The Blood of Olympus
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A true hunter never rest

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A true hunter never rest

Mensagem por Renly d'Alviano em Seg Abr 24, 2017 8:48 pm



walk the line

"E então o lobo uivou, cortando o silêncio da noite com seu último adeus como se fosse um longo e pesado suspiro, desprendendo de si toda a alegria vivida nos últimos dias; os momentos de sufoco ou até mesmo de desespero que passou até chegar ali. Desprendeu-se das risadas, dos momentos leves pois ali já não havia mais espaço para eles pois ainda restava um trabalho para fazer." Eu sempre soube que as histórias não começam pelo início mas sim por seus pontos de ignição - pontos onde a história muda, vira e revira nas mãos do tempo e das circunstâncias que o destino nos impõe. Não iremos começar esta história do início mas também não a começaremos do seu fim; começaremos esta história como ela merece começar: Em um de seus pontos de ignição.

Dormir bem sempre foi um problema para mim e arrisco a dizer que isto se tornou ainda menos frequente com o passar do tempo, você sabe, a permanência no acampamento e consequentemente a maldição que recaiu sobre meus ombros foram alguns dos motivos para que não conseguisse ter noites plenas de sono e empecilho para a minha recuperação física já que não me faltavam maneiras para me exaurir até o limite antes de dormir, não é mesmo? Lutas clandestinas com outros campistas, escapadas para fora do acampamento só para enfrentar monstros na calada da noite e até mesmo recorrendo a masturbação para encontrar caminho até o cansaço físico e, por sua vez, ao sono; era como viver sempre com o peso do mundo nas costas, sempre carregando uma preocupação gigantesca somada a todas as paranoias e promessas que nunca me faziam dormir. Rostos, o que não faltava eram rostos sempre que eu dormia mas, desta vez, eu conhecia todos aqueles que me observavam, sim, como esquecer o rosto das pessoas que eu já matei? O homem no beco, a mulher na estação de trem, aquelas crianças na explosão da quinta avenida e, é claro, minha própria mãe e foi quando meus olhos alcançaram os olhos dela que meu sorriso se abriu com um toque irônico de sarcasmo. — A julgar pela sua expressão, é sua vez de me matar hoje, certo, mamãe? — Lhe perguntei enquanto dava um passo a frente, pronto para a execução; pronto para a morte já que a maioria das noites eram assim, eu sempre era morto pelas mãos daqueles que eu já matei. Noite após noite, dia após dia.

Mas foi quando estava bem próximo da mulher que notei seus olhos congelados, como se fosse apenas um boneco de cera e não uma mulher raivosa como ela sempre fora em meus sonhos, não. Um passo para trás e o barulho de madeira saltou aos meus ouvidos, me fazendo girar o corpo em uma volta completa ao passo que o rosnado grave escapava dos meus lábios e encontrava o vazio do meu próprio dormitório. — Não... — Sussurrei enquanto olhava para baixo e então encarava aquela quantidade sem fim de vidas ali, dormindo em paz ou se mexendo vez ou outra diante de um pesadelo. — Mas que merda é essa? — Perguntei enquanto negava com a cabeça diante daquele cenário improvisado dentro da minha cabeça e andava entre os outros evitando pisar em seus corpos sonolentos até que o arrepio subiu minha espinha momentos antes da voz chegar a meus ouvidos. "São outros de você." Eu conhecia aquela voz e, ao menos, não era uma das vozes que eu sempre escutava quando estava dormindo pois não era uma das vozes que escutei ao retirar a vida de alguém, não. Aquela era a voz de... — Reyna. — Por um momento achei que fosse incapaz de me manter de pé mas consegui, permaneci de pé embora com o queixo caído por estar na presença minúscula de minha irmã. Reyna, céus! Ou eu deveria estar enlouquecendo ou provavelmente já estava morto para encontrar a garota ali, nos meus sonhos. — Como assim outros de mim? Aliás, o que você faz aqui? — Eu podia sentir o tremor em minha voz ainda carregada com a saudades e desacreditada que um momento como este estivesse acontecendo de verdade. "Outros campistas, Renly. Outros semideuses de um outro acampamento ao qual você não esteve, aliás, você já ouviu falar no acampamento grego?" Eu demorei demais para entender que aquela não era minha irmã, jamais poderia ser. Reyna fora morta por estupradores e teve sua garganta perfurada mas a imagem diante de mim não tinha as marcas no pescoço ou no corpo tal qual a garota teve naquele fatídico dia e isso me subiu a cabeça, retirando de mim um rosnado agressivo enquanto avançava até aquela figura e lhe agarrava pela gola da camisa, erguendo seu corpo frágil e leve do chão enquanto meus olhos brilhavam em uma fúria destrutiva. — Quem você pensa que é pra usar a merda do corpo da minha irmã, seu filho da puta? — E mesmo com raiva, eu não conseguia; não era capaz de acertar seu rosto ou de bater nela e o que quer fosse aquele ser, ele sabia disso. Sabia e ria na minha cara, se divertindo com a situação de desespero e angústia que eu me encontrava até que a larguei e me afastei para assistir minha irmã limpar as lágrimas dos seus olhos depois de tanto rir.

Ela se aproximou de um dos campista e passou seus dedos pelos cabelos da criança que, momentos depois, começou a se mexer como se estivesse com medo de algo ou de alguém. "E pensar que você, o campista mais amargurado do pedaço, ainda teria sentimentos - principalmente pelos mortos, tsc tsc..." Por incrível que pareça, eu comecei a sentir uma estranha calma quando ouvi a voz novamente. Era o rosto de Reyna, o corpo e até mesmo a voz da minha falecida irmã mas o jeito de falar pertencia a outra pessoa, na verdade, a alguém que eu só tive a chance de ouvir uma vez e durante a lua cheia. — Timmor. — Eu sussurrei e ela concordou com a cabeça, um aceno lento enquanto passava os dedos pálidos pela nuca e estalava o pescoço sem a menor pressa, tinha todo o tempo do mundo e nisto ele até que se parecia com a ruiva; ela sempre fora alguém que tinha total controle do tempo, do seu próprio tempo e do tempo de outras pessoas - quando ou onde elas reagiriam, por que e como ou até mesmo se o fariam por instinto ou por querer e esses pequenos detalhes que se encaixavam faziam minha cabeça doer em explosões de informações sendo parcialmente destruídas ou desfiguradas. — O que você quer? — Lhe perguntei antes de cruzar os braços e então erguer uma das sobrancelhas, arrancando uma risada animada do Deus que se utilizava da carcaça de minha irmã para se comunicar comigo. "O que eu quero? Você é uma pessoa bem direta para um semideus ao qual eu coloquei meus dedos sobre, sabia? Me faz lembrar de alguns que foram como você; alguns que não estão mais entre nós." Ele comentou e agora fora minha vez de rir, aquela risada irônica que estou tão acostumado a dar com outros campistas quando me fazem alguma pergunta idiota e ele esperou o fim do meu riso sem dizer uma palavra. — Nós estamos em um sonho, meu sonho e, teoricamente, não há ninguém aqui além de nós dois. — Palmas. Timmor bateu palmas e acredito ter conquistado um ponto com o Deus do medo com a tirada mas também poderia ser mais um ponto para minha cabeça estar em uma bandeja de prata, merda, eu já estou pouco me fodendo entre viver ou morrer mesmo. — Deuses nunca procuram seus filhos ou "afilhados" quando estão de folga e, como nossa relação entre patrono e afilhado nunca foi boa, não acredito que esteja aqui para perguntar como foi meu dia. — Continuei antes de me dirigir até uma das cadeiras vazias do lugar e me sentar ali para descansar as pernas mas sem tirar os olhos de Reyna em nenhum segundo. — Desembucha. — Rosnei enquanto cruzava os braços e assistia o que a ruiva fazia em seguida.

Reyna - ou Timmor, a esta altura tanto faz - passou os dedos no ar e um mapa se abriu em meu sonho enquanto seus dedos cruzavam o ar com calma. O mapa em si fora fácil de reconhecer, era todo parte do território americano, parte do território mexicano ou, para ser mais exato, na grande fronteira entre os dois países e fora ali que ela riscou como se estivesse passando um marcador de texto vermelho por toda a linha territorial que dividia os dois. "Vê isso aqui?" Ele perguntou enquanto apontava especificamente para o estado do Texas e eu concordei com a cabeça sem tirar os olhos do mapa. Timmor fez um círculo que ligava o Texas a outros três estados adjacentes ao mesmo. "Atividades de renegados foram sentidas nessas localidades, você sabe o que isso significa?" Ele me perguntou com um sorriso animado e eu sabia, sim, como não entender que aquilo era uma missão suicida e que esta era sua chance de me mandar deste mundo para o inferno em uma boa tacada? Eu eliminaria uma quantidade de inimigos no exército dos renegados e morreria em combate, uma ótima oferta para Timmor e para mim, é claro. — Quais as coordenadas do suposto quartel? — Perguntei enquanto meu sorriso se tornava mais amplo, apto a aceitar a morte de braços abertos como eu sempre fiz e o desgraçado fez o mesmo. "Então você realmente pretende se arriscar a isso? Pensei que fosse zelar por sua vida, garoto... Você é realmente suicida, tal como me informaram." Ouvi Timmor dizer e não lembro de ter segurado meu riso com isso, é, talvez eu fosse um tanto masoquista ou até mesmo pudesse ser classificado como um suicida mas a sensação de ter a adrenalina em minhas veias mistura com a dor que o combate me traz uma aura de bem-estar. É a este tipo de lugar que eu pertenço pensei enquanto roçava a língua pelos dentes e abria um sorriso animado conforme as informações eram passadas. — Então este é o local, huh? Qual o prazo para conclusão da missão, chefia? — Perguntei com o toque amargo do sarcasmo em minha voz e ele - ou melhor ela - apenas sacudiu os ombros com este mesmo sorriso que estava nos meus lábios. "Eu manterei contato, apenas... Permaneça vivo até lá." Foi o que ele me disse antes de começar a sumir e, nos momentos que precedente o despertar da mente para um novo dia, eu me virei em sua direção. — Apenas não volte como Reyna. — Não era uma sugestão mas tão pouco era uma ordem, sei dos meus limites como semideus e acho que estamos jogando um jogo de mão dupla aqui, certo? Ele precisa de mim e eu preciso dele, não seria sábio forçar a barra de ambos os lados a menos, claro, que você queira acabar fodido de uma forma ou de outra.

Na tarde seguinte eu estava me aproximando da cidade de Del Rio no estado do Texas e fora lá que passei os últimos sete dias. Roupas surradas, marcas de um combate recente e aquela mesma inquietação que se segue quando se está caminhando em direção da morte certa, sim, eu sabia que estava correndo riscos ao chegar perto demais daquele quartel mas, de forma igual, sabia que minhas cicatrizes e a minha cara de amargura - como outros cismam em definir - me ajudariam a passar como um campista banido de um dos acampamentos. Foi preciso rasgar minha camisa roxa do acampamento e criar uma ferida em minha cintura antes de tomar uma única gota do tônico em meu bolso; era preciso criar cicatrizes recentes para provar que eu estive em perigo constante desde que me baniram do meu antigo lar e eu juro que me machucar ou comprar briga com terceiros no meio da rua não foi difícil, muito diferente do que eu pensava que seria nos outros estados da confederação mas, em compensação, fora horrível achar o covil de monstros mais próximo. Foi um desafio um tanto quanto perigoso e tedioso; essas criaturas se escondiam bem apesar de seu tamanho estupidamente grande e pareciam se adaptar aos jovens com facilidade e brutalidade sem igual e, em contrapartida, era justamente esse o ponto que tornava tudo tão tedioso: como diabos identificar esses monstros feios em meio a tanta gente e com a névoa tão densa ali, naquela cidade? Eu já sentia o peso da tensão caindo sobre meus ombros e, junto a eles, rosnados escapavam com mais frequência de meus lábios sempre que eu acabava frustado por achar um esconderijo passado ou já destruído pela resistência local. Merda, filhos da puta. Era sempre se passava em minha mente toda a vez que encontrava rastros de seus passos mas não conseguia entender para onde estava indo. É como caçar sombras! Eu pensei naquele momento enquanto mordia a pele do meu polegar e me divertia comendo parte das minhas digitais até o cheiro subir, como uma comida deliciosa sendo preparada com todo o carinho e amor que só o medo pode gerar. Perto, estava muito, muito perto.

Ao que parece, nosso alvo estava terminando de sair da escola e se despedia dos seus amigos com um sorriso de graciosidade que eu já vi em outros lugares. Vênus. Foi meu primeiro pensamento enquanto eu encarava a garota que não devia passar de seus doze, talvez treze anos. Sua mochila rosa chamava a atenção no meio da multidão e, se não fosse isto, talvez fosse fácil de a localizar pelos cabelos loiros esvoaçantes ou pela quantidade de marmanjos que se viravam apenas para observar duas vezes a beldade que passava por eles - ou só para colocar os olhos cobertos de desejo no corpo da criança inocente. Eu precisei me segurar para não rir enquanto colocava o cigarro em meus lábios e acendia o mesmo sem tirar os olhos da menina pois seria ela que me levaria até eles e não demorou muito ao meu ver, entenda, monstros são atraídos pelo cheiro do sangue divino como eu sou atraído pelo medo e o medo dos homens faz as pessoas estarem receosas - principalmente se você tiver a beleza de uma filha de Vênus, toda a esquina pode ser a última da sua vida, não é verdade? O medo dela me guiava em sua direção mas nós, ou melhor dizendo, eu ainda estava esperando por algo a mais.

Foi quando coloquei meus olhos neles; altos, braços musculosos e cabeça raspada seguindo de uma risada desengonçada. Olhavam para a garota com um olhar que ia além do desejo carnal que muitos homens teriam com a jovem, sim, havia fome em seu olhar e o sorriso era de quem havia acabado de encontrar o jantar de mais tarde. — Algumas criaturas são incapazes de esconder suas intenções... — O pensamento escapou pelos lábios enquanto eu mastigava o filtro do cigarro naquela inquietação que define o prelúdio do combate; tanto eu quanto aquelas criaturas sabíamos que uma luta seria travada naquele entardecer mas, ao contrário deles, eu estava esperando pela luta enquanto eles, não. Amplie a busca, olhe com mais cuidado. Me lembrei em pensamento enquanto seguia o trio sem a menor preocupação no rosto, olhos e bocas se faziam em minha direção e nem todos eram bons - a grande maioria apenas se assustava ao ver um rapaz de cabelos brancos passar com o rosto machucado pelos socos, a pele alva tomada por hematomas e os lábios cortados, quem nunca se deparou com uma figura assim, não é mesmo? Ache. Você precisa encontrar todas as suas peças. E encontrar os monstros já fora difícil, encontrar os renegados seria uma tarefa ainda mais árdua porém não impossível afinal, bastava olhar com atenção quando se encontrava o ponto em interseção entre todos nós - a semideusa, obviamente.

Dê tempo ao tempo era o que passava pela minha mente enquanto eu continuava seguindo a garota de cabelos loiros e, obviamente, os dois ciclopes que estavam indo atrás da menina para a devorar e garantir o jantar daquele dia. Estávamos próximos ao mercado quando eu os notei pela primeira vez; cabelos arrepiados, olhos atentos em uma eterna vigilância por todos aqueles que passavam pela rua. Será que eles sabem o que eu sou? Será que sabem que também estamos no mesmo barco, seguindo para o mesmo caminho? Eu devia ter negado mas não consegui evitar o sorriso que tomou conta dos meus lábios assim que vi uma das garotas colocar a revista de quadrinhos no lugar e sair da sessão com certa pressa e, ao mesmo tempo, graciosidade. É ela então, huh? Meu passaporte para o sucesso... Mas, antes de encontrar o passaporte, eu precisava achar o destino e onde diabos estava a cria de Vênus? E os ciclopes? — Ah merda, de novo não. — Resmunguei enquanto erguia a cabeça, me colocando até na ponta dos pés para tentar localizar os alvos mas nada, merda, nada foi encontrado. Tateei o pescoço até encontrar os colares de dente, tanto o de urso como o de lobo estavam ali e eu ainda acho, sinceramente, que deveria aumentar a coleção de dentes para colocar nesses colares - tal qual os campistas do lado grego fazem com suas contas, um dente para cada aventura sobrevivida, certo? O sorriso sacana e irônico tomou conta dos meus lábios enquanto eu olhava para cima e respirava fundo sem soltar o dente de lobo. Ouça as batidas, sinta o cheiro era o mantra que eu repetia incansavelmente em minha mente, me distraído por segundos demais - tantos que até meu cigarro caiu da boca. Era estranho demais ouvir tantas batidas de coração em uma cidade, fossem alguns mais forte e outros mais fracos, o ambiente externo era um perigo constante e uma fábrica de medos. Medo. O ritmo se acelerou, o cheiro se tornou mais forte e foi quase como um rastro que me guiava até o meu, ou melhor, o nosso alvo. — I've found, girl... — Sussurrei pouco antes de me inclinar para frente e sentir todo aquele arrepio que aceleração me causa, um rosnado escapou pelos meus lábios conforme eu cortava caminho pelas ruas, passando por pessoas e mais pessoas com aquele sorriso animado no rosto.

Eu não sei dizer o que chegou primeiro aos meus ouvidos, quero dizer, além do ritmo constantemente acelerado do coração amedrontado da semideusa. Seu grito de pavor se misturou as risadas dos ciclopes enquanto um deles agarrava seus pulsos e a erguia. "Parece que temos uma semideusa muito bonita aqui" foi o que a besta disse e, para um idiota com um pouquinho de quociente de inteligencia, isso já bastava para saber o que eles fariam com ela antes do jantar. Eu devo estar louco por estar entrando nessa briga foi o que pensei antes de retirar as lâminas da kusarigama das laterais de minha cintura e girar o pulso direito duas vezes enquanto eles riam e ela chorava, gritando por socorro. Matar monstros para salvar pessoas, céus, eu devo estar muito louco mesmo. Ou isso ou em uma missão que onde minha reputação e minha lealdade estavam na balança, vou chutar na primeira opção.

Era como se o mundo ficasse mais devagar - não a um nível absurdo como você deve estar acostumado a ver em alguns filmes mas, ainda sim, estava devagar. Reflexos que normalmente as pessoas levariam um ou até dois segundos para reagirem ocorriam no dobro de tempo para mim e isso gerava uma janela de oportunidades; o número de coisas que eu poderia fazer enquanto essa aura cinza cobria meu corpo era, simplesmente, incrível. Eu lembro do sorriso, dos dentes afiados roçando contra meu lábio e da escalada nos caixotes e lata de lixo até o momento do salto, sim, direto para as costas do ciclope que estava olhando o outro despir a filha de Vênus. A lâmina girando em minhas mãos? Essa eu usei para tentar enforcar a criatura enquanto a outra eu enterrei em seu único olho. — Nada de sexo pra você, grandalhão. — Eu tinha, né? As vezes me arrependo de algumas das minhas atitudes - principalmente depois que eu acabo me fodendo por elas. Ele me localizou pelo som da minha voz e lançou para o começo do beco mas eu não larguei a corrente da arma e se eu caísse,
ele também iria cair. "Você veio ao lugar errado, semideus. Você vai morrer." O segundo ciclope me disse antes de lançar a garota no lixo e pegar um porrete no fundo do lugar para me bater. — Jura? Nem percebi que estava no lugar errado, pensei que estivesse em família, você sabe... Entre ladrões. — Eu rosnei para o desgraçado antes de rir e sacar a besta de repetição, atirando na intenção de fazer a criatura recuar para não receber disparos mas ele não voltou, continuou avançando e eu precisei formar um X com os braços na frente do corpo para tentar amortecer o impacto do porrete que me lançou contra a porta de um carro. Caralho... Acho que quebrei alguma coisa. Na verdade, eu quebrei o vidro do carro e desloquei o ombro com o impacto mas a criatura não estava muito feliz em me ver não, sabe? Eu demorei um pouco para reagir e ele me deu uma segunda porrada que me fez quase colocar vomitar todo o meu almoço e a janta do dia anterior. "O que foi? Não disse que estava entre família, hã? Eu disse que você veio aqui para morrer, seu vermezinho." Eu sei que este não era o momento de estar rindo mas o grandalhão em si me lembrou um pouco de meu conhecido Gerrard, o filho de Netuno que já este comigo em outras dificuldades e aventuras cotidianas, céus! Como este monstro falava ao invés de tomar uma atitude! Diferente dele, tateei os bolsos até achar o tônico e tomei o suficiente para estar melhor e conseguir rolar para o lado antes que seu porrete me encontrasse. — Chega, né? CHEGA! — Rosnei contra o ciclope que congelou no lugar, o medo estampado em seus olhos enquanto acompanhava parado a arma fazer mira e o virote viajar até encontrar sua testa, em uma única tacada. — Eu não andei essa porra toda para ouvir um filho da puta como você me chamar de verme, seu babaca. — E chutei sua poeira dourada depois de abaixar a guarda da arma e deixar o braço sacudir no ar com a besta apontando para baixo. Lembro de ter suspirado, olhado ao redor e encontrado a corrente ainda estava estendida no chão, arrebentada e ligada ao caminho direto ao... — Beco! Puta merda, a garota! — Então corri na direção do mesmo, quase trotando devido as dores nas pernas e no peito que eu estava sentindo ainda.

Um, dois, três, quatro e cinco. Cinco semideuses sendo que três deles vestiam armaduras ou portavam armas enquanto uma quarta parecia acalmar a cria de Vênus que chorava no canto, desesperada. Seu medo ainda batia forte nos meus ouvidos e eu precisei ignorar seus batimentos cardíacos para me esforçar a andar e me aproximar do grupo. — Quem são vocês? — Perguntei enquanto voltava a mirar com a besta, buscando fazer de alvo justamente aquela que não vestia proteções. Houve um momento de silêncio enquanto eles se olhavam calmamente e buscavam respostas silenciosas em seus olhares, isso me dava raiva, céus, isso me dava muita raiva. — Larguem a garota e saiam daqui antes que eu enterre o virote na testa dela. — E foi nesse instante que eu senti uma sombra crescer atrás de mim, virando com rapidez no exato momento em que uma terceira garota aparecia naquele beco e me olhava nos olhos. "Este é o semideus que anda vagando por aqui e matando monstros?" Pelo seu tom de voz, ela era a líder deles e isso me fez abrir um sorriso ainda maior, abaixando o pino de trava dos disparos; era só puxar o gatilho e o estrago estava feito. — Um obrigado seria vital mas entendo a falta de educação de vocês, de verdade. — Eu comentei enquanto ria e não abaixava a guarda da arma, mirando exatamente no pescoço da jovem sem tremer os braços ou desviar o olhar de seus olhos castanhos. — Será que dá pra pedir a seus bonecos de massinha pra soltar a garota ou eu realmente vou precisar puxar o gatilho para que eles comecem a falar alguma coisa. — Então houve um momento de silêncio novamente enquanto os outros se afastavam da garota que se vestia no canto e colocava a mochila nos ombros. "Manoel", ela disse sem tirar os olhos de mim. "Leve a menina pra casa e conte a seus responsáveis o que aconteceu e, caso for preciso, diga a eles que ela estará segura conosco se ele precisar." Eu tive vontade de sorrir neste momento afinal havia matado dois coelhos com uma única cajadada mas não podia, não agora e nem neste momento. — O que nos faz voltar para minha pergunta: Quem são vocês e o que fazem aqui? — E foi a primeira vez que eu ouvi um deles falar, na verdade, descobri que o rapaz mais próximo de mim se chamava Manoel pois fora ele que se destacou e saiu do beco junto com a filha de Vênus enquanto o resto continuava tão arrisco quanto eu. "Não lhe darei informações enquanto você não explicar o motivo de sua presença nesta cidade e por que vem tentando comprar briga com monstros nesses últimos dias. Como você está sobrevivendo a isso?" Ela me perguntou e eu tive vontade de mostrar o tônico a ela mas não faria isso, pra falar a verdade, o que eu fiz foi dar uma boa gargalhada na sua cara antes de deixar o braço cair só por um curto instante. — E agora eu devo satisfações a você, Xerife? — Perguntei de forma irônica, sem nem ter reparado no momento em que meu braço cedeu ao peso da arma por curtos segundos. "Deve, ah, você deve."

O soco entrou com precisão, acertando meu nariz em cheio e me fazendo cair de encontro ao chão; eu estava exausto demais para me levantar e parecia que todo o cansaço e exaustão dessa última semana de buscas para achar os renegados havia caído sobre meus ombros. "Pegue ele, vamos levar esse garoto conosco." Foi tudo o que eu ouvi antes de sentir as mãos pesadas agarrando meus ombros. Eu sabia que, a partir deste momento, eu podia sorrir pois havia vencido a guarda deles mas não sei se realmente sorri - é o tipo de situação em que seu cérebro interpreta algo como feito mas seu corpo está cansado demais para realizar a tarefa, sabe? Eu não cheguei a ouvir mais de suas conversar apenas... Me deixei entregar pelo cansaço e pela dor enquanto eles me carregavam até lá.

Arco "Trust in no one", pt. 1

Poderes utilizados:

PODERES DE HERMES

Nível 1: Velocidade -  Hermes é o deus mensageiro, portanto, precisa ser rápido. Por isso a ele é atribuído o dom da velocidade. Seus filhos possuem velocidade maior que os outros semideuses.
Nível 2 - Corredor: Sua velocidade é maior do que os demais campistas, permitindo que se movimente com mais agilidade e seja mais provável evadir-se de ataques.
Nível 4 Olhos de Falcão - Os falcões são as aves sagradas de Hermes. Suas habilidades de caça são extraordinárias e em geral ela é boa por sua visão extremamente apurada. Você, ao chegar neste Level, terá a visão tão apurada quanto a de um falcão.
Nível 4, Manipulador: Seu poder de convencimento e manipulação começa a aflorar. Você encontra um modo de fazer com que semideuses, monstros e outros seres façam o que você quer sem que se deem conta disso. Mas, por ser apenas o começo, pouquíssimos cairão no poder de sua palavra.

Nível 1 - Aceleração I: Você ganha uma aura cinza muito forte que aumenta sua velocidade e destreza em 2 vezes por 2 rodadas, o que dificultará as investidas do seu adversário.

PODERES DOS LYCANS

☬ Humor da Fera ~> Por natureza, os Lycans em sua forma humana são arrogantes, mal-humorados e extremamente alertas a tudo.
☬ A Batida II ~> Os Lycans podem ouvir um coração batendo a até 2km de distância.
☬ Olhar da Fera I ~> Os olhos do semideus revelam a fera que existe dentro dele. Qualquer um que olhar nos olhos dele ficará paralisado de medo por breves segundos. (1 vez a cada 5 turnos)
Armas utilizadas:
☬ Colar de Presas: Um colar no formato de um dente de lobo extremamente branco. Quando o Lycan estiver usando-o na sua forma humana, ele poderá sentir o medo de qualquer ser por 5km de distância de si.
☬ Tônico de Wolfsbane: Uma poção que, se usada corretamente, irá durar pela vida inteira. Se tomada depois de voltar para a forma humana, o Lycan irá recuperar 40 de HP e MP. Caso contrário, a poção não tem efeito nenhum. Uma gota após a transformação é o suficiente.
• Besta de Repetição [Similar a besta comum, é feita de madeira e reforçada com aço. Modificada para possuir um tambor de giro automático, permitindo que atire até cinco dardos seguidos como uma mini metralhadora. | Madeira e BS e Aço | Efeito: Comum | Não apresenta suporte ou espaço para gemas | Resistência: Sigma | Status: 100%, sem danos | Comum | Comprado na loja ].
• Kusarigama [São duas pequenas foices com cerca de cinquenta centímetros, cada uma feita com corpo de madeira e lâmina em metal. São conectadas por uma corrente de aço com dois metros de comprimento. Sendo assim possível manusear as pequenas foices como armas de longa distância. | Madeira, BS e aço | Efeito: Comum | Não apresenta suporte ou espaço para gemas | Resistência: Sigma | Status: 100%, sem danos | Comum | Comprado na loja ].


Última edição por Renly d'Alviano em Qui Jun 29, 2017 8:50 pm, editado 1 vez(es)
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Re: A true hunter never rest

Mensagem por Belona em Seg Maio 01, 2017 4:43 pm

Modelo de Avaliação
Realidade de postagem + Ações realizadas – 800 xp
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância e etc. + Narração – 1200 xp
Movimentação de NPC – 500 xp
TOTAL: 2,500 xp
Dracmas: 1500

Renly
Realidade de postagem + ações realizadas – 700 xp
Escrita + narração – 1200 xp
Movimentação de NPC – 400 xp
Total: 2,300 exp
Dracmas: 1500

Breve comentário será enviado por MP.



Belona
Somente os mortos conhecem o fim da guerra-
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