analise, se estiverem coerentes, serão colocadas em sua mochila, do contrario, recusaremos também.


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Re: CCFY - Promoção de Aniversário - Beorn Jarbeorn

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