The Blood of Olympus
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Little pieces of him.

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Little pieces of him.

Mensagem por Mikhail Y. Nikiforov em Dom Abr 02, 2017 11:50 pm


Feels like home.
her smell, her hair, her voice, her eyes, just all about her.
O
loiro ouviu a doce voz de Yakov chamá-lo inocentemente do jeito que sempre fazia quando passavam a noite juntos numa “festinha do pijama” na casa do Nikiforov. Que estranho... Mikhail já não estava mais em Moscou. Por que estava ouvindo Yakov lhe chamando? Só podia ser um sonho, mas... O pequeno se sentia tão acordado quanto esteve pela manhã, e confirmou aquilo quando se sentou na cama. Não, não era um sonho.


Mikhail... Sou eu.


Yakov realmente estava ali. Ele chamava pelo seu amigo de infância com uma ternura que Mikhail reconhecia que não existia em nenhum outro lugar do mundo.  A janela do quarto estava aberta, o que explicava o frio absurdo que o garoto sentia. A noite parecia estar muito agradável; o céu estrelado contrastava com a lua cheia, dando ao ambiente um ar familiar ao russo. Era como se estivesse numa noite de inverno no telhado da casa do Yakov, apenas observando a lua enquanto apreciava os dedos do garoto entrelaçados nos seus fios longos num delicioso carinho que somente ele conseguia fazer. Sentia paz, sentia amor, sentia tudo de bom que Yakov tinha para proporcionar a outra pessoa em uma questão de segundos.


Yakov? O que está fazendo aqui? – Perguntou enquanto se levantava da cama, não pensando duas vezes antes de pular pela janela. Tinha pavor de andar descalço por quer que fosse, então foi rápido para calçar os tênis de qualquer jeito.


Eu senti sua falta, Mikki... – A voz dele continuava a mesma. Era extremamente calma, mas passava um sentimento de segurança ao mesmo tempo.


Mikhail podia ver nitidamente o rapaz de cabelos castanhos sorrindo bem a sua frente, não hesitando por mais um segundo para poder avançar de vez para, enfim, se jogar nos braços daquele que ocupava sua mente vinte e quatro horas por dia.


Eu também senti a sua... Como me encontrou?


Sem respostas.


O menor não se importava com o silêncio do outro desde que pudesse sentir seu carinho por mais uma noite. Seu cheiro, sua pele quase febril, seus lábios contra o topo da cabeleira loira... Não, ele não precisava de palavras. Podia ouvir seu doce canto ao mesmo tempo em que era balançado de um lado para o outro por Yakov. O moreno sempre fazia aquilo quando Mikhail se sentia inseguro, ele dizia que sua mãe o ensinara aquela música justamente para que pudesse acalmar corações inquietos como o do herdeiro loiro – que não deixava de sorrir por nada. Porém, algo não lhe parecia certo. Não era o momento, não era a noite, não era o local. Era Yakov. A sensação de “lar, doce lar” não estava ali. Aquele vazio que passou a sentir todos os dias depois de sua partida ainda estava ali, mas por quê? Era seu Yakov lhe abraçando ali, era o seu moreno, era o seu primeiro amor. Por que se sentia tão vazio?


Yakov... – Chamou, sem ter a coragem de abrir os olhos. Sabia que se arrependeria se o fizesse. – Yakov, me responde... Você não está aqui, não é? Não é você... Meu peito ainda está vazio. Se fosse realmente você, eu não sentiria isso agora.


Novamente, sem respostas.


Mikhail?


Era uma voz feminina.


Mikhail Nikiforov, não? A Hela “eonni” já me falou de você... É filho de Afrodite, certo? Eu não sei o que aconteceu, mas se você...


Sequer deu tempo para que a garota terminasse de falar. Mikhail correu dos seus braços para o mais longe que pôde, correria até que suas pernas estivessem queimando (o que não demoraria muito para acontecer, visto que sua resistência física era quase nula), não importava a distância. Só queria sair dali. Queria voltar para a Rússia, voltar para seu pai, para o seu lar. As lágrimas caíam livremente pelo rosto delicado, não tardando para sentir a falta de ar lhe bater, forçando-o a parar às raízes de uma árvore imensa. Não tinha forças para se manter em pé, acabou deslizando pelo tronco da planta até que estivesse sentado no chão abraçado às próprias pernas. Chorou como há muito não chorava, mas nem sabia pelo o quê estava chorando. Se era por se achar louco por estar tendo alucinações com o moreninho, se era porque sentia saudades de casa, se era de frustração por não estar se adaptando ao meio onde vivia... Só sabia que não tinha como segurar aquelas lágrimas.


Quando finalmente se acalmou, o Yerik parou para olhar o local onde estava. Quase não enxergava, a luz da lua cheia com a companhia das estrelas não penetravam aquela área completamente rodeada de árvores. O breu era inevitável. Não tinha para onde fugir, onde se esconder. Seu choro agora era abafado, ou pelo menos era o que achava. Mikhail gritava estando imerso em tamanho desespero, chegando a puxar os próprios fios loiros como se aquela dor física fosse fazer a dor emocional passar. Como se aquilo fosse fazer qualquer coisa ruim que se passava pela sua cabeça parar. Já não sabia mais distinguir a escotofobia do desespero que sentiu quando percebeu que não era a Yakov que estava abraçado.


De repente o Nikiforov avistou uma luz se aproximando. Por um momento pensou que iria morrer ali, mas esse pensamento passou assim que notou uma silhueta esguia tomando proximidade junto a algum bicho de porte médio. Não, não iria morrer. A dona da silhueta era a mesma garota de alguns minutos antes, a quem o garoto estava agarrado, e o animal era sua mascote, Irina. Em sua cabeça, tinha outra pessoa gritando num local muito mais longe dali, porém notou que estava enganado. Era ele mesmo quem gritava implorando por socorro em palavras completamente desconexas, e fora isso que ajudou a misteriosa garota e a mascote a encontrá-lo. Mikhail não contou horas, apenas correu na direção da fraca luz que conseguia enxergar. Novamente fora acolhido pelos braços da estranha, sentindo-se tão patético quanto se sentira alguns anos antes ao ouvir uma briga de seus pais. Ouvia, além de seus próprios soluços, a voz calma lhe sussurrando alguns “shhh, está tudo bem” e “eu tô aqui, pequeno” enquanto recebia o mesmo carinho que recebera anteriormente.


O tempo não parou, ao contrário do que Mikki pensou, e eles ficaram uns bons minutos ali, no meio do escuro, apenas trocando o calor e uma ótima sensação de segurança. Não sabia quem era aquela garota nem de onde ela tinha surgido, só sentia-se grato a ela. Irina se esfregava como um gato nas pernas de seu dono, mostrando alívio por tê-lo novamente consigo.


(...)


O cheiro... Era um cheiro familiar.


O que é isso... – Ele se perguntava ao pegar alguns fios negros entre os dedos.


Ah, você acordou. – A garota disse enquanto o ajeitava em seu colo. – Pelo menos agora eu sei que não vou precisar te levar até a enfermaria. – Ela riu.


Essa voz...” – Pensou com seus botões antes de se tocar de que estava sendo carregado por uma garota que parecia ser um pouco mais velha que si. – Quem é você?! Me solta! – Falava em tom autoritário ao mesmo tempo em que se debatia nos braços firmes dela.




Fica quietinho aí, só vou te soltar quando chegarmos ao seu chalé. – Ela retrucou, o apertando mais contra seu corpo magro. – Você é tão leve, será que você come direito? Acho que não... E tem um cabelo muito longo também, não acha que deveria cortá-lo? Vão achar que você é uma garota, apesar de ter um nome forte. Mikhail... É um nome muito bonito, você sabia? Gosto de nomes assim. Você é russo, certo? A Rússia é um país com uma história louca, meu padrasto costumava me ensinar muitas coisas. E minha mãe também. Eles são semideuses assim como eu, isso não é incrível? Bom, eu acho bem legal. E também acho legal que...


Ela falava como se não houvesse amanhã, e nada que saía pelos lábios carnudos lhe era produtivo de fato. A última coisa que precisava naquele momento era de uma semideusa estranha, grudenta e tagarela, mas acabou sendo vencido pelo cansaço. Já havia parado de se debater quando ela chegou à metade de seu discurso, falando sobre como Irina era uma boa mascote, falando de sua crina rosa como se fosse um grande pedaço de algodão doce, e nada do seu nome. Mikhail estava com a cabeça deitada no ombro da garota, fitando a filhote de pégaso fixamente, algumas vezes tentando alcançá-la com as mãos para que pudesse fugir dos braços da morena. Irina, por outro lado, não se mostrava interessada em “salvá-lo”. Ela galopava tranquilamente e sequer olhava para Mikhail, fazendo o garoto acreditar que ela estava fazendo aquilo de propósito. “Você é uma traíra”, pensou ao fazer careta para a mascote e ser ignorado pela mesma.


- A propósito, me chamo Alexis. Alexis Carter Chwe. Sou filha de Apolo.


Finalmente você disse algo que eu tinha perguntado de fato... – Comentou baixinho, revirando os olhos ao ouvi-la gargalhar. Mikhail suspirou, levando a canhota até o ombro da garota para poder apoiar sua bochecha ali. – O que está fazendo aqui, Alexis Carter Chwe?


Cuidando de você, não é óbvio?


Mas por quê? Sequer te conheço. E a Hela noona não deve ter falado de mim para você, no máximo ela teria citado meu nome. O que te fez vir aqui?


Você é curioso demais, Mikhail. Mas não que isso seja um problema, posso falar sobre mim. Então, eu nasci...


Não, pelo amor de Deus, já chega! – Pediu, voltando a se debater nos braços dela. – Já sei o suficiente sobre você.


Que bom, porque chegamos. – Ela respondeu com o mesmo tom divertido enquanto soltava o loirinho com cuidado. – Ainda vai custar para amanhecer, então sugiro que tome um banho e vá descansar.


Alexis já estava prestes a dar as costas quando Mikhail a segurou pelo pulso, não com a intenção de fazê-la ficar, mas sim de chamar sua atenção somente. – Você não pode... Ficar? – Perguntou num tom bem mais baixo do que o normal, sentindo as bochechas ficarem rubras. Oras, por que diabos estava corando?


Não acho que você vai apreciar minha companhia, Mikhail. – Ela respondeu, arrancando um olhar curioso do garoto. – Meu objetivo era só te deixar no seu ninho novamente. Se a Hela soubesse que você estava perdido por aí comigo estando por perto, ela com certeza me mataria.


Por favor. – O mais novo apertou, ainda sem força, o pulso da garota, implorando com muito mais do que palavras. – Eu não quero ficar sozinho...


A semideusa suspirou. Ele parecia acabado: suas roupas estavam sujas, seu cabelo estava desgrenhado, seu rosto estava inchado, seus olhos estavam vermelhos... Não podia ficar ali, mas também não podia simplesmente ir embora e deixá-lo daquele jeito. Alexis assentiu, já empurrando o menino de volta para dentro do chalé pela mesma janela de onde ele havia saído mais cedo.


Tome um banho e troque de roupa. Não vou sair daqui, prometo.


(...)


Eles conversavam tranquilamente no chão do quarto, Alexis estava com as costas apoiadas na parede, Mikhail estava sentado logo à sua frente e entre suas pernas estava Irina. A Carter penteava e trançava os fios longos do garoto com cuidado, sabendo que, se fizesse direitinho, ele acabaria se cansando de verdade e iria dormir. Mikki, por sua vez, trançava a longa crina rosa de sua mascote, deixando-a feliz pelo carinho que já era acostumada a receber. Os assuntos variavam muito entre o acampamento, suas vidas antes do acampamento, o que gostavam de fazer, quais comidas gostavam de comer... Era como se fossem amigos há anos. Aquele vazio que o russo sentiu no começo da noite começou a sumir, dissipando-se como a névoa, e foi aí que percebeu: a sensação que tinha quando estava com Alexis era a mesma que tinha quando estava com seu pai e com Yakov.


Tinha paz, tinha alegria, tinha felicidade. Tinha um lar.


Os braços acolhedores, o cafuné feito com ternura, a trança muito bem arrumada, até o beijo de boa noite que o loiro recebeu da moça ao se aconchegar em sua cama quentinha... Todas aquelas sensações podiam ser resumidas numa mistura de puro alívio com tranquilidade. A única coisa que poderia atrapalhar aquilo foi a hora de Alexis ir embora.


Eu venho aqui para ver como você está mais tarde, tá bom? – Ela dizia calmamente, arrumando o lençol sobre o corpo pequeno do garoto, sorrindo do jeito que havia dito que sua mãe fazia todas as noites para si depois de afirmar que não tinha um mostro horrendo escondido em seu armário. – Irina, você vai cuidar dele até eu voltar, viu? – Sussurrou para a mascote antes de dar um beijo rápido em sua testa.


Lexi. – Chamou-a no tom calmo antes que ela levantasse e fosse embora.


- Sim?


Você sabe... Obrigado.


Não há de quê. – Ela sorriu. Aquele sorriso podia salvar vidas, disso Mikhail teve certeza naquele mesmo instante. – E também, Mikki... Não precisa ter medo do escuro enquanto eu estiver do seu lado. Vai ficar tudo bem desde que estejamos juntos, certo?


O garoto apenas sorriu e assentiu, observando-a pular pela janela escancarada antes de se virar e fechar os olhos.







_ Mikki. _
Don't say goodbye.

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Mikhail Y. Nikiforov
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