The Blood of Olympus
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Aula Fixa I - Pericia com Arcos

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Aula Fixa I - Pericia com Arcos  - Página 7 Empty Re: Aula Fixa I - Pericia com Arcos

Mensagem por Lim YeongMi em Seg Dez 31, 2018 12:51 am


Treino

O ritmo cardíaco de YeongMi estava desregulado, batendo mais rápido do que o normal, mas ainda permanecia lento demais para bombear calor para o corpo da semideusa. O sol havia sido deixado para trás no momento que ela entrou na arena – já arrependida de ter ido ao refeitório comer, naquela manhã –, impossibilitando o aquecimento da semideusa. Por breves segundos, além do frio que sentia, Lim soube que qualquer movimento errado poderia facilmente fazer com que ela esvaziasse o conteúdo do estômago. Mas a aula não começou de imediato, lhe poupando tempo para não entrar na história como a semideusa que vomitou na aula de arquearia. Felizmente YeongMi estava salva dessa humilhação.

Infelizmente nada poderia salvá-la do fracasso de ser horrível em arquearia, mas ela contentava-se com o fato e estava motivada a se tornar boa. Nada melhor do que começar de baixo e tornar-se incrivelmente habilidosa – ela havia assistir Produce 101 e confiava que se Kim Sohye conseguiu ela também conseguiria –. E logo a aula teve início.

A instrutora era uma moça que parecia ser, no máximo, dois anos mais velha que ela e era bastante bonita. Assim como todas as outras mulheres que havia colocado os olhos. Talvez houvesse relação com fato de que todos ali fossem meio-divinos.

Enfim Lim recebeu um arco que era leve, feito de madeira e bastante grande para o pouco peso que o mesmo possuía. A instrutora afirmou que deveriam tentar atirar flechas contra o primeiro alvo – que estava a uma distância de 20 metros –, depois passariam para o segundo, de 30 metros, e por fim o terceiro, de 40 metros. Honestamente Lim esperava que não fosse a primeira semideusa a fracassar na aula de arquearia. Por isso evitou olhar para os demais semideuses.

Os dedos dela subiram e desceram pela corda do arco antes dela pegar a flecha de fato, sentindo a arma que portava em uma tentativa de se adaptar ao arco – que era uma arma… muito diferente para ela –. A flecha era feita de madeira e mais leve ainda. E ela não demorou a tentar posicionar a flecha no local que julgava correto, segurando tanto o arco como a flecha de uma forma bastante peculiar e desconfortável. Antes que pudesse disparar de forma completamente errada, a instrutora corrigiu sua postura e segurou as mãos de Lim, evidenciando a forma mais correta para se usar o arco.

E a ação certamente a salvou da completa humilhação.

Já que a flecha que havia atirado quase acertou o alvo o grande problema é que, além de desengonçada Lim era péssima com mira. Mas pelo menos ela era bonita, veja bem.

Lim tentou pegar outra flecha sem mover-se da posição que a instrutora havia a colocado, após observar outros semideuses pelo canto dos olhos e notar que alguns fechavam um dos olhos para mirar. E não fazia mal em tentar. O resultado foi imediato assim que YeongMi pegou a flecha e a posicionou, mirando naturalmente no meio do alvo. Assim que soltou a corda do arco ela assistiu a flecha indo em direção ao alvo e…. se cravando na última roda da mira. Bem, o importante é o que importa.

Mas só de acertar isso garantia a passagem de Lim para o alvo de trinta metros, o que ela fez sem muita animação. Mas não a entenda mal. Apesar do comportamento rude e repleto do sentimento de que era melhor que os demais, YeongMi havia se habituado a ser – de fato – a melhor ao longo da vida. E ela não era o que você poderia chamar de boa em esportes ou lutas. E aquela era uma parte muito importante na vida de um semideus. Ser boa ou não poderia determinar se ela iria sobreviver ou não.

E mesmo que estivesse minimamente feliz por conseguir atirar uma flecha bem, ela tinha a consciência que poderia não se sair muito bem nas demais distâncias. Mesmo assim ela arrumou a própria postura e ergueu o arco com uma flecha a arrumando. Ela repetiu os mesmos processos de fechar um dos olhos e puxar a corda do arco quando achou que estava mirando corretamente. Obviamente a flecha não atingiu o alvo. E YeongMi permaneceu tentando, naturalmente. Ela era muito determinada para assumir que seria derrotada pela sua falta de prática evidente. Infelizmente ou não, em uma das tentativas a flecha quase atingiu o alvo se não fosse por sua mira terrível.

As outras flechas que ela havia jogado tinham caído antes de chegar ao alvo, mesmo que ela houvesse erguido o arco e aplicado mais força, mas na última a flecha simplesmente passou do alvo. Caindo alguns metros atrás do mesmo. Bem, agora ela havia equilibrado a força e a angulação. Faltava apenas a mira. E ela o fez, erguendo o arco da mesma forma e apontando para o alvo, fechando os olhos com uma concentração que ela não tinha certeza se seria capaz de reproduzir com precisão. Lim não foi capaz de atingi-lo de primeira, demorando mais duas tentativas até que ela fosse para o último alvo – e também mais distante –.

Era obvio que YeongMi gastaria todas as sua flechas – que não eram realmente suas e sim do acampamento – na tentativa de acertar ao menos uma flecha no alvo. E ela não estava tão errada assim. Enviando flechas que sequer chegavam perto do alvo. De novo a instrutora chegou perto dela ao perceber que Lim estava sendo um fracasso, arrumando a postura que ela começava a escorregar em alguns pontos, elevando o arco na posição correta e indicando que ela deveria puxar a corda até determinado ponto. Lim não demorou a perceber que certas coisas variavam de acordo com a distância. E, novamente, estar posicionada de forma correta não ajudava sua mira a melhorar. Mas após algumas tentativas, que na verdade eram várias, ela finalmente conseguiu atingir o alvo.


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Mensagem por Noah William em Qui Jan 03, 2019 10:06 pm

Arquearia
Mod 1.
Nunca tive problema de mau humor pela manhã, diferente dos outros campistas. Acho que por ser filho de Apolo nós tínhamos um instinto de nos sentirmos mais vivos e vigorados durante o período que o sol brilhava. Aproveitei o período da manhã para me organizar e deixar minha cama arrumada, apesar de ser bem recebido no chalé pelos meus irmãos eu não queria passar a imagem de desorganizado para eles.

Deixei o chalé um pouco antes do almoço, queria me preparar para a aula que haveria na parte da tarde. Emanuelle ministraria uma aula para nós semideuses do acampamento e eu não queria me atrasar, primeiro por ela parecer bem exigente e segundo por ser arquearia. Meu prato se limitou as opções mais leves e não demorei sequer dez minutos pra limpar o que havia colocado no prato.

Quando cheguei na arena, todo o local já estava preparado e alguns alunos já rodeavam a instrutora tentando arrancar alguma informação em como se basearia a aula. Emanuelle era bem fechada a brincadeiras e não demorou muito para que todos se afastassem quando começaram a se aproximar muito dela. Acho que contato físico era zero com ela, mais um motivo de ser uma boa arqueira.  

A instrutora passou todas as informações que precisaríamos para a prática da aula. Desde como se segura um arco até como devemos nos posicionar para um arremesso. Explicou também sobre os erros comuns entre arqueiros e destacou a importância de escolhermos um arco que possamos nos sentirmos confortável com ele durante a aula. Pelo que pude entender, era importante conhecermos a arma e nossos limites, saber aceitar que até ser um arqueiro experiente e sem erros leva tempo, treino e dedicação.

Escolhi um arco médio de aproximadamente uns sessenta centímetros feito de marfim, uma madeira usada para arcos mais flexíveis, mas que se desformam mais rápido com o uso, comparado a um arco moldado em madeira de Ipê que é um pouco mais firme, mas depois de desarmado tende a voltar a seu ponto de origem. Sua corda era bem tensionada, o que necessitava de uma força maior de quem fosse manuseá-lo, apesar de um pouco mais dura, eu ganharia um pouco em precisão nos meus tiros. Seu design era simples, seguindo a origem dos arcos mais antigos, como os que foram usado na Idade Média.

Eu já tinha o arco em mãos, estava confortável e a vontade com ele. Agora era hora de escolhermos as aljavas juntamente com as flechas. Optei por uma aljava de médio porte fabricada em couro, com um tira que sobrepunha um dos ombros, fechando na diagonal ao lado da barriga. Eu nunca fiz um treino com uma aljava nas costas e confesso que me senti incomodado no começo, até me acostumar com o objeto preso a meu corpo. As flechas já estavam separadas, eram as mesmas flechas que nós tínhamos acesso para os treinos na arena, um peso mediano e sem detalhes ou pontas diferentes, que faziam as flechas terem funções diferentes, eram apenas flechas simples.

Após todas as escolhas e explicações, a orientadora nos passou o objetivo da aula. Aparentemente era uma aula simples e não podíamos esperar nada diferente, visto que era uma aula de introdução a arquearia e que muitos que estavam ali, apesar de terem algum conhecimento, ainda eram novatos. A tarefa consistia em acertar os alvos que foram preparados a vinte, trinte e quarenta metros de distância, a ordem seria da menor distância para a maior. O que eu não esperava é que os alvos fossem estar em movimento.

Me posicionei diante ao alvo escolhido. O alvo se movia de um lado para o outro, de tempo em tempo subindo e abaixando, quatro movimentos que eu precisaria calcular se quisesse ter êxito na minha aula. Eu estava mais nervoso que o normal, a sensação de ser observado e avaliado por uma perita em arcos, faziam minhas mãos transpirarem. – Respire, Noah. – Disse para mim mesmo enquanto eu analisava o alvo se movendo.

Me posicionei com uma das pernas mais à frente e flexionadas, a perna de trás servia como base, me dando equilíbrio para o manejo do arco. Ergui arma na altura do ombro, fazendo com que meus braços ficassem em uma posição mais confortável e empunhei a flecha na corda. Eu precisei fazer um pouco de força para tirar a corda da inércia. Trouxe ela até que estivesse encostada no meu queixo junto com minha mão e o cotovelo estava na altura do ombro. Minhas mãos transpiravam de nervoso e eu sentia que a qualquer momento a corda escaparia dos meus dedos. Tentei manter a concentração enquanto o alvo se movia para a direita. Quando o alvo parou eu sabia que teria um tempo até que ele voltasse a se mover para a esquerda. Nesse tempo, segurei minha respiração e deixei que a corda saísse de uma só vez dos meus dedos. Eu tinha certeza que poderia ter acertado, mas, no exato momento que a flecha fez seu caminho até ele, o alvo começou a subir. Eu soltei um suspiro de derrota enquanto via a flecha acertar os fenos colocado no fundo para que as flechas não tomassem rumos desconhecidos.

- Que droga! – Eu estava decepcionado, por um momento pensei ter acertado o alvo. – Tente de novo. – A voz era da orientadora, soava mais como uma ordem do que um incentivo. Retirei outra flecha na aljava e fiz o mesmo processo de preparação de antes. O alvo se movia em direções aleatórias e tempos desconhecidos, para acerta-lo eu precisaria soltar a flecha entre o tempo de uma direção e outra, levando em consideração ponto futuro que foi explicado a nós no início da aula.

O alvo fez alguns movimentos de sobe e desce enquanto se movia para a esquerda, eu acompanhava a mobilidade do objeto com a ponta da flecha mirando no centro do alvo. Eu usava o olho direito para mirar, minha respiração estava controlada e meu nervosismo parecia menor naquele instante. Prendi a respiração e quando o alvo começou a subir senti que era o momento de soltar a flecha. Subi a mira do centro do alvo para próximo da borda e soltei. A flecha fez seu caminho e acertou a mais ou menos 4 dedos do centro. – Isso! – Eu disse animado enquanto um sorriso se desenhava nos meus lábios. – Vá para o próximo alvo. – Ordenou Emanuelle.

No segundo alvo a dificuldade foi maior do que imaginei, a velocidade de movimento do alvo se alternava de forma desregulada. O primeiro mantinha uma velocidade, nada de paradas bruscas ou arrancos repentinos e o alvo a trinta metros já nos cobravam uma agilidade um pouco maior. Eu gastei uns trinta minutos até conseguir acertar o tempo do alvo e acerta-lo, ainda assim, não foi no centro, mas Emanuelle permitiu que eu avançasse para o terceiro.

- Tente se concentrar mais, um bom arqueiro necessita de apenas uma flecha pra um eventual inimigo e você precisa saber dosar isso e conter seu nervosismo. Muitas vezes não temos uma segunda chance para uma nova flecha. – Disse ela enquanto eu me dirigia ao terceiro alvo. Pela primeira vez desde o início da aula, era me disse palavras serenas e de conselhos. O pensamento que eu precisava aprender é que alguém depende do meu acerto e não que eu tenho trinta flechas comigo. Quanto menos flechas sair de minha aljava, melhor eu serei. Eu dei um sorriso entendendo as palavras dela. – Obrigado, professora! – Disse em tom de gratidão.

Posicionado diante do último alvo eu repensei muito sobre o quê Emanuelle me disse. Eu não precisava me apressar naquele momento, estava fazendo uma aula, era o momento de errar e concertar, mas o mais importante é que eu deveria sempre ter a consciência de deveria progredir nos treinos, naquele momento era um alvo, mas em algum momento poderia ser algum amigo dependendo de mim para viver. Eu deveria me esforçar o máximo para acertar a primeira flecha, só uma. As palavras dela soram na minha cabeça e então eu me posicionei.

A tensão da corda já não era tanta como no começo, meu braço já havia acostumado a tira-la da inercia para armar o arco. Meus olhos eram fixos no alvo, analisando todo seu movimento, que dessa vez era ainda pior que o segundo. Além de se movimentar, ele também deitava, simulando um adversário em queda. Meus braços acompanhavam com mais agilidade os movimentos do objeto, meus olhos processavam as possibilidades de qual movimento viria a seguir. Aprendi durante a aula, que um arqueiro deve saber analisar a situação que se encontra e que grande parte do sucesso é saber antecipar as ações de um inimigo. Minha mira acompanhava, minha respiração era lenta, meu nervosismo não me atrapalhava mais naquela altura. Eu pude notar o alvo correndo para a direita, nesse exato momento, voltei a mira um pouco para a esquerda e soltei.

Mais um aprendizado no dia de hoje, um arqueiro além de saber analisar e prever as possibilidades de combate, precisam também confiar no seu extinto de arqueiro. Extinto esse que sendo prole de Apolo, eu teria naturalmente comigo. Alguns ruídos soaram na arena quando soltei a flecha na direção contrária do alvo, muitos pensaram que eu tinha errado, mas o alvo voltou de maneira abrupta e minha flecha acertou seu centro, deitando o alvo em seguida. Emanuelle olhou como se fosse algo normal para ela, como se eu não tivesse feito mais que minha obrigação e soltou um suspiro. - Está dispensado, aluno. – Disse enquanto se voltava a mais um dos integrantes que iria começar o treinamento.  

Noah William
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Filhos de Apolo
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Mensagem por Poseidon em Sab Jan 05, 2019 11:29 am

Modelo de Avaliação
Criatividade: 40
Ortografia: 40
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 150 exp

Lim YeongMi
Criatividade: 30
Ortografia: 30
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 130 exp


Noah William
Criatividade: 35
Ortografia: 20
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 125 exp

Obs: Noah, peço que crie sua FPA para que a habilidade seja inserida nela.

Nome do poder: Pericia com Arcos I
Descrição: Você aprendeu e se desenvolveu com o seu treinamento, e agora já consegue acertar as flechas em alvos com mais precisão, mas tende a ter dificuldades se esses se moverem muito depressa. É recomendado realizar um pouco mais de treinamento. Contudo, seu manejo com arco é muito melhor do que aqueles que nem mesmo treinaram.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de assertividade no manuseio de arcos.
Dano: +10% de dano se a arma do semideus atingir o alvo.
Poseidon
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Deuses Olimpianos
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Mensagem por Alex Lochees em Dom Jan 13, 2019 8:31 pm



Traquo I



Era pouco mais de cinco da manhã quando me levantei da cama. Lutar contra a insônia não havia se mostrado uma tarefa fácil nos últimos dias, e eu acordava muitas vezes durante a madrugada, sobressaltado e com o coração acelerado. Aquele maldito rosto aparecia constantemente nos meus sonhos, mesmo estando morto.

Por que não me deixa em paz, merda?, pensei, inspirando profundamente para manter a calma. Ficava abalado sempre que sonhava com aquele homem.

Puxei a cortina da janela e olhei para fora pela fresta. O Sol começava a nascer, iluminando a colina do Acampamento Meio-Sangue e atraindo pássaros matinais que enchiam o ambiente de sons diversos. No chalé, todos ainda dormiam um sono pesado, e não pude evitar a inveja que nutria no fundo do peito. Estava começando a ficar exausto psicologicamente pela falta de descanso adequado. Fui até o banheiro, lavei o rosto e troquei as roupas por algo mais adequado às atividades rotineiras.

Se não conseguiria ficar na cama e apaziguar a mente perturbada, colocar o corpo em movimento era a escolha mais sensata a fazer. Podia, assim, descontar minha raiva em bonecos e alvos de treino. Era a única coisa que prestava verdadeiramente no Acampamento.

Veja bem, eu era muito grato por ter sido acolhido, mas com o tempo comecei a perceber coisas que poucos enxergavam. Para começar, ninguém ali se gostava de verdade. O ar de fraternidade que Quíron tentava inspirar em todos era mais frágil que cristal: ao primeiro sopro de intriga, tudo estilhaçava e trazia à tona a verdadeira natureza meio-sangue. Além disso, não éramos de fato protegidos, mas criados. Gordos porcos alimentados e castrados para exercer as vontades egoístas dos deuses. Odiava me sentir como uma marionete.

Assim que pudesse, abandonaria aquele lugar. Estava decidido.

Com Iryak — o arco élfico que usaria pela primeira vez — a tiracolo, deixei o chalé e caminhei na direção da arena. Poucos eram os campistas que já estavam acordados, grande parte deles filhos de Hefesto, mas não prestei atenção no que faziam. Assumi um semblante pouco convidativo e apenas segui meu caminho.

A arena era uma grande construção à moda antiga, com formato oval, arquibancada e dividida em vários setores, cada qual com objetivos distintos. Dirigi-me à área que comportava alvos para treinamento de arco-e-flecha. Havia bonecos de palha e peças redondas de madeira dispersos, e para minha alegria estava vazia. Podia desfrutar sozinho do meu mau humor, nada de crianças catarrentas atrapalhando.

Apesar de estar no Acampamento por tempo considerável, precisava admitir que não era um bom arqueiro. Havia passado um longo período imerso nos meus tormentos pessoais, para só então perceber que de nada aquilo adiantaria. A vida era o que era, cheia de merda e pessoas que o foderiam sem hesitar. E não no bom sentido. Precisava aprender a me defender ao menos minimamente bem para poder ir embora. Sem Quíron, sem regras, apenas eu e o mundo.

Antes disso, entretanto, teria de aprender a usar uma arma.

Na teoria, o treino seria simples: Três alvos estavam dispostos com distâncias de 20, 30 e 40 metros. Meu objetivo era acertá-los da melhor forma que conseguisse. Na prática, as coisas eram um pouco mais complicadas.

Analisei cuidadosamente Iryak nas mãos. Percorri os dedos pelos desenhos estranhos entalhados em seu corpo metálico, sentindo seu peso e sua resistência. A corda era transparente, e para vê-la eu precisava olhar com atenção. Puxei-a devagar, somente como forma de teste, e uma flecha começou a se materializar magicamente. Gostei disso, pensei com um sorriso maquiavélico. Não ter de recarregar flechas daria mais praticidade ao treino. Então, repentinamente, ouvi uma voz:

“Vai ficar aí parado até quando?”

Franzi a testa e olhei em volta. A arena continuava vazia, ninguém parecia ter se aproximado. Olhei para as minhas mãos, para a arma que segurava, e arqueei uma sobrancelha. O arco havia falado comigo?

“Sim. E você é sempre burro assim?”

Antes que percebesse, estava discutindo mentalmente com um arco.

“Vai se foder, não estou acostumado a falar com objetos. Como você faz isso?”

“Poder élfico. Muito complexo para você entender. Melhor começar tentando acertar os alvos.”

Eu já havia passado por muita coisa estranha na vida, mas ser ridicularizado por uma ferramenta foi para o topo da lista. Afastei esse pensamento e tentei me concentrar no que realmente importava. Segurei o arco com a mão esquerda, virei o corpo de lado e peguei a corda com a outra mão.

“Bota um pé na frente e levanta mais a mira”, a voz de Iryak ecoou na minha cabeça.

Tentei ignorar o fato de que estava recebendo ordens da minha própria arma e segui o que me foi falado. Ela definitivamente devia saber mais do que eu.

“Agora, puxa a corda e dispara.”

“Simples assim?”, retruquei em resposta.

“Vai logo.”

Puxei a corda com o indicador e o dedo do meio devagar. Entre eles, uma flecha inteiramente de energia surgiu e ganhou forma na medida em que levei minha mão para trás. Pensei que seria mais fácil, mas o ato exigiu muita força, e uma ruga de concentração se formou entre os meus olhos. Quando estava completamente retesado, mirei o primeiro alvo e disparei.

Até que eu não era ruim.

Era péssimo.

A flecha passou longe. Soltei um “puta-que-me-pariu” decepcionado, vendo o projétil se desfazer no ar depois de atingir certa distância. Iryak voltou a se pronunciar:

“Levanta mais o cotovelo direito e coordena sua respiração com o disparo”.

“Fácil falar quando você é o próprio arco”, respondi.

Voltei a repetir o passo a passo: Braço esquerdo esticado segurando o arco, mão direita puxando a corda, cotovelo erguido, pé esquerdo à frente. Inspirei profundamente, fechei um dos olhos (isso foi instintivo, apenas fiz sem me perguntar por quê) e olhei para o alvo. Soltei os dedos junto com a respiração, e a flecha voou.

Por um segundo achei que tinha acertado, mas passou alguns centímetros do lado. Segurei outro xingamento. Estava melhor, mas não o suficiente.

“Não vai falar nada?”, perguntei mentalmente, esperando que Iryak dissesse alguma coisa.

“Se vira aí, já falei muito.”

Mas que desgraçada…

Retomei a postura para disparar e, dessa vez, baixei um pouco a mira em relação ao último tiro. Antes de atirar, imaginei a rota que a flecha faria, precavendo-me de um possível erro novamente. Puxei a corda, que resistiu mas acabou cedendo, e enchi o peito de ar. Ao soltar, o projétil decolou e fez um ziuuum antes de atingir o alvo ao lado do centro.

Estava pegando o jeito.

Querendo aproveitar o bom momento, mantive a concentração e continuei no mesmo lugar. Depois de entender como devia segurar o arco, o resto ficava mais fácil. Bastava adaptar a mira ao ambiente e deixar que o meu cérebro fizesse o resto. De alguma maneira, eu sentia que tinha boa destreza para aquilo.

Respirei fundo e materializei outro disparo mágico. O segundo círculo de madeira se encontrava a 30 metros de distância, 10 a mais que o anterior. Fechei um olho e semicerrei o outro, fazendo cálculos mentais de para onde devia apontar. Um pouco mais para cima, refleti, segurando a corda até que estivesse satisfeito. Meu ombro começou a doer. Larguei os dedos da mão direita e observei o resultado.

Não foi de todo mal, mas não saiu como esperava. A flecha de energia atingiu o círculo na borda, muito distante do objetivo.

Notei que Iryak estava em silêncio e julguei que eu estivesse fazendo um bom trabalho. Dei continuidade e mirei novamente, e uma careta involuntária surgiu em meu rosto. Meu braço estava começando a ficar cansado. Tentei ignorar a fadiga e me concentrei. Movi o arco sutilmente para a esquerda e, sem delongas, atirei. Foi quase perfeito. Por milímetros não foi no centro com exatidão.

Ainda faltava um alvo. 40 metros de distância. Não me demorei muito, queria finalizar aquela parte do treino logo. Quando puxei a mão direita para criar a flecha, meu ombro latejou mais intensamente. Foi impossível ignorar, e acabei me desconcentrando. Ao fazer o disparo, observei com desgosto a seta passar quase um metro distante do local em que havia mirado. Bufei exasperado.

“De novo”, Iryak disse.

“Tô cansado.”

“Desse jeito não vai acertar nunca.”

Para contrariá-lo, elevei o arco e puxei a corda. A dor voltou, e minhas mãos começaram a escorregar com suor. Apertei mais os dedos a ponto de deixá-los brancos. Tensionei a flecha, respirei lentamente, olhei para o alvo e pensei em atirar. A voz na minha cabeça não permitiu.

“Calma. Ainda não. Levanta um pouco mais.”

Obedeci, apertando a mandíbula com o esforço exigido para manter o arco curvado. Uma gota salgada escorreu da minha testa e caiu no meu olho. Ardeu, mas permaneci imóvel.

“Agora”, Iryak deu a deixa.

Zuumm. A flecha explodiu no centro do alvo com um baque oco.

— Porra! — gritei, um misto de alívio e êxtase. O primeiro teste estava concluído.

“Vamos pro próximo?”

“Ah, calma aí, me dá 10 minutos pra descansar”, respondi.

pormenores:
Observação:
Alex tem cinco pontos em destreza (vide FPA), então o manejo com arco-e-flecha é naturalmente mais fácil para ele. De qualquer forma, tentei expor suas dificuldades ao máximo durante a narração.

Arma:
• Iryak [Arco élfico com cerca de 1 metro e 50 com runas entalhadas por toda a sua espessura, a corda é feita de um material transparente e de resistência alta, encantada para conjurar flechas incorpóreas e infinitas. |Efeito 1: O arco possui personalidade própria, cria uma ligação com a mente de seu portador (semideus) e poderá se comunicar mentalmente com ele. | Efeito 2: As flechas desse arco são incorpóreas, para materializa-las basta puxar a corda e elas magicamente aparecem no arco, além disso, são infinitas. |  Efeito 3: O metal utilizado para fabricar o arco, também possui 25% de resistência a magia, portando, magias lançadas contra o semideus que estiver na posse desse arco, terão um efeito reduzido na mesma porcentagem. | Arandur | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]
Alex Lochees
Alex Lochees
Filhos de Quione
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Mensagem por Psique em Qua Jan 16, 2019 12:13 pm

Modelo de Avaliação
Criatividade: 40
Ortografia: 40
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 150 exp

Alex Lochees
Criatividade: 40
Ortografia: 40
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 150 exp

Nome do poder: Pericia com Arcos I
Descrição: Você aprendeu e se desenvolveu com o seu treinamento, e agora já consegue acertar as flechas em alvos com mais precisão, mas tende a ter dificuldades se esses se moverem muito depressa. É recomendado realizar um pouco mais de treinamento. Contudo, seu manejo com arco é muito melhor do que aqueles que nem mesmo treinaram.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de assertividade no manuseio de arcos.
Dano: +10% de dano se a arma do semideus atingir o alvo.


missed my tears, ignored my cries; life had broken my heart, my spirit, and then you crossed my path, you quelled my fears, you made me laugh, then you covered my heart in kisses
Psique
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Deuses Menores
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Localização : No abraço de Eros ♥

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Mensagem por Kayn S. Reymond em Seg Fev 11, 2019 2:02 pm



"Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo,

o abismo também olha para dentro de você." Kayn Sirius Reymond, O filho do mar e neto do gelo.

SENÃTUS POPULUSQUE

S P

Q R

RÕMÃNUs

Puxando a corda do arco com força, o garoto sentia-a resistir e querer soltar-se de sua mão, o garoto já estava com a mira pronta, a flecha direcionada para o alvo imóvel à sua frente, apenas esperando pela flecha. Com uma confiança que ele não sabia de onde vinha e uma esperança de ter uma habilidade natural para aquela arma Kayn soltou a corda do arco sentindo-a escapulir de seus dedos e empurrar a flecha que voou velozmente para longe do alvo, atingindo a parede de feno atrás dos alvos.

Com um suspiro ele abaixou o arco, a confiança sendo substituída pela irritação quando finalmente percebeu que não tinha nenhuma habilidade especial com aquela arma. Há cerca de meia hora estava treinando com aquele arco e durante todo aquele tempo só conseguiu acertar uma única vez no alvo e o local onde o acertou foi tão na borda que a flecha sequer se fixou. Voltando-se para os outros campistas Kayn observou a forma como seguravam o arco, a postura, o modo como cada um murava, pelo que ele via e comparava a si mesmo, estava fazendo tudo corretamente e então tentou outra vez atirar e mais uma vez errou.

-Relaxe o braço do arco, e os ombros.

O comando o fez saltar assustado e voltar seu olhar para a garota que falava com ele, sem olhá-lo, seu olhar estava concentrado tanto no arco quanto no alvo. Aquela era a instrutora. Guiado pelos conselhos Kayn novamente pegou uma flecha na aljava e a encaixou no arco, mirando o alvo.

O garoto puxou lentamente a corda, ouvindo as palavras da garota se repetirem em sua cabeça enquanto fazia o que ela dizia. “Relaxe o braço do arco”, “abaixar os ombros”. Kayn respirou profundamente e mirou com o olho, o esquerdo fechado escondido pelo arco. E quando teve certeza de que poderia acertar o alvo, o garoto soltou a flecha que voou cobrindo a distância entre o garoto e o alvo em um piscar de olhos e se enterrou profundamente no segundo círculo externo.

Um meio sorriso que ele tentou disfarçar surgiu nos lábios do filho de Netuno, que lançou um olhar em direção à instrutora em busca de aprovação, recebendo um aceno de cabeça em resposta que só fez seu meio sorriso aumentar para um sorriso aberto e verdadeiro.

Kayn voltou então sua atenção para o arco e voltou a treinar. Sabendo onde estava seu erro, o garoto começou a atirar flecha após flecha, até acabarem as suas e ele ter que buscar mais. A cada flecha ele observava o ponto onde elas haviam atingido para que tivesse uma ideia melhor de mira e conseguisse acertar o alvo. Demorou mais uma hora até que ele estivesse conseguindo acertar suas flechas dentro da borda do círculo central.

Por não ter experiência com o arco, o garoto achou aceitável ter conseguido 3 flechas dentro da borda do círculo interno, embora não estivessem exatamente no centro. Isso seria algo que ele conquistaria com o tempo e muito treino. Deste modo o jovem filho de netuno prosseguiu para o próximo alvo que estava há uma distância maior e seguiu treinando com as dicas da instrutora até conseguir um resultado parecido com o primeiro alvo.

O terceiro alvo foi o mais difícil, a distância parecia dificultar e ainda tinha a gravidade que puxava as flechas para baixo de modo que as três primeiras flechas do jovem caíram no chão e a quarta raspou na borda do alvo. Apenas na quinta flecha ele conseguiu acertar um dos círculos mais externos. Kayn tinha que atirar mirando levemente para cima para que as flechas acertassem dentro do alvo.

Muitas flechas voaram até que Kayn finalmente acertasse a primeira dentro do alvo central. Mirar a tão grande distância era complicado, o alvo parecia menor e qualquer movimento com o arco, por menor que fosse parecia que iria tirar a mira, porém após acertar a primeira flecha dentro do círculo central as seguintes pareceram vir mais facilmente, de modo que o garoto conseguiu acertar cinco flechas. Não em sequência, mas ainda assim foram cinco flechas.

Após aquele dia de treino Kayn só foi perceber os dedos doloridos na hora de guardar o arco e as flechas em seu lugar. Recolher cada flecha lhe trazia uma pequena onda de dor que provavelmente estaria pior no dia seguinte e provavelmente também lhe traria bolhas nas mãos.


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Kayn S. Reymond
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Mensagem por Kim Nayoung em Dom Fev 24, 2019 11:12 am

Modelo de Avaliação
Criatividade: 40
Ortografia: 40
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 150 exp

Kayn S. Reymond
Criatividade: 35
Ortografia: 40
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 145 exp

Nome do poder: Pericia com Arcos I
Descrição: Você aprendeu e se desenvolveu com o seu treinamento, e agora já consegue acertar as flechas em alvos com mais precisão, mas tende a ter dificuldades se esses se moverem muito depressa. É recomendado realizar um pouco mais de treinamento. Contudo, seu manejo com arco é muito melhor do que aqueles que nem mesmo treinaram.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de assertividade no manuseio de arcos.
Dano: +10% de dano se a arma do semideus atingir o alvo.


the night
"We carry all of the power we need inside ourselves already."

Kim Nayoung
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Líder de Nyx
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Aula Fixa I - Pericia com Arcos  - Página 7 Empty Re: Aula Fixa I - Pericia com Arcos

Mensagem por Cupido em Seg Fev 25, 2019 2:46 pm

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Aula Fixa I - Pericia com Arcos  - Página 7 Empty Re: Aula Fixa I - Pericia com Arcos

Mensagem por Choi Yoon Jin em Qui Fev 28, 2019 5:08 pm


Talvez fosse por permanecer observando por tempo demasiado a própria besta que Yoonjin percebeu que deveria procurar melhorar sempre. As memórias de seu combate no Tártaro contra o príncipe do inferno Mammon continuavam a arremetê-la o quanto poderia ter se saído melhor na ocasião se soubesse manusear uma arma mais forte que a sua velha Dokkaebi. Talvez fosse hora de aposentar a besta, a mentalista acreditava. E foi com esse pensamento que a morena direcionou-se aos Campos de Marte naquele dia, visando o treino de arquearia que seria, então, ministrado.

Yoonjin não tinha em sua posse uma arma daquelas, mas tão logo alcançou a arena de treinamentos, sua deficiência foi sanada. Em uma mesa, arcos diferentes eram dispostos, acompanhados de aljava recheadas de flechas para comportar a demanda dos seres semidivinos que frequentariam aquele treino. A mentalista escolheu um para si, que não era maior que seu tronco, e era feito de uma madeira clara e leve. Puxou a corda para experimentá-lo, sentindo a textura nas pontas dos dedos e constatando que a linha era feita de um material mais rijo, embora não fosse desconfortável. Ao passar os olhos pelo restante da bancada, a coreana observou como os semideuses pareciam escolher a arma que mais apetecia seus dotes físicos, e a primeira lição foi assimilada pela filha de Vênus: arcos falavam com o corpo do usuário. Yoonjin escolheu uma aljava e a passou pelo ombro.

Direcionando-se ao ponto demarcado com uma linha no chão, percebeu que estava lado a lado com outros legionários, e também alguns gregos, que partilhavam do desejo de aprimorar as artes de combate com aquele instrumento. Os olhos azuis da progênie de Vênus fixaram-se nas bases de alvo distantes da linha detrás da qual havia parado; o mais próximo deles demarcava uma distância de vinte metros, segundo a instrutora. Yoonjin ouviu com atenção tudo o que ela tinha a dizer, mantendo a postura sempre ereta e o rosto altivo, como uma rainha vitoriana de traços asiáticos. Ao fim, a prática havia sido liberada.

Suas habilidades como mentalista lhe davam uma perfeita noção espacial, portanto sabia dizer que a flecha que puxou entre o dedo médio e o anelar — tal como observara a instrutora fazer — tinha seus trinta e cinco centímetros de comprimento. Graças a graciosidade em seus gestos, Yoonjin conseguia imitar aquele movimento com uma leveza surpreendente, por mais que não fizesse ideia de como prosseguir dali em diante. Ainda de olho nas ações da mulher de cabelos castanhos que ministrava o treino, a coreana posicionou a flecha no arco, usando a mão esquerda para segurá-lo e a mão direita para manusear a seta. Era ambidestra, mas havia se acostumado a usar a destra. O item, entretanto, era difícil de se manter equilibrado junto ao arco, e ficava dançando e caindo a todo momento. Os dedos de Yoonjin esbarravam nas penas suaves e tentavam manter a flecha firme na arma, mas aquele era um trabalho que exigia habilidades treinadas com o tempo. Por isso, somente na quinta tentativa foi que a mentalista conseguiu manter o dardo muito bem colocado em seu lugar, pronto para ser disparado.

Manusear um arco era deveras mais difícil do que utilizar uma besta, e a filha de Vênus via aquilo naquele momento. Enquanto Dokkaebi exigia-lhe apenas o uso da mira e da força em seus braços para sustentá-la, o arco era um instrumento que demandava um jogo de cintura muito mais complexo — Yoonjin teve de aprender a equilibrar-se sem o uso de seus poderes, bem como a comportar a tensão que a arma emitia em seus braços por ter de segurá-la ao mesmo tempo que puxava a corda com a flecha presa a ela. Apesar de seu cérebro ter uma capacidade cognitiva muito mais rápida que o usual, seu corpo acostumava-se lentamente com o novo estilo. Não demorou, entretanto, para que Yoonjin conseguisse efetuar o primeiro disparo, este sendo guiado pela mira da semideusa diretamente para o alvo. Não acertou o centro, entretanto, mas já estava satisfeita.  

Percebeu, ao abaixar a arma, que seus braços doíam pela tensão. Perguntou-se se, com o tempo, se acostumaria àquilo. Ao observar novamente a forma como a instrutora parecia atirar flecha após flecha e acertar continuamente o centro do alvo, como se a arma fizesse parte de seu corpo, a Choi chegou à conclusão de que sim, era possível se tornar apenas um com aquele item. Tudo o que precisava era de esforço e dedicação, como para a maior parte das coisas na vida. Aquilo não era um problema para si, entretanto, já que sempre havia sido a gêmea mais responsável e compenetrada.  

Yoonjin insistiu naquele mesmo alvo por mais algumas vezes até que conseguisse acertar o centro pintado em bordô. O primeiro sorriso apareceu na expressão séria da mentalista quando conseguiu cumprir o feito, delegando a si mesma um momento para respirar. E somente então percebeu que estava, de todo, prendendo a respiração para o ato. Era algo inconsciente, já que havia aprendido a melhorar sua precisão ao atirar com a besta daquela forma. Mordendo o lábio, Yoonjin passou para o próximo alvo.  

Daquela vez seria um pouco mais difícil, já que a base ficava a trinta metros de sua localização. Yoonjin respirou fundo, posicionando-se da forma como a instrutora havia elucidado — as pernas meio abertas, garantindo equilíbrio, a postura totalmente ereta. Desta vez, não teve problemas com as flechas ou com o manuseio do arco: seu problema foi a distância e a força do vento. Sabia que conseguia acertar no centro depois de todo o treinamento e de todas as tentativas que se seguiram após o primeiro disparo — e também de sua habilidade adquirida com o tempo de uso da besta —, mas compreendeu que a arte da arquearia era muito mais tênue e graciosa do que esperava. As flechas deveriam ser tratadas com mais gentileza que os dardos de besta; até mesmo a forma como cortavam os ventos influenciava naquilo.  

Após ter entendido a essência, Yoonjin posicionou outra flecha na corda do arco e manejou-o para que se tornasse menos tenso. Ao disparar, percebeu que, sim, conseguiu acertar o centro, e aquilo a deixou mais orgulhosa de si mesma do que antes.  

Talvez Dokkaebi ganhe um irmão de disparos... — ruminou consigo mesma.


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Aula Fixa I - Pericia com Arcos  - Página 7 Empty Re: Aula Fixa I - Pericia com Arcos

Mensagem por Nyx St. Douglas em Qui Fev 28, 2019 9:39 pm

Modelo de Avaliação
Criatividade: 40
Ortografia: 40
Coerência: 30
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 150 exp

Choi Yoon Jin:

Criatividade: 40
Ortografia: 40
Coerência: 25
Ações Realizadas: 20
Aparência: 20
Total: 145 exp

O único desconto que eu fiz foi em relação a sua interpretação de noção espacial. Não acho que mesmo o melhor dos mentalistas vai saber o tamanho exato de alguma coisa sem medir, afinal é uma noção do tamanho. Então se você tivesse falado algo como "Ela sabia que a corda media praticamente o tamanho de seu braço e antebraço juntos" ou algo parecido, eu não descontaria isso. É um erro ínfimo, mas como é coerência, eu resolvi descontar.

Atualizado por Hades.

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