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Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

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Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Seg Maio 15, 2017 1:11 pm




Memoria desperta
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

Inquieta, irritadiça, sonolenta e com a cabeça pesada. Essa sou eu no meio da madrugada de uma quinta feira qualquer, tentando não ficar louca enquanto o sono não vem por mais uma noite. Somando essa seriam três ao todo que eu não conseguia dormir direito e tudo porque algo dentro de mim se recusava a ficar quieto. Era como uma peça de quebra cabeça faltando, mas não qualquer peça, e sim aquela que completa o jogo todo e o deixa bonito de verdade, essa peça tinha desaparecido e deixado uma fenda em minha memória. Eu buscava a resposta, mas não a encontrava, procurava pela lembrança, mas não era capaz de alcança-la. Isso não me assustava, mas me deixava bastante frustrada durante a noite.

Eu sabia que Evie tinha percebido que algo estava errado, era notável em seu olhar e na forma protetora com que vinha agindo com minha pessoa, mas eu a ignorava tentando me manter sã de alguma maneira. Alguns poucos dias tinham se passado desde nossa estranha conversa, as declarações e a manhã esquisita que acordamos juntas, mas eu não reclamava. Era reconfortante ter a filha de Nox tão perto, de um jeito meio estranho, confuso, mas muito bom. Suspirei ao jogar as cobertas para o lado e me levantar no meio da madrugada. O relógio de canto denunciando que ainda não eram quatro da manhã, mesmo assim não consegui ficar na cama, eu precisava me mover ou ficaria louca.

Cobri Evie com o edredom e deixei meu travesseiro ao seu lado, o cheiro forte de lavanda presente nele deveria ser suficiente para não desperta-la. Sim, ela estava ali mais uma vez, tinha aparecido todos os dias, e eu sinceramente não reclamava e nem iria, era gostoso tê-la por perto e apesar de achar nossa relação deveras estranha eu também não conseguia reclamar dela. Desci as escadarias pé ante pé em direção a sala, mas a atravessei rapidamente em direção a varanda. Abri as portas de vidro e deixei o apartamento para sentir a brisa fresca. Senti que voltei a respirar assim que o vento me tocou o rosto e clareou meus pensamentos.

Andei mais a frente e me recostei sobre a sacada, observando a cidade adormecida e as ruas inquietas de Roma. Não importava o horário e nem as pessoas, um ou outro legionário sempre estaria desperto independente da hora, era questão de segurança afinal, defendíamos o que nos pertencíamos apenas por buscar uma vida melhor. Recostei a cabeça sobre os braços na grade e curvei o corpo para a frente. Onde estariam as respostas para as minhas perguntas? Porque os sonhos não vinham quando claramente eu estava tão cansada? Porque sentia meu coração se despedaçando com o desconhecido sendo que dias antes tudo estava normal? Tantas perguntas para tão poucas respostas só me serviam para uma única coisa, afligir meu coração.
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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Evie Farrier em Seg Maio 15, 2017 9:28 pm




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Quatro dias haviam se passado.

Eu não saberia explicar no momento como estávamos. Era confuso, por não conversarmos realmente sobre o que estava acontecendo. Porém, que a verdade seja dita, talvez estivéssemos apenas aproveitando aquele clima de descoberta e indo devagar. Tudo bem que dentro da noção de “ir devagar” não pareça estar incluso dormir todas as noites no quarto dela. Com ela. Sempre pertinho. Estranho, certo? Mas era um estranho bom.

Na primeira vez, eu apenas tinha aparecido com dois copos de mocha especial, uma receita única e que estávamos testando para acrescentar no Pandevie, um negócio que eu estava abrindo. Então ela me convidou, nós assistimos filme e conversamos. Conversamos sobre tudo e nada. Até que ficou tarde demais e ela, mais uma vez, pediu que eu ficasse. E eu fiquei. Assim como fiquei na noite seguinte e na próxima. Era confuso, era estranho. Mas era inexplicavelmente bom e gostoso.

Porém, desde a noite anterior eu estava notando Kyra distante. Ela se distraiu facilmente e nem ao menos tentou fingir estar prestando atenção a um seriado qualquer que estávamos assistindo. O mesmo havia se repetido hoje, horas mais cedo, fazendo-me até questioná-la se não seria melhor que eu retornasse para casa e a deixasse em paz. A filha de Vênus recusou e calou todas as minhas insistências com um beijo. Já comentei sobre os beijos? Eles eram incríveis. Poderia jurar que na noite passada conseguimos sustentar um beijo longo por vários minutos.

Eu não poderia dizer o que havia realmente me despertado. Mas quando acordei, meio sonolenta, meio consciência, flagrei-me abraçando um travesseiro com cheiro de lavanda. Obviamente, era o travesseiro dela, consequentemente, ela não estava mais ao meu lado. Respirei fundo, virando a cabeça para os lados em busca da figura feminina que tanto me instigava e atraia. Não a encontrando, franzi o cenho e passei a mão sobre os olhos, tentando despertar de vez o sentido da visão.

Levantei um tanto cambaleante, mas preocupada. Meus instintos diziam que algo estava errado e não encontrar a garota pela qual eu havia me apaixonado, dava um certo gosto amargo na boca. Porém não foi difícil encontra-la, depois que comecei a procura pela casa. Ela estava de pé, encostada na sacada da varada, tão linda quanto a própria Vênus poderia ser. Ou senão mais, já que eu possuía um bobo coração apaixonado. Meus pés arrastaram meu corpo em direção a ela, parando ao lado da semideusa. Eu estava de costas para a cidade, apoiada na sacada de forma contrária a que Kyra estava. Cruzei os braços e olhei para o céu estrelado, hesitando um pouco em quebrar o silêncio.

-Eu consigo sentir que tem algo errado – comentei finalmente, minha voz saindo serena e suave – Eu não vou dizer para você me contar, pois se você não quiser acabaria por criar um clima chato – dei de ombros e finalmente olhei para o lado, buscando o olhar dela – Mas eu estou aqui para quando quiser conversar, sempre vou estar Kyra – um sorriso de canto surgiu em minha boca antes de acrescentar – Eu também posso ficar perto de você em silêncio. Sou ótima em fazer silêncio. Por você eu viro a pretora silenciosa!

Obviamente eu estava fazendo um pouco de graça, não gostava daquele ar que a rondava, assim como me sentia sufocar com a necessidade de protege-la. De abraçar aquele corpo e mantê-lo afastado de todos os males, mesmo que isso fosse em um sentido figurado.


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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Ter Maio 16, 2017 1:54 pm




Memoria desperta
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Minha solidão não durou muito tempo e em algum momento as perguntas se esvaíram para dar lugar a algo novo. Eu agradeci mentalmente a Evie por ter aparecido tão repentinamente ao meu lado, ao mesmo tempo me preocupei por tê-la acordado sem necessidade, contudo, não era hora para reclamar disso. Eu não a ouvir se aproximar, mas senti seu perfume e a vi se recostar a grade ao meu lado, e tenho que confessar eu gostei disso, gostei tanto que quando dei por mim já inclinava a cabeça para o lado apenas para encarar sua face. Suas palavras me atingiram em cheio, fizeram uma careta nascer em meu rosto, mas não reclamei, estávamos aprendendo a conhecer uma a outra, então não podia negar e dizer que estava tudo bem.

Ela quebrou o gelo e a tensão no ar com apenas uma brincadeira, uma que me fez rir e assentir rapidamente antes de me levantar. Quando dei por mim já estava ereta bem à frente da pretora do acampamento. — Você é tagarela, tanto quanto eu, não duraria nem cinco minutos em silencio — Entrei na brincadeira dela ao dizer, mas não me contentei só com isso. Um passo mais perto e quebrei toda a distância que nos separava, então passei os braços ao seu redor e me acomodei entre suas pernas com o queixo encostado em seu ombro. Aquele simples gesto relaxou todo o meu corpo, me fez suspirar e me acomodar como se estivesse em casa.

— Você está certa quando diz que tem algo errado, mas como posso te dizer o que está errado quando nem eu mesma sei? — Perguntei baixinho perto do ouvido da garota, e ousei fechar os olhos para tentar – só tentar – me entender um pouquinho mais. Pesquei na cabeça a informação que precisava para passar a ela, busquei ativar as memorias e permaneci em silencio enquanto me preparava, mas nada fazia muito sentido. Era como se uma parte da minha cabeça tivesse um muro rachado e algo ameaçasse sair das sombras, mas não conseguisse. Eu temia esses pensamentos da mesma maneira que temia estar no escuro, justamente por não saber o que podia encontrar se vasculhasse mais longe.

Estremeci nos braços da morena e me apertei ainda mais a ela. — Queria poder ficar em silencio — Murmurei um pouco mais tarde e afundei a cabeça em seu pescoço. Deixei um beijo ali, casto e sem qualquer tipo de segunda intenção, era mais aquele sentimento de estar perto e não querer ficar longe, estar do lado e precisar toca-la só para ter certeza de que ela era real. Mordi o lábio e ergui o olhar contra o dela, apenas para saber que ela estava ali. Eu a sentia é claro, mas também gostava de observar os detalhes delicados do seu rosto, como a curva elegante de seus lábios e como seu nariz era levemente arrebitado, dando a ela um ar superior e teimoso.

Gostava de ver como os olhos azuis eram intensos e como ficavam tão mais claros quando ela tinha acabado de despertar. Sorri ao perceber que todos os traços que eu tanto gostava ainda estavam ali, intactos para mim, me dando a sensação de conforto e união que tínhamos estabelecido nos últimos dias. Eu não nomeava nossa relação, era algo nosso e eu sabia disso, mas sentia falta de algo mais. — Você é linda — Me peguei sorrindo, levando a mão ao rosto dela e o acariciando. — Não me ache estranha pelo que vou te contar, tudo bem? — Perguntei, passando o polegar próximo a sua têmpora antes de me afastar, eu precisava de espaço para organizar meus pensamentos e não me distrair com ela enquanto explicava.

— Começou a algumas noites e no início era apenas um sentimento estranho— Comecei nervosa, gesticulando de leve enquanto andava de um lado para o outro, reunindo tudo que eu lembrava para fazer sentido as minhas explicações. — Sabe aquela sensação de que algo está faltando? De que você esqueceu algo importante e agora não consegue lembrar? Procura e procura, mas nada! — Gemi frustrada. — É como perder algo e não saber onde colocou — Parei, me virei para ela e mordi o lábio. — Era exatamente assim que eu me sentia — Conclui rouca, mudando o peso de um pé para o outro e denunciando meu estado de nervos e minha inquietação.

— Essa sensação foi ficando mais forte e passou a vir como sonhos, mas eu nunca lembro desses sonhos quando acordo, só sinto que tem alguém querendo falar comigo — Franzi a testa em confusão. — Então passei a não dormir, hoje, por mais que eu me sentisse cansada eu não conseguia dormir, é como um bloqueio, eu viro de um lado e do outro, sinto minhas pálpebras pesando, mas não consigo adormecer, e a sensação se prolongou tanto que está aqui presente no peito, sinto que esqueci de algo importante, mas não consigo lembrar, ao mesmo tempo tento recuperar a lembrança e ela simplesmente não vem! — Bati o pé, cruzei os braços e suspirei baixinho.

— Tem algo errado, você está certa quando diz isso, abriram uma fenda em minha mente e algo está tentando sair, mas ao mesmo estou com um bloqueio tremendo nisso e a lembrança não vem, como posso te dizer o que está errado quando nem mesmo eu sei o que é? — Perguntei a ela enquanto me virava e parava e deixei que ela visse em meus olhos toda a angustia que eu vinha sentindo com relação a isso.
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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Evie Farrier em Dom Maio 21, 2017 5:01 pm




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Tê-la em meus braços sempre me fazia ter uma doce ilusão de que eu poderia protege-la. De que ali, envolvida em mim, eu conseguiria lutar contra tudo o que afligia o coração da filha de Vênus e derrotaria todas as angústias. De fato, era uma ilusão, uma que eu agarrava com mais força do que eu previa. Eu a escutava, eu a acolhia e me mantinha atenta até mesmo a quantidade de vezes em que ela respirava. Eu não sei dizer o momento exato em que o mundo começou a girar em torno da pequena garota ruiva. Porém, fazia muito mais sentido quando ela se tornou o epicentro.

-Você diz, achar você mais estranha ainda? – brinquei em um tom ameno, tentando aliviar um pouco a tensão que se formava. Os toques, os olhares dela, tudo fazia com que eu tivesse cada vez mais certeza de que agora estávamos caminhando juntas, para onde? Talvez só Vênus poderia saber. Senti um pouco de frio assim que ela se afastou de meus braços, mas respeitei o espaço que ela pedia em silêncio – Pode contar-me as coisas Kyra, talvez eu possa ajuda-la.

A fala havia sido sincera, o meu olhar acrescentava em silenciosas palavras um pedido mudo para que ela confiasse em mim. E ela confiou. Expôs toda sua angústia, deixou transparecer a frustração que afligia o coração que eu estava aprendendo a cuidar. O engraçado? Era que toda aquela sensação que ela tinha acabava me atingido. Uma certa dose de agonia e vontade de ajudar coçava a minha alma e coração. Logo, minha mente colocou-se a funcionar em busca de respostas, estratégias, soluções e...

-Isso! – exclamei quando a ideia cruzou a minha mente, meus olhos abrindo-se perante a genuína empolgação – Eu acho que já sei o que fazer, babygirl. Me espere na cozinha, eu volto em um minuto!

A agitação era tamanha que eu não percebia o apelido carinhoso escapando suavemente por meus lábios pela primeira vez. Eu apenas precisava agir, e rápido, para arrancar aqueles sentimentos ruins dela. Então eu o fiz, caminhando a passos largos em direção a maior sombra da varanda, jogando o meu corpo sem nenhum temor ou hesitação. A viagem pelas sombras não era algo que eu usava sempre, mas já não era mais uma habilidade desconhecida por mim.

Meu corpo apareceu na sombra de meu quarto. Minha visão ficou turva por breves três segundos, antes de se ajustar e permitir que voltasse a me movimentar. Eu vasculhei todo o meu quarto. Abria gavetas, jogava tudo pelos ares, empurrava as portas de meu closet. Tudo isso para achar, exatamente seis minutos depois, o que eu tanto procurava. Era um colar com um cristal de luz um tanto grande para um pingente. O enrolei em minhas mãos, capturei a minha caneta tatuadora e joguei-me, mais uma vez, contra a sombra mais próxima.

Novamente no apartamento de Kyra, ao surgir de repente na cozinha, caminhei até encostar no batente da porta. Havia ficado sutilmente tonta, levando dois segundos para focalizar uma Kyra preocupada se aproximando de mim.

-Relaxa, já passou – a tranquilizei antes mesmo que verbalizasse qualquer coisa. Caminhei em direção da bancada da cozinha, colocando o colar com o cristal sobre a superfície – Esse é um cristal de luz mágico, ele cria hologramas a partir da mente de quem o está portando. E quando se cria algo pela mente, isso tem ligação direta com a memória. Eu posso te dar acesso as informações que estão bloqueadas na sua mente mas... – respirei fundo mexendo no meu cabelo tentando disfarçar um pouco da minha falta de jeito – Se está bloqueado pode ter um motivo para isso. Eu não sei o que é, a informação pode acabar machucando você ou finalmente te trazendo paz... Então, independente de qualquer que seja o resultado... – eu falava um pouco hesitante, até erguer o olhar e deixar que meus olhos azuis se perdessem nos olhos verdes dela – Eu vou estar aqui com você.

Esperei pela resposta dela, dando o tempo que ela precisasse para decidir. Porém, assim que ela aceitou, um sorriso de lado cresceu em minha boca. Era uma pequena demonstração de confiança, uma que fazia toda a diferença. Ainda mais quando tínhamos tantas coisas não ditas, não definidas, no entanto completamente exibidas e escancaradas. Com delicadeza, coloquei o colar em volta do pescoço dela, deixando que o cristal repousasse sobre o busto da garota.

Peguei a caneta tatuadora e peguei o braço esquerdo de Kyra. Meu silêncio repentino era sinal de concentração, meus olhos focalizavam na parte interna do braço, onde a pele era ainda mais suave e delicada. Estava mentalizando as runas ao mesmo tempo em que deixava que o meu fluxo de energia circulasse mais rápido e facilmente. A primeira runa desenhada foi a Algiz, ela provocava uma energização mais intensa. Talvez, assim, a busca pela memória proibida ganhasse ainda mais força e intensidade, auxiliando a quebrar as barreiras. Ao lado dessa runa, foi desenhada a runa Tiwaz. Essa runa facilitava o contato com o mundo espiritual, abrindo a mente para poderes que envolvia a mente e o psíquico. Parecia lógica a escolha dessa palavra de poder para o momento. O último desenho foi a da runa Mannaz, cujo objetivo era o de provocar uma clareza interior.

Terminadas as runas, voltei meu olhar pela cozinha até achar uma faca. Murmurei o feitiço “Attrahunt”, fazendo com que a faca voasse em minha direção. A agarrei com a mão destra com facilidade, mal conseguindo conter a chance de me exibir um pouquinho para a garota. Que mal havia em tentar impressioná-la com um feitiço ou outro? Porém, evitei olhá-la nos olhos, pois sabia que iria corar um pouco perante o ato um tanto bobo. Girei a faca em minha mão e fiz um corte pequeno em meu polegar.

-Não se assuste, é para ativar as runas – alertei cuidadosa, pois logo estava passando o dedo machucado sobre os desenhos das runas – Sei que você odeia minha mãe, mas ter o sangue dela me permite fazer coisas incríveis e legais. A magia é uma delas. Você pode sentir a pele formigar um pouco...

Mal havia terminado de falar e as runas brilharam por breves segundos, indicando ter absorvido a magia contida em meu sangue. Usei o mesmo feitiço de poucos minutos atrás, atraindo para minhas mãos agora uma toalha de cozinha, limpando cuidadosamente o braço sujo com o líquido vermelho.

-Pronto. Agora tudo o que você precisa é concentrar-se e permitir que sua mente vá retrocedendo para as lembranças, indo devagar pelas memórias que você consegue acessar até o momento em que tudo fica vago e confuso. O cristal vai exibir tudo e, por isso, vou entender se você não quer que eu fique... – disse em um tom cuidadoso, sereno, apesar de no fundo torcer para que ela me permitisse estar ali. Por isso, não contive o impulso de me esticar e dar um singelo e carinhoso beijo na bochecha dela – Se quiser que eu fique, eu vou segurar sua mão o tempo inteiro. Se quiser que eu vá, eu estarei esperando na sala pacientemente, próximo o suficiente para caso você precise. É sua escolha Kyra, mas irei respeitar qualquer que seja.







Runas:
Algiz
Posição normal: Tal Runa é ideal para provocar energização mais intensa, fazendo com que sua próxima runa criada dure dois turnos a mais. Entretanto irá perder 20 hp.

Tiwaz
Posição normal: Tal runa facilita o contato com o mundo espiritual, abrindo a mente para os poderes psíquicos (Dura sete turnos após ser ativada).

Mannaz
Posição normal: Provoca uma clareza interior, paz espiritual e aproximação com o mundo espiritual (dura um turno ao ser ativada).

Feitiço:
Habilidade Usada

Nível 16
Feitiço: Attrahunt.
Descrição: Um feitiço que – nos níveis mais baixos – é capaz de atrair pequenos objetos e armas (exemplo: sua espada caiu longe de você durante uma batalha, pode usar o feitiço para atrai-la).
Gasto de Mp: - 15 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser utilizado apenas com o olhar.


itens:
♦ Cristal de Luz [Um cristal mágico que cria hologramas a partir da mente do usuário. Assim, a pessoa poderá assistir até mesmo um filme ou fazer suas lembranças se tornarem audiovisuais. As imagens se propagam em até 5m de distância, tendo como ponto de referência o cristal. De proporção e imagem, conseguem tomar uma parede de 4m de altura e 6m de largura. Qualquer imagem pode ser criada e os sons são reproduzidos graças a conexão empática da pedra com a memória do usuário. Quando usado em missão, as imagens duram por 3 turnos, são bastante úteis para causar distrações ou até mesmo enganar | Efeito: Foram usadas as runas Jera, Algiz e Tiwaz para que o cristal criasse luz e som a partir de memórias | Cristal | Resistência: Gama | Status: 100%, sem danos | Mágica | Encantada por Evie Farrier]

Personalizer [Uma caneta Montiblanc personalizada e encantada para criar tatuagens magicas sobre a pele. Aparenta ser normal, até ter a tinta – totalmente magica – aplicada sobre a pele, é ai que a coisa muda de figura. O desenho que surgir sobre a pele pode criar movimentos únicos – caso esse seja o desejo do portador da caneta – ou não, tudo é claro depende da mente. A caneta cria uma espécie de ligação empática com a mente de seu portador, e os desenhos que ali surgirem são magicamente transferidos para a pele, fazer tatuagem nunca foi tão fácil. Infelizmente esse efeito não é permanente, e some dois dias depois, sendo necessário fazer uma nova aplicação caso deseje ficar com a tatuagem. | Material: Caneta comum + Tinta Mágica | Efeito: Tatuagem mágica, não permanente | Sem espaços para gemas | Sigma | Status: 100%, sem danos | Mágico | Encantado por Pandora]


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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Qui Maio 25, 2017 3:01 pm




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Ela partiu e me deixou sozinha, remoendo meus próprios pensamentos e temores. Foi surpreendente para mim ver a garota desaparecer entre as sombras do prédio, contudo não questionei, não perguntei e tentei me concentrar no verdadeiro problema. Suspirei baixinho, deixei que a brisa tocasse meu rosto uma última vez, e só então voltei para dentro, me abrigando na cozinha pouco iluminada. Eu estava cansada, com sono e muito inquieta, mas essa inquietação foi justamente o que me distraiu até ela voltar. Quando Evie apareceu – literalmente do nada – eu voltei a respirar novamente. Sua aura me deixava tranquila, me fazia ter vontade de sorrir e dançar, e isso por si só era suficiente no momento.

Levantei de qualquer jeito e caminhei em direção a ela, parando a sua frente sem dizer nada, nem poderia, Evie fora muito mais rápida em se pronunciar. Ela caminhou pela cozinha e me deu espaço, me fazendo encostar na parede fria por um momento, procurando um sustento que eu não possuía enquanto processava a informação que me era passada. Fiquei surpresa claro, feliz e assustadoramente nervosa. Meu coração pulava tão rápido que eu sentia que ele poderia rasgar meu peito, e não duvidava nada que acontecesse. Abri e fechei a boca algumas vezes, umedeci os lábios e então maneei a cabeça bem devagar uma única vez.

— Vamos fazer isso — Minha voz saiu firme, e eu agradeci por isso, pois precisava me sentir segura dada a situação em que me encontrava. Me aproximei dela, e parei bem a sua frente, deixando-a colocar o colar em meu pescoço enquanto me perdia em seus olhos. Ela estava serena e tentava me passar tranquilidade, mas eu também sentia sua confiança e algo mais... algo que deixou meu coração inquieto, porém em paz, de um jeito que eu não esperava que acontecesse. Pigarreei ao sentir seus dedos tocarem minha pele, fazendo aquela corrente elétrica de emoções passarem por meu corpo, me deixando estranhamente relaxada. Passei a observar suas mãos naquele momento, a curva delicada dos dedos e o toque suave sobre minha pele. Ela era uma guerreira, mas também era muito delicada, de um jeito tão fora do normal que me deixava totalmente encantada por ela. Evie era única.

Distraída como estava não fui capaz de distinguir as marcas em minha pele, sabia que eram runas, mas não sabia o que significavam, simplesmente estava confiando em Evie, algo que para mim foi tão natural que chegava a assustar. Ergui o olhar de encontro ao dela novamente, vendo sua expressão concentrada e sexy, ela ficava linda quando estava daquele jeito. Evie foi capaz de me tirar do mundo enquanto brincava com a minha pele, cortava a si própria com uma faca e me “ligava” através do seu sangue. Eu quis rir disso, porque me sentia em um filme antigo onde as heroínas não deviam ficar juntas, e ainda assim ficavam ao desafiar o destino. Ao mesmo tempo, gostava de saber que não éramos um, e que no universo em que vivíamos praticamente tudo era possível, até o impossível.

— É verdade que eu não tenho um grande apresso pela sua mãe, mas eu confio em você Evie, e sei que não é ela, percebi isso talvez um pouco tarde demais — Suspirei, sabendo que aquilo precisava ser dito, podia ter sido antes, mas não tirava o significado do agora. Eu me aproximei um pouco mais, peguei a mão dela e beijei a palma por onde o sangue outrora escorria, então me recostei brevemente ao seu corpo, num pedido mudo para que ela ficasse. Ela falava demais as vezes, mas eu gostava do jeito que ela se expressa e ficava nervosa quando isso acontecia, me divertia, aquecia meu coração e me passava uma confiança que muitas vezes eu não tinha. — Só fique comigo Evie Farrier, não quero que você vá — E ela não foi.

Eu segurava sua mão boa durante todo o encantamento, eu vi seu olhar até perde-lo por completo. Eu tentei forçar a mente a buscar a lembrança que me perturbava, até que consegui. Foi muito repentino o que aconteceu. Em um momento o cenário era a cozinha do meu apartamento, no outro, era um quarto antigo – agora trancado – da mansão Ferreli. As paredes dali eram pintadas em um tom de marfim, o teto era de gesso e tinha imagens gravadas, um lustre de cristal pendia do teto, e fazia barulho quando o vento batia e o chacoalhava. A cama mais ao centro tinha os lençóis bagunçados e um baú de aparência nobre estava aberto aos seus pés. Era possível ver algumas armas brilhando dentro dele e uma garota ao lado, se vestindo às pressas.

A jovem não devia ter mais de 17 anos, tinha a aparência jovial e um corpo esbelto, as maças do rosto estavam coradas – se por conta do frio ou da afobação creio que não sei dizer – e seus olhos brilhavam em tons de azul e preto sobre a noite. O quarto não estava muito iluminado, então era difícil identificar ou descrever tudo que tinha ali dentro, mas de uma coisa eu sabia, eu não fazia parte daquele cenário, só via tudo como uma espectadora da situação, presa em uma bolha que me separava do passado. A porta se abriu e se fechou novamente, e por ela uma criaturinha pequena ultrapassou e adentrou o cômodo, não devia ter mais de cinco anos, coçava os olhinhos e arrastava um urso pelo chão. Devia ter acordado a pouco, seus cachinhos loiros arruivados estavam uma bagunça fofa, e seus olhos ainda tinham aquele brilho nítido de quem estava sonhando. Aquela garotinha, era eu.

— Mamãe? — A criança chamou olhando a mais velha, que se surpreendeu por não tê-la notado antes, a preocupação estava latente em sua postura defensiva, ela olhou para os lados e então se aproximou, envolvendo a garotinha nos braços. — Eu não consigo dormir, tem alguma coisa batendo na minha janela — Ali estava meu temperamento forte, no bico emburrado e no jeitinho que eu mexia os pés. Era tão engraçado me observar daquele jeito que quando dei por mim já estava sorrindo.

— Você não devia estar aqui pequena — A mais velha beijou minha testa e meu olhar se aguçou sobre ela. Eu não conseguia lembrar daquela mulher, o que me fazia crer que tudo não passava de um sonho. Não era Vênus, ela não tinha a aura de poder de uma deusa, isso estava claro, mas eu a chamava de mãe, o que fazia perceber que talvez eu tivesse sido criada por outra pessoa. Uma pessoa que eu não conhecia e tão pouco lembrava. Franzi a testa, deixando a cena desaparecer por um momento, formando um borrão de cores a frente, o que me fez arfar e tentar me concentrar de novo. Infelizmente perdi parte da imagem, e agora as cenas a frente se tornaram ainda mais confusas.

Eu ainda estava no quarto, gritando o nome da desconhecida, que batalhava por sua vida destruindo tudo ao redor com um chicote. Um estranho com uma máscara preta se movia ao seu redor, tinha asas de morcego e dentes afiados, era uma criatura que eu não conhecia. Parecia humano, mas tinha partes de animal, o que denunciava que na verdade aquele ser estava longe de ser humano, era um monstro. Ele movia o corpo tão depressa que parecia sumir por entre as sombras, mas minha mãe? Era muito mais rápida.

O chicote voava de uma direção a outra com facilidade enquanto seu corpo dançava pelo cômodo, o que ela não previu foi a duplicação do corpo, em algum momento a criatura já não era única, e uma segunda surgiu. Saiu do espelho, literalmente do nada, e a agarrou por trás para fincar o que seria uma adaga na base da sua coluna, apenas para retirar puxar e afundar bem perto do seu coração. Parei de respirar naquele momento, porque percebi que ela estava morrendo, e que parte do meu coração ia junto com ela. Eu estava chorando e nem tinha percebido. As criaturas pularam da janela, não me notaram, ao que tudo indicava eu tinha sido protegida por uma espécie de colar, estava invisível de todos eles, como se fosse insignificante, e ela? Bem, tinha me salvado. Eu nem mesmo sabia seu nome.

A cena durou alguns minutos, a jovem não respirava direito, eu não me aproximava e o sangue continuava a manchar o tapete. Eu fiquei ali olhando para ela pelo que me pareceram horas, tentando processar a cena confusa, que não durou muito tempo. Um ser angelical surgiu no quarto, do nada novamente, é, as pessoas gostam muito de aparecer do nada. Veio por um portal de luz brilhante, e deixou um perfume de rosas preencher o ar. Ela era linda, a mulher mais linda que eu já tinha visto, não andava, mas flutuava, e ao se abaixar a frente da garota – quase – morta lhe tocou o rosto. — Você foi valente minha menina, sinto dizer que precisa partir — Aquela era Afrodite, a versão grega de minha mãe, e a deusa mais linda de todo o olimpo.

A jovem cuspiu sangue sobre o tapete, e quando abriu a boca seus dentes estavam cobertos pelo liquido vermelho, ela morreria, eu sentia que sim e não podia fazer nada. — Foi graças a você mamãe, pelo menos cumpra um último favor a sua filha e apague a memória da única nesse quarto que não tem culpa de nada — Ela tossiu em seguida, expelindo mais sangue pela boca. A deusa arqueou a sobrancelha, mas como poderia negar um último pedido de sua heroína? Não negou, se aproximou da criança e lhe tomou o rosto. Seu colar foi arrancado, iniciando o que parecia uma cena de tortura e maldição, e enquanto isso acontecia, a garota no chão me encarava, como se soubesse que eu estava mesmo ali, e que a olhava.

— Você ficou linda, Kyra, minha pequena estrelinha brilhante — Ela sabia... meu coração bateu mais rápido ao perceber que ela me via, que sabia que eu estava ali.

— Mamãe? — Chamei baixinho, esticando a mão em sua direção, com o coração tão apertado que parecia sumir no peito.

— Minha estrelinha...

Ela fechou os olhos, e a imagem sumiu, me fazendo ofegar em busca de ar. Abri os olhos, encarei Evie, e então, eu me lembrei.

Continua
Kyra


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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Sab Maio 27, 2017 2:12 pm




Memoria desperta
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

Não falamos nada pelo restante da noite, e em partes agradeci por isso, por Evie ser discreta e não fazer perguntas. Quando a magia se desfez por completo ela me deu o suporte que eu precisava, não falou, assim como eu não falei, mas me abraçou e dormiu comigo, me deixando processar sozinha o que tinha acontecido e me dando apoio no processo. Eu gostei disso, gostei de saber que não precisava dizer nada, que ela sabia, que apoiava e entendia e que estava ali. Gostei da forma que ela permaneceu comigo durante toda a noite, me deixando descansar em seu peito e relaxar, assim como gostei da falta de perguntas, do silencio confortável entre nós.

Eu tinha muito para entender e processar, estava confusa, perdida, e sem entender o que estava acontecendo. Entendam que recuperar uma lembrança não significa trazer de volta o conhecimento, pois, ao descobrir que você não passa de uma completa ignorante também passa a tentar desvendar o algo mais. É confuso, tão confuso quanto minha cabeça. Evie foi embora na manhã seguinte, me deixou sozinha no apartamento para assumir suas responsabilidades com a legião. Isso foi bom e ruim, bom porque eu precisava de um tempo sozinha, ruim porque isso não me impedia de sentir falta dela. Meu dia passou sem que eu visse ou processasse muita coisa, e no final da tarde, minutos antes da morena voltar.... Algo aconteceu.

Os últimos raios solares já brilhavam ao longe, manchavam parte do vidro da sacada do apartamento, formavam cores bonitas sobre a água da piscina, mas não aqueciam minha pele. Eu tinha deitado em uma das espreguiçadeiras da varanda para tentar relaxar, estava funcionando bem até que algo, ou melhor, alguém me interrompeu de uma maneira tremendamente brusca. Quando levantei – pronta para atacar com a primeira coisa que encontrasse – acabei me deparando com o arco íris brilhando bem a minha frente, e bem ao centro dele a imagem da mulher que outrora estivera assombrando meus sonhos. Haydée estava de pé a minha frente, sorrindo daquele jeito maternal, fofo e tremendamente carismático. Seus cabelos estavam soltos, mas já não tinham o mesmo brilho de antes, e seu olhar parecia apagado.

— Minha estrelinha — Ela sorriu ao dizer, um sorriso de canto que não me parecia nada feliz. Em resposta, saltei da espreguiçadeira, apenas para ficar de pé bem a frente da mensagem.

— Haydée — Chamei, engolindo seco sem entender o que estava acontecendo, eu estava assustada e confusa, lembrava dela, mas ao mesmo tempo temia que tudo não passasse de uma tremenda armadilha. Aprendi da pior maneira possível que o mundo em que vivo é bastante cruel, impiedoso, naturalmente me tornei desconfiada das coisas que não entendo.

— Escute querida, eu não tenho muito tempo, estou sendo caçada — Ela suspirou antes de olhar ao redor como se buscasse algo. — Você precisa vir para casa, é a última chance que tenho de vê-la e explicar o que está acontecendo, não tenho muito tempo Kyra, no máximo algumas horas, e preciso mesmo falar com você, te pedir desculpas.... Pelo que aconteceu e pelo que te fiz, entendo se não quiser vir, mas ... por favor... tente.  — E ela parecia mesmo desesperada, eu sentia seu temor através de suas palavras, mas não era capaz de ler sua aura, isso me intrigava.

— Para onde? — Questionei baixinho, cedendo a um pedido que certamente poderia significar minha morte.

— Para casa, venha para Londres.


...


Duas horas depois eu já estava preparada, tinha me vestido apropriadamente. Preto para me camuflar pela noite, botas de combate – sem salto – para ajudar na locomoção e jaqueta preta para impedir o frio de me congelar de fora para dentro. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, peguei as armas que precisava e fiquei na sala, andando de um lado para o outro enquanto aguardava o retorno de Evie Farrier. Sim, eu contaria com a ajuda dela, precisava de um meio seguro para sair do acampamento sem ser notada, e pior, eu sabia que ela – possivelmente – tentaria me impedir, mas não me restavam muitas alternativas se não tentar aquela.

Evie tinha a chave do apartamento, e entrou direto em algum momento. Não a percebi de fato, mas parei de andar e a encarei quando ela parou bem ao meu lado, meio que do nada. Eu estava dispersa, o que explica minha falta de jeito, desenvoltura e distração. — Oi — Murmurei sem graça, parando de andar antes de me atirar em seus braços, a apertando de encontro ao meu corpo. Ela sussurrou um cumprimento baixo em meu ouvido, beijou meu pescoço e só então me soltou, me encarando daquele jeitinho preocupado e curioso, me analisando como eu sabia que fizera durante a parte da manhã antes de me deixar. Ela estava se certificando de que eu estava bem, eu sabia disso, não sei como, mas sabia.

— Eu preciso que você me tire do acampamento de um jeito seguro Evie, preciso ir para casa, ou vou ficar louca, e eu prometo que serão apenas algumas horas, você acha que consegue? — Perguntei, mas não a deixei a responder, continuei a tagarelar para convence-la de algum jeito, como se assim pudesse aliviar meu estresse através das palavras. — Não é perigo — É muito perigoso, completei mentalmente. — E eu preciso ir sozinha, não me faça muitas perguntas, eu só preciso sair daqui entende? Eu realmente preciso, me ajude!

— Kyra! — Evie me pegou pelos ombros, me fez parar de andar e encarou meus olhos, meu corpo relaxou instantemente, era sempre assim, seu toque em meu corpo tinha o mesmo efeito de um tranquilizante, me entorpecia. — Calma — Ela pediu, me puxou e me abraçou de novo. — Eu confio em você, e apesar de querer ir contigo sei que não posso, então só tome cuidado está bem? Vou abrir um portal para você, e então você me avisa quando quiser voltar, eu te trago de volta — Ela me relaxou com poucas palavras, me fez respirar novamente e descobrir que de alguma maneira ela sempre saberia o que dizer, como agir, como me acalentar.

Não pude dizer nada, nem agradecer direito, então peguei seu rosto entre as mãos e a beijei, beijei para mostrar a ela como me sentia naquele momento, como estava grata e o quanto eu a amava por ser tudo aquilo. Isso não durou muito tempo, mas foi o suficiente para me dar forças e me deixar embriagada. Quando nos separamos ambas sorriamos daquele jeito meio bobo e apaixonado.

— Eu tenho que ir — Suspirei, passando de leve o nariz ao dela antes de me afastar. Ela assentiu, beijou minha testa então sacou seu cajado. Evie abriu o portal em questão de segundos, mas eu hesitei em passar por ele. Busquei seu olhar uma última vez, procurando pela coragem que não tinha sem ela, o que vi ali me deu força suficiente para seguir em frente com meu plano. Eu sorri para ela, então me virei para o portal de luz brilhante, e saltei sobre ele.

...
Londres, Inglaterra.
Aproximadamente nove da noite.

Sexta feira era dia de teatro na cidade, as apresentações viraram um espetáculo de luzes no palco. Àquela hora da noite papai, vovó e vovô já deviam estar saindo para a apresentação, o que me fazia agradecer mentalmente, pois também significava que a mansão estaria livre. Se eu ia encontrar um ser sobrenatural dentro de casa, era melhor manter aqueles que amavam longe, e seguros. Papai era um herói muito melhor do que eu, eu tinha consciência disso, mas ao mesmo tempo, queria mantê-lo de fora dessa aventura, primeiro porque ele não merecia saber que a esposa morta se comunicava comigo. E segundo porque bem... eu sentia que isso era algo somente meu.

Então esperei que todos deixassem o casarão, e o invadi com facilidade, burlando o sistema de segurança já conhecido e atravessando os jardins sem delongas. Àquela hora os empregados já estavam livres de suas obrigações, deviam estar descansando em casa, traduzindo, eu estava sozinha dentro de casa. Subi as escadarias da mansão em direção ao segundo andar, onde ficavam os quartos. No andar de cima tinham cerca de oito cômodos, três deles eram quartos ocupados – por mim, por meus avós e por meu pai – um último, no fim do corredor ficava sempre trancado, os outros eram hospedagens de convidados, ou banheiros.

Não importava, estava tudo vazio e escuro àquela hora da noite, e até minha respiração alterada já era suficiente para me deixar em alerta. Eu atravessei o corredor, toquei a maçaneta da última porta e a abri com facilidade. Cômodos trancados já não eram mais um problema, eu podia “invadir” qualquer coisa com um simples toque dos dedos, e vovó me abençoava com uma espécie de chave especial representada por um delta. Abri a porta e adentrei o velho quarto, a fechando silenciosamente atrás de mim, só então tateei a parede em busca do interruptor, procurando por uma fonte de luz que eu não precisava, mas que me trazia segurança.

— Não acenda, vai atrai-los direto para cá — Uma voz mais ao fundo me fez parar de maneira brusca, era suave, tranquila, e levemente nervosa.

— Desculpe — Murmurei, fechando os olhos até ajustar a visão ao cômodo escuro, para abri-los novamente e me deparar com todos os móveis cobertos por um tecido branco, e mais ao centro, encontra-la parada.

— Não precisa se desculpar querida, já está correndo risco apenas por vir aqui, não temos muito tempo de qualquer maneira — Ela suspirou, e eu me aproximei devagar, parando a poucos centímetros de seu corpo translucido. Ela estava morta, eu percebia isso em sua forma fantasmagórica que flutuava em minha direção, ainda assim meu coração se acelerava de saudade, de medo, e de sentimentos confusos apenas por vê-la. Haydée era a mulher que tinha me criado, era a pessoa que eu um dia chamara de mamãe. Vênus podia ser minha mãe de verdade, mas fora Haydée que me acalentara durante muitas noites, fora ela quem me contara historias para dormir e beijara meus joelhos ralados quando eu caia ou me machucava.

— Eu não sei como te chamar agora — Sorri envergonhada, levando a mão ao pescoço e o tocando com a ponta dos dedos, eu estava tão fria...

— Como sempre me chamou, a morte levou sua mãe, mas eu sempre estarei contigo em seu coração, mesmo que a lembrança tenha sido apagada — Ela se aproximou, me envolveu em seus braços e me fez estremecer de leve. Senti ali toda a familiaridade e o carinho de uma mãe por sua filha, e quando dei por mim já a abraçava de volta, fungando baixinho para evitar as lagrimas. Deuses, eu era um ser muito emocional as vezes.

— Ah, mamãe... acho que senti sua falta sem nem mesmo saber que você existia — Que ironia de frase essa não é mesmo? Você ter uma mãe e nem lembrar dela... era exatamente assim que eu me sentia com aquela situação.

— Eu sei querida, e em partes isso é culpa minha, eu enfureci uma deusa, em troca fui perseguida, morta dentro da minha própria casa, mas protegi você, e isso para mim basta — Ela tocou meus cabelos, beijou minha testa e então se afastou, sorrindo daquele jeito maternal e tão único. — Você ficou tão linda Kyra, que não me arrependo do que fiz, mas explicarei como aconteceu — Ela ficou séria, repentinamente seria ao dizer.

— Sou como você, como seu pai, e se deuses tivessem genética eu também seria sua irmã, sou filha de Afrodite, e como disse eu enfureci uma deusa, e isso causou minha morte, você era muito pequena na época para se lembrar de tudo, mas a casa foi invadida em uma noite, por minha culpa como eu disse, e você viu tudo, viu minha morte, então quando mamãe apareceu... tudo que consegui pensar foi em te dar uma vida normal, conhecimento para nós significa risco, você era pequena, merecia ter toda uma vida antes de descobrir a verdade, então pedi a minha mãe que apagasse sua memória, e assim também garanti a sua segurança, mesmo que isso custasse o seu amor por mim — Ela tocou meu rosto, puxou-me para si e me afundou em seus braços mais uma vez, então aguardou que eu processasse suas palavras.

— E porque você está aqui agora? — Perguntei baixinho, ainda confusa com toda aquela situação.

— Eu não vou dizer o nome dela, nomes tem poder, e esse é poderoso demais, mas saiba que quem me trouxe é alguém que você odeia, ela é mãe da sua namorada.

— Evie não é minha namorada — Corei de vergonha, baixei o olhar e encarei meus dedos.

— Mas será, eu sei disso, uma mãe sabe quando sua filha está apaixonada — Ela provocou, e eu sabia, no fundo sabia, que ela estava certa.

— Mamãe! — Reclamei, erguendo o olhar, mesmo tendo ficado completamente vermelha.

— Tudo bem, querida, não falaremos disso, eu só vim alerta-la, tenha cuidado Kyra, não confie em qualquer, mas confie na garota, ela não é a mãe dela — Haydée estava tão séria... que eu sabia que tudo que ela dizia não passava da mais pura verdade.

— Eu sei... — Sorri sem graça, tocando meus cabelos totalmente sem jeito.

— Eu sei que sabe, e Kyra, uma ultima coisa...

Mas eu não soube o que ela ia dizer, porque no minuto seguinte ouvimos um barulho e de algum jeito, eu soube que o tempo tinha acabado.

— Eles chegaram.
Kyra


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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Hades em Sab Maio 27, 2017 11:37 pm


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

Exp: A primeira parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Do nível 11 ao 20
-5.000

Dracmas: A primeira parte recebe 5 mil dracmas.
Item: Recebe apenas no final, na avaliação da segunda parte..

Avaliação

Experiência: 5.000
Dracmas: 5.000
Comentário:
Via MP.

Evie recebe 200 de XP pela participação.

Segunda Parte

O anuncio de Haydée foi certeiro e, logo uma criatura de aparência estranha e de corpo alongado invadiu o ambiente, subindo pelas paredes e quebrando pareces com uma facilidade incrível. Sua boca cheia de dentes deixava claro que estava faminto e tentaria levar ambas até as profundezas. Sem tempo para reações a criatura avançou para cima de Haydée, prestes a disparar seu sopro elétrico na mesma, que seria capaz de manda-la para onde veio. E a semideusa deveria escolher entre salva-la, ou condena-la para depois ser atacada.

Instruções e explicações

• Nyx/Nox é tida como primeira rainha do submundo, antes que os outros deuses surgissem e tomassem esse posto, teve o poder suficiente para invocar esses mortos e fazê-los entrar em contato com o semideus. Este é um verdadeiro ataque psicológico, pois, mesmo tendo retornado eles têm um prazo para retornarem para o submundo novamente.

• O dia do encontro é o prazo final e eles dizem isso ao semideus com um medo intenso, pois um monstro estaria encarregado de levar o morto de volta para o submundo, por bem ou por mal.

• Escolha a ser feita: Caso eles sejam mortos por esse monstro, eles cairiam nos campos de sofrimento eternamente. Caso eles voltem por vontade própria, eles seguiriam para o Elísio. Cabe ao semideus e seguir sua trama: deixar que o revivido morra pelas mãos do monstro e sofra por toda a eternidade; ou salvá-lo ao derrotar o monstro, permitindo que o morto retorne ao submundo em paz. Ele só consegue retornar dessa forma depois que o monstro seja derrotado.

• Caso seja a primeira opção, ele assistirá passivo a morte da pessoa ou fazer com que o revivido morra em algum momento da batalha. Porém terá de derrotar o monstro depois disso, pois não contente a fera também tentará levar o semideus para o inferno. Caso o semideus escolha a segunda opção, ele terá a chance de salvar o revivido e dar um último adeus, sabendo que a alma dele estará em um paraíso.

• O monstro é um Behir, ele irá tentar levar a alma da mulher novamente, você pode escolher salva-la ou condena-la, mas lembre-se que a criatura vai ataca-la assim que terminar com o fantasma.

Behir


Informações sobre o monstro:
Behir

O sinuoso behir rasteja pelo solo e escala pelas paredes para alcançar suas presas. Seu sopro elétrico pode incinerar a maioria das criaturas, até mesmo oponentes mais poderosos são constringidos em seu corpo enrolado e devorados vivos. A forma monstruosa do behir lembra uma combinação de uma centopeia com um crocodilo. Sua pele escamada vai da coloração ultramarina até azul escuro, esmaecendo para o azul claro em sua parte inferior.

Poderes Passivos

► Ataques Múltiplos: O behir realiza dois ataques: um com sua mordida e um de constrição.

► Rapidez: Para um lagarto o Behir se move muito rápido, graças a suas habilidade que envolvem escalada etc.

► Sopro Elétrico: O behir expele uma linha de eletricidade (apenas em linha reta e o lagarto se mantem parado ao utilizar o sopro), sendo que a mesma é capaz de reduzir um individuo ao pó caso seja pego.
Regras

- Prazo de postagem: 20 dias
- O revivido não irá, de forma alguma, permanecer no plano humano. Obrigatoriamente ele irá retornar para o submundo, por bem ou por mal (isso é de sua escolha)
- Irá notar que eu não descrevi nível ou barra de hp/mp da pantera, por ser One-Post, você deverá narrar o nível de dificuldade do monstro de maneira realista a sua personagem e ambiente.
- Boa sorte.


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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Ter Jun 06, 2017 12:24 pm




Memoria desperta
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

O barulho do outro lado ficou mais alto, mas eu não tive tempo de fazer nada, quando dei por mim a porta já tinha sido arrombada e um lagarto faminto invadiu o local escalando as paredes. Pedaços de gesso caiam do teto em meus cabelos, sujando minhas roupas com um pó branco engraçado, e como se isso não bastasse para deixar qualquer garota furiosa, ele ainda ousou se aproximar da mulher que um dia eu chamara de mãe. Rosnei irritada e parei de agir como uma garotinha – mesmo sendo uma – e então eu agi.

Antes que o lagarto tivesse tempo de executar qualquer momento eu saquei a faca presa a minha cintura e lancei em sua direção, mirando sua perna mais próxima. Se aprendi algo com Evie durante todos os treinamentos em que fizemos juntas foi que nunca devo atacar os pontos vitais de um inimigo logo de cara, isso não dá certo, não funciona, é armadilha certeira. Deu certo de um jeito ruim, porque pelo lado bom eu acertei a criatura, minha faca cravou entre seus dedos, mas pelo ruim sua atenção se voltou toda para minha pessoa, me fazendo recuar alguns passos.

— Corra! Eu cuido dele — Pedi a mamãe, puxando meu chaveiro e armando meus bastões, mesmo sabendo que parte deles não funcionaram. Eu não conhecia aquela besta, mas podia ver a eletricidade que corria em seu sangue, logo, a parte elétrica de meus bastões só o deixaria mais forte, tornando-os inúteis para minha pessoa. Minha lança contudo ainda poderia salvar minha vida, e eu estava contando com ela para ferir e cortar cada pedacinho daquele lagarto.

— Essa batalha não é sua, Kyra! — Mamãe me repreendeu, me fazendo fita-la de maneira firme.

— Passou a ser no momento em que vim te encontrar, agora faça o que eu estou mandando! Minha vida também depende disso, e você está atrapalhando meus movimentos — Recuei mais um passo enquanto falava, voltando meus olhos para a fera. Um movimento em falso e tudo estaria perdido.

— Kyra! — Mamãe tentou mais uma vez, mas eu a ignorei por completo enquanto me abaixava para evitar ser atingida pela calda do lagarto, que passou raspando por minha cabeça.

— Mãe! Agora! — Pedi rouca, derrubando um abajur no caminho do lagarto ao mesmo tempo que subia da cama. Ela finalmente parou de teimar, deixou o quarto e correu para fora, fazendo meu coração se acalmar mesmo que levemente. Ele batia forte, machucava meu peito e feria minhas costelas, mas eu o ignorava, porque precisava sobreviver, precisava salvar mamãe e descobrir o motivo real de sua morte.

Saltei para o outro lado da cama tomando distancia da criatura, distancia essa que permitiu que eu firmasse minha lança entre os dedos e movimentasse a ponta direita em direção ao seu rosto, riscando o ar e atingindo-o em cheio na altura da boca. Um corte lateral apareceu na face da criatura, que não se moveu, mas abriu a boca – permanecendo parado no mesmo lugar – para lançar uma rajada de brilho azulado em minha direção. Saltei para o chão no mesmo momento, sentindo a coisa passar raspando em meus cabelos e minhas costas, deixando meus pelinhos eriçados de medo e meu coração batendo ainda mais rápido, se é que isso era possível.

Rolei para baixo da cama em busca de abrigo, e foi aí que eu vi seu pé. Aproveitando-me da brecha deixada pela criatura eu usei da telecinese para erguer minha faca e retira-la do corpo da criatura, então a guiei para parte de trás da pata dianteira, onde cravei bem na dobra, no que deveria ser seu joelho. A criatura urrou e recuou alguns passos, e eu me aproveitei disso para estocar com a lança em sua outra pata boa, puxa-la para mim e derruba-lo no chão. Voltei a rolar para a lateral onde antes me encontrava, então sai debaixo da cama e me levantei às pressas, pulando na cama para ficar mais uma vez de frente para o monstro.

O lagarto já não era assim tão rápido. Se movia com dificuldade devido as patas machucadas e lançava aquele jato de poder azul em direções diferentes, urrando, descontando sua ira nas paredes da minha casa. Droga! Papai ficaria furioso. Saltei de cima da cama para a lateral do corpo do lagarto, ficando perto o suficiente para sua calda me atingir em cheio e me derrubar no chão. Cai de costas sobre o piso, e juro que senti algo estalar em minhas costelas, mas tratei de ignorar a ardência e rolar mais uma vez para o lado, evitando assim ser atingida por sua boca medonha.

Ergui a lança mais uma vez e a finquei em alguma parte do seu corpo, puxando em seguida para repetir o gesto. A criatura urrou novamente, e enrolou sua calda em minha perna direita, me puxando e arrastando pelo piso. Minha cabeça bateu sobre a escrivaninha me deixando tonta. Juro que vi estrelas naquele momento, mas eu precisava pensar porque não tinha tempo, e o agir era simplesmente crucial, garantiria minha sobrevivência e minha vida.

Curvei o corpo para frente e me sentei de qualquer jeito, então fiz as unhas da mão esquerda – a mão livre – crescerem gradativamente, até estarem afiadas o suficiente. Finquei-as sobre a carne da calda do monstro e as afundei, puxando-as até que esse me soltasse. O liquido estranho e gosmento – seu sangue – manchou boa parte de minhas unhas e escorreu pela minha mão, me fazendo grunhir irritada. Aquilo era nojento! Mas serviu para algo, o monstro me soltou de cara e recuou para longe, me dando chance de levantar. Cambaleei ainda tonta pela ferida na cabeça e me firmei sobre o solo, esperando que meus olhos focassem na criatura antes de voltar a atacar. Tarde demais percebi que ele lançava aqueles jatos novamente em minha direção, e dessa vez, mesmo que tivesse conseguido me jogar sobre o solo, fui atingida. Meu braço esquerdo pareceu ser fritado de dentro para fora, me fez soltar um berro agudo que ecoou por todas as quatro paredes do quarto e foi muito além. Senti as lagrimas escaparem dos meus olhos e agarrei a lança com mais firmeza, usando a mão boa para me apoiar na arma.

Eu me apoiei em um dos joelhos e voltei a encarar a criatura, e naquele momento algo inédito aconteceu. Uma coleção de facas pequenas atingiu seu rosto, fazendo meus olhos se esbugalharem e desviarem de encontro a porta. Ali de pé, como uma heroína da Grécia estava Haydée atirando faca após faca contra a criatura, em uma mira que ao meu ver, era simplesmente perfeita. Impulsionada por sua coragem aguardei pacientemente que ela lançasse a última das facas em direção a criatura, então me lancei de encontro ao seu corpo, girei a lança em suas mãos e posicionei os pés antes de cortar o ar em um ângulo perfeito, e decepar a cabeça do lagarto, transformando-o em pó.

— Mãe? — Chamei arfante, caindo de joelhos e tossindo parte daquela poeira nojenta contra o tapete.

— Aqui, minha estrelinha — Haydée se aproximou e tocou meu ombro, vistoriou minhas feridas e então me passou um pedacinho do que parecia ambrosia. A olhei confusa, e ela suspirou antes de me fazer engolir parte do doce, era mesmo parte da comida divina dos deuses. — Seu pai, as facas também vieram da coleção particular dele, não poderia deixar você lutando sem fazer nada, então quando me pediu para sair fui buscar algo para ajudar a te defender, parece que a morte não tirou a minha mira — Ela brincou, piscou em minha direção e bagunçou meus cabelos, me fazendo rir baixinho.

A ambrosia já começava a fazer efeito no meu corpo, me permitiu relaxar nos braços do fantasma de minha madrasta por algum tempo, um tempo curto demais. — Eu tenho que partir Kyra, mas antes, preciso te dizer uma coisa — Ela disse, me fazendo assentir e voltar o olhar em sua direção.

— Porque você morreu? — Perguntei, ela suspirou, mexeu em meus cabelos e se posicionou a minha frente.

— Tem a ver com isso — Ela sorriu, ajoelhando-se antes de dizer. — Eu irritei minha mãe, eu diria nossa, mas a versão da sua é um pouco melhor — Ela riu, me fazendo sorrir envergonhada. — Eu estava em uma missão para Artémis, precisava encontrar algo importante, mas morri no processo, porque esse algo não deve ser encontrado, pelo menos, a deusa do amor acha que não — Uma careta surgiu em seu rosto e eu me aproximei mais, buscando entender o que se passava. — Eu não terminei a missão, e é por isso, que você precisa termina-la para mim.

— E como eu farei isso? — Questionei curiosa. — Ou melhor, porque? — Pousei as mãos sobre os joelhos, eu estava tão cansada.

— Porque eu entendi, não era meu destino encontrar a pedra Kyra, era o seu, e tem a ver com a sua namorada também, então vão encontrar Artémis, ela vai te dizer o que deve ser feito, entendido? — Assenti, mesmo confusa com a situação, os deuses são complicados, mas os fantasmas são mais ainda. — Então partirei em paz, cuide-se minha menina, e não esqueça do que eu te disse, confie em Evie, confie no amor... — Ela beijou minha testa, então partiu, desaparecendo da minha vista completamente mais uma vez.

XP TRIPLICADA:

• Play Plus – Sua sorte triplicada? Isso mesmo, toda postagem executada por seu personagem nos próximos 3 dias terá a XP triplicada. (Valido até: 09/06/2017)
Armas usadas:

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

• Storm [Essa é uma arma que possui quatro aparências distintas. A sua primeira forma é a de dois bastões tendo, por volta, 70 cm de cumprimento. Um bastão é feito de adamantino e o outro é de ouro imperial. Em suas pontas há um sistema integrado que permite a circulação de eletricidade em cerca de quinze centímetros da ponta da arma. Para acionar o sistema de eletricidade, há um botão a ser acionado pela portadora. Quando as bases dos bastões são ligadas, eles formam um único bastão com cerca de um metro e meio, tendo assim a sua segunda aparência e forma. Sua terceira aparência é a de uma lança de lâminas duplas, cada ponta com seu respectivo material (adamantino e ouro imperial). Para ativar essa terceira forma, é necessário segurar no meio do bastão, cada mão em cada pedaço de metal diferente, e girá-los em direções contrárias. Ao fazer isso, o bastão irá desdobrar nas pontas e deixar que as lâminas se formem. Sua última forma é a mais inofensiva, mas bastante útil para o transporte. A arma pode assumir a aparência de um chaveiro com pingente de coruja. Para acionar a arma, basta a usuária segurar o pingente contra a palma e apertá-lo. O pingente irá se desfazer e formar o bastão de um metro e meio | Efeitos: Eletricidade nas pontas quando em sua forma de dois bastões ou um bastão; capacidade de se transformar em um chaveiro de coruja; mutação de forma de um bastão para uma lança de duas lâminas. | Material: Ouro Imperial, Adamantino e Cobre | Resistência: Alfa e Beta | Status: 100%, sem danos | ???? | Forjado por Leo Valdez]
Poderes passivos:

Nível 7
Nome do poder: Eterna Boa Forma
Descrição: A boa forma que você possui não confere apenas belas curvas, no caso das meninas, ou músculos definidos, no caso dos meninos, mas também confere certa agilidade e destreza para se esquivar de alguns ataques. Isso permite que você ganhe certa facilidade em se esquivar, ou defender em ataques diretos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de defesa, esquiva e agilidade.
Dano: Nenhum

Nível 15
Nome do poder: Perfeccionista
Descrição: Não é apenas beleza, mas também perfeição. Você tende a ser perfeccionista, mas não apenas com você e sua aparência, mas em tudo o que faz. Isso significa que sempre será exigente consigo mesmo, se esforçando para sempre melhorar. Isso será recompensado em seus golpes, que serão praticamente perfeitos com a arma que você adotar, e o dano será consideravelmente maior para seu inimigo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ataques com uma arma de sua escolha ganham um bônus de força de +20% durante 3 turnos.
Dano: +10% de dano se o oponente for atingido pela arma do semideus.

Nível 20
Nome do poder: Elasticidade Natural II
Descrição: Em tal nível a elasticidade e esquiva das proles de Vênus/Afrodite são maiores, semelhantes à de uma bailarina profissional, com músculos firmes e uma boa movimentação durante a batalha. Tais semideuses esquivam como se estivessem dançando.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: + 35% em esquiva e flexibilidade
Dano: Nenhum

Nível 1
Nome do poder: Pericia com Laminas I
Descrição: O semideus filho de Atena se sente completamente confortável para atacar e defender-se com lâminas. Espadas, adagas, armas de arremesso como facas, qualquer lamina de curto ou longo alcance pode virar uma arma mortal na mão do semideus filho de Athena. Por serem inteligentes, aprendem a manuseá-las mais rapidamente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de assertividade no manuseio de laminas de mão (facas, espadas, adagas, punhais, lanças, etc)
Dano: + 5% de dano ao ser acertado pela arma do semideus, pois a precisão será mais certeira.

Nome do poder: Estrategia.
Descrição: O campista é bom em elaborar planos e estratégias de batalha, o que torna a chance de erro para ataques diretos, ou criação de armadilhas maior, ou seja, a margem de erro será menor.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de acerto em ataques planejados previamente.
Dano: ----

Nível 4
Nome do poder: Inteligência
Descrição: Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano, e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscara respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de descobrir alguma coisa, ou aprender alguma coisa. (Aumenta conforme em +5% a cada 2 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Nível 5
Nome do poder: Destreza
Descrição: Assim como as corujas o campista consegue se deslocar pelos lugares sem ser notado com facilidade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 60% de chance não ser notado
Dano: ----
Poderes ativos:

Nível 17
Nome do poder: Garras Afrodisíacas II
Descrição: Suas garras ficaram ainda mais fortes, e mais resistentes. Elas crescem um pouco mais agora, e podem causar perfurações mais fundas, e arranhões mais graves, podendo arrancar parte da pele esporta, fazendo o sangue acumular de uma maneira considerável.
Gasto de Mp: 40 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 15 HP por arranhão que conseguir desferir.
Extra: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Telecinese I
Descrição: Os poderes psíquicos começam a florescer. Você consegue fazer objetos flutuarem com a força da mente. Somente objetos de pequeno porte, mas que podem ser arremessados contra o inimigo.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: -5 HP
Extra:Nenhum
Habilidades aprendidas:

Nome: Perícia em Parkour
Descrição: Parkour é a capacidade de usar movimentos naturais do corpo humano como correr, saltar e escalar combinadas com técnicas específicas que melhoram o desempenho do praticante perante obstáculos do ambiente. Com essa habilidade, o semideus potencializa sua habilidade corporal podendo realizar movimentos complicados e acrobáticos por causa do treino. Pode realizar saltos complexos, pular de um ponto a outro (dentro dos limites lógicos), escalar paredes, andar em locais inclinados, passar por obstáculos do cenário, escalar mais rápido.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% em equilíbrio, velocidade e flexibilidade.
Dano: Nenhum
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Kyra C. Ferreli
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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

Mensagem por Belona em Qui Jun 08, 2017 6:47 pm


O passado se torna o presente


Método de Avaliação

Spoiler:
Essa primeira parte é bastante ligada a trama do personagem e ao clímax do encontro entre o personagem e alguém que já foi importante, de alguma forma, na vida dele e não pertence mais a esse plano. Portanto, será avaliado os seguintes quesitos:

• Escrita: Será avaliado a gramática, a concordância e a fluidez de escrita.

• Criatividade e coerência: Será avaliado aqui o modo como você fez a postagem, se há coerência entre seu personagem e a proposta do evento, se o nível condiz com o que você diz.

• Desenvolvimento da trama: Nenhuma trama pessoal é melhor do que a outra, entretanto, aqui será avaliado o enredo como um todo. Se houve riqueza de detalhes, se houve realidade de escrita, se a personalidade de seu personagem é visível, se houve coerência nas interações desenvolvidas etc

Exp: A primeira parte recebe a metade da experiência total divulgada no post sobre o evento.
Do nível 11 ao 20: 5.000

Dracmas: A primeira parte recebe 5 mil dracmas.
Item: Recebe apenas no final, na avaliação da segunda parte..

Avaliação

Experiência: 5.000 x 3 = 15.000
Dracmas: 5.000
Comentário:
Sua batalha foi simples, mas foi uma das poucas que envolveu o revivido auxiliando no combate. Assim como, apesar de simples, foi lógica e coerente. Alguns erros de palavras trocadas e acentuação não foram suficientes para sofrer descontos na experiência dada.

Item

Nesse evento, por ser particular de cada um e cada um ter desenvolvido de forma diferente, nada mais justo do que o item também ser único para cada um. Porém, para não ser injusta nas minhas escolhas, o item desse evento será montado por você! Veja a lista abaixo, faça suas escolhas e mande por MP para mim o item final!


Tipo: Escolha o seu tipo de item abaixo, acrescente uma descrição específica caso queira, é apenas o visual da arma e o seu tipo. Caso não descreva, será usado o padrão da loja, com tamanho e demais informações. Caso queira Arco ou Besta, ele virá automaticamente com um pacote de 30 dardos/flechas.

• Espada [escolha o seu tipo]
• Faca de Caça
• Adaga
• Arco [escolha o seu tipo]
• Besta [escolha o seu tipo]
• Lança [curta ou longa]
• Foice
• Chicote
• Escudo


Material: Escolha o material que você deseja que sua arma tenha, é possível apenas a escolha de um material. A escolha do material interfere diretamente no dano que a arma vai provocar, assim como o bônus natural do material.

• Ferro estígio
• Bronze Celestial
• Ouro Imperial
• Oricalcio


Efeito 1: Poderá escolher um dos efeitos elementais abaixo. Apesar de estar descrito “arma”, o efeito irá adaptar-se ao tipo dela. Exemplo: serão as flechas a serem encantadas.

• Fogo [a arma será coberta por chamas, provocando 20% a mais de dano e tendo chance de provocar queimaduras]

• Ar [a arma é revestida por uma fina corrente de ar, tão fina que acaba permitindo um corte mais afiado, provocando 20% a mais de dano e dobra as chances de causar danos a materiais de resistência superior]

• Elétrico [a arma é revestida pelo elemento raio, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar paralisia pelo choque]

• Veneno [a arma é coberta por veneno, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de envenenar caso atinja a corrente sanguínea, causando -15HP por 4 turnos]

• Gelo [a arma é revestida por uma fina e dura camada de gelo, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar lentidão no movimento]

Efeito 2: Poderá escolher apenas um dos efeitos abaixo

• Acessório: escolha um acessório que a arma poderá se transformar, especificando qual.
• Ligação com o dono: a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado.



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Re: Quando o passado revive - Kyra C. Ferreli

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