The Blood of Olympus
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Danger in Federal City || CCFY || Elena C. García

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Danger in Federal City || CCFY || Elena C. García

Mensagem por Elena C. García em Sab Mar 25, 2017 12:08 am



Danger in Federal City: Introdução

- - - - Reencontros e Descobertas




Acampamento Meio-Sangue, Manhattan/NY

Ali, no topo da Colina Meio-Sangue, a vista do Acampamento era de tirar o fôlego. Da Casa Grande, Quíron se despedia de alguns semideuses e havia parado para conversar com outros. Era possível ver a quadra de vôlei, dessa vez sem nenhum campista de Apolo jogando, parte do lago de canoagem, bem como era possível reconhecer cada um dos chalés, e conseguia distinguir claramente o chalé de Afrodite, meu lar. Eu já estava com saudades...

Com o fim da temporada de verão, estava disposta a voltar para meu pai e tentar cursar a faculdade. Se tudo desse errado, sabia que teria um lar no Acampamento e também teria para quem voltar. Havia cultivado amigos muito especiais, como Enzo, William, Valentina, Noah, Beau, Evelynn, Arabella, entre tantos outros, além de meus irmãos e irmãs. Mas, para ser sincera, minha partida era especialmente difícil devido a um filho de Melinoe, com quem havia começado a namorar desde a noite dos fogos. Apesar do momento de despedidas, um sorriso brincou em meus lábios com a lembrança daquela noite, quando ele fez a proposta antes dos fogos estourarem.

Javier ficaria o ano todo no Acampamento, como fazia desde que havia chegado, e estava ao meu lado naquele momento de partida. Semideuses repletos de malas estavam começando a descer a Colina e alguns carros particulares se encontravam na rodovia aguardando com seus pais, mães ou responsáveis mortais. Já os campistas que ficariam o ano inteiro em Manhattan estavam no topo, se despedindo. Olhando para Javier, era difícil resistir à vontade de dar meia-volta e também ficar, mas eu precisava rever meu pai e fazer pelo menos uma tentativa de uma vida normal.

▬ Me dê notícias suas, mas também não vá usar o celular na rua. E tome cuidad… - ele dizia, passando diversas recomendações, com um visível tom de preocupação e inquietação. Tentei tranquilizá-lo com um sorriso, acariciando seu rosto, mas sabia que estava longe de ser o suficiente. ▬ Vou mandar mensagens de Íris depois que chegar em Washington… - disse, dando-lhe um beijo na bochecha. ▬ … quando precisar falar com você… - continuei, com outro beijo em sua bochecha, dessa vez mais perto de sua boca. ▬ … e sempre que sentir sua falta - completei, dessa vez beijando seus lábios, e demorando-me mais neles.

- - - - - - - - - -

Sede do Exército Norte-Americano, Washington DC

A sensação de liberdade e poder que este esporte me proporciona é tão indescritível que a alegria em estar com as rédeas na mão novamente não cabia em meu peito. Apoiei o meu peso nas esporas da cela e estiquei os joelhos, ficando em pé e levantando o braço direito, deixando sair um grito de liberdade de meus pulmões.

Após saltar o último obstáculo com Spark, o cavalo que eu havia adotado para competir, reduzimos a velocidade e retornamos para onde meu pai estava nos assistindo, com um sorriso esplendoroso nos lábios. Ele sabia como me receber de volta. Parte de mim até pensava que aquele era seu truque para me incentivar a ficar com ele e não mais voltar para o Acampamento.

▬ Você continua em ótima forma, garoto - disse, acariciando o pescoço do equino após desmontar. Eu não havia percebido antes o quanto sentia falta daquela atividade, dos meus treinos e competições. Meu coração parecia ter inflado de alegria quando montei e corri de novo, mas estava me contendo, pois alguém se aproximava.

▬ Com licença, general García - o rapaz disse, dirigindo-se a meu pai, que lhe entregou as rédeas de Spark para que o levasse de volta aos estábulos do regimento. Pois é, infelizmente, o cavalo não era meu. Não oficialmente. ▬ Elena, este é o major Jasper Dale, um novo oficial que está trabalhando comigo. Jasper, essa é minha filha, Elena - meu pai disse, fazendo as devidas apresentações. Cumprimentei o rapaz de volta, que parecia bastante jovem para já ser um oficial do Exército, não podia ser nem cinco anos mais velho que eu. O rapaz ficou um pouco sem jeito ao descobrir que eu era a filha do seu superior, mas estendeu a mão cordialmente. ▬ É um prazer, senhorita García. Seu pai fala muito em você - ele disse, apertando minha mão.

Após poucas palavras trocadas, Jasper seguiu com Spark para o regimento, e meu pai e eu seguimos caminho, atravessando o complexo, em direção à sua sala para conversarmos um pouco antes de almoçar. No trajeto, revi rostos familiares, outros que não lembrava, mas em geral, todos já me conheciam e cumprimentavam saudosos, pois tornaram-se nossa família desde que viemos de Porto Rico. Todos perguntavam sobre minhas expectativas para a faculdade em Nova Iorque, ou sobre meu acampamento de verão. Sobre este último, tinha que me desvencilhar com respostas vagas e logo desconversar com perguntas sobre a família, com a ajuda de meu pai, que inventava outros assuntos.

Quando finalmente chegamos à sala de meu pai, no quarto e último andar do prédio principal, abracei-o apertado após fecharmos a porta, amarrotando sua farda impecável. ▬ Senti tanto a sua falta… - disse, sem mais me preocupar em controlar as lágrimas de saudade, que contive por tantas semanas. Ele, dezenas de centímetros mais alto que eu, me acolheu em seus braços, desmanchando sua postura de oficial e autoridade militar para também confessar a saudade que sentia de sua filha.

Mantendo-me em seus braços, nos aconchegamos no sofá e, sem esperar perguntas, comecei a contar sobre o meu verão no Acampamento Meio-Sangue. Havia aprendido tantas coisas e descoberto tantas outras sobre mim, então desatei a falar a respeito de tudo. Nem sabia se meu pai estava conseguindo acompanhar tudo o que lhe dizia, mas demonstrava tanto entusiasmo ou interesse quanto eu esperava. Entretanto, como todo pai super protetor preocupado com sua filha, ele não esqueceu de uma pergunta crucial. ▬ E você conheceu alguém especial no Acampamento? Um namorado, talvez? - perguntou, sem rodeios, e o rubor da minha face deve ter entregado tudo antes que eu pronunciasse qualquer palavra. Ele riu da minha cara, mas talvez por nervosismo em descobrir que suas suspeitas estavam corretas.

Antes que eu pudesse lhe responder e contar sobre Javier, alguém foi abrindo a porta sem bater, despertando nossa atenção. Franzi as sobrancelhas com estranheza, mas também certo alívio, esperando ver quem estava entrando assim, sem se anunciar. Estava intrigada e surpresa, porque ninguém pode entrar na sala de um general da graduação de meu pai assim, sem sequer bater na porta. Ninguém, exceto o…

▬ Bom dia, general - disse meu pai, desvencilhando-se de meu abraço e levantando-se para receber o superior máximo da hierarquia militar dos Estados Unidos de forma adequada. Também me levantei, sabendo que tratava-se de uma autoridade e, mesmo sendo civil, era respeitoso me levantar.

▬ Desculpe, García, não sabia que estava acompanhado - ele disse, em um tom de desculpas que não me convenceu. Meu pai cumpriu as formalidades e apresentou-me ao general Raymond Odierno, que amenizou sua expressão ao saber que eu era a filha do seu general subordinado. ▬ Prazer, Elena. Seu pai fala muito em você - ele disse, mas sem estender assunto comigo. Seu interesse era algum assunto com meu pai.

Eles conversaram algumas amenidades enquanto se dirigiam à mesa do meu pai, e eu não sabia se deveria sair ou se o general não pretendia demorar. Mas, no pouco tempo que me mantive ali, percebia que algo não estava certo. Em todo o tempo que já morávamos em Washington, desde que meu pai havia sido transferido de San Juán, ele nunca precisou ter muito contato com o comandante do Exército. E, mais do que isso, eles pareciam ter desenvolvido uma proximidade ao tratar de assuntos de interesse mútuo aos dois… Então percebi que, distraída com minhas histórias do Acampamento, não havia notado a mesa de meu pai desorganizada além do normal e sua expressão de cansaço. Havia acontecido alguma coisa antes de eu voltar…

▬ Elena, você se importa em almoçar sozinha hoje? Nós temos algumas coisas a resolver aqui e não vou poder ir com você - questionou meu pai, tentando parecer despreocupado, mas sem conseguir me enganar. Prontamente concordei, despedindo-me de ambos e me retirando da sala.

Parei no corredor vazio, preocupada com meu pai e com o que seria tão grave que estava tirando seu sono e impedindo até seus planos mais simples, como almoçar comigo. Essas coisas não eram do feitio do meu pai. Apesar de ser um bom profissional, ele respeitava seus limites físicos e sua saúde, jamais deixado de dormir por causa de uma preocupação no trabalho. “Eu vou descobrir o que está acontecendo aqui”, pensei comigo mesma.

Fui até a sala ao lado, onde ficava a secretária de meu pai, certificando-me que ela já havia saído para almoçar. Com a sala vazia, fechei o trinco da porta delicadamente e aproximei-me da parede que dividia os dois cômodos para tentar ouvir o que era tratado. Anteriormente as salas haviam sido uma só, e a parede que agora as dividia era de gesso, facilitando o ato insolente de ouvir e compreender as vozes do outro lado.

▬… e ainda não descobriram onde está! - reconheci a voz do general Reymond, quase exaltando-se.

▬ Também estou preocupado com onde isso pode ter ido parar. Se cair em mãos erradas… - disse meu pai, com certa aflição. Passaram-se alguns longos segundos em silêncio, até que eu ouvisse sua voz novamente. ▬ Tenho medo que a mãe de Elena esteja certa sobre esse projeto, general - inspirei e arregalei os olhos, surpresa, com a menção à minha mãe. Que tipo de assunto poderia envolver, simultaneamente, as Forças Armadas e a deusa do amor?

▬ Isso são teorias conspiratórias, García! Nós não vamos causar outra guerra usando o projeto HAARP, são apenas pesquisas - respondeu o comandante, seco.

Afastei-me três passos da parede, completamente intrigada com o que quer que estivesse ouvindo. O poderio militar norte-americano havia perdido alguma coisa importante? E essa coisa importante preocupava meu pai, e também minha mãe, pelo jeito. Mas o que poderia ser isso? O general só havia citado sobre não causar uma guerra e sobre um “projeto HAARP”. Respirei fundo meneando a cabeça, agora tão preocupada quanto meu pai.

Com um sonoro “PRIIIIIIM”, o telefone me assustou com seu toque agudo, e lembrei-me que a secretária que fazia uso desta sala poderia voltar em breve. Olhei pela janela, observando que o movimento de militares em fardas verdes ou azuis no pátio já estava diminuindo, marcando o final do horário de almoço. Peguei um pedaço de papel e uma caneta qualquer sobre a mesa e anotei palavras-chave do que ouvira, retirando-me rapidamente da sala antes que alguém me visse ali.

Com pressa, e tentando pensar sobre o que havia escutado, saí sem prestar atenção o suficiente no corredor. Peguei o celular em mãos para conferir as horas na tela inicial, mas assim que virei no primeiro corredor à direita após a sala de meu pai, esbarrei bruscamente em alguém que vinha da direção contrária, derrubando no chão o meu celular e o papel no qual havia anotado o que ouvira. Ao me recuperar da pechada, percebi que havia esbarrado naquele jovem oficial que estava trabalhando com meu pai. Como era o nome dele mesmo? Ah, sim, Jasper.

▬ Caramba, major Dale, me desculpe- disse. Vendo que ele juntava meu celular do chão e ia pegar o papel, adiantei-me pegando o objeto antes dele, mas desconfiada se ele não havia lido alguma coisa. ▬ Você estava indo para a sala do meu pai? - perguntei tentando distraí-lo com outro assunto.

▬ Sim, preciso sabe… - ele ia dizendo, mas interrompi-o para avisar que o comandante estava na sala e que seria adequado não atrapalhar. ▬ Por favor, avise meu pai que vou para casa - disse, mentindo, sabendo que meu pai não voltaria tão cedo para casa e ficaria tranquilo se pensasse que eu estava na segurança de nosso lar. Também pedi para o oficial me avisar quando meu pai saísse para almoçar, para saber se ele ainda faria a refeição comigo. Mas era outra mentira.

Tudo já estava em um plano.

Vestindo
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Última edição por Elena C. García em Sab Mar 25, 2017 10:44 am, editado 1 vez(es)




Elena C.{Castillo} Garcia

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Re: Danger in Federal City || CCFY || Elena C. García

Mensagem por Elena C. García em Sab Mar 25, 2017 12:09 am



Danger in Federal City: Capítulo 1

- - - - A Busca




Sede do Exército Norte-Americano, Washington DC

“Seu pai vai almoçar com o general”, dizia a mensagem em meu celular, enviada por Jasper. Sorri satisfeita, pois eu só queria saber quando a sua sala estaria vazia. Eu não havia ido longe desde que deixara o prédio principal do comando militar, apenas esperando a oportunidade de voltar à sala de meu pai e descobrir o que estava tirando sua paz.

Como que por encanto, mudei de roupa para um uniforme militar, para transitar pelo complexo sem chamar atenção ou sem ser facilmente identificada como filha do general García. Com o cartão de acesso fornecido a mim por meu pai, para poder me locomover sem sua companhia, consegui fazer o trajeto de volta à sua sala, após aguardar um bom tempo no corredor paralelo até que alguns oficiais liberassem o caminho até o último andar.

Quando finalmente estava na sala outra vez, comecei a vasculhar entre os objetos e documentos desorganizados sobre a mesa. Qualquer coisa que indicasse uma pista a seguir ou uma informação que fosse útil ajudaria.

Após alguns minutos vasculhando entre os papéis e gavetas sem encontrar nada, estava começando a ficar nervosa pelo tempo transcorrido sem resultados. “Às vezes as coisas que você procura estão em lugares tão óbvios que você nem percebe”, meu pai havia dito uma vez, anos atrás, tentando me ensinar uma de suas filosofias. Maneei a cabeça incerta, pois aquele conselho não parecia útil agora.

Os objetos sobre a mesa foram organizados novamente, para ficarem da mesma forma que encontrei. Após isso, sentei-me na cadeira de meu pai, improvisando um arco-íris com um espelho de maquiagem e os feixes de luz que atravessavam o vidro da janela. ▬ Íris, deusa do arco-íris, aceite minha oferenda - disse, jogando um dracma na direção das luzes coloridas e vendo-o se dissolver através delas. ▬ Javier, no Acampamento Meio Sangue - instruí.

As cores do arco tremeluziram e adquiriram outra forma, mostrando a imagem do que deveria ser o chalé de Melinoe. ▬ Jav? - chamei, logo encontrando-o sentado em sua cama, amarrando os tênis. Quando me viu através da mensagem, abriu um sorriso que demonstrava alegria e também certo alívio por eu mandar notícias. ▬ Na verdade, já tenho um problema... - disse, após poucos segundos de conversa. Então ele percebeu que eu estava vestindo um uniforme militar que não combinava comigo e que falava baixo para não ser descoberta. Contei brevemente sobre o que ouvi pela manhã, desde o momento em que o comandante chegou para falar com meu pai. Infelizmente, a expressão de Javier era tão intrigada quanto a minha, ele não tinha ainda nada a acrescentar que me ajudasse no momento, mas me ajudava a raciocinar enquanto eu vasculhava outras gavetas atrás de qualquer coisa que fosse útil.

▬ Porque você não tenta o computador? - ele sugeriu. Embora parecesse óbvio, eles eram estritamente protegidos por um sistema utilizado apenas nas forças armadas. Quando era criança, eu não podia nem ficar jogando Paciência enquanto visitava meu pai. ▬ Tente fazer uma prece a Hermes, ele pode ajudá-la - ele sugeriu, após eu explicar sobre as dificuldades de acessar o sistema do computador. ▬ Você é um gênio, Jav! - respondi animada, quase alto demais.

Afastei-me um pouco do arco-íris para procurar por outros papéis que pudessem revelar algo, mas meu pai não havia cometido o descuido de deixar nada avulso que pudesse me ajudar. ▬ Elena? - chamou Javier, que a essa altura não me via no campo de projeção do arco e já não conseguia me ouvir. ▬ Por favor, tome cuidado - ele disse, com o tom novamente preocupado e desgostoso por eu ter conseguido problemas no meu primeiro dia fora do Acampamento. ▬ Tomarei - disse em um tom afável, tentando despreocupá-lo, e avisei que mandaria outra mensagem mais tarde.

Finalizei a chamada, para que pudesse prestar mais atenção em tudo na sala e perceber caso alguém se aproximasse. Após desfazer o arco-íris, vasculhei alguns outros documentos, tendo sempre o cuidado de deixar tudo da mesma forma que estava antes, mas nada parecia ter relação com qualquer projeto diferente ou sobre um documento furtado. O tempo estava correndo e eu não havia descoberto nada ainda, ficando cada vez mais nervosa e ansiosa por qualquer informação a respeito. Estava pressupondo que meu pai levaria meia-hora para almoçar e retornar para a sala, e já havia perdido quase vinte minutos sem repostas. Fui, então, ao seu computador, o único lugar que ainda não havia tentado procurar, já sendo pessimista que não conseguiria acessar o sistema.

“Tente fazer uma prece a Hermes”, Javier havia dito. Hermes, além de deus mensageiro, dos viajantes e dos ladrões, também era o deus da informação e comunicação. Certamente era a ele que tinha que recorrer. Entretanto, com meu tempo no Acampamento, já sabia que as divindades não ajudavam de graça, mas com algum tipo de troca. Com os cotovelos apoiados na mesa, uni as mãos e encostei a testa nelas, concentrando-me na imagem que tinha de Hermes. Recordava das histórias que conhecia a seu respeito e tentava manter o pensamento nelas para levar os pensamentos ao deus mensageiro, embora não soubesse muito bem como isso funcionava. ▬ Deus Hermes, preciso muito de sua ajuda. Só você pode me ajudar a superar as dificuldades com esse sistema. Você, diferente de mim, já deve saber a importância disso. Não tenho nada a oferecer em troca, mas me disponho a realizar alguma tarefa em agradecimento - disse baixinho. Nos primeiros segundos que se seguiram à minha prece, nada pareceu ocorrer, e o desespero já estava quase me abatendo novamente. Soltei o ar tensa, mas então identifiquei a imagem do caduceu de Hermes surgir na tela, logo desaparecendo. Mas aquilo foi o bastante para eu saber que havia sido ouvida e atendida. ▬ Obrigada - disse animada, mas sem esquecer que me comprometera com o deus em troca.

Ao abrir os olhos e fitar a tela do computador, parecia que toda a minha insegurança em relação ao sistema havia sido substituída não por conhecimento, mas por esperteza em relação àquela tecnologia. Na tela, um pedido para inserção de uma senha que, claramente, eu não tinha. Reiniciei o aparelho e, antes de o sistema inicializar, pressionei uma tecla de comando para acessar os arquivos sem a necessidade daquela senha inicial e fui direcionada a uma nova tela. Palavras-chave foram inseridas para buscar por arquivos referentes ao projeto e, após algumas tentativas, localizei um dossiê sobre um projeto criado em 1993, mas com atualizações recentes, intitulado High Frequency Active Auroral Research Program.

Acessei o arquivo, conseguindo desbloquear a senha de acesso através de um atalho, e consegui finalmente compreender a razão da preocupação de meu pai e do comandante do Exército, caso aquilo tivesse caído em mãos erradas. Com as pupilas dilatadas, meus olhos deslizavam pela tela absorvendo todas as informações possíveis sobre aquele projeto, que tinha como objetivo principal ampliar o conhecimento sobre as propriedades físicas da ionosfera terrestre, realizando pesquisas em instalações no Alasca. O lado positivo deste projeto seria a possibilidade de melhorar o funcionamento de vários sistemas de comunicação e navegação, mas o curioso é que as Forças Armadas não precisam disto. Faria sentido se uma universidade ou pesquisadores renomados estivessem assinando esse projeto, não a força militar…

A resposta para minhas indagações veio nas linhas seguintes. Com o aquecimento da ionosfera para geração de uma aurora artificial, algumas localidades do planeta podem ter elevação nas temperaturas, o que nada mais é do que uma forma de aquecimento global. Mas se fosse apenas isso…

Em anexo ao arquivo, estava uma denúncia publicada pelo The New York Times, de 2002. O parlamento russo havia denunciado o projeto HAARP como uma forma de produzir uma arma geofísica, capaz de interferir em todo o planeta a partir de pontos isolados. Segundo outro relatório russo, divulgado pelo The Washington Post, o HAARP seria uma nova transição na indústria bélica, pois usava de uma tecnologia que poderia intervir até no movimento das placas tectônicas, temperatura atmosférica e até mesmo o nível de radiação que passa pela camada de ozônio.

Era difícil digerir todas aquelas informações, mas também era difícil de duvidar delas. “Tenho medo que a mãe de Elena esteja certa sobre esse projeto, general”, meu pai havia dito ao seu comandante, e temia que tivesse encontrado a razão superior para uma preocupação por parte de uma deusa.

Ouvi vozes que vinham do corredor e, por um segundo, minhas palpitações pareceram parar. “Pense rápido, Elena”, disse a mim mesma. Afrouxei um pouco o cabo do computador ligado à tomada, para que o aparelho se desligasse subitamente sem deixar vestígios do que pesquisei e, ainda assim, parecesse que qualquer um que tivesse passado ali antes tivesse tropeçado no fio, afrouxando-o. Circulei os olhos pelo ambiente, certificando-me que não havia deixado rastros óbvios, mas precisava sair - e rápido!

▬ … ela pediu para avisar que foi para casa, senhor - ouvi o trinco da porta se abrir e a voz de Jasper. Ouvi seus passos mais claramente e então tive certeza que entraram na sala. Àquela altura, eu havia deixado a sala através da porta da pequena sacada que dá acesso à vista do pátio interno, saindo de perto da porta para não gerar sombra. ▬ Ah, melhor assim. Temos esse problema para resolver... - ouvi meu pai dizer. Eu teria ficado mais tempo ali, para ouvir qualquer outra coisa a respeito do projeto e sobre quem poderia ter furtado documentos a respeito, mas podia facilmente ser apanhada ali. Apoiando-me na borda da sacada, saltei para o lado externo e usei uma árvore para descer até o solo.

Eu não tinha nenhuma pista para onde deveria ir, nem meios para descobrir mais informações ou pistas, mas minha intuição me dizia para ir para o National Mall. O principal parte do Distrito de Colúmbia tinha os principais monumentos nacionais, cercados de história e de mitologia. Indo para lá, eu estaria a meio caminho de qualquer pista importante.

- - - - - - - - - -

National Mall, Washington DC

Agora o vestuário se invertia: eu chamaria mais atenção com uniforme militar no principal parque da Federal City, então fiz outra troca para parecer apenas uma turista e transitar com mais naturalidade pelo lugar. O National Mall seria o similar ao Central Park, mas com menos arborização e mais conteúdo histórico e cultural. O parque compreende a área entre o Capitólio e o Memorial Lincoln, com um quilômetro de extensão e uns 120 metros de largura. Os principais pontos turísticos e locais para passeios escolares estavam naquela área, como o Monumento a Washington, o Museu Nacional de História Americana, a Galeria Nacional de Arte e o Jardim Botânico dos Estados Unidos.

Sentei-me em um banco próximo à Galeria Nacional de Arte, onde um grupo de turismo estava entrando e acompanhando o que o guia turístico dizia enquanto conduzia todos para dentro com empolgação. De uma pequena bolsa que carregava comigo, retirei algumas bolachas integrais, comia uma e esfarelava outra, jogando ao chão para atrair os pombos.

▬ Oi - disse ao primeiro que se aproximou, me sentindo um pouco idiota por tentar falar com ele. A ave inclinou a cabeça me fitando com o olhar, para então soltar um “pru” que me soou como um oi. ▬ Sabe, me disseram que os pombos daqui são mais inteligentes do que os que ficam do outro lado do parque… - comecei, percebendo que o pássaro não queria me dar assunto enquanto não comesse todas as migalhas que joguei no chão, antes que outros pombos chegassem. Entretanto, minha provocação teve resultado.

▬ E somos mesmo - ele disse convencido, estufando o peito além do normal para um pássaro.

▬ Então você deve ter a informação que eu preciso - disse, continuando a aguçar seu orgulho. ▬ Estou procurando por pessoas que roubaram uma coisa do Exército. Viu alguém diferente saindo da sede? - perguntei, tentando explicar da melhor forma possível… para um pombo. Deuses, isso devia estar sendo ridículo.

Outro pombo havia pousado próximo, para colher as migalhas que o primeiro ainda não havia comido, e, ouvindo nossa conversa, aproximou-se. ▬ Além de você? Um homem estranho saiu de lá hoje de madrugada. E tinha outro junto... Nunca vi eles aqui e não são turistas - ele informou, colhendo duas ou três migalhas enquanto falava. ▬ Os que me chutaram enquanto eu comia? - perguntou o primeiro pombo, magoado.

▬ Para onde eles foram? - perguntei, interrompendo o assunto entre os dois. ▬ Vi eles entrando naquele memorial - um deles respondeu, e eu já ia levantar, mas ambos pararam na minha frente impedindo que eu seguisse caminho. Quer dizer, não estavam impedindo o caminho, eu poderia continuar, mas estava claro que tinha mais alguma coisa. ▬ Sabe, nós trocamos informações por comida… - o segundo falou, e joguei as bolachas restantes no chão, atraindo uma revoada de pombos.

- - - - - - - - - -

Memorial da Segunda Guerra, National Mall/Washington DC

Meus pés seguiram o caminho habitual de todas as vezes que ia ao Memorial, construído há treze anos e dedicado ao presidente Bush para homenagear os mortos da Segunda Guerra Mundial - mas apenas os militares norte-americanos que morreram durante os confrontos, claro. Pensar naquela guerra, em especial, revirava o meu estômago. Mas, para além da destruição causada e as mortes - pessoas, almas, que se tornaram apenas números em 1945 -, também havia a morte de Rúben Santiago García, o meu bisavô. Eu odiava a existência daquele memorial para nos lembrar que houve uma guerra e muitas mortes, mas é uma das poucas lembranças físicas que restam dele e que durará para sempre.

Dirigi-me ao arco que fazia referência ao Oceano Atlântico, para a espada imediatamente à direita daquela construção e levei a mão a um dos pingentes de meu colar. Além das contas do Acampamento, também carregava comigo o pingente de alistamento no exército de meu avô e de meu bisavô, que antes haviam sido do meu pai. O monumento em formato de espada que estava ali representava o pelotão comandado por ele, o primeiro general García. Respirei fundo, impaciente, com os turistas que transitavam por aquele anexo do National Mall, que não respeitavam adequadamente o que aquele memorial significava, tirando fotos das espadas e dos arcos, fazendo selfies diante deles.

Eu dei-me ao direito de um momento de introspecção, revivendo algumas das histórias que eu conhecia de meu bisavô, do quanto sua presença era essencial para todos e do quanto a sua morte afetou o alicerce principal da família naqueles tempos. Por causa dele e de seu exemplo, seus descendentes seguiam a mesma carreira… Bem, até eu nascer e interromper a linhagem masculina de militares.

▬ Durma, semideusa - ouvi uma voz subitamente próxima de mim. Tentei agarrar seu antebraço antes que chegasse a envolver meu pescoço, mas não tive força o suficiente. Sua outra mão veio de encontro ao meu rosto com um lenço, e esta é a última coisa que lembro.


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Poderes & Habilidades:


Nome do poder: Sempre na Moda
Descrição:  Você tem um pequeno controle sobre a moda. Onde o lugar é frio, consegue em um estalar de dedos se vestir apropriadamente ao clima, e se for quente também. Esse efeito de roupas para uso próprio dura quanto tempo você quiser.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Isso permite que você mude de roupas sempre que desejar.

Nome do poder: Comunicação com Pombas e Cisnes
Descrição: Ambos são animais regentes da deusa do amor, logo, seus filhos podem se comunicar com as mesmas, podendo pedir pequenos favores e principalmente informações. Os pássaros não te obedecem, mas têm respeito e admiração por você.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode conseguir informações através deles, e com seu charme natural, até consegue que eles te ajudem.
Dano: Nenhum

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Última edição por Elena C. García em Sab Mar 25, 2017 10:39 am, editado 1 vez(es)




Elena C.{Castillo} Garcia

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Re: Danger in Federal City || CCFY || Elena C. García

Mensagem por Elena C. García em Sab Mar 25, 2017 12:09 am



Danger in Federal City: Capítulo 2

- - - - As mãos erradas




Depósito do Triunvirato S.A. em Washington

O centro histórico de Sán Juán, capital de Porto Rico, estava sendo mergulhado em um lindo anoitecer, enquanto um rapaz com fardamento verde saía do quartel em direção à sua casa, caminhando com calma e com os pensamentos distantes. Seu cabelo estava cortado em alinho com seu quepe, sua postura era firme e seu rosto estava marcado por arranhões conquistados em algum treinamento recente. Seus pensamentos estavam distantes enquanto caminhava, até que sua atenção pareceu retornar enquanto passava por uma praça. Algum homem importunava uma bela moça que passava pelo local, ouvindo repetidos “nãos” dela, mas fazendo-se surdo a isso. Quando o homem fez menção de agarrar o braço dela, o jovem militar aproximou-se segurando seu punho. Ao erguer a cabeça, reconheci meu pai, anos mais jovem. E aquela moça seria Afrodite?

Subitamente minha visão mudou para nossa antiga casa, no bairro Gobernador Piñero. Pelo clima, vários meses já haviam decorrido desde a primeira visão que tivera. À porta, a deusa e meu pai conversavam com uma criança no colo, e eu captava diferentes sentimentos na atmosfera. Rompendo a lógica do sonho, a deusa olhou em minha direção - seja qual for a direção da qual você “assiste” um sonho -, sorrindo. ▬ Acorde, Elena - ela disse suavemente, despertando-me de imediato.

Abri os olhos abruptamente, descobrindo estar com os pulsos amarrados às costas junto a uma barra enferrujada, impedindo-me de sair dali de qualquer forma. O ambiente em que me encontrava estava mal iluminado, sendo possível afirmar apenas que eu estava em algum tipo de estoque velho. O forte cheiro de mofo e objetos abarrotados em caixas encheu minhas narinas provocando um desconforto e vontade de espirrar.

Dezenas de perguntas rodeavam minha mente, sem que eu conseguisse lembrar adequadamente de todos os fatos que se sucederam desde que eu fui ao Memorial da Segunda Guerra até aquele lugar asqueroso.

▬ Besta vai ficar feliz quando receber essas notícias - ouvi alguém dizer, sem conseguir identificar de onde a voz vinha, pois a reverberação no ambiente produzia eco. Mas eu já havia ouvido aquela voz… Ao lembrar quem era o dono daquela voz, arregalei os olhos e forcei os pulsos tentando me soltar, sem sucesso. Aquela foi a voz que ouvi no Memorial, antes de desmaiar e acordar naquele lugar.

Percebendo minha brusca movimentação, ouvi passos se aproximando de mim e um homem surgir da escuridão em meu campo de visão. ▬ Ora, vejam quem acordou. Bom dia, flor do dia - ele disse, com total tom de ironia e deboche. ▬ Sabíamos que mandariam alguém atrás disso - ele foi dizendo, despreocupadamente, mostrando-me um pen drive. ▬ Mas não esperávamos por você.

▬ Eles devem estar tentando outra estratégia - outro homem disse presunçosamente, aproximando-se de meu campo de visão. ▬ Eu não sei com quem vocês estão me confundindo, mas estão cometendo algum engano - disse, tentando me fazer de desentendida e convencê-los a me soltar usando o charme e encanto natural de qualquer filha da deusa da beleza. O primeiro homem aliviou a expressão de seu olhar e pareceu considerar o que disse por um instante, mas o outro ainda carregava um sorriso insuportavelmente debochado. ▬ Não sei que tipo de agente você é, mas isso não funciona comigo - ele disse, dando uma risada.

▬ Quem são vocês? - questionei, pois queria respostas e um pouco de tempo para pensar em um plano alternativo. ▬ Ah, desculpe, onde estão meus modos - disse o segundo homem, claramente o líder ali, colocando as mãos para trás do torso e caminhando lentamente à minha frente. ▬ Eu sou Vinícius, e este pateta é o Garius. Ou Vince e Gary, se você preferir - ele respondeu, dando de ombros. Gary pareceu perceber apenas depois o insulto dirigido a ele, franzindo as sobrancelhas e encarando Vinícius prestes a protestar.

Antes disso, aproveitei para fazer mais perguntas. ▬ Qual o interesse de vocês com esse pen drive? - questionei, enquanto discretamente ainda tentava soltar meus pulsos.

▬ Essas razões vão além da sua compreensão, menina - ele disse, incomodando-me por sua falta de respostas concretas. Com a minha visão mais habituada com a pouca luz do lugar, identifiquei que as caixas ao meu redor eram todas identificadas com uma logomarca. Estreitando os olhos, consegui ler o nome. ▬ Triunvirato S.A.? - Vinícius, ou Vince, gargalhou de satisfação ao ser identificado dessa forma.

▬ Talvez você seja mais esperta do que parece. Agora estou entendendo porque enviaram você - ele disse, sabendo ser irritante. Mas optei por entrar no jogo dele. ▬ Sim, e você pode me contar o que pretende com o HAARP - disse sorrindo, da maneira mais convincente que conseguia. ▬ Tudo bem, afinal, vamos te matar mesmo - ao ouvir isso, meu sorriso se desfez facilmente.

Garius, que até então estava inerte próximo a Vinícius, pareceu se animar com a palavra “matar”, rindo abestadamente. Com um gesto duro, o outro homem mandou ele se calar. ▬ Só pretendemos agilizar o que obviamente vai acontecer, querida. Ou você realmente acha que isso será usado apenas para melhorar os meios de comunicação? - ele disse, e senti como se meu estômago fosse apunhalado. Eu não conseguia acreditar que todo aquele aparato tecnológico fosse apenas para isso, e compreendia as suspeitas russas entorno do projeto. ▬ É iminente que outra guerra virá, mas queremos acelerar o processo - ele explicou, olhando para o pen drive com um brilho insano nos olhos.

▬ Mas por quê? - perguntei, sem conseguir compreender o seu interesse em causar uma guerra com aquela possível arma geofísica. Será que eles nunca tinham perdido alguém em uma guerra e não compreendiam o valor das vidas que seriam perdidas? Com aquele brilho nos olhos, acredito que não. Assim como meu novo país também não havia se preocupado com as vidas perdidas do outro lado do Índico.

▬ Porque o Olimpo não aguentará outra guerra agora. Eles quase sucumbiram quando Gaia acordou. Os dois acampamentos quase se mataram… Só precisamos dar mais um empurrãozinho e o panteão não resiste - ele explicou, e eu tentei acompanhar com todas as informações prévias que eu tinha, embora fosse difícil. Eu sabia que Cronos havia tentado derrubar os deuses com a ajuda de semideuses desertores, e que Gaia havia despertado com o mesmo propósito poucos anos depois. Achei que tudo estava em paz e desconhecia qualquer outro inimigo que o Olimpo pudesse ter.

▬ É tudo o que o Besta quer - disse Garius, risonho. Era a segunda vez que ouvia eles falando em um tal de “Besta”, e já que eles estavam receptivos a perguntas, não hesitei em fazer essa indagação. ▬ Quem é Besta? - questionei, antes que se cansassem das perguntas e decidissem me matar. Vinicius pareceu um pouco mais nervoso ou inquieto com essa pergunta, dando-me as costas enquanto se mantinha em silêncio. Ele entregou o pen drive a Garius, que deixou meu campo de visão.

Nos breves segundos que Vinícius levou para me responder, mantendo-se de costas, uma mão fria colocou-se sobre minha boca, assustando-me e impedindo que eu gritasse. Olhei para o lado surpresa, mas me acalmando um pouco ao ver que era Jasper. Ele levou o indicador aos lábios, orientando-me a manter sigilo sobre sua presença ali. Acenei positivamente com a cabeça. Com os dedos indicadores, fez um gesto circular com ambos e depois apontou para Vinícius, dizendo para continuar conversando com o homem para distraí-lo. Novamente, concordei.

▬ É um dos imperadores mais notórios que já compôs um Triunvirato, garota - ele disse de modo impaciente, virando-se de volta para mim devagar. Franzi as sobrancelhas, perguntando-me se o triunvirato ao qual ele se referia seria o mesmo que eu me lembrava das aulas de história. ▬ Um triunvirato romano? - perguntei, pensando alto, mas o sorriso de Vinicius confirmou o que eu estava pensando a respeito. ▬ Você está falando sério? Triunviratos nunca deram certo! - exclamei, em um tom mais aliviado e menos preocupada com o que estava encarando. O homem pareceu estar perdendo a paciência comigo agora, e eu também estaria se quisesse começar uma guerra logo para derrubar o Olimpo.

▬ Você não sabe com quem está lidando, semideusa! - ele vociferou, virando centenas de bolinhas de isopor de uma caixa. ▬ Você sabe que Roma durou centenas de anos! E esses imperadores sempre estiveram na memória da população, fossem considerados bons ou ruins. Como os seus deuses. São imperadores-deuses! - ele bradou, como se realmente acreditasse em suas palavras e estivesse esperando todo esse tempo para vê-las se concretizando. Ele falava como se aqueles imperadores - fossem quem fossem - estivessem trabalhando ao longo dos anos, pacientemente, apenas aguardando o momento certo para fazer o que Roma melhor tentava fazer: dominar o mundo.

Enquanto Vinicius falava, Jasper cortou as cordas que prendiam meus pulsos, mas eu mantive-me na mesma posição, aguardando um momento adequado. Mas, assim que Garius retornou, compreendi que eles não me dariam mais assunto. ▬ Bem, garota, sinto muito que você tenha vindo aqui em vão e não vá sair daqui viva, mas… - Não, ele não sentia muito. Era momento de agir, antes que eles tentassem qualquer coisa e fossem embora com as informações necessárias para provocar mais uma guerra.

Antes que eu me levantasse desembainhando minha adaga para atacar, Jasper surgiu atrás de Vinícius, chutando a parte posterior de seus joelhos e derrubando-o ao chão. Estendi a mão direita para gerar roseiras e aprisionar a perna de Vinicius, impedindo-o de se levantar, a menos que quisesse se machucar. Com a vantagem do elemento surpresa, Jasper golpeou a cabeça do homem, fazendo-o cambalear.

Garius demorou a reagir, pego de surpresa, mas assim que seus poucos neurônios compreenderam o que estava acontecendo, ele tentou atingir Jasper enquanto ele golpeava Vinícius. Corri, avançando em sua direção, bloqueando o movimento sua faca com minha adaga em uma tentativa de desviar seu golpe para o lado. Com sucesso, o golpe não atingiu Jasper, mas Garius era mais forte do que qualquer campista com o qual já havia treinado no Acampamento Meio-Sangue, forçando-me a retesar os músculos para não deixá-lo me ferir. Por mais que tentasse forçar a adaga para o lado, não conseguia aplicar contra ele nenhum golpe para desviar sua lâmina ou desarmá-lo, mantendo-me apenas na defensiva.

Sem qualquer ética de combate, o vilão brutamontes chutou a lateral do meu corpo com força, derrubando-me a três metros de distância. Mas eu tinha que reagir rápido, não havia tempo nem para levar a mão à lateral machucada sem dar-lhe margem de tempo para um novo e mais forte ataque. Rolei o corpo e me levantei arfando com a dor do golpe ainda recente, recuando o necessário para ter alguns poucos segundos de vantagem e pensar em algo rapidamente. Eu não tinha nenhuma chance contra Garius em um combate, pois sua força era descomunal, então tinha que ser mais esperta que ele - o que não era difícil.

Em outra investida contra mim, ele se aproximou com passos pesados e brutos, e apontou sua faca em minha direção. Com um breve olhar em seus movimentos, dei-me conta que, por seu tamanho e massa muscular, ele não podia ser muito veloz, e eu tinha que aproveitar a vantagem disso. Avançando três passos em sua direção, desviei para a sua direita antes do golpe, tendo observado previamente que ele era canhoto. Com a brecha na sua lateral direita, golpeei ali com a adaga causando-lhe um corte na pele. Logo após me afastei, para não ser atingida com sua fúria após o golpe. Ele deu um berro gutural com a dor, coisa típica de homens com pose de machão. Já podia prever que ele atacaria com mais fúria depois do corte, seguindo padrões e desatentando mais com sua defesa. Assim eu esperava, e dessa forma conseguiria obter vantagem por ser menor e mais ágil.

Olhando de relance para Jasper e Vinicius, vi que ambos empunhavam espadas e batalhavam com maestria do outro lado do estoque, mais próximos de pilhas de caixas. O homem tinha severos arranhões na perna, que foram causados quando ele se livrou das roseiras que havia criado para envolvê-lo. Voltando minha atenção para Garius, percebi seu olhar de fúria em minha direção e, como esperava, ele disparou contra mim, dando-me tempo apenas para usar minha adaga defensivamente. Uma ideia havia passado por minha mente, e, conforme desviava, recuava em direção a uma das pilhas de caixas. O brutamontes imaginava, satisfeito, que eu estava assustada e encurralada, mas não sabia o que o aguardava.

Quando minhas costas tocaram as caixas, Garius deu-se por vitorioso naquele embate, com um sorriso arrogante. ▬ Você já era, garota - ele disse, e mantive-me no papel de encurralada. Seu golpe veio veloz e vorazmente, quase não me dando tempo? de recuar. Abaixei-me e desviei agilmente, para imitar o golpe de Jasper na parte posterior de seu joelho. A faca dele acabou atingindo e furando uma caixa, ficando brevemente presa em algo que estava em seu interior. Aproveitando essa distração, finquei minha adaga nas costas de seu joelho, e Garius urrou de dor. Como planejado, ele se desequilibrou e caiu sobre as caixas, derrubando as outras que estavam no topo da pilha sobre si.

Meu raptor estava caído, misturado a diferentes caixas. Alguns objetos pesados caíram sobre ele, dando-me tempo o suficiente para acabar com tudo naquele momento. ▬ O que você está esperando, Elena? - bradou Jasper, que havia compreendido o que havia acontecido, apesar de ainda estar envolvido no embate com Vinícius. ▬ Eu não consigo… - murmurei, falando apenas para mim. Eu não me via capaz de tirar a vida de alguém, por mais horrível que essa pessoa fosse, por mais que houvesse me raptado… Mas eu precisava agir rápido, pois sabia que ele não hesitaria para me matar. Levei meus pensamentos a um dos primeiros ensinamentos de uma guerra: é matar ou morrer.

Não pensei muito a respeito, antes que desistisse. Com a adaga ainda marcada pelo sangue de Garius, levei a lâmina ao seu pescoço afundando o metal frio em sua carne. Desviei o olhar dessa cena, sem conseguir controlar muito bem as emoções negativas que vinham por eu ter tirado a vida de alguém, mesmo sabendo que não havia outra escolha. Do seu bolso, retirei o pen drive vermelho que continha os dados do projeto, guardando-o comigo e afastando-me do seu corpo.

▬ Consegui! - anunciei a Jasper, informando que o objeto estava em minha posse. Com a distração causada por meu grito, Vinícius chutou o peito de Jasper, lançando-o para trás. ▬ Você está bem? - perguntei, correndo ao seu encontro para acudí-lo. Sem se importar com meu auxílio, o oficial se levantou cambaleante, preparando-se para atacar novamente.

▬ Onde ele está? - perguntou, olhando para todos os lados para não ser pego em uma emboscada. ▬ Voltaremos a nos encontrar - ouvimos sua voz sem reconhecer de onde vinha, mas percebendo que se afastava cada vez mais. Vinícius estava bastante ferido, e não quis arriscar uma batalha contra dois adversários se já havia perdido o pen drive.

Com um suspiro, manifestei meu alívio por aquilo ter acabado e termos recuperado o objeto com o maldito projeto norte-americano. Mas, com o fim também da adrenalina que corria por meu corpo, senti a dor do golpe de Garius em minha lateral e levei a mão ao local em uma tentativa de amenizar a dor. Esperava não ser nada grave, mas não estava muito otimista. ▬ O que aconteceu? - Jasper perguntou, referindo-se ao machucado, que logo começaria a inchar.

Apesar da dor, era outra questão que me interessava saber. ▬ Como você sabia que eu estava aqui? - perguntei intrigada a Jasper. Ele não podia apenas ter adivinhado e contado com a sorte, pois nem eu sabia onde havia parado. Com um meio sorriso desengonçado, ele tirou do bolso o espelho de maquiagem que eu havia usado para produzir o arco-íris que me possibilitou falar com Javier. Parece que eu havia deixado vestígios da minha passagem pela sala de meu pai. Com um sorriso sem graça, tomei o objeto de volta.▬ Obrigada, Jasper - disse, como se não soubesse como aquele espelho havia ficado lá.

▬ Rastreei seu celular quando vi que você arranjaria problemas - ele explicou, e dando mais sentido às coisas. ▬ Seu pai não sabe de nada sobre isso. Ainda… - ele disse tranquilizando-me sobre esse aspecto, mas eu sabia que falar com ele seria meu próximo desafio.

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Sala do comandante do Exército, Sede do Exército Norte-Americano, Washington DC

▬ Você vestiu o uniforme do exército sem ter autorização para isso, invadiu a sede, hackeou um computador e tomou conhecimento sobre um projeto sigiloso do Exército dos Estados Unidos - disse o coronel Raymond, com uma expressão cansada e tom firme. Ao seu lado, estava meu pai, e eu não conseguia identificar exatamente o que havia em sua expressão, se decepção ou alívio por nada demais ter acontecido comigo. Querendo ou não, ele teria que se acostumar com isso. ▬ E você… - o comandante continuou, falando com Jasper, que estava ao meu lado. ▬ ...saiu daqui e assumiu essa missão sem nenhuma autorização - ele concluiu, visivelmente ultrajado por termos ignorado sua autoridade. ▬ O que vocês têm a dizer? - perguntou, por fim.

Eu e Jasper trocamos um rápido olhar, e percebi que ele não estava disposto a falar com o general sobre isso. Adiantei-me um passo e retirei o pen drive vermelho do bolso da calça, mostrando-o aos dois generais à nossa frente. ▬ Recuperamos o documento do projeto antes que eles acessassem essas informações - disse, deixando o pequeno objeto sobre a mesa do comandante. ▬ E descobri algumas coisas… - disse, sem completar o pensamento.

Raymond suspirou, denunciando seu cansaço diante de nós, e trocou um olhar indecifrável com meu pai. ▬ Deixem-me falar com a senhorita Garcia - ele disse, recebendo de meu pai um olhar incerto. Após um momento de hesitação, ambos deixaram a sala, e fiquei sozinha com o coronel Raymond, o comandante do Exército.

▬ Me diga o que você descobriu - ele disse, mas eu não havia pensado em uma explicação que não envolvesse deuses olimpianos ou vilões mitológicos. Percebendo meu momento de hesitação, o general sorriu. ▬ Menina, você acha que eu não sei sobre ou deuses, ou sobre quem é sua mãe? Infelizmente, sei de todos os segredos que pessoas normais não devem saber - ele disse, e, pelo jeito, ser portador de tantos segredos era extenuante.

Ainda parecia estranho contar sobre todas as minhas descobertas do dia para o general, sendo ele um mortal - eu mesma ainda estava tentando digerir tudo o que aprendera no verão -, mas dei-lhe um voto de confiança. Contei o que sabia sobre ambos os conflitos que ocorreram anteriormente, sobre o titã do tempo e a deusa primordial da terra, mas ele gesticulou para eu adiantar essa parte, pois não era novidade para ele. Então falei o que havia descoberto sobre o Triunvirato, e sua expressão ficou pensativa quando comentei sobre o possível uso do projeto HAARP, até que ele fechou a cara e não mudou sua expressão até eu concluir minha narrativa.

▬ É verdade o que disseram sobre o HAARP? - perguntei, obtendo um suspiro cansado seu em resposta. ▬ Alguns queriam apenas estar um passo à frente de possíveis inimigos - ele disse, mas seu tom demonstrava que também não gostava daquela possibilidade. Eu teria protestado muitas coisas, mas sua expressão exausta me desencorajou. Ele realmente parecia carregar o peso de muitas coisas nas costas e estar indisposto a ter outra discussão sobre este projeto.

▬ Sabe, sempre temos semideuses ou legados trabalhando conosco ou para nós, assim como seu pai, seu avô e seu bisavô… - ele disse, e fui obrigada a cometer a grosseria de interrompê-lo para perguntar sobre o que ele estava falando. ▬ Seu bisavô era filho de Marte, García. Seu avô e seu pai são legados. Isso claramente não afetou você por ser filha de uma deusa, a influência dela sobrepujou o lado divino da família de seu pai - ele disse, surpreendendo-me.

Eu levaria algum tempo para digerir essa informação. Era difícil, mas não impossível, crer que meu tataravô era o deus romano da guerra, mas, por outro lado, isso explicava três gerações de minha família servindo as Forças Armadas. Recordando-me da dificuldade que tivera para matar um inimigo, era de se compreender que a influência de Afrodite poderia ter bloqueado qualquer interferência que eu poderia ter de outro deus em sua quarta geração

O general percebeu que essa informação era nova para mim, e a revelou ou para facilitar qualquer explicação que meu pai um dia fosse me dar ou por achar que eu merecia saber. ▬ Bem, espero poder contar com você no futuro - ele concluiu, dispensando-me de sua sala e dando o assunto como encerrado.


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• Esta CCFY é baseada nas recentes descobertas do livro O Oráculo Oculto, que apresenta o Triunvirato S.A. como o verdadeiro vilão por trás dos conflitos narrados nas duas primeiras séries, e traz os mesmos personagens, Vinícius e Garius.

• Missão CCFY usada como teste para liderança do chalé de Afrodite.

• Caso o desempenho da missão seja suficiente, peço também reconhecimento como legado de Ares/Marte. Aproveitando o desenvolvimento natural que a história de minha personagem tomou, deixei em aberto a possibilidade de ela ser legado de Marte em sua 4ª geração. Não haveria confusão entre os aspectos gregos e romanos de sua ascendência, pois, conforme explicado em A Marca de Atena, Afrodite não muda sua essência em seu aspecto romano. É possível que Elena seja filha de Vênus, mas tenha ido para o Acampamento Meio-Sangue por proximidade geográfica. Nesta possibilidade aberta em sua história, imagino que seu bisavô e avô possam ter sido legionários no Acampamento Júpiter. Já seu pai, desde a missão Arrival, era tratado apenas como um mortal que enxergava através da Névoa, mas ainda com essa possibilidade sendo plausível.

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Poderes & Habilidades:


Nome do poder: Charme I
Descrição: Os filhos de Afrodite/Vênus têm grande capacidade da persuasão, afinal, é impossível resistir aos pedidos de alguém tão carismático.  Neste nível o poder está começando a se desenvolver, portanto só funciona com semideuses e monstros mais fracos.
Gasto de Mp: 15 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Pode usar para enganar ou persuadir alguém a fazer o que você quer, por exemplo, fazer um inimigo se voltar contra um aliado dele mesmo. Porém, só funciona com pessoas de nível inferior ao seu.

Nome do poder: Controle das Rosas I
Descrição: O semideus é capaz de fazer crescer pequenas roseiras, nesse nível as roseiras apenas se enroscam nas pernas do inimigo, e uma única flor brota, os espinhos causam leves arranhões, e prendem os tornozelos do oponente do semideus, mas não fazem muito mais que isso.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 10 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Adagas I
Descrição: O semideus possui certa afinidade com as adagas, uma arma delicada, simples, que em suas mãos se torna mortal. O filho de Afrodite/Vênus costuma repelir armamentos mais pesados, por isso a adaga o atrai com mais facilidade. E mesmo que ele nunca tenha se utilizado de uma, conseguira maneja-la com certa facilidade. Nesse nível, ainda apresenta alguns poucos erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de assertividade no manejo de Adagas.
Dano: +5% de dano se a arma do semideus acertar o oponente.

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Armas & Itens Utilizados:


Faca de Bronze celestial

Vestindo
Thanks, Dricca - Terra de Ninguém





Elena C.{Castillo} Garcia

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Elena C. García
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Re: Danger in Federal City || CCFY || Elena C. García

Mensagem por Zeus em Dom Mar 26, 2017 3:39 pm


Liderança do chalé de Afrodite conquistada.
Avaliação
Realidade de postagem + Ações realizadas – 500xp
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância e etc – 900 xp
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 950 xp
TOTAL: 2,350 x 4 = 9400 xp +8.000 Dracmas

+ Legado de Ares, poderá usufruir dos poderes de legado até o nível 5 como constam nas regras do fórum.

+Espada de fragmentos [ É uma espada totalmente feita de ferro estígio, tendo o cabo envolvido em couro. Ela foi totalmente corrompida pela ira, para ficar mais poderosa.| A arma se alimenta do HP da criaturas que atinge e armazena sua essência, passando-as por dois turnos para seu portador, ou seja, durante dois turnos 50% do HP das criaturas atingidas por essa arma, são passadas para o seu portador, no caso, o dono da espada.| Ferro estígio e couro.| Espaço para duas gemas.| Alfa. | Status: 100%, sem danos | Mágica. | A Mente Liberta (evento) ]



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Zeus
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Re: Danger in Federal City || CCFY || Elena C. García

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