The Blood of Olympus
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Refeitório

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Mensagem por Lois Belserion em Sex Jul 12, 2019 12:38 pm

Mother earth is by my side
Bell havia chegado a pouco tempo no acampamento Júpiter, maus bocados sa passaram e ele sequer pretendia querer reviver aqueles momentos. O garoto dormiu na terceira coorte mesmo sem saber quem era seu pai divino, uma sensação de distanciamento entre os próprios integrantes. Ao sair do seu quarto ele via que seu corpo pedia desesperadamente por comida, ”a fome é o melhor tempero, tenho certeza que comerei até explodir”.

Caminhava para fora de sua coorte vendo toda aquela correria de aglomerados e aglomerados de pessoas de um lado para o outro:

— Que eu não tenha que ser uma dessas pessoas.

Comentava discretamente para si, um colega que havia ajudado Lois a se instalar na coorte 3 surgia atrás dele o puxando pelo braço e dizendo enquanto Bell tentava lidar com o susto:

— Venha logo Lois, temos que comer, pois os dias por aqui no acampamento Júpiter são sempre cheio de afazeres.

O semideus ainda com uma de suas mãos em sua barriga e a outra sendo puxada pelo seu colega seguiam para o refeitório. Um certo nervosismo pairava a mente do garoto, ”esse momento é sempre o pior, um monte de gente que não conheço”. Olhando para o céu limpo ele respirava profundamente tentando lidar com isso da melhor maneira possível, o tumulto e gritos se originaram do refeitório, com a companhia de seu colega de coorte e sua grande fome ele se via obrigado a ir em tal lugar.

Um monte de mesas espalhadas junto de cadeiras e diversas pessoas que riam e gritavam, elas pareciam estar tendo um bom momento. O frio na barriga lhe dava calafrios, pois se juntava a fome que sentia deixando seu corpo fraco e pulsante. O olhar de Bell ficava vazio por alguns momento, um enjoo forte passava pelo seu corpo, era como se algo estivesse para ser expurgado, ele caia se sentando no chão suando frio e focado em sua respiração. Alguns olhos se voltavam para o menino que logo soltava algo que nunca soltou, uma luz verde acima de sua cabeça surgia com a forma de duas tochas cruzadas e um ramo de trigo. A sensação estranha desaparecia, seu colega o ajudava a se levantar dizendo:

— Parabens, filho de Ceres, vamos comer logo que após isso você irá fazer sua tatuagem.

— Fazer o que?

Respondia em tom de surpresa seguindo seu colega.
.
Lois Belserion
Lois Belserion
III Coorte
III Coorte


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Mensagem por Nari No-eul em Sex Jul 12, 2019 1:46 pm

superhuman

stronger than a rhino

N
ari havia chego a poucos dias no acampamento romano, seus traços orientais eram comuns dentre tantos outros que haviam naquele lugar, mas ainda sim eram exoticos de certa forma. Seu corpo pequeno a fazia se esconder em meio aos muitos. A coreana estava naquele momento sentada no refeitório aproveitando seu almoço, sua mente estava tão longe naquele momento que por pouco não havia percebido que uma garouta havia tropeçando a seu lado e se machucado. O grito da filha de arcus acabou tirando Nori de seus pensamentos e a garota logo foi ajudar a acidentada

—Céus... Esta tudo bem? Venha... Vou te ajudar— Ela estendeu a mão para a garota e logo se voltou para a arma que estava no chão. Uma especie de faca pequena muito afiada e com o cabo bem trabalhado, Nori se encantou com a arma pegando a mesma e colocando sobre a mesa

—Devia tomar mais cuidado... essa arma pode acabar matando você. Esta bem afiada pelo jeito—

A filha de Arcus assentiu enquanto Nori a ajudava a limpar o machucado e o pequeno corte em sua mão, mas antes que pudesse perceber, um estranho impulso a preencheu e a garota usou com maestria a arma que estava acima da mesa que havia sido recem forjada. —Você e boa com isso... — a garota exclamou e Nori acabou rindo baixo após cortar pequenos pedaços de sua camisa para lhe ajudar. Nori começou a sentir um estranho enjoo e algo esquentando em seu corpo; a filha de Arcus ficou com pena de Nori mas achou estranho a elevação de temperatura a deixando quieta, Nori sentiu os olhos arderem e as mãos aos poucos esquentarem mais e mais, o simbolo de um martelo e uma bigorna acabaram aparecendo em sua mão e a filha de Arcus correu para chamar um Centurião de sua coorte para ajudar a outrora indefinida.
Minutos mais tarde, Nori estava deitada em uma das camas da Coorte II esperando por alguma resposta e um garoto moreno acabou entrando.—Essas marcas... Vamos fazer sua Tatuagem. Bem vinda Nori, filha de Vulcano.




No-eul Nari

Filha de Vulcano
❄️
Nari No-eul
Nari No-eul
II Coorte
II Coorte


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Mensagem por Soleil Bohren Zwahlen em Ter Jul 23, 2019 11:25 am

❖ Bem-vinda(s)! ❖


Após deixar a minha mãe em um ataque rebelde meu e de minha irmã, estávamos sem rumo e despreparadas para a vida que viria. Por mais que tivéssemos ciência disso, partimos. Nossa maior força seria nosso amor uma pela outra, o que foi, por ironia, destruído quando uma criatura a separou de mim no percorrer de nossa jornada. Algo que destruíra não só o nosso sentimento como também meus melhores neurônios.

— Esteja bem, irmã. — Eu já estava em segurança no acampamento Júpiter, nada que me proibiu continuar-me insegura por estar rodeada de uma cultura que antes eu achava que era um mito arcaico para crianças.

Estava reclusa, farta, sozinha e cansada. Flores e sementes de angústia brevemente se plantavam em meu interior, que não iria nem processar os movimentos de alegria dos partidários irmãos legionários. E isso foi confirmado, com o meu bufar de insaciedade pelo tédio aparente.

— Hmpf. — Amargurei-me, recuando meus passos e fechando-me apenas para mim mesma.

Aquele seria um local de comida, notável refeitório. Os semideuses e as coortes renomadas que eu havia acabado de conhecer planejavam festejar abundantemente um fato que eu não sabia o que seria. Somente o que me fluía era o desejo por estar perto de minha gêmula, o que não aconteceria tão brevemente como eu acreditava.

— Ei, venha festejar com a gente! — Uma prole de Júpiter procurou puxar minha mão direita, no intuito de convocar-me a participar da festa.

— Eu não vou! Vai para lá e me deixa no meu canto! Aliás, seu cachecol está ridículo. — Da mesma forma que eu era astuta e corajosa, podia ser inteiramente irritante e insensível. Minha sinceridade era um veneno para mim e a todos ao meu redor por isso tentava sempre que podia controlar minha língua.

Tal ato, magoando a outra, a fez movimentar-se para o outro lado da festividade, me deixando novamente a sós com o destino.

Essa vulgaridade, no entanto, deu a crer que eu era nojenta. E realmente eu era. Os outros convidados, aflitos pela minha presença, não pensavam na possibilidade de se aproximar de mim novamente.

— " Não se aproximem daquela ruiva ali, ela é grossa e totalmente chata, não vale a pena! " — Os cochichos provindos de lados obscuros da comemoração não me atingiam, pelo contrário, me tornariam uma pessoa ainda mais feliz por não estar junto a eles.

— Se minha irmã estivesse aqui ela me aconselharia a dançar e pedir desculpas. Mas eu não vou! — Sentir saudades da personalidade da mais velha já estava se tornando um hábito, até que enxerguei alguém que conhecia.

— ARIELLL! — Era difícil conter minha animação após duas semanas sem ver a minha única irmã preferida e perceber que era ela — por conta da mesma ter os olhos mais claros que o meu e o cabelo um pouco arruivado também menos intenso — foi um êxtase que nunca senti antes.

Nos reunimos em um abraço que demorou alguns minutos.

— Também é tão bom te ver, maninha! — Tínhamos muitas coisas para falar e com certeza discutir sobre aquela história louca de semideusas, claro.

Antes que notássemos, um símbolo de bigorna translúcido pairou sobre nossas cabeças, chamando a atenção dos convidados da festa para nós duas, de canto.

— São duas filhas de Vulcano. — disseram.

「R」


two inseparable twins
Soleil Bohren Zwahlen
Soleil Bohren Zwahlen
I Coorte
I Coorte

Idade : 20
Localização : Acampamento Júpiter

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Mensagem por Niall Hendrickx em Qua Jul 24, 2019 2:11 pm


we've only begun
A algazarra tomava conta do refeitório, e partia dali mesmo, de onde Niall estava. A mesa constituída em sua maioria por filhos de Hermes e em seu restante por descendentes indeterminados era a atração principal da localidade. O britânico de origens holandesas ordenhava sua atenção para pontos diversos, não conseguindo organizar mentalmente as próprias ações enquanto a baderna se expandia para outras mesas. O que sabia sobre mitologia estava começando a assustá-lo de modo discreto; Em que vida imaginaria fazer parte de um mundo que em lógica racional só existia na ficção? Mal podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, e dado a incompreensão de muito o que podia vir a acontecer dali em diante, o semideus retraído mais ao canto se deixou levar pelo devaneio.

Alguns garotos e garotas encontravam-se no centro da confusão, visto que a probabilidade da cacofonia continuar parecia diminuir a cada nova pessoa que se inseria no meio de tudo. Era difícil acompanhar os acontecimentos quando parte de sua consciência se perdia entre os pensamentos de que a vida toda fora enganado pelo pai, a quem sempre lhe dissera que a mãe tinha morrido no parto por complicações de última hora. Ainda quando criança, carregava consigo a culpa de que sua mísera vida havia custado uma outra mais importante e significativa. Porém, com o desenvolvimento da mente e os estudos biológicos pertinentes a formação de um feto e todo o processo do nascimento, compreendeu que sua existência não podia fazer parte da culpa.

Um movimento de contenção pareceu desencadear uma revolução entre os baderneiros, que se viram controlados pelos jovens ao centro. Ouviu de soslaio alguém denunciar a posição deles, chamando-os por líderes de chalé e conselheiros, determinando automaticamente que eram as figuras mais próximas do que se tinha por autoridade dentro daquele cerco da loucura. Filho de um deus, pertencente ao mundo mitológico, onde monstros e perigos espreitam a vida de cada um. Heróis e vilões, guerras, vitórias e derrotas, campeões, fracassados. Sátiros, ninfas, minotauros. Muita informação acumulada.

Enquanto tudo acontecia ao redor, Niall começava a sentir o ar faltar e o peito subir e descer descompassadamente. Estava paralisado, ouvindo e vendo tudo, apesar de não conseguir controlar seus movimentos. Tentou vociferar um pedido de socorro, mas a paralisia o impedia de abrir os lábios e emitir qualquer som que não fosse apenas o chiado de sua falha respiração. Estava tendo um ataque de pânico, bem ali. Alguém próximo parecia ter notado de supetão a forma em como o Hendrickx era o único da mesa a não reagir de alguma forma, mesmo que de mal jeito.

Estava parado demais, respirando forte, suando. A voz feminina quebrou o agito da mesa, gritando para que uma ajuda fosse prestada. Em sua mente, Niall repetia “respire” como um mantra, tentando desviar de si qualquer perigo eminente que pudera ter referências a um agravo de saúde. Precisava se acalmar.

Curandeiros e filhos de Apolo disponibilizaram suas habilidades para prestar socorro ao rapaz, que fora previamente avaliado e enquanto diagnosticavam seu ataque, as autoridades locais dispersaram o burburinho, bem quando algo de incomum ocorria. Sob a cabeça de Niall, surgia uma névoa airada que causou o afastamento repentino dos que tentavam lhe ajudar. O mesmo ocorria com mais dois ou três jovens daquela mesma mesa, todos descendentes indeterminados até aquele ponto. Símbolos surgiam, deuses determinavam-os como suas proles, eis que ocorria o momento em que eram reclamados.

A atenção se dava aos reconhecimentos, e dada a dispersão da algazarra, os comandantes de cada chalé foram se dirigindo a cada novo reclamado para recebê-los como seus meio-irmãos. — Espere, Clary. Ele teve um ataque de pânico, é melhor ficar aqui por mais uns minutos até conseguir recobrar os movimentos. — Ouviu um cara dizer para a garota que se aproximou. — Ei, você consegue me ouvir, certo? Esta é Clary, sua meia-irmã e líder do chalé de Eos. Você acabou de ser reclamado. — Duas balas foram depositadas rente aos seus dedos e uma garrafa de água acompanhou os doces, enquanto ouvia instruções sobre comer apenas um deles por enquanto e bebericar um pouco da água quando conseguisse se mover outra vez.

Sua cabeça girava em torno da nova informação dada sobre ter uma meia-irmã, filha de Eos. Pelo pouco que conseguiu ministrar, descendentes reclamados deveriam se mudar para o chalé de seu respectivo progenitor para conviver entre os irmãos, obedecendo a regra do Acampamento. Ainda constatava a mentira de seu pai, irritado com tamanha falta de consideração por sua saúde mental, o que de fato não era um problema para o mais velho, afundado no vício alcoólico desde que se conhecia como gente.

Aos poucos foi retomando o controle, primeiro por um movimento involuntário do polegar da mão direita, o indicador e o médio da esquerda até estabelecer que era dono de si outra vez. Abriu a bala e a lançou na boca, como o indicado, bebendo um pouco de água em seguida. Tinha gosto de ambrosia, uma das sobremesas que se lembrava de comer no natal, quando visitava a vovó Stacie na Holanda.

— Oi? Eu me chamo Clary. Sei que parece muita coisa agora, mas você vai se acostumar. Só se lembre de respirar e se acalmar um pouco, não precisa se preocupar, ok? Como você se chama?

Conseguiu assentir.

— Niall. Niall Hendrickx.

— Certo, Niall, venha comigo. Vamos conhecer a sua nova casa.

De todos os males que podia imaginar em consequência do medo do desconhecido que era aquele lugar, Niall conseguiu destacar que aquele podia ser o recomeço. Longe de seu pai, longe dos problemas. Uma pitada de esperança coloriu sua vista naquele instante, enquanto caminhava poucos passos atrás de Clary rumo ao chalé de Eos, sua mãe.




Welcome to the wild
no heroes and villains
Niall Hendrickx
Niall Hendrickx
Filhos de Eos
Filhos de Eos


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Mensagem por Charles A. Lancastter em Ter Jul 30, 2019 10:31 pm

Homens fracos acreditam na sorte. Homens fortes acreditam em causa e efeito
Até que enfim, um dia decente desde que eu saíra da casa do meu tio. Depois de uma passada nas termas, me levaram até o refeitório, onde em alguns minutos iniciaria o almoço, mas, por ser novo, o Pretor me aguardava para que conversássemos antes de tudo. Foi algo meio rápido, pois a refeição logo se iniciaria e precisavam saber se eu teria cartas de recomendação, mas eu não sabia se tinha isso. Ele me explicou como funcionavam as coisas no acampamento, logo eu deveria ,me encontrar com o áugure, para consultar a vontade dos deuses. Pouco depois a refeição se iniciaria, fui convidado a ficar na mesa principal com os pretores.  

Refeição encerrada, ali mesmo os pretores e o áugure foram ter comigo. A pelúcia indicava um bom agouro para a minha entrada na legião, logo faltavam apenas a minha carta de recomendação ou teria de alguém me apadrinhar em alguma coorte. Quando achei que tudo estava perdido, notei um papel em minha mochila, um envelope que apenas estava escrito "de nada garoto".

Aos Pretores, ou a quem interessar possa.

Eu, Richard Lancastter, filho de Júpiter, Legionário da reserva da duodécima Legio Fulminata, apresento-vos meu sobrinho, Charles, filho de Elizabeth de Lancaster, minha meio-irmã e de Marte Ultor, patrono de Roma. Peço-vos que o aceitem, tal qual eu e outros antepassados nossos que ja integraram as fileiras da legião, que o aceitem na III Coorte, a mesma a qual pertenceu um de nossos mais famosos ancestrais, o Rei Cruzado Richard Coração de Leão, também filho do deus da guerra. Que o legado de Roma e o sangue da Dinastia de Lancastter perdurem.

Ave Roma, Senatus Populusque Romanus
Atenciosamente Richard de Lancastter, ex-Centurião, III Coorte, XII Legio


Fiquei boquiaberto com o que li, era por isso que o chato do meu tio sempre pegava no meu pé... E o pior, além de meio irmão da minha mãe, ele também era meio irmão do meu pai (oi? como assim?) pois, assim como minha mãe ele era filho da minha falecida avó Margareth, e assim como meu pai, era filho de Júpiter... Deuses, que família arranjaram para mim... Agora era rezar para Marte para eles me aceitarem em probatio, o que graças aos deuses me permitiram ficar na Legião...

- Ave Charles, filho de Marte, foras designado para a III Coorte da XII Legio, bem vindo ao acampamento, chamaremos o seu centurião para que possa te passar as recomendações e preparar-lhe para a vistoria e os jogos de guerra mais tarde. Senatus Populusque Romanus! - Obvio que eu não soube responder ao pretor além de um aceno de cabeça, sendo quase que chutado do refeitório após isso.
Charles A. Lancastter
Charles A. Lancastter
III Coorte
III Coorte


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Mensagem por Aaron Hawkins em Sex Ago 30, 2019 10:57 am

always such a bitter game
Não havia sido fácil despertar num ambiente desconhecido, com o achismo de que aquele lugar era o céu para pecadores. Inadvertido de sua vitalidade pelos primeiros minutos, tentou acompanhar minimamente o que acontecia. Algumas pessoas vestidas de branco utilizavam apetrechos que em muito lhes trazia a lembrança dos equipamentos manuseados em hospitais. Foi neste ponto que seu sistema nervoso se agitou e o trouxe para a realidade com um choque maior do que se esperava. Estava vivo?

— Ei, calma aí. — Uma garota de feições familiares entrou em seu foco de visão, ainda turvo e moderado, com pontos pretos brilhantes em todos os lugares.

— Onde é que eu tô? Cadê a Kelly? Os lobos, el…. — Interrompido com a ponta do dedo rente aos seus lábios, teve o rosto erguido para fitar com veemência a figura poucos centímetros a frente. Era ela. Kelly.

— Está tudo bem, Aaron. Os lobos não te machucaram, são nossos companheiros e superiores, na verdade. Você vai entender tudo depois, agora só precisa se cuidar. — Cuidadosa, ela ministrava toques para compor a atividade curativa, revisando um bem estar que se instalava de pouco a pouco.

— O que….. O que é isso tudo? Desde quando você é médica? — Um suspiro cansado cruzou os lábios dele, desistindo de fazer tantas perguntas de uma vez só. Se sentia exausto demais para isso. Só o fato de ter alguém conhecido por perto era o suficiente para tranquilizá-lo por um tempo.

— Já faz um tempo. — Um sorriso contido lhe foi dado, junto ao carinho nos cabelos. Então no outro dia ela estava fingindo embriaguez? Era difícil dizer, e não gostaria de questionar. Se era a verdade, ela teria seus motivos para o fazer.

— Quando posso ir embora?

Os lábios pintados de um rosa clarinho se comprimiram, e por meio segundo Aaron viu a incerteza tamborilar na expressão de Kelly.

— Aqui é a sua nova casa. Você está no Acampamento Júpiter, aliás. Eu vou te explicar tudo. Só…. Vamos devagar. Você vai precisar entender muita coisa, ainda.

A dificuldade em se manter calado foi abrangente, mas no final das contas, tudo o que fez foi abrir e fechar a boca um montante de vezes até se decidir que de nada adiantaria rebater. Apesar da incerteza, via a tonalidade autoritativa na voz rebuscada e vacilante. Ela sabia o quão ambivertido poderia se tornar com muito pouco. Preferiu assentir, confiando nela, que sorriu saciada com a garantia de que o faria reconhecer tudo após sua recuperação.

Submetido a um rápido procedimento curativo para cuidar dos danos leves que comprometeram sua coluna, foi curado com magia e ambrosia, após uma decisão unânime dos curandeiros de Asclépio e filhos de Febo envolvidos no caso. Passara dois dias dormindo, sendo desperto apenas para cumprir com as necessidades básicas do corpo, urinando e sorvendo um pouco de água no modo automático. Kelly, uma das de Febo e curandeira, estava sempre presente, cuidando para que nada saísse do esperado. Havia sido designada a tomar conta de todo o seu caminho até o Acampamento, sem muito se envolver. Era quase sempre assim que funcionava.

Quando recebeu alta, foi encaminhado até o refeitório, onde áureas serviam os que ali estavam com bandejas repletas dos mais diversos tipos de comida. Pizza, hambúrguer, maçã, refrigerante. Era como se estivesse num live-action da McDonalds. O cheiro de gordura frita e queimada estava no ar, deixando-o enjoado e baixando os níveis de atrativos alimentares. — São os efeitos da ambrosia, vai passar logo. — Kelly riu baixo, achando graça de como ele reagia a tudo.

— O que são essas….. Coisas com as bandejas?

— São as áureas. Nos servem em cada refeição, retirando tudo para a limpeza depois. São espíritos amigáveis, desde que não trombe com uma delas e desperdice comida.

Assentiu, olhando ao redor. Tinha tanta gente, de características opostas, traços distintos e vozes muito, mas muito altas. Era como um circuito para ver quem falava mais alto, sobre um assunto completamente aleatório.

— E essas pessoas? Você? O que são?

Kelly deixou a mão pousar sobre a dele, confortando-o. Era muita informação para assimilar de uma vez, mas era necessário começar a introdução de sua nova casa.

— Somos semideuses. Somos compostos por metade do sangue mortal, com a outra metade divina. Eu sou filha de Febo, o deus do Sol e da música, e também sou curandeira de Asclépio. Me formei em Medicina na Universidade de Nova Roma, e tenho minhas pesquisas sobre genética. Faço parte da primeira coorte.

Tentando assimilar tudo com cautela, Aaron franziu o cenho e entortou os lábios.

— Lembro de ouvir o lobo grande falar alguma coisa sobre Baco, antes de apagar. O que é isso?

— Isso não, quem. Baco é seu pai, o deus do vinho e das festividades mais….. Exclusivas. Não me surpreende seu gosto por bacanais e o apetite sexual incansável.

Então o que sua mãe dizia era verdade? Não pertencia ao mundo em que ela fora concebida pelo Espírito Santo, recoberta pelas graças de um Deus que provia a fé somente aos mortais. Ele, no entanto, fora banhado com outras deidades.

— Coorte?

— Ah, falando nisso… O lobo grande se chama Lupa. É uma loba, nossa senhora. Ela recomendou uma reunião entre os senadores para falarem sobre o seu caso. Existem cartas de recomendações sobre semideuses lendários que viveram aqui e por vários motivos não estão mais entre nós.

— E onde eu entro nisso?

— Seu tio, Abraham Hawkins, foi centurião da segunda coorte há exatos dez anos. Antes de abdicar do cargo por incapacidade de continuar agindo como líder diante das consequências enfrentadas em sua última missão, ele escreveu uma carta de recomendação para você.

— Tio Abbie era um semideus? — A surpresa causou o arquear das sobrancelhas de Aaron. Kelly lhe entregou uma cópia surrada conseguida às pressas.

— Era, e foi um dos melhores de sua época.

— Isso explica o sumiço. — Suspirou, abrindo o papel dobrado.

Abraham Hawkins escreveu:Eu, Abraham Hawkins, centurião e legionário do Acampamento Júpiter no ano de 2009, estou indicando Aaron Hawkins para fazer parte da II coorte, a que estive incluso, em sua chegada ao destino que salvaguarda suas verdadeiras origens, transmitindo assim, a continuação do legado familiar, tal como nossos ancestrais fizeram, eu fiz e ele fará. Apto a integrar a devida coorte apontada, estará Lupa consciente de suas capacidades no momento em que puser os pés nos limites mágicos que nos protegem.

O olhar ávido de Kelly estava concentrado em Aaron, que leu tudo com calma.

— Para um importante membro, isso não parece muita coisa.

— Ele escreveu enquanto….. Hum. Seu tio queria que você tivesse um bom lugar, aqui. É muita coisa.

Por um tempo, imaginou que tipo de fim o tio Abbie poderia ter tido. Asfixiado, com muita dor, com…. Era melhor parar por ali. O homem fora o responsável pela maior parte de sua criação, até sumir e deixar para trás uma herança trilionária em seu nome. Já provido de seus dezesseis anos na época, precisou amadurecer rápido demais e acabou sofrendo com um pulo na parte do tempo onde deveria ter aproveitado o que podia. No lugar disso, era sempre levado de banco em banco, com um advogado e um cuidador de confiança do seu tio, garantindo que tudo estava correndo como o esperado.

— O que eu faço com isso? — Ergueu a carta, balançando-a suavemente.

— Guarde. É só uma cópia, os senadores têm a posse original, e hoje cedo convocaram sua presença para as boas vindas. Devido a sua condição, fui até lá responder ao chamado em seu nome, e me tornei responsável por sua conduta e fazer o ritual oficial em nome de nossos líderes. Então, senhor Hawkins, seja bem vindo ao Acampamento Júpiter. Como membro honorário da primeira coorte, estarei sempre por perto para guiá-lo e desejo-lhe sorte em sua jornada. — Outro toque de mãos se estabeleceu, desta vez, com Aaron segurando a dela.

Kelly, que não esperava por aquilo, sorriu timidamente. Gostava dele, mais do que aparentava, mas ao reconhecer sua deixa de que não era alguém capaz de se relacionar de outros modos, deixava de lado a parte em que gostaria de tê-lo como namorado. Aceitava a amizade, os benefícios e o entendia. Aaron sempre fora sincero com seus sentimentos e tudo o que dizia respeito ao que tinham. Jamais mentiu ou lhe escondera nada.

— Agora coma, você precisa colocar alguma coisa no estômago. Ainda tem muito o que ouvir, hoje.

Beijou-lhe a bochecha, iniciando a própria refeição no instante seguinte.


reclamação #post2


the summer sun is hot and my whole body is heated and i’m dizzy, i’m in a little bit of a daze, i drink something cool. because of you, my broken heart hurts.
bacchanal
Aaron Hawkins
Aaron Hawkins
II Coorte
II Coorte


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