The Blood of Olympus
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CCFY — Over, over and again (Parte 1/3)

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CCFY — Over, over and again (Parte 1/3)

Mensagem por Joyce Karin Overwhite em Dom Jun 18, 2017 10:48 pm




do you care?
Why did you leave me here to burn?
Você precisa prestar atenção.

O movimento foi rápido demais para ser notado por ela. Ruby prendeu o riso quando Seya lhe deu uma cotovelada entre as costelas, sem força, era apenas um ato de cumplicidade para saber se a amiga tinha visto aquilo da mesma forma que ela.

Madame Silva estava disposta a treinar as meninas, naquele dia. Levou-as até um reservatório natural no centro de uma floresta extremamente verde, sem outras cores para divergir o ambiente se não o marrom. Não existiam flores ou frutos naquela parte. Era uma campina de gramagem baixa no ponto em que se encontravam, longa e larga o suficiente para acomodar um batalhão inteiro e ainda sobrar espaço para dar conforto a cada um. A tenente observou a face inexpressiva da garota caída, que levantava-se de um jeito lento demais para alguém de seu âmbito profissional. Aquilo não era permitido. Golpeou um de seus braços, acertando a ponta do coturno com força entre o antebraço e o cotovelo. Foi cruel.

Esperava uma resposta agressiva, um xingamento tempestivo ou uma expressão raivosa depois daquilo, uma vez que metade das meninas riam de como a recém chegada se portava, e as outras dividiam-se entre sentirem pena e as outras não conseguiam atenção suficiente da tenente, que achava interessante a forma de agir daquela garota. Sabia que ali existia um potencial estrondoso, podia sentir de uma longa distância, mas estava realmente interessada em ver.

Vários hematomas cobriam o corpo da nova integrante do posto militar 129, que atendia por Joyce Overwhite. Todos eles causados por golpes e mais golpes de Madame Silva, que a fazia de saco de pancadas enquanto ensinava fundamentos importantes na busca pela perfeição de seus soldados.

—  Chega por hoje. —  Ordenou que todas tomassem o rumo de seus dormitórios para findarem o dia letivo, mas não aquela garota. Ainda precisavam conversar. — Você irá para o seu quarto, tome um banho e prepare-se para uma conversa em minha sala. Terá exatamente trinta minutos, entendeu?

Joyce cuspiu sangue, limpando o canto dos lábios com a ponta do dedo. Não respondeu verbalmente, e aquele havia sido um erro. A tenente ergueu a mão para lhe esbofetear o rosto, punindo-a pela desobediência, mas teve o punho segurado muito firmemente pela morena, que não hesitou em nenhum momento a executar aquele ato. Soltou de uma forma tão rude - ainda que não tivesse se mexido muito mais que alguns centímetros - que a mulher sentiria o lugar arder momentaneamente. Não seria possível ver uma marca pelo tom de pele moreno dela, mas era de se imaginar que caso fosse alguns tons mais clara, estaria evidente uma bem ali. Algumas das meninas observavam atônitas, sendo as restantes das que já tinham ido embora. Margareth Silva havia sido imobilizada pela primeira vez na vida, dentro daquela instituição. Joyce deu as costas, mostrando sem precisar vociferar ou agir perante os olhos de todos, que era muito mais forte do que pensavam.

A porta da sala abriu-se quase duas horas depois do horário combinado, onde a própria Madame Silva tivera que perder tempo acalmando as garotas, afastando o burburinho e pondo ordem no quartel. Castigou as que tinham ficado com uma série de duzentos e trinta marinheiros, exigindo muito mais que o suor e cansaço. Queria que elas sentissem a dor surgir em cada célula do corpo.

Sente-se. — A morena apontou para o lugar onde a inglesa deveria sentar-se,  a alguns centímetros de sua mesa. — Agora diga-me o que tinha na cabeça para me parar.

Não foi uma pergunta. Joyce sentou, os olhos negros virando-se para ela, fitando-a com desinteresse.

Você espera que eu permita que faça comigo o que faz com as outras? Não se dê o trabalho. Eu posso ir embora e voltar para o lugar de onde me tirou. Não estou atrás de penitências e bons atos mascarados. — de fato, aquela menina era diferente de todas as outras.

A tenente não lhe respondeu. Mergulhou em pensamentos, e viu-se naquela mesma menina, quando tinha sua idade. Alguém tão rude e vazio de expressões, que não acatava ordens ou se doava para banalidades.

Eu tenho um propósito para você, Overwhite. Deveria agradecer por ter sido tirada de uma casa para viciados. Você não é uma.

Isso não quer dizer que você tem o direito de mandar em mim ou esperar que eu sirva de saco de pancadas.

Vendo que o diálogo era um canal impossibilitado - já que ela sempre tinha resposta - teria de tomar outros rumos. Estava com um projeto de aplicação feito a quase seis anos, mas não podia executá-lo pela falta de pessoas aptas. As garotas que treinava, muitas tinham garra para serem escaladas, mas faltava algo. Algo que tinha encontrado em Joyce.

Aprendemos muito com o medo, com a superioridade dos outros à nossa custa. Você não tem ideia do que tudo o que acontece aqui, é para o bem de todas vocês. Não é prioridade acabar com a sua vida, ou projetá-la para outro lado que não seja o de servir para crescer e representar quem você realmente é. — sibilou, abrindo uma gaveta no canto direito da mesa.

A prioridade de vocês é fazer com que os outros acreditem nisso. — A Overwhite era sábia demais para se comparar com as outras, e era exatamente aquilo pelo que Madame Silva buscava.

Quero que faça isso. — puxou o envelope pardo de dentro da gaveta, deixando sobre a mesa. — Estará em um nível separado das outras em campo, mas terá de passar por um treinamento muito mais cruel que ser um saco de pancadas, como diz.

E o que seria este outro nível? — Ela não tocou no papel.

A morena inspirou e expirou cerca de duas vezes, antes de pegar ela mesma o papel e fazer a leitura em tom audível e completamente compreensível para a outra.

O seguinte projeto destina-se somente para quem estiver ciente dos danos causados durante o processo, A sentinela. Nenhuma culpa cairá sobre seus ombros conforme as medidas mais ardilosas sejam tomadas; sabido que qualquer falha de sistema possa causar uma superdotação de sentidos. O acobertamento é parte do protocolo, então será um projeto-sentinela com completa autonomia. As decisões partem do superior em nome do comando, Margareth A. L. Silva, tenente do quartel 776, cabendo a ela tudo o que for preciso para pôr em ordem seu batalhão.

Aquilo tinha sido confuso aos ouvidos da mais nova, que não conseguia fazer ligações sobre o projeto-sentinela com o que havia sofrido por toda a tarde.

Você quer que eu assuma o projeto? — Era a única coisa lógica encontrada nas entre-linhas citadas.

Quero que seja a sentinela.

Um minuto de silêncio se fez presente, ainda que Joyce tentasse entender o que tudo aquilo queria dizer. Passava-se desconhecido de sua representação qualquer coisa benéfica que viesse acontecer dentro daquele manicômio no qual estava instalada, tendo Madame Silva escondido a parte final do documento.

E no que isso muda a minha estadia aqui? — A resposta definiria sua decisão.

Tudo.

Os olhos encontraram um ao outro, numa rixa silenciosa. Joyce não sabia, mas, foi naquele dia que as palavras da tenente realmente fizeram sentido. A mudança realmente equivalia a tudo.






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Joyce Karin Overwhite
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