The Blood of Olympus
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Quando o Passado Revive - Georgia Blanchard

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Quando o Passado Revive - Georgia Blanchard

Mensagem por Georgia Blanchard em Sab Maio 20, 2017 5:42 am



M y ghost
where'd you go?

Estava numa praia, era fim de tarde e haviam dezenas toalhas de piquenique  estiradas encima da areia branca onde dezenas de famílias reuniam-se ali dividindo lanches, fazendo brincadeiras e enchendo o ambiente com sons de riso que os ventos levavam e traziam. Coisas comuns de um 4 de julho nova-iorquino. Georgia sabia que estava em um sonho. Aquela cena não passava de uma réplica de uma memoria de sua infância, uma das poucas que não tinha sido queimada pelo tratamento médico. A garota puxou uma lufada de ar antes de mover as obres claras para a direita, sabendo exatamente quem encontraria ali, com cabelos loiros cor de ouro cortados num chanel longo, roupas típicas de verão e um doce sorriso nos lábios: Era Eleanor, sua finada mãe.

Tome querida, fiz o seu favorito. – O som da sua voz fez Georgia se arrepiar. – Tomate seco com queijo e carne. – Ela ofereceu o sanduiche embrulhado num papel transparente para a garota que simplesmente a encarou, boquiaberta.

O que...?  – Georgia tentou encontrar as palavras corretas, mas nenhuma em nenhuma língua existente poderia ser capaz de expressar o tamanho da sua confusão de sentimentos.

Eleanor continuou ali, sorrindo com o sanduiche esticado na direção da filha como se estivessem na mesma cena de 13 anos atrás.

Vamos lá, eu vim de tão longe! Não me faça esta desfeita.  – Ela sacudiu o embrulhinho á sua frente até que Georgia o pegou e, com as mãos trêmulas, começou a desembrulha-lo para em seguida dar uma mordida. Péssima decisão. Assim que o sabor daqueles ingredientes tocaram sua língua parecia que suas entranhas tinham sido puxadas para baixo por garras afiadas e seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.

Mamãe... – Disse numa voz embargada por lágrimas e um sanduiche. – Isso é real? – Perguntou mesmo que já soubesse a resposta.

Eleanor sorriu novamente, porém dessa vez havia melancolia em seus olhos verdes, iguais aos da filha, mas ela logo virou-se para fitar o céu.

Veja só, os fogos estão começando. – Disse num tom falsamente animado e Georgia cometeu o erro de olhar. Assim que a primeira centelha dourada subiu aos céus e explodiu sob uma salva de palmas e gritos das outras famílias, tudo ficou preto.

SEGUNDA FEIRA, 02:25 AM. Acampamento - Meio Sangue, Chalé de Morfeu

Georgia acordou com as lágrimas deslizando pelo seu rosto e com toda sua musculatura travada.

Paralisia do sono, que ironia cruel...

Ela sabia o que fazer, vinha lidando com paralisias do sono a meses desde que começou a ser perturbada por sonhos estranhos relacionados ao dia em que sua mãe foi morta. Nas primeiras vezes era realmente assustador, dentro de si,  tentava de tudo escapar daquela prisão, Georgia sentia como se sua alma se sacodisse mas seu corpo não obedecia, sua respiração era fraca pois parecia que haviam dezenas de barras de ferro pesadíssimas encima de seu peito então tudo que poderia fazer era chorar e emitir pequenos grunhidos de agonia enquanto aquela sensação horrível lhe consumia cada vez mais, arrastando-a para uma escuridão sem fundo, e então... Desaparecia como se nunca tivesse existido.

Sabia que mover os dedos da mão era inútil, mas mesmo assim tentou. Parecia que eles estavam presos por fios finos atados a um peso gigantesco de modo que apenas pequenos espasmos eram possíveis serem realizados, a mesma coisa nos dedos dos pés. Georgia não estava mais tão assustada, suas lágrimas eram de tristeza e não de terror, além do mais ela sabia como se livrar daquela prisão com um pequeno truque que aprendeu no meio de uma terrível crise, então logo tratou de reunir todas as forças que possuía para mover a língua até o espaço entre suas duas arcadas dentárias e sem hesitação mordeu o músculo. De inicio não conseguia por muita força, o torpor era forte demais para que pudesse se controlar com o mínimo de destreza, mas aos poucos e com muito esforço a semideusa conseguiu morder forte o suficiente para que a dor libertasse seu corpo da prisão.

O sentir o choque da dor liberta-la um gemido sofrido escapou de seus lábios. Geralmente a primeira coisa que fazia depois de “acordar” daquele estado era levantar e tomar um banho, porém daquela vez ela permaneceu deitada por um longo tempo, o leve gosto do sangue invadia suas papilas gustativas e apagavam amargamente a imagem do sonho.

O sonho...

Naqueles instantes de agonia Georgia havia esquecido do sonho, mas era só fitar o teto do dormitório que poderia rever sua imagem projetada. Naquele momento, ela amaldiçoou seu estúpido pai por ter tido a ideia de girico de por um teto que refletia sonhos sabendo que seus filhos tinham memória eidética. Aparentemente imortalidade não trazia um grande leque de sabedoria.

Georgia mirou o teto e viu a si mesma com o rosto estupefato e cheio de lágrimas encarando sua mãe. Com a ajuda do braço direito ela ergueu o tronco e sentou-se na beliche, escorando as costas na parede atrás de si e erguendo um joelho afim de apoiar a mão nele enquanto a outra permanecia na cama. Novamente seus olhos se encheram de lágrimas ao ver o rosto sorridente de Eleanor, porém nenhum som escapou de seus lábios. Assistiu a cena se repetir centenas de vezes como um disco quebrado mas mesmo assim não moveu um músculo sequer, pelo contrário, deixou que a dor em seu peito se expandisse como uma espécie de teia de aranha alcançando cada célula de seu corpo, sufocando cada órgão até que dilacerasse seu espírito.

Eleanor havia morrido a treze anos atrás num acidente de carro enquanto dirigia junto com a filha para São Francisco, porém algo naquela memória parecia muito errado, quase como se ela tivesse a ouvido por um mentiroso do que realmente vivido.

Desde fevereiro Georgia estava sendo atormentada por um estranho pesadelo borrado onde revivia o acidente da mãe, porém com um acréscimo: Uma massa negra gigantesca se chocava com o carro ao invés de um carro de som, como lembrava. A massa era indistinguível, mas ela avançava para a lateral do carro rugindo ferozmente e com uma única patada a coisa derrubou o carro e... E ai tudo ficava escuro e o sonho acabava. Georgia sonhava aquilo todas as noites desde então e por esse motivo havia adoecido horrivelmente. Perdera peso, seu humor amigável e extrovertido tinha sido trocado por algo fechado e insano. Furava todas as aulas do acampamento para trancar-se em seu quarto e induzir-se ao sono apenas para que pudesse ver aquela coisa novamente. Estava obcecada. Com o passar do tempo ela conseguia ver o sonho minimamente melhor, porém demorou cerca de um mês e meio para que finalmente pudesse reconhecer a fera como um Cão infernal, o mesmo que lhe assombrou no convento uma semana antes de ser escoltada para o Acampamento Meio - Sangue.
                                                                                                         

{...}




O sol já jogava seus raios suavemente no Acampamento e foi ai que Georgia se deu conta do quanto tempo havia passado sentada ali, perdida em seus trágicos devaneios.  

Enxugou os olhos com a barra da camiseta velha que usava para dormir, esticou o corpo longamente até que seus músculos não estivessem mais tão rígidos e com um pulinho desceu da beliche rumo ao banheiro. No espelho acima da pia, seu reflexo lhe encarava com uma aparência terrível: Olhos inchados e vermelhos, nariz escorrendo, a pele irritada e os cabelos sem ordem alguma. Georgia suspirou e ligou a torneira para jogar um pouco de água gelada no rosto antes de puxar sua toalha e partir para o banho. Mesmo que estivesse ainda amanhecendo, ela pretendia dar uma caminhada pela praia para por de lado aquele horrível sonho. Sua cabeça doía demais e seu coração pesava demais para que pudesse lidar com aquilo de uma forma racional.  

Enquanto a água fria molhava seu corpo, a semideusa tentava se convencer que aquilo era apenas um sonho qualquer e massageava os cabelos cheios de shampoo na esperança que aquilo pudesse, de alguma forma, lavar o sonho da sua mente. Mesmo que no fundo, algo lhe dissesse que não havia sido apenas um sonho.

Vamos lá, eu vim de tão longe! Não me faça esta desfeita” Eleanor havia dito. De tão longe? Longe de onde? Ela estava morta!

Georgia saiu do chuveiro secando o corpo e rangendo os dentes. Pisava duro no chão do chalé de Morfeu enquanto procurava seus jeans e camiseta do acampamento, mas foi quando passava a toalha pelos cabelos platinados que ouviu a voz em sua cabeça: “Os mortos estão inquietos”.

Não era a voz de nenhum conhecido e muito menos de sua mãe, ela parecia ser de ninguém mas causou um arrepio na espinha da garota que simplesmente não era possível de ser ignorado.

TERÇA –FEIRA , 3:12 PM, Acampamento Meio – Sangue, Colina Meio – Sangue.

Isso é injusto! Não era minha vez de fazer patrulha! – Disse batendo forte o pé no chão e amassando várias folhas secas de uma vez só. Uma risada bem humorada soou atrás de Georgia e ela se virou de cara feia para encarar um rapaz de cabelos escuros e pele azeitonada que se posicionava tranquilamente ao seu lado com as mãos em seus bolsos. Poderia se passar por um adolescente ordinário se não fosse pela enorme espada de lâmina curva presa em suas costas.

Quem é você mesmo? – Perguntou secamente, porém ele deu uma gargalhada o que fez a loira desejar quebrar seus dentes um por um.

Theo, lembra? Seu parceiro na patrulha de hoje. – Ele respondeu e Georgia rosnou, voltando seu corpo para frente afim de fitar o horizonte mas sem realmente vê-lo. Sua cabeça ainda estava bastante aérea devido a privação de sono e os pensamentos voavam longe daquela tarefa, perdidos naquele sonho da noite passada. Soltou um pesado suspiro e apoiou o peso do corpo em um pé, cruzando os braços encima do peito.

O que a estrada fez para você? – Theo perguntou com aquele irritante risinho na voz. Georgia cerrou os dentes e lhe encarou com um olhar fulminante, mas ele apenas deu de ombros sem alterar a expressão relaxada de seu rosto. – Só estou perguntando para não fazer o mesmo.

Georgia suspirou impaciente outra vez.

Olha garoto, não estou com paciência hoje. Vamos fazer essa maldita patrulha em silêncio, hm? – Disse gesticulando intensamente com as mãos, sem conseguir esconder seu estresse.

Você me parece cansada.– Theo ignorou tudo o que a semideusa havia dito o que a fez querer prender a língua dele no pinheiro de Thalia com sua adaga. – Olha, se quiser pode descansar, se algo acontecer eu a chamo.
Georgia o olhou de cima a baixo, analisando sua expressão. Ele parecia estar sendo verdadeiro e não parecia o tipo de pessoa que iria ferra-la depois falando para Quiron que fizera o trabalho só enquanto ela dormia.

Relaxa, não estou armando pra você – Ele deu um sorriso largo, os dentes brancos quase faiscando na luz do sol. Georgia assentiu uma vez e murmurou um agradecimento antes de caminhar até as raízes do enorme pinheiro e achar um lugarzinho confortável para se deitar. O sol da tarde não era tão forte ali e passava os raios de forma quase gentil entre os galhinhos da árvore que ocasionalmente se agitavam com a brisa. Não demorou nem cinco minutos para que a filha de Morfeu caísse no sono, sem ao menos o induzir, porém o sono era leve e apesar de estar descansando ela estava levemente ciente do que acontecia ao seu redor. O tempo parecia passar de forma diferente, não era lento e nem rápido, na verdade era complicado explicar sua velocidade. Georgia poderia estar semiadormecida á cinco minutos ou cinco horas.

Venha cá, bonequinha.
Como se seu corpo tivesse sido atingido por uma onda de choque, Georgia deu um pulo. Olhou de um lado para o outro procurando de onde poderia ter vindo aquela voz, porém a única coisa que conseguiu ver foi Theo e seu estúpido olhar de preocupação. O coração da semideusa palpitava como se tivesse corrido uma maratona, aquela voz era da sua mãe. Não havia duvida alguma, era exatamente a mesma que havia ouvido em seus sonhos assim como lembrava-se em sua memória.

Pesadelo? – Perguntou Theo com a testa franzida. Georgia tentou sentar-se e encostou as costas no tronco do pinheiro com os olhos fechados, uma tentativa nula de tentar trazer de volta o som daquela voz, quem sabe ouvir outra coisa, mas tudo que captava ali era o barulho dos ventos soprando contra as folhas das árvores.

Não exatamente. – Respondeu flexionando os joelhos e trazendo-os para si afim de apoiar a testa ali. – Algo está errado. – Sussurrou mais para si mesma do que para o filho de Aurora.

Posso perceber isso, é a primeira vez que fala comigo como se eu fosse um ser-humano normal e não uma pelota de poeira. – Ele disse se aproximando de onde a loira estava sentada e pôs-se a observa-la. – O que aconteceu?

Ao som daquelas ultimas palavras, Georgia apertou mais forte as pernas contra seu corpo, agarrando as barras dos jeans. O que havia acontecido realmente? Um sonho? Uma alucinação? Não, era mais que aquilo mas ela não sabia explicar, não teve tempo para absorver a informação completamente.

Eu... Tive um sonho estranho ontem a noite – Disse num tom baixo enquanto mantinha os olhos cravados nas folhas mortas dispostas no chão.

Estou ouvindo.

E Georgia explicou-lhe o sonho que havia tido noite passada assim como o sussurro que havia ouvido a pouco tempo atrás. Theo era um bom ouvinte, não a interrompeu nenhuma vez e não fez piadas, muito menos tinha aquele arzinho de riso de sempre, o que fez a loira não querer lhe socar. Quando terminou as explicações ele tinha uma expressão preocupada.

Isso não foi um sonho normal, Georgia. – Ele disse fitando-a, ela podia sentir seus olhos escuros em si, mas conseguia encara-o de volta. – Filhos de Morfeu com paralisia do sono? Isso não existe! Você precisa refletir sobre o que isso quer dizer, algo grande pode estar vindo.
Georgia quase riu. Mal ele sabia que suas paralisias do sono vinham acontecendo a meses, mas achou que o filho de Aurora não deveria saber do estranho sono que a perseguia e muito menos que estava perdendo a sanidade aos poucos com aquilo. No momento o foco era outro.

Minha mãe está morta, Theo. Não tem como ela vir até mim e muito menos sussurrar ao meu lado. – Disse finalmente virando sua cabeça para ele e seu olhar era um misto de confusão, desespero e tristeza.

Olhe ao redor, garota. O mundo em que vivemos não é normal. Os mortos podem estar inquietos, há boatos... – Ele não chegou a terminar a frase, porém aquilo foi o suficiente para que a mente paranoica da garota começasse a trabalhar como um motor de um carro potente.

É... Eles estão inquietos. – Disse fitando o rosto do rapaz mas sem realmente vê-lo.

QUARTA – FEIRA, 7:00 AM Acampamento Meio – Sangue, Pavilhão do refeitório.


Complicado era uma palavra simples demais para descrever o que se passava pela cabeça de Georgia naquele dia. Era quarta e ela se sentia ansiosa.
Dois dias, dois sinais. Não era necessário ser um gênio para saber que a probabilidade de algo acontecer naquele dia era gigante. A garota se remexia inquieta em sua cadeira, o café quente ainda estava em seu cálice e exalava um aroma delicioso, assim como em seu prato estava uma bela omelete de provolone com presunto, uma de seus pratos favoritos para começar o dia, embora ainda não aceitasse que seu café vinha num cálice. Monstros mitológicos atacando adolescentes, deuses andando no mundo real, o monte olimpo no Empire State e sussurros da sua mãe morta eram coisas aceitáveis, mas café num cálice era algo ridículo. Seu estomago se contorcia implorando por uma garfada da omelete mas Georgia se contentou em mastigar o lábio inferior enquanto movia os olhos de forma nervosa por todo o refeitório á procura de um sinal, porém no fim das contas a fome a venceu e ela voltou sua atenção para o prato. Apesar do sabor estar incrível como sempre, a filha de Morfeu simplesmente não conseguia apreciar o prato. Milhares de vozes em sua cabeça gritavam mais alto do que a algazarra no refeitório e elas faziam perguntas, perguntas que Georgia não sabia responder mas a tortura continuava e ela não tinha um segundo de paz se quer. A noite passada foi regada a caminhadas em círculos no chalé e um sono ralo onde acordava a cada meia hora, o resultado daquilo eram olheiras ainda maiores e um humor digno de Hades.

Hades...

Seria aquilo culpa dele? O rei do mundo inferior teria sido descuidado e deixado almas escaparem? Aquilo parecia uma teoria plausível, não seria a primeira vez que aquilo aconteceria afinal não era exatamente incomum que almas escapassem do sub mundo numa tentativa de fugir de seu destino e sua mãe poderia ser uma dessas, tentando desesperadamente contatar a filha que a muito havia perdido.

Quando Georgia terminou de comer sentia uma espécie de fogo sob sua pele, era determinação. A 3 dias sua mãe estava largando pequenas pistas ao seu redor, seria um quebra-cabeças? Mas que irritante, mãe, pensou enquanto arrastava a cadeira para trás com o impulso dos pés e se dirigia para a saída do pavilhão. Seria mais fácil se falasse logo de uma vez.

Já estava quase na metade do caminho quando uma voz a chamou.

Hey, garota! – Georgia se virou e um rapaz de aparência desconhecida corria em sua direção segurando algo que parecia um papel. – Esqueceu isso na mesa. – Disse-lhe entregando o pequeno retângulo para a loira, que o encarou confusa, porém mesmo assim pegou o papel da mão dele e murmurou um agradecimento antes de retomar seu caminho.

Enquanto se arrastava para uma de suas aulas daquele dia, Georgia abriu o bilhete e seu coração deu uma batida particularmente forte. Uma corrente de adrenalina pareceu percorrer suas veias enquanto ela olhava, alucinada, as poucas palavras escritas ali numa caligrafia pequena e redondinha.

“Um bom café da manhã é o primeiro passo para começar um bom dia.”

QUINTA-FEIRA, 7:05 PM, Acampamento Meio -  Sangue, Lago.


Georgia teve que quebrar a cabeça por horas e horas em seu chalé, até anotações havia feito até chegar a mais obvia conclusão: Procurar Quiron e esperar que ele a esclareça sobre o assunto, o que ela não esperava era que o centauro estaria ocupado em outra parte do acampamento e quem estava responsável casa grande era o desagradável Senhor D, mais conhecido como Dionísio, o deus do vinho. Ou o babaca do vinho, como preferia chama-lo quando ele não estava por perto. Mesmo não gostando dele, naquele momento o deus era sua única esperança, porém ele não a esclareceu nenhum pouco, pelo contrário: Quando Georgia colocou os pés na varanda, ele a chamou de “George” e a mandou em um trabalho na floresta sem ao menos olhar em sua direção, quando a garota tentou argumentar, Dionísio a ameaçou coloca-la responsável pela limpeza dos estábulos por uma semana e a filha de Morfeu tinha muito mais com o que se preocupar do que cocô de pegasus, então acatou a ordem.

Sua caminhada até a floresta foi regada a passos duros e resmungos extremamente mal educados dirigidos ao deus do vinho. Deu graças aos deuses por ser muito cedo ainda e os poucos campistas que estavam fora de seus chalés eram, em sua maioria, lideres ou instrutores que estavam muito mais focados em dar conta de seus afazeres para notarem a loirinha resmungona que marchava reto para a floresta com uma espada embainhada na cintura e os punhos cerrados.

O lago não era tão distante das margens da floresta então encontra-lo não foi um problema. Mesmo que estivesse com um mal humor grotesco,
Georgia não pode deixar de admirar-se com a beleza do local banhado por filetes de raios de sol dourados que refletiam na límpida água, arvores sussurrantes e algumas canoas e remos enfileirados á esquerda. A tarefa recebia havia sido concertar algumas canoas quebradas com as ninfas, porém Georgia nunca havia feito tal coisa na vida e não tinha ideia de como sucederia ali mas aquilo não seria um empecilho.

Quem é você?

A semideusa tomou um susto tão grande com o chamado que virou-se já com a mão em sua espada, pronta pra derrubar qualquer coisa que estivesse tentando come-la, mas era apenas uma ninfa, e ela lhe olhava estranho.

Georgia. – Respondeu largando o cabo da espada no lugar com as bochechas ruborizadas. – O Senhor D. me mandou ajudar com as canoas quebradas.

A ninfa, que tinha longos cabelos castanhos e aparentava ter cerca de 14 anos, lhe encarava como se estivesse analisando um funcionário para entrevista de emprego o que a deixou ainda mais constrangida.

Você pode limpar aquelas ali. – Ela apontou para as embarcações que Georgia havia visto antes. – Não é tão difícil. – Disse como se duvidasse da sua capacidade.

Tentarei não fazer nada errado. – Praticamente rosnou a resposta para a pequena ninfa que não pareceu se abalar com a hostilidade e deu-lhe as costas, desaparecendo na floresta em seguida.

Com passos pesados caminhou até o local onde as canoas sujas estava e com uma breve análise concluiu que realmente era um trabalho simples pois não havia muito o que fazer além de limpar o fundo das embarcações e esfregar o lodo acumulado. Dentro de uma das embarcações estava um balde com um esfregão e alguns produtos de limpeza.

Beleza. – Murmurou ao retirar os itens de onde estavam e posiciona-los no solo. – Vamos lá.

Georgia puxou uma canoa mais para cima da margem do rio e logo começou seu trabalho, o que ocupou suas mãos mas não sua mente. Ainda precisava ter uma conversa com Quiron sobre seus sonhos, aquilo tudo não poderia ser apenas um mero fruto de sua loucura, algo definitivamente estava acontecendo e as palavras ditas por Theo ainda estavam gravadas em sua mente: “Os mortos estão inquietos.”

Não esfregue com força, é com jeito. – Disse uma voz feminina atrás de si e pela segunda vez naquela manhã, Georgia pulou de susto e ao virar-se para ver quem lhe chamara seus olhos se arregalaram. Eleanor estava de pé ao seu lado, sorrindo como se o olhar assustado da filha a divertisse, mas sua imagem era ligeiramente transparente, como se a própria luz do sol a projetasse, mostrando que aquela era uma mensagem de Íris.

Não! Não, não, não e não! – Georgia largou o esfregão no chão com força e afastou-se da mãe, quase tropeçando num remo atrás de si. – Isso não pode ser real! Você está morta! – Pontuou a frase com uma forte pisada no chão, pausando por um breve segundo pois o ar parecia ter sido sugado de seus pulmões. – Estou sonhando?

Se você sonhasse deixaria de ser real? – Eleanor arqueou as sobrancelhas e a filha quis explodir em mil pedacinhos. Sonhos, vozes e bilhetes estranhos eram uma coisa, mas a mulher estava ali, parada na sua frente. Era simplesmente demais para lidar, então ela apenas ficou encarando a imagem da mãe recortada pela luz da manhã, mas antes que pudesse falar qualquer coisa ela desapareceu, deixando a filha com os pés colados ao chão e olhos lacrimosos.

SEXTA – FEIRA, 11:55PM, Acampamento Meio – Sangue.


Toda a sanidade que a filha de Morfeu guardava parecia ter se esvaído na manhã do dia anterior. Sua mãe havia aparecido ali, numa mensagem de Íris em pleno acampamento como se fosse a coisa mais ordinária do mundo. Depois de se recuperar do choque, Georgia largou seu trabalho pela metade sem se importar com a punição que receberia depois, e voltou para o chalé, onde não se deu ao trabalho de sair nem para fazer uma mísera refeição, e era lá que se encontrava naquela madrugada: Encolhida num canto de parede com os olhos fixos no chão, murmurando palavras sem sentido e tremendo como um cachorro largado na chuva.

Sua cabeça doía como se tivesse sido usada como palco para dançarinos de sapateado e seu estomago se revirava implorando por alguma migalha, mas a jovem parecia incapaz de sair daquele estado. No fundo de todo seu âmago ela gritava por ajuda, não aguentava mais carregar o fardo sozinha, como se os últimos meses não estivessem sugando-lhe o suficiente, aquele... Fantasma lhe aparecia sem dar uma explicação, agindo misteriosamente como se quisesse realmente que a loira perdesse a cabeça de uma vez.

Novamente seu estômago apertou, sentia o ácido borbulhar como lava e aquilo foi o suficiente para que pela primeira vez na madrugada, Georgia se levantasse e, com a musculatura rígida e dolorida, se dirigisse até o banheiro.

Apressadamente levantou a tampa da privada e botou para fora todo conteúdo que estava em seu estômago, que se resumia a bile diluída em saliva.

Quando finalmente seu abdômen parou com as contrações, Georgia tampou a privada e deu descarga, arrastando-se pateticamente para a pia afim de escovar os dentes e tirar aquele gosto amargo da boca, porém no espelhinho acima da pia não era o seu rosto que estava refletido, mas o de sua mãe.

Dessa vez Georgia não se assustou ou muito menos chorou, encarou os olhos da mãe pelo vidro sujo sem nenhuma expressão em seus próprios. Usava as mãos para segurar-se na pia e tinha os lábios entreabertos, ligeiramente sujos.

Veio dar mais um recado enigmático? – Retrucou para o reflexo de sua mãe, porém como se suas palavras fossem a chave para alguma coisa, o espelho começou a brilhar emitindo uma luz cegante que fez Georgia abaixar a cabeça imediatamente, curvando-se e colocando as mãos atrás da nuca, gritando histericamente, mas a luz simplesmente a “sugou” para dentro do espelho como um anzol puxando um atum.



{...}




Com um baque surdo, Georgia caiu estabanada no chão, batendo o queixo no que parecia ser um piso de mármore branco.

Não. – Disse a voz de Eleanor mais clara do que nunca. Lentamente Georgia começou a se erguer e ao final do processo notou ao seu lado estava sua espada dos sonhos, o presente recebido por seu pai no dia em que chegou no acampamento e um estranho frio em suas costas anunciou que sua adaga de bronze celestial também havia sido teleportada consigo. Certamente que aquela ocasião não seria apenas um reencontro pacífico entre mãe e filha. Com o cenho franzido ela pegou a arma pelo cabo e finalmente pôde encarar a mãe, mas daquela vez não havia espelhos e muito menos uma imagem projetada na luz como na mensagem de Íris. Era real, ela estava ali.

Mamãe... – Sua voz saiu mais infantil do que imaginava, porém a mulher sorriu e cortou a distância entre as duas, a meio metro da filha.

Você não comeu direito e está com mal hálito. – Ela disse colocando uma mecha loira e desgrenhada atrás da orelha da garota, que se encolheu com aquele toque estranho. Não era quente e macio como se lembrava, mas era frio e com uma textura estranha. As duas se encararam por alguns segundos, Eleanor parecia triste e recolheu a mão, porém antes que ela pudesse finalizar o movimento, Georgia a puxou para um abraço sem se importar com a frieza da pele alheia.

Eu não tive tempo de escovar os dentes... – Sussurrou apertando o corpo da mulher contra o seu, sentindo-se 14 anos mais jovem.

Quando se afastaram, ambas tinham lágrimas nos olhos.

Minha bonequinha... O que aconteceu com você? – Eleanor perguntou limpando os olhos com as costas das mãos. Foi ai que Georgia desabou e começou a falar tudo que vinha lhe acontecendo: Os sonhos com o cão infernal, os borrões, alucinações e de como vinha perdendo o juízo com todas aquelas perturbações.

...Eu acho que estou sendo assombrada. Estou me perdendo... – Finalizou aquilo com o coração pulsando tão forte que parecia ter dobrado de tamanho. Eleanor soltou um pesado suspiro e passou os cabelos dourados para trás.

Esse cão infernal que vem sonhando... Talvez não se lembre do acontecido por causa de sua pouca idade, mas ele nos encontrou no seu aniversário de quatro anos. – Ela trocou o peso do corpo para outra perna e coçou o nariz, uma risada constrangida lhe escapuliu. – Desculpe, é estranho falar isso.

Monstros perseguem semideuses toda hora. – Georgia tentou usar um tom casual embora sentisse um arrepio na espinha ao lembrar-se daquela criatura.

Mas aquele estava particularmente obcecado. – Explicou ela. – Nos mudamos duas vezes naquele ano, eu não sabia que o Acampamento existia, seu pai é um pouco avoado. – Novamente ela riu, mas dessa vez com mais humor, como se a lembrança de Morfeu ainda lhe causasse algum sentimento. – Não o culpo. Um deus imortal deve ter grandes preocupações, mas esta foi minha sentença de morte.

Georgia sentiu a musculatura dos ombros travar assim como seu maxilar e uma incrível vontade de caçar o deus dos Sonhos e meter-lhe um belo gancho de direita no nariz.

Seu sonho não é exatamente um sonho e muito menos uma alucinação, é uma memória. Aquele cão nos encontrou na terceira tentativa de mudança, iriamos para São Francisco, porém ele nos encontrou e... – Ela engoliu em seco e seus olhos pareceram ficar opacos e pela primeira vez naquela noite ela realmente pareceu um espectro. – O resto você já sabe.

Houve uma pausa onde Georgia desviou o olhar para longe tentando não olhar nos olhos da mãe
Eu o vi novamente, sabe? – Georgia disse depois de uma longa pausa. – O cão. Ele tentou me seguiu e tentou me atacar antes que eu fosse escoltada para o acampamento.

E o que houve afinal? – A mulher perguntou, claramente agradecida pela mudança de assunto. Falar sobre sua própria morte realmente deve ser algo desconfortável.

Georgia deu de ombros.

Uma filha de Atena deu um jeito nele e salvou a minha vida.

A mãe pareceu satisfeita com a resposta.

Onde estamos a final? – Perguntou olhando ao redor, porém Georgia tomou um susto ao reconhecer as paredes claras, embora estivessem sujas e descascando. Alguns móveis antigos cobertos de poeira, o piso de mármore branco e as janelas ridiculamente grandes e rebuscadas, algo extremamente incomum no Brooklyn.

Mãe, este é o convento St. Madeline. – Disse a garota com nostalgia na voz. – Esta é minha antiga casa.


Spoiler:
Armas levadas:

*Espada dos Sonhos: forjada com bronze celestial e prata divino, encantada com os poderes de Morfeu. Essa arma jamais mata, porém, o golpe fatal dado por ela prende o inimigo no mundo dos sonhos. (Foi "arrastada" com a personagem no teleporte )

*Manto dos Pesadelos: um tipo de rede com uma área de 8 metros armazenada dentro de uma pequena bola. Quando arremessada, essa bola se abre e libera o manto. Tudo o que ficar abaixo do manto caíra em um profundo sono e terá pesadelos terríveis. O efeito só acaba quando a vítima fica livre do manto. (OBS.: Guardado no bolso frontal da calça no forma de bola)

* Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. (Encaixada entre a parte de trás da calça da personagem e suas costas, coberta pela blusa)

* Outfit: Aqui

#IMPORTANTE: Não sei se ficou claro, porém a personagem já encontrava-se atormentada por pesadelos sobre seu passado.








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Re: Quando o Passado Revive - Georgia Blanchard

Mensagem por Quione em Dom Maio 21, 2017 9:46 pm


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

Exp: A primeira parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Do nível 1 ao 10: 2.500

Dracmas: A primeira parte recebe 5 mil dracmas.
Item: Recebe apenas no final, na avaliação da segunda parte.


Avaliação

Experiência: 2.500
Dracmas: 5.000
Comentário:
Nada a dizer além de: eu amei. Narrativa excelente, Georgia.


Segunda Parte

O silencio que se estabelecera logo fora rompido. Lamúrios de dor começaram a sair pelas paredes velhas do antigo convento e Georgia sentiu os pelos de sua nuca se eriçarem como se algo ruim estivesse prestes a acontecer. E estava. O Banshee pôde ser visto parado no final do corredor, ainda parecendo uma mulher comum, era muito branca, os cabelos idem e os olhos de um vermelho vivo. Quando abriu a boca sorrindo ainda era uma mulher normal. Mas então, os dentes se alongaram em terríveis presas (agora, sua boca parecia uma armadilha para ursos) e o pânico na expressão da falecida foi óbvio. Chegara sua hora.

Instruções e explicações

• Nyx/Nox é tida como primeira rainha do submundo, antes que os outros deuses surgissem e tomassem esse posto, teve o poder suficiente para invocar esses mortos e fazê-los entrar em contato com o semideus. Este é um verdadeiro ataque psicológico, pois, mesmo tendo retornado eles têm um prazo para retornarem para o submundo novamente.

• O dia do encontro é o prazo final e eles dizem isso ao semideus com um medo intenso, pois um monstro estaria encarregado de levar o morto de volta para o submundo, por bem ou por mal.

• Escolha a ser feita: Caso eles sejam mortos por esse monstro, eles cairiam nos campos de sofrimento eternamente. Caso eles voltem por vontade própria, eles seguiriam para o Elísio. Cabe ao semideus e seguir sua trama: deixar que o revivido morra pelas mãos do monstro e sofra por toda a eternidade; ou salvá-lo ao derrotar o monstro, permitindo que o morto retorne ao submundo em paz. Ele só consegue retornar dessa forma depois que o monstro seja derrotado.

• Caso seja a primeira opção, ele assistirá passivo a morte da pessoa ou fazer com que o revivido morra em algum momento da batalha. Porém terá de derrotar o monstro depois disso, pois não contente a fera também tentará levar o semideus para o inferno. Caso o semideus escolha a segunda opção, ele terá a chance de salvar o revivido e dar um último adeus, sabendo que a alma dele estará em um paraíso.

• O monstro é Banshee, um monstro nunca visto antes, invocado pela própria Nyx para que realizasse o trabalho de trazer a alma da senhora de volta para o mundo dos mortos.


Banshee


Informações sobre o monstro:
Descrição: Uma mulher esquelética e branca, uma típica alma penada - mesmo que ela seja palpável - com olhos vermelhos e uma roupa velha que está parcialmente rasgada. Os cabelos são longos e flutuam ao seu redor como se ela estivesse mergulhada em um lago. Possui longas unhas nos dedos esqueléticos, que são bem afiadas.

Tipo: Místico/Morto-vivo.

Poderes e Habilidades

Passivos

- Imunidade ao charme, ilusões e ao medo: É completamente imune ao charme, ilusões e ao medo, tudo isso porque não tem cabeça - logo também não possui um cérebro que possa ser enganado -.
- Imunidade ao frio: poderes relacionado ao gelo/frio não têm nenhum feito sobre esta criatura.
- Aura da morte: o ambiente ao redor do garra fica estranhamente negativo, exalando uma sensação ruim o tempo inteiro, mesmo que seja impossível nomeá-la propriamente.

Ativos

- Nevoeiro: Pode criar um intenso nevoeiro no local onde se encontra.
- Friagem: baixa a temperatura local para um frio de até 0°.



Regras

- Prazo de postagem: 20 dias
- O revivido não irá, de forma alguma, permanecer no plano humano. Obrigatoriamente ele irá retornar para o submundo, por bem ou por mal (isso é de sua escolha)
- Irá notar que eu não descrevi nível ou barra de hp/mp da banshee, por ser One-Post, você deverá narrar o nível de dificuldade do monstro de maneira realista a sua personagem e ambiente.
- Boa sorte.



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Re: Quando o Passado Revive - Georgia Blanchard

Mensagem por Georgia Blanchard em Sex Maio 26, 2017 3:22 am


my ghost
where'd you go?
Pela primeira vez em semanas a filha de Morfeu sentiu algo diferente de angustia, ansiedade e paranoia. A sensação era tão estranha que ela demorou uns bons segundos para entender o que realmente era: Ela estava animada.

Mesmo que sua mãe fosse apenas um espectro, que certamente não ficaria ali para o resto da vida e juntas elas viveriam uma linda história, Georgia sentia uma imensa vontade de mostrar-lhe o convento. Aquele lugar fora sua casa por catorze anos, vivera ótimos momentos ali e para cada cômodo haveria uma história para contar.

Você, hmm... – Georgia sugou a carne do lábio inferior e moveu os pés para dentro, de modo que as pontas de seus dedos descalços se encontrassem. – Gostaria de conhecer o lugar? Quer dizer, não está como antes mas... Se quiser... – A frase foi terminada num fiozinho de voz e com as bochechas da loira adquirindo um tom rosado.

Bonequinha! Eu quero saber de tudo! – Disse Eleanor puxando a filha para um longo abraço, e dessa vez Georgia não recuou. Encostou a cabeça na curvatura do pescoço da mãe, fechou os olhos e sorriu. Finalmente sentia um pouco do seu antigo eu abrindo espaço naquele mar de piche que estava seu interior.

Quando as duas se separaram ainda de mãos dadas. Não conseguiam tirar os olhos umas das outras. Georgia estava em transe com um sorriso que não queria largar seus lábios, sentia o coração acelerado, mas daquela vez por uma boa razão. Ah, como tinha coisas para perguntar a mãe! Queria saber de tudo, porém sabia que existiam perguntas importantes a serem feitas, haviam coisas que ela precisava esclarecer e sabia que aquela era uma chance única.

Já Eleanor não acreditava no quanto a filha havia crescido, mas também não conseguia acreditar no quão magra e mal cuidada ela estava. Usava a blusa do Acampamento Meio-Sangue sobre suma calça jeans manchada que dançava em sua cintura. Ao circular o polegar pela mão da filha podia sentir seus ossinhos saltados por baixo da pele pálida, sem mencionar o rosto que estava magro e ossudo, com olhos fundos e estranhamente perdidos. Seria possível que sua amada bonequinha estivesse perdendo o juízo? Mas antes que qualquer palavra fosse dita, vozes começaram a soar do nada. Georgia soltou as mãos de sua mãe como se de repente elas fossem fios elétricos carregados de energia e imediatamente levou a destra a sua adaga, escondida na parte de trás de seus jeans e seu corpo assumiu uma posição defensiva.

Os lamúrios ficaram mais altos e pareciam vir das paredes, como se agora todo o sofrimento já enfrentado pelas crianças que viveram ali transbordassem através do concreto. E então veio o fio. Estavam em pleno verão nova-iorquino mas aquela sala de estar vitoriana parecia não ter recebido esta informação, pois as janelas começaram a embaçar e as respirações de mãe e filha começaram a se transformar em uma fina fumaça. Georgia abraçou o próprio tronco como se tentasse produzir mais calor.

Por Zeus, o que significa isso? – Disse em tom baixo enquanto olhava ao redor com o cenho franzido, mas a resposta parecia ter encerrado sua entrada dramática e agora resolvera se mostrar.

No fim do corredor que ligava a sala á capela principal estava uma mulher de branco. Pelo menos era isso que dava para ser percebido naquela distância, porém a medida que ela se aproximava, Georgia sentia o coração pular uma batida. Era como se toda a pequena alegria que sentia a minutos atrás tivesse sido roubada de suas mãos e o breu e piche de seu espírito agora reinavam mais forte do que antes.

A criatura parecia quase flutuar enquanto deslocava-se fantasmagoricamente para frente, e tudo nela inspirava terror. Pequenos flashes passaram pela cabeça de Georgia, mas ela apenas cerrou os lábios e balançou a cabeça energicamente para expulsa-los.

Este não é o momento para ataques. Controle-se!

Quando a mulher chegou a cerca de 4 metros da semideusa e da sua mãe, pode notar que sua aparência não era tão normal assim. Tinha um corpo esquelético e branco feito osso, os olhos eram vermelhos e fundos, e os cabelos brancos flutuavam ao seu redor como se estivessem submersos em água assim como o vestido de trapos que lhe cobria. Num rápido desvio de olhar para um ponto mais baixo, Georgia pode perceber que seus dedos eram absurdamente longos e as unhas estavam mais para garras mortíferas. Mas foi quando ela sorriu e mostrou os dentes afiados como lâminas que
Georgia finalmente entendeu com o que estava lidando: Um demônio do submundo.

Era isso que eu temia. – Disse Eleanor com a voz trêmula porém alta e cheia de terror. A coisa sibilou em resposta com uma voz ecoada, apontando-lhe um dedo ossudo. Georgia imediatamente entendeu o recado. – Isso é minha culpa! Ela veio me buscar! Eu... Eu só queria ver você...

Eleanor tinha desespero refletido nas obres verdes, o desespero de uma mulher que estava prestes a ser dilacerada e arrastada para o inferno.

Georgia lançou lhe um olhar sério e imediatamente ficou á sua frente, como um escudo humano. Também estava com medo, aquele demônio parecia ter sugado toda a energia do lugar deixando apenas sensações pesadas e negativas. Precisava ter cuidado. Sabia que seu psicológico já estragado não iria aguentar uma luta muito prolongada, mas também não deixaria nenhuma criatura arrastar sua mãe para o inferno. Tinha que acabar com as coisas de forma rápida rápido, mas também não era uma assassina ou uma boa guerreira. A filha de Morfeu sentiu as pernas tremerem, mas as forçou contra o piso com mais força.

Lets do this.

Um pequeno plano havia se formado em sua cabeça, um modo simples de acabar com a criatura antes que ela pudesse ao menos revidar porém precisaria de todo o controle mental possível, um passo em falso e tudo poderia ir por água a baixo.

Georgia respirou fundo, soltou o ar pela boca e imediatamente sentiu como se alguém tivesse abaixado o volume do ambiente pois tudo que conseguia escutar bem era sua própria respiração superficial e a asmática da mulher-demônio.  Em poucos segundos de concentração sentiu que ao seu redor um pequeno nevoeiro começava a se formar e logo se estendia pela sala como se uma máquina de gelo seco tivesse sido ligada, em poucos segundos já era difícil de enxergar, exceto pela semideusa cuja a visão não era afetada. Quando começou o seu avanço pela circunferência da criatura, sempre se mantendo a uma distância segura, por mais que seus passos fossem macios e praticamente inaudíveis, não mantinha a guarda baixa.

A cada pisada Georgia ficava mais confiante, sabia que seu plano daria certo. Ouvia o sibilar irritado da criatura enquanto se aproximava. Já estava a meio metro dela e seu coração martelava contra suas costelas, assim como a adaga que tremia violentamente em sua mão. O frio ali era demais, parecia que instantaneamente havia sido teletransportada para o Alasca, e não era só isso. A aura do espectro estava mais densa, fazendo com que a mente da filha de Morfeu começasse a exibir pequenos flashses e ela pode assistir a si mesma paralisada na cama com os olhos semiabertos jorrando lágrimas no dia em que experimentou pela primeira vez paralisia do sono; Encolhida num canto de parede, acocorada e com as mãos acima da cabeça enquanto seu corpo termia e os lábios murmuravam palavras misturadas em francês, inglês e grego antigo; Sozinha na arena, arremessando facas em alvos e desejando estar em seu lugar; Indo para a floresta em plena madrugada apenas para que pudesse gritar para o vazio...
Estava bem atrás do espectro, a simplória adaga de bronze celestial tremendo em sua mão, pronta para dar o golpe final, mas... Algo estava errado. O corpo da garota não se movia, parecia que havia sido congelada naquela posição. Sua concentração havia ido para o espaço fazendo com que seu denso nevoeiro se tornasse uma mera fumacinha branca, mas sua posição ainda era vantajosa. Ainda havia tempo!

Com toda força que pode reunir naquele instante, apunhalou a criatura fantasmagórica bem no meio da omoplata, abrindo ali uma grande ferida.

Georgia puxou a faca de volta e olhou, estupefata, seu feito esperando que sua inimiga se dissolvesse em areia dourada.

Um grande erro.

Em uma fração de segundo houve um chiado e o fantasma deu um meio giro e com um ágil movimento empurrou a semideusa contra a parede do estreito corredor, fazendo com que suas costas se chocassem com força contra o concreto violentamente. O pequeno corpo balançou como se nem ao menos fosse humano, e sim uma boneca de trapos. Gemeu de dor, a cabeça girando por causa do impacto, mas não houve tempo de reação pois logo haviam garras afiadas pressionando sua derme, tentando atravessar as laterais de seu pescoço. Um grito de agonia ecoou pela sala enquanto

Georgia sentia sua pele ser perfurada. O sangue que escorria por suas roupas era a única coisa quente naquele momento, pois a temperatura parecia ter baixado ainda mais.

A visão da garota estava turva, mas não o suficiente para que não conseguisse visualizar a criatura arreganhando os dentes no que talvez fosse um sorriso bestial. Uma estranha névoa começou a se formar ao redor das duas e daquela vez não era aliada. Georgia levou as duas mãos até a destra do espectro, agarrando o pulso esquelético com toda força que conseguia reunir naquele momento tentando afasta-lo, porém a única reação foi um sibilo emitido pelos lábios sem cor num tom que beirava divertimento e o aperto tornou-se mais forte, foi quando respirar tornou-se uma tarefa difícil e cada vez mais as pernas da semideusa perdiam a força, parando de chutar... Cansando-se. Desistindo.

Então seria assim? Uma semana de tormentos terríveis apenas para depois perder para uma criatura infernal no primeiro golpe? A realidade parecia doer mais do que a perfuração em seu pescoço. No campo de batalha, um mero deslize lhe causaria a vida, e o de Georgia foi achar que poderia proteger sua mãe e agora as duas estavam condenadas a serem dilaceradas e enviadas para os campos de punição.
Um grito de terror ecoou pela sala seguido de um som seco bem próximo fez Georgia “acordar”. O que..?

As garras afrouxaram um pouco do pescoço da semideusa fazendo o sangue espirrar como uma nascente de rio. Moveu os olhos para a esquerda e viu um vazo estilhaçado aos seus pés e lá no meio da sala, sua mãe com o rosto lavado pelas lágrimas e completamente desesperada.

É verdade o que eles dizem quando falam que sua vida passa pelos seus olhos como um filme antes da morte, mas não é algo claro.

Eu via memórias confusas. O rosto sorridente da minha mãe ao acariciar meus cabelos loiros, ela me levando para a escola pela primeira vez... As mudanças de casa... Minha voz infantil era um eco distante, mas mesmo assim audível ao questionar porque estávamos saindo de casa mais uma vez. Mamãe beijou minha testa e disse que estávamos indo numa aventura, comemorei com as mãos gordinhas levantadas para cima. Jovem de mais para entender qualquer coisa. Então as bordas da minha visão escureceram como se estivessem combinando com as próximas cenas: O acidente, o som das ambulâncias, o corpo na estrada coberto por um pano branco, um homem moreno e alto vestindo um terno com os olhos fixos em

Eleanor parecendo em conflito com as próprias emoções, então olhava pra mim... Me vi no hospital, depois na casa dos meus tios. Algo estava faltando ali, era como se a uma página do livro tivesse sido rasgada ao meio pois a próxima lembrança era tão vaga quanto a anterior e me vi num outro hospital, um homem havia me amarrado na cama com faixas de couro e uma enfermeira fazia o sinal da cruz em si mesma enquanto dois objetos de metal eram posicionados em minhas têmporas. Dor e em seguida tudo ficou preto.

O convento, as irmãs me recebendo... Porque tudo é tão embaçado? Nada parece fazer sentido... Mamãe, a senhora pode me ajudar? Ma...Mamãe...?

Ela estava ali na sala, chorando por minha causa. Minha finada mãe não merece isso, mas que droga! Pare de chorar, era o que eu queria dizer, mas ela ainda gritava e ameaçava jogar algo que parecia um pedaço de madeira no demônio. Temi. Naquele momento meu coração acelerou e a adrenalina disparou por minhas veias. E se aquela coisa atacasse minha mãe? NÃO! NÃO VOU DEIXAR!


N-Não... – Georgia esticou a ponta dos dedos na direção da mãe, como se tentasse alcança-la.

Um calor começou a espalhar-se pelo corpo da semideusa, era como se um pontinho quente começasse a se expandir em seu coração e tomasse conta de seu corpo numa explosão de luz e energia.

E então, como se uma nova força se apoderasse de si, Georgia sentiu que seu corpo entrou no “modo de sobrevivência” e seu cérebro estragado parecia ter sido desativado.

Em sua língua a saliva mudou de sabor e o músculo formigou levemente, quando o demônio voltou seus olhos vermelhos para a garota, recebeu uma cusparada de morfina diretamente no local. Imediatamente soltou o pescoço da garota e afastou-se esfregando os olhos, fazendo-a cair no chão. Em meros segundos ela recuou, tonta e atrapalhada, para a sala e no caminho pegou sua adaga jogada no chão. O monstro sibilou e avançou como se flutuasse, os dentes arreganhados para a frente mas daquela vez não havia sorriso. Georgia girou a pequena arma na mão e apontou a lâmina para frente. O ferimento em seu pescoço ardia como o inferno, porém a garota sentia-se mais forte do que antes. O sentimento de amor a sua mãe somado ás doces memórias trazidas do esquecimento haviam despertado uma força desconhecida, um desejo de proteção que queimava como magma em seu peito. Poderia morrer ali, porém aquela coisa iria junto.

Antes mesmo que o fantasma avançasse, a filha de Morfeu pegou impulso com o pé e correu em sua direção. As garras tentaram lhe alcançar novamente, porém o joelho esquerdo de Georgia foi mais rápido e atingiu com força o ventre da coisa, que se curvou, dando abertura para que a loira, com a lateral das mãos entrelaçadas pudesse aplicar um golpe direto no pescoço do bicho, que recuou com as costas curvas. Seus olhos vermelhos moveram-se para o lado e os verdes de Georgia os seguiram, podendo perceber que ela mirava sua mãe.

NÃO!

Novamente pegou impulso, mas a criatura parecia estar preparada e suas garras rasparam um pouco acima do colo de Georgia, que grunhiu de dor, e seu corpo vacilou.

NÃO, NÃO VAI MESMO! – Gritou com uma selvageria que nem sabia que existia dentro de si.
O demônio não parecia ser muito esperto e tentou novamente avançar com as garras estiradas para a frente, porém Georgia o puxou pelo pulso e dessa vez ela que arreganhou os dentes, rosnando para a criatura que lhe respondeu no mesmo nível.

Num rápido movimento a semideusa decepou a mão da criatura, que urrou e recuou como se tentasse fugir, porém Georgia puxou do bolso uma bolinha metálica e a jogou na direção do demônio, e a medida que fazia sua trajetória no ar ela se abria num manto de 8 metros que cobriu a criatura, agora urrando e esperneando mais do que antes com sua voz de gralha, mergulhada no mundo dos pesadelos. Com a mão ferida a menina sabia que a luta havia chegado ao fim. Cortou a distancia com poucas passadas e, sem ao menos hesitar, apunhalou o grande volume que se contorcia sob o tecido mágico: A cabeça.

Em poucos segundos o movimento ali embaixo parou e uma fina areia dourada começou a cobrir o chão. Georgia recolheu o manto, que em suas mãos voltou a tornar-se uma bolinha de metal e o colocou no bolso. Então o seu “boost” de energia pareceu ter chegado ao fim, pois a dor de suas feridas a atingiu como uma bomba e os joelhos da garota cederam, fazendo-a cair no chão com um baque surdo.

Eleanor correu em direção a filha e a amparou em seus braços para em seguida apoiar a cabeça da menina em seu colo. Georgia respirava com dificuldade e tinha a face mais pálida do que o normal. Seu ferimento do peito era superficial, nada que um bom curandeiro não resolvesse, porém não tinha tanta certeza assim quanto ao seu pescoço pois sentia toda a extensão do músculo arder como o inferno e não precisava olhar para saber que as perfurações eram profundas.

Ah, minha bonequinha! – Eleanor suspirou com lágrimas rolando pelo seu rosto. Georgia deu um riso fraco. – Tão valente, tão forte!

Oi, mamãe. – Disse num sussurro. Ainda que estivesse sofrendo, o olhar da mulher que lhe dera a vida era como uma corrente de água gelada naquele mar de ardor.

Ela pegou a adaga de Georgia, rasgou um pedaço considerável da camiseta laranja do acampamento e usou para enxugar o sangue de seu pescoço.

Queria cuidar de você. – As lágrimas dela caíram sobre o rosto da filha, e logo ambas estavam chorando.

Está cuidando. – Respondeu tentando dar um sorriso para Eleanor.

Não, olha só pra você! Que merda de mãe eu sou. – Lamentou com um estalar de língua. Ela tirou o bolo de tecido do pescoço da menina e o virou do outro lado, pressionando a face limpa contra o ferimento do peito.

Você não podia fazer na... AI!

Eleanor deu um pulinho quando a filha reclamou, havia pressionado um pouco forte.

Oh, deuses! Me desculpe! – Ela choramingou e Georgia pensou que em outra ocasião ela iria rir do drama da mãe.
Um silêncio se fez presente enquanto Eleanor limpava as feridas da filha. Seus olhos não derramavam mais lágrimas, porém a dor era visível. O que não faria para levar sua menina nos braços para o hospital onde ela pudesse receber os devidos cuidados? Ela já se aproximava do seu décimo oitavo aniversário, não podia nem acreditar, mas o tempo realmente passava diferente no mundo inferior.

Eleanor percebeu que a filha a analisava com as pálpebras baixas, mas mesmo assim de forma analítica. A mulher desviou o olhar. Era quase como se a filha soubesse que havia algo que ainda não fora dito, porém Eleonor sabia que aquele não era o momento para perturbar a filha, a menina perdera muito sangue e precisava descansar. Lá fora um corvo gralhou e a mãe sentiu um aperto no peito sabendo que aquela era sua deixa.

Eu vou te visitar. – Murmurou Georgia com os olhos semiabertos e um sorrisinho adornando os lábios que Eleanor tentou retribuir, porém seus músculos da face pareciam ter travados.

Vai é? – Ela perguntou acariciando o rosto da filha com a ponta dos dedos e recebendo um aceno em resposta.

Vou, e você vai me fazer um almoço gostoso. – A loira parecia saber com toda certeza do mundo que iria cumprir a promessa de almoçar com a mãe nos Campos Elísios.

Então temos um encontro.

Eleanor curvou-se e selou a testa da filha, que fechou os olhos com um sorriso satisfeito nos lábios e o sentimento de missão cumprida. A ultima coisa que ouviu naquela noite foi uma cantiga de ninar da sua mãe. Era baixinha e triste, fez o coração de Georgia apertar, mas a filha de Morfeu estava com tanta dor e cansaço que nem a tristeza ou o desejo de prolongar sua estadia com a mãe conseguiu lhe manter acordada, então em poucos segundos a menina havia apagado. Quando acordou com a luz do nascente atravessando a vidraça do convento, a mãe tinha sumido.

Georgia tentou se levantar, surpresa com o quão melhor se sentia. Suas feridas haviam estancado e a dor era mais suportável, porém seus músculos protestavam pela dormida no chão de mármore.

Eu não tenho um dracma pra voltar pra casa. – Concluiu em tom conformado, balançando a cabeça para si mesma e analisando o cenário destruído ao seu redor. Ainda tinha umas horas antes que as ruas do Brooklyn acordassem e a menina pensou se daria tempo tomar um banho no convento abandonado.

Spoiler:
Poderes utilizados:

>Nível 1, Bruma: Filhos de Morfeu podem distorcer um pouco a realidade ao seu redor causando um grande e denso nevoeiro a sua volta que com o tempo vai se espalhando pelo campo ate um raio de 10 metros.
(A cada 4 níveis esse nevoeiro ganha mais 10 metros de extensão e dura 4 posts depois disso deve ser invocado novamente)

>Nível 1, Atordoamento - O filho de Morfeu expeli morfina pela boca, deixando assim o Inimigo um pouco tonto, suficiente para balançar a visão.

>Nível 2, Passo das brumas: Dentro do nevoeiro os crianças de Morfeu são quase que imperceptíveis podem caminhar sem fazer o mínimo barulho quem está envolvido pelo nevoeiro não vê nada ao seu redor que não seja nevoa e só escutam o filho de Morfeu se ele desejar .

>Nível 2, Cura onírica: Filhos de Morfeu quando dormem recuperam-se rapidamente depois e uma missão tudo o que precisão e uma boa e longa noite de sono. Nesse estado o semideus torna-se vulnerável a ataques procure um local seguro. (usado após a luta, onde a personagem adormece no colo da mãe e acorda sentindo-se um pouco melhor)

Armas utilizadas:

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

• Manto dos Pesadelos: um tipo de rede com uma área de 8 metros armazenada dentro de uma pequena bola. Quando arremessada, essa bola se abre e libera o manto. Tudo o que ficar abaixo do manto caíra em um profundo sono e terá pesadelos terríveis. O efeito só acaba quando a vítima fica livre do manto.


OBS.: A parte dos flashbacks, narradas em primeira pessoa e destacadas em itálico assim como todos os pensamentos, precisou ser feita de tal forma pois eram pensamentos muito pessoais e a cena se passa mais "dentro da cabeça". Espero não ter ficado confuso.

OBS 2.: Espero que a mudança de template não reflita na nota, mas o code acima da agonia e eu só o usei por estar apressada demais.


?


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Re: Quando o Passado Revive - Georgia Blanchard

Mensagem por Quione em Sab Maio 27, 2017 3:18 pm


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

• Realidade de Combate: Uma análise geral de como foi seu combate, se os movimentos estavam claros e não confusos, análise de sua estratégia etc.


Exp: A primeira parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Do nível 1 ao 10: 2.500

Dracmas: A primeira parte recebe 5 mil dracmas.

Avaliação
Exp: 2.500
Dracmas: 5.000
comentário:
Bem, como eu já lhe disse em chat: eu amei sua escrita e a forma como narra traz bastante realidade. E embora eu tenha demorada um tempo para sacar a dos flashbacks, você "mandou bem".

Item

Nesse evento, por ser particular de cada um e cada um ter desenvolvido de forma diferente, nada mais justo do que o item também ser único para cada um. Porém, para não ser injusta nas minhas escolhas, o item desse evento será montado por você! Veja a lista abaixo, faça suas escolhas e mande por MP para mim o item final!


Tipo: Escolha o seu tipo de item abaixo, acrescente uma descrição específica caso queira, é apenas o visual da arma e o seu tipo. Caso não descreva, será usado o padrão da loja, com tamanho e demais informações. Caso queira Arco ou Besta, ele virá automaticamente com um pacote de 30 dardos/flechas.

• Espada [escolha o seu tipo]
• Faca de Caça
• Adaga
• Arco [escolha o seu tipo]
• Besta [escolha o seu tipo]
• Lança [curta ou longa]
• Foice
• Chicote
• Escudo


Material: Escolha o material que você deseja que sua arma tenha, é possível apenas a escolha de um material. A escolha do material interfere diretamente no dano que a arma vai provocar, assim como o bônus natural do material.

• Ferro estígio
• Bronze Celestial
• Ouro Imperial
• Oricalcio


Efeito 1: Poderá escolher um dos efeitos elementais abaixo. Apesar de estar descrito “arma”, o efeito irá adaptar-se ao tipo dela. Exemplo: serão as flechas a serem encantadas.

• Fogo [a arma será coberta por chamas, provocando 20% a mais de dano e tendo chance de provocar queimaduras]

• Ar [a arma é revestida por uma fina corrente de ar, tão fina que acaba permitindo um corte mais afiado, provocando 20% a mais de dano e dobra as chances de causar danos a materiais de resistência superior]

• Elétrico [a arma é revestida pelo elemento raio, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar paralisia pelo choque]

• Veneno [a arma é coberta por veneno, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de envenenar caso atinja a corrente sanguínea, causando -15HP por 4 turnos]

• Gelo [a arma é revestida por uma fina e dura camada de gelo, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar lentidão no movimento]

Efeito 2: Poderá escolher apenas um dos efeitos abaixo

• Acessório: escolha um acessório que a arma poderá se transformar, especificando qual.
• Ligação com o dono: a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado.



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Re: Quando o Passado Revive - Georgia Blanchard

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