The Blood of Olympus
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Quando o Passado Revive – Luna Blackwood

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Quando o Passado Revive – Luna Blackwood

Mensagem por Luna Blackwood em Qua Maio 24, 2017 12:29 pm



A profecia da Lua
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OR NOT! THE NIGHT IS A BEAUTIFUL CHILD.




Talvez seja muito comum uma semideusa falar assim, mas tudo começou com os sonhos.

Claro que, para meios-sangues em geral, os sonhos nunca são uma besteira total como é para os mortais. Nosso sangue intrinsicamente ligado ao divino nos trás muitas vezes profecias ou mesmo pistas do que está acontecendo ou ainda vai acontecer relacionado a si. Ou talvez até envolva coisas muito mais complicadas. É difícil definir realmente o que são os sonhos de quem tem sangue divino em si, mas eu aprendi da pior forma que nunca são normais. E eu ainda acho que os sonhos que quem é nascida com o sangue de deusas mágicas é ainda pior, já que lidamos com todo o mundo místico em um nível ainda maior que as demais proles divinas. Óbvio que eu posso estar falando besteira, afinal, eu sou muito nova e inexperiente como semideusa e bruxa para falar qualquer coisa, mas nos últimos dias é isso que tem me deixado bem preocupada...

Antes de algo realmente estranho acontecer em minha vida recente, eu comecei a ter pesadelos um tanto estranhos, que não atrapalharam mesmo meu sono, mas me fizeram acordar nas manhãs seguintes como se estivesse deixando escapar algo. Imagens de um acidente de carro feio, envolvendo sangue, pessoas jogadas na estrada pouco movimentada com destroços à sua volta já me eram comuns, e isso que fez tudo ficar mais suspeito. Primeiro eu não entendia por que é que aquilo estava aparecendo para mim, principalmente por que não me revelava nada demais, já que eu nem tinha quaisquer detalhes sobre os rostos dos envolvidos nos acidentes ou mesmo o local ao redor do mesmo. Era como se esse sonho fosse uma sequência de imagens borradas, sem detalhes reais de absolutamente nada além de vultos que davam a ligeira impressão do que acontecia ali, e eu ficava maluca com isso! Por muito tempo eu busquei respostas para essas imagens pouco detalhadas, através de grimórios antigos do chalé de Nox e mesmo de livros mortais, qualquer coisa que pudesse explicar por que é que eu estava tendo esse mesmo sonho sem sentido por mais de uma noite. Mas não tive resposta alguma.

Eu até cogitei que podia ser fruto da brincadeira de algum filho de Somnia ou Somnos do Acampamento Meio-Sangue, já que eu cheguei recentemente entre os gregos e ainda não fui totalmente bem aceita em seu meio, mas logo descartei essa possibilidade. Eu perceberia se algo estivesse alterando meus sonhos, ou mesmo se alguma droga mágica estivesse sendo usada para mexer com a minha cabeça. Então o que poderia ser? Meus instintos diziam que aquilo tudo era importante, tinha algum significado por trás de toda essa confusão, e por isso não pude deixar de lado tais pensamentos, mesmo entre as minhas tarefas rotineiras do acampamento. O que me fez atrapalhar-me ainda mais do que o normal em tais momentos, mas eu não me importei. Já não ligo para o quanto as pessoas me acham inútil ou atrapalhada mesmo, convivo com minhas próprias críticas à minha pessoa.

Só que, como se não pudesse piorar, dias depois desses sonhos confusos, eu começo a ter outros. Parecidos com os de antes, mas em um contexto um tanto diferente, e eram bem mais claros.

Inicialmente, esses ''novos'' sonhos se passavam em um lugar parecido com os do primeiro, onde havia o acidente, porém neste haviam mais detalhes. Eu podia ver a grama baixa em volta da pista, a placa que sinalizava em que altura da estrada estávamos, as árvores e suas folhas sendo movidas pelo fraco vento, além de um rio à poucos metros da pista. Não parecia haver cidades pequenas por perto, era realmente uma estrada passando por um pequeno pedaço de paraíso selvagem intocado pelo homem. Porém, o que mais chamava a atenção não era mais o acidente de carro, pois ele nem existia nesse outro sonho. Ao invés disso, no gramado à direita havia sempre um homem de roupas de frio bem escuras, sentado à beira da estrada, até meu foco sair da estrada/ambiente para ir diretamente nele. E este sujeito era alto, tinha cabelos e olhos castanho-escuros, uma barba rala e talvez até pudesse ser considerado bonito para algumas pessoas, mas por algum motivo eu não conseguia vê-lo assim. O homem sempre olhava diretamente para mim (ainda que eu claramente não estivesse na cena, apenas via tudo como se não estivesse ali fisicamente) e sorria antes de chamar pelo meu nome, logo em seguida eu acordava. Mas, o que esse sujeito tinha a ver comigo?

Pois bem, eu já havia visto imagens mais claras, isso ajudava a tornar os meus dias menos estranhos e os sonhos menos frustrantes, só restava agora saber interpretar e entender o que eu vira. O que significava isso tudo? Onde era esse lugar? Quem era o homem? Como ele sabia meu nome e por que me chamava? Mas o mais importante, de onde o seu rosto me era familiar, e por que eu sentia que mexia muito comigo lembrar dele? Demorou para que eu realmente entendesse a minha relação com esse sujeito, até que eu tive uma epifania após repassar essas cenas em uma manhã recente, e me lembrar da única conversa que tive com minha mãe...

Anos atrás, quando estava a caminho da casa do lobo, lembro-me de ter conversado sobre várias coisas com a minha mãe, e um dos principais focos da nossa conversa foi a pessoa mais gentil que ela já conhecera: o meu pai. Nox falou várias coisas boas de meu pai, que ele era um bom sujeito, humilde ainda que poderoso filho de Trivia, mas a última peça do meu quebra-cabeças se encaixou quando lembrei do presente da minha mãe naquele dia... Ela havia partilhado comigo lembranças dela com meu pai, em meio à nossa conversa, e isso fez com que eu soubesse realmente quem ele era. Eu não tinha memórias claras de quando eu era bebê (ninguém tem), mas eu sabia quem ele era, associei tal figura ao que minha mãe falara dele, e isso ficou gravado em meu coração. Nunca tive nenhuma foto dele para me lembrar disso tudo, nem a presença de qualquer pessoa próxima a ele para contar mais alguma coisa sobre ele, então isso ficou enterrado em minhas memórias. Consegue me entender?

Ele havia morrido enquanto eu ainda era uma bebê, sim isso é verdade, mas eu sabia que ele era importante para mim de alguma forma, no fundo eu sentia que ele era meu pai. Minha mãe havia me ajudado a enxergar isso anos atrás, eu só precisei me lembrar desse dia, e tudo fez sentido. Quando isso aconteceu, eu não só comecei a ficar abalada com aqueles sonhos, chorando quase que o tempo todo em que lembrara deles, como também fiquei obcecada em querer saber o que estava acontecendo. Por que é que ele aparecia para mim depois de morto? Era seu espírito querendo falar comigo? Juro que eu olhei entre centenas de feitiços (eu fiquei dias sem dormir obcecada com isso, acredite quando digo que não estou exagerando, foram centenas de feitiços que eu vi e revi) dos grimórios no chalé de Nyx do acampamento grego antes de cair. Eu não havia desistido realmente, mas sim desmaiado de cansaço, após tanto tempo sem dormir, para tentar encontrar uma resposta para aquilo que já estava acabando comigo...

Só que foi hoje, na manhã seguinte à essa minha maratona de estudos de grimórios que eu obtive a minha resposta, e essa veio de forma tão inesperada que eu até me senti frustrada por ter me esforçado tanto antes...

Nessa noite de sono, eu tive um sonho bem diferente, exceto pelo local e a forma com a qual meu pai estava. Na mesma estrada e com as mesmas roupas escuras. Meu pai chorou ao olhar em meus olhos, antes de tentar me tocar sem nenhum sucesso. Isso me fez sentir um enorme aperto no coração, ver o homem que mais me amou em todo esse mundo na minha frente sem poder tocar ou falar com ele, e saber que ele parecia estar me vendo, mas sem saber se era real... Uma pena que eu não conseguia chorar dentro do sonho, pois eu queria. Porém, o mais importante mesmo veio perto do fim do sonho, quando meu pai saiu do meu campo de visão, ao andar para o lado. Ele me revelou algo que pareceu ter escrito antecipadamente no solo, como se soubesse já onde eu estaria, pois me deu um ângulo perfeito para ler a mensagem, sem que eu nem precisasse mexer a minha cabeça.

''Walhalla Road, Victoria'' – foi a única coisa que eu consegui ler de suas palavras, antes de meus olhos se abrirem, e eu me deparasse com as sombras do chalé em que eu estava, no acampamento romano. Ainda haviam outros detalhes na mensagem que havia sido rápido demais para eu gravar, mas ao menos essas três palavras haviam sido bem claras para mim, e eram o bastante. Após acordar, não demorei para perceber que aquelas palavras falavam sobre uma certa estrada bem específica, dentro de um dos estados da Austrália. Aquilo se tratava de pistas sobre um local era muito especial para mim, pois aquele era o mesmo lugar em que eu e meu pai havíamos nos separado... A estrada em que meu pai morrera... Quando tive isso em mente, nem precisei do resto da mensagem do sonho, pois já sabia em que lugar ele estava, só de lembrar do acidente que havia aparecido para mim em meus sonhos anteriores. Ele estava na altura exata da estrada aonde eu havia me separado de meu pai, quando ele me jogou no rio para que eu sobrevivesse, e deu sua vida para garantir que ninguém iria atrás de mim...

Algo que eu não saberia, se não fosse pelo presente que minha mãe me dera, ao falar e me mostrar tanto sobre meu pai. E agora tinha a chance de mostrar a ele que seu sacrifício não havia passado em branco para mim. Certo?

Ao me perguntar isso, eu logo imaginei o que é que deveria ser aquilo. Uma armadilha para mim? Afinal, por que é que alguém iria ser cruel à ponto de fazer algo desse tipo? Com certeza queriam me atingir, mas não entendia o porquê. Não sou poderosa, nem influente, então... por que eu teria a atenção de alguém? Confesso que eu hesitei, mas uma coisa me fez abandonar toda essa hesitação: a raiva- ''Sendo uma armadilha ou não, estão mexendo com a alma do meu pai, ou no mínimo, com suas memórias. Isso não vai ficar assim! Nem que eu morra tentando, vou honrar ao meu pai contra o que for. Nem um deus vai sair impune por mexer com quem é sagrado para mim!'' –pensei furiosa o tempo inteiro, enquanto arrumava as minhas coisas para viajar. Parece até algo legal de se imaginar alguém falar, mas... olha, eu vou te falar, eu não tinha nenhum plano viu?

Pois é, eu fui realmente só com a raiva e a coragem para a Austrália. Claro, fora as minhas fiéis armas: minha espada Ghost, minha adaga e meu escudo. E o dinheiro para a viagem. Mas eu realmente não me interessava se iria voltar ou não, sabia que provavelmente estava indo para uma armadilha, mas eu tinha que ter certeza de acabar com tudo aquilo. Será que era meu pai mesmo que queria me encontrar? Era muito provável que não, mas nesse caso eu saberia o porquê dessa necessidade de me atrair até o local de onde eu havia tido a maior das perdas, e faria o responsável pagar por tal maldade.

Só lembrando que eu detesto mesmo usar a carruagem da danação (malditas irmãs cinzentas que nunca aprendem QUE O OLHO TEM QUE FICAR COM A DROGA DA MOTORISTA!), mas... bem, como é que eu iria pagar uma passagem de avião? Pois é, acabou sendo minha única saída, já que nenhuma das criaturas do Acampamento Meio-Sangue aguentaria uma viagem tão longa, ao menos até aonde eu soubesse... De um jeito ou de outro, valeu o sacrifício. Cheguei inteira em meu destino, mas não sem um ou dois novos traumas, coisa que é padrão para alguém que viaja com essas malucas de um olho só.

Voltando ao que interessa. Assim que saí do taxi, vi que estava ainda um pouco distante do ponto da estrada em que meu pai deveria estar, já que nem o via no horizonte, e fiquei feliz com isso. Pois é, eu pedi aquilo mesmo, para ser deixada em um ponto diferente do que o que parecia ser indicado para mim em sonho, assim eu podia me preparar para o que iria enfrentar. Já cogitava a hipótese de ter que enfrentar uma criatura assim que o local aparecesse no meu campo de visão, ou mesmo... ser obrigada a enfrentar meu pai, ou mesmo algo parecido com ele... Bem, eu realmente preferia ser morta logo por uma divindade do que ter que enfrentar essa última opção, mas eu tinha que pensar em tudo, então fui caminhando com calma na direção em que eu sabia que ele estaria... Coisa que não foi tão rápida, mas foi bom pois me ajudou a acalmar meus ânimos enquanto não chegava em meu destino.

[...]

Foi uma boa caminhada pela Walhalla Road. Fui obrigada até a parar para descansar um pouco as pernas, antes de voltar a andar. E até mesmo andei por um tempo com minha espada e meu escudo em mãos, mas logo desisti de carrega-los tanto, então os guardei, deixando o escudo em minhas costas enquanto que a espada ficava ao lado da faca em minha cintura. Quanto mais andava, mais ansiosa ficava para encerrar logo aquele assunto, pois queria enfrentar logo o responsável por aquela brincadeira e ir para casa, sem precisar me preocupar mais em ter que reviver todos os dias uma memória que me entristecia tanto... Mas as minhas preocupações mudaram quando eu finalmente vi o tal local.

E não, nada do local em si me chamara a atenção, pois era praticamente o mesmo que eu vi desde que desembarquei da carruagem da danação. Apenas uma longa e sinuosa estrada pavimentada, aparentemente nova e totalmente vazia, cercada por uma grama bem curta e duas grandes massas de água. A da direita, o gigantesco Lago Thomson, era a maior delas, enquanto que a da minha esquerda era o rio em que eu havia sido deixada anos atrás... Tudo ali me provocava fortes emoções, mas a principal de todas estava bem destacada diante daquele ambiente todo, me causando séria desconfiança conforme eu caminhava calmamente em sua direção.

Inicialmente eu não conseguia acreditar, ao olhar de longe para aquele sujeito parado e olhando para os lados, na beira da rua, mas tudo ficava claro conforme eu me aproximava. Lá estava ele, com seus dois metros de altura (bem alto em comparação a mim, com meus 1,68), roupas ainda mais escuras que seus cabelos e olhos castanho-escuros, sua barba por fazer e.. pelos deuses, aquele sorriso carinhoso. Ao fixar seus olhos em mim, foi como se um sonho se realizasse, tanto para mim quanto para ele, deu para perceber isso no seu sorriso e nas lágrimas que escorriam pelos cantos de seus olhos.

Luna? –ele perguntou, levando a mão à boca como se não acreditasse no que via. Ele sabia a resposta, mas ele parecia não acreditar no que via, e estava ao mesmo tempo embasbacado e feliz da vida quando parou para me analisar. Eu ficaria nervosa e envergonhada se estivesse em meu estado normal, mas como isso estava longe de mim naquele momento- PAPAI! –e então corri em sua direção, pulando em seus braços assim que ele os abriu para mim, quando confirmamos o que já sabíamos. E esse foi o melhor abraço que eu já recebi em toda a minha vida, um verdadeiro sonho realizado. Ele até girou no lugar comigo em seus braços, como nos filmes que eu sempre quis imitar um dia.

Se havia algum monstro pelos próximos dez quilômetros, muito provavelmente havia ouvido o meu grito, o que era uma tremenda burrice, mas... meu Deus, era o meu pai ali! Como conseguir ser fria e me conter diante de uma situação dessas? Eu não sou capaz! Sou muito sentimental, e quem me conhece sabe muito bem disso! Aliás, eu estava tão envolvida naquele momento com meu pai que eu até esqueci da minha preocupação mais importante até então, algo que me ensinara a fazer com qualquer um, mesmo quem eu mais amo. Será que aquilo era uma armadilha? Como ele havia saído do mundo inferior e vindo para cá? É, uma pessoa ajuizada se perguntaria isso ao ver um parente morto diante de seus olhos, e com um abraço tão forte, mas eu não consegui me conter.

- Luna, meus deuses, como você cresceu... É você mesma? Tem certeza? –ele perguntava, enquanto segurava em meu rosto e me admirava, orgulhoso e sorridente, mas com o rosto todo encharcado com suas lágrimas. Eu não estava tão diferente, mas ainda bem que ele não parecia ligar para isso- Céus, eu não tinha certeza de que estava visitando os sonhos da pessoa certa quando eu te vi antes, mas... Uau! Vendo você agora... É praticamente uma versão mais fofa da sua mãe, sabia? –e eu ainda chorava enquanto ele acariciava minhas bochechas com seus dedões, segurando meu rosto com todo carinho com suas mãos. Diante das suas últimas palavras eu acabei não me aguentando e abri um largo sorriso- E você, é mais baixinho do que eu imaginava. –brinquei, e nós rimos juntos- É, você tem meu senso de humor. E meu nariz também! De nada viu? –novamente nós não aguentamos e rimos, dessa vez em voz ainda mais alta.

Após recuperarmos o fôlego, limpei as lágrimas dos olhos dele, e ele fez o mesmo por mim, com seus dedões delicados e macios. É, mais do que qualquer homem, e eu não deixei escapar aquilo- Herdei seus dedos também? Por que você tem mãos de moça! –e então mostrei a língua para ele, entrelaçando agora os dedos de nossas mãos.

- Engraçada essa tampinha! –disse, me dando um tapinha em minha testa, o que pareceu até uma forma sua de debochar de mim e ao mesmo tempo encerrar com as brincadeiras, pois aos poucos vi o sorriso sumindo de seu rosto. Sabia que iria ter que falar do motivo de ele estar ali, mas eu queria tanto adiar aquilo... só que ele não se importava, era como se quisesse que eu encarasse aquele fato, por mais doloroso que fosse. Por isso eu demorei, mas perguntei- Papai, é mesmo você? –estava cheia de medo de saber sua resposta, mas sabia que era a pergunta certa naquele momento- É bom ver você se preocupando com a coisa certa, mas devia ter se feito essa pergunta antes, filha. –assim que ouvi aquelas suas palavras, me afastei de imediato dele. Era algo estranho demais para qualquer um usar como resposta, ainda mais sendo alguém que morrera há tanto tempo, e em um mundo em que praticamente qualquer coisa pode se transformar de repente em um monstro para tentar te devorar... Não deu para evitar de recuperar e me preparar para uma luta.

Saquei ghost sem demora, empunhando-a em frente ao meu corpo, segurando-a na vertical, de frente ao meu rosto. Mas meu pai abriu um pequeno sorriso- Bom reflexo, mas deve começar assim Luna, pensando em cuidar de si mesma. Se eu fosse uma armadilha, você estaria morta... –ouvir a última parte me aliviou o bastante para abaixar um pouco a minha espada, mas não me aproximei muito mais dele depois, já que ele realmente não parecia feliz comigo- Pai... –diante da hipótese de que ele poderia ser meu inimigo, nem consegui continuar a frase... Por sorte, nem precisei.

- Filha, eu vejo no seu rosto todo esse medo de mim, mas não precisa disso. Não vim te machucar. –ele assegurou, se aproximando um passo e me deixando tensa. Ele não parecia estar mentindo, mas aquela situação ainda me assustava demais- Olha, eu queria mesmo lhe dizer tudo que um bom pai deveria dizer para a sua filha, mas não tenho tanto tempo... –admitiu, cabisbaixo- Só o que posso lhe dizer, é que você está no caminho certo. Continue acreditando em si mesma, deixe de temer o que pode fazer, e você vai ficar muito poderosa filha. –ainda que fosse uma forma dele de me apoiar, mas me assustou ver que ele sabia tanto sobre mim, ainda que não estivesse presente- Mas, pai eu não sei se... –não consegui terminar de falar outra vez. Porém, dessa vez ele quem havia me interrompido- Filha, só não se esqueça, que ansiar por poder não te faz má pessoa. Pode desejar ficar mais forte, mas o que vai contar mesmo é o que fará com o poder que você conseguir. É assim com tudo na vida, suas atitudes sempre contam acima de qualquer besteira que você pensar. –e encerrou com um cafuné. Eu não sabia como, mas em apenas uma rápida conversa ele havia me dado uma injeção de moral que eu não achei ser possível.

- Se tiver dúvidas, não hesite em procurar sua mãe, ou sua avó. –aquela sua frase sim me deixou surpresa- Você diz, Nox e Trivia? –ele afirmou com a cabeça- Como as encontro? –nesse momento ele deu de ombros, admitindo que não sabia, mas ainda sorria para mim- Só tente, tá? Nox, ou Nyx, não é má quanto dizem, ou dirão para você. Julgue você à sua mãe, se um dia conhece-la, mas não se esqueça de separar os papéis que ela é obrigada a fazer. Ela é sua mãe, sim, mas também tem que ser uma deusa. E o mesmo serve para sua avó, Trivia. As duas são donas de um bom coração, possuem seu lado mais afável, mas as pessoas nunca falam disso nas lendas, não é? –brincou ao fim, mas bem que fazia sentido. Quase nunca falam bem de uma divindade, então fazia sentido dar ouvidos ao meu pai. Um dia, quem sabe, se eu encontrasse a minha mãe, podia tirar minhas próprias conclusões dela.

- Por que elas prestariam atenção em mim, pai? O que eu tenho que outras não tem? –ele sabia que eu me referia às outras filhas de Nox, que sabia que existiam, mas não mudou a sua expressão. Apenas parou um pouco para pensar antes, como quem queria escolher as suas palavras- Por que você é a favorita da magia. Sua filha e futura princesa da noite. –o arquear da minha sobrancelha direita diante das palavras de meu pai pelo visto deixou claro o quanto eu havia entendido do que ele havia dito, pois logo ele perguntou- O que? Não sabe da profecia? Sua mãe não te contou? –foi aí que meu queixo caiu, figurativamente- Tem uma profecia sobre mim? –minha pergunta simplesmente fez meu pai rir sem parar. Envergonhada, tive que esperar até que ele pudesse falar outra vez e continuar- Na hora certa, você vai saber. –pareciam palavras sábias, mas eu desconfiei sua falta de profundidade no assunto- Você não lembra da profecia, né? –e aí ele começou a ficar envergonhado- Err... –começou a rir de forma bem nervosa- Na verdade, eu não posso dizer. –tentou se explicar, sem sucesso- Mas, eu tenho certeza que ela falava de você, e sua mãe me confirmou isso. Aliás, o motivo para do seu nome tem a ver com esta profecia. –novamente, fiz a maior cara de dúvida que eu podia, sem querer, e meu pai entendeu- A profecia fala de uma Lua em especial, a mais pura já nascida, que irá ter enorme influência nos deuses, para o bem ou para o mal Luna. Essa é você, sua mãe sabia disso, era seu destino ter esse nome, assim como será de herdar o que é dito na profecia. –ele começara falando de forma carinhosa, mas me assustou quando terminou falando de forma tão cuidadosa e fria.

- Herdar o que? –mas o meu pai faz que não com a cabeça, antes mesmo de voltar a falar- Eu não posso falar, meu amor. Sua mãe é a deusa dos segredos também, e acha que ela deixaria à solta por aí uma profecia que colocaria em risco a sua vida? Ela impediu que eu pudesse dizer muita coisa, para garantir sua segurança dos outros deuses, usando um feitiço poderoso ligado à minha alma. Para o caso de me capturarem e tentarem me usar contra ela, já que eu fui um dos mortais que mais teve contato com ela em toda história. –decepcionada, eu suspirei profundamente diante daquela sua resposta. Estava desanimada novamente, mas para a minha sorte o meu pai estava ali dessa vez- Ei, mas nada impede que você fale com ela ou alguém que ela confie para saber da profecia. Na verdade, eu apoio isso! Pode mesmo ter enfeitiçado apenas à mim para não divulgar isso. Mas saiba que ela só fez isso para não atrair tanto as atenções dos deuses para ti tão cedo, se não, ela mesma tinha criado a filha favorita dela. Ela afirmou isso quando me confiou você, bebezona. –ao encerrar aquela frase com um gostoso cafuné e bagunçar meus cabelos, não consegui segurar o riso outra vez- E eu sou a sua filha favorita também? –brinquei, fazendo o homem mais uma vez rir, antes de se aproximar e me abraçar com força.

- É, e sempre será! –afirmou, todo carinhoso, mas logo cortando o clima com uma piada- Só tenho você mesmo. –e deu de ombros, fingindo que não se importava com aquilo. Mas nós dois rimos ao mesmo tempo logo depois. Eu realmente adorava meu pai, ele conseguia me fazer rir mesmo em uma situação confusa e tensa como essa, definitivamente havia sido incrível ter essa chance única de falar com ele, só que, tinha uma pergunta que precisava ser feita. Eu tinha medo de fazê-la, pois podia acabar encerrando nossa conversa como pai e filha, e iniciar outra, como semideusa lidando com um provável espírito desgarrado, mas tinha que fazê-la hora ou outra- Pai, é incrível te ver, e eu amo ter a chance de conversar com o senhor pela primeira vez, mas... eu tenho que saber... Como você veio parar aqui? Por que veio? Por que agora?



#01

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Re: Quando o Passado Revive – Luna Blackwood

Mensagem por Nyx em Sab Maio 27, 2017 8:40 pm


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

Exp: A primeira parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Do nível 11 ao 20- 5.000 de experiência


Dracmas: A primeira parte recebe 5 mil dracmas.
Item: Recebe apenas no final, na avaliação da segunda parte..

Avaliação

Experiência: 5.000
Dracmas: 5.000
Comentário:
Eu li muitas historias desse evento, poucas me surpreenderam em questão de escrita, narrativa e criatividade. A sua foi uma dela. Não achei a forma com que você descreve a situação nada pesada, foi algo fácil de ler, rico em detalhes (sim detalhes são importantes para a historia, mas se colocados da maneira certa, e foi algo que aqui, você conseguiu), cheio de aventuras e com uma descrição praticamente impecável. Eu não pude acompanhar todo o seu desenvolvimento dentro do forum, li poucas postagens suas, mas já cheguei a comentar e ouvir comentários da staff, pedidos de reavaliação e tudo mais. Creio que você superou muitas coisas aqui dentro, e eu, como narradora sei que muitas vezes não somos exatamente criaturas fáceis de lidar, mas isso tudo é porque buscamos melhora-los. Você se manteve dentro do realismo, algo que confesso, quando comecei a ler não esperava, e isso tudo porque soube da sua historia inicial da trama e da sua primeira postagem, gostei de ver que estava enganada. O único detalhe que notei é que as vezes você peca em algumas frases, a deixa confusas, além de usar muitas palavras repetitivas em um mesmo paragrafo, mas fora isso, creio que não tenho porque descontar nada de você nessa narrativa. Parabéns pela evolução e continue melhorando sempre.


Segunda Parte

Pai e filha poderiam ter tido mais tempo para conversar, mas não tiveram, Nox o estava caçando a algum tempo, e o objetivo daquele homem em terra já tinha chegado ao fim. Seu tempo tinha se esgotado, e isso foi mostrado no minuto exato em que a criatura surgiu - literalmente do nada - para atacar o morto. Ela foi tão sutil, tão silenciosa, que Luna só se deu conta de sua presença quando essa já estava muito próxima, ela não seria capaz de se defender.

Instruções e explicações

• Nyx/Nox é tida como primeira rainha do submundo, antes que os outros deuses surgissem e tomassem esse posto, teve o poder suficiente para invocar esses mortos e fazê-los entrar em contato com o semideus. Este é um verdadeiro ataque psicológico, pois, mesmo tendo retornado eles têm um prazo para retornarem para o submundo novamente.

• O dia do encontro é o prazo final e eles dizem isso ao semideus com um medo intenso, pois um monstro estaria encarregado de levar o morto de volta para o submundo, por bem ou por mal.

• Escolha a ser feita: Caso eles sejam mortos por esse monstro, eles cairiam nos campos de sofrimento eternamente. Caso eles voltem por vontade própria, eles seguiriam para o Elísio. Cabe ao semideus e seguir sua trama: deixar que o revivido morra pelas mãos do monstro e sofra por toda a eternidade; ou salvá-lo ao derrotar o monstro, permitindo que o morto retorne ao submundo em paz. Ele só consegue retornar dessa forma depois que o monstro seja derrotado.

• Caso seja a primeira opção, ele assistirá passivo a morte da pessoa ou fazer com que o revivido morra em algum momento da batalha. Porém terá de derrotar o monstro depois disso, pois não contente a fera também tentará levar o semideus para o inferno. Caso o semideus escolha a segunda opção, ele terá a chance de salvar o revivido e dar um último adeus, sabendo que a alma dele estará em um paraíso.

• O monstro é uma Górgona, você deverá derrota-la, ou morrer tentando. Lembre-se que se escolher salvar seu pai, ele será uma distração em tanto, visto que o objetivo principal do monstro é tentar pega-lo e envia-lo de volta para o reino dos mortos.

Sobre a monstro(Retirado do Bestiário):

Górgonas

São seres de aspectos ferozes e femininos. Filhas de Fórcis e Ceto. São três irmãs, sendo a mais conhecida e popular a Medusa. Outrora foram jovens de beleza invejável, porém Atena as amaldiçoou. Atena transformou os belos cachos das irmãs em ninhos de serpentes letais e violentas, que picavam suas faces. Transformou seus belos dentes em presas de javalis, e fez com que seus pés e mãos macias se tornassem em bronze frio e pesado. Cobriu suas peles com escamas douradas, além de possuírem pequenas asas. Quando se enfrenta uma górgona há uma chance de receber o sangue delas, porém todo cuidado deve ser tomado, pois um frasco contém um sangue venenoso e o outro um sangue que é capaz de curar enfermidades.


Poderes Passivos

► Oflidigotas: Por causa de sua maldição, as górgonas conseguem se comunicar com as serpentes.

► Voar: Apesar da sensação de poder apenas flutuar por causa de seu corpo pesado, as górgonas possuem uma habilidade de voar em baixas altitudes.

► Ataques físicos: por ter seus membros recobertos de metal de bronze, um golpe de uma górgona realizado por seus braços e pernas são bastante fortes.


Poderes Ativos

► Ataque das Serpentes: Quando próximas o suficiente pra realizar tal ataque, as serpentes na cabeça de uma górgona inicia um vendaval de botes conseguintes.

Regras

- Prazo de postagem: 20 dias
- O revivido não irá, de forma alguma, permanecer no plano humano. Obrigatoriamente ele irá retornar para o submundo, por bem ou por mal (isso é de sua escolha)
- Irá notar que eu não descrevi nível ou barra de hp/mp da lâmia, por ser One-Post, você deverá narrar o nível de dificuldade do monstro de maneira realista a sua personagem e ambiente.
- Boa sorte.








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Re: Quando o Passado Revive – Luna Blackwood

Mensagem por Luna Blackwood em Seg Maio 29, 2017 1:26 pm



A verdadeira lua
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OR NOT! THE NIGHT IS A BEAUTIFUL CHILD.




Eu ainda estava extasiada em poder tocar o meu falecido pai. Isso era algo que nem em meus sonhos mais malucos eu chegaria a cogitar que poderia acontecer, mas depois de tantas desconfianças e sofrimentos dos últimos dias, eis que eu me encontro cara-a-cara diante dele. Inacreditável como ele conseguia ser tão bom, gentil, protetor e ao mesmo tempo tão legal. Não dava para eu me sentir mais sortuda e feliz do que naquele momento, sei bem disso pois tentei muito ser assim em todos esses meus anos de vida, mas só agora é que eu me sentia completa, com o homem mais importante da minha vida. Porém, é claro que aquilo não era natural, pois os mortos não devem andar entre os vivos, essa é uma das maiores tristezas que todas as pessoas tem que lidar... E é óbvio que eu sabia disso, nesse quesito eu não sou diferente de qualquer outra pessoa, mesmo mortais, só que não queria admitir isso. Antes de tudo, queria aproveitar cada instante, cada conselho ou olhar seu.

Em toda essa minha conversa com meu amado pai, em toda essa alegria e demonstração de carinho que trocávamos, eu estava transbordando de felicidade, mas no fundo eu sabia que logo teria que voltar à realidade. Quando esse momento chegou, e eu perguntei para o meu pai o motivo real de ele estar ali, fora do submundo, eu não soube o que fazer enquanto esperava pela sua resposta. Me preocupava com a possibilidade de ter que lhe dizer adeus outra vez? Ou seria melhor eu me preocupar com o que ou quem havia lhe tirado das garras de Plutão? Tantas outras perguntas pessimistas passavam pela minha cabeça naquele momento, antes mesmo de ele fazer a menção de abrir seus lábios para proferir suas primeiras palavras em resposta à que havia sido minha última pergunta até então. Só que ele infelizmente nem teve tempo de me responder, e nem precisou, pois nossa conversa fora bruscamente interrompida.

Ainda enquanto eu sofria por antecipação, concentrada em seu olhar pensativo e ao mesmo tempo preocupado para mim, nenhum de nós percebeu quando a Górgona se aproximou de nós pelo ar, vindo por trás de mim com um poderoso ataque rasante em minhas costas. Para a minha sorte, o meu escudo encontrava-se em minhas costas, e isso me protegeu dos pés de bronze da criatura e o peso avassalador de seu golpe inicial, mas aquilo foi apenas o começo.

Tão surpresa quanto o meu pai, senti ser jogada na diagonal de seu corpo, passando de raspão pelo seu ombro. Não lhe causei qualquer dano (apenas acabei derrubando-o), mas não podia dizer o mesmo por mim, já que o golpe forte me fizera cair alguns metros longe da minha posição inicial (de frente ao meu pai), e ainda rolar um pouco ao atingir o asfalto. Minhas roupas acabaram rasgadas em minhas juntas (nos ombros, joelhos e cotovelos), que também ardiam por conta dos ferimentos, que para mim eram leves demais para me impedir de me mover, então não consegui deixar de me preocupar principalmente com o meu pai logo em seguida. Foi então que, após o impacto inicial, virei minha cabeça na direção do que havia me atingido (enquanto ainda estava deitada na estrada) e a vi.

Em outra vida ela com absoluta certeza seria linda, pois em geral tinha mesmo um bonito rosto, mas aquelas escamas douradas que cobriam todo seu corpo que não fossem seus braços e pernas feitos de bronze, definitivamente acabavam com qualquer chance que ela teria de ser bonita. Só não conseguiria dizer como seriam seus cabelos se não fosse uma criatura do tártaro, pois no momento eles não passavam de ameaçadoras serpentes que dividiam as suas atenções, entre eu e meu pai. Essas que aliás, pareciam morder o rosto da mulher em suas horas vagas, pois eu podia perceber pelos seus ferimentos como ela estava com sua face desfigurada por conta de seu cabelo vivo, o que de fato era triste. Isso sem falar das horríveis e anormais asas em suas costas, ou as presas de javali que saíam de sua boca. De toda forma, horrenda ou não, ela sem dúvida alguma era ameaçadora, só que nada disso me importou quando notei que ela se aproximava do meu pai.

Após me jogar para tão longe com seu golpe aéreo, a Górgona pousou diante de nós, mas nem escolheu muito quem é que seria sua vítima. Ela notara sim que eu estava ali, pude perceber isso pelo seu olhar de desprezo ao me olhar de canto, mas em nenhum momento ela me tratou como se eu fosse grande coisa, na realidade ela nem mesmo tentou esconder isso. O pouco tempo em que ela parou para me olhar, pude perceber que ela não tirava seu foco do meu pai, já que estava até alinhado com ele enquanto me analisava. E assim que ela viu o quanto eu estava distante demais para defender aquele que era seu alvo principal, aproveitou-se para continuar com o pareceu ter vindo para fazer. A criatura abriu seus braços feitos de bronze literalmente voou contra o ressuscitado, com os braços de bronze abertos como quem queria lhe dar um mortífero aperto, nada muito amigável.

O sibilar das cobras em sua cabeça me deixaram com ainda mais medo do que é que poderia acontecer com o meu pai caso ela o alcançasse, e sem nem ligar para o fato de que ele poderia ou não estar vivo, eu fiz de tudo para impedir com que a Górgona continuasse com seu ataque. Então, quase que de forma instintiva, eu concentrei na palma da minha mão direita fechada a energia mágica que sentia correr pelas minhas veias, convocando assim uma de minhas esferas de luzes. Porém, esta estava mais forte do que das outras vezes que eu havia me utilizado da habilidade, coisa que eu só percebi mesmo quando lancei a esfera de luz na direção da Górgona, produzindo tanto brilho que quase que eu mesma fiquei cega enquanto que a bolinha de luz viajava até a criatura. Não demorou para que a bolinha ficasse entre os dois, forçando meu pai fechar os olhos por conta da luminosidade, mas sem dar nem essa chance para a outra, pois ela literalmente deu de cara com a esfera brilhante.

A mulher de cabelos de serpente nem teve tempo de parar com sua investida quando a esfera de luz cegante entrou em seu caminho, e por conta disso ela explodiu quando se chocou com o rosto da criatura, e lhe causando alguns efeitos não muito agradáveis. O brilho da esfera não apenas deixou-a cega, como também acabou causando-lhe algum dano, quando que fissuras imperceptíveis feitas pela luz tomaram os seus olhos, fazendo com que ela gritasse naquele momento. O melhor de tudo veio em seguida, quando ela se atrapalhou toda em seu voo após chocar-se contra a minha luz e acabou errando ao meu pai, caindo de cara contra o asfalto e ralando-se toda ali. Com certeza ela devia ter ferimentos feios por conta da forma e a força com a qual caiu, mas pouco me importava o seu bem estar, e sim com a chance que havia sido criada para eu e meu pai.

Não tinha como eu me sentir mais aliviada naquele momento, pois logo que consegui fazer com que a criatura errasse o seu bote, aproveitei a chance e me levantei em um salto da estrada, enquanto ela se contorcia no chão. Ainda estava toda ralada, mas pouco me importava, só o que eu queria era ajudar ao meu pai, e por isso corri até ele para segurar a sua mão. Porém, ao perceber que eu estava ali consigo, ele pareceu não gostar muito, o que me deixou ao mesmo tempo surpresa e muito furiosa. Principalmente pelo motivo que ele me deu!

- Pai! Você está bem? –mas logo que tentei ajudá-lo a se levantar, ele tentou afastar as minhas mãos, teimando em se levantar sozinho- Você não pode ficar aqui, por favor Luna, vá embora! Ela veio por mim apenas, se você correr ainda pode evitar que ela te arraste comigo para o inferno. –dizia o meu ceguinho favorito enquanto tentava se levantar sozinho, ainda sem visão por conta da minha luz anterior. Mas por mais que ele estivesse pensando em mim, fiquei furiosa por ele não pensar um pouco em si- Que? Do que você está falando? Eu não vou fugir! E nem vou deixar você... –mas ele me interrompeu, e não estava nada calmo- EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ LUTAR CONTRA UMA CRIATURA PERIGOSA COMO ESSA! –e seu berro foi mais intimidador que o rugido de um Leão de Neméia- Meu tempo aqui está acabando, só pude vir para esse plano tempo o bastante para essa conversa, e meu propósito está no fim. Ela veio se certificar disso, e me levar de volta para o meu tormento, mas eu não quero que você divida o mesmo destino que eu filha. Eu mereço, não fui forte o bastante para viver e ser o pai que você merecia... –só que desta vez foi eu quem o interrompeu. Mas não com palavras, e sim com um puxão, forçando-o a ficar trás de mim, pois a Górgona parecia estar recobrando sua visão e eu estava pronta para encará-la.

- Olha aqui seu velho, eu não ligo se você vai ficar comigo mais cinco horas ou cinco minutos, vou aproveitar cada segundo que eu tiver com você. E se acha que eu vou deixar que essa vadia te leve para sofrer por toda a eternidade só para me salvar, você realmente não me conhece! –ele pareceu ficar chocado com as minhas palavras, como se não acreditasse que eu era capaz de falar daquele jeito- Luna, eu já disse que você não vou deixar... –nesse momento sim eu o interrompi, mas com um pisão no pé e um palavrão- CALA A MERDA DESSA BOCA! –calei a sua boca com um berro, mas ainda olhando para a criatura com cabelos de serpente, que esfregava seus olhos enquanto começava a tentar sair do chão com suas asas. Aproveitando que ela ainda não parecia ter se recuperado totalmente, saquei minha faca e minha espada enquanto terminava de conversar com meu querido pai- Você tem duas escolhas pai. Pode se entregar, e aí eu vou lutar sozinha com essa fera e tudo mais o que Plutão mandar até eu conseguir entrar no submundo e te arrancar de lá para gritar mais com você, ou... –então nós vimos a Górgona finalmente recuperar sua visão, e voar em nossa direção- Pode tentar ser mais útil e deixar de drama para ajudar sua filha a enfrentar uma criatura mitológica de mais de mil anos!

Para a minha sorte, meu pai fez a sua escolha ao me agarrar pelos ombros e me puxar para o lado no momento em que a criatura passou voando por nós, na direção da terra fofa logo ao lado da estrada, entre o asfalto e o lago. Com aquele movimento, evitamos outro ataque da mulher, e dessa fez foi por pouco. Só que após aquele sufoco, ainda no gramado eu olhei rapidamente para o meu pai e sorri, fazendo com que ele sorrisse também- Que foi? Até parece que você consegue lidar com ela sozinha. Só me dá trabalho viu? Pelos deuses... –fingiu reclamar enquanto nos levantávamos, sério, mas dava para ver que ele realmente segurava o riso naquele momento- Mas, sinto que não servirei de muito. Sou apenas um espírito inexperiente aqui. –avisou-me por fim. Não tinha tempo de parar para analisa-lo direito, mas eu podia jurar que vi alguma pontada de orgulho em seus olhos ao olhar para mim, enquanto sorria de forma meiga.

De um jeito ou de outro, logo após nós nos resolvermos a Górgona voltou a voar em nossa direção, mas dessa vez eu consegui contra-atacar. Talvez por estar já cansada de ser importunada por aquela criatura infernal, que teimava em levar o homem que eu mais amo de volta para o inferno, ou quem sabe apenas por reflexo... Não importava, mas sei que fiquei muito feliz quando consegui lançar minha espada na direção da criatura alada, ainda que eu tenha errado.

Pois é, infelizmente, por mais que eu tenha sido rápida ao relaxar a mão que segurava a minha espada antes de lança-la (para que ela deslizasse por entre os meus dedos e voasse até minha inimiga), a criatura alada parou no ar e desviou da minha espada. Seu sorriso cínico diante do meu ataque me deixou ainda mais brava, por isso foi com ainda mais gosto que eu simplesmente recitei- Attrahunt. –e então o meu ataque foi completo, quando a minha espada começou a ser atraída para a minha direção. Porém, acontece que a espada havia acabado de passar pela Górgona quando eu recitei o feitiço, e por isso ela acabou atacando-a por trás ao fazer o caminho de volta para a sua dona, eu. No momento em que a mulher caiu com um berro, ao ter a lâmina negra da espada enterrada em suas costas, foi a minha vez de sorrir- Gostou? –foi minha única palavra, antes de avançar em sua direção e continuar meu ataque.

Quando vi a criatura ao chão, não consegui me segurar e parti para cima dela apenas com a minha faca de bronze celestial em minha mão, mas é claro que não fui louca de ataca-la de perto somente com aquilo. Primeiro, enquanto corria em disparada eu segurei minha faca de bronze pela ponta de seu punho, e respirando fundo eu me concentrei para sentir a velocidade do soprar do vento na direção oposta à minha corrida, então lancei com toda minha força e precisão a faca na direção da criatura. Agora, quando a arma atingiu sua asa e ela conseguiu agarrar a espada em suas costas, eu já estava próxima o bastante para usar mais uma vez meu feitiço- Attrahunt! –e desta vez foram a minha espada e minha faca que voaram até as minhas mãos, causando feridas graves nas costas e em uma das asas da criatura. A primeira, a espada, agora havia tomado um caminho diferente ao tentar vir em minha direção, subindo pelas costas da mulher quando eu lhe chamei. E a minha faca simplesmente voltou pelo buraco que havia feito na asa que atingira, rasgando-a ainda mais.

Quando finalmente a alcancei, já estava com minhas armas em mãos. Ainda assim não conseguia ver dali a sua ferida das costas, mas com certeza havia sido profunda, pois dava para ver o seu sangue escorrendo pelas costas, enquanto que sua asa direita não parecia nada boa também. Mas acontece que eu estava tão animada por vê-la toda machucada, que nem percebi quando a maldita mexeu aquela mão. Meu pai até que tentou me avisar, ao gritar enquanto corria em minha direção- Luna, não fique tão perto dela! –mas antes que eu pudesse entender o que ele dizia, a Górgona deslizou sua mão de bronze até o meu tornozelo e me agarrou. Percebi tarde demais que estava ferrada, quando a criatura simplesmente me puxou pelo tornozelo e me derrubou no asfalto, tudo para que logo depois pudesse subir em mim e ter a oportunidade perfeita para me atacar, como queria.

Ao ficar por cima de mim, a mulher me colocou entre as suas pernas e segurou com firmeza ali, me fazendo até mesmo soltar um desesperado grito de dor ao ter meus quadris pressionados por aquelas pernas metálicas e pesadas. Mas eu senti dor de verdade quando ela começou a me socar. Eu já imaginava que ela faria isso, então tentei ao máximo proteger o meu rosto com minha espada, mas ela foi mais esperta e começou a golpear o meu estômago. No seu primeiro golpe, senti como se estivesse sendo golpeada por um pedaço de cano bem grosso, que me fez perder todo o meu ar de uma só vez. Quando seu segundo golpe veio, eu não consegui resistir, virei para o lado e vomitei tudo que havia em meu estômago, ao sentir seu pesado punho de bronze pressionar meu estômago com tamanha força. Porém, eu mais uma vez fui salva pela sorte... Começou pela reação involuntária do meu corpo ao receber aquele segundo golpe no estômago, que ao me fazer encolher toda para tentar proteger meu estômago, acabou fazendo que meu joelho se encontrasse com força contra o ferimento nas costas da criatura, o que provocou a grande dor que interrompeu seu ataque. Como se não fosse o bastante, meu pai ainda resolveu fazer a besteira de agir e me salvar- Ei, aqui coisa feia! –assobiou, fazendo a mulher e todas as serpentes de seus cabelos sibilarem em sua direção. Ela nem precisou pensar muito, somente me olhou como se analisasse, e assim que percebeu o quanto eu estava ferrada/incapacitada para lhe atrapalhar, a mulher monstruosa nem pensou duas vezes antes de avançar contra ele. Sabia que ela pretendia voltar para me fazer pagar por toda dor que ela sentiu, mas o que me preocupou de verdade foi no que iria acontecer se ela alcançasse ao meu pai.

Encolhida ainda no chão, abraçando a minha barriga dolorida, olhei na direção de meu pai, tentando entender por que é que ele fez aquilo. Ele pelo visto compreendeu meu olhar, e já me disse- Sinto muito Luninha, eu não posso fazer muito, não tenho meus poderes ou equipamentos aqui, lembra? Mas sobreviva filha, faltam só alguns minutos! –e então ele disparou, assim que viu que a criatura estava já parecia até esquecido de mim para lhe perseguir. Eu realmente não entendi o que é que ele queria dizer com aqueles minutos que ele dizia que faltavam, mas não podia nem perguntar, pois aqueles simples dois socos no meu estômago da mulher haviam tirado todo meu ar e me deixado dolorida além do que eu imaginava ser possível. Nem queria olhar minha barriga, pois sabia que com certeza estaria com no mínimo alguns hematomas, ou talvez até alguma hemorragia grave, mas preferi nem pensar nisso. O lado bom foi que, ao olhar na direção da Górgona, vi que ela tentou voar mas não conseguiu, tanto pelo arrombo que uma tinha quanto pela dor que a desgraçada sentia ao mover suas asas. Naquele momento eu sorri, pois vi que ela teve que apelar para correr até o meu pai, e o peso de seus próprios braços e pernas lhe atrapalhavam demais. Ela era lenta, mas ainda assim eu precisava de algo ter certeza de que ela não iria conseguir tocar em meu pai, então comecei a me mover.

Ainda não me recuperara da dor de seus golpes, mas ao menos já começara a sentir que tinha forças para falar, por isso eu arrisquei- Voluptatis... Terra... –sussurrei, com a palma da mão direita direcionada para ela. Felizmente o meu feitiço funcionou, e isso fez a criatura parar de repente, ofegante. E eu não sabia mesmo o que é que ela imaginara estar sentindo por conta do meu feitiço, mas fosse o que fosse aquilo que lhe trazia mais prazer no mundo, com certeza devia ser bem vergonhoso, pois ela até ficou toda vermelha ao perceber que sentia aquelas coisas bem ali diante de seus inimigos declarados. É, eu consigo imaginar bem o que é que ela estava sentindo, mas não vou julgar. Na realidade, após lançar o feitiço eu nem me preocupei mais com ela, e sim com minha dor no estômago que demorava muito para começar a aliviar.

Para a minha sorte, não era a única que se preocupava com meu bem estar, pois meu pai logo veio até mim, assim que deu a volta na criatura atordoada. Ele logo me ajudou a me levantar, calmamente- Calma, é dolorido assim mesmo os golpes dela. Vem, vamos sair daqui antes que seu feitiço perca o efeito... –e então começamos a andar, comigo apoiada em seus ombros. Não estava sendo muito rápida, mas ao menos o feitiço ainda fazia efeito, então tivemos tempo para nos arrastar dali. Porém, é claro que havia uma coisa que eu tinha que saber, pois ainda não entendia- Pa...pai... faltam minutos... para o que? –estava toda dolorida ainda, mas tentei falar. E ele apenas sorriu para mim antes de me responder- Você demorou muito para vir aqui, sabia filha? –e eu novamente fiquei com cara de interrogação. Ele havia tentado responder minha pergunta com outra, mas não fez diferença, eu ainda não entendia absolutamente nada do que ele queria dizer. Porém, com o grito da Górgona surgindo logo atrás de nós, paramos de conversar e voltamos a nos preocupar com a batalha. Eu ainda estava dolorida, mas por sorte consegui me concentrar o bastante para pensar em algo- Pai, o lago... eu tive uma... ideia... –continuava lutando contra as dores no estômago, mas por sorte meu pai nem parou para discutir comigo, somente me seguiu. Logo nós realmente caímos no lago, e eu estava bem o bastante para boiar, após deixar para trás as minhas armas que poderiam servir de peso. Não estávamos muito longe da borda, e isso serviu para encorajar a Górgona, que ao se aproximar para tentar nos pegar, acabou caindo em minha armadilha.

Quando ela se correu até nós, eu já estava preparada, havia concentrado por debaixo da água a energia escura de dentro de mim na maior esfera negra que eu conseguia fazer em uma das mãos, e depois ainda fiz isso uma segunda vez na outra mão. Assim que ela se agachou para tentar segurar meu pai pelos cabelos, eu me adiantei e levei minhas mãos até o meio do peito dela, atirando à queima roupa as minhas duas esferas negras maiores. A explosão que ambas causaram ao impactarem com o peito da mulher foi tremenda, eu mesma fui para trás na água com aquilo, mas ela arregalou os olhos ao sentir toda aquela dor. E antes que eu pudesse ver como ficara seu peito após meu ataque, ela acabou perdendo o equilíbrio e caiu na água, assim como eu queria.

Não demorou muito para que ela se desesperasse (ainda que tenha se mexido bem menos do que eu previa, talvez por que seu peito estivesse realmente dolorido), e começasse a afundar bem depressa, tudo por conta o enorme peso que seus próprios braços e pernas tinham de vantagem com relação ao resto de seu corpo. Era praticamente como jogar uma pessoa com pesos em um lago, então foi inevitável que ela começasse a sua viagem até o fundo do lago. Infelizmente, ele não era assim tão fundo, então resolvi que devíamos sair dali antes que a Górgona conseguisse virar o jogo. E dessa vez não tivemos dificuldades para nos mover até a borda do lago, pois agora já começara a me acostumar com a dor chata que restara dos golpes da criatura. Mas assim que viu o sorriso no meu rosto, assim que nos deitamos na beira do lago para descansar, meu pai não resistiu em falar comigo- Aproveitou da maior vantagem da Górgona e virou contra ela, ein? Gostei, ainda usou o ambiente ao seu favor. –elogiou enquanto ofegava- Talvez tenha sido bom você sentir o peso dos membros dela. –e então rimos com a brincadeira dele. Não havia como negar, eu realmente nem perceberia o quanto seus braços e pernas eram mais pesados que o resto do seu corpo se não tivesse sido espancada pela criatura, o que não me levaria à ter aquela ideia de tentar afoga-la no lago. E pela primeira vez eu realmente me senti inteligente.

Porém, eu sabia que aquilo não era o fim- Obrigada pai, mas não acabou. Eu sinto que ela encontrou uma forma de subir... –disse, enquanto me arrastava com cuidado para longe da borda do lago, me levantando quando me senti segura. Era fácil perceber que algo acontecia, pois sentia tremores vindo do fundo do lago e que pareciam ter algum ritmo, além de estarem se aproximando. Logo, eu presumi que ela talvez estivesse realmente escalando o interior do lago para subir, enterrando seus dedos feitos de bronze para conseguir algum apoio para subir, o que acabou completamente com seus problemas com o peso. Por isso eu voltei a ficar alarmada- Temos que nos afastar do lago, e levar o senhor para algum lugar seguro. –disse, enquanto pegava minhas armas do chão, mas meu pai logo segurou-me pelo ombro- Meu amor, não é assim que funcionam as coisas, infelizmente... –ele dizia pesaroso, o que me deixou ainda mais preocupada com suas próximas palavras- O meu tempo aqui se encerra hoje. Na realidade, logo você verá isso. –concluiu. E mais uma vez eu me distraí, pois a notícia de que novamente perderia o meu pai (ainda que no fundo eu soubesse, só não queria encarar) foi demais para mim- Não... Não, eu posso fazer algo! As outras pessoas do acampamento, elas também tem magia, podem... –ele me calou ao levar seu indicador até meu lábio- Ninguém lá tem esse poder, e mesmo que tivesse e quisesse irritar os deuses do submundo com isso, não há tempo querida, o acampamento é longe... –novamente minhas esperanças morreram. Diante daquilo eu não consegui segurar as lágrimas- Por que... por que isso? Por que fariam algo assim comigo? Eu não posso perder você de novo... –estava à ponto de desabar, e  desta vez nem meu pai conseguia dizer algo para me acalmar.
- Calma. Olha, eu sinto que isso foi obra da sua mãe, Nox, pois já senti a magia dela em minha alma antes e... a sensação é igual. –resumiu, o que ainda me calou, pois capturou a minha atenção, mas não me ajudou a parar de chorar- Mas ela deve ter feito isso apenas para nos dar tempo de conversarmos o máximo possível, meu amor. Pode ser um presente dela para você, para nós, pois nunca tivemos a chance de nos falarmos! Vê? Ela não é tão má assim, certo? –ele parecia seguro com o que dizia... Isso me deixou um pouco na dúvida, pois parecia ser algo cruel, mas pensando bem... Eu sou sua filha, e isso devia valer de algo, não é? Eu realmente fiquei em dúvida se meu pai estava sendo só ingênuo demais ou tinha mesmo a razão, mas afirmei com a cabeça em resposta à sua última pergunta, para que continuasse- Tenho certeza que a doida com cachos de serpentes é obra de alguma outra autoridade do inferno, que estava me caçando para enviar minha alma de volta ao seu chefe desde o início. Mas não importa, só lembre-se que... –e é claro, novamente algo aconteceu e impediu que conversássemos como queríamos.

Acontece que, para ser justa, eu realmente estava atenta ao que via pelo canto dos meus olhos, aguardando o momento em que a Górgona iria sair do lago. Assim poderíamos correr logo que ela desse as caras outra vez, enquanto ela ainda teria que recuperar o ar na borda do lago. Porém, acontece que ela foi bem mais esperta, e assim que conseguiu chegar na superfície recuperou seu fôlego ainda dentro do lago, com a cabeça escondida de minha visão. Dessa forma nem eu e nem meu pai percebemos que ela havia chegado na superfície, e ela aproveitou da nossa distração para avançar em nós. Só que ela fez isso dessa vez agarrando o solo na beira do lago para se impulsionar, usando toda força de seus braços e suas asas machucadas para vir para cima de nós, saindo realmente com tudo do lago para tentar nos matar, de novo.

Quando conseguiu sair do lago, a criatura me golpeou no braço com um potente chute, tão forte que não apenas quebrou meu braço de uma só vez, como também danificou minhas costelas. Não sabia se haviam quebrado ou apenas rachado, mas elas realmente senti uma dor intensa na metade que estava do lado do braço que a megera havia chutado. Isso sem contar que outra vez eu saí rolando pelo chão, com aquele potente golpe da criatura. E agora ela estava mais uma vez de frente para o meu pai. Só que, a situação era completamente diferente de antes...

Minhas armas haviam caído após seu golpe, eu estava ainda mais machucada que antes e, para coroar, ela o segurava pelo pescoço com uma das mãos. Aquilo simplesmente significava que eu não poderia afastá-la dele se a atacasse dali com minha melhor magia, e isso me deixou ainda mais preocupada. Mas foi quando ela recuou a mão (talvez se preparando para decepar sua cabeça ou algo assim) que eu lembrei de algumas palavras do meu pai e tive uma ideia. Ele era um espírito, certo? Então havia ainda uma coisa que eu podia fazer, mas não contra ela, e sim contra ele. Tive que lutar contra toda a dor no meu braço quebrado e nas minhas costelas provavelmente fraturadas, mas consegui apontar a minha mão para o meu pai- NON MANES! –gritei o feitiço a plenos pulmões, por culpa do meu desespero. De toda forma, funcionou, pois o fantasma de meu pai se tornou uma espécie de fumaça e foi jogada à mais ou menos um quilômetro de distância de nós, rolando por todo asfalto. Por sorte ele nem tinha corpo direito ou mesmo forma sólida naquele momento, então eu sabia que ele não iria se machucar. Mas ainda tinha coisas mais importantes para tratar, e agora que havia o afastado, poria me preocupar apenas com a maldita da cabeça de serpente...

Porém, o jogo já havia virado, e eu nem havia percebido.

Ainda preocupada, eu levantei-me do chão ao apoiar no meu único braço bom, cada vez mais conseguindo lidar com a dor lacerante do braço quebrado. E não dei folga para a Górgona, aproveitando que via o quanto que ela parecia confusa sobre quem é que ela deveria atacar naquele momento. Se era eu, a maldita que tanto lhe atrapalhava, ou o seu verdadeiro alvo em sua missão. Mas, antes que ela conseguisse decidir, eu lancei nela mais um feitiço- Questae mutatio! –e então a sua indecisão aumentou de tamanha forma que ela não sabia mais para onde seguir. Ela estava claramente em dúvida de qual decisão tomar, e ficou conflituosa demais por conta disso, o que foi perfeito para que eu tivesse a chance de pegar ao menos uma das minhas armas no chão. Escolhendo minha espada de lâmina negra, concentrei-me na energia negra da Ghost para realizar mais um ataque, concentrando-me o máximo que podia para tirar toda a energia que a minha espada dispunha naquele momento. E usei tanto o meu poder naquele momento, que até a Tatuagem da minha Coorte brilhou, aumentando ainda mais o poder que eu reunia. Aproveitando do tempo que eu tinha, consegui juntar três enormes esferas de energia negra pela lâmina da minha espada, que eu utilizei em minha investida, mas ao mesmo tempo que utilizei também da minha espada. Golpeando as costas da Górgona com a Ghost, não apenas abri um profundo corte entre as asas dela (abrindo ainda mais a ferida que já estava lá, do inicio da luta, formando um ''x'' ali) como também causei uma poderosa explosão ali, ao deixar com que as esferas de energia negra deslizassem pela lâmina da minha arma no momento do ataque e tocassem na criatura.

A explosão de energia fora a mais forte que eu já havia conseguido fazer em toda a minha vida, e ela foi o bastante não apenas para destruir completamente os cabelos de serpente da mulher, como também acabar com a ligação que antes existia entre as asas e as costas da Górgona. E quando ela caiu para frente com o impacto do meu golpe, pude ver ainda o estado em que suas costas ficaram, aquelas marcas e rachaduras negras por entre as suas escamas douradas, deixava-me feliz por tê-la causado um pouco da dor que ela havia me causado até então. Tudo bem que ela nem gritou no momento, mas isso por que o choque talvez fosse demais, ou o meu feitiço de confusão ainda estava fazendo efeito nela, mas o que importa é que ela logo em seguida ela chorou de dor. Claro que aquilo não fora o bastante para acabar com ela, mas dava para ver que ela estava nas últimas, e eu nem havia percebido ainda, mas o oposto acontecia comigo.

Quando ela se levantou (com muito esforço por sinal), deu para ver que praticamente jorrava sangue das suas costas e de onde deviam estar suas serpentes, e aquilo claramente afetava seus movimentos, pois seus braços e pernas tremiam demais enquanto ela tentava se posicionar mais uma vez para me atacar. Claramente estava cega de raiva pelo que eu havia feito, mas de nada esse sentimento adiantou, pois, quando tentou me atacar outra vez, ela nem encostou em mim. Ela estava muito mais lerda que o normal, por causa da perda de sangue, mas eu estava até mais rápida que antes, e essa combinação foi perfeita para mim. Quando seu punho vinha em minha direção, eu desviava para um lado e deixava com que ele passasse ao lado do meu rosto, para que eu tivesse a chance de lhe abrir um pouco com a minha espada, o que aos poucos foi ficando mais fácil. Cada soco que ela tentava desferir em mim, eu desviava e contra-atacava com um corte em seu torso. Porém, foi quando ela avançou com os dois braços para cima de mim e eu tive que desviar rolando pelo chão, que eu notei uma coisa importantíssima no ambiente.

A noite havia chegado.

E foi aí que muita coisa havia feito sentido. Meu pai dizer que eu precisava antes aguentar só um pouco, significava que era para o anoitecer chegar. Ele sabia que logo isso aconteceria, pois eu havia demorado demais para vir ao seu encontro, e teve tanta conversa e luta hoje que é claro que o manto de minha mãe estaria sobre nós logo, meu pai havia percebido isso antes de mim. Era por isso que ele estava tão feliz quando disse que eu havia demorado demais para encontrá-lo, pois eu havia chegado praticamente no fim da tarde no nosso ponto de encontro... Céus, tanta coisa aconteceu que eu nem percebi aquilo chegar, até que fui obrigada a olhar para as estrelas e a lua no céu em certo momento. Quando vi aquilo, quase chorei de alegria ao girar Ghost entre meus dedos, antes de partir para o ataque final. Agora, aproveitando-me da agilidade e força extra que eu sabia que tinha, também manipulei as energias da noite ao redor do meu corpo para que eu pudesse distorcer a luz ao meu redor e ficar parcialmente invisível, enquanto sentia que a própria noite em si me ajudava em minha recuperação. Aquela invisibilidade era para ajudar ainda mais na batalha, pois com um só braço disponível eu tinha que fazer de tudo para garantir que teria sucesso em meu ataque, ainda que existisse agora aquela diferença enorme entre eu e a Górgona ferida.

Dessa vez nós trocamos golpes rápidos, e ela parecia se guiar apenas pelo brilho da lâmina negra da Ghost, pois apenas defendia-se com seus braços metálicos da minha espada, enquanto que recebia cada chute e soco que eu lhe aplicava. Era como se ela realmente quase nem estivesse me vendo, já que a perda de todo aquele sangue já a deixara tonta, enquanto que a minha habilidade de ficar parcialmente invisível não ajudou em nada a criatura. Meus golpes em si não lhe causavam muitos danos, apenas lhe deixavam levemente tonta, mas chegou um momento em que isso e a perda de sangue acabou atrapalhando-a tanto que ela não conseguiu bloquear um de meus golpes com a espada, e este acabou sendo o último. Naquele erro da Górgona, minha lâmina de ferro estige atingiu seu pescoço com força, decepando a sua cabeça careca. Deu para ver o seu rosto espantado ao receber meu ataque final, mesmo enquanto a sua cabeça rolava para frente, e se transformava em areia dourada assim como o restante de si.

Finalmente eu consegui abrir um sorriso de alívio, ao ver aquela coisa voltando ao pó dourado de onde viera. Acabando por me sentar no chão finalmente, ao ver que não havia mais pelo que lutar. Porém, nem tudo era festa. E não, eu não falo apenas da dor insana do meu braço quebrado (ela até que estava suportável agora, graças as energias noturnas), mas sim de outro tipo de dor...

- Luna... –meu pai finalmente havia voltado, após eu lhe jogar para longe dali, e me chamava, mas quando eu virei em sua direção... Meu coração quase parou quando eu o vi, pois o meu pai brilhava, como se cada pedacinho seu fosse uma bolinha de luz que agora começasse a se separar. Ou até, como se um enxame de vagalumes estivesse se separando, antes de desaparecer em pleno ar...

E eu posso estar longe de ter qualquer ligação com os mortos ou qualquer espírito no nível em que uma prole de Plutão teria, mas a minha mãe ainda tinha ligação com o submundo e os mortos, sem falar da magia, então era óbvio para mim o que acontecia - Você foi muito bem, mas chegou a hora querida. –ele confirmou minhas suspeitas. E eu comecei a chorar descontroladamente- Não, pai... eu tenho tanta coisa ainda para perguntar... –e praticamente me perdi em meu choro alto, com meu pai em pé à minha frente tentando me acalmar- Meu amor, eu queria poder ficar, mas meu lugar não é mais aqui. Eu fico feliz demais por vê-la, saber o quanto cresceu, o quanto ficou forte e se tornou tão maravilhosamente parecida com sua mãe, mas... temo não conseguir ir embora se ficar mais tempo contigo. –avisou, se ajoelhando na minha frente, com seu espírito ainda se desfazendo- Se eu ficar, vão aparecer coisas muito piores do que aquela criatura, e eles sim terminação o serviço de arrastar nós dois para o inferno. Mas saiba que eu estou orgulhoso, matou uma Górgona com menos idade do que eu, e demonstrou ter muito poder e genialidade viu? Gostei, honrou com toda certeza a primeira coorte. –ele sorria, ao apontar seus dedos brilhantes para a tatuagem em meu braço.

Porém, eu estava tão mal que nem conseguia mais erguer meu rosto em sua direção, chorava demais com a sua perda, e talvez nem conseguisse me despedir dele... Isso é, se ele não tivesse sido ele mesmo uma última vez- Ei, Luninha. Sabia que no céu tem pão? –e eu não resisti em rir um pouco, ainda enquanto chorava- Isso é coisa para se dizer em uma hora dessas? Seu idiota sem noção... –dizia entre risos ainda- Precisava ver você sorrindo uma última vez, e você não parava de chorar... –brincou, enquanto bagunçava os meus cabelos uma última vez. Após alguns segundos, ainda com os olhos cheios de lágrima olhei para ele, tentando engolir a minha tristeza para me despedir do meu pai como deveria. E ainda bem que fiz isso, pois metade dele já havia sumido- Se cuida, tá? Nunca abaixe a cabeça. Trate de se agasalhar sempre que sair, corra atrás de quem te ame, mas sempre tome cuidado com garotos. –eu afirmei com a cabeça, e ele sorriu para mim mais uma vez. Mas agora era meu pai estava com os olhos marejados, enquanto que tentava secar os meus, o que só me fez derramar ainda mais lágrimas. Parecíamos duas torneiras pingando... e piorei ainda mais ao notar que agora já nem conseguia mais sentir seu toque, ele era puramente um espírito em transição, por isso só pude olhar para ele no final da nossa conversa...

- Pai, o que faço agora? Você vai ficar bem? –não resisti em perguntar, preocupada em imaginá-lo voltando para as garras de Plutão, e talvez até ser ainda mais torturado por ter fugido. Porém, sua resposta me tranquilizou- Depois de ver a minha filha tão saudável e lutando tão bem? Garanto que sim! –riu- De verdade, eu sinto que desta vez estou indo para um lugar melhor, e não apenas aonde sofrerei uma eternidade de dor e angústia. Acho até que vai ser melhor ainda agora que eu tive a chance de falar com você, já vi que está ótima, cresce mais à cada dia e tem tanta bondade nesse seu coraçãozinho, mesmo após tudo que passou –e então ele sorriu pra mim uma última vez, quase que se desfazendo por completo. Naquele momento, restando apenas sua cabeça e parte de seu pescoço diante de mim, eu sussurrei- Te amo pai. Para todo o sempre... –estava à beira de uma nova crise de choro, mas felizmente meu pai me respondeu. Mais do que isso, enquanto as últimas bolinhas de luz que compunham seu espírito se separaram e desapareciam, ele teve a chance de dizer uma última coisa- Também te amo, baixinha. Aconteça o que acontecer... –e então ele se foi...

Eu nunca chorei tanto em toda a minha vida, e nunca senti uma dor tão forte antes. Meu coração parecia estar doendo várias vezes mais que o meu braço naquele momento, e essa dor em especial nem mesmo as sombras de minha mãe conseguiam aliviar. Estava tão triste em vê-lo ir embora, quanto estava feliz por ter tido a chance de falar com ele pela primeira vez... Eram sentimentos contraditórios sim, e demoraria para que eu me recuperasse dessa perda que eu tive que sofrer pela última vez, mas ao menos agora eu tinha tempo para isso.

Me restava agora recuperar-me de minhas feridas físicas restantes e me preparar para partir, pois demoraria muito mais para meu coração se recuperar disso tudo... Ao menos me consolava saber o que meu pai realmente pensava de mim, isso sim era uma recompensa que eu não trocaria por nada desse mundo!




Poderes Utilizados:

Poderes Passivos:
Nome do poder: Aliado da Noite
Descrição: Quando lutam durante a noite os filhos de Nyx/Nox ganham uma força extra de campo, que permite que suas habilidades sejam aprimoradas de uma maneira surpreendente. Os atributos de força, agilidade, esquiva, e velocidade, são melhorados.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +25% de força, velocidade, agilidade, e esquiva.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Cura Noturna II (de Nyx/Nox)
Descrição: Ao estar imerso na escuridão, os filhos da deusa podem recuperar energia de forma involuntária. O processo de cura acelerou, e agora as feridas pequenas fecham em questão de segundas, enquanto as maiores ainda têm um processo de regeneração lenta, e uma parte maior de sua energia retorna ao corpo. (Pode ser usado uma vez a cada 3 turnos)
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +50 MP e 50 HP
Dano: Nenhum

Nome do poder: Cura Noturna I (de Hécate/Trivia)
Descrição: Bastam os raios da lua ou as sombras para que seus ferimentos comecem a se fechar e criarem uma casca preta, como de uma ferida, feitas de pura energia negra, nesse nível só consegue recuperar uma pequena parte de sua energia, e apenas feridas mais leves são fechadas, as mais fundas ainda não se recuperarão. (Só pode ser usado uma vez a cada 3 turnos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +10 HP e +10 MP
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Laminas II
Descrição: Conforme o treinamento do semideus evoluiu, sua precisão com laminas se tornou ainda mais evidente. Agora, outros tipos de laminas também se tornam perfeitas em suas mãos, e mesmo sem nunca ter manejado essa arma, terá certa facilidade em lutar com elas. Espadas longas e lanças, podem virar armas tão mortais em suas mãos, que é melhor seus inimigos se afastarem.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +70% de assertividade no manuseio de laminas (adagas, espadas, lanças, e etc).
Dano: +35% de dano se o oponente for acertado pela arma do semideus.

Nome do poder: Pericia com Punhais I
Descrição: O semideus tem certa facilidade em lidar com punhais, sendo uma arma sagrada em rituais e ligada diretamente a magia, o semideus se sente mais à vontade em lidar com elas, e mesmo sem nunca ter empunhado um punhal, se sentira familiarizado com a arma. Nesse nível, ainda comete erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de assertividade no manuseio de punhais.
Dano:  +5% de dano se o inimigo for acertado pela arma do semideus.

Nome do poder: Descendente da Magia I (de Hécate/Trivia)
Descrição: O filho de Hectare/Trivia é descendente direto da magia, ela corre por seu sangue, e para ele, age como um condutor natural. Essa ligação lhe permite uma aprendizagem rápida de feitiços, conhecimento de livros antigos, bem como realização dos mesmos. Ao aprender sobre magia, a prole de Hécate/Trivia, também fica mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:  Ganha 10% de força em seus feitiços (em poderes ativos).
Dano: +5% de dano se os feitiços acertarem.

Nome do poder: Bom Magico III (de Nyx/Nox)
Descrição: Mágicos menos experientes deveriam temer você. Sua magia vem ficando mais forte, ou você não notou que seus feitiços têm adquirido um dano dobrado? É, você é um semideus realmente surpreendente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganha 30% de força em seus feitiços (em poderes ativos).
Dano: +15% de dano se os feitiços acertarem.
Poderes Ativos:
Nome do poder: Brilho Estelar II
Descrição: O semideus consegue produzir uma esfera de luz prateada, semelhante ao brilho das estrelas. Agora sua esfera ficou mais forte, e além de causar cegueira durante um turno inteiro, também cria uma leve ardência sobre a pele, semelhante a picada de um isento. Isso acontece porque a esfera produzida ganha fissuras de luz semelhante a agulhas invisíveis a olho nu, que causam cortes – sem abertura – sobre a pele, deixando pequenos riscos brancos na região atingida.
Gasto de Mp:  20 MP
Gasto de Hp:  Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 30 HP
Extra: Nenhum

Feitiço: Attrahunt.
Descrição: Um feitiço que – nos níveis mais baixos – é capaz de atrair pequenos objetos e armas (exemplo: sua espada caiu longe de você durante uma batalha, pode usar o feitiço para atrai-la).
Gasto de Mp: - 15 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser utilizado apenas com o olhar.

Feitiço: Voluptatis Terra
Descrição: Esse feitiço é capaz de anestesiar os sentidos do atingido por até dois turnos dando a ele a sensação de estar experimentado a coisa que mais lhe traz prazer na Terra.
Gasto de Mp: - 10 de MP por turno que estiver ativo.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua cheia, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser utilizado não verbalmente.

Nome do poder: Manipulação de Energia Escura I
Descrição: O filho de Nyx/Nox consegue criar uma pouca quantidade de energia escura sobre a ponta dos dedos, concentrando-as e transformando-as em esferas de energia negra. Quando junta os cinco dedos, forma então uma bolinha maior, do tamanho de uma esfera, e a lança contra o peito do inimigo, causando um dano não muito grande.
Gasto de Mp: 5 por esfera criada.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 10 por esfera liberada, totalizando um dano de 50 HP.
Extra: Nenhum

Feitiço: Questae mutatio
Descrição: Esse feitiço serve para que você deixe o alvo sem nenhuma convicção do que ele quer. Ele basicamente entra em conflito.
Gasto de Mp: - 20 de MP por turno que estiver ativo.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua minguante, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente. Não funciona se o alvo tiver total certeza do que pensa/deseja.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser utilizado não verbalmente.

Nome do poder: Invisibilidade Noturna I
Descrição: Durante a noite, o filho de Nyx/Nox consegue manipular a energia ao redor do seu corpo, e ficar parcialmente invisível, nesse nível, só consegue deixar o corpo translucido, como de um fantasma, mas serve para se disfarçar e ocultar do inimigo, durante a noite pode acabar se escondendo, ou sendo confundido com um fantasma.
Gasto de Mp: 10 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
Armas:
• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

*Ghost: A espada curta e irregular - com cabo de couro e lâmina de ferro estígio-, possui a habilidade de, basicamente, se adaptar ao usuário em relação ao seu peso e equilíbrio. Envolta por energia negra, a arma pode facilmente 'incrementar' as habilidades dos filhos de Nyx, fazendo com que este não precise 'criar' a energia para poder usá-la. (Só pode usar a energia negra da arma 3 vezes por missão/PvP/MvP){By Nyx}

*Escudo Estelar: Escudo feito de titânio, com pequenos cristais incrustrados que lembram uma noite escura com pequenas estrelas no céu, é indestrutível e perfeito para lutas corpo a corpo.


#02

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Re: Quando o Passado Revive – Luna Blackwood

Mensagem por Hades em Ter Maio 30, 2017 10:49 am


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

Exp: A primeira parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Do nível 11 ao 20: 5.000

Dracmas: A primeira parte recebe 5 mil dracmas.
Item: Recebe apenas no final, na avaliação da segunda parte..

Avaliação

Experiência: 5.000
Dracmas: 5.000
Comentário:
Você tem melhorado bastante, Luna. De forma que não avistei erros evidentes em seu texto e acredito que você possa melhorar ainda mais no futuro.

Item

Nesse evento, por ser particular de cada um e cada um ter desenvolvido de forma diferente, nada mais justo do que o item também ser único para cada um. Porém, para não ser injusta nas minhas escolhas, o item desse evento será montado por você! Veja a lista abaixo, faça suas escolhas e mande por MP para mim o item final!


Tipo: Escolha o seu tipo de item abaixo, acrescente uma descrição específica caso queira, é apenas o visual da arma e o seu tipo. Caso não descreva, será usado o padrão da loja, com tamanho e demais informações. Caso queira Arco ou Besta, ele virá automaticamente com um pacote de 30 dardos/flechas.

• Espada [escolha o seu tipo]
• Faca de Caça
• Adaga
• Arco [escolha o seu tipo]
• Besta [escolha o seu tipo]
• Lança [curta ou longa]
• Foice
• Chicote
• Escudo


Material: Escolha o material que você deseja que sua arma tenha, é possível apenas a escolha de um material. A escolha do material interfere diretamente no dano que a arma vai provocar, assim como o bônus natural do material.

• Ferro estígio
• Bronze Celestial
• Ouro Imperial
• Oricalcio


Efeito 1: Poderá escolher um dos efeitos elementais abaixo. Apesar de estar descrito “arma”, o efeito irá adaptar-se ao tipo dela. Exemplo: serão as flechas a serem encantadas.

• Fogo [a arma será coberta por chamas, provocando 20% a mais de dano e tendo chance de provocar queimaduras]

• Ar [a arma é revestida por uma fina corrente de ar, tão fina que acaba permitindo um corte mais afiado, provocando 20% a mais de dano e dobra as chances de causar danos a materiais de resistência superior]

• Elétrico [a arma é revestida pelo elemento raio, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar paralisia pelo choque]

• Veneno [a arma é coberta por veneno, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de envenenar caso atinja a corrente sanguínea, causando -15HP por 4 turnos]

• Gelo [a arma é revestida por uma fina e dura camada de gelo, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar lentidão no movimento]

Efeito 2: Poderá escolher apenas um dos efeitos abaixo

• Acessório: escolha um acessório que a arma poderá se transformar, especificando qual.
• Ligação com o dono: a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado.


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Re: Quando o Passado Revive – Luna Blackwood

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