The Blood of Olympus
Para visualizar o forum é necessário estar cadastrado, por favor registre-se no rpg ou entre em sua conta. É necessário estar cadastrado para ver as informações contidas no forum. Lembre-se de usar nome e sobrenome, não se cadastrar usando nomes geralmente utilizados por Hacker. Exemplo: "Barum" "Hakye" e por ai vai. Bem vindos.

Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Mensagem por Peter C. Gallagher em Ter Maio 16, 2017 2:37 am

Tús
Ela não fora o tipo de mulher com uma presença marcante. Talvez isso justificasse minha negligência aos sinais que surgiam. Quando, após o final de tudo, eu revisei os últimos dias, deduzi que o primeiro acontecimento estranho fora um sussurro anêmico próximo ao meu ouvido. “Caelan”, ele dizia. Ignorei de imediato, porém.

Outros fatos se seguiram, se tornando progressivamente mais claros. Às vezes era uma sensação aterradora de que alguém me observava, normalmente nos locais públicos do Acampamento, também havia aquele odor familiar que eu sentia sempre que passava pelos campos de morango, mas não era capaz de identificar as memórias associadas a ele. O único local que misteriosamente não apresentava nenhum desses eventos invulgares era o meu quarto no Chalé de Eros, aquele parecia ser um ponto “protegido”.

Em qualquer outro lugar, porém, os murmúrios se tornaram tão mais constantes que em determinado momento eu supus ser um alerta do meu antigo mestre. Deixar de ser um ceifador há algumas semanas não fora uma escolha, mas uma atitude necessária depois que quase falhara em cumprir uma missão, o fardo de interromper as vidas marcadas para acabarem estava começando a pesar demais.


A floresta tinha um ar pesado e sufocante e eu cheguei a presumir que ela de alguma forma previa o meu intento. O sol havia desaparecido no horizonte algumas horas antes e quando Apolo recolhia seu carro solar, dava espaço para que as trevas iniciassem seu reinado. Pus o joelho direito sobre a terra fofa enquanto o outro se dobrava diante de mim em um ângulo reto. A lâmina da adaga deslizou suavemente sobre a palma da minha mão e a dor aguda gerou um tênue som engasgado. Fechei a mão em punho e deixei que o sangue umedecesse a terra.

Esperava que aquilo funcionasse.

Antigo mestre e personificação do Fim. Peço por orientação, invoco por sua presença. – Não era a pessoa mais solene para realizar aqueles discursos, mas o deus da morte ainda causava em mim, por mais estranho que fosse, grande respeito. – Por favor, Tânatos, venha nos braços de sua mãe e me esclareça o que é oculto.

Cerrei os olhos e agucei os outros sentidos. Nenhum som se propagava entre as árvores, nem mesmo o sibilar do vento. Envolvi minha mão ferida na barra da camiseta laranja e aguardei por mais alguns segundos antes de abrir os olhos e me erguer decepcionado e irritado. Em meu tempo como ceifador, foram raras as vezes em que tivera contato com Tânatos e mesmo nessas poucas ocasiões, alguns dos contatos eram indiretos. Comecei a andar de volta ao Acampamento, temeroso de que as harpias iniciassem sua patrulha e me encontrassem ali e já buscando uma nova forma de descobrir a origem daquela voz que me atormentava há pelo menos uma semana. Foi quando as vi, três flores carmins brotando da terra já escura, tão chamativas que seria impossível não as ter notado anteriormente: papoulas.

Não sei se você merecia a minha atenção após ter-me renegado. – O tom era indescritível, autêntico e próprio.

Virei-me. Tânatos era negro. Não como se esperaria de um deus ctônico: uma figura difusa e cercada por uma energia mística trevosa visível que se movesse ao seu redor. Ele era literalmente um homem negro, com uma cútis amadeirada, alto, usando roupas casuais em um tom claro que contrastava com sua pele. Apenas uma asa escura surgia de suas costas, vibrando de leve. Haviam papoulas aos seus pés e uma expressão tranquila em seu rosto. Minha feição se tornou envergonhada.

Perdão, Tânatos. Eu não poderia continuar te seguindo se já não acreditava ser capaz. – O deus da morte ergueu uma mão, porém, e balançou a cabeça como se dispensasse meu esforço.

Eu te compreendo, jovem, você já se explicou a mim naquele ritual, não necessita se explicar mais. Meu tempo é curto, entretanto, então seja breve.

Assenti e suspirei, pensando como explicar o que vinha ocorrendo. Devido ao pouco tempo que era ofertado a mim, optei por um esclarecimento mais direto e sucinto.

Acho que estou sendo assombrado, perseguido por algum tipo de espírito, não sei direito.

Ele deu seis passos em minha direção e onde seus pés descalços tocavam, o solo tornava-se mais escuro e flores vermelhas e laranjas nasciam. Era estranho como a personificação da morte fazia brotar flores.

Assombrado? Você sabe que não é incomum semideuses serem sensíveis a algumas manifestações místicas, certo? Sonhos vívidos são normais para vocês, a descendência divina torna-os mais suscetíveis a eles, e acredito que meu irmão poderia te ajudar mais do que eu nesse caso.

Não, não. Não são sonhos vívidos. Quer dizer, também. Mas além dos sonhos, às vezes eu sinto uma presença forte próxima a mim, ou escuto sussurros, uma voz dizendo meu nome, especialmente meu segundo nome, pedindo por ajuda, dizendo que sente minha falta.

A testa do deus da morte se enrugou de leve e sua expressão pacata se tornou um pouco nebulosa, indecifrável.

Isso já é mais raro. Mas o que deseja que eu faça? Busque esse tal fantasma? Não tenho tempo para caçar mortos, Peter, minha função é encontrar os vivos.

Neguei de forma um pouco efusiva com a cabeça como demonstração de que nunca fora meu intento fazer com que ele perdesse (tanto do) seu tempo me auxiliando.

Eu sei. Não é isso o que eu quero, o que eu pensei foi que isso poderia ser algum tipo de resquício da época em que eu fui ceifador, talvez o espírito de alguém que eu tenha tocado querendo vingança, não sei. Só queria que você pudesse me dizer caso se tratasse disso.

Tânatos se aproximou de mim. Se aproximou muito, a tal ponto que me senti encabulado com a distância de centímetros entre nós. Ele era da minha altura, tinha um rosto quadrado e – com o perdão de todos os deuses – conseguia ser bem atraente. Seus olhos dourados perscrutando meu rosto só pioravam meu constrangimento, especialmente devido ao silêncio que se estabeleceu entre nós.

Não há nada. – Seus lábios bem desenhados finalmente se partiram com aquelas palavras. Seu hálito era frio, mas um frio bom. – Não consigo sentir nada ao seu redor, sua aura está realmente estranha, mas não parece ser um espírito, pelo menos não do tipo comum. Aguarde alguns dias e se esses eventos estranhos prosseguirem, procure alguém especializado nos mistérios do mundo, entre as proles de Hécate ou entre meus irmãos e irmãs.

Obrigado, senhor. Perdão por gastar seu tempo.

Não peça perdão por isso – De repente senti dedos fortes envolvendo minha nuca e o deus da morte aproximou-se mais de mim, sua boca se abriu de leve e meu coração retumbou, mesmo que minha expressão tenha se tornado confusa. –, mas contenha seus pensamentos. – Uma fumaça laranja deslizou de sua boca e envolveu minhas narinas; de imediato eu senti meus músculos perdendo força e minha visão se tornando imprecisa – Não sou uma das suas presas, filho de Eros. – Foram as últimas palavras em um timbre grave que eu ouvi antes que ele soltasse minha nuca e deixasse meu corpo tombar.


Despertei sem susto e abri os olhos lentamente. Ergui a mão direita até o nível dos meus olhos. A palma ardia, mas não havia nenhuma marca na carne além dos traços normais; era possível que aquele houvesse sido apenas um sonho, pois as lembranças da noite passada na floresta eram indistintas. Entretanto, eu imaginava que Tânatos tivesse relativo domínio sobre os campos do sono devido ao seu gêmeo e ele tinha acesso livre às águas do Lete. Como não fora visto, ninguém poderia dizer se eu realmente me embrenhara entre as árvores durante a noite ou não.

Sonho ou realidade, a dúvida sobre a origem do que vinha acontecendo comigo continuava, mas eu sabia que pelo menos dentro do Chalé eu estava resguardado contra aquela voz murmurante. Tal pensamento ainda se alojava em minha mente quando eu rolei de lado na cama e vi um papel branco depositado sobre o lençol. Franzi a testa em confusão já que ninguém tinha acesso ao meu quarto e peguei a folha, aproximando a superfície do rosto.

Era uma carta.

Antes mesmo de ler as palavras ali escritas meus olhos deslizaram rapidamente pelas letras e eu pendi a cabeça para trás sobre os travesseiros. Fechei os olhos, entreabri os lábios e deixei o ar sair de forma ruidosa. Meus dedos tocaram as têmporas; era como se subitamente todos os pontos se ligassem de uma vez. Era inexplicável como eu não reconhecera aquela voz, aquela presença e aquele perfume. Era um mistério como só após reconhecer aquela caligrafia eu entendi a raiz e a causa de tudo aquilo.

Eu não sabia definir os sentimentos que me invadiram, mas eram todos muito intensos e conflitantes. Apesar de ter a resposta para uma das perguntas que eu me fazia, ela só gerou mais dúvidas em minha mente. Larguei o papel ao meu lado, temeroso de saber o que ele dizia, e me coloquei sentado com as pernas para fora do colchão. Inclinei o tronco para frente, pus os cotovelos sobre os joelhos, a testa sobre as mãos e pressionei os pulsos contra os olhos, buscando de alguma forma organizar minhas sinapses em uma ordem lógica. Meus dedos correram por dentro do meu cabelo e eu olhei por cima do ombro, tamborilando com os dedos da mão direita contra a nuca conforme refletia. Peguei o papel com cuidado, como se ele pudesse entrar em combustão do nada. Observei a primeira frase da folha branca.

Olá, Caelan,”.

Tudo bem. Eu era capaz disto. Puxei lentamente o ar pelo nariz, de olhos fechados, e depois o soltei entre os lábios, o que fez vibrar o papel.

Olá, mãe. – Murmurei com os dedos tremendo e comecei a ler.
Wake me slowly Or watch me fall;


Última edição por Peter C. Gallagher em Qua Maio 17, 2017 12:16 am, editado 5 vez(es)
avatar
Peter C. Gallagher
Celestiais de Èter
Celestiais de Èter

Mensagens : 153
Data de inscrição : 11/07/2015
Idade : 19

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Mensagem por Peter C. Gallagher em Ter Maio 16, 2017 1:23 pm

Aonghus  Mac Óg
Tullamore, República da Irlanda
2009

Lancei a mochila sobre o sofá e caminhei até a cozinha, seguindo o odor agradável que vinha de lá. Assim que alcancei o cômodo vi que minha mãe andava apressadamente pelo espaço, os cabelos presos em um penteado quase impecável, não fossem pelos fios frisados que escapavam. O vestido não lhe caía bem, a barra terminava quase na metade das canelas e a estampa de flores a deixava com uma aparência ainda mais velha. Aeryn Gallagher era uma mulher de quase quarenta e seis anos. Os cabelos escuros já apresentavam riscos acinzentados, o rosto tinha marcas de expressão e manchas e o corpo, que outrora fora esbelto, já apresentava alguns indícios de sobrepeso devido ao descuido. Minha mãe trabalhava em uma escola da capital de Offaly, na área administrativa, e definitivamente era do tipo que passava desapercebida.

Chegou cedo, Caelan. – Ela falou, olhando-me por cima do ombro. Não compreendia porque me nomeara Peter se gostava tanto de me chamar pelo segundo nome.

É, a professora nos dispensou mais cedo. – Aproximei-me da mesa e observei um pedaço de carne dentro de uma bacia, imerso em água com provavelmente alguns outros ingredientes. – O que é isso?

Ela me respondeu sem desviar a atenção de uma panela que cozinhava algo no fogão.

Carne de cordeiro. – Havia um pouco de entusiasmo em seu timbre, o que me fez dar um sorriso.

Ergui as sobrancelhas em surpresa. Nosso almoço diário costumava ser o mais comum possível, era surpreendente, portanto, que minha mãe estivesse cozinhando uma carne diferente da bovina. Além do mais, aquela foi a última vez que comi cordeiro depois de descobrir que cordeiros eram bodes jovens, a variação caprina do bezerro. Também foi uma das últimas vezes que minha mãe preparou algo inovador, já que meses depois seus problemas começaram.

Acampamento Meio-Sangue, Long Island
Tempos atuais

Dispensável dizer, porém eu passara todo o dia pensando naquela carta. Era uma mensagem breve, resumida em menos de dez linhas. De forma quase enigmática, minha progenitora (supostamente) desejava um reencontro comigo para esclarecer algumas coisas. O teor da conversa não era definido, a necessidade não era esclarecida e também não era explicado como ela fez para deixar uma carta escrita à mão sobre o meu colchão. Mas era estranho como aquela era a letra dela, até o modo de escrever era idêntico ao dela (e eu não sabia como sabia disso, mas eu sabia). Fora a mensagem, havia ainda todos os outros sinais que já notara. Os odores, as vozes, as sensações.

A carta só dava uma dentre outras poucas certezas: o local de encontro.

Todas as atividades que realizei naquela sexta foram completamente mecânicas. Os treinos, as interações, as obrigações. Fizera tudo com a mente distante, com a cabeça na velocidade máxima, tentando tomar uma decisão. Minha mãe havia falecido há mais de três anos. Foi um evento súbito e por isso eu sentia como se algumas pontas permanecessem soltas.

Após muito pensar e como uma pessoa sã e sensata que eu era, eu tomei a minha decisão. Sabia o que deveria fazer: eu precisava pegar um avião.


Naquela mesma noite eu aproveitei um momento em que as harpias não estavam por perto e corri em direção à colina que delimitava os limites do Acampamento. Corria o máximo que conseguia pois sabia que as guardas aladas não demorariam muito a aparecer e quando já passava em frente aos campos de morangos eu ouvi um som baixo atrás de mim, mas completamente distinto. Virei-me já com os olhos arregalados e as sobrancelhas erguidas, uma mistura de choque e raiva.

O que você tá fazendo, aqui?

Ele relinchou e bateu com os cascos contra o chão, andando em círculos como se tentasse me dizer algo. Sua crina já crescia, alva como o resto do seu pelo e descia por suas costas, resvalando nas suas asas coloridas.

Saighead! – Meu tom irado não parecia surtir efeito nele. Olhei ao nosso redor para saber se ninguém ou nada mais nos via, então retornei minha atenção a ele. – Como você saiu do estábulo?! – Fechei os olhos, suspirei e pressionei a têmpora esquerda. – Okay, volte já para a sua baia e durma. Isso é uma ordem, Saighead!

Apesar do meu timbre firme, ele apenas cavalgou em minha direção, moveu as asas um pouco e bateu as patas dianteiras ao estar mais próximo. Então ele soltou um relincho.

SHIIIIIIII – eu levei o indicador à boca e franzi a testa, novamente conferindo se o meu pégaso não havia chamado a atenção de ninguém. – O que você pensa que está fazendo?! Volte para o estábulo!

O ser andou em minha direção e se inclinou sobre as patas traseiras. Apoiado em minhas pernas, ele mordeu de leve minha mochila. Em seguida, voltou para minha frente e soltou um relincho baixo. Sua cabeça se movia de forma enfática, indicando a mochila.

Aaaaah, não! Nem pensar. – Virei-me de costas e comecei a andar em direção ao Pinheiro. – Se você está pensando em vir comigo, pode desistir e voltar a dormir.

Você já conheceu um pégaso manipulador? Eu sim.

Dei três passos e então ouvi um relincho agudo e alto, que pareceu um berro no silêncio noturno. Em seguida um cavalgar efusivo e asas ruflando; ele estava começando a realizar um alarde. Eu não poderia acreditar que o meu próprio mascote estava ameaçando atrapalhar minha fugida noturna caso não o levasse comigo.

Oh, deuses! – Parecia uma espécie de grito contido a minha voz, misturo de sussurro e exclamação. Voltei-me para ele, com os braços erguidos ao céu e os olhos fechados em sinal de rendição. – Tudo bem. Você pode vir comigo. Espero que os humanos te vejam apenas como um enorme cachorro do tamanho de um potro. Mas nada de querer chamar a atenção, eu estou em uma missão séria.

Ele bateu as quatro patas no chão alternativamente. Supus que aquilo significava um sim. No meio da noite, nós nos adiantamos em direção ao topo da colina e para longe do Acampamento. Ainda haviam algumas muitas etapas até eu chegar ao meu objetivo.


Chegar até a região alta de Manhattan demandou certo tempo, principalmente para conseguir uma carona. O porteiro, Mr. Fry, já me conhecia de longa data e me deixou entrar sem realizar objeções.

Hey, Mr. Gallagher! – Ele me chamou após eu subir alguns degraus que guiavam à porta do prédio. Virei-me em sua direção.

Ele apenas olhou para o Saighead com uma expressão explícita e deu de ombros. Eu fiz minha melhor cara de súplica e retornei rapidamente para perto do outro.

Por favor, Tony, ele não consegue ficar em nenhum local sozinho sem mim. Prometo que ele vai se comportar muito bem e ninguém nem vai notar.

O homem, que já deveria ter passado da casa dos sessenta, mas ainda conservava jovialidade na personalidade e aparência, coçou a nuca de modo encabulado, claramente ponderando o meu pedido.

É porque, você sabe, se fosse outra hora eu poderia até liberar. Mas a essa hora? Se alguém for acordado por um cachorro desse tamanho pode dar problema para mim.

Cachorro, claro!”, eu pensei. Eu o conhecia há alguns anos já. Ele não era um indivíduo desagradável, muito pelo contrário, eu apreciava a sua simpatia e receptividade e compreendia que ele poderia ser conivente se não fosse o risco alto. Suspirei, com o olhar fixo no chão que separava a guarita da entrada do edifício, tentando pensar em uma solução.

Olha, eu só preciso falar rapidinho com o Alex e já desço, mas não posso deixar o Saighead aqui – olhei para o meu animal de estimação incomum, que abria e fechava suas asas, prestando dedicada atenção a minha interlocução. Como alguém o enxergava como um cão? –, muito menos na rua. Deixa ele subir comigo, por favor! – Meu tom vocal e minhas feições eram suplicantes e antes que Tony pudesse proferir mais uma negativa eu me adiantei com uma proposta mais tentadora – Prometo que assim que eu descer eu te dou uma restituição pelo risco, para você poder levar a Ann a um jantar e tal.

A oferta do dinheiro surtiu efeito, apesar de que o Mr. Fry levou alguns segundos ponderando se a aceitava antes de suspirar e afirmar com a cabeça. Ele deu um tapinha no meu ombro e disse um "Vai lá, garoto, mas cuidado, por favor".

Primeiro problema resolvido, faltava solucionar o verdadeiro impasse.


Você fica aqui, Saighead, é melhor que o Alex não te veja. – Disse ao meu pégaso assim que chegamos ao corredor.

O animal não pareceu fazer objeção. Fui até a porta de madeira ao fim do corredor e apertei o interruptor da campainha. Esperei por dez segundos de puro silêncio e toquei a campainha novamente e o fiz por uma terceira vez antes de passos um pouco atrapalhados se fazerem ouvir do cômodo do outro lado. Seguiram-se alguns xingamentos sussurrantes, que eu mal era capaz de compreender, até finalmente eu escutar o barulho da chave sendo girada e a porta se abrir.

Alex trajava apenas uma calça de algodão. Seus cabelos marrons estavam anormalmente cheios, os fios se espalhavam para todos os lados, seus olhos estavam semicerrados e seu rosto se contraía enquanto ele esfregava as pálpebras.

O que...? – Sua voz parecia confusa. – Por que...? – Ele parou novamente, aparentemente tentando decidir qual era a pergunta certa a ser feita primeiro. – Peter, o que...? – Ele puxou o ar com tanta força que eu vi seu peito se erguer e então o soltou em uma mistura de suspiro e bufo. – Peter, você sabe que horas são?!

Fiquei mudo durante alguns segundos como se tentasse descobrir.

Na verdade, não. – Houve uma pequena pausa em que o Alex continuou a me olhar – Você sabe?

Com certeza tarde demais para você estar acordado e cedo demais para eu estar acordado. Que merda você tá fazendo na minha porta no meio da madrugada? – A entonação em sua voz era um mau agouro e eu supus que ele provavelmente estivera acumulando situações estressantes durante toda a semana, visto que se ele estivesse que em seus momentos neutros seu tom seria mais compassivo, talvez até preocupado.

Olhei por cima do ombro magro dele. A sala de estar estava às escuras, talvez por isso os passos destrambelhados dados antes de abrir a porta. Ele provavelmente não iria gostar da razão que me levara até ali e eu também não havia pensado em como faria para pedir o que precisava ser pedido.

Eu preciso da sua ajuda. Será que eu posso entrar?

Meu tio apoiou o braço na porta e me olhou com a cabeça tombada para direita por dez segundos como se realmente estivesse considerando dizer “Não, volte ao acampamento! ” para o próprio sobrinho durante a madrugada. Felizmente, ele suspirou e assentiu, dando espaço para que eu passasse. Eu entrei.


Já com as luzes da sala e cozinha – cômodo onde estávamos no momento – ligadas, eu comentava sobre a decoração nova, inclusive o grande quadro que adornava a parede atrás do televisor de LED. A conversa fiada servia para eu pensar em uma boa história para convencer o Alex, mas ele era um homem inteligente e após cinco minutos de papo ele colocou a xícara dentro da pia e me olhou com aquela expressão de “há algo errado com você!”.

Tudo bem. O que você faz aqui a essa hora? – Ele ainda não parecia estar tranquilo o suficiente, mas eu sabia que poderia deixá-lo ainda mais incomodado se me esquivasse mais do assunto.

Então, Alex. Eu preciso de um favor seu. – Ele cruzou os braços em frente ao peito e ergueu uma sobrancelha para mim como se me incentivasse a continuar. – Eu preciso de um dinheiro emprestado.

Eu não tenho dracmas, Peter. – Dito isso saiu andando em direção a sua sala.

O apartamento do Alex era muito bonito e isso harmonizava totalmente com quem ele era. Ele era um homem muito diferente da minha mãe, era até estranho pensar que eles eram realmente irmãos. Com quase trinta e sete anos, ele parecia ter bem menos, com um corpo magro e alto bem cuidado, um rosto atraente de bochechas magras e uma personalidade vívida. Sua trajetória também era diferente da de Aeryn; apesar de ambos terem escolhido a área do magistério, Alex era historiador formado em Columbia, um homem inteligente, ele era um ótimo professor na mesma universidade em que se graduara, além de um pesquisador apaixonado. Solteiro, bem-sucedido, com uma ótima remuneração, ele era do tipo que havia evoluído muito na vida. Seu apartamento refletia tudo isso, não era suntuoso, mas tinha certo charme.

Eu sei. Eu não preciso de dracmas, preciso de dinheiro mesmo. Dólares. Uns quinhentos dólares acho que serão o suficiente.

Ele virou para mim com uma expressão embasbacada.

Quinhentos dólares?! Para que você quer quinhentos dólares? – “Oh, merda, começaram as perguntas”.

Alex, eu tenho uma missão pelo Acamp...

Por que tem um pônei alado em cima no meu sofá, Peter Caelan Gallagher?!

Oh, merda, SAIGHEAD!”. Assim que eu me aproximei, vi que o meu pégaso estava andando sobre o amplo estofado do Alex, aparentemente gostando da sensação que as molas traziam cada vez que ele pisava.

Ahrm... na verdade nós chamamos ele de pégaso...

Eu sei que ele é um pégaso! – O Alex não era um homem irascível, pelo contrário, ele era positivo e bem-humorado. Talvez fosse a situação bastante tranquila na qual eu o colocara.

... e mesmo assim ele não seria um pônei alado, o correto seria um potro alado.

Meu tio olhou para mim como se não houvesse compreendido.

Pôneis não são filhotes de cavalo. – O Alex ergueu as sobrancelhas enquanto eu o olhava e tirava meu mascote de cima do seu sofá, dirigindo a este apenas por um segundo um olhar acusatório. – Potros são filhotes de cavalos, pôneis são um tipo específico de cruzamento que – minha voz começou a diminuir de intensidade a partir daí quando eu finalmente percebi que as sobrancelhas em arco do meu tio não indicavam curiosidade, mas um questionamento silencioso e ameaçador se eu realmente desejava dar-lhe aula de zoologia naquele instante. – que não cresce tanto quanto um cavalo comum.

Ele andou na minha direção. Abriu a boca como se fosse falar algo, mas aparentemente desistiu. Logo em seguida, alcançou o celular sobre a mesa de centro, passando por mim sem olhar no meu rosto. Ele mexeu no smartphone algumas vezes e o depositou de novo sobre o móvel próximo; na tela era mostrada uma contagem regressiva já iniciada.

Eu sei quando você está pensando em fazer alguma coisa muito burra, Peter. Por isso, você tem cinco minutos – Ele olhou para o eletrônico que exibia um “04:51” na tela e se corrigiu. – menos de cinco minutos para me convencer a não te colocar no meu carro agora e te levar de volta ao Acampamento.

Tentei ser otimista e pensar que eu era capaz de fazê-lo, do contrário tinha poucas chances de cumprir meu propósito. Seguiu-se um diálogo árduo.

É uma missão em que eu estou. Eu preciso viajar e por isso preciso do dinheiro.

O Acampamento não fornece o transporte? – Às vezes era bom ter um familiar que soubesse e compreendesse minha vida como semideuses, mas naquela situação era negativo que o Alex soubesse tanto.

Não é bem uma missão oficial...

Você está indo escondido? – Seu tom era surpreso e repreensor.

Alex, confia em mim, é importante.

E você trouxe ele junto por quê? – O olhar cético do Alex moveu-se de mim para o Saighead.

Porque ele me chantageou.

Houveram quatro segundos de completo silêncio em que sua expressão se modificou. O Alex provavelmente estava tentando entender como o meu pônei alado me chantageara, mas ergueu os braços em desistência.

No que consiste essa missão? – Pela primeira ele pareceu se inclinar à possibilidade de me ajudar, o problema é que eu teria que revelar o motivo da minha missão se quisesse ser capaz de convencê-lo.

Eu vou visitar a sua irmã morta.”, essa resposta até passou pela minha cabeça, mas obviamente ela não chegou a se realizar em palavras sonoras.

Não posso falar. – Pus as mãos nos bolsos e esquivei-me do olhar analítico dele.

Então eu vou contigo. – Eu não esperava por isso. Eu havia ido ao apartamento do Alex preparado para uma atitude resistente vinda dele, um longo diálogo para convencê-lo a me emprestar o dinheiro, não imaginava que ele iria se oferecer para ir comigo.

Você não pode ir!

Então você vai me explicar que missão é essa. – Dei-me conta de que ele não estava se oferecendo para ir comigo, ele estava determinando minhas opções.

O Alex e eu tínhamos um relacionamento raro no mundo, do tipo que eu jamais tivera com ninguém. No momento em que eu decidira que iria recorrer a ele, eu imaginei que não seria fácil. Sabia o que ele diria, apesar de não ter sido capaz de deduzir que ele iria insistir para me acompanhar. Do outro lado, o Alex já havia percebido que eu não tinha outras opções, de algum modo estranho ele era capaz de entender automaticamente que eu não o abordaria durante a madrugada se eu tivesse qualquer outra alternativa.

Eu não posso te explicar e você não pode ir junto. – Busquei manter a entonação firme, resoluta, mas internamente eu sabia que não seria de grande efeito.

Então nada de dinheiro. Boa noite. – Ele fez menção de voltar ao seu quarto.

Alex! – Eu chamei por seu nome de modo suplicante e revoltado.

Peter. – Seu tom e expressão eram calmos por estar certo de que o controle das possibilidades estava nas mãos dele. As únicas opções era eu contar do que se tratava a missão, ele ir comigo ou eu simplesmente não ir, e qualquer uma delas o agradava.

Pode ser perigoso.

Exatamente por isso você precisa me explicar.

Eu pensei em dizer que eu já era maior de idade, que ele não era mais meu responsável legal, mas sabia que isso surtiria pouco efeito e era provável que ele argumentasse que se eu era independente que conseguisse o dinheiro sozinho.

Você não entende!

Entenderia se você me explicasse.

Eu queria socar o meu tio com força, estava irado por ter sido encurralado, se outrora estivera certo de que conseguiria convencê-lo, agora eu via meus planos sendo frustrados, minhas alternativas sendo manipuladas por ele. Cerrei os olhos e esfreguei os pulsos com força contra eles. Por fim eu suspirei.

Tudo bem... – Pensei em silêncio por alguns segundos – Você pode ir comigo até a cidade. Mas não até o local específico da missão, porque pode ser realmente perigoso. Eu te prometo que explico tudo ao final, mas só depois que estiver feito.

Ele considerou minha proposta até finalmente assentir.

Vou me arrumar, procure as chaves do carro.

Dei um sorriso vitorioso que começou a desaparecer quando eu percebi que ele não sabia para onde nós íamos e quando supus que ele não iria gostar do destino.

Nós não vamos de carro. – Uma sobrancelha dele se ergueu, intrigado. – A não ser que seu carro seja anfíbio.

O Alex não falou nada. Ele sabia que viria algo em seguida que ele não ia gostar e só estava aguardando que eu dissesse.

Eu preciso ir pra Irlanda.

Wake me slowly Or watch me fall;


Última edição por Peter C. Gallagher em Qua Maio 17, 2017 12:17 am, editado 7 vez(es)
avatar
Peter C. Gallagher
Celestiais de Èter
Celestiais de Èter

Mensagens : 153
Data de inscrição : 11/07/2015
Idade : 19

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Mensagem por Peter C. Gallagher em Ter Maio 16, 2017 1:28 pm

mac a athar
Convencer o Alex a ir até a nossa terra natal sem realizar mais perguntas demandou mais algum esforço meu, mas finalmente eu consegui. Nós dois éramos irlandeses, eu de Birr, o Alex de alguma cidade em Connemara. Toda a minha ascendência vem daquela região, na costa oeste da Ilha Esmeralda. Nossos familiares eram pessoas de mentalidade simples, todos com vivências muito ligadas a localidades pequenas e bastante orgulhosos de sua ancestralidade. Por isso o Alex se chamava Alastar, mas mudara oficialmente seu nome após vir morar nos Estados Unidos para a versão americanizada, Alexander. Minha mãe se chamava Aeryn pela mesma razão pois era uma derivação do irlandês antigo e que significava algo como "da Irlanda". Minha mãe sempre viveu comigo na Europa, primeiramente em Birr, condado de Offaly e depois na capital dele, Tullamore. Já meu tio se mudara para a América assim que terminara os estudos, com ferrenhas críticas e oposições de seus pais e outros familiares, mas ele jamais poderia ter feito escolha mais acertada. O Alex era diferente de toda a família Gallagher, ele estudou em Dublin no final do ensino médio, lá conheceu alguns estadunidenses que o ajudaram a se estabelecer no país. Conseguiu ingressar em uma das instituições de ensino mais disputadas da Terra do Tio Sam, formou-se, especializou-se e continua a aumentar seu conhecimento até os dias de hoje.

Eu não sabia quanto tempo fazia que nós não íamos para a Irlanda, mas agora nos encontrávamos em um voo direto para o país.

Ele comprara as duas passagens online, além de reservar uma vaga no transporte para animais. Durante o caminho até Offaly eu evitei a todo custo que discutíssemos os detalhes da minha missão, focando em nos atualizarmos sobre outros assuntos. O Alex inesperadamente respeitou minhas reservas e com o transcorrer do tempo ele foi ficando mais simpático. Também reservava as ponderações sobre a minha história e convivência com a minha mãe apenas nos meus momentos de discussão interna, nem fazia referência a ela quando conversava com o Alex. Porém, eu sabia que voltar a Tullamore reavivaria as lembranças do meu tio sobre a sua infância e que eventualmente ele buscaria conversar sobre o passado. Com a cabeça escorada na janela do avião, meus pensamentos também insistiam em viajar para trás.

Tullamore, República da Irlanda
2012

Quando a porta no andar de baixo se fechou eu já me preparava para o que viria, mas tinha esperanças de que as palavras da minha mãe fossem gentis. Ela entrou no meu quarto sem bater nem pedir licença e quando eu a olhei ela parecia estar tentando decidir como iniciar aquela conversa.

Eu recebi uma ligação da sua escola. – Sua voz finalmente se fez ouvir, mas ela estava instável, um pouco baixa, como se ela houvesse chorado. – Era a coordenadora de ensino.

Minha mãe se calou e eu imaginei que ela esperava que eu dissesse algo, mas eu apenas assenti sem ter coragem de olhar seu rosto, sinalizando que estava prestando atenção em suas palavras. Eu gostaria de poder fitá-la, avaliar suas expressões e tentar entender o que ela sentia, mas por algum motivo absurdo eu me sentia encabulado. Mas eu não havia feito nada de errado!

Ela me disse que você estava beijando outro garoto. – Ela não perguntou se era verdade e eu acharia ingênuo caso o fizesse: “É verdade que você beijou outro menino ou alguns dos seus colegas precisam de medicação para as alucinações que eles veem? ”. E mesmo se eles não houvessem imaginado o que viram, mas apenas estivessem mentindo, eu entendia que minha mãe não perguntara se era verdade pois ela sabia a resposta. Ela já sabia antes de ser chamada na escola, dizem que as mães sempre sabem. – O que você tem a dizer sobre isso?

Dei de ombros com a atenção fixa aos meus dedos, que se entrelaçavam ao cadarço do Chuck Taylor entre meus joelhos. Eu sinceramente não sabia o que dizer. Talvez que ele tinha um beijo plácido, meio tímido, e eu considerava isso meigo?

Por que você fez isso, Peter? – Ela falou o meu nome como se fosse uma ofensa, uma acusação, um tom que me deixou um pouco incomodado, o que me impeliu a finalmente falar algo.

Por que eu não faria? – As palavras não saíram agressivas, mas curiosas, talvez um pouco provocativas, mas não como uma provocação ao confronto, mas uma provocação à reflexão: Por que não fazer?

Porque não deveria. – Era uma resposta cliché, mecânica e vazia, sem lógica.

Ah, mãe! – Eu finalmente a olhei com uma expressão exasperada, um resquício de ilusão me levava a crer que ela estava me repreendendo por ter burlado a regra que proibia contato íntimo (o que incluía beijos) entre alunos e alunas no colégio. – Vários outros alunos se beijam lá dentro e ninguém faz nada, não foi pelo simples fato de eu estar beijando dentro do colégio que eles te chamaram lá!

É óbvio que não. – Não foram as palavras, mas o modo como ela falou.

Ela estava concordando com eles, estava dizendo que “Se fosse apenas um beijo normal é óbvio que não haveria problema, mas com um outro garoto?!”. Minha mãe era uma mulher de pensamento antiquado, mas ela era paciente e tinha uma aura calma, então eu raramente me sentia tão incomodado com algo que ela dizia ou fazia como naquele momento eu senti.

Pois eu deveria ter feito sim e faria de novo. – Ela respirou fundo como se estivesse tentando manter a calma.

Não deveria. – Claramente aquela não era uma opinião, era uma proibição.

Por que não?

Porque eu não quero.

Eu é quem tenho que querer, a boca é minha.

Aeryn inflou as narinas. Eu raramente a vira assim. Eu sabia que ela estava profundamente irritada e contrariada e eu até entendia o porquê. O fato é que beijar garotos era o menor dos meus problemas. Eu tinha dislexia. Eu tinha déficit de atenção. Eu via homens-bodes. Eu tinha sonhos com monstros. Eu via monstros!

O que era gostar de beijar garotos perto de ser uma completa aberração? Naquela época, eu ainda não entendia quem eu era. E essa ignorância e confusão existiam tanto em relação à minha sexualidade quanto à minha ascendência divina, mas eu estava muito mais preocupado em entender a última do que a primeira. E eu estava muito irritado que a minha mãe se preocupasse tanto com o fato de eu ser gay quando haviam coisas mais sérias com as quais se inquietar.

Você está de castigo. – Eu assenti – E também está proibido de ver esse garoto. Quando der o final da aula eu quero você em casa, irei me informar no colégio se está fazendo isso.

Você sabe que isso não vai me impedir de gostar de beijar garotos, não é? – Nesse ponto eu já não estava apenas esclarecendo, eu estava afrontando. Por algum motivo eu desejava ver minha mãe abalada, fora do sério e eu queria muito deixar bem claro para ela o quanto suas medidas eram ineficientes para modificar a raiz do problema: eu gostava de garotos e fim.

Você também está proibido de ter qualquer contato com o seu tio. – Franzi a testa com aquela nova punição. O que o Alex tinha a ver com o fato de eu ser gay? Ele nem gostava de rapazes.

Mas o que ele tem a ver com isso?!

Nada. Você simplesmente está proibido. Não quero mais ouvir falar sobre você fazendo esse tipo de coisa, tudo bem?

Olhei para o peito dela. O pequeno broche em forma de cruz metálica reluzia em sua camisa. Bufei e assenti. Então ela se retirou do quarto.

Hotel Tullamore Court, Tullamore, República da Irlanda
Tempos atuais

Eu não permiti que o Alex puxasse assunto. Assim que entramos no quarto em que eu iria ficar para deixarmos a pequena mala que havíamos feito antes de pegar o táxi até o aeroporto, eu disse que precisava sair. Sentia que ele gostaria de discutir sobre o assunto que eu vinha evitando, mas eu pretendia continuar a me esquivar até que o encontro com a minha mãe houvesse se findado. Pedi as chaves do carro que ele alugara emprestadas.

Para quê?

Você não acha que a minha missão é aqui no Tullamore Court, não é? Eu disse que você poderia me acompanhar até a cidade onde a missão ocorreria, mas não até o local exato e eu quero terminar com isso o quanto antes. – Eu falava enquanto arrumava a mochila, retirando da mala alguns itens.

Era verdade que a minha missão não era em Tullamore, mas seria mais seguro para ele permanecer ali caso aquele suposto reencontro fosse alguma espécie de emboscada. Quando eu peguei a Rage e pus sobre a cama o Alex se aproximou e deslizou o indicador sobre a parte chata da lâmina.

Como você conseguiu passar essa coisa pelo detector de metais? – Sua voz curiosa era quase capaz de me fazer rir.

Diferente da minha mãe, o Alex era capaz de enxergar através da Névoa, talvez por isso nós tivéssemos essa conexão, ele sempre fora capaz de compreender melhor como era para mim ser um semideus. Mas ainda restavam elementos desconhecidos a ele nesse mundo mitológico, alguns simples de serem explicados, outros nem tanto.

Eles enxergaram um objeto de metal qualquer, por conta da Névoa. – Meu tio arqueou ambas as sobrancelhas em surpresa. – Eu preciso ir. Assim que eu chegar a gente conversa o quanto você quiser.

Ele se restringiu a assentir e me ajudou a colocar a Rage na bainha. Dividimos um abraço relativamente demorado. Desde quando a minha mãe começou a ser afetada pelas coisas estranhas que aconteciam ao meu redor, progressivamente perdendo sua sanidade, ele adquiriu um senso de responsabilidade sobre mim, que se tornou responsabilidade legal depois que minha mãe faleceu. "Toma cuidado, Pet", ele proferiu com sua voz levemente rouca pouco antes de desfazermos o abraço. Logo em seguida, eu desci em direção à garagem após pedir que ele mantivesse um olhar atento sobre o Saighead.

Entrei no utilitário escuro e joguei a mochila ao meu lado. Era hora de voltar realmente às raízes.

New York, Estados Unidos
2013

Seu corpo estava ligado a uma série de aparelhos. Sua respiração era pacífica, mas sua pele estava mais pálida do que o normal. A visita na UTI durava apenas uma hora e nesse meio tempo eu conversava com ela, apesar de não ter certeza se ela me ouvia. Aquele foi um dos últimos dias em que ela resistiu.

O acidente de trânsito causado por uma quimera duas semanas antes havia sido profundamente violento. Minha mãe dirigia, ela disse que estava bem, que vinha tomando sua medicação, mas assim que vira o ser imponente que nos perseguia ela entrou em surto. Aquelas eram algumas das lembranças mais assustadoras da minha vida inteira e talvez eu estivesse prestes a reaviva-las.

Birr, República da Irlanda
Tempos atuais

Eu fiquei um pouco surpreso por lembrar facilmente do caminho entre o hotel e o ponto onde deveria chegar. A bem da verdade, era um trajeto simples e em pouco mais de meia hora eu estava ao lado da igreja. Virei em uma entrada à direita da N52, onde havia um pequeno estacionamento. Em inglês à esquerda e em irlandês à direita, um par de placas indicavam que ali se localizavam o escritório cívico e a biblioteca da cidade.

Assim que eu girei a chave no contato, ato que desligou o carro, eu pus ambas as mãos no volante e observei com atenção exacerbada os nós brancos dos meus dedos. Eu sempre fora bom em não pensar muito, sinceramente por vezes eu precisava conter meus impulsos. Mas naquele momento eu não era capaz de me mover, eu não era capaz de formular uma conclusão. Eu não era capaz de decidir. E pela primeira vez um pensamento que eu vinha evitando há horas, desde aquela carta, me atingiu: o que eu estava fazendo?!


Demorou quase dez minutos para eu consegui sair do carro. Foi uma caminhada de apenas alguns segundos, mas parecia que a cada vez que eu pisava minha respiração se tornava mais cansada. Parei diante dos portões metálicos escancarados, com duas grossas pilastras de cada lado. A St. Brendan's Church of Ireland não era o exemplar mais opulento da arquitetura gótica, mas quando eu era mais novo e morava em Birr ela parecia imensa.

Estar de volta àquela cidade minúscula era uma sensação por si só estranha. Eu sentia saudades de Birr, morara lá até os dez anos. A Planície de Água era uma localidade singela no meio do território irlandês onde a modernidade chegava em doses paulatinas. Eu estava envolvido em sentimentos conflitantes, imóvel diante dos portões, quando ouvi um relinchar atrás de mim.

Saighead, o que você está fazendo aqui? – Abaixei-me para ficar a sua altura e toquei de leve o seu pescoço. – Você veio escondido dentro do carro, não foi?

Ele bateu a pata direita contra o chão algumas vezes e relinchou novamente. Não estava surpreso que ele estivesse ali, descobri que aquele filhote de Pégaso era mais teimoso e sagaz que muita gente que eu conhecia e pela primeira vez eu não estava contrariado com o fato dele estar ali; de fato, ficara feliz que ele se esgueirara escondido para dentro do automóvel, tê-lo ali comigo me trazia uma tranquilidade pura, diferente da nostalgia que Birr fazia nascer em mim. Um sentimento egoísta, é óbvio, pois eu ignorava o risco que ele poderia estar correndo me acompanhando até um destino desconhecido.  

Acho que você pode vir comigo, não deve ter mais ninguém lá dentro, mas tente não chamar atenção. – Ele relinchou baixo e colocou o queixo sobre o meu ombro antes que eu me levantasse. Passei a mão por seu pescoço com um sorriso no rosto e ele apenas bateu de leve sua cabeça contra a minha. – Venha, campeão.


A escolha do local do encontro parecia uma provocação. A igreja era muito bonita, especialmente por fora, mas eu não gostava das pessoas que a frequentavam na época que minha mãe me impelia a comparecer às celebrações. Eu escolheria um ponto diferente caso houvesse sido consultado: na praça central, no Leviatã ou nos jardins do Castelo, um dos meus locais favoritos da região. Mas ali eu só me lembrava das beatas de modos rígidos, daquelas outras crianças tão normais e da obrigatoriedade de estar ali, sentado e quieto, durante quase duas horas. Meus olhos passeavam por toda a edificação, absorvendo novamente a imagem do interior da Igreja, lembrando-me de um tempo distante e diáfano. A verdade é que eu não queria procurar por ela, a verdade é que eu sentia um nervosismo avassalador me consumir. A verdade é que quando eu envolvi o cabo da Rage com os dedos, eu sentia medo.

Já não podendo mais evitar que meus olhos realizassem uma busca automática, eu avistei uma única pessoa sentada em um banco ao centro da nave, próxima a ponta do assento, mas com um espaço vago à sua esquerda. Meus passos curtos foram interrompidos por mim mesmo,estava assustado e com o coração a mil, e apenas quando senti um focinho forte cutucando a parte de trás da minha coxa e batendo contra meus dedos eu consegui reunir coragem para voltar a andar.

Era indescritível a sensação de sufocamento que eu sentia, era como se eu estivesse caminhando direto para a escuridão, para um rumo incógnito e indecifrável. Tantas possibilidades passavam pela minha cabeça que eu imaginei que iria surtar, mas fiz esforço para continuar andando.

Assim que eu fiquei ao seu lado percebi que sua aparência estava mais nova do que no dia em que ela faleceu. Os cabelos estavam amarrados em um penteado que deixava seu pescoço e rostos completamente expostos, a pele tinha um tom branco bonito, os dedos repousavam sobre o colo. Seus olhos castanhos passaram por mim de modo calmo e depois focaram na criatura branca ao meu lado. Seu olhar era sereno, mas de alguma forma parecia vivo.

Peataí tá cosc laistigh den Eaglais. – O tom saiu firme, mas não tão repreensivo assim: animais são proibidos na Igreja. Foi quase mágico, mas ouvi-la falando em irlandês me trouxe uma calma súbita que foi afastando o nervosismo.

Tá a fhios agam – Meu irlandês estava meio enferrujado, afetado pelos anos de convivência com anglofalantes. Sentei-me no espaço vago ao seu lado. –, mas ele é meu amigo.

A atenção dela repousou durante alguns segundos sobre o Pégaso parado ao meu lado, que erguia o focinho tentando identificá-la através do olfato. Nosso diálogo prosseguiu em irlandês.

Como ele se chama?

Flecha. – Eu passei os dedos pela testa do pégaso.

Nome adequado. É um belo animal, filho.

Sorri na direção dela. Eu não tinha a mínima ideia do que dizer, talvez porque houvesse tanto a ser falado, uma quantidade tão imensa de coisas que eu precisava esclarecer com ela que era complexo escolher por onde começar, porém, de alguma forma o mundo parecia mais simples ali, eu me sentia tranquilo e relaxado.

Eu sinto sua falta às vezes. – Comentei isso porque parecia a verdade mais importante a ser dita e inclinei para dar-lhe um beijo na bochecha. Ela cheirava ao perfume de gardênias que utilizava quando estava viva. O mesmo odor que eu sentira no Acampamento.

É, eu também sinto a sua. – Ela tocou meu antebraço e acompanhou com os dedos o caminho que uma veia saliente traçava sob a minha pele. – Você cresceu muito, Caelan.

Era inegável e esperado o tom saudosista da sua voz e eu sabia que ela não falava apenas sobre a minha altura, mas provavelmente sobre tudo em mim que parecia maduro e mudado.

Eu sei. Eu tô até um pouco mais alto que o Alex.

Após eu ter dito isso, ela ficou em silêncio durante cerca de cinco segundos e baixou olhar em direção ao chão da igreja. Saighead, que descansava a cabeça sobre a minha coxa, ergueu seus olhos negros para mim e eu apenas afaguei a cabeça dele.

Você herdou muita coisa dele mesmo. – Franzi a testa, confuso com o tom que ela usara. Parecia um pouco ressentido e cauteloso.

É, puxei muito ao meu tio. Mas acho que meu rosto parece mais com o seu.

Ela voltou a me olhar, agora com um singelo sorriso cálido, e tocou meu rosto com ambas as mãos. Sua boca tremia, suas pálpebras estavam relativamente baixas. Eu consegui compreender que ela estava triste, do tipo de tristeza profunda que se impregna na alma. Mas por que? Aquele não deveria ser um momento de felicidade?

Não nega a descendência que tem. Com certeza também deve ter muito do seu outro pai.

Minha mão esquerda, que tocava as costas da mão dela, pressionou de leve seus dedos como uma forma de transmitir afeto, mas eu franzi a testa. Não havia assimilado o sentido de sua fala. Minha mãe jamais falara sobre Eros comigo, ela sempre evitava a todo custo falar sobre o meu progenitor.

Como assim? Eros? Sim, eu tenho um pouco dele. Tipo, todo semideus herda as habilidades do progenitor ou progenitora divino. Você nunca chegou a saber disso. – Meu tom também se tornou mais triste ao lembrar que ela não soubera pois havia partido antes. – Eu sou muito bom com o arco, muito mesmo. Também tenho alguns poderes relacionados às emoções e à beleza. É legal. E sim, o Alex é algo como um pai pra mim. – Eu ri, finalmente compreendendo o que ela quis dizer com "seu outro pai". – Ele meio que sempre foi. Mas às vezes ele age mais como um irmão mais velho, o fato dele nunca ter tido filhos...

Ele teve filhos, Caelan. – Ela me interrompeu e assim que eu ouvi isso eu parei de falar. Minha expressão se tornou profundamente confusa. – Na verdade, um filho. Ele tem um filho.

Eu fiquei pasmo e um pouco confuso pelo Alexander nunca ter me falado absolutamente nada sobre o assunto, nem mesmo se gostaria de ter filhos, ele sempre disse que sua vida era pautada na sua carreira e no seu interesse pela história.

O Alex nunca me falou que teve um filho. Ele era muito jovem quando a criança nasceu? Foi na Irlanda?

As mãos dela, que estavam sobre as minhas, foram deslizando lentamente em direção às suas próprias coxas. Ela ignorou minhas perguntas.

Vocês têm muito em comum.

Eu e o filho dele? Você o conhece?

Eu sentia vontade de rir apesar de não estar compreendendo muita coisa. Quem diria que o Alex seria pai!

Não. Você e o Alex. Vocês têm muito em comum. – Ela não olhava para mim. Inesperadamente aquela calma profunda foi se desfazendo conforme minha mente buscava entender o caminho que a minha mãe trilhava. – Eu sempre vi muito dele em você e eu queria acreditar que você era o meu filho. Eu que te criei, que te eduquei, que te dei afeto. Mas o Alex estava sempre próximo...

Eu notei que aquele assunto a deixava abalada, melancólica. Não fora para vê-la triste que eu fora até Birr, eu queria lembrar dos nossos bons momentos, queria falar sobre a saudade que sentia dela, contar das coisas que eu vinha vivendo, das pessoas que conhecera, das veze que sobrevivera e que aprendera.

Hey, mãe, não vamos falar sobre isso.

Mas mais uma vez ela apenas desconsiderou minhas palavras e continuou sua fala.

... e vocês eram tão parecidos. Ele sempre queria saber de você e ele queria sempre interferir. Até o nome ele quis te dar, eu disse que seria Caelan, mas ele queria Peter.

Eu já não entendia do que ela estava falando, nem por que ela estava dizendo aquelas coisas. Primeiro ela contava que o Alex tinha um filho e em vez de me falar mais sobre essa criança – que talvez já fosse um jovem homem –, ela começara a dizer tudo aquilo, com uma dose notável de rancor na voz.

Talvez fosse por ele não ter tido contato com o filho dele. – O Saighead pareceu sentir minha agitação, pois ele retirara a cabeça do meu colo e agora andava em um vai e vem irrequieto, ansioso.

E até quem você é! Era óbvio que o fruto de uma relação tão... estranha iria herdar essa estranheza.

Mãe, do que você está falando? O que você está falando? Eu não estou entendendo nada.

Eu sempre soube que ele não te faria bem. Eu sempre tentei te afastar disso tudo. Do Alex, desse mundo do amante divino dele.

Os pelos do meu corpo se eriçaram e eu me senti tonto. As palmas das minhas mãos e a superfície dos meus dedos estavam geladas, mas suadas. Eu não conseguia raciocinar, eu simplesmente não conseguia pensar. Era como se de uma hora para outra meu cérebro fosse obrigado a assimilar uma verdade completamente nova e não fosse capaz de o fazer, por isso ele simplesmente parou.

Peter, eu sempre tentei te proteger. – Ela não me olhava, mas eu sabia pela nuance da voz dela e o movimento de seus ombros que ela estava chorando. – Eu sempre quis ser sua mãe, mas o Alex sempre quis ser o seu pai. Ele achava que era o seu pai só porque você era fruto daquela relação estranha dele, mas...

Não. – Primeiro foi um sussurro trêmulo e desnorteado. Saighead já não se mantinha parado, ele batia os cascos e ruflava as asas e esporadicamente soltava alguns relinchos. Mas logo eu recobrei parte da minha estabilidade e segurei os dedos frementes da minha mãe entre os meus, buscando transmitir paz a ela. – Mãe, isso é apenas um delírio, sua mente foi tão afetada que mesmo depois de você partir as ilusões continuam. Eu sou seu filho e sempre vou ser, nada vai mudar isso.

Filhos de mulheres e touros, filhos de deuses transformados em águias. – Ela parecia irritada, magoada, ferida.

A serenidade que me envolvera quando nós começáramos a conversar começava a se dissolver e eu tentava pensar em algo para manter Aeryn calma e tirar alguma lógica sensata de suas palavras.

Mãe, vai por mim:não tem como eu ser fil... – Aquela ideia era tão irracional que eu nem fui capaz de dar continuidade a minha fala. – Isso simplesmente é impossível porque não faz o menor sentido, entendeu?

E alguma coisa nesse mundo estranho em que o Alex te colocou faz sentido?

Levou certo tempo, durante cerca de vinte segundos eu só era capaz de escutar os ecos do choro quase convulsivo da minha mãe e os cascos do meu pégaso que se chocavam contra o piso de cerâmica. Apesar de eu lutar contra a ideia, minha mente assumiu o controle em meu lugar e começou a formular pensamentos por si própria.

Os deuses tinham características próprias, mas eles também se reproduziam como os humanos; um homem ou mulher e um deus ou deusa, sempre de gêneros opostos, que se envolviam sexualmente.

A não ser que eles não pudessem se envolver sexualmente.

Então eu ergui os olhos e senti as minhas órbitas sendo umedecidas por lágrimas quase que imediatamente.

Filhos de Atena. – Levou um tempo para eu me dar conta de que o tremor e o frio em minhas mãos não eram provenientes dos dedos da minha mãe, que ainda se encontrava entre elas, mas era uma reação própria do meu corpo ao caos que começava a me atingir.

Minha mãe não me respondeu, ela apenas chorava. Algumas lágrimas desciam pelo meu rosto e eu era incapaz de definir com precisão o que eu sentia, primeiro foi um vazio estranhíssimo, uma apatia profunda. Então todo esse vazio foi inundado de uma vez por uma avalanche de emoções. A minha confusão mental era lentamente substituída pela completa desordem emocional.

Filhos de Atena...

Minhas palavras só serviam para confirmar a teoria formulada: filhos de Atena não nasciam através de uma relação sexual, mas do afeto e admiração mútua que ligava a deusa da sabedoria a um humano. Deuses não tinham útero, não gestavam, não ficavam efetivamente grávidos. O que impediria Atena de ter um filho com uma mulher humana se não era necessário um processo normal de cópula para isso? Se ela não precisava se relacionar sexualmente para dar origem à sua prole, seria possível que outros deuses também não precisassem, apesar de habitualmente fazê-lo?

Eu respirava e expirava com força.

Isso é mentira, não é? Você apenas se tornou um espírito vingativo desequilibrado, uma mania, incapaz de separar a realidade do fantástico. – Aquele com certeza foi meu último esforço, uma tentativa final de entender que nada daquilo era verdade.

Mas quando ela ergueu a cabeça e me olhou, com os olhos inchados e úmidos, eu consegui ver a sanidade e consciência que habitava neles quando morávamos ali, em Birr. Era um olhar sincero, apesar de muito triste e sem que ela precisasse dizer nada eu compreendi tudo que o seu olhar queria dizer.

Ela não estava mentindo. Sem saber o que pensar, eu coloquei os cotovelos sobre os joelhos e afundei meu rosto nas mãos. Aquela igreja nunca pareceu tão gigante e sufocante. Naquele vazio enorme eu me senti inteiramente perdido.
Wake me slowly Or watch me fall;
avatar
Peter C. Gallagher
Celestiais de Èter
Celestiais de Èter

Mensagens : 153
Data de inscrição : 11/07/2015
Idade : 19

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Mensagem por Belona em Seg Maio 22, 2017 11:36 am


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

Exp: A primeira parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Do nível 20 ao 30: 7.500

Dracmas: A primeira parte recebe 5 mil dracmas.
Item: Recebe apenas no final, na avaliação da segunda parte..

Avaliação

Experiência: 7.500
Dracmas: 5.000
Comentário:
Eu tenho de dizer, o seu post me fez acreditar na criatividade das pessoas para criar um enredo complexo, mas coerente. Sua explicação sobre tudo foi ótima e no fim foi possível compreender a necessidade de três posts para narrar tudo. No mais, sua escrita é uma das melhores que eu já encontrei nesses anos de RPG.



Segunda Parte

A revelação ainda parecia reverberar por todo o ambiente. A partir daquele momento, seria a vida de Peter a mesma? As indagações pareciam acumular-se, as respostas dadas eram difíceis de serem tragadas. Porém, um urro monstruoso foi escutado alto e claro. O perigo se aproximava, um perigo que assustou a mulher a frente de Peter, outrora considerada sua mãe. Em rápidas palavras, ela tentou explicar o que estava acontecendo antes que fosse tarde demais. Peter teria uma escolha a ser feita, um momento de decisão que mudaria todo o destino da mulher no submundo.

Instruções e explicações

• Nyx/Nox é tida como primeira rainha do submundo, antes que os outros deuses surgissem e tomassem esse posto, teve o poder suficiente para invocar esses mortos e fazê-los entrar em contato com o semideus. Este é um verdadeiro ataque psicológico, pois, mesmo tendo retornado eles têm um prazo para retornarem para o submundo novamente.

• O dia do encontro é o prazo final e eles dizem isso ao semideus com um medo intenso, pois um monstro estaria encarregado de levar o morto de volta para o submundo, por bem ou por mal.

• Escolha a ser feita: Caso eles sejam mortos por esse monstro, eles cairiam nos campos de sofrimento eternamente. Caso eles voltem por vontade própria, eles seguiriam para o Elísio. Cabe ao semideus e seguir sua trama: deixar que o revivido morra pelas mãos do monstro e sofra por toda a eternidade; ou salvá-lo ao derrotar o monstro, permitindo que o morto retorne ao submundo em paz. Ele só consegue retornar dessa forma depois que o monstro seja derrotado.

• Caso seja a primeira opção, ele assistirá passivo a morte da pessoa ou fazer com que o revivido morra em algum momento da batalha. Porém terá de derrotar o monstro depois disso, pois não contente a fera também tentará levar o semideus para o inferno. Caso o semideus escolha a segunda opção, ele terá a chance de salvar o revivido e dar um último adeus, sabendo que a alma dele estará em um paraíso.

• O monstro que irá aparecer é um Makhai, ele estará armado com espadas em cada mão, espadas velhas e não muito afiadas, mas que ainda conseguiam provocar um estrago tremendo graças a agilidade e velocidade que o monstro tinha. Você poderá escolher como ele será introduzido no cenário, mas é certo que ele aparecerá atrás da mulher revivida.


Makhai


Sobre o monstro:
Descrição: Os Makhai são demônios/espíritos de batalha e combate, filhos da deusa da discórdia Éris. Geralmente aparecem ao lado de figuras divinas guerreiras, como Ares, Phobos, Deimos e Enyo. De habilidades de combate extremamente elevadas, esses monstros são conhecidos como as máquinas de guerra dos deuses. Sua aparência é de como dois guerreiros unidos pelas costas, compartilhando os mesmos membros inferiores. Possui duas cabeças e dois braços.

Poderes e Habilidades

Passivos

• Agilidade aprimorada
• Velocidade aprimorada
• Resistência corporal - a queda de estamina é baixa, ou seja, demora a cansar em batalha.
• Resistência a habilidades baseadas no medo

Ativos

• Ataque feroz - um ataque que quando iniciado, raramente pode ser defendido. É um ataque feito por uma sequência de golpes poderosos em que todos os braços armados entram em ação de maneira harmônica e letal.

• Fúria em guerra - Ao olhar nos olhos de uma das cabeças, a vítima poderá ser atingida por um sentimento incontrolável de raiva e fúria.

Regras

- Prazo de postagem: 20 dias
- O revivido não irá, de forma alguma, permanecer no plano humano. Obrigatoriamente ele irá retornar para o submundo, por bem ou por mal (isso é de sua escolha)
- Irá notar que eu não descrevi nível ou barra de hp/mp do Makhai, por ser One-Post, você deverá narrar o nível de dificuldade do monstro de maneira realista a sua personagem e ambiente.
- Boa sorte.




Belona
Somente os mortos conhecem o fim da guerra-
avatar
Belona
Deuses Menores
Deuses Menores

Mensagens : 236
Data de inscrição : 23/01/2015
Localização : Em toda, e qualquer guerra.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Mensagem por Peter C. Gallagher em Dom Jun 11, 2017 8:48 pm

anord agus cogadh
I. Conflito

Havia tantas cacofonias. Na minha mente, tudo era dissonante, nada soava com harmonia. Fora dela, os sons eram conflitantes. Aeryn chorava de modo ruidoso ao meu lado, quase agonizante; Saighead não se mantinha imóvel mais nem por um mero segundo, ele batia as patas contra o piso, gerando um eco intenso e desordenado, relinchava, ruflava as asas, batia contra minha perna com a cabeça. Sua agitação beirava o descontrole. Meus ouvidos zumbiam, literalmente, eu sentia o sangue pulsando na minha cabeça, minhas mãos estavam úmidas por conta das lágrimas e na hora que eu já erguia a cabeça para soltar o grito mais catártico possível, um berro se adiantou ao meu.

A irlandesa próxima a mim imediatamente modificou sua expressão triste para uma face de desespero. Imaginei que ela se assustara devido às lembranças negativas do seu tempo viva, quando monstros nos perseguiam; aquele som provavelmente a recordava disso, das razões que a levaram a desenvolver alucinações e outras desordens psiquiátricas.

Droga, ela mandou alguém me buscar. – Sua voz era vacilante, falha tanto devido a tremedeira quanto aos soluços. – Você precisa ir embora logo, Caelan! – Seu tom indicava urgência e eu nada respondi, apenas me mantive ali, observando meus dedos. – Caelan! Você precisa fugir! Rápido! – Ela segurou meus ombros e virou meu tronco em sua direção, mas eu era incapaz de encarar seu rosto. Ela chacoalhou meus ombros. – Peter! – Chamou meu nome mais algumas vezes. – Você precisa ir embora.

Finalmente eu ergui meu olhar para seu rosto. Os olhos estavam inchados, os cabelos estavam um pouco desgrenhados, a face estava vermelha e molhada. Ela parecia ter envelhecido de novo os anos que não eram visíveis minutos antes.

Por que você mentiu para mim? – Minha voz era um fio, um rastro.

Caelan... Não podemos conversar sobre isso agora.

Eu só quero um motivo... – Senti um embargo subir à minha garganta. Outro grito soou, dessa vez mais próximo. Parecia levemente humano, mas mais alto e rouco. – Só um.

Eu havia perdido qualquer estabilidade psicológica e emocional. O choque gerado pelas revelações anteriores havia retirado de mim a capacidade de raciocinar de modo ordenado, de compreender que um perigo se aproximava e eu precisava me preparar para ele.  Eu só pensava nas palavras dela, eu só tentava assimilar e absorver aquilo tudo, mas era um conhecimento rígido e doloroso demais para ser compreendido com facilidade.

Levei um susto quando vi aquele corpo sobre meu colo. Saighead subiu em cima de mim repentinamente e começou a bater efusivamente seu crânio contra meu rosto. Eu tentei me proteger com os braços e no meu esforço para o retirar de cima de mim acabei me pondo de pé. Ele relinchou e avançou contra mim, forçando-me a andar para trás para evitar suas investidas.

O que você está fazendo?! Estúpido. – Segurei seu pescoço.

Apesar das minhas tentativas de detê-lo, ele se colocava sobre as patas traseiras para acertar minha barriga, caía logo em seguida de quatro sobre o chão apenas para repetir o mesmo movimento. Levou alguns segundos para eu conseguir, já sentado no corredor principal, abraçar seu pescoço com ambos os braços. Apesar disso, ele ainda relinchava e balançava a cabeça. Foi então que eu olhei sua face: as narinas soltavam ar com força e seu olhar era inexplicavelmente expressivo.

Outro grito soou.

Ele estava aterrorizado, era isso.

Foi quase miraculoso, mas de repente eu também senti pavor. E o pavor gerado em mim pelo olhar de medo do Saighead misturado ao som cada vez mais próximo foi capaz de me tirar do torpor. Tive força o suficiente para olhar para a mulher.

O que é isso? – Ela secou mais algumas lágrimas.

Eu não sei. Eu fiz um acordo para voltar à vida, uma mulher me ofereceu a chance de te ver mais uma vez, mas ela avisou que eu precisava voltar ao Submundo em uma semana. Hoje é o prazo final.

Que mulher?

Ela não disse o nome. Era uma mulher muito bonita, cabelos cheios assim, cacheados. Ela... não sei, ela parecia poderosa.

Rolei os olhos.

Ela tinha uma aura intensa? Se vestia de preto? – A outra apenas assentiu. – Os cabelos dela se moviam sozinhos? Ela parecia ser uma deusa noturna?

Sim, você a conhece?

Levantei-me e suspirei, já tentando pensar no que faríamos. Contive momentaneamente a erupção de emoções que surgira alguns momentos antes, pois sabia que diante da nossa situação eu precisaria de foco e controle.

Sim, ela tentou me matar uma vez. Ela é muito antiga e muito poderosa, tem um gosto peculiar para arquitetura, não é boa em discursos e se você fez mesmo um acordo com ela, acho que nós estamos em um grande problema. – O monstro emitiu mais um berro e quando voltei minha atenção para a porta da edificação eu notei que uma sombra já se adiantava em nossa direção. – Nós não temos tempo para fugir. – Meu corpo foi coberto pela Armour Love e eu senti a empunhadura do Loving Arc se materializar entre meus dedos. – Vocês farão tudo que eu mandar, exatamente da forma que eu mandar, não importa o que eu diga, tudo bem? Tudo bem.

A luz que incidia sobre as costas do adversário fazia com que ele fosse apenas uma silhueta, mas eu era capaz de notar que ele tinha dois pares de braços, com uma espada em cada mão. Evoquei a primeira flecha e encantei-a com uma aura alva. A flecha provavelmente acertou-o, já que o monstro diminuiu a velocidade de sua movimentação, apesar de ainda se mover em nossa direção.

Em seguida eu invoquei e disparei seis flechas contra os bancos de madeira, dando uma instrução simples para minha mãe.

Agora você confia em mim. – Olhei para a mulher parada logo atrás de mim, com uma expressão de profundo terror nos olhos. – Você deve ficar aqui, parada e imóvel. Apenas confie em mim, não tente fugir, apenas fique parada.

Dito isso eu corri em direção ao altar ao final do corredor principal. O monstro também se aproximava, mas eu sabia que ele não me perseguia, mas sim se aproximava do seu verdadeiro alvo, a mulher que um dia pensara ser minha mãe. Saighead me seguiu de perto e conforme eu me afastava já preparava uma segunda flecha, encantando-a com a especialidade dos filhos de Eros, a capacidade de fazer com que uma pessoa se apaixone pela outra. O monstro estava a apenas alguns metros de Aeryn, que provavelmente apenas se mantinha imóvel devido ao medo que a consumia. O olhar dele descansava sobre ela e pela primeira vez eu notei como aquele ser era. Disparei a flecha direto contra o tronco do monstro e assim que ela se alojou próximo ao seu ombro ele interrompeu seu ataque.

Na verdade, algo mais interessante ocorreu, um detalhe que não estava em meus planos. Como dito, só quando eu fui realizar a mira para disparar meu projétil que eu percebi as características do meu adversário. Ele lembrava um guerreiro humano ressuscitado, de pele cinzenta e ressecada, traços faciais indistintos e músculos corporais salientes. Sua característica mais notável era a altura, mais de dois metros, e o fato de que ele era composto por dois seres unidos pela cintura. Foi esta característica que fez com que a flecha do amor gerasse uma consequência inesperada.

O monstro começou a girar. Um corpo dava passos para trás, evitando ferir Aeryn, claramente encantado por ela. Logo em seguida ele girava e o segundo tronco ficava de frente para ela, portando uma expressão furiosa, sanguinária; essa metade desejava matá-la. Logo em seguida a outra metade, encantada pela minha flecha, impedia sua outra parte de se aproximar dela. O monstro estava em conflito próprio, Aeryn fora a prioridade deles, mas agora uma metade queria protege-la, enquanto a outra intentava destruí-la. As pernas eram controladas por ambos, aparentemente, e isso não seria um problema se eles não tivessem desejos inteiramente opostos.

O acontecimento parecia ideal. Poderíamos aproveitar a confusão do monstro para fugirmos, ele parecia ser rápido, mas eu dúvida ser mais veloz que um carro utilitário. Após despistarmos aquele ser, eu pensaria nos nossos próximos passos. Todas as minhas ideias foram por água a baixo, entretanto, quando Saighead inesperadamente começou a relinchar ao meu lado, aparentemente desafiando o monstro de dois corpos para uma batalha. Eu olhei para meu pégaso de forma afiada, agressiva.

Aaaah, pégaso louco! – Eu ralhei, antes de olhar de novo para o monstro.

Evidentemente a provocação do meu pégaso surtiu efeito. A besta guerreira de imediato voltou seus olhos antes generosos em nossa direção. Instantaneamente  sua expressão voltou a ser furiosa. Se ele ficava confuso sobre o que fazer com Aeryn, ambas as metades desejavam destruir a mim e a Saighead, portanto não me surpreendeu que ele partisse em nossa direção. Eu disparei uma flecha contra o rosto dele, mas a ponta apenas rasgou a sua orelha, o que o tornou mais irritado.

Saighead, corre! – Meu pégaso obedeceu e se distanciou em direção à parede.

Antes que eu pudesse fazer o mesmo, o ser já estava próximo demais. Eu comandei a corrente direita da Armour Love para atar-se aos braços do guerreiro. Os elos de metal só tiveram tempo de envolver um dos pulsos dele, já que ele foi rápido o suficiente para me golpear diretamente no ombro com a espada portada pela outra mão. Em seguida ele girou e me atacou com as espadas seguintes. O plastrão impediu o corte, mas as forças conjuntas dos dois golpes me lançaram ao chão com um impacto violento, arrastando-me pelo solo até bater com as costas contra a base da escadaria. Arquejei e tossi. Antes que eu pudesse me erguer eu senti um chute contra a barriga e fui lançado para cima do altar.

Havia tomado uma decisão burra, profundamente burra. O monstro de quatro braços usou-os para segurar a corrente da Armour Love e com uma força brutal ele me puxou de volta em sua direção.

Meu corpo já se encontrava dolorido quando eu parei caído de costas bem aos pés dele, já sem meu arco. O pé direito pisou minha barriga, impedindo-me de respirar e antes que ele golpeasse minha garganta com as espadas, eu vi Saighead golpear o ombro dele com os cascos, antes de ser atingido no flanco por uma das espadas. Soltei um grito de desespero e saquei a faca em minha cintura, enfiando-a no pé esquerdo. O monstro soltou um urro de dor e eu fui capaz de me arrastar para mais longe dele.

Por um segundo, eu encarei a face do Makhai. Naquele instante, uma grande quantidade de ira me invadiu, sem nenhuma razão específica. Antes que ele pudesse me atacar, eu juntei minhas mãos e transformei aqueles sentimentos intensos em energia, até se concentrar na forma de uma esfera. Lancei a bola vermelha contra o peito do Makhai, o que me deu tempo para me pôr de quatro e finalmente conseguir ficar de pé. Procurei desesperadamente pelo Saighead até vê-lo distante de mim no corredor, próximo a porta. Ele cambaleava em minha direção e a lateral do seu corpo sangrava. Respirei fundo, ainda irritado e procurei por Aeryn. Antes que pudesse encontra-la eu senti algo se chocar contra minha nuca e cair aos meus pés.

Fiz o que você mandou. – Quando olhei por cima do ombro ela estava no altar, onde meu arco antes estivera (agora caído no chão próximo a mim). Assim que meu olhar retornou em direção à porta eu vi um brilho metálico quase imperceptível no ar entre os brancos. Sorri.

Invoquei minhas asas e disparei uma flecha contra o monstro.

Hey, bipolar. – O monstro olhou para mim. – Vem me pegar.

Ele avançou. Meu plano era eficiente, mas o monstro era rápido demais. Eu consegui acertar a boca de uma das cabeças quando ela berrou e o corpo do projétil ficou atravessado em sua bochecha, assemelhando-se a um piercing extragrande. Apesar disso, eu não consegui correr e ele me atingiu com uma sequência de golpes com as espadas, um deles na coxa, o que conseguiu gerar um talho profundo e doloroso. Eu gani de dor e senti mãos firmes agarrarem minhas asas. Ele me ergueu no ar e supus que desejava quebrar minhas asas, mas eu consegui olhar diretamente em seus olhos, causando-lhe uma lentidão breve, suficiente para disparar uma flecha contra a parte interna do cotovelo dele, a proximidade permitindo uma mira certeira e um impacto violento, o que fez o projétil transpassar a região por completo. Ele me largou com uma das mãos e me lançou ao ar com a outra. Eu consegui me equilibrar no ar e voei o mais rápido que consegui em direção à porta. Pousei a certa de quinze metros do monstro, que já recuperara suas espadas e agora me fitava com ódio.

Você é o ser mais fraco que eu já enfrentei!

Bastou aquelas palavras para o Makhai avançar. Eu corri também na direção dele, sacando a Rage. Eu só teria uma chance e precisava de uma distância curta o suficiente. Alguns minutos antes eu invocara seis flechas, todas elas encantadas com Ludus, o que fazia com que fios extremamente resistentes feitos de ouro se estendessem de suas rabeiras. Aeryn atara as extremidades dos fios aos bancos dos lados opostos, como eu pedira. Internamente eu orava a todos os deuses para que aquele estratagema funcionasse.

Respirei fundo e clamei pelo espírito que habitava na minha espada, Eoin. O guerreiro ao estilo espartano surgiu ao meu lado, mais alto que eu e portando uma espada maior. Ele olhou nosso adversário e em seguida assentiu para mim. O Makhai avançava em um elã descontrolado e quase cego, portanto não notou os fios diante de si. Ele tropeçou e se enroscou a eles, arrastando os pesados bancos de madeira consigo. Devido ao obstáculo, ele perdeu o equilíbrio e veio de encontro a chão. Eu tive apenas um segundo para saltar no ar, usando as asas para me impulsionar e depois cair de pé próximo ao Makhai caído, enfiando a Rage – e, por consequência, a réplica dela portada por Eoin – na garganta do monstro, atravessando seu corpo e transpassando ambos os pescoços.

Ele urrou e segurou meu tornozelo antes de se desfazer em uma poeira escura e vagamente brilhante. Eu suspirei. Eoin desfez-se no ar.

Senti braços envolverem meu tronco. Olhei para o lado e vi Aeryn observar o ferimento na minha coxa com uma expressão preocupada.

Você precisa sentar. – Ela não ousou fitar minha face ao dizer isso e me ajudou a alcançar um banco. A dor me torturava agora que as doses de adrenalina se dissiparam.

II. Despedida

Um longo tempo de silêncio havia transcorrido. Eu saí do banco e me sentei no chão, com a cabeça de Saighead sobre meu colo. Ele respirava de modo forte, sentia dor e eu conseguia perceber isso, a ferida em seu flanco estava feia, me dava nojo, mas eu havia estancado o sangramento dele usando minha camisa.

Eu preciso levá-lo ao hotel. Os poucos itens de cura que eu tenho estão lá. – Eu disse com uma voz rouca, observando meus dedos acariciando a crina dele. – Você pode vir comigo.

Aeryn demorou a falar, ela estava mais calma do que antes, sentada ao meu lado.

Eu na verdade não posso.

Contraí os músculos da testa e antes que eu perguntasse a razão a mulher adiantou-se em explicar.

Era um contrato de uma semana, como eu disse. A mulher que me trouxe de volta deixou bem claro que eu não estou definitivamente de volta à vida. Eu não posso ficar.

Eu queria que ela ficasse. Estava sentindo tantas emoções ruins e sufocantes que nem seria capaz de descrever todas elas, mas no fundo eu gostaria que ela ficasse. Mas como ex-ceifeiro de Tânatos eu compreendia plenamente o que significava trazer um morto de volta a vida e, ainda mais, o que poderia acarretar manter vivo um ser que já não pertencia mais a este mundo. Apenas algum poderoso deus ctônico poderia revogar uma morte e eu não via nenhuma razão para Hades, Perséfone ou a própria Nix permitir que Aeryn permanecesse no mundo dos vivos de forma definitiva e mesmo caso um deles o fizesse, não era garantia de que nenhuma consequência viria disso.

A morte, algumas vezes, era uma sina, um fato do destino e o destino conseguia ser superior aos deuses. Suspirei.

Então você volta para o Submundo?

Sim. – Ela murmurou. – Mas eu devo ir para o Paraíso, foi o que ela disse.

Elíseos.

Hm? – Ela aparentemente não entendeu minha correção.

O Paraíso é cristão. Ele não existe. O correto é Elíseos, Campos Elíseos. É para lá que você irá. – Olhei para ela. Pela primeira vez desde que a batalha terminara eu a olhei. – E eu irei para lá também quando morrer.

Minha fala não era uma promessa de reencontro. Eu não tinha emoções boas suficientes para garantir a Aeryn que a veria novamente, que gostaria de vê-la novamente, apesar do meu desejo para que ela permanecesse. Naquelas palavras eu sintetizei que minha sexualidade não me condenara, como ela esperava, nem sua fé a salvara. Pelo contrário, minhas escolhas e minhas batalhas me tornaram quem eu era – e minha escolha e meu esforço a impedira de ser arrastada para um destino pós-morte cruel – e provavelmente eu era um merecedor de um bom destino após a morte, como muitos semideuses.

Desculpa. – Ela parecia prestes a chorar de novo e eu apenas suspirei.

Tudo bem.

Um dia, Caelan, você entenderá. Eu sei que você entenderá.

Dispensável dizer que eu não me importava se um dia eu compreenderia toda aquela confusão. Naquele momento, sentado no corredor da igreja, com meu pégaso ferido no colo e minha ex-mãe ressuscitada ao meu lado, eu não compreendia absolutamente nada.

Eu preciso ir. – Ela disse, se erguendo. – Meu prazo já acabou aqui. Você precisa ir também, cuidar do seu Flecha.

Ergui-me sem saber o que aconteceria a seguir. Aeryn segurou meu rosto e olhou dentro dos meus olhos. Eu me senti frágil por ter sentido vontade de chorar mais uma vez, mas fiz um esforço brutal para me manter intacto. Eu me conhecia bem o suficiente para saber que desabaria em lágrimas em intervalos regulares durante algum tempo.

Ela depositou um beijo em cada uma de minhas bochechas. Aquela foi a nossa despedida final.

III. Interlúdio

Assim que eu depositei Saighead no banco ao meu lado e fechei a porta do carro, ele se arrastou até ficar parcialmente sobre o meu colo. Ele bateu com a cabeça contra meu queixo e eu o abracei com força. Comecei a sentir-me pequeno e solitário, como há anos não me sentira. Imerso em um oceano profundo de sentimentos afogantes eu chorei.

IV. Fuil

Já era noite, mas eu não sabia que horas. Assim que abri a porta do meu quarto, com Saighead no colo, eu vi que Alexander estava sentado sobre a cama com o celular na mão. No instante em que entrei no quarto ele veio em minha direção.

Ele está ferido. – Disparei, sem olhar seu rosto. – Preciso que você pegue um frasco de líquido transparente e oleoso na minha bolsa, é um remédio, vai acelerar a cicatrização.

Não sei qual foi a expressão dele, não tive interesse em conferir. Depositei minha mascote sobre a cama e desfiz a atadura improvisara. Minha camisa estava embebida em sangue, mas o corte já não vertia mais tanto do líquido rubro. Alex parou ao meu lado. Parece que finalmente ele viu o ferimento na minha coxa e se abaixou.

Meu Deus, Peter! – Ele arregalou os olhos. – O que foi isso?! Quem fez isso?

Eu fiquei calado durante alguns segundos, enquanto abria o frasco. Era apenas um preparado de ervas que ajudaria o ferimento a fechar mais rápido, Saighead precisava de ajuda mais especializada, mas eu esperava que aquilo nos desse tempo de chegar até o Acampamento.

Precisamos voltar para Nova York imediatamente. Ele precisa de ajuda dos curandeiros do Acampamento. – Eu não apenas me esquivei da pergunta. Eu não queria falar com ele. Eu só havia falado aquilo porque precisava que ele marcasse as passagens pelo bem do meu pégaso.

Peter, o que aconteceu? Que missão era essa? – Eu apenas suspirei e continuei a aplicar o remédio no ferimento com uma camisa limpa que encontrara na minha bagagem. – Você disse que eu teria que confiar em você, eu confiei, mas isso...

Eu não deixei ele terminar. Ouvi-lo falar sobre confiança fez meu pouco controle perder parcialmente o efeito.

Eu encontrei sua irmã. – Disparei, com um tom irritado.

Por mais de dez segundos, o silêncio imperou no quarto.

Aeryn? – Eu apenas confirmei com a cabeça. Com o canto do olho eu percebi choque em sua face, mas provavelmente não pela razão que me deixara daquele jeito, sua fala seguinte apenas confirmou o motivo da sua surpresa. – Mas ela está viva?! – Eu senti alegria em seu tom de voz.

Não. Ela tinha um prazo, veio apenas para falar comigo. Ela já retornou ao submundo.

O que ela queria falar?

Hesitei pois apesar da minha vontade avassaladora de cuspir tudo o que sentia na face de Alexander, eu não tinha certeza se aquele era o melhor momento. Saighead abriu o olho por um instante, mas logo o fechou de novo. Meu coração se comprimiu de medo de que ele não aguentasse. Mas ele tinha que aguentar!

Senti que meus olhos ardiam, a vontade de chorar retornara.

Peter, o que sua mãe queria? Ela está bem?

Ela não é minha mãe.

Eu não precisaria olhá-lo para saber sua reação, mas ainda assim o fiz; algo em mim desejava ver como ele me olharia quando eu dissesse aquilo, parte de mim tinha um desejo intenso de vê-lo perceber que sua teia de mentiras estava destruída. Ele estava embasbacado, sua voz ficou presa na garganta e seu rosto perdeu a cor.

Como assim? – O tom dele tremia, ele parecia prestes a quebrar.

Você sabe como assim. Aeryn não era minha mãe. Ela não se envolveu com Eros. Eu não sou filho dela. Você sabe muito bem como assim. – Ele abriu a boca para falar, mas eu o cortei. – Eu não estou suportando mais ouvir sua voz. Você pode marcar as passagens, por favor? O mais breve possível. Eu vou deixar as malas prontas. Me chame quando formos sair.

Alex se aproximou e tocou meu ombro. Minha mandíbula travou, eu apertei com força o tecido da camisa entre meus dedos. Os músculos do meu pescoço tornaram-se tensos e eu segurei com esforço a vontade de desferir um soco no rosto dele.

Peter...

Eu não vou repetir de novo. Eu quero que você saia, sua presença está me deixando irritado, se você continuar aqui eu vou acabar fazendo merda.

Ele pareceu ponderar minhas palavras.

Ergueu-se.

Observou meu pégaso, ele agora parecia dormir.

Olhei conforme o Gallagher mais velho se dirigia até a porta. Ele pareceu hesitar quando segurou a maçaneta.

A porta se abriu e logo em seguida fechou.

Poderes e Habilidades:

Poderes passivos

Nível 3
Nome do poder: Pericia com Ilusões
Descrição: Os filhos de Eros/Cupido, são bons em criar ilusões, portanto, quando utilizarem-se dessas, poderão enganar com mais facilidade, ainda mais se for uma ilusão relacionada ao amor.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: +5% de dano se usarem ilusões

Nível 5
Nome do poder: Pequeno Corajoso
Descrição: Filhos de Eros/Cupido são extremamente audazes, ousados e destemidos. Não importa o inimigo os semideuses não se sentirão intimidados pela aparência ou potencial do inimigo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Poderes relacionados a intimidação e medo, são 50% menos efetivos com filhos de Eros.
Dano: Nenhum

Nível 23
Nome do poder: Pericia com Arcos III
Descrição: O filho de Eros/Cupido, descobriu que o arco é a arma perfeita para ele, agora consegue acertar o alvo com uma precisão impressionante, e também aprendeu a atirar mais de uma flecha ao mesmo tempo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +65% de assertividade no manuseio do arco.
Dano: +25% de dano se a arma do semideus acertar.


Poderes ativos

Nível 3
Nome do poder: Fire
Descrição: Ódio e amor andam lado a lado. A prole de Eros/Cupido não é diferente disso. Quando sua raiva é despertada, seu corpo adquire uma aura avermelhado com leves toques de laranja. Essa aura é a aura do amor reverso, uma rajada de sentimentos envenenados se acumula nas mãos do filho de Eros/Cupido, tomando a forma de uma esfera de poder estranha. Essa esfera, poderá ser lançada pela prole do deus em direção ao seu oponente, causando um estrago razoável.
Gasto de Mp: 10 MP (Por esfera criada).
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 15 HP (Por esfera que atingir o alvo).
Extra: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Ludus
Descrição: Você pode encantar uma flecha, e faze-la ser lançada com uma corda fina, dourada, que se prende ao redor do tronco do inimigo. Ao acerta-lo, e prendê-lo, poderá puxa-lo para si, ou arrasta-lo. As mãos do alvo – e braços – serão presas ao redor do tronco, o impedindo de usar as mãos, nada acontece com as pernas. A corda é extremamente resistente, pois, é banhada em ouro imperial, então é complicado rompe-la. Também poderá usar o artefato, para escalar, puxar coisas, e etc, ela se prende e se enrola, o que a torna bastante útil.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 10
Nome do poder: Ágape
Descrição: Você pode encantar uma flecha com aura esbranquiçada. Ao atirar tal flecha contra o inimigo, se acerta-lo, causara ilusões estranhas. Na mente dele, surgirão imagens que o deixem feliz, entorpecido pela aura de alegria, o impedindo de atacar e tendo alucinações.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 10 HP
Extra: Durante um turno, o inimigo da prole de Eros/Cupido, sofrera ilusões de alegria, que o impedirão de atacar. (Ilusões podem ser descritas pelo filho de Eros/Cupido, ou pelo narrador).

Nível 13
Nome do poder: Lagrimas Curadoras
Descrição: As lagrimas dos filhos de Eros/Cupido, são como as lagrimas de uma fênix, e possuem propriedades curativas – desde que sejam sinceras, e não de dor – poderão fechar pequenas feridas externas, mas não muito grandes. Basta pingar a lagrima sobre o ferimento, e ela começa a se regenerar. Não poderão curar a si mesmos.
Gasto de Mp: 30 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Podem curar até 25 HP de quem deseja curar.
Dano: Nenhum
Extra: A regeneração acontece no mesmo turno em que o semideus pingar a lagrima.

Nível 16
Nome do poder: Flecha da Paixão
Descrição: Ao tocar a flecha com a ponta dos dedos, poderá fazer com que uma aura avermelhada tome conta dela por completo. Ao lançar uma flecha da paixão contra seus inimigos, ou amigos, poderá faze-los se apaixonar pela primeira pessoa em quem colocarem os olhos, esse efeito, só dura um curto período de tempo.
Gasto de Mp: 30 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: O atingido ficara apaixonado pela primeira pessoa que vê durante três turnos, seus pensamentos serão nublados pela pessoa, e a devoção a ela será completa.

Nível 20
Nome do poder: Olhos de caleidoscópio I
Descrição: Eros/Cupido, possui a capacidade de mudar a cor de seus olhos, e assim como o pai, os filhos herdam essas características. Nesse nível, conseguem mudar a cor dos olhos para um azul intenso, muito claro e brilhante. Qualquer um quem olhar para os seus olhos nesse tom de azul, se sentira sonolento, ficando mais lento. Os ataques serão reduzidos, devido ao entorpecimento e relaxamento do corpo, e a velocidade irá diminuir gradativamente. O efeito passa se o contato visual for quebrado.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 5 HP.
Extra: A velocidade e concentração do oponente é reduzida em 40%, enquanto permanecer com os olhos focados nos olhos da prole de Eros.


Poderes do mascote

Nível 1
Nome da habilidade: Coice
Descrição: Mesmo filhote, desde que conseguiu firmar suas quatro patinhas no chão, o Pégaso possui um coice digno de derrubar os desavisados, já que graças a sua estatura tende a acertar principalmente as pernas.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Bônus: Nenhum


Habilidades adquiridas

Spirit: Ao entrar em perfeita sincronia com a espada, o semideus é capaz de evocar a sua essência, ou seja, o espírito adormecido na arma. Para isso acontecer, primeiro é necessário que o sangue do inimigo(mesmo que seja apenas uma gota toque a lâmina da arma, de modo a despertá-la. Logo em seguida, o espadachim precisa se concentrar e se tornar um com sua espada, de modo que no momento seguinte um espécie de avatar de guerra feito inteiramente de luz surgirá, conectado ao meio-sangue. Esse avatar terá dois metros e meio de altura e portará uma cópia em versão maior da espada a qual pertence. O guerreiro de luz irá repetir todos os movimentos feitos pelo espadachim, no entanto, a sua espada nunca irá cortá-lo, por mais que o atravesse. A lâmina de luz é capaz de cortar até mesmo os materiais mais resistentes com extrema facilidade, sendo capaz de fatiar um carro, por exemplo, além de dobrar todo o dano causado pelo semideus(por se tratar de dois golpes em sequência). Quando utilizado na Sword of the Vacuum, o espírito invocado é um cavaleiro feito de energia negra, encapuzado e trajando uma armadura completa na mesma coloração. O guerreiro fica ativo por três turnos e então exige mais três de espera antes de poder ser novamente invocado. Duas vezes por missão.

Itens e Armas:
Armour Love - Uma armadura totalmente adaptável ao corpo do semideus, sendo esta constituída de ferro estígio e ouro, reforçando sua defesa e sua coloração é um leve rosa com gemas prateadas em alguns pontos.. Juntamente com à armadura vêm duas corrente que se esticam até 30 metros, sendo estas feitas de prata e bronze celestial e suas pontas possuem formatos de coração. As correntes possuem a habilidade que permite que o filho de Eros a controle que qualquer maneira. Apenas o filho de Eros pode vesti-la. Torna-se um colar com um pingente que o semideus escolher. [Indestrutível] [Caso a perce, retorna ao pescoço do semideus após dois turnos].

Loving Arc - Uma réplica do próprio arco de Eros. Este é feito de ouro branco com detalhes coberto de bronze celestial, sua corda é coberta pela mais pura prata, é bastante elástica e jamais arrebenta. O arco materializa flechas mágicas assim que o filho de Eros toca na corda, sendo que as flechas possuem duas propriedade, uma é fazer com que pessoas fiquem apaixonadas ( durante 3 turnos ) pela primeira pessoa ou coisa que ver, e, a outra é que a flecha pode causar danos. A flecha materializada é toda feita de uma mistura de ouro branco e bronze celestial, sendo sua ponta um rubi vermelho no formato de um coração, tornando-a totalmente mortal. Quando não utilizado o arco se transforma em uma pulseira com um pingente no formato de coração. [Indestrutível] [Caso o semideus perca, o item volta ao seu pulso depois de um turno].

Rage - Espada longa, com cerca de um metro de comprimento e largura consideravelmente grande. A lâmina é feita de bronze celestial, tão afiada que um mero toque é capaz de causar ferimentos, possuindo setenta centímetros da ponta à base. Abaixo da base, a guarda da arma é o entalhe da cabeça de um javali, feita em ferro e com dois rubis em seus olhos, aparentemente foscos e apagados. O punho é feito de madeira, e seu design permite que a espada seja segurada com uma ou duas mãos – embora a força exigida seja bem maior caso seja empunhada com apenas uma. Quando o dono da espada entra em combate, as joias do javali começam a brilhar em um tom intenso de vermelho. Sempre que a espada causa dano em um inimigo, ela suga parte da vida retirada – 25% - e passa para o portador, caso este esteja ferido, restaurando assim parte da sua vida.

Faca de Bronze celestial

Wake me slowly Or watch me fall;
avatar
Peter C. Gallagher
Celestiais de Èter
Celestiais de Èter

Mensagens : 153
Data de inscrição : 11/07/2015
Idade : 19

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Mensagem por Belona em Ter Jun 13, 2017 5:33 pm


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

Exp: A segunda parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Dracmas: A segunda parteparte recebe 5 mil dracmas.
Item: Recebe apenas no final, na avaliação da segunda parte..

Avaliação

Experiência: 7.500
Dracmas: 5.000
Mascote: 100 exp
Lealdade: +1 nível
Comentário:
Eu achei sua estratégia genial. Quanto a escrita e enredo não há o que comentar, apenas elogiar! Parabéns pelo maravilhoso evento, Peter!

Item

Nesse evento, por ser particular de cada um e cada um ter desenvolvido de forma diferente, nada mais justo do que o item também ser único para cada um. Porém, para não ser injusta nas minhas escolhas, o item desse evento será montado por você! Veja a lista abaixo, faça suas escolhas e mande por MP para mim o item final!


Tipo: Escolha o seu tipo de item abaixo, acrescente uma descrição específica caso queira, é apenas o visual da arma e o seu tipo. Caso não descreva, será usado o padrão da loja, com tamanho e demais informações. Caso queira Arco ou Besta, ele virá automaticamente com um pacote de 30 dardos/flechas.

• Espada [escolha o seu tipo]
• Faca de Caça
• Adaga
• Arco [escolha o seu tipo]
• Besta [escolha o seu tipo]
• Lança [curta ou longa]
• Foice
• Chicote
• Escudo


Material: Escolha o material que você deseja que sua arma tenha, é possível apenas a escolha de um material. A escolha do material interfere diretamente no dano que a arma vai provocar, assim como o bônus natural do material.

• Ferro estígio
• Bronze Celestial
• Ouro Imperial
• Oricalcio


Efeito 1: Poderá escolher um dos efeitos elementais abaixo. Apesar de estar descrito “arma”, o efeito irá adaptar-se ao tipo dela. Exemplo: serão as flechas a serem encantadas.

• Fogo [a arma será coberta por chamas, provocando 20% a mais de dano e tendo chance de provocar queimaduras]

• Ar [a arma é revestida por uma fina corrente de ar, tão fina que acaba permitindo um corte mais afiado, provocando 20% a mais de dano e dobra as chances de causar danos a materiais de resistência superior]

• Elétrico [a arma é revestida pelo elemento raio, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar paralisia pelo choque]

• Veneno [a arma é coberta por veneno, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de envenenar caso atinja a corrente sanguínea, causando -15HP por 4 turnos]

• Gelo [a arma é revestida por uma fina e dura camada de gelo, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar lentidão no movimento]

Efeito 2: Poderá escolher apenas um dos efeitos abaixo

• Acessório: escolha um acessório que a arma poderá se transformar, especificando qual.
• Ligação com o dono: a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado.



Belona
Somente os mortos conhecem o fim da guerra-
avatar
Belona
Deuses Menores
Deuses Menores

Mensagens : 236
Data de inscrição : 23/01/2015
Localização : Em toda, e qualquer guerra.

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Quando o Passado Revive – Peter Caelan Gallagher

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum