The Blood of Olympus
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CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

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CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Qua Abr 19, 2017 7:28 pm




Primeira parte
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

São Francisco, Califórnia.
07:00 PM High School Center Califórnia
.


— Ela é linda.

— Onde ela comprou aquela saia?

— Que cabelo perfeito

— Ela não é muito nova para adentar o corpo docente?

— Dizem que veio do Norte, pessoas do Norte geralmente aparentam ser mais novas, é o ar puro que não temos na cidade.

Comentários aleatórios preenchiam os corredores da escola infantil naquela manhã, e tudo graças a nova jovem que adentrara o corpo docente a cerca de dois dias. Começaria naquele dia, e deveria permanecer até o fim do ano. Pelo menos, era isso que todos acreditavam. A verdade por trás dos fatos era diferente, muito mais perturbadora, desconhecida para todo o resto, mas não para ela.

...

— Silencio!

O diretor gritou assim que chegou a porta, fazendo todas as crianças se sentarem em silencio. Muitos ainda mantinham o sorriso travesso no rosto, mas estavam quietas e isso bastava para o homem de meia idade que acabara de adentrar a sala. Mais ao fundo estava o menino, tinha cabelos claros que refletiam a luz do sol que adentrava pela janela, e suas feições eram tristes, como se de alguma maneira o peso do mundo estivesse em suas costas. Eu tinha vindo logo atrás do diretor, vestida de maneira madura com uma saia curta em tons de preto, e um sobretudo elegante cobrindo o corpo.

Meus cabelos tinham mudado, estavam louros, com cachos ondulantes partindo das pontas, batia no meio das costas e evidenciava parte do charme de minha mãe. Meus olhos estavam azuis, não verdes, e minhas feições tinham se tornado mais maduras, sem deixar que minha beleza extravagante fosse deixada de lado. Era tudo disfarce é claro, mas isso não vem ao caso no momento, são meros detalhes de minha operação, que até então tinha sido um sucesso. Eu me infiltrara no corpo docente com certa facilidade, criado uma combinação perfeita para adentrar a escola e parecer uma pessoa normal.

— Essa é a Srta. Granger, a nova professora de vocês, sejam respeitosos — O diretor me apresentou rapidamente para a turma do quarto ano, e se virou, tomando minhas mãos e abrindo um sorriso. Seus dentes da frente eram um tanto tortos, e ele suava deixando a careca muito brilhante. Seu terno fedia a cachimbo, e os botões de baixo da blusa estavam abertos devido a exposição da barriga saliente. Forcei o sorriso, entrando no papel para qual fui designada a fim de garantir o sucesso da minha visão. — Eles são seus, não hesite em me procurar caso precise, minha querida — Assenti rapidamente, deixando-o dar tapinhas curtos em minhas mãos antes de se afastar. Contive o suspiro de alivio ao me virar de frente para a turma, abrindo um sorriso largo e me colocando bem ao centro da sala, posicionando-me de forma estratégica a fim de atrair os olhares dos pequenos em minha direção.

...
Três horas depois, naquele mesmo dia.

— Eu o encontrei — Disse ao telefone, usando o aparato apenas para comunicar Josh de que o menino estava indo em sua direção. — Ele é loirinho, muito magro, e está indo direto para você, não o perca de vista — Alertei, já que Thomy era deveras esperto e muito esquivo, notei isso nas poucas horas que passamos juntos na sala de aula e ele não abriu a boca. O menino não se misturava com os colegas, pouco falava, não fazia perguntas e passava mais tempo olhando pela janela do que prestando atenção na aula. Para um semideus que ainda não sabe do que é capaz e acredita que TDAH e dislexia são doenças – não atributos de batalha – isso é bastante comum.

Alvo localizado

A voz de Josh veio do outro lado da linha, mas sua frase me fez revirar os olhos. — Isso não é um filme de espionagem! Anda, vai atrás dele — Pedi baixo, estava andando de um lado para o outro no gramado da escola, e as pessoas já tinham começado a me olhar estranho. — Tenho que ir, ligo daqui a pouco — Alertei, deslizando o telefone e o aparelho – não queria atrair monstros – e tudo isso, porque duas das professoras que faziam parte do corpo docente agora vinham em minha direção.

— Você é Luna certo? A nova professora de Frances do quarto ano? — Perguntou a primeira, li de relance o crachá dela apenas para tentar lembrar o nome. Mais cedo tinha sido apresentada a todos os funcionários que incorporavam o time de professores da escola, mas não me ative a maioria dos nomes, tudo porque estava focada demais na missão que me fora dada pelo acampamento.

— Isso mesmo, Megan correto? — Perguntei, apertando a mão dela, mesmo sabendo que tinha acertado o nome dela, e tudo porque o crachá tinha me salvado.

— Isso, e essa é Phoebe — Ela apontou a moça ao seu lado, e eu sorri acenando para a morena.  — Bem, queremos saber se você gostaria de se juntar a nós no horário do almoço, sei que está livre pela tarde, espero que não se importe, mas conferi seus horários — Ela sorriu largamente, me fazendo arquear a sobrancelha enquanto me perguntava que diabos aquela louca estava fazendo. Todos os professores eram simpáticos assim mesmo, ou não passavam de lunáticos perseguidores? Não sei se quero descobrir.

— Eu adoraria, é verdade, mas não posso, tenho um compromisso, meu namorado está vindo me buscar e... — Fui cortada, e como se minhas palavras o tivessem alertado, Josh apareceu. Foi do nada, o carro virou a esquina e parou bem em frente à escola, o vidro se abriu e o fauno apareceu, vestindo jaqueta de couro, óculos escuros e um chapéu para cobrir os chifres. Devo admitir que tenho bom gosto, já que fui eu a escolher a roupa dele.

— Entra ai boneca! — O fauno gritou, acelerando o motor uma única vez antes de abaixar o óculos e piscar para as duas ao meu lado. — Belas amigas, amor! — Revirei os olhos, me matando internamente enquanto pensava nas mil maneiras de torturar aquele sátiro.

— Como visto, tenho que ir, então, até amanhã — Aceitei rapidamente, correndo em direção ao carro e tomando o assento ao seu lado. — Eu vou te matar — Alertei, colocando o cinto enquanto ele se afastava da rua. — Boneca, é sério? — Perguntei, abrindo o porta luva a procura dos meus próprios óculos.

— Você sabe que estou tendo minha chance de aderir ao teatro nessa missão, é meu sonho, e eu sou ótimo com isso, pode dizer. Além do mais, não curto seu tipinho de gente, da fruta que eu gosto você não chupa nem o caroço — Ele sorriu, virando a rua e pegando a principal. — E eu encontrei o garoto, já sei onde ele mora, poderemos pega-lo em pouco tempo, o padrasto dele é nojento — Josh tinha uma careta no rosto, era como se de alguma maneira aquilo pudesse validar o que tinha acontecido. Ri sozinha.

Vocês devem estar se perguntando onde conseguimos aquilo tudo, desde as roupas ao carro, e até mesmo entrar numa escola. A resposta é muito fácil, meu pai, e o cartão de credito dele. É vantajoso para uma garota como eu vir de família rica, ajuda muito quando você precisa de algumas coisinhas para se safar no mundo a fora, nesse momento agradeço por ter nascido uma Ferreli.

— Você sabe, temos que ser cuidadosos — Alertei. Josh podia ser bastante imprudente quando queria.

— E nós vamos, baby, nós vamos — Ele piscou de leve. É, a tarde seria longa.

...
3 Horas antes de tudo desabar.

O prédio era um pouco afastado da cidade, dividido por dois becos que serviriam muito bem para meu propósito. Fazia cerca de uma hora que estávamos o observando, e bem, o que posso dizer dele? Ele não tem vida social. Thommy não tinha deixado o quarto, em momento algum procurara o que fazer, e salvo os momentos que saia na sacada para observar o movimento da cidade, simplesmente não fazia nada. Era curioso, devo admitir. Aos 10 anos de idade garotos como ele costumam ter amigos, jogar bola, correr no gramado e rolar na grama, mas ele? Não. Parecia sem vida, inerte as coisas ao redor.

— Você vai mesmo ficar desenhando enquanto estamos de guarda? — Josh me perguntou, e o que fiz? Me limitei a dar de ombros enquanto terminava de traçar as linhas. Era apenas um inseto, um mecanismo de filme, mas que me seria útil em alguns minutos.

— Observe — Abri um sorriso ao terminar de pintar os olhos do bichinho, e então passei a mão pelo bloco de desenho, deixando a magia fugir através dele. Mergulhei as mãos no papel e puxei, dando vida ao desenho que outrora não passara de um rabisco. O inseto pousou em minha palma, e eu fiz questão de arrumar suas antenas e testar o mecanismo. — Segura isso — Pedi, baixo antes de conectar o mecanismo do inseto ao meu celular. — É arriscado, mas vai valer a pena — Murmurei baixinho, instalando a programação de forma rápida antes de conectar a câmera ocular da criatura ao meu aparelho. — Pode solta-lo — Pedi a Josh, guiando os movimentos através do aparelho mais para cima.

De onde estávamos era praticamente impossível saber o que acontecia dentro da casa, eu precisava de mais, e agora teria. Agradeço ao meu pai nesse momento, pois sua herança genética me permitiu um conhecimento vasto e habilidades únicas, que nenhum outro filho de Vênus dispõe. Sorri sozinha ao pensar nisso, e enquanto observava o inseto subir as paredes do edifício, também tentava não gargalhar alto da careta de Josh.

— Que tipo de gênio é você? — Ele questionou, e foi impossível não rir disso, era engraçado ver a reação das pessoas quando descobriam o quanto eu podia ser inteligente, e tudo porque minha mãe era a deusa do amor, e tecnicamente isso devia ser impossível. Balancei a cabeça em negativa para espantar esse pensamento, tolos daqueles que acreditam que isso pode ser levado em consideração.

— Não sou — Dei de ombros, ligando a câmera e mostrando ao fauno. — Assim podemos ver o que acontece lá dentro, está vendo? Já vi isso em filmes, não estou dizendo que qualquer um poderia repetir, até porque filmes assim... bem eles não são reais entende? Mas somos semideuses, ou melhor, eu sou, e isso deve servir para alguma coisa — Dei de ombros. O inseto tinha atingido a janela do quarto do garoto, e se enroscado na parede lateral, nesse momento também nos dera uma visão privilegiada do interior do cômodo. — Sucesso — Abri um sorriso largo, entregando o aparelho a Josh.

Eles estão vindo, salve, salve o menino.

A voz veio do nada, soou audível em minha mente, mas quando olhei ao redor, nada encontrei.

— Kyra? — Josh perguntou, atraindo minha atenção para ele novamente. — Kyra o que aconteceu? — Perguntou, me fazendo franzir a testa de maneira confusa.

— Você não ouviu isso? — Perguntei, voltando a procurar a pessoa por trás da voz misteriosa.

— Não, Kyra, só estamos nós dois aqui, você está me assustando — O Fauno parecia tão perdido e confuso quanto eu, o que me fez questionar se o sono começara a prejudicar minha mente.

— Não foi nada, encontrou alguma coisa? — Perguntei, voltando a olhar para o aparelho, que no momento, mostrava todo o ambiente interno do quarto de um menino. Nada especial, era algo simples, poucos brinquedos e roupas espalhadas, uma cama mais ao canto e uma estante de madeira antiga.

— Não, mas observa isso, acho que pode... — Ele continuou a falar, mas eu já não ouvia, e tudo porque a voz retornara de uma maneira um tanto bizarra em minha mente.

Salve, salve o menino. Quando o rio do leste o sol da montanha tocar, seus pesadelos vão começar.

Olhei ao redor, voltando a procurar pela dona da voz. Era uma mulher, cantando e falando em meu ouvido, deixando minha mente turva e nublada, tinha que ser uma, era humana, e eu a entendia perfeitamente. Suas palavras se repetiram pelo menos três vezes, mas foi só quando olhei para a saída do beco, que de fato a encontrei. Não era uma mulher, era um gato, um gato gigante com joias pelo corpo e a aparência mais esquisita que eu já tinha visto. Ele era lindo, tinha olhos acastanhados e pelagem cor de creme, as patas eram cobertas por joias que se assemelhavam a perolas e de seu pescoço pareciam sair... caldas, ou seriam asas? Não sei dizer, nunca vi criatura como aquela e só tinha certeza de uma coisa, ela não pertencia aquele mundo, ao meu mundo.

— Eu já volto — Gritei para Josh, disparando a correr para o final do beco atrás do gato, mas foi inútil, tão rapidamente quanto surgira, ele desaparecera, deixando para trás apenas incertezas e dúvidas. Seria uma miragem? O sono estaria mesmo afetando minha maneira de pensar e agir? Não, era real, tinha que ser real.

— Kyra! — Josh me gritou, me fazendo voltar a olhar em sua direção quase instintivamente, e o que vi ali me trouxe outras verdades, que guiariam meus movimentos dali para a frente, mesmo que eu ainda não soubesse disso.

— Encontrei uma coisa.

...

Eu o convido a ligar a televisão em um canal de notícias. A pegar o jornal e ler as primeiras manchetes. A entrar nas redes sociais e ver o que é realmente discutido. Busque em sua memória quantas informações trágicas você recebeu nas últimas 48hrs. Eu o convido a ter os olhos da deusa da noite ao encarar a humanidade de agora. O que você vê? Eu o convido a ligar a televisão em um canal de notícias. A pegar o jornal e ler as primeiras manchetes. A entrar nas redes sociais e ver o que é realmente discutido. Busque em sua memória quantas informações trágicas você recebeu nas últimas 48hrs. Eu o convido a ter os olhos da deusa da noite ao encarar a humanidade de agora. O que você vê? (Retirado da trama do forum)

— O que é isso? — Josh ainda encarava a imagem, tão atordoado quando eu.

O convite no panfleto era claro, uma espécie de grupo idealista de um mundo perfeito, certamente até mesmo eu cairia naquelas palavras com facilidade, afinal, quem não sonha com um mundo melhor onde sofrer seria praticamente impossível? Confesso, já tive esse tipo de sonho, mas cai no real e descobri que eles não existem. O problema não está no mundo, está nas pessoas.

— Não tenho certeza — Dei zoon na tela, analisando o complexo de informações abaixo do panfleto, junto ao convite e a introdução inicial – extremamente tentadora devo ressaltar – existiam uma seria de informações, mas nada maior do que isso. Nenhum endereço, nenhum nome, apenas uma sigla de um olho fechado, como se dissesse, estamos cegos para o mundo, e verdadeiramente estávamos. Suspirei baixinho, voltando o olhar para meu amigo.

— Então? — Ele perguntou, estava tão ansioso quanto eu para descobrir o que aquilo significava, acontece que eu não fazia ideia de como prosseguir com aquela informação.

— Vamos ficar aqui, por enquanto, não temos uma opção melhor — Murmurei, voltando a olhar a janela do garoto e a morder os lábios, uma mania conquistada ao longo dos anos, sempre acontecia quando estava nervosa.

— A noite toda? — Ele perguntou.

— Se for preciso — Dei de ombros, me encostando no muro e voltando a mexer em meu aparelho. Eu vasculhava outras pistas enquanto pensava, quase podia sentir as engrenagens do meu cérebro trabalhando, procurando pistas e soluções para solucionar aquele mistério, sem nada encontrar.

Quando aceitei a missão de encontrar e levar o garoto comigo para o acampamento, não pensei que seria assim tão complicado. Era simples, tinha que ser simples, fui treinada para isso. Eu devia encontra-lo, aborda-lo e dizer que ele não era uma aberração, ele gritaria comigo e me chamaria de louca, então eu lhe mostraria a verdade, diria que não estava sozinho e que tínhamos um lugar para onde ir. O que não me disseram é que quando somos ignorantes a esse fato, também temos problemas maiores que nos rodeiam, coisas e situações, pessoas que nos perseguem, monstros que querem nos devorar. Eu devia saber disso, saber que não seria fácil, sou semideusa, vivi parte disso, tive uma experiencia de quase morte quando descobri a verdade, mas a realidade é que não sabia, e que até aquele momento, era uma completa ignorante.

— Josh! — Exclamei, voltando a encarar o fauno ao perceber que podia ter deixado algo passar.

— Eu nem jantei, então juro que não peguei nada hoje — Ele ergueu as mãos, como se dissesse “sou inocente”, Faunos e suas manias de acharem que todos pensam que eles são ladrões. Alguns eram claro, mas nem todos.

— Não é isso — Revirei os olhos. — A ficha do Thomy, está com ela? — Perguntei, voltando o olhar em direção a ele com a expectativa brilhando em meu olhar.

— Hm, sim eu acho, devo ter deixado no carro — Ele deu de ombros, coçou a cabeça e voltou a me olhar.

— Onde estão as chaves? — Perguntei ansiosa, tinha que ter algo, qualquer coisa, uma pista ou uma brecha que eu tinha deixado passar.

— Aqui — Ele me estendeu o objeto prateado, e eu o peguei depressa, correndo em direção ao carro em seguida. Eu não tinha tempo a perder, e até esquecera de agradecer ou fazer qualquer coisa enquanto corria, fora tudo rápido demais para poder processar corretamente.

Abri o carro e vasculhei o porta luvas em busca da ficha, e ao encontrar a pasta do arquivo não perdi tempo em folheá-la, meus olhos passavam rapidamente pelo papel, mas não deixavam nada passar, nem mesmo uma única palavra. Em meio a minha busca parei apenas uma frase, mas a frase que mudaria todo o rumo da minha missão.

Tendencioso, teve surtos TEPT e Esquizofrenia recente.

— Ah não — Passei as mãos pelos cabelos e larguei a ficha no assento do carro, batendo a porta antes de retornar ao beco, apenas para encontrar um Josh alarmado e ansioso.

— Kyra, eu juro que não tirei os olhos da câmera, isso, isso é tão esquisito — O fauno baliu enquanto olhava afoito em minha direção.

— O que aconteceu? — Perguntei pegando o celular e vasculhando o quarto mais uma vez.

— Ele sumiu — E o meu mundo caiu com suas palavras.

Continua...

Info Extra:

TEPT – Esse transtorno ocorre quando a pessoa foi exposta a um evento traumático que lhe causou uma experiência psicológica estressante ou de incapacidade. Os sintomas incluem pesadelos, sentimentos de raiva, irritabilidade, cansaço emocional, isolamento, entre outros e, geralmente ocorrem quando a pessoa revive o evento traumático. A pessoa procura evitar situações ou atividades que a faz se lembrar do que causou o trauma.

ESQUIZOFRENIA – A esquizofrenia é outro transtorno psicótico, mas neste caso, a pessoa sofre alucinações e pensamentos perturbantes que a isolam de atividades sociais. A esquizofrenia é uma doença muito grave, mas há tratamentos bastante eficazes para que esses pacientes possam desfrutar sua vida da melhor forma possível.

A nível de curiosidade
O inseto criado é o mesmo usado no filme: Pequenos espiões.
Poderes:

Nível 1
Nome do poder: Sempre na Moda
Descrição:  Você tem um pequeno controle sobre a moda. Onde o lugar é frio, consegue em um estalar de dedos se vestir apropriadamente ao clima, e se for quente também. Esse efeito de roupas para uso próprio dura quanto tempo você quiser.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Isso permite que você mude de roupas sempre que desejar.

Nível 2
Nome do poder: Metamorfo I
Descrição: O filho de Afrodite/Vênus consegue modificar pequenas partes do corpo, da forma que bem entender ou se sentir mais atraído. Nesse nível, só é capaz de mudar a cor dos olhos, dos cabelos, também podendo modificar o cumprimento desses último, e das unhas.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Inteligência
Descrição:  Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano, e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscara respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de descobrir alguma coisa, ou aprender alguma coisa. (Aumenta conforme em +5% a cada 2 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Realidade Artística I
Descrição: Os filhos de Athena são naturalmente talentosos quando se trata de criação, com arte não seria diferente. Seus desenhos são tão perfeitos que saem do papel e tomam vida própria.  Nesse nível apenas pequenas coisas como insetos, pequenos objetos, plantas, ratos e pássaros de porte pequeno como andorinhas ou canários.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp:  Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: -10 a -25 HP (varia dependendo do desenho criado, podendo ter um impacto até maior).
Extra: É necessário que o semideus tenha algo para desenhar (papel, caneta, lápis, tinta, qualquer coisa semelhante).
Kyra


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Kyra C. Ferreli
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Re: CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Sab Abr 22, 2017 3:35 pm




Segunda Parte
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

"— Eu não sou louco, eles virão atrás de mim, virão atrás de mim! — O garoto gritou para a mãe, que o ignorou completamente mais uma vez. Era sempre assim, por mais que tentasse ela nunca lhe dava ouvidos, apenas lhe respondia.

— Você tomou seu remédio hoje, meu querido? Acho que está na hora de tomar seu remédio — Ela sorriu, mas quando se virou, ficou assustadora. Tinha olhos vermelhos, presas e garras, e em suas mãos não tinha um tubo de remédio, era sangue.
"

— Não! — Gritei assustada, levando as mãos à cabeça ao despertar. Era apenas um sonho, foi apenas um sonho... repeti a mim mesma até me convencer da verdade, e ao conseguir respirei fundo. Minhas mãos foram em direção aos meus cabelos, bagunçando-os de leve enquanto tentava acalmar as batidas do meu coração, não estava funcionando. Joguei as cobertas para o lado e me levantei depressa, calcei os chinelos e fui direto para a varanda do quarto de hotel, escancarei a janela e deixei que a brisa fresca tocasse meu rosto. Voltei a respirar no minuto seguinte, me acalmei de alguma maneira, sentindo a realidade bater novamente em minha porta.

Levei os dedos a nuca e apertei tentando relaxar o músculo, mas não funcionou, eu estava tensa, e isso se devia ao fato de que nos últimos dois dias tinha andando em círculos, sem nunca encontrar nada. O panfleto do “olho” estava amassado no bidê ao lado da cama, tinha o olhado tantas vezes que o papel tinha ficado puído, com a aparência velha e desgastada, mas ainda assim continuava a caçar pistas ao redor dele. Era como se de alguma maneira algo pudesse saltar daquela propaganda a qualquer momento, e me dar uma resposta que estivera bem ali, na frente dos meus olhos, mas que não pude captar.

Fechei os olhos por um momento e apertei as mãos na parte baixa da janela, quis gritar para o mundo, quis fazer todos entenderem minha frustração, quis... chamar reforços do acampamento e mostrar minha incompetência, mas não fiz nada disso. 48 horas de procura, frustração e falta de pistas, 48 horas de pura tormenta, falta de sono e pesadelos esquisitos. Não... aquela não era o primeiro, mas fora de fato o mais estranho. Thomy não tinha voltado para casa, sua mãe não tinha chamado a polícia, continuava a agir normalmente, como se nada tivesse acontecido, e de alguma forma eu sabia que ela não dera por sua falta, talvez nem se importasse de qualquer maneira.

Ela tinha um filho, mas não ligava para ele, não me surpreende em nada o garoto ter fugido de casa, o que me pega de jeito é a forma com que ele desapareceu... no ar, e sem deixar qualquer uma pista.  Parecia que Thomy nunca tinha existido, e se isso fosse verdade, qual era o fundamento daquela missão para minha pessoa? Nenhum, eu perderia todo o sentido, o chão, a logica, a verdade. Eu precisava desvendar aquele mistério, se tornara uma necessidade, não mais uma vontade ou uma obrigação. Era mais do que isso, era tudo.

— Eu vou encontra-lo — Murmurei para mim mesma, mas ali, também selei minha promessa.

...
Dois dias depois,
Califórnia, as 13:00 em ponto.

— Estamos a dois dias olhando os arredores do bairro, já vasculhamos o quarto do garoto e não encontramos nada, então porque continuamos voltando para cá? — Josh me perguntou, parando bruscamente no meio da avenida e se virando em minha direção.

— Porque, de alguma maneira, quanto mais penso nisso, mais acredito que estamos deixando algo passar, me diga, como um garoto some do nada sem deixar nenhum rastro, uma pista... qualquer coisa? — Perguntei, mordendo o lábio e bagunçando os cabelos, eu estava tão frustrada que sentia que poderia enlouquecer.

— Kyra, acho melhor voltarmos ao acampamento, estamos em um beco sem saída e eu não acho que vamos encontrar esse menino assim, do nada... — Josh insistia, estava nisso a algumas horas, e de certa maneira eu o entendia.

Não desista...

Ela estava ali de novo, mesmo que eu não pudesse vê-la, o gato mensageiro, meu perseguidor atual e meu informante? Não sei se é assim que posso chama-lo, um guia seria mais apropriado.

— Não posso — Murmurei para Josh, adentrando o beco e fitando a janela do garoto.

Seu tempo está acabando.

Não ajudava em nada saber disso, mas o que eu podia fazer? O gato não me dava as respostas, apenas ficava murmurando coisas sem sentido, enquanto me enviava sonhos que eu acreditava não terem qualquer fundamento, ainda me lembro do da noite passada...

Eu estava presa no que parecia uma cela, mas a minha frente não tinha chão, e sim um rio com margens de concreto, como a rede de esgoto do mundo humano. Eu podia ouvir as vozes ao redor, e ver a minha frente uma moça vestida de branco, acorrentada pelos pés assim como eu. Parecia assustada, tinha cortes em ambas as bochechas e os joelhos ralados, estava descalça.

— E o garoto? — A voz veio do fundo, ecoando pelas paredes a minha direita.

— Não falou ainda, ele acha que está preso em um sonho, pobre coitado — A segunda voz riu, era mais fina que a primeira, um tanto feminina e rouca.

— Em breve ele vai descobrir que seus sonhos na verdade são os pesadelos de sua realidade....

— Não estamos sozinhos, a garota voltou.

— Deixe-a que nos veja, está em um beco sem saída, não pode nos encontrar.


As imagens ainda martelavam em minha mente, pois tinha a sensação de que eu era a garota, e que algo grandioso estava prestes a acontecer.

— Kyra? — Josh me chamou, erguendo o olhar em minha direção, fiz o mesmo, o fitando confusa enquanto vasculhava minha mente em busca de respostas. — Eu acho que você estava certa, e que encontrei algo — Ele murmurou, me estendendo o panfleto enquanto se prostrava ao meu lado.

— O que? — Perguntei ansiosa, procurando por palavras e pistas, sem nada encontrar.

— Você também não pode perceber, não é? É porque estamos procurando por um endereço, mas você parou para analisar a figura por trás desse panfleto? — Ele me perguntou, neguei depressa enquanto focava nos desenhos, no hotel atrás, e em seu nome.

— O Drummond foi construído em 1918, e ficou funcionando até mais ou menos a década de 80 ou 90, mas foi alvo de monstros e acabou falindo, muitos acreditam que seja um hotel abandonado, e hoje é visto como um monte de entulho. A nevoa é tão forte no local que tudo que veem é uma rede de esgoto, mas não para nós... — Ele sorriu, me encarando como se tivesse acabado de descobrir um baú de tesouro.

— Ainda está vivo, e funcionando — Completei o encarando. Deuses, ele era um gênio, o melhor amigo e investigador do mundo todo, eu deveria beija-lo, mas claro não faria isso.

— Sim, é um esconderijo de monstros, e acredito que pode estar sendo usado como uma rede, atraindo semideuses para servirem de jantar para os que ali habitam, os desaparecimentos de crianças como Thomy vem sendo inúmeras nessa cidade, temos registros que mostram que pelo menos três semideuses não foram encontrados, e isso explicaria tudo! — Suas informações faziam sentido na minha cabeça, os monstros costumavam mesmo devorar crianças como nós, as vezes apenas por vingança, ou ódio dos nossos pais, ainda assim eu acreditava que algo ainda maior estava por trás de tudo isso.

— Temos que ir até lá — Pedi ansiosa, puxando o sátiro pelo casaco e o arrastando pelas ruas.

— Sem um plano? Estaremos mortos antes de conseguirmos invadir o lugar — Ele baliu, nervoso como uma criatura que podia ser identificada a metros de distância apenas pelo cheiro. Os faunos têm um cheiro adocicado que em muito atrai os monstros.

— Eu bolo algo no caminho, podem rastrear você, mas você sabe que eu posso encobrir o meu cheiro — Sorri, soltando-lhe uma piscadela.

— Sim, mas eu vou morrer enquanto você faz isso! — Ele se enfiou no assento do passageiro, enquanto em me ajeitava no assento de acompanhante.

— Ou não, você vai buscar ajuda, eu vou entrar sozinha lá dentro — Expliquei, abrindo o porta luvas e começando a trocar de roupa, se ia mesmo me suicidar, precisava ser com estilo.

— FICOU LOUCA? — Ele gritou, acelerando o carro e virando na avenida para pegar a estrada em direção ao hotel. Eu não fazia ideia de onde a região ficava, e por isso pesquisava pelo celular informações sobre os arredores, e sobre a construção. Em meio a isso ainda fui capaz de encontrar uma planta, era perfeita, se eu memorizasse todas as saídas podia bolar um plano mais facilmente.

— Já nasci louca, sou semideusa — Dei de ombros, ampliando a imagem e guardando pontos importantes mentalmente, vovó, eu te agradeço por minha memória fotográfica, ela é perfeita.

— Kyra, isso é suicídio, vão encontra-la, mata-la, prende-la, eu não sei! Mas você pode até conseguir entrar, não vai conseguir sair — Ele estava certo, e eu sabia disso, mas precisava tentar, tinha prometido a mim mesma que iria encontrar Thomy e leva-lo em segurança até o acampamento, e eu o faria. Sim, era minha teimosia gritando mais alto naquela situação, indo contra a inteligência e o instinto de sobrevivência natural que todo herói ou pessoa deveria ter, mas acho que não o tenho. E se o tenho, perdi em algum momento.

— Você pode trazer reforços do acampamento? Encontrar ajuda, mandar uma mensagem e me monitorar pelo lado de fora? — Perguntei ansiosa, procurando papel e caneta no porta luvas. — Eu acho que tenho uma ideia — Abri um sorriso, voltando a olhar para o sátiro.

— Eu odeio esse olhar — Josh resmungou, parando em uma estrada qualquer de maneira brusca. — O que faremos? — Ele perguntou, tinha acabado de aceitar que tínhamos uma chance, e se tudo desse certo, tínhamos mesmo.

...
Meia noite, o início de um novo dia...

O plano era simples, e eu o tinha preparo de maneira meticulosa. Eu invadiria a casa sozinha, causaria uma serie de distrações com a ajuda do Fauno, e vasculharia as entradas pelas alas desconhecidas, usando a tubulação para me locomover sem ser vista. Se eu entrasse pelo lado de fora usando o duto de ar, poderia sair em pelo menos seis alas dentro do hotel, sem contar os quartos e o porão. Tudo que eu precisava era entrar por ali, invadir as salas e equipa-las com explosivos que seriam acionados por um controle do lado de fora do hotel, Josh faria isso. Essas explosões não seriam grandiosas, mas deveriam servir como distração para duas coisas. As criaturas ali dentro pensariam estar sendo atacados, ou que o hotel fora invadido, o que fora de fato, mas enquanto procuravam por intrusos nas alas dos explosivos, eu exploraria o restante, e buscaria pelos semideuses. Ou, na pior das hipóteses, pelos restos mortais deles. Não gosto de pensar nessa ideia, mas também não consigo descarta-la.

Vocês devem estar se perguntando como armei tudo isso em tão pouco tempo, é simples. Eu tenho mania de ver muitos filmes de ação e espionagem, acabei aprendendo uma coisinha ou outra, junte tudo isso com minha imaginação fértil e terá uma jovem desenhando e recriando equipamentos de última geração com apenas um papel. A vantagem de poder dar vida a pequenos objetos é essa, eu não podia criar grandes explosivos com um caderno de desenho e uma caneta, mas podia fazer detonadores pequenos e com uma potência considerável para causar alguma destruição. Era suficiente no momento, e devia bastar. Antes de invadir tudo eu tinha enviado uma mensagem de Iris ao acampamento Júpiter pedindo reforços, não descartava a ideia de ser pega, e se eu estivesse certa e aquilo fosse mais do que um covil de monstros, cabia a legião interferir e ajudar.

— Está preparada? — Josh me perguntou enquanto ajeitava o equipamento de escuta na orelha.

— Nem um pouco — Respondi risonha, prendendo meu próprio equipamento na roupa preta. Ajeitei o colete e preparei os saquinhos com as micro câmeras, ao mesmo tempo que entreguei a ele nosso fiel companheiro. O inseto que poderia ajudá-lo a ir procurando pelos prisioneiros ou pistas enquanto eu invadia o local. Isso também permitiria a ele que me guiasse e encontrasse rotas seguras para minha pessoa.

— Vai dar certo, seja confiante, nunca encontrei uma menina mais inteligente que você — Existiam outras é claro, e perto delas eu não passava de uma jovem mimada tentando bancar a heroína de um filme qualquer.

— Certo — Murmurei baixinho. — Lembra como usa? — Perguntei, colocando o inseto na mão dele e puxando os sacos de detonadores, prendendo-os no cinto antes de terminar de me ajeitar.

Tinha preparado uma série de coisas junto aos meus desenhos, como as lentes que usava no momento, me permitiram ver no escuro. Trocara de roupas com os poderes herdados de minha mãe, e tinha trocado os tênis por botas, equipado as mãos com luvas de couro e barrinhas de ferro nas pontas – nunca se sabe quando vai precisar bater forte em alguém -  além das minhas armas de semideusa. O chaveiro estava preso em meu quadril, na baia da calça, seria fácil aciona-lo dali. Tinha descartado o arco, optando pela espada que prendera as costas. Além disso, tinha escondido uma faca de bronze na bota direita, nunca se sabe quando vamos precisar de uma última cartada, eu estava pronta para invadir, e morrendo de medo ao mesmo tempo.

Tinha confiança de que daria certo, e que se desse errado os reforços estavam a caminho, tudo que eu precisava era aguentar. Respirei fundo e olhei meu colega de equipe mais uma vez, vasculhando seus olhos em busca de hesitação, mas não a encontrei. A confiança dele em mim era grande, assim como a dos romanos como estão prestes a ir à guerra. Era algo que aprendíamos no treinamento, confiar em nossos colegas, pois sabíamos que eles dariam a vida se necessário para nos proteger, lutavam por uma causa justa, muito maior que todos nós. Eu sabia disso, Josh também, e eu estava orgulhosa de sermos só nós dali para frente.

— Vamos — Pedi baixinho.

Josh guiou o carro pela estrada escura evitando usar as luzes. Aquela região era desprovida de energia, e a floresta parecia ter invadido uma boa parte da velha estrada. Era o tipo de local que o mocinho de um filme invadia, apenas para descobrir que estava assombrado e ser perseguido por demônios e almas impiedosas. Tudo isso me deixava com arrepios pelo corpo, totalmente gelada e atenta.

— Ali, vamos esconder o carro a uma distância segura, vou seguir pelas arvores e chegar a parte dos fundos, você envia o inseto na frente, só para garantir que não serei pega de surpresa, estou com uma sensação estranha desse lugar — Mordi o lábio, encarando a velha construção a frente como se essa tivesse vida, e eu não duvidava que tivesse.

— Vai dar certo, tenho confiança que sim, e de qualquer jeito já mandamos a mensagem a algumas horas, eles devem estar chegando, você não vai ficar muito tempo sozinha — Josh estava sério, desceu do carro junto a mim apenas para encobrir a lataria brilhante, a deixando camuflada para os olhares curiosos, ou intrusos.

Fizemos tudo depressa, evitando fazer barulho ou chamar atenção, algo que durou apenas alguns minutos. Josh equipou o inseto e o enviou na frente, usando o celular modificado apenas para conseguir guiar a criatura, e localizar tudo que estivesse pela frente em nosso caminho.

— Sua vez — Ele sorriu. — A barra está limpa, você consegue — Ele encorajou, eu sorri.

— Boa sorte, Josh — Bati continência em direção a ele, me virando para seguir sozinha. — E a propósito, se eu não voltar, te deixo ficar com meus vestidos — Brinquei, correndo em direção as arvores. Eu estava pronta para encarar a morte, e de certa maneira, não temia voltar.

Info Extra:

TEPT – Esse transtorno ocorre quando a pessoa foi exposta a um evento traumático que lhe causou uma experiência psicológica estressante ou de incapacidade. Os sintomas incluem pesadelos, sentimentos de raiva, irritabilidade, cansaço emocional, isolamento, entre outros e, geralmente ocorrem quando a pessoa revive o evento traumático. A pessoa procura evitar situações ou atividades que a faz se lembrar do que causou o trauma.

ESQUIZOFRENIA – A esquizofrenia é outro transtorno psicótico, mas neste caso, a pessoa sofre alucinações e pensamentos perturbantes que a isolam de atividades sociais. A esquizofrenia é uma doença muito grave, mas há tratamentos bastante eficazes para que esses pacientes possam desfrutar sua vida da melhor forma possível.

A nível de curiosidade
O inseto criado é o mesmo usado no filme: Pequenos espiões.
Poderes:

Nível 1
Nome do poder: Sempre na Moda
Descrição:  Você tem um pequeno controle sobre a moda. Onde o lugar é frio, consegue em um estalar de dedos se vestir apropriadamente ao clima, e se for quente também. Esse efeito de roupas para uso próprio dura quanto tempo você quiser.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Isso permite que você mude de roupas sempre que desejar.

Nível 2
Nome do poder: Metamorfo I
Descrição: O filho de Afrodite/Vênus consegue modificar pequenas partes do corpo, da forma que bem entender ou se sentir mais atraído. Nesse nível, só é capaz de mudar a cor dos olhos, dos cabelos, também podendo modificar o cumprimento desses último, e das unhas.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Camaleão
Descrição: O filho de Atena sabe como procurar um esconderijo. Normalmente se camufla muito bem, conseguindo encontrar um lugar pra fugir do perigo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: A chance do semideus ser encontrado baixa em -25%
Dano: ----

Nome do poder: Conhecimento de monstros
Descrição:  Duas vezes por evento o filho de Athena pode solicitar ao narrador que indique algo sobre o monstro que possa ajudar na batalha. As dicas dependem do Narrador.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Destreza
Descrição:  Assim como as corujas o campista consegue se deslocar pelos lugares sem ser notado com facilidade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 60% de chance não ser notado
Dano: ----

Nível 4
Nome do poder: Inteligência
Descrição:  Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano, e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscara respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de descobrir alguma coisa, ou aprender alguma coisa. (Aumenta conforme em +5% a cada 2 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Nome: Perícia em Parkour
Descrição: Parkour é a capacidade de usar movimentos naturais do corpo humano como correr, saltar e escalar combinadas com técnicas específicas que melhoram o desempenho do praticante perante obstáculos do ambiente. Com essa habilidade, o semideus potencializa sua habilidade corporal podendo realizar movimentos complicados e acrobáticos por causa do treino. Pode realizar saltos complexos, pular de um ponto a outro (dentro dos limites lógicos), escalar paredes, andar em locais inclinados, passar por obstáculos do cenário, escalar mais rápido.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% em equilíbrio, velocidade e flexibilidade.
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Passos de Cisnes
Descrição: O semideus possui uma capacidade natural de se movimentar sem fazer barulho. Seus passos são leves, graciosos e charmosos, o que permite ao semideus se mover com facilidade sem ser detectado pela audição normal (audição aguçada ainda poderá captar o semideus se ele provocar ruídos através de folhas e galhos por exemplo).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não será detectado por inimigos que não possuam audição elevada.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Estrategia.
Descrição:  O campista é bom em elaborar planos e estratégias de batalha, o que torna a chance de erro para ataques diretos, ou criação de armadilhas maior, ou seja, a margem de erro será menor.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de acerto em ataques planejados previamente.
Dano: ----

Nome do poder: Realidade Artística I
Descrição: Os filhos de Athena são naturalmente talentosos quando se trata de criação, com arte não seria diferente. Seus desenhos são tão perfeitos que saem do papel e tomam vida própria.  Nesse nível apenas pequenas coisas como insetos, pequenos objetos, plantas, ratos e pássaros de porte pequeno como andorinhas ou canários.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp:  Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: -10 a -25 HP (varia dependendo do desenho criado, podendo ter um impacto até maior).
Extra: É necessário que o semideus tenha algo para desenhar (papel, caneta, lápis, tinta, qualquer coisa semelhante).
Armas:

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

*Espada Cupido-Espada de prata com a lâmina cheia de desenhos em ouro. Quando o semideus aperta em um rubi que está no cabo da espada, os desenhos brilham e emitem um perfume agradável que faz o oponente ver e ouvir as vozes das pessoas amadas sofrendo.

• Storm [Essa é uma arma que possui quatro aparências distintas. A sua primeira forma é a de dois bastões tendo, por volta, 70 cm de cumprimento. Um bastão é feito de adamantino e o outro é de ouro imperial. Em suas pontas há um sistema integrado que permite a circulação de eletricidade em cerca de quinze centímetros da ponta da arma. Para acionar o sistema de eletricidade, há um botão a ser acionado pela portadora. Quando as bases dos bastões são ligadas, eles formam um único bastão com cerca de um metro e meio, tendo assim a sua segunda aparência e forma. Sua terceira aparência é a de uma lança de lâminas duplas, cada ponta com seu respectivo material (adamantino e ouro imperial). Para ativar essa terceira forma, é necessário segurar no meio do bastão, cada mão em cada pedaço de metal diferente, e girá-los em direções contrárias. Ao fazer isso, o bastão irá desdobrar nas pontas e deixar que as lâminas se formem. Sua última forma é a mais inofensiva, mas bastante útil para o transporte. A arma pode assumir a aparência de um chaveiro com pingente de coruja. Para acionar a arma, basta a usuária segurar o pingente contra a palma e apertá-lo. O pingente irá se desfazer e formar o bastão de um metro e meio | Efeitos: Eletricidade nas pontas quando em sua forma de dois bastões ou um bastão; capacidade de se transformar em um chaveiro de coruja; mutação de forma de um bastão para uma lança de duas lâminas. | Material: Ouro Imperial, Adamantino e Cobre | Resistência: Alfa e Beta | Status: 100%, sem danos | ???? | Forjado por Leo Valdez]
Kyra


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Kyra C. Ferreli
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Re: CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Dom Abr 23, 2017 9:24 pm




Terceira Parte
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

Minha respiração era pesada dentro dos tubos, tinha dado certo. Eu me infiltrara pela tubulação do hotel e agora me aventurava pelos dutos de ar. Não era fácil, o espaço era estreito e eu andava – literalmente – de quatro, rastejando algumas vezes quando o lugar se tornava muito apertado.

Vire à direita

A voz de Josh soou no aparelho em meu ouvido, eu seguia suas instruções e era guiada por um inseto, que estava muitos metros a minha frente e mandava imagens e coordenações ao Fauno.

Se você seguir reto vai ver a primeira passagem, se descer por ela, ou olhar para baixo, vai se deparar com o que parece ser um deposito, não acenda as luzes, espero que suas lentes estejam funcionando bem.

Elas estavam, mas eu não tinha como avisar Josh a respeito disso, falar qualquer coisa dentro de um duto de ar seria como levar uma mensagem através de uma linha telefônica, me denunciaria. Meu coração saltava forte, e a adrenalina no meu corpo era pesada, mas eu ainda me mantinha em silencio, rastejando sem deixar rastros, ao mesmo tempo, tentava ignorar as teias de aranhas, os insetos mortos e o fedor da tubulação. Era tudo muito nojento, mas até então eu estava suportando bem. Encontrei a primeira saída, e não demorei a remover o tampo e olhar para dentro, ninguém a vista, só caixas empilhadas e uma porta trancada. Tudo estava escuro, o que me fazia agradecer as lentes de contato, meu trabalho ali seria muito fácil, fácil demais, o que elevava em grande escala meus níveis de desconfiança. Não pensei muito e nem me demorei, puxei o detonador e a micro câmera, levitando ambas para cima de uma das caixas, onde ficariam pouco aparentes. Ao terminar, fechei o tampo da tubulação, e voltei a rastejar pelos tubos.

A primeira entrou em foco, já estou preparando os explosivos, quando você posicionar tudo vou conseguir explodir tão fácil.

Ele ria em meu ouvido, me fazendo morder o lábio e seguir sem perder a concentração, até então tudo estava indo bem até demais, mas eu não contava que isso fosse durar por muito tempo.

Muito bem, mais a frente você vai ver a segunda saída, é um escritório, então não remova o tampo, acha que consegue colocar o explosivo com os dedos?

Ele perguntou, mas não respondi, não tinha como, e ele sabia disso.

Esquece, tente apenas colocar com os dedos, tome cuidado, eu acho que essa sala é usada por alguém ou alguma coisa.

Assenti sozinha, e segui rápido, puxando ambos os dispositivos e me mantendo a uma distância considerável do duto, tentando encontrar uma maneira de visualizar a sala com mais precisão. Mas nada me pareceu útil, me certifiquei de que o lugar estava vazio, e só então guiei meus objetos com a telecinese em direção a um vaso de flor, perdendo ambos sobre a terra, onde também não seriam notados.

Entrou em foco

Sorri sozinha, me afastando do duto e pegando a direita. Deuses, me arrastar ali estava me deixando com dor nas costas e cheia de poeira, eu ia precisar ficar pelo menos uma hora no banho depois de tudo aquilo, mas valeria a pena.

...
Meia hora mais tarde

Eu conseguira mover as câmeras para mais duas saletas, sendo a primeira idêntica ao escritório, mas um pouco maior, e a segunda uma espécie de salão de baile gigantesca, o estrondo ali seria grande. Eu seguia me arrastando pelos dutos, cansada e esfolada, indo em direção ao último dos cômodos.
Kyra, acho que encontrei o que estávamos procurando, mas termine isso que eu te explico melhor.

Mordi o lábio com força, a curiosidade gritando alto para perguntar mais sobre aquilo, mas sem poder. Suspirei baixinho, chegando ao final do último duto, e observando-o do lado de fora. Parecia uma cozinha e diferente de todos os outros quatro cômodos, aquele tinha pessoas e monstros circulando. Eram cerca de 5, duas mulheres com caldas de cobra, um humano que parecia alheio a esse fato, e dois adolescentes, rindo e se cutucando, supus que os dois últimos fossem semideuses, mas não tinha certeza. Meu coração martelava nas costelas, ameaçando me denunciar, mas não vacilei. Puxei a micro câmera devagar do bolso direito, e a juntei ao meu explosivo antes de passa-la de forma lenta pelas grades do duto. Não poderia tira-lo por completo sem denunciar minha presença. Mordi o lábio com força, prendi a respiração e o guiei para cima do armário, o olhar atento e dividido entre o objeto e as pessoas ali presentes. Só voltei a respirar quando ambos pousaram escondidos bem no alto de uma prateleira. Estava pronto, tinha cumprido o primeiro dos meus objetivos.

— É hoje mesmo o ritual? — Eu estava pronta para sair quando o menino se pronunciou, um dos adolescentes sentados à mesa. Deixou todos atentos, até mesmo eu. Paralisei no lugar o ouvindo de forma atenta.

— Sim, primeiros as virgens para fortalecer a magia, e depois os rebeldes — O segundo rio, atirando um pedacinho de pão em direção ao primeiro garoto. — Eu disse ao menino que ficasse quieto e acreditasse, tentei falar com ele, mas o carinha me ignorou, vai pagar por isso — O garoto completou, espetando um pedaço de carne com o garfo e levando a boca, engoli seco.

— Eu não sei porque o pessoal daqui convence os semideuses de virem se sabem que no fim das contas eles serão apenas usados, não somos como nós, não entendem a causa — Ele suspirou baixinho, como se falasse de algo muito importante. — Quando ela descobrir, ficara furiosa, mas pelo menos ainda podemos usar peões como eles nas magias de sacrifício e invocar poder, adoro esses rituais — Ele deu de ombros, e voltou a comer.

Do que estavam falando? Eu me perguntava que tipo de magia podia usar sacrifícios humanos para conseguir poder, era cruel demais. Permaneci ali por mais alguns minutos, mas vendo que os garotos não voltariam a falar, não tive escolha, segui em frente, rumo ao meu objetivo.

Kyra?

Josh perguntou do outro lado da linha.

Eu consegui foco, pena que não posso ouvi-los, mas tudo bem. Vire a esquerda, você vai encontrar uma passagem mais inclinada, escorrega por ela, vai dar para as escadarias mais próximas ao porão, tente não fazer barulho. Quando chegar lá embaixo, siga para sua esquerda, e deslize até o final, vai encontrar os porões, mas temos um problema.

Eu não sabia se queria saber do problema, mas continuei ouvindo enquanto seguia.

A passagem dá para dentro de uma cela trancada, e eu acho que você não vai querer saber o que tem dentro.

Cela? Eu não estava indo para um porão.

Ele foi transformado, e agora funciona como um calabouço, mas é mais macabro.

Foi como se Josh tivesse ouvido meus pensamentos, respondeu minha pergunta antes mesmo que eu pudesse questiona-la, agradeci aos céus por isso, pois acreditem ou não estava muito difícil manter minha boca fechada.

Deslizei fácil pelo duto, deitando em algum momento apenas para conseguir relaxar, e pegando mais teias de aranha pelo caminho, meu cabelo já tinha virado um ninho, e apesar de estar toda coberta, eu ainda torcia para não ser mordida por aqueles bichos. Usei as botas pare frear ao final e evitar fazer barulho, e ao conseguir fazê-lo segui para o lado, rastejando até o final do duto, onde encontrei a passagem como me fora informado. Me aproximei das barras e as puxei com cuidado, as deixando encostada enquanto espiava pela fresta para ver o que tinha embaixo.

Era uma cela de tamanho médio, com correntes presas no chão, no teto e nas paredes. Só tinha uma saída, além da que eu entrara – mas essa última não conta, era alta demais e difícil de escalar – e ela estava devidamente trancada, não parecia que iria ceder. Nada disso me surpreendeu, não até o momento que meus olhos se focaram na criatura presa ali dentro. Ela era enorme, muito maior do que eu acreditava que fosse. Tinha patas felinas e se aproximava da altura de da largura de um leão adulto, só que muito mais delicado e bonito. Seus pés estavam presos por correntes, e sua cabeça repousava nas patas dianteiras, e o que mais me surpreendia era que, apesar de estar presa, sua expressão era serena.

Então você chegou.

Sim, era o meu guia ali embaixo, o mesmo gato que andava perturbando meus sonhos, o mesmo que aparecera misteriosamente milhares de vezes e me assombrara nos últimos dias.

Vai mesmo ficar parada, ou vai descer e me libertar?

Eu não tinha certeza que era seguro, e pior, não sabia se queria descer lá e descobrir.

Posso ler seus pensamentos, não tenha medo, minha criança, eu te trouxe até aqui, preciso que me liberte e salve os prisioneiros.

Mas que diabos estava acontecendo ali, porque o gato estava me ajudando?

Nyx fica mais forte a cada novo sacrifício, estão derramando o sangue dos inocentes, usam eles para magias obscuras, trazem pessoas pela sombra da noite e prendem em celas aqueles que se recusam a ajudá-la. Seja rápida enquanto os guardas não a veem, desça, desça para mim.

Mordi o lábio com força. Sua voz era atraente, persuasiva, era quase como se aquele gato estivesse me induzindo a fazer exatamente o que queria, mas porquê?

Porque eu quero ser livre, e nunca vão deixar.

Ele me respondeu antes mesmo que eu perguntasse, me fazendo arregalar os olhos e puxar a grade um pouco mais para o lado.

Isso, venha para mim, liberte-me.

Estava difícil resistir a ela, muito difícil, mas eu precisava ser forte. Devia sair outra saída, outro duto, um mais fácil.

Não vou machuca-la Kyra, eu preciso de ajuda, estou tão presa quanto qualquer outro aqui dentro, só quero voltar a minha ilha, então guiei sua mente até mim, mostrei o que você precisava, você me deve, ajude-me.

Seus olhos se abriram, prenderam-se nos meus de uma maneira tão atenta, que foi impossível não fazer qualquer ruído. Arfei, levando as mãos a boca para cobrir e abafar o som, e entendi ali o que ela precisava. Sua dor era profunda, eu podia ver bem ali, estampado em seus olhos, ela queria ser livre porque estava presa, e isso era cruel, mas tudo ali também era. O gato me guiara porque precisava de ajuda para si mesmo, era egoísmo da parte dele, ele me levara para uma cilada, mas eu entendia seus motivos, em seu lugar, faria o mesmo. Agora também me comparo a animais, mas que ótimo.

Puxei a grade para o lado evitando fazer ruídos e calculei a distância entre o chão e o duto, olhando várias vezes para a saída da cela, garantindo que não seria presa fácil e quando consegui, saltei para o chão. Foi inevitável fazer barulho, assim que meus pés tocaram o concreto as pedrinhas voaram, me fazendo cair de bunda no chão. Uma delas voou para longe, bateu contra uma das barras a fazendo soar aguda. Corri para trás do gato, me atirando no chão para esconder meu corpo e prendi a respiração, escutando para ver se alguém se aproximava. Agradecia mentalmente as aulas de Parkur de Evie naquele momento, pois sem elas, certamente eu já estaria toda quebrada.

— Veio da sela do gato! — Alguém gritou, e os passos se aproximaram rapidamente, parando a poucos metros de distância. — Ei você, o que está fazendo seu gato inútil! — A mesma voz repetiu, batendo na grade com algo forte, o que provocou mais uma porção de ruídos dentro da cela. — Eu sei que você fala, não vai me responder? — Ele continuava falando sozinho, e o gato, o ignorando por completo. Eu estava com raiva, mas não podia denunciar minha presença, não ainda.

Pegue as chaves dele, estão no bolço direito, rápido.

Ela me incentivou, e eu ergui o olhar, engatinhando mais para frente a fim de conseguir ver o cara. Ele era alto, muito mais alto que eu, tinha músculos evidentes e trajava uma armadura, mas talvez, só talvez, eu tivesse uma chance.

— Eu já teria matado você, quando, minha senhora, deixar, farei um galeto! — Ele riu, como se sua piada tivesse algum sentido, sendo que galeto vinha de galo, galinha, não de gato, deuses como podia ser tão burro.

Respirei fundo, e entendi a mão de leve, movendo os dedos para levantar a chave de sua cintura e guia-la para dentro da cela de forma discreta, até fecha-la em minhas mãos. Meu coração ainda martelava, mas precisava ficar tudo bem, precisava.

Kyra! Eles chegaram, vou começar a explosão, é agora, você só tem uma chance, boa sorte!

Era a voz de Josh soando em meus ouvidos, me fazendo soltar um suspiro aliviado enquanto ouvia o início de uma confusão. Não pensei muito, no momento em que o cara brandiu uma lança para dentro da cela a fim de cutucar o gato, eu saltei. Um ataque surpresa era melhor do que nada, me coloquei a frente e parei o cabo pela diagonal, o puxando com tudo e o fazendo bater de cara com o metal da cela.

— Segure isso — Pedi ao gato, colocando o cabo entre seus dentes enquanto movia o molho de chaves e o soltava. — Continua puxando — Pedi, sem prestar atenção no cara que acabara de derrubar, deuses, aquilo não duraria muito tempo. Soltei a corrente do gato e corri para a cela, a destrancando e abrindo a porta. — Vamos! — Gritei, pisando em cima da cabeça do maluco com a ponta das botas e correndo para fora, apenas para me deparar com a confusão. O gato tinha saído logo atrás de mim, e todos os olhares tinham se voltado para ele, mas eu sabia que isso não duraria muito tempo.

— Peguem eles, não deixem que escapem! — Alguém gritou, me fazendo arregalar os olhos e olhar ao redor.

— Me ajude, pelo amor me ajude — Pedi ao gato, estava sozinha contra três dos guardas restantes, se ela pelo menos conseguisse distrair um deles, então eu teria uma chance.

Pela última vez

Quase sorri ao ouvir sua voz, o gato saltou para a frente pegando um dos guardas pela cintura, me fazendo correr para o lado contrário do dela, encarando as celas. — Menos um, faltam dois — Murmurei sozinha, ativando o chaveiro com uma das mãos e me equipando com os bastões de guerra, minha arma favorita. Mantive o molho de chaves na mão destra, e ao me aproximar da cela da garota de branco não pensei muito, atirei-a para ela. — Aqui, você, se solte e solte todos, rápido! — Pedi arfante, e corri em direção a batalha, deuses, que a garota me ajudasse, que minha mãe ajudasse, e que vovó me ajudasse. Eu rezava para os deuses e pedia mentalmente que a legião invadisse rápido, ou estaria morta em poucos minutos.

O primeiro soldado me alcançou rápido, tinha em mãos um taco de madeira, que eu facilmente poderia bloquear se ele não fosse tão forte, e eu torcia para que não, pois sua aparência dizia o contrário. Ergui os bastões e acionei o primeiro botão, o transformando em uma lança comprida e bloqueando seu ataque. Ao mesmo tempo ergui o pé dianteiro e atingi sua virilha, o fazendo hesitar. Quando consegui puxei a lança, e a virei rapidamente, ficando uma das extremidades em sua coxa e ativando a propriedade de raio, deixando a descarga de energia atingi-lo em cheio.

— Babaca! — Sibilei baixinho, puxando a lança apenas para vira-la entre os dedos, acertando a ponta em seu rosto e fazendo um corte amplo. Por fim chutei seu peito, o fazendo desabar no chão. Não pensem que isso foi uma vitória para minha pessoa, pois enquanto lutava com o primeiro dos soldados o segundo me alcançou, e foi aí que a coisa começou a desandar. Eu não vi a espada, mas senti a lamina me cortar o quadril de raspão. Saltei para o lado sentindo a pele arder e o sangue encharcar minha camisa, mas me mantive focada, trincando os dentes e erguendo a lança em sua direção. Nos encaramos por um momento, analisando nossos movimentos sem nos atacar. Eu precisava mantê-lo distraído, porque nesse meio tempo, a jovem de vestido abria as celas, e libertava os prisioneiros um a um, eu precisava ganhar tempo para que ela terminasse sua tarefa e conseguisse libertar todos eles. Na situação em que me encontrava toda ajuda era bem-vinda.

— Não vai me atacar princesinha, ficou com medinho foi? — Ele provocou, avançando um passo e me fazendo recuar dois, empunhando a lança em sua direção enquanto estreitava o olhar. — Não vai sair daqui com vida, eu sei o que você procura — Ele sorriu, exibindo todos os dentes e me fazendo hesitar. — Você quer o menino, não é? Eu vi você na escola dele, sei que o quer, sei que o procura, mas não vou deixar que o leve daqui — Ele falava de Thomy, eu estava certa disso, mas não podia ceder a sua provocação.

Não respondi, avancei um passo e bati com a lança em seu quadril, mas ele desviou rápido, e avançou novamente com a espada. Bloquei o primeiro golpe com a lamina enquanto analisava seus pés. Lembro que meu treinador uma vez me dissera que sou capaz de guiar os movimentos de um inimigo pelos seus pés, ou por seus olhos. Não gosto do jeito que ele me olha, por isso prefiro me guiar por seus pés.

— Você não vai salva-lo — Ele grunhiu, me obrigando a erguer o olhar diante suas palavras.

— Eu vou — Abri um sorriso doce, forçando a lamina em sua direção, eu não ganharia pela força, mas sim pela inteligência. — Cuidado! Atrás de você! — Gritei alto, colocando e impregnando minha voz com o charme herdado de minha mãe, e iniciando um jogo de sedução do qual sabia que não podia escapar. Foi apenas um minuto, mas o suficiente, ele se virou rápido me fazendo mudar a posição da lamina e bater com a ponta em seu peito, afundando sobre a carne e pressionando a descarga elétrica. Foi um único minuto, mas o minuto que me garantiu alguma conquista.

— Sua vadia — Ele moveu a espada em minha direção, acertando a ponta em meu abdômen e abrindo um corte, atravessando e rasgando minhas roupas no processo. Ótimo outra ferida. Em resposta puxei a lança e a afundei em sua barriga, o empurrando contra uma das celas enquanto descarregava mais energia contra seu corpo. Quando a puxei novamente, ele desfaleceu, caiu de joelhos no chão dentro da cela, e para garantir que ele não fugisse, o prendi ali mesmo.

Levei a mão ao quadril sentindo ambos os cortes arderem, mas não tinha tempo para pensar nisso. Desativei a lança e corri com certa dificuldade pelas celas, procurando pelo garoto que me fora designado no inicio da missão, e pelo qual eu deveria dar a vida. O encontrei na ultima cela do corredor, encolhido em um canto com ambas as mãos no ouvido, murmurando algo que eu não ouvia.

— Thomy? — Chamei baixinho, me aproximando de forma cautelosa e evitando toca-lo ao me abaixar a sua frente.

— Não é real, não é real — Suas palavras saiam um tanto chorosas, e lagrimas lhe escapavam pelo rosto.

— Vai ficar tudo bem Thomy, me deixa tirar você daqui — Eu pedi, estendendo a mão a ele, sabendo que não adiantaria força-lo.

Kyra, a legião está dentro, você tem que sair, rápido!

Josh avisou, fazendo o som agudo atingir minhas orelhas e uma careta surgir em meu rosto.

— Já estou subindo — Avisei, voltando a olhar em direção a Thomy. — Por favor? Eu prometo que vou leva-lo para um lugar seguro, onde os monstros não poderão alcançar você — Eram palavras arriscadas, eu sabia, mas que promessas que podia fazer aquele garoto no momento? Nenhuma,

— Eles disseram... disseram que isso acabaria se eu viesse com eles, mentiram para mim, você vai fazer o mesmo — Desconfiança e medo, era isso que ele me mostrava, mas eu precisava tira-lo dali.

— Aqui, eles não te deram algo para se defender certo? — Perguntei, tirando minha espada das costas e estendendo em direção a ele. — Me deixa te tirar daqui, Thomy — Pedi mais uma vez.

Ele ergueu o olhar e me encarou pelo que me pareceu um longo tempo, mas encontrou algo ali que lhe trouxe alguma certeza ou segurança, pois aceitou a espada e se levantou.

— Vamos — Pedi o guiando para fora, o deixando caminhar a frente enquanto nos tirava dos porões, seguia pela espada e adentrava no Hall principal, onde a saída da frente estava completamente destruída, e soltados de roxo batalhavam com monstros e soldados. O gato não estava em nenhum lugar, o que me levou a supor que tinha fugido.

É difícil descrever toda a situação no momento, porque são milhares de coisas acontecendo, soltados gritando, legionários atacando e monstros sendo desintegrados. Foco em mim mesma e no garoto ao meu lado enquanto escuto as explosões. Nem mesmo a voz de Josh parece surtir efeito, e ao que tudo indica minha respiração ficou mais alta.

Puxei Thomy pelas mãos para o lado de fora, eu precisava deixar a responsabilidade com os soldados agora, minha missão estava cumprida, e eu tinha que levar o garoto para o acampamento. — Corre — Pedi baixinho, me abaixando no minuto que uma lança passou raspando o ar em nossas cabeças, eu tentava manter partes do corpo do garoto protegido, mas estava difícil.

— Não! — Ouvi alguém gritar ao longe, ao mesmo tempo que um rugido soava alto. Não deu tempo de fazer nada, quando vi já tinha sido atingida. O espinho pegou em cheio no lado direito do quadril, o que ainda estava intacto, passou raspando, rasgou a blusa e cortou uma boa parte da pele, deixando a carne no vivo, mas não vi nada disso, não senti dor, não vi o veneno me penetrando lentamente.

— Kyra! — Josh gritou, mas eu não o vi, porque meus olhos estavam presos na cena do menino que eu devia resgatar sendo empapado por sangue, desabando a minha frente. Não deixei que isso acontecesse, o segurei rápido, e foi aí que eu vi. O espinho do manticora tinha acertado sua coluna, e era muito maior do que aquele que me atingira, tinha se fincado pela metade, penetrado fundo a carne. Um segundo estava muito bem preso a sua coxa, mas não era tão fundo quanto o primeiro. Puxei o da coluna, manchando mais sua camisa de sangue, e consequentemente me sujando de sangue. Josh retirou o segundo, me olhando em desespero.

— Kyra, não, não vai dar tempo — Ele disse, balançando a cabeça e me mandando desistir ali mesmo, mas eu não podia.

— Segure-o — Pedi rápido, retirando a jaqueta e a prendendo ao redor do garoto que suava e gritava de dor, eu o entendia. — Aguente, Thommy, eu vou tira-lo daqui, vai ficar tudo bem, tem que ficar — Mordi o lábio, fazendo o que podia no ferimento com as mãos, e ao conseguir prender a jaqueta, olhei para Josh.

— Vamos, rápido, temos que tira-lo daqui.

— Kyra! — Josh tentou, mas não dei ouvidos, eu precisava salva-lo.

— Vamos! Agora Josh!

Continua...
Info Extra:

TEPT – Esse transtorno ocorre quando a pessoa foi exposta a um evento traumático que lhe causou uma experiência psicológica estressante ou de incapacidade. Os sintomas incluem pesadelos, sentimentos de raiva, irritabilidade, cansaço emocional, isolamento, entre outros e, geralmente ocorrem quando a pessoa revive o evento traumático. A pessoa procura evitar situações ou atividades que a faz se lembrar do que causou o trauma.

ESQUIZOFRENIA – A esquizofrenia é outro transtorno psicótico, mas neste caso, a pessoa sofre alucinações e pensamentos perturbantes que a isolam de atividades sociais. A esquizofrenia é uma doença muito grave, mas há tratamentos bastante eficazes para que esses pacientes possam desfrutar sua vida da melhor forma possível.

A nível de curiosidade
O inseto criado é o mesmo usado no filme: Pequenos espiões.
Poderes:

Nível 1
Nome do poder: Sempre na Moda
Descrição: Você tem um pequeno controle sobre a moda. Onde o lugar é frio, consegue em um estalar de dedos se vestir apropriadamente ao clima, e se for quente também. Esse efeito de roupas para uso próprio dura quanto tempo você quiser.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Isso permite que você mude de roupas sempre que desejar.

Nível 2
Nome do poder: Metamorfo I
Descrição: O filho de Afrodite/Vênus consegue modificar pequenas partes do corpo, da forma que bem entender ou se sentir mais atraído. Nesse nível, só é capaz de mudar a cor dos olhos, dos cabelos, também podendo modificar o cumprimento desses último, e das unhas.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Camaleão
Descrição: O filho de Atena sabe como procurar um esconderijo. Normalmente se camufla muito bem, conseguindo encontrar um lugar pra fugir do perigo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: A chance do semideus ser encontrado baixa em -25%
Dano: ----

Nome do poder: Conhecimento de monstros
Descrição: Duas vezes por evento o filho de Athena pode solicitar ao narrador que indique algo sobre o monstro que possa ajudar na batalha. As dicas dependem do Narrador.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Destreza
Descrição: Assim como as corujas o campista consegue se deslocar pelos lugares sem ser notado com facilidade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 60% de chance não ser notado
Dano: ----

Nível 4
Nome do poder: Inteligência
Descrição: Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano, e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscara respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de descobrir alguma coisa, ou aprender alguma coisa. (Aumenta conforme em +5% a cada 2 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Nome: Perícia em Parkour
Descrição: Parkour é a capacidade de usar movimentos naturais do corpo humano como correr, saltar e escalar combinadas com técnicas específicas que melhoram o desempenho do praticante perante obstáculos do ambiente. Com essa habilidade, o semideus potencializa sua habilidade corporal podendo realizar movimentos complicados e acrobáticos por causa do treino. Pode realizar saltos complexos, pular de um ponto a outro (dentro dos limites lógicos), escalar paredes, andar em locais inclinados, passar por obstáculos do cenário, escalar mais rápido.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% em equilíbrio, velocidade e flexibilidade.
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Passos de Cisnes
Descrição: O semideus possui uma capacidade natural de se movimentar sem fazer barulho. Seus passos são leves, graciosos e charmosos, o que permite ao semideus se mover com facilidade sem ser detectado pela audição normal (audição aguçada ainda poderá captar o semideus se ele provocar ruídos através de folhas e galhos por exemplo).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não será detectado por inimigos que não possuam audição elevada.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Estrategia.
Descrição: O campista é bom em elaborar planos e estratégias de batalha, o que torna a chance de erro para ataques diretos, ou criação de armadilhas maior, ou seja, a margem de erro será menor.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de acerto em ataques planejados previamente.
Dano: ----

Nome do poder: Realidade Artística I
Descrição: Os filhos de Athena são naturalmente talentosos quando se trata de criação, com arte não seria diferente. Seus desenhos são tão perfeitos que saem do papel e tomam vida própria. Nesse nível apenas pequenas coisas como insetos, pequenos objetos, plantas, ratos e pássaros de porte pequeno como andorinhas ou canários.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: -10 a -25 HP (varia dependendo do desenho criado, podendo ter um impacto até maior).
Extra: É necessário que o semideus tenha algo para desenhar (papel, caneta, lápis, tinta, qualquer coisa semelhante).

Nível 2
Nome do poder: Visão noturna
Descrição: Você enxergar relativamente bem no escuro, graças à ligação de Atena e as corujas, o efeito de apagar a luz, ou locais desprovidos de qualquer claridade tem menos efeito em você, significa que sua visão será remota, mas não ficara totalmente cego. (Esse aprimoramento não conta para magias, ou poderes de escuridão que exerçam de cegueira temporária).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +50 de visão ao enxergar no escuro. A visão ainda sera relativa.
Dano: ----

Nível 4
Nome do poder: Telecinese I
Descrição: Os poderes psíquicos começam a florescer. Você consegue fazer objetos flutuarem com a força da mente. Somente objetos de pequeno porte, mas que podem ser arremessados contra o inimigo.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: -5 HP
Extra:Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Charme I
Descrição: Os filhos de Afrodite/Vênus têm grande capacidade da persuasão, afinal, é impossível resistir aos pedidos de alguém tão carismático. Neste nível o poder está começando a se desenvolver, portanto só funciona com semideuses e monstros mais fracos.
Gasto de Mp: 15 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Pode usar para enganar ou persuadir alguém a fazer o que você quer, por exemplo, fazer um inimigo se voltar contra um aliado dele mesmo. Porém, só funciona com pessoas de nível inferior ao seu.
Armas:

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

*Espada Cupido-Espada de prata com a lâmina cheia de desenhos em ouro. Quando o semideus aperta em um rubi que está no cabo da espada, os desenhos brilham e emitem um perfume agradável que faz o oponente ver e ouvir as vozes das pessoas amadas sofrendo.

• Storm [Essa é uma arma que possui quatro aparências distintas. A sua primeira forma é a de dois bastões tendo, por volta, 70 cm de cumprimento. Um bastão é feito de adamantino e o outro é de ouro imperial. Em suas pontas há um sistema integrado que permite a circulação de eletricidade em cerca de quinze centímetros da ponta da arma. Para acionar o sistema de eletricidade, há um botão a ser acionado pela portadora. Quando as bases dos bastões são ligadas, eles formam um único bastão com cerca de um metro e meio, tendo assim a sua segunda aparência e forma. Sua terceira aparência é a de uma lança de lâminas duplas, cada ponta com seu respectivo material (adamantino e ouro imperial). Para ativar essa terceira forma, é necessário segurar no meio do bastão, cada mão em cada pedaço de metal diferente, e girá-los em direções contrárias. Ao fazer isso, o bastão irá desdobrar nas pontas e deixar que as lâminas se formem. Sua última forma é a mais inofensiva, mas bastante útil para o transporte. A arma pode assumir a aparência de um chaveiro com pingente de coruja. Para acionar a arma, basta a usuária segurar o pingente contra a palma e apertá-lo. O pingente irá se desfazer e formar o bastão de um metro e meio | Efeitos: Eletricidade nas pontas quando em sua forma de dois bastões ou um bastão; capacidade de se transformar em um chaveiro de coruja; mutação de forma de um bastão para uma lança de duas lâminas. | Material: Ouro Imperial, Adamantino e Cobre | Resistência: Alfa e Beta | Status: 100%, sem danos | ???? | Forjado por Leo Valdez]
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Re: CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

Mensagem por Evie Farrier em Dom Abr 23, 2017 11:32 pm




Never Gonna be Alone
Quando a morte é o caminho para a paz


Os meus passos apressados entravam em ressonância com os dos dois garotos ao meu lado. Alfonso era o filho de Febo encarregado da enfermaria, ele conseguia seguir o meu ritmo enquanto passava as informações mais importantes da situação trágica que manchava a noite.

-O espinho atingiu a coluna, foi lesionado – o tom de pesar estava presente em sua última palavra – Mas a situação é pior do que eu imaginava. Kate poderá explicar melhor sobre isso.

-E quanto a outra garota?

Tentei não vacilar em meu tom enquanto atravessava todo o acampamento, seguindo em direção a enfermaria. Meu coração martelava forte em meu peito ansioso, receoso e temeroso. A preocupação sempre crescia em meu peito quando algum romano adentrava o acampamento necessitado de cuidados urgentes. Mas, naquela noite, tudo era diferente. E eu sabia que o motivo disso era por ser ela. Lembrava que poucos dias atrás a filha de Vênus havia adentrado meu escritório pedindo permissão para sair do acampamento, ela iria realizar a primeira busca como rastreadora. Lembrava do quanto ela havia ficado surpresa ao saber que eu era a pretora do acampamento, de como se aproximou sem temer. Lembrava do seu cheiro de lavanda que, inexplicavelmente, ainda não havia esquecido.

E agora ela estava lá, na enfermaria.

-Ferreli estava machucada, alguns cortes no corpo e um dos espinhos da mantícora a atingiu de raspão, mas Felicity e Kate conseguiram lidar com o veneno rapidamente, foi superficial – Robert garantiu a minha esquerda.

Tive de lutar contra todas as expressões de alívio ao escutar o filho do Cupido. Ele, junto com Felicity, eram brilhantes nos casos emergenciais. O indicie de mortes havia diminuído gloriosamente depois que aquela equipe, liderada por Afonso, tomou o comando da enfermaria. Porém o alívio durou pouco, pois, menos de dois minutos depois, eu estava no lugar que tratava dos enfermos. Havia um Fauno que trotava de um lado para o outro, falando sem parar com Kyra. Seus olhos verdes estavam fixados no garoto que repousava em um leito. O garotinho choramingava enquanto Kate o obrigava a beber alguma poção.

-Não foi sua culpa, ele vai ficar bem Kyra, os curandeiros são incríveis e...

-AAAAAAAAAA.

O grito reverberou assustadoramente, sendo contidos pelas paredes amadeiradas do ambiente. Kyra saltou do lugar e avançou em direção ao leito, sendo contida por Felicity. Ela se debatia e tentava se aproximar da criança, seu olhar continha aquele desespero de quem queria ajudar, mas não sabia como. Respirei fundo acalmando todos os meus nervos, naquele momento eu não poderia ser a mesma Evie que ela tinha conhecido no festival. Aquele era um cenário onde a pretora romana, e apenas ela, era necessária.

-Tirem ela daqui – ordenei de maneira direta e decisiva.

-Mas... – o Fauno tentou argumentar.

-A tirem daqui – repeti a ordem fitando o garoto meio bode de maneira dura – Ficará apenas eu, Alfonso e Kate. O resto que não for necessário, saia.

Depois de um tempo na pretoria, ver romanos feridos era algo comum. Não menos doloroso ou melancólico, mas comum. Éramos guerreiros caçados, jogados em um embate entre deuses. Não eram os culpados os primeiros a caírem, mas sim os inocentes e fracos. Minhas mãos fecharam com força quando a garota passou como um raio ao meu lado, fazendo questão de bater o ombro no meu. Minha capa roxa balançou, pesando ainda mais em meus ombros. Ela provavelmente odiava a minha ordem.

Aproximei na cama com passos duros. Mas ao olhar para o garoto todo meu olhar suavizou. Retirei as luvas de minhas mãos, assim quando busquei a mão do garoto, nossas palmas se tocassem diretamente. Os olhos dele se assustaram com o toque repentino, mas eu fiz sons que transmitiam calmaria, meu tom se tornando brando e calmo.

-Eu sou Evie Farrier, pretora do Acampamento Júpiter – expliquei e sorri de leve – Traduzindo, eu quem mando nesses bonitões aqui. Eu não vou ocultar nenhuma informação de você, você é um guerreiro e será tratado como um desde o início, com todo o respeito que merece.

-F-foram monstros – ele soluçou desolado, como se implorasse para que eu acreditasse.

-Sim, eu sei – apertei ainda mais a mão dele, olhando firmemente nos olhos do pequeno – Eu acredito em você rapaz. Agora vamos ouvir o que os mais jovens doutores tem a dizer.

Ergui meu olhar para Alfonso ao mesmo tempo em que ajeitava a minha postura. Em nenhum momento havia soltado a mão do garoto. Era comum semideuses feridos, então eu já sabia os maiores temores deles. Serem abandonados em meio a dor. Serem enganados para suavizar o que realmente estava acontecendo.

-A medula foi atingida...
– Alfonso começou hesitante, olhando de mim para o garoto, mas meu olhar era firme, como se ordenasse que ele continuasse com sinceridade – Sinto muito, mas você não conseguirá andar por um tempo. Certamente conseguiremos um tratamento a longo prazo...

-Mas somente depois que o veneno for totalmente retirado – Kate o interrompeu, ela era mais direta e neutra, apesar de seus olhos estarem sombrios – O espinho atingiu a coluna, o veneno também. Será um tratamento longo e doloroso, pois não podemos retirá-lo todo de uma vez ou poderá lesionar ainda mais.

-Quanto... tempo? – o garoto perguntou.

-Anos – Kate respondeu – Ao todo levará anos. Mesmo com tratamento com ambrósia e néctar, não podemos exagerar nas dosagens sem saber nada do seu metabolismo. Assim como não podemos parar o tratamento ou você morrerá. Você tem chances de sobreviver ao tratamento, assim como tem chances de não aguentar. Não é um veneno qualquer, é veneno de mantícora que adentrou o sistema nervoso... Não sabemos as sequelas, a paralisia nas pernas pode não ser a única.

-Eu vou... ficar louco? Depois de... de descobrir que eu sou são? – ele riu de maneira amargurada, as lágrimas caindo pela lateral do rosto – Eu não quero mais... eu não quero mais sofrer, por favor... por favor.

-Diga Thomy – falei voltando a fita-lo.

-Por favor, acabe com isso.

Foram segundos de silêncio sepulcral, tudo o que se ouvia era nossas respirações pesadas e o choro mal contido da criança. Todos nós havíamos entendido o pedido, todos nós sabíamos o que ele queria. Um pedido de misericórdia para a sua dor.

-Você tem chances de sobreviver! – Kate exclamou fervorosamente – Você pode lutar contra isso!

-Eu vou sofrer por anos! – ele gritou com a garota, o rosto tornando-se vermelho enquanto soluçava – Eu já estou sofrendo desde sempre, eu não quero mais sofrer!

-Suas chances não são altas, mas... – falei para o pequeno, apertando ainda mais a mão dele – Lute e você conseguirá, eu sei que se tornará um ótimo legionário, eu nunca o deixaria de lado e...

-Eu só quero paz – ele resfolegou, o olhar perdido e molhado – Eu quero paz, senhora. Não consegue conceder meu único pedido?

Havia algo profundo no olhar dele. Algo que denunciava uma dor de anos, uma dor que não era física. Kate abriu a boca para argumentar e provavelmente gritar com Thomy, mas Alfonso a segurou e apontou a cabeça para a saída, uma ordem muda para que ela se retirasse.

-Você vai mesmo fazer isso? – a filha de Prosepina exclamou me fitando.

-Se você tivesse uma escolha e ela lhe fosse negada, o que você faria? – Alfonso argumentou por mim – Sabemos que o tratamento pode enlouquece-lo pela dor, Kate... Ele está escolhendo a forma como quer morrer. As chances não são verdadeiramente altas...

Kate resfolegou, encarou o garoto e saiu correndo da enfermaria. Soltei um suspiro, trocando um olhar pesado com Alfonso. O filho de Febo parecia sentir o peso tão palpável nos ombros, que eles estavam caídos e tensos.

-– ordenei passando a língua por entre os lábios – Você não precisa ver isso, Alfo...

-Eu não... eu posso...

-Mas não precisa, apenas vá – repeti mais uma vez – Apenas me dê algo indolor.

Alfonso engoliu em seco, os olhos brilhando por conta das lágrimas acumuladas. Ele respirou fundo e aproximou entregando uma seringa com agulha. O líquido dentro era incolor, mas tinha quase por todo o tubo.

-Fará com que ele vá perdendo a consciência aos poucos, diminuirá a dor. Terá por volta de cinco minutos antes de... de acontecer. Eu vou esperar na porta.

Peguei a seringa e olhei para Thomy. Ele era tão pequeno! O veneno fazia com que ele perdesse toda a cor de seu corpo, os ossos tremiam fazendo com que as mãos nunca ficassem realmente paradas. Ergui o meu corpo, retirando o meu manto roxo e o cobrindo.

-Pretores são reconhecidos por suas roupas roxas, principalmente pelo manto. Se houver alguma maneira de ajudar... Quero que se sinta protegido nesses últimos minutos Thomy – puxei uma cadeira e sentei ao lado dele, havia certa calma em cada movimento meu, mesmo que uma tempestade furiosa estivesse acontecendo dentro de mim – Você ainda tem uma chance de mudar de ideia...

-Depois de ir há t-tantos médicos sempre aprendemos uma coisa o-ou outra – ele disse com certa dificuldade, com um sorriso cansado – E-eu iria morrer em agonia, e-esquecendo quem eu sou no meio de caminho, não é?

-Talvez – respondi na maneira mais sincera.

-Faça.

A convicção no pedido não me deixou questioná-lo mais uma vez. Ao segurar a seringa, minhas mãos tremiam. Ele era apenas uma criança! O que diabos eu estava fazendo? Por que tinha de ser eu?!

Porque você é a pretora, a líder e tem de fazer o melhor pelos seus legionários. As respostas vinham em meu subconsciente, mas foi o gemido de dor dele que me despertou. Thomy, por mais jovem que fosse, estava pedindo para morrer com o resto de dignidade que tinha. Quem era eu para negá-lo isso? Firmei mais a mão, peguei o braço fino e penetrei a agulha na veia tão visível no antebraço. Eu sentia meu coração se partindo a cada centímetro que eu apertava a seringa, fazendo com que a solução líquida adentrasse no garoto. Não demorou dez segundos para que ele suspirasse de alívio.

-Obrigada – ele disse sem erros, porém já com certa sonolência – Eu posso... posso dizer uma coisa?

-Claro que sim.

-Eu pelo menos... Pelo menos não vou morrer sozinho. Eu tenho alguém que... que acredita em mim no meu lado.

Uma espada envenenada em meu peito não teria doído tanto quanto aquela frase. Em minha mente todos os cenários de abandono e descrença se formavam. Uma parte de mim projetava o futuro que aquela criança poderia ter tido ali, no acampamento, crescendo junto com todos os outros e se tornando um grande homem.

-Você poderia cantar? – ele pediu com um pequeno sorriso – Quando pequeno, antes de... de tudo... minha mãe cantava para mim, para dormir e eu estou com... com tanto sono!

Engoli em seco, sentindo minha garganta seca. Então os olhos deles repousaram sobre mim, cheios de expectativas. Um encontro entre os azuis aconteceram, os meus olhos sobre os dele em um momento tão intenso quanto sereno. Ele estava contente com a morte, ele a estava aceitando. Minha mão buscou a dele, meu corpo inclinando para ficar mais próximo quando apenas uma música ressoava em minha mente, sendo expulsa de meus lábios com um tom embargado desde o princípio.

“You’re never gonna be alone, from this moment on.
If you ever feel like letting go, I won’t let you fall”

Os olhos iam piscando mais lentamente, até começarem a demorar de abrirem novamente. Eu sentia as forças dele caindo, o aperto frio em minha mão acabando lentamente. As lágrimas escorriam por minhas bochechas livremente, sem vergonha, enquanto o tom de minha garganta se tornava ainda mais arranhado.

“You’re never gonna be alone...
I’ll hold you ‘til the hurt... the hurt is gone!”

O garoto já não respirava quando a música havia acabado. Os azuis haviam sido cobertos pelas pálpebras segundos antes, dessa vez para sempre. Ele não havia morrido sozinho e nunca mais estaria, a verdade tinha sido contida e cantada naquele único verso. Contive o choro, mesmo que meu coração sangrasse cada vez mais a cada batida. A noite ainda não havia terminado. Levantei e ajeitei o meu manto de pretora sobre o corpo franzino e pálido, olhando uma última vez para Thomy. Aproximei da porta observando Alfonso de braços cruzados, sua postura inabalada mesmo que seus olhos estivessem vermelhos. Sempre era um golpe forte e impiedoso ver uma criança escolher a morte do que crescer.

-Providenciaremos um funeral digno para ele – prometi em um tom baixo, pois eu simplesmente não conseguia pronunciar uma nota mais alta do que aquela – Ele morreu em paz, Alfo...

Alfonso tocou meu ombro em solidariedade e me acompanhou até a saída. Kyra ainda estava lá, impaciente e parecendo que gritaria a qualquer momento. Porém, quando seus olhos verdes repousaram nos meus, uma comunicação muda aconteceu. Ela me questionava em expectativa, ansiando pelas melhores notícias. Meus olhos, porém, davam outros sinais. Tudo estava pesado, tudo estava triste demais. Ele havia morrido e isso estava estampado em meu olhar.

Eu não era permitida a mostrar fraqueza agora. Eu não poderia cair e chorar naquele momento, não quando todos estavam com os olhos repousados em nós duas. Então minha expressão estava indecifrável, meus ombros tensos e o queixo erguido. Uma máquina teria uma mesma postura que a minha. Mesmo que por dentro eu sangrasse. Mesmo que meu silêncio fosse um grito de raiva por tudo o que estava acontecendo. Mesmo que eu quisesse chorar por toda aquela crueldade, por uma vida roubada de um simples garotinho. Eu não poderia exibir nada naquele momento.

-Vocês devem se recolher, o funeral será logo ao amanhecer – disse tanto para os curandeiros quanto para a garota e o fauno.

Um último olhar para a filha de Vênus e eu soube. Eu senti em cada fibra de meu ser todo o grito de ódio através do olhar esverdeado dela. Ela havia quebrado tanto quanto eu me sentia fragmentada. Contive a vontade de me aproximar, de ampará-la. Pois tudo o que me era permitido no momento era apenas dar as costas e marchar para longe.

Teria de acordar Becka, tínhamos um funeral de honra para fazer.


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Re: CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Ter Abr 25, 2017 9:39 am




THE END
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

Eu não conseguia desviar o olhar enquanto eles trabalhavam, não sentia a enfermeira tocando as feridas do meu corpo ou colocando ataduras em meu quadril enquanto segurava a camisa, eu só conseguia olhar para ele. A criança estava deitada de barriga para baixo na maca, sua ferida era funda e o sangue escorria, manchando o lençol. Thommy suava e tremia, mordia partes do travesseiro para não gritar cada vez que voltavam a mexer em seu machucado, mas estava resistindo bem, e devia estar a salvo.

— Prontinho, querida — A enfermeira informou, me fazendo saltar da cama e me posicionar ao lado de Josh, sem nunca desviar o olhar do menino que salvara.

— Ele ficara bem — Josh tentou me tranquilizar, mas suas palavras não me pareciam verdadeiras, estavam mais para um sonho distante, e foi justamente por isso que me limitei a assentir.

— Ele não devia estar assim, eu podia ter sido mais atenta — Suspirei baixinho, mordendo o lábio e sentindo meu coração palpitar. Eu estava fria, fria de medo enquanto relembrava tudo que acontecera. Fora tão rápido, tão assustador, e quando dei por mim já corria com o garoto de volta para o acampamento em uma viagem que para mim, durou tempo demais.

— Não foi culpa sua, ele ficara bem logo, temos os melhores curandeiros e... — Josh foi interrompido pela súbita entrada da morena, me fazendo erguer o olhar.

O clima dentro da enfermaria ficou estranhamente tenso, nossos olhos se encontraram por apenas um momento, mas o suficiente para que meu coração pulasse ainda mais forte do peito. Da última vez que a vira o clima tinha ficado bastante estranho entre nós, fazendo a imagem daquele dia quase congelar em minha mente durante dias. Se eu não tivesse algo para me distrair, certamente teria enlouquecido com meus pensamentos e medos sobre ela, medos esses que só se confirmaram. O covil tinha sido uma armadilha, e apesar de ter descoberto a tempo do que se tratava, algo ainda permanecia faltando, como uma peça de um quebra cabeça incompleto do qual não conseguia encontrar.

Suspirei baixinho, pensando, quebrando a cabeça por alguns minutos enquanto relembrava os acontecimentos da última noite, e de súbito foi que lembrei do nome da mãe da garota, dos sacrifícios, e de algo mais. Evie fora a única a ter acesso aos meus documentos e informações sobre Thommy, e de alguma maneira, desde o momento que o encontrara tudo deu errado, mas só piorou quando deixei o hotel. Meus olhos pararam sobre o garoto, e foi aí que me ocorreu que a verdadeira culpada por seu estado estava bem ali, naquela sala. Podia não fazer tanto sentido, eu estava alterada e a mãe da garota fora justamente a causadora de minha atual situação, como não culpa-la por isso? Estava difícil não fazê-lo. Trinquei os dentes a vendo se aproximar do menino que eu salvara, ao mesmo tempo que o grito do garoto ecoou por todas as paredes, me fazendo pular do lugar e avançar junto a ela.

Eu não podia deixar que a jovem o machucasse ainda mais, era meu dever, minha obrigação resgata-lo e mantê-lo em segurança, e eu faria o que fosse preciso dali para frente, mesmo... que não soubesse como. A enfermeira me pegou pela cintura antes que eu tivesse chance de me aproximar mais do garoto, pedindo com o olhar que eu parasse. Assenti mesmo contraída enquanto a encarava da mesma maneira, voltando a vasculhar as atitudes de Evie Farrier, a pretora do acampamento e minha inimiga do momento.

— Não deixe que ela o machuque — Implorei baixinho para a jovem de branco, sussurrando para que apenas ela me ouvisse. Era o apelo de alguém que já tinha passado por coisas demais, e sentia como se o mundo estivesse lhe esmagando as costas. Eu ouvi a ordem é claro, mas me recusei a mexer os pés.

— Vamos, Kyra — Josh murmurou em meu ouvido, me fazendo rosnar baixinho e segui-lo para fora, esbarrando propositalmente nos ombros da pretora, eu a respeitava, mas não a temia. No momento para mim a jovem não passava de uma traidora.

— Se algo acontecer a ele, eu... eu vou mata-la — Sussurrei para o Fauno, levando as mãos aos fios ruivos e bagunçando tudo. Eu estava tão cansada.... tão cansada de tudo.

— Não vai, confie — Ele pediu, me fazendo assentir mesmo sabendo que seria difícil confiar.

Os minutos seguintes pareceram uma eternidade, tentei voltar para dentro, mas fui impedida mais de uma vez, até que desisti de lutar contra os dois doutores que trancavam a porta. Ambos me olhavam com pena, mas eu simplesmente os ignorava enquanto permanecia a andar em círculos. Castigava meus lábios, passava as unhas pela nuca e tentava acalmar o tremor nas mãos, nada funcionava. Meu coração estava inquieto e estranho e minha mente viajava longe, vasculhava, procurava por saídas e alternativas em meio ao desespero, mas nada me ocorreu.

— Kyra, você vai me deixar louco se continuar assim! — Josh me parou, pousando uma mão em meu ombro e a apertando de maneira firma. Parei instantaneamente de me mexer, e estava pronta para lhe dar uma resposta atravessada quando ela surgiu.

Meus olhos se ergueram de encontro aos dela, denunciando meu desespero e minha esperança, mas o que vi ali fez minhas pernas tremerem, cedendo.
— Não... — Me vi dizendo, a voz saindo baixa e falha, enquanto as lagrimas se acumulavam em meus olhos.

Ela confirmou tudo que eu suspeitava com apenas uma frase, e se retirou no mesmo momento em que os primeiros raios solares invadiram a campina. Ergui o olhar encarando as montanhas e descia, deixando meu olhar vagar pelas águas límpidas abaixo, na floresta. De alguma maneira eu soube....

— Quando o rio leste o sol da montanha tocar — Suspirei baixinho. — Seus pesadelos vão começar.

E eles tinham apenas começado.
Kyra


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Re: CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

Mensagem por Hades em Qua Abr 26, 2017 3:51 pm

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Re: CCFY {Kyra} - Os mistérios de Thomy Wane

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