The Blood of Olympus
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[Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

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[Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Érebus em Qua Fev 01, 2017 5:17 am


Blood in Fire and Ice


Abramov se assustou quando reparou que não estava no seu chalé. Mesmo sem sequer abrir os olhos tinha notado, o clima tempestuoso havia desaparecido. Como foi parar ali? Em uma... Gruta? Não, deveria ser impossível. Ele estava muito, muito ferrada. Não fazia muito tempo que finalmente fora escolhido como líder de chalé, mas desde que tinha entrado no acampamento havia ganho o respeito de quase todo mundo em seu chalé, feito amizade com uma porção de irmãos. Agora, ele tinha ferrado tudo, havia desparecido justamente no maldito dia da caça-bandeira, o maldito dia onde ele havia sido encarregado de cuidar de tudo para que todos ficassem tranquilos com seus objetivos. Seu corpo estremeceu, um vento intensamente frio cortou o ar, agora tinha ainda mais certeza que sequer estava em Nova Iorque. Ele desejou que tivesse algo além dos pijamas pra se esquentar.

Como se respondendo ao comando cerebral dele, uma fogueira se acendeu no fundo da gruta, ele não tinha investigado em volta, então ficou um pouco surpreso. Agora tudo estava muito mais iluminado, ele achava ser dia, mas notou, após andar até entrada do local, que lá fora ainda era noite. Abramov suspirou - Onde diabos eu estou? - Pronunciou, trincando os dentes. - No Alasca? - Se questionou outra vez. Continuou, indo em direção até a fogueira, pois a entrada da caverna estava muito gelada e ele não conseguia ver, mas jurava que podia estar nevando.

Não havia dado muitos passos gruta adentro quando escutou uma explosão lá fora, como o retumbar de um raio, e logo em seguida outra voz no recinto: - Exatamente garoto, Alasca. Eu não sou a maior fã do lugar, não existem uma força muito grande dos deuses neste local, mas estamos aqui justamente por causa do meu desagrado. - Respondeu seu pai, Zeus, dando um sorriso fraco. Ele estava com os cabelos bem aparados, junto a barba, e um terno bem caro e bonito vestido no corpo. Olhando a primeira vista, poderia-se dizer que eram irmãos, mas a aura do deus implicava quem era quem ali. - Eu sei que você deve estar cheio de dúvidas, a primeira delas é que sim, sou eu mesmo, seu pai em pessoa, não um mensageiro, nem um servo, mas sim o deus dos céus em carne, osso e poder. A segunda delas é que sim, eu te raptei, desculpe pelo dia importante, a missão vai te render muito mais problemas, acredite, isso é, se você não conseguir completa-la. E acho que agora eu criei mais dúvidas ainda. - Disse, soltando um pequeno suspiro, e Abramov sentiu que ele falava sério, o rei dos deuses achava de fato que podia perder seu filho naquela situação.

Em um estralar de dedos duas cadeiras e uma mesa apareceram, o filho de Zeus até ficaria surpreso, mas era de Zeus que se tratava aquele feito. Sem pedir a permissão para seu pai, como certamente ele desejaria que o fizesse, Abramov se sentou, absorvendo a informação de que estava para entrar em uma gelada, sem humor algum no trocadilho. Zeus quase lançou um olhar repreendendo o filho, mas em vez disso, apenas se sentou, ele tinha noção do perigo que estava mandando-o e as regras que alimentavam seu ego não eram importantes no momento. O semideus encarou o deus, que tinha os olhos azuis como um raio  e este desviou o olhar para a bebida âmbar que repousava dentro da garrafa. O semideus reconheceu o liquido, era néctar dos deuses, e essa era a razão de haver apenas um copo, ele não poderia beber aquilo como se fosse suco tang.

- Antes de mais nada, você aceita uma bebida? - Disse o senhor, e Abe fez uma careta involuntária. Resmungou algo sobre explodir em chamas e deus pareceu irritadiço. - Certo, certo, desculpe. Eu não sou muito de interagir com mortais, então acabo me esquecendo destes detalhes, filho. - Respondeu, e sua prole franziu o cenho: "Certo, este cara, o deus dos deuses, me pediu desculpas, eu realmente estou muito fodido", pensou Abra, enquanto Zeus continuava a conversar com ele. Abramov questionou mais coisas, como por exemplo: “Por que estou aqui? Por que eu? Que devo fazer e por Zeus, que missão é essa?”, antes de se lembrar que estava na frente do deus que entonara com indignação.

Ele e Zeus conversaram por alguns momentos: Ele explicou que ao final da gruta, na fogueira que iluminava e aquecia o local, havia uma espada em meio as chamas, uma arma relativamente pequena feita de prata. Aquela arma fora plantada por Febo, sim, Febo, a versão romana de Apolo, pois havia uma profecia a respeito dela, a espada ao ser retirada liberaria a profecia, e também serviria de guia, espalhando seu brilho a distância para que ela não ficasse perdido na tempestade. - Que profecia é esta, é sobre mim? - Indagou, esperando que sim, pois se tivesse uma missão a cumprir, talvez tivesse mais chances de sobreviver, mas Zeus só negou com a cabeça.

Ainda haviam muitas perguntas: Para onde iria? O que faria? O que iria enfrentar? Por que um não um semideus romano, afinal, esta era uma profecia de Febo. Zeus disse que nem mesmo ele saberia a resposta, mas de uma pequena dica sobre tudo aquilo: - O verdadeiro inimigo, é meu maior rival, a espada, é seu guia em sua jornada, não a perca e prepare-se, você vai passar pelos desafios mais árduos que já enfrentou, meu filho. - Disse a divindade, com a garrafa de néctar na mão, como se de fato, aquela fosse ser a ultima vez que o veria, além do velório do filho. Abra ainda tentava refletir com atenção sobre as palavras de seu pai, tanto que mal percebeu seu sumiço quando este levantou e desapareceu completamente, mas então, ao bater de bunda no chão, com o desaparecimento da cadeira em que estava sentado, voltou a realidade.

...

O filho de Zeus não estava muito contente com a situação, mas calmamente caminhou até a fogueira, era o primeiro passo da sua jornada. Sua mão tremia, um fato estranho se levado em conta o calor que a espada emanava. Ele pensou se não queimaria feio a mão, mas não podia simplesmente chutar a espada, não agradaria, muito provavelmente, o deus da profecia. Ele tomou fôlego e meteu a mão no cabo da arma que estava enfiada no fogo: - Que se dane. - Disse, retirando a espada das chamas, e a fogueira se esverdeou, a fumaça formou uma silhueta e uma voz entoou:

“A cidade em ruínas, inundada deve estar,
ao liberar a água, as trevas vão dominar.
O rejeitado se torna poderoso,
o sopro da serpente milenar se torna penoso.

Aquele que foi eleito para defender o trono,
deve combater o matador de cobras para entender,
seu pai alertou afinal,
que a serpente pode não ser o inimigo final.
Mas nem pai, nem filho aguardam,
para descobrir o desfecho real.

As chamas se extinguiram em seguida, e uma mochila com todos os itens de Abramov se encontrava no meio das cinzas.

Situação:
Você deve ter entendido um pouco, mas vamos lá. Essa missão se trata de uma agitação de Érebus, onde ele arquiteta um plano liberar um monstro. Você vai passar a missão por etapas: A primeira vai ser encontrar a cidade em ruínas, caminhando pela neve, enfrentando monstros de sua escolha e quantos achar interessante, até achar a entrada da cidade e então a cidade, lembrando que a espada vai te guiar, ou seja, vai sempre flutuar apontando a direção. A segunda vai ser encontrar a forma com que drenar a água da cidade em ruínas: Comportas, alavancas, escoamento, como preferir. Durante o processo de “liberar a água”, você vai enfrentar monstros, estes são espíritos de trevas, praticamente como fantasmas, mas totalmente negros, eles podem atravessar paredes e só podem ser derrotados com magia ou armas sagradas (Bronze celestial ou Ouro Imperial).

Depois de liberar a água os espíritos vão sumir, e você poderá descer no nível da cidade. Explore a cidade, encontre corpos mortos, tudo que preferir para implementar a história. Os inimigos até aqui poderiam ser evitados fugindo, claro que fugir toda hora tornaria tudo chato, mas enfim, você pode tentar correr deles ou sei lá, mas depois que a cidade for drenada, os monstros que ficarão serão inimigos altos, com corpo musculoso, pele pálida e parte do corpo com armaduras, você pode apelidar eles da forma que desejar, eles carregam com si espadas de ferro estígio e são guerreiros formidáveis, ao matar cinco deles, espalhados pela cidade, você vai ter acesso a uma grande porta, daquelas de castelo mesmo, completamente negra. Assim que você passar por esse portal, ela vai se fechar, clichê mesmo, nem ligo hushaushuha.

Você vai encontrar em um corpo decomposto uma lanterna, ela vai iluminar tudo a sua frente e tem formato de caveira, ou você pode usar seus poderes para isso. Aqui dentro existirão dois tipos de inimigos, eles não são fortes, então você pode enfrentar alguns, correr de outros, fica a seu critério, o primeiro dos inimigos são esqueletos, sabe, bem simples mesmo, não muito resistentes, mas armados de um gládio e um escudo. O segundo tipo de inimigo é único, e bem, seria muito logico você derrotar ele: Estamos falando de um espirito de trevas, outra vez, pode chamar ele como bem entender, ele é tipo um miniboss, você enfrenta ele antes do boss final, ele tem poderes de piromancia, com chamas negras, é um esqueleto vestindo uma túnica negra, só que bem maior e resistente, ao matar esse aqui, todos os outros esqueletos vão morrer (Se você quiser, eu mando a ficha completa dele por MP, ou você pode conferir suas descrições, na MvP da Hela, só que este é meio nerfado em comparação com aquele). E então, você vai chegar a parte final, que bem, você vai fazer por si só (“Ufa! Pelo menos alguma coisa em tio Érebus”). Até aqui, quanto mais criativo for, mais inimigos matar e tals, mais implementar a missão sem fugir do objetivo, mais xp você ganha,
na verdade, sua xp vai se basear nessa parte, pois agora, no final, você vai enfrentar o monstrão, big boss.

Bem, pra você entender oq vc vai enfrentar depois da porta do semiboss, vamos lá para a historia: Era uma vez um grande guerreiro, ele não tinha nada de especial, se não ser um assassino de dragões. Durante todas as grandes guerras divinas, os deuses eram postos contra os dragões, outrora controlados por cronos, outrora por gaia seus gigantes. O guerreiro era virtuoso, forte, determinado, indomável, e desenvolveu técnicas para matar estas criaturas, com movimentos e pontos que somente ele havia descoberto. Não se sabe se este foi ou não um filho de zeus ou dos outros dois grandes deuses, pois os registros de sua historia haviam sido apagados de toda humanidade devido aos grandes problemas cometidos por sua fúria, mas antes de se tornar um recluso, este homem caçou pelos deuses, neutralizando e mantando milhares das criaturas, com sua poderosa lança, este grande guerreiro era conhecido como cabeça de leão, pois sua armadura, feita de material completamente igual ao do leão de nemeia, tinha um elmo fechado com o formato de um dragão (https://pre00.deviantart.net/50b1/th/pre/i/2016/132/2/8/dragonslayer_ornstein_by_krumpzero-da27o43.jpg imagem ilustrativa ai filhote). Então beleza, vamos recapitular, o guerreiro estudou dragões por anos, até chegarem as grandes guerras dos deuses, onde ele desceu com toda fúria sua lendária lança sobre as criaturas, praticamente extinguindo-as. Então, quando as guerras acabaram, e os dragões tentaram se exilar para viver sua vidas sozinhos e de buenas, bem, então oq aconteceu foi que esse matador de dragões, o cabeça de leão, se tornou obsoleto.

Sem temer muito os poderes de um matador de dragões, os deuses, principalmente zeus, livrou seu fiel guerreiro dos seus serviços, tentando manter a boa relação entre ele e os deuses, mas este, um guerreiro justo e bondoso, quando se nao se tratava de largartos alados, tentou de todas as maneiras convencer zeus que poderia ser útil, que um dia, os dragões voltariam e ele seria capaz de ajudar, sem acreditar nisso, o deus manteve sua postura, e o cara pistolou full, tentou atacar zeus, mas este o conteve, sem o matar e o exilou dos reinos dos deuses, sem direito a não ser o de vagar na terra (hummm zeus nao matou o maluco? pq sera?) e então, uma vez na terra, Érebus o encontrou, o corrompeu, o convenceu a invadir um reino de dragões vermelhos, roubar um ovo e o levar até alasca dos tempos antigos, to com preguiça de olhar nos livros, (que na epoca era outra terra) e fazer tudo que poderia ser ruim com ovo. Bem resumindo, o final boss é o cabeça de leão em cima de um dragão ancião vermelho de magia negra. Achou pouco? Tem que matar o dragão, depois o lanceiro, pra conquistar sua arma e depois que o dragão morre, o cara (que apesar dos pesares tem tamanho humano) absorve a alma do dragão e ganha todos seus poderes, só matando esse cara, você pode ganhar a arma dele. Abra, se ta ligado parceiro, que eu to cansado demais de escrever pra essa misssão, se ficou duvida manda um pv e eh nozes, se tiver erro de digitação da um heads up)


Regras da Missão:


  • A criatividade para toda a missão vem de você e bem, eu dei meu melhor criando essa missão, agora você tem que dar seu melhor com ela: Diálogos, cenas e cenários serão levados em conta, quando mais ricos em detalhes, melhor.
  • Se esforce descrevendo os locais, imagine eles, e se precisar de inspiração, pode me chamar no Chatbox que mando imagens do que pensei a respeito dos locais, claro que você não tem de ser fiel ao que eu te mandar, a descrição de como é tudo é de sua livre escolha.
  • Você tem prazo para postar, são três semanas, sim um ótimo tempo, se até o dia 01/02 ás 00h00min você não tiver postado, essa missão será passada para frente para um outro semideus. Claro que, se você tiver problemas off, pode me contatar, e mais, podemos até estender o prazo se for esse o caso (Se não me avisar já sabe).
  • Armas, itens e poderes, todos em spoiler no final dos post. Lembrando que eu dei uma brecha para naquela mochila ter todos os itens desejados, além da mochila com os itens, você tem direito a duas armas não portáteis e quantas armas portáteis for capaz de carregar.
  • Caso tenha alguma dúvida ou precisar de algum contato: MP ou Skype (Mande uma MP pedindo).
  • Você deve escolher de onde começar a narrar, da noite anterior, indo dormir ou sei lá, do momento que acorda, ou da sua saída da gruta. Sua escolha! Eu só estou aqui pra julgar.
  • Por fim e mais importante: Boa sorte semideus!



Última edição por Érebus em Dom Dez 17, 2017 1:23 am, editado 2 vez(es)


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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Érebus em Sex Jun 16, 2017 1:39 am

DADOS DA MISSÃO, E ASSIM COM ELA MESMA, PASSADAS DE SIMON MONTGOMERY para SAYUKI HITOMI KOGA.


PRAZO DE POSTAGEM: 30/06 ás 23:59


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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Macária em Dom Out 22, 2017 3:46 pm

Movido para reciclagem.



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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Macária em Dom Nov 19, 2017 6:05 pm

Missão passada para Abramov. Regras e enredo adequado ao semideus.



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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Érebus em Dom Dez 17, 2017 1:16 am

Registro de condição para missão: Se Brandon/Abramov não cumprir nosso combinado, estarei descontando toda sua barra de conduta ou quase isso, e ainda lançarei uma maldição em você. Com carinho, Érebão.


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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Abramov Levitz em Sex Jan 19, 2018 12:00 am







BLOOD IN ICE AND FIRE
Deceiver of Fools
Cosiderações:
Alterei algumas informações e diálogos da introdução com a permissão do criador da missão. Isto porque ele a adaptou para mim mas ainda deixou em aberto para que eu arrumasse conforme fizesse mais sentido para o background do meu personagem. Fora isso, mantive todo o restante da ideia principal, até mesmo as partes clichês - como Érebus mesmo brincou nas regras. Alterando apenas a questão final, pois não quero mais a arma que eu receberia. Por fim, essa missão se passa na época em que Abramov ainda era líder do chalé de Zeus.

Obrigado por ler isso e espero que tenha uma boa leitura!

Aquele dia foi atípico para o semideus, mesmo considerando a vida cheia de dias estranhos que ele teve. Recém declarado novo líder do chalé de Zeus, suas responsabilidades vieram como uma bola de neve gigantesca. E, não esperando por ela, foi atingido em cheio. Isso porque o antigo dono desse posto, Thomas, não fez o que deveria ter sido feito enquanto estava com o cargo. Muitas rondas foram esquecidas e serviços acumulados. Erros nos horários das atividades dos campistas e até mesmo os afazeres de seus irmãos estavam errados. A dor de cabeça de ter que organizar meses de confusão em um dia foi forte. Para piorar, Quíron ainda chegou lhe avisando de que ele deveria inspecionar um treino de espadas na arena.

— Ok, eu faço isso — respondeu ao centauro, chorando internamente por ter mais trabalho para fazer.

Você quem quis isso, pensou. E de fato era uma verdade. Poderia simplesmente ter recusado a ordem do rei do Olimpo e continuado como um campista normal e ordinário. Mas como não o fez, tinha de arcar com as responsabilidades sem reclamar, ou então mostraria um lado fraco que os gregos não podiam saber que tinha. Seja como for, apenas meditando conforme andava o rapaz se dirigiu à arena no fim da tarde, pronto para a inspeção.

Foi ai que a loucura começou.

Os campistas que estavam presentes no treinamento não eram muito chegados uns aos outros. Portanto, não demorou até as desavenças explodirem, e, com a explosão, as brigas sérias. Para o líder de chalé aquilo mais pareceu uma cena de Oz - ou qualquer outra série que retrate a realidade de uma prisão -, com brigas de gangue. Dois grupos de cinco semideuses ficaram frente a frente antes de iniciarem o combate. Abramov tentou conter a situação abusando de seu posto como uma das cabeças do acampamento, mas foi em vão. Ele até mesmo ousou se meter no meio da confusão, mas chegou a ter seu braço cortado, o que, ao seu ver, foi o fim da picada.

— Chega — gritou, já dez metros acima do chão, ao mesmo tempo em que um trovão rugiu na recém chegada noite.

A breve demonstração de poder e autoridade foi suficiente para dar fim à confusão e acalmar os ânimos. Só que aquilo deixou o antigo ceifador bastante irritado, pois ele sempre detestou ter de recorrer ao poder para lidar com as situações. Sempre se julgou um bom mediador, entretanto, nos momentos em que sua liderança era posta à prova, não tinha escolha se não ser extremista. Se Grizfolk, seu dragão, estivesse ali, com toda certeza ele iria repreender o dono. Contudo, com ou sem a reprovação da mascote, Ab agiu e não demorou até ser tarde demais para se arrepender. Os murmúrios que ouviu o restante da noite a respeito de como foi autoritário na arena lhe incomodaram. Teve vontade de socar a cara de cada um que lhe olhava torto, mas apenas foi se deitar mais cedo para dormir.

Se soubesse o que estava por vir, talvez teria optado por atrasar o máximo que podia seu sono. Para seu azar não foi o caso.

Como de costume na vida de um semideus, os sonhos quase sempre significam algo. Entretanto, para Abramov, eles em sua grande maioria eram presságios de algo que estava para lhe acontecer. E, daquela vez não foi diferente.

— Que... porra é essa? — questionou, ao perceber que estava em um outro lugar.

Não demorou até entender que se tratava de uma cidade, porém, que cidade era aquela ou onde ela ficava, era outra história. Sentiu-se estranho e, ao olhar para as pernas e mãos, reparou que na verdade estava em algum tipo de forma fantasmagórica. Um espectador, por assim dizer. E, por já ter tido aquele tipo de sonho antes, sabia que algo de ruim estava por vir. Um desespero tomou conta dele, que, mesmo sabendo que nada poderia fazer para evitar seja lá o que fosse acontecer, lhe fez correr. Desesperado, tentou alertar inutilmente as pessoas que andavam pelo lugar de que algum ruim estava a caminho.

Sem poder fazer nada, apenas caminhou inutilmente de uma esquina à outra observando os habitantes. Em determinado momento foi transpassado por uma bola de futebol bem na altura de sua barriga. As crianças correria de um lado ao outro pela rua recebendo reclamações dos donos das barraquinhas das feiras. Sem entender nada do que aquilo significava, o semideus apenas seguiu as crianças, até que alcançou um beco e, do meio da escuridão, algo se revelou.

Uma criatura estranha, que parecia ser feita de sombras, revelou apenas seus olhos e boca em meio à estreita passagem que ligava uma rua à outra. O bicho ficou parado, até que a criança que foi buscar a bola se aproximou dele. Ab tentou gritar para o menino sair dali, mas foi em vão, o monstro literalmente o engoliu. Quando o bicho consumiu a criança, um pequeno terremoto assolou a cidade e, logo em seguida, veio a água. Uma torrente surreal arrastou tudo e todos por onde passou, arrastando as pessoas e destruindo as construções. Quando finalmente atingiu Abramov, ele acordou e o sonho enfim terminou.

Ou pelo menos foi o que achou.

Seus olhos se abriram apenas para revelar um ambiente novo que ainda não era seu chalé. O primeiro pensamento foi de que ainda estava sonhando, contudo, aquilo era real demais. Uma caverna congelada era sua mais nova localização e nada poderia ser mais aterrorizante que aquilo. O semideus se levantou apressado, apenas para notar que trajava as roupas simples que usava para dormir e sentir pela primeira vez o frio extremo. Seu corpo se eriçou todo quando a baixa temperatura enfim penetrou em sua pele, esfriando até mesmo sua respiração. Seus olhos correram por toda a extensão do lugar, mas nada enxergaram por conta da escuridão. Outrora teria visualizado tudo com perfeição, uma das notáveis habilidades dos ceifadores de Thanatos, contudo, não mais era o caso.

E então a luz apareceu.

Uma fogueira foi acessa na entrada da gruta iluminando quase que perfeitamente o local. De primeira achou que se tratava de um inimigo, pois era muito suspeito aquilo acontecer em simultâneo com seu pensamento. Mas quando viu que não havia mais ninguém ali além dele mesmo, se permitiu caminhar em direção ao fogo, ansiando pelo calor. Ao se aproximar um pouco da entrada, enfim notou que era noite lá fora e, o mais curioso - ou nem tanto considerando o frio -, que nevava.

— Quê... Alasca? — sussurrou, o que poderia não fazer muito sentido para quem ouvisse, mas que para ele significava o local onde achava estar.

Um trovão rugiu na noite, causando um barulho imenso e iluminando por um rápido segundo o céu. Por mais que o ocorrido pudesse assustar qualquer um, Abramov sabia muito bem o que ele era.

— Sim, meu filho, Alasca — Zeus respondeu de um ponto mais atrás do rapaz dentro da gruta.

— Pai... o que tá acontecendo? — se virou para fitar o deus, mas tudo que conseguiu ver pela escuridão da gruta foi um vislumbre em meio à escuridão.

— Preciso que me ajude, Abramov — o rei do Olimpo iniciou. — Eu lhe trouxe aqui pois uma dívida minha precisa ser cobrada e você, como representante do meu chalé e meu filho, foi escolhido para cobrar.  

As palavras caíram em cima do campista de maneira pesada, como se a maior responsabilidade do mundo houvesse sido posta sobre seus ombros. E por isso, nada comentou.

— Imagino que esteja se perguntando de que dívida estou falando, mas não posso lhe responder agora. Quando encontrar a pessoa relacionada a ela, saberá.

— E como vou encontrá-la? — enfim se pronunciou.

— A fogueira para onde caminhava. Há uma espada em meios às chamas que lhe guiará. Febo a colocou ali, então quando pegá-la, a profecia da missão será ouvida.

— Febo? O deus romano? Mas se foi ele por que eu, um grego, fui escolhido? — a simples menção da da palavra 'romano' foi suficiente para agitar a aparição divina.

Apesar do clima entre os dois acampamentos ser dos melhores, e mesmo após toda a confusão envolvendo os deuses gregos e romanos, aquele ainda era um assunto delicado.

— O oráculo nunca erra, semideus. Ele foi específico e você é o escolhido — o tom autoritário de Zeus deixou claro que aquilo não estava para jogo. Abramov havia sido escolhido, e agora ele não tinha escolha senão seguir com o roteiro.

Ab nada disso, apenas concordou mentalmente o que pareceu ser suficiente.

— O verdadeiro inimigo é meu maior rival. A espada é seu guia em sua jornada, não a perca e prepare-se pois você vai passar pelos desafios mais árduos que já enfrentou, meu filho —  finalizou, instantes antes de outro trovão rugir e ele sumir.

E assim, sem nem ao menos desejar boa sorte ou se prolongar nos diálogos, Zeus partiu.

A fria noite voltou a ser a única companheira do campista que, sem escolha, caminhou até a fogueira. Conforme se aproximou, pôde sentir o calor do fogo brevemente lhe revitalizar. A sensação era tão boa que por um momento considerou se aconchegar por ali e dormir. Sim, ainda estava mentalmente cansado por não ter tido uma noite de sono. Porém, quando o farfalhar das chamas já era alto suficiente pela proximidade, pôde finalmente notar o brilho da lâmina em meio a elas. A espada tinha um tamanho comum mas era a coloração do metal que chamava a atenção. Ele parecia ser feito de fogo, logo, se misturava de maneira belíssima com as chamas, ao mesmo tempo em que intimidava.

"Não posso meter a mão ai", concluiu o óbvio. Sem outras alternativas, e julgando que estaria seguro já que se tratava de uma situação divina, Ab enfiou a mão direita na fogueira e retirou a espada pelo cabo. Quando fez isso, a fogueira se esverdeou, a fumaça formou uma silhueta e uma voz entoou:

“A cidade em ruínas, inundada deve estar,
ao liberar a água, as trevas vão dominar.
O rejeitado se torna poderoso,
o sopro da serpente milenar se torna penoso.

Aquele que foi eleito para defender o trono,
deve combater o matador de cobras para entender.
Seu pai alertou afinal,
que a serpente pode não ser o inimigo final.
Mas nem pai, nem filho aguardam,
para descobrir o desfecho real.”

As palavras pareceram terem sido sugadas pelos ouvidos do rapaz, que enrijeceu involuntariamente os músculos durante a profecia. Uma mistura de pavor ao desconhecido e aflição por sem querer saber do que se trava lhe deixaram desnorteado. Havia acabado de sonhar com uma cidade inundada e agora estava partindo em direção a uma. Todavia, ao mesmo tempo, não fazia ideia do que lhe esperava, mas o trecho do 'que a serpente pode não ser o inimigo final' apenas lhe remetia à coisa do sonho - e definitivamente não parecia ser um bom sinal. De qualquer forma, o calafrio foi embora segundos depois, deixando para trás apenas um campista que agora contava com uma espada encantada e, quando olhou para o que antes foi uma fogueira, seus itens corriqueiros.

— Aegis... — repetiu o nome de seu escudo em voz baixa ao mesmo tempo em que o pegou. Além dele, seu colar de contas com os pingentes mágicos e o mais curioso: a moeda mágica.  — Então é isso — conclui antes de se aprontar para dar início à missão.

Seu último pensamento foi simples: precisava mais do que nunca aprender a dormir com roupas pesadas de frio. Pois nunca se sabe quando você será enviado para o Alasca.

(...)

A forte nevasca castigava sua visão tornando quase impossível para Abramov enxergar mais do que poucos metros à frente. Para piorar, a neve também estava espalhada por onde pisava, de maneira que até mesmo se locomover era difícil. O frio era tanto, que nem mesmo a espada encantada pelo deus romano conseguia lidar por inteiro. O calor emanado pela arma divina mantinha o semideus vivo, mas o incômodo da baixa temperatura e suas consequências era grande. A todo instante tremia, o que tornava difícil até mesmo para acompanhar o artefato que lhe guiava. Por um momento chegou a quase tropeçar na neve, tendo utilizado a própria espada para se apoiar e evitar a queda. Estava certo de que não aguentaria muito tempo ali, então se a branquidão que lhe cercava não acabasse logo, seria seu fim.

Os ventos gélidos assopravam na noite e mesmo de longe ele pôde ouvir os uivos de uma provável alcateia. O clima era assustador e de suspense, seus pensamentos oscilavam entre o encontro com seu pai na gruta e o dia anterior. A vida no acampamento parecia tão mais agradável naquele momento. Faria qualquer coisa para trocar a missão por mais uma fiscalização na arena, só que claro, aquilo não estava para jogo. Tanto sabia disso que teve a certeza de que Zeus lhe observava a todo instante, talvez até mesmo lendo seus pensamentos. E por isso, se xingou mentalmente por fraquejar antes de aumentar o ritmo de suas passadas.

Durante cerca de mais dez minutos, Ab percorreu uma trilha imensa pelo nada. Somente após esse tempo que finalmente o branco de toda a paisagem preenchida pela nevasca foi substituído. À sua frente, para onde a espada indicava, uma imensidão verde foi revelada, denunciando então que estava provavelmente se aproximando da cidade. Não pôde evitar o sentimento de felicidade por achar que a primeira parte da tarefa havia sido concluída, mesmo com todo o perrengue. Seria mais fácil agora que iria caminhar em terra firme, pensou.

E como estava enganado.

Sua primeira impressão do novo cenário foi de que se tratava de um bosque, o qual provavelmente era usado pelos habitantes da cidade próxima. Isto porque notou os cortes nos troncos das árvores. Em muitas delas, havia sinais de que machados algum dia tentaram lhes derrubar, ficando para sempre a dúvida do porquê delas não terem sido cortadas. As árvores eram altas e bem distantes umas das outras, ou seja, caminhar por ali era fácil já que na maioria das vezes mais de dez metros distanciavam um tronco do outro. Além disso, logo de cara encontrou um acampamento abandonado, com os galhos da fogueira cobertos por uma fina camada de neve e o pano da barraca todo rasgado e velho. "Há quantas décadas ninguém vem aqui?", pensou, intrigado pelo cenário que mais parecia ter saído de um conto de terror.

Apesar da sensação estranha de estar sendo observado - o que de novo julgou ser Zeus -, deu continuidade em sua jornada ignorando os sinais de civilização ao redor. A espada continuava apontando para o norte, reta e sem mudar o caminho em momento algum. Abramov achou aquilo estranho, pois se era só seguir em frente, depois da profecia não haveria mais uso para o objeto. Porém, não teve tempo de questionar muito sobre o pensamento porque ouviu uma voz estranha lhe chamar. Melhor dizendo, chamar por ajuda. Seus olhos percorreram toda a região em busca de onde o som vinha, mas nada. Era no mínimo perturbador não enxergar ninguém, uma vez que toda a floresta era aberta e espaçosa.

— Tu tá ficando maluco — sussurrou para si mesmo antes de fechar os olhos por longos segundos e os abrir novamente.

— Quem é você? — um menino surgiu bem na sua frente, quando abriu os olhos.

— Ah! — o líder de chalé caiu de bunda no chão pelo susto. Instintivamente, ele levou a mão até o escudo que estava amarrado em suas costas com um barbante. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, os uivos da matilha voltaram a percorrer todo o local e, logo em seguida, os lobos apareceram.

— Não, de novo não! — o garoto disse, antes de começar a correr.

— Espera, volta aqui! — teve tempo apenas de sacar o escudo antes de começar a perseguição.

A criança, que parecia ter por volta dos seus treze anos, era bastante rápida apesar do seu tamanho pequeno. Abramov correu atrás dela por entre a floresta desviando dos galhos e raízes mais grossas que se colocavam em seu caminho, com certa maestria graças aos treinos. Contudo, o que era para ser uma simples perseguição, acabou se tornando, na verdade, uma fuga, pois os animais alcançaram os dois em questão de instantes. A alcateia tinha cerca de doze lobos e parecia muito bem organizada mesmo com seu aspecto selvagem. Cada um deles corria lado a lado aos outros, dando a impressão de que uma linha negra se aproximava cada vez mais. Quando Levitz olhou para trás e viu isso seu coração quase saiu pela boca por conta do medo.

— O que tá fazendo? Eles não querem você, foge! — o menino gritou, metros à frente.

— E te deixar pra morrer, tá doido? — indagou.

— Eu já to morto, não faz diferença — a afirmação não fez muito sentido, pois ele parecia vivo demais para estar morto.

Mesmo estando intrigado pela afirmativa do outro, o semideus notou que quem estaria de fato morto era ele mesmo se não agisse logo. Assim, enquanto corria, sacou o escudo e contou até três antes de ascender aos céus e se virar. "Uni duni... tê", brincou, antecedendo o lançamento do disco que rodou com extrema força e atingiu com ainda mais violência a cabeça do primeiro lobo, matando este com muita facilidade. O efeito de ricochete mostrou seu poder quando Aegis rebateu nos outros animais, derrubando-os um a um. Ao mesmo tempo em que a arma fazia praticamente todo o trabalho, o meio-sangue atirava com raios em todos os canídeos que tentavam fugir. Era difícil perder um de vista, pela pelagem preta que chamava a atenção em meio a branquidão do cenário.

— Não! — a criança voltou a gritar, dessa vez tentando escapar de um dos lobos que de alguma forma lhe alcançara.

Uma gota de suor escorreu de maneira lenta pela testa do grego ao observar a cena. O bicho havia conseguido saltar em cima de seu alvo, e somente a espada de Febo transpassada por sua boca lhe impedia de fechar os dentes no garoto - o qual empunhava a lâmina que servia de bússola para se defender. Abramov tinha um alvo limpo e fácil para seus trovões mas, se fizesse isso, correria o risco de atingir também o menino. Sem perder tempo, agiu por impulso julgando, ou melhor, implorando internamente para que sua escolha fosse a certa, e voou em direção aos dois. O escudo apareceu novamente em suas mãos e ele o usou para dar uma coronhada no lobo.

Swooish!

Sangue espirrou da ferida e sujou a terra esbranquecida ao redor dos três. Aegis perfurou com tudo a nuca do animal a tempo de o impedir de matar a presa. Quando a nuvem de pó dourado se esvaiu, revelando um garoto são e salvo bem à sua frente, o campista enfim se pronunciou.

— O que foi isso? — perguntou, conforme ajudou o caído a se levantar.

— São servos de Azor Ahai, eles ficam cercando a área para evitar que eu fuja — respondeu, temeroso.

— Servos de quem? E por que você fugiria? — arqueou a sobrancelha esquerda.

— Fugir dos monstros, não é óbvio? — comentou irritado, até que se tocou de que estava agindo de maneira errada. — Mas é claro que você não sabe do que to falando, ninguém sabe...

— A cidade inundada, é isso? Você veio de lá? —
estando bem próximo do menino, enfim pôde ver que na verdade ele não parecia de carne e osso. Sua imagem era levemente transparente se observada com atenção, algo fantasmagórico.

— Sim! Você conhece Crestwood!? — se empolgou.

— Crestwood?

— A cidade, o nome é Crestwood.

— Não sabia como se chamava... na verdade não sei seu nome também.

— Erick — disse, com um sorriso inocente no rosto.

— Me diga, Erick, o que aconteceu com a cidade? — perguntou, ao voltar a caminhar em direção ao local indicado pela espada.

— Nosso vilarejo era pequeno, vivíamos no terreno mais baixo próximo a represa. Dai um dia do nada... a barreira se rompeu e a água inundou tudo — apesar de haver pesar em sua voz, ele parecia não mais abalado como um dia talvez esteve. Talvez por ter se acostumado com a ideia depois de tantos anos.

— Mas se era uma represa, a água não simples escoaria por um lado?

— O problema é que a outra parte da represa tava fechada, ninguém esperava por aquilo e ninguém teve tempo de abrir...

— E já que Crestwood fica em um nível abaixo do mapa, não tiveram tempo de subir para correr — completou.

— Dai todo mundo morreu afogado, menos eu. Quer dizer, não sei como ainda tô aqui. Desde então tenho tentado fugir, mas Azor Ahai sempre manda os servos dele me pegarem.

— E quem é esse cara?

— Foi ele quem quebrou a represa, não sei como, mas sei que foi! — respondeu, irritado.

— Onde ele tá?

— No forte dentro da cidade, é o único lugar onde a água não entrou. Ele se trancou lá dentro e mesmo assim ainda controla de alguma forma esses bichos para me perseguir!

— Entendi... então é ele quem vou ter que derrotar.

— Espera, você tá indo para Crestwood! — enfim se tocou, mesmo acompanhando a caminhada do rapaz esse tempo todo. — O que vai fazer lá?

— Tenho uma missão, preciso resolver um acerto de contas.

— Missão? Como assim?

— Foi Febo quem determinou. No caso a espada dele, algo do tipo.

— O deus romano? Você tá brincando comigo, né?

— Você é um fantasma, quem tá brincando com quem? — o ponto levantado pelo meio-sangue foi bom.

— É, tá... mas como você vai entrar lá? Tá tudo inundado.

— Eu sei, por isso preciso achar um jeito de escoar a água — respondeu, olhando para frente onde a espada apontava.

— Posso te ajudar com isso.

— Ah é, e como?

— A gente pode abrir o outro lado da represa, dai a água escoa! Posso te levar lá.

— Ótimo, então vamos.

— Ah mas... tem um problema.

— E qual é?

— Um gigante.

— Quê? — tropeçou com a informação.

— É, tem um gigante guardando aquela parte da represa. Ele chegou tem algum tempo, acho que tava fugindo de algo ai viu que o lugar era tranquilo e deitou pra dormir. Já faz dez anos isso.

Apesar de surpreso com o empecilho, recordou-se que os gigantes de neve do Alasca tinham mesmo esse costume de hibernar.

— Tem como evitar ele ou preciso me preparar para o confronto?

— Bom, já que eu não posso tocar nas coisas, você vai ter que passar por ele sim.

Levou alguns segundos para processar a afirmativa antes de indagar. — Mas se você não toca em nada, por que tava fugindo dos monstros?

— Eles são feitos de trevas, por isso conseguem me machucar — mostrou uma cicatriz no braço direito que parecia ter sido de dente de lobo.

— Entendi. Ok, me leva até lá, vou ver o que posso fazer — interrompeu a caminhada uma última vez antes de dizer. — Me chamo Abramov, antes que eu me esqueça.

Acostumado a estar equipado até os dentes em missões mais sérias, ficou frustrado ao se lembrar de que contava apenas com poucos itens. A moeda especial parecia quente em seu bolso ao passo em que a espada apontava fortemente para um lado que não o que seguiam. Erick perguntou durante todo o caminho coisas sobre deuses e monstros pois, se tratando de um mortal em vida e por estar preso ali desde a tragédia, pouco sabia a respeito do mundo épico que o cercava. Ciente de que o que conheceu quando vivo não era tudo, não ficou assustado ou surpreso ao ouvir um breve resumo das coisas - vai ver era por ele ser uma criança, tendo a cabeça mais aberta para aquele tipo de coisa.

Caminhar pela neve foi se tornando gradativamente difícil conforme a quantidade de flocos aumentava. Cada pisada era mais funda e isso atrasava o caminho. Abramov cogitou voar, mas o espírito infantil que lhe acompanhava não o podia fazer e muito menos ir de carona. Assim, longos vinte minutos se passaram até que enfim as árvores altas e afastadas dessem lugar à uma descida limpa e sem obstáculos. Estavam se aproximando da cidade mas só que pela parte leste, onde a outra saída ficava. Queria muito entender o porquê de terem construído um vilarejo no meio de uma represa, porém, imaginou que ela chegara posteriormente aos moradores.

— Deuses, ele é imenso — sussurrou um pouco mais alto que o esperado ao se deparar com a criatura.

A descida pela rampa natural de neve deu em uma grande parede de concentro que era um dos limites da cidade lá embaixo. Mas para eles que estavam no nível superior, parecia uma ponte que ligava até o outro lado do vilarejo (indo por cima). Sendo que no meio dela havia uma cabine, provavelmente onde a alavanca de abrir os portões mais abaixo ficava, e entre ela e eles um gigante imenso. O bicho estava deitado e mesmo na vertical era horizontalmente grande, preenchendo todo o caminho. Sua altura provavelmente passava dos cinco metros pois não fosse seu nariz grande e pontudo, não seriam capazes de visualizar sua cabeça. A pele azul clara e a tanga de cor branca lhe davam uma aparência congelada, como se ficar exposto ao frio e neve por tantos anos tivesse lhe congelado de fato.

— O mecanismo que abre a porta tá lá dentro, mas tá vendo que eu falei que não tem como contornar ele? — apontou o óbvio com o indicador.

— Para você sim, quanto a mim... — começou a voar e fez um gesto de silêncio para o menino.

Voando em silêncio, o filho de Zeus foi capaz de passar sem acordar o monstro no caminho alcançando a sala de máquinas em segurança. A porta de madeira estava podre e escancarada possibilitando a entrada fácil. O espaço estava claramente abandonado e cheirava muito mal, com lodo e neve nos cantos e um mecanismo de girar mais ao centro. "Não pode ser tão simples assim", suspeitou de primeira. Entretanto, como não havia nada além daquilo a ser feito, não demorou até girar a maçaneta da roda. Foi nessa hora que tudo desandou. Cada passo que dava usando o próprio corpo para girar ao redor do item e abrir a porta, um barulho de corrente velha e enferrujada acordava todos na vizinhança.  

— Puta que pariu — se amaldiçoou por ter se esquecido desse pequeno detalhe.

Sem outra alternativa, continuou na empreitada enquanto ouvia não só o ranger das portas se abrindo lá embaixo como também da água saindo. Pouco a pouco a inundação escorria pelo lado aberto e a cidade ia aparecendo. Só que, ao mesmo tempo, o gigante acordava lá fora e, não bastando isto, vultos escuros vinham ao longe da direção do bosque. Ab não fazia ideia de onde Erick estava pois o ser gigantesco quase de pé impedia sua visão central (explicando como ele só via os vultos vindos pelas laterais da ponte). Quando enfim terminou de abrir as comportas de ferro, sacou seu escudo e transformou um dos pingentes em sua lança de sempre.

Se já seria complicado lidar com o gigante, os espíritos das trevas que se revelaram com a aproximação tornavam tudo ainda pior. Apressado para lidar com a primeira e maior ameaça, arremessou o escudo contra o bicho esbranquiçado e espaçoso antes de se teletransportar para cima dele. Imaginando que o bicho era muito lento, foi surpreendido quando ele apenas moveu a cabeça para cima e assoprou com uma força monstruosa. O sopro com toda certeza não era normal, pois além de empurrar Ab e atrapalhar seu ataque, ainda o deixou levemente congelado.

"Eles são muitos", contou cerca de treze espíritos mais abaixo cercando o fantasma da criança. Tinha cerca de alguns segundos antes de perder seu único aliado e, por conta disto, ignorou o monstrão para focar nos menores. Não disposto a testar a própria velocidade após o sopro resfriante, deu outro teletransporte para aparecer ao lado de Erick, já com o escudo em suas mãos (pelo efeito de retorno mágico).

— Venham, infelizes — apontou com a lança para os oponentes que já formavam um círculo ao redor da dupla de mocinhos.

Com uma investida espetou uma das aparições trevosas com a ponta da lança, fazendo-a desaparecer. Em seguida, tentou lançar uma bola de raio em outro mas o projétil elemental apenas o atravessou. "Ouro imperial, ou seria ataque físico?", na verdade pouco se importava. Quando um dos espíritos avançou sobre ele, o garoto deu um grito, porém, o escudo dourado foi erguido em uma ação de defesa rápida. Emendando em um contra-ataque, desfez o inimigo mais próximo com um golpe da lança e lançou o escudo em mais dois, este último graças ao efeito de ricochete. Pouco a pouco ia lidando com os adversários e, não fosse o gigante, teria terminado aquilo rapidamente.

— Cuidado! — o menino gritou, antes do gigante esmurrar o chão de neve e causar um pequeno tremor.

Abramov conseguiu saltar para longe por pouco, caindo na neve a apenas cinco metros de distância dos punhos enraivecidos. Com o canto dos olhos percebeu que a formação inimiga havia sido desfeita por conta da tentativa de esmagamento, o que lhe abriu uma brecha para atacar. Ainda de longe, usou o escudo para dar conta de mais dois espíritos enquanto desviava das pisadas do grandalhão. Sua atenção era dividida entre dizimar as tropas pequenas ao mesmo tempo em que tentava não ser dizimado pelo ser-congelado. Quando terminou com os menores e se viu no mano a mano contra o gigante, enfim tentou lhe atacar.

Voando, ainda que de maneira mais lenta por conta do ar gélido, circulou o monstro espetando-lhe em vários locais com a lança. A famosa estratégia de minar a vida do oponente pouco a pouco sem se expor para danos mais graves. Assim, ao fim dela, conseguiu danificar tanto as pernas do bicho que ele caiu de joelhos rendido. A finalização veio através de uma perfurada na nuca do bicho com a lança, reduzindo-o a pó dourado.

— Caraca, isso foi irado — Erick comentou ao ver que estavam sãos e salvos.

— Mais ou menos — mostrou o roxo no ombro esquerdo pelo tapa de raspão que tomou, além da fina camada de gelo que cobria algumas partes de seu corpo. — Temos que ir, a água escoou toda já — virou-se para o vilarejo abaixo.

— Isso é estranho, tem tanto tempo que não desço lá — havia um certo receio em seu tom de voz, mas mais no sentido de melancolia do que de medo.

— Bem, hoje é um dia incomum mesmo — disse, antes de seguirem com a missão.

Descer até a cidade não foi difícil, uma vez que a escadaria de metal ainda estava no mesmo local. Enferrujada e cheia de detritos estranhos, ela era uma versão maior das escadas de saída de emergência típicas nos prédios dos centros urbanos norte-americanos. Inclusive, esse fato deixou Ab intrigado por não imaginar como aquela poderia ser a única saída do local, afinal, se fossem lado a lado apenas duas pessoas poderiam subir ao mesmo tempo. Devido a isto, visualizou com a força da mente um trânsito de mortais querendo subir pela escadaria no momento de desespero da inundação. Uma verdadeira tragédia, concluiu.

Cerca de cinquenta metros era a profundidade da descida, resultando em quase meia hora de descida em ziguezague pela rampa com degraus. Na metade do caminho já tinha confirmado suas suspeitas: aquela era a cidade do último sonho. Então tudo estava ligado e por mais que fosse difícil aceitar, não tinha outra escolha senão vestir o fardo da tarefa e ajudar seu pai. Se até então estava indo meio forçado, naquele momento estava mais que determinado a derrotar seu inimigo final e o que quer que estivesse no caminho.

— A espada tá apontando para o forte principal — disse, dando dois pulinhos no chão para ter certeza de que estava ali.

— Isso fica muito longe? — sentiu a terra encharcada molenga sob seus pés, além do cheiro forte de podridão.

— Não muito, vem comigo — começou a correr pelas ruas sem se preocupar com nada.

O cenário era igual ao do sonho, exceto pelo aspecto de ambiente aquático com algas estranhas e locais destruídos pela água parada. O rapaz se sentia em uma versão épica e terrestre do Titanic após naufrágio, trocando os salões e móveis luxosos por vielas pobres e casebres improvisados. No meio da corrida, reparou também que os cadáveres não estavam por lá. Era como se de alguma forma os mortos tivessem sido varridos daquele lugar deixando apenas os locais onde viviam. Até cogitou perguntar a respeito disto para seu guia, contudo, julgou que o menino não saberia a resposta e não queria perder tempo com questões triviais.

Correr por aquelas ruas rústicas e destruídas era um tanto quanto estranho, pois sentia que a qualquer instante mais uma torrente de água viria e ele morreria afogado como os outros. Além disso, a energia pesada do lugar era facilmente sentida por qualquer um ali, como de praxe em locais profanados por coisas das trevas. Teria tirado mais conclusões sobre o ambiente, todavia, foi atacado em um beco transversal conforme atravessava uma rua.

— Quê — foi a única coisa que falou ao saltar para longe da espadada por puro reflexo.

Quando se virou para ver o que tinha sido aquilo, se deparou com um ghoul em pé pronto para lhe matar. O monstro era alto com corpo musculoso, pele pálida e trajava partes de amadura. Ele estava armado com uma espada de ferro estígio e a tal armadura protegia todo seu tronco. Ab sabia bem que a criatura lutava com maestria pois já tinha enfrentado uma delas antes, assim, sacou a lança (que carregava como pingente) e o escudo e se recompôs já esperando por um combate formidável. E foi quase isso que aconteceu. Na primeira estocada com a lança, a criança deu um grito de susto pelas duas armas se chocarem uma contra a outra. Erick podia gostar da ideia de monstros e deuses, mas ainda era jovem demais para não temer aquele tipo de coisa. Então seus olhos animados e assustados assistiram de maneira curiosa o desenrolar da cena.

Abramov usou o escudo como ataque à distância para fazer seu adversário se defender e consequentemente assumir uma postura mais fechada. Dessa forma, foi fácil para ele saltar e voar antes de cair para atingi-lo por cima com a ponta da lança. Porém, antes de se afastar com o voo teve sua arma agarrada por uma das mãos de seu inimigo e foi puxado para o chão. Não satisfeito com o puxão, o ghoul tentou um golpe com a espada e só não atingiu Ab porque este ficou intangível a tempo. Ainda no chão - e com uma dor leve nas costas -, o semideus usou os ventos para se erguer e perfurou a cabeça de seu oponente, reduzindo-o a pó dourado.

— Isso foi intenso — comentou após a breve luta, um pouco intimidado por quase ter sido atingido em cheio pelo último ataque da criatura. — Olha, ele deixou algo — no lugar onde outrora a coisa alta e musculosa estava, um fragmento de chave brilhou como um espólio. — Pra que isso?

— Não sei, mas acho uma boa levarmos — pegou o item estranho e voltou a seguir corrida.

O moreno achou estranho ter um ghoul por ali, mesmo sabendo que eles nasciam em locais profanados como aquele, porque normalmente eles andavam em bandos. Foi por isso que redobrou a atenção, sentindo-se grato pelo treinamento lógico no acampamento ao se deparar com outro daquele tipo de inimigo. O segundo ghoul estava no meio do caminho, facilitando para que o meio-sangue tivesse a iniciativa da batalha. Graças a ela, Levitz lançou um raio que atordoou seu adversário antes de partir para cima dele. Os dois se digladiaram por quase um minuto, até que o jovem adulto conseguiu uma brecha na guarda do humanoide e lhe atingiu com a lança, o que, junto do atordoamento inicial, culminou em sua rendição seguida por uma execução com uma coronhada usando o escudo.

— Outro fragmento. Essas coisas são literalmente a chave para algo maior — falou em voz alta enquanto pegava o segundo item.

A porta do forte! Só o prefeito tinha a chave, pode ser de lá — acrescentou, inquieto.

— Falta muito? Preciso saber de quantos preciso — a resposta da questão veio através de um aceno negativo com a cabeça por parte do garoto, indicando que estavam perto.

De fato não faltava muito até a entrada do forte, não obstante, enfrentou mais dois ghouls no meio do caminho e quase teve a perna atingida por um deles. Por sorte seu treinamento nas aulas de combate à monstros e equilíbrio de corpo lhe proporcionaram reflexos bons para evitar o dano massivo. Já estava cansado de tanto combate um atrás do outro quando enfim chegou na praça principal e se deparou com a tal porta. Ela era grande como a de um castelo e em seu centro havia um círculo pequeno para encaixe e algo. "Os fragmentos de chave", notou. Teria ido até lá para abrir a fortaleza logo, não fosse o último humanoide em seu caminho.

A quinta batalha na cidade foi a mais demorada de todas justamente pelo cansaço do semideus. Ele não tinha parado nem por um instante desde que saíra da gruta horas atrás. Já estava saturado de tanta luta e mesmo como um meio-sangue, tinha seus limites. Devido a isto, sua taxa de acerto já estava baixa e seu fôlego comprometido. Cada estocada com a lança era uma aproximação falha para cima do monstro e como resultado um murro que tomava. Foram dois murros ao todo, um no peito e outro no rosto. Ao fim deles, já estava meio zonzo e fraco. Teve de apelar para a invocação de águias elétricas, ou então nunca teria derrotado o bicho no combate físico.

— Você tá bem? — Erick se aproximou do líder de chalé que estava sentado no meio do chão descansando.

— Vou ficar bem, só preciso de um tempo — falou com dificuldade. Sem seus itens consumíveis, não tinha nada para ajudar em sua recuperação. Até mesmo a fome já estava intensificada. Considerou procurar algo para comer na cidade, mas lembrou rapidamente que dificilmente acharia comida e se fosse o caso ela estaria podre. — Ok, vejamos se isso basta — disse após alguns minutos de descanso, pegando o fragmento que tinha caído do quinto bicho e juntando aos outros para abrir o forte.

Como em um passe de mágica, os itens de missão se juntaram e flutuaram até a abertura da porta abrindo-a. O som da abertura foi ainda mais agudo e barulhento que o das saída leste da cidade. Parecia que estavam abrindo as portas do inferno e todos os demônios nas proximidades já estariam cientes por conta da barulheira. Ao menos não teve de fazer esforço físico para mover aquela coisa gigante, ou então teria terminado empacado ali.

— Não sei se quero entrar ai — se estivesse vivo com toda certeza estaria suando.

— Você não precisa vir, já me ajudou o suficiente — fez um gesto de positivo com a mão para seu acompanhante.

— Não, eu quero ir sim, se você vai derrotar aquele cara eu quero ver isso — um semblante de confiança tomou conta de sua aura, substituindo o temor.

Abramov sorriu com o canto da boca, contente em ter a criança como aliada.

— Certo, gostei dessa atitude. Transmite confiança e é disso que precisamos agora — foi a última coisa que disse antes de adentrarem o forte e as portas misteriosamente se fecharem atrás deles.

As portas terem se fechado assim que entraram não foi o pior, afinal, era até clichê aquele tipo de coisa. A escuridão e o cheiro insuportável sim. Esses dois fatores deixaram o filho de Zeus ainda mais tonto e desnorteado. O breu era tanto que nem conseguia enxergar a espada flutuante que guiava o caminho. Talvez fosse a fome, mas demorou mais do que o normal para lembrar que era capaz de gerar bolinhas elétricas para iluminar parte do caminho. Graças a elas foi capaz de caminhar um pouco à frente até encontrar um corpo em decomposição segurando uma lanterna estranha. O formato de caveira do item era sugestivo e ainda mais clichê que a porta fechando sozinha, só que nada comentou.

Com uma iluminação mais decente, os dois caminharam por um corredor estreito ouvindo seus passos ecoarem no chão de ferro. Toda a estrutura daquele forte parecia ser feita de metal velho e enferrujado. A impressão que tinha era de que tudo podia ser achatado por um gigante ainda maior que aquele que matara. Teve até mesmo uma sensação claustrofóbica pelo ar escasso do caminho. O corredor reto e vazio deu em uma sala ampla com tochas acesas ao redor das paredes. Não tinha nada ali além de alguns ossos espalhados pelo lugar.

— Isso não é um forte, tá mais pra um covil — falou em voz alta ao se deparar com a primeira sala.

— Covil é o que? Mas ué, o prefeito sempre disse que o ouro da cidade era guardado aqui — disse com toda inocência do mundo.

— E só ele tinha acesso a esse lugar, certo? Típico — desdenhou antes de seguir reto onde outro corredor se iniciava. Porém, quando deu dois passos dentro da sala os ossos começaram a flutuar e eles apareceram.

Esqueletos comuns armados com gládios e escudos, muitos deles. Alguns surgiram do nada, não precisando necessariamente dos ossos largados no chão. Uma armadilha carniceira, concluiu. Os inimigos eram facilmente derrotados por seus ataques com a lança, entretanto, eles eram vários e não paravam de vir mais de sabe-se onde lá. O cansaço também contou bastante na tomada de decisão e, após literalmente abrir caminho com uma ventania forte, correu em direção ao corredor que estava do outro lado da sala para fugir dali junto de Erick. Não era de seu feitio fugir de uma luta, todavia, aquela ali provavelmente significaria sua derrota por números.

O corredor começou a fazer curvas, hora para a direita hora para a esquerda. Ele continuava vazio, mudando apenas pelo fato da dupla estar sendo seguida por esqueletos enraivecidos. Depois de muita correria, alcançaram uma segunda sala que era parecida com a primeira exceto pela porta que a separava do que quer que estivesse após ela. Mais esqueletos sugiram ali mas não foi só isso. Um esqueleto um pouco maior vestindo uma túnica negra, claramente resistente, os aguardava também.

— Ele é maior que os outros — comentou o fato claro.

— Deu pra perceber — bufou estressado por saber que não sairia dali sem ao menos derrotá-lo.

Inimigos à frente e inimigos atrás em um ambiente fechado significava derrota na certa. Ou pelo menos seria se ele não tivesse uma carta na manga. Apesar de todos serem feitos puramente de ossos, havia um fator em comum na equação que por sorte não se aplicava ao fantasma camarada: metal. Todos os monstros carregavam algum item de metal e, com isso em mente, Abramov ativou seus campos de eletromagnetismo. Quando um amontoado de inimigos se aproximou dele, usou as ondas eletromagnéticas para empurrar tudo para longe.

Até mesmo o claramente líder da trupe ossada voou contra a parede, mas, diferente dos minions, não foi destruído de cara. O som dos ossos se desmontando contra as paredes de ferro foi estrondoso (até porque sua habilidade também afetava a estrutura do forte, causando abalos). Mas serviu para lhe dar a oportunidade de pular contra o mais resistente dos adversários. Com a lança em mãos tentou atingir o esqueleto chefe mas foi surpreendido com uma bola de fogo escuro lançada por ele. "Piromancia negra!", se tocou na hora em que trocou a direção seguida para um salto visando escapar do ataque.

Por conta do salto acabou sendo atingido por dois golpes de gládio bem na altura do tronco, um pela esquerda e outro pela direita. Dois filetes de sangue escorreram por suas roupas devido aos ferimentos, mas isso não foi suficiente para lhe fazer recuar. Sua determinação tinha sido redobrada por conta do desafio - como um teste de orgulho comum na prole de Zeus. Sem perder tempo, usou os ventos para afastar alguns inimigos enquanto voltou a atenção novamente para o maior deles.

— Ei, olha eu aqui — provocou o miniboss que lançou outra bola de fogo contra ele.

Ab voou para longe do ataque elemental e ascendeu no cenário, não se importando em deixar a lanterna caída já que as tochas iluminavam o local. Com Aegis erguido, lançou o disco em direção ao alvo principal e emendou num raio lançado pela outra arma que empunhava. Um esqueleto menor se jogou na frente do projétil lançado e se matou defendendo o chefe. Chefe este que usou fogo para contrapor o ataque elemental e saiu ileso. Ileso e bastante irritado, pois abriu a boca descarnada para soltar um sopro flamejante com alcance incrível. A impressão que o semideus tinha era de estar enfrentando um dragão por estar fugindo de um lança-chamas.

Manobrando no ar, desceu um pouco para usar os campos eletromagnéticos novamente e destruir mais inimigos além de dar dano no guarda. Era o único ataque que nem mesmo o piromancer era capaz de se proteger, pois sua armadura não podia ser despida. Foi nessa segunda vez que conseguiu render de fato o monstro e conectou o primeiro ataque de fato com a lança. O bicho fez um som estranho de dor e incendiou uma das mãos para apertar o ombro direito meio-sangue. Teria sido só um apertão forte e ardido, só que pelo encantamento da chama queimou a carne mais fundo do que o normal e fez sua vítima literalmente chorar de dor.

— Abramov! — Erick gritou ao longe sendo transpassado por esqueletos.

A dor da queimadura em seu ombro direito lhe fez urrar também, aumentando sua ira e por conseguinte sua força. Ainda próximo do esqueleto que manipulava as chamas negras, largou a lança para pegar o escudo com as duas mãos e o cravou com tudo no peito da coisa - tendo previamente aumentado a própria força e potência do golpe. Com isso literalmente partiu o bicho no meio e o destruiu. Nisso, todos os esqueletos que tentavam inutilmente lhe atingir (uma vez que não conseguiam controlar seus movimentos pelas ondas eletromagnéticas ativas) também caíram desencantados.

— Você tá bem? Tá saindo fumaça do seu ombro — preocupado, se aproximou do campista.

— Tô — respondeu de maneira seca porque ainda sentia uma dor agoniante.

Não fazia ideia da razão do ferimento ainda estar doendo, mas suspeitou das propriedades negras das chamas. Se estivesse certo, a dor até diminuiria com o tempo mas a marca ficaria para sempre em sua carne. Uma outra cicatriz de batalha, ponderou. Com a força que tinha lhe sobrado, usou a lança como ajuda para se erguer e manteve-se de pé. Já estava quase impossível respirar ali, então foi até a porta e a abriu para revelar o novo caminho. Para sua surpresa, não estava tão escuro quanto esperava devido às tochas magicamente acesas da sala.

Quando seguiram pelo novo caminho, descobriram uma passagem diferente e não mais feita de metal. Era como se aquela parte do forte fosse apenas um grande cofre que guardava a entrada pra um local diferente. O caminho era feito puramente de pedras e após alguns minutos de caminhada ele dava em uma escadaria íngreme com degraus pequenos. Foi uma luta para os dois subirem aquilo - ainda mais pelo cansaço acentuado do semideus -, mas, ao fim, se depararam com um cenário em campo aberto no meio do bosque. Tinham subido todos os cinquenta metros que afundavam o vilarejo no chão através da escadaria de pedra.

Nada poderia ser mais cansativo que isso.

Apesar da exaustão (por parte do meio-mortal, uma vez que o fantasma não se cansava), o cenário era tão estonteante que qualquer dor ou cansaço era esquecido. Um verdadeiro cemitério de dragões bem no meio da floresta enevada do Alasca. Os crânios dos seres magníficos estavam enfileirados em um caminho que seguia mais adentro do bosque. A neve parecia respeitar o local caindo somente ao seu redor, o que deixava o chão limpo revelando a grama verde e baixa. Era como caminhar em um tapete vermelho, mas com dragões mortos te observando dos dois lados, ou, naquele caso, a cabeça deles.

— Como ninguém conhecia esse lugar? — Erick comentou boquiaberto, pois bastava ele se virar de costas para visualizar a cidade lá embaixo.

— A névoa. Ela impede que mortais vejam lugares e criaturas mágicas, por isso — mesmo Ab estava atônito ainda com a descoberta.

Os troncos das árvores que cercavam o cemitério tinham galhos longos, fazendo florescer bem acima da passagem. Parecia pecaminoso o simples fato de pisar naquele solo sagrado. Por um momento o líder de chalé esqueceu o motivo de estar ali, mas a dor da queimadura lhe fez lembrar rapidamente. Imaginando estarem cada vez mais próximos do fim, já que a espada flutuante apontava com ainda mais força pela estrada limpa, os dois apressaram os passos adentrando ainda mais a floresta. O vento fresco, ainda que gelado, do ar livre encheu o pulmão do filho de Zeus de vitalidade, o que melhorou seu fôlego para a marcha pesada.

Após alguns minutos em silêncio e sem nenhuma outra surpresa, alcançaram uma fonte de mármore demarcando um círculo no meio da reta que era o caminho. Mais parecia que estavam em um parque, faltando apenas os bancos. Abramov se aproximou com velocidade para ver que água era aquela que caía sem parar na escultura. O líquido parecia puro e próprio para consumo, mesmo que suspeito.

— Você vai beber isso? E se for do mal também? — indagou.

— Pago o preço — a sede intensificada lhe encorajou a levar um pouco dá água à boca com as mãos.

O sabor do combustível da vida descendo pela sua garganta seca foi impagável e indescritível. O desespero era tanto que chegou a encher as mãos para lavar o rosto também, revigorando ainda mais sua vitalidade. Não apresentava nenhum efeito colateral então julgou que estava tudo bem. Foi com isso em mente que usou um pouco da água também para lavar seus ferimentos, sentindo a queimadura arder novamente ao ser molhada, contudo, uma sensação de alívio tomou conta da dor aliviando tudo. Era quase um banho completo, o que poderia parecer desnecessário para quem assistisse de fora, mas que era mais do que necessário para ele naquele momento.

— Melhor? — questionou observando o cenário mágico.

— Bastante — bufou de maneira aliviada, sabendo que se parasse ali seu sangue esfriaria e precisaria estar com tudo na hora do oponente final. — Mas temos que ir — anunciou, contornando a fonte para voltar a seguir pela estrada reta.

Em determinado momento o caminho limpo começou a ser coberto por neve novamente e a passagem de terra e árvores foi substituída pela branquidão do cenário maior. A espada guia tremia de tão forte que a energia do lugar era e, quando os olhos do campista foram levantados, ele visualizou os picos montanhosos com templos no topo. As construções estavam claramente abandonadas, porém, ainda eram majestosas por mais simples que pudessem ser. Mais à frente dos picos uma pessoa esperava em pé por algo, ou, naquele caso, alguém.

— Consigo sentir o cheiro podre de Zeus em você, moleque — a tal pessoa era um homem coberto por uma armadura completa de metal. Seu elmo parecia a cabeça de um leão e sua aura era intimidadora.

— Então você é o tal oponente final, o rival do meu pai — deu um passo à frente não muito intimidado com o outro, apesar de sacar na hora que era um inimigo grandioso. Talvez até mais que todos os que enfrentara na vida.

— Já fui seu orgulho um dia. Sim, em outros tempos, quando minha presença era idolatrada por meus aliados e temida por meus inimigos — vociferou, girando a lança que empunhava com uma das mãos. — Hoje em dia vivo preso aqui à espera da chegada daquele que me libertará.

— Te libertará? — não fazia ideia do que o outro estava falando.

— Azor Ahai — Erick falou.

— Também já fui chamado assim uma vez, em outra época onda as coisas eram mais justas — apontou com a arma para Ab. — Mas agora você está aqui. Venha, filho de Zeus, farei questão de entregar sua cabeça ao seu pai.

— É engraçado porque eu pretendo entregar a sua para ele — sacou a lança e o escudo, pronto para a batalha. — Agora me diga, por que fez isso com o vilarejo?

— Não fui eu quem fez isso com o vilarejo, foi meu companheiro — riu. — Meu senhor me encontrou eras atrás e me ajudou, dando-me a força para conquistar um novo dragão e me vingar. Porém, acabei preso nesse lugar por uma magia tão antiga quanto a terra: o elo dos dragões. Esses templos prendem as energias das trevas aqui.

— Com energia branca comum dos dragões — sussurrou, entendendo então porque Azor não conseguia sair daquele lugar. Assim como compreendeu porque a água da fonte que bebera parecia melhor que a comum.

— Por milhares de anos tentamos juntos forçar nossa saída daqui, mas o máximo que conseguimos foi quebrar a represa e o resto já sabe — riu de maneira grosseira e hostil.

— Conseguimos? — olhou para os lados mas não viu ninguém além deles três ali.

— Moleque tolo, acha mesmo que uma única alma teria permanecido presa à esse lugar e sobrevivido aos monstros por tantos anos? Ainda mais a de uma criança?

Abramov olhou para Erick que estava inexpressivo e se afastou. Não precisava que desenhassem para entender o que estava acontecendo. Mesmo assim não conseguia evitar o rebuliço no estômago. Tinha confiado no garoto e mais que isso, se afeiçoado a ele. Sendo que todo esse tempo ele era...
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Abramov Levitz
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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Abramov Levitz em Sex Jan 26, 2018 12:36 am







BLOOD IN ICE AND FIRE
Deceiver of Fools
— A serpente — como a serpente que enganou Adão e Eva, o fantasma o tempo inteiro lhe enganou para na verdade levá-lo até ali.

— Eu estava com tanta fome, tanta fome — a voz do menino mudou para a de algo monstruoso e assustador assim como sua feição e corpo. — Eu precisava disso. Acha que é fácil convocar os soldados de nosso senhor estando limitado a não se afastar de meu dono por conta do elo? — sua aparência mudava mais e mais, expandindo sem parar e transmutando em algo absurdo.

— Mas agora tudo mudará. Como o senhor das trevas prometeu, o sangue do príncipe do Olimpo será minha libertação desse lugar.

Em questão de segundos, Erick se transformou em um dragão vermelho imenso notavelmente ancestral e nada amigável. Seus dentes pontiagudos apareceram quando ele urrou e fez um barulho que quase ensurdeceu o meio-sangue. Leviz chegou a cair de bunda na neve, arrastando-se com todas as forças para tentar se afastar de seu mais novo inimigo. Quando percebeu que uma das patas titânicas vinha em sua direção, teletransportou-se para longe na neve, escapando por pouco. Ele até poderia ficar fazendo isso pelo resto da missão, mas sabia que em algum momento suas energias acabariam e a tatuagem chegaria ao seu limite. Em outras palavras, se não pensasse rápido em como derrotar um dragão ancestral e um guerreiro digno de histórias como as de Hércules, estaria morto.

De pé, o pequeno (se comparado à besta alada) começou a correr de volta ao caminho pela floresta descongelada. Sua única esperança, àquela altura, era de correr para o mais longe daquele lugar e comprar tempo para um plano. Entretanto, não tinha a menor chance de superar um dragão imenso voando acima dele mesmo se tentasse voar também.

— Vá, meu amigo, destroce-o e deixe a cabeça para mim! — gritou ao longe, divertido com a perseguição.

A espada que o tempo inteiro esteve auxiliando Ab em seu caminho começou a brilhar largada na neve e ele percebeu isso com o canto dos olhos. Todavia, por mais que sua curiosidade para saber do que aquilo se tratava fosse grande, a vontade de sobreviver era maior. Com o auxílio dos ventos, tentou voar baixo para aumentar sua agilidade, sendo que foi atingido pela ventania causada pelo movimento forte das garras do bicho que passaram por cima dele. Sem controle de onde ia parar, o semideus voou contra a própria vontade até um monte de neve e caiu dolorido lá.

Com uma tontura por conta do empurrão, viu o dragão planar sobre ele e abrir a boca. Fumaça começava a sair de sua boca e um alaranjado estranho acendeu em sua garganta. "Fogo!", notou saltando para o lado na hora em que o lança-chamas mirou nele. Era impossível desviar daquilo, então, quando viu que seria atingido, ergueu o escudo em defesa mantendo o braço firme para tentar aguentar aquele fogo intenso. Quinze, talvez vinte, segundos era o tempo máximo que poderia manter a defesa, antes do material do disco começar a ser danificado e, consequentemente, destruído.

Uma sensação de imediato tomou conta de seu corpo e lhe fez lembrar da espada. Zeus lhe disse que ela seria sua única chance de vencer a batalha final e os deuses nunca erravam quanto às missões de seus heróis. Assim, sendo aquela sua única moeda de aposta pois se estivesse errado sua morte era certa, contou até três antes de se teletransportar outra vez mas para perto da espada mágica. Próximo a ela, viu que na verdade a luz de antes tinha sido o sinal da mudança. O item não era mais uma espada e sim...

— Minha maleta — sussurrou incrédulo.

De maneira apressada, abriu a valise e sem que precisasse pedir, Grizfolk seu dragão de bronze saiu de lá de dentro. A mascote draconiana estava agitada e, talvez pela ligação empática, ciente do que estava acontecendo. Tanto que quando o dragão inimigo soprou fogo outra vez, ela contrapôs o ataque elemental com uma rajada elétrica de mesma potência.

— Griz — nunca esteve tão aliviado em ver seu maior amigo antes.

Sem perder tempo, Abramov voou até o pescoço do aliado e montou ele. Nisso, a serpente adversária voou para perto de seu dono, o qual também a montou. Dois guerreiros montados em seus dragões sobre um cenário coberto de neve e com ventos gélidos no meio do Alasca. Se George R.R Martin ficasse sabendo daquilo, com toda certeza alegaria que era um plágio de um de seus livros.

— Então é assim que vai ser, filho de Zeus? Não tem problema, é só mais um dragão para meu senhor — provocou, apontando com a lança ao longe.

— Quem é seu senhor? — também apontou com a lança.

— A encarnação das trevas: Érebus — e então fez o primeiro movimento.

O dragão vermelho avançou com tudo para cima do de bronze, tentando abocanhar o pescoço de seu alvo. Uma verdadeira batalha titânica se deu início com as duas feras gigantescas voando em meio aos céus gélidos do Alasca. O responsável pelo chalé 1 nunca tinha lutado montado em Grizfolk antes, então sua inexperiência lhes custou a inciativa e vantagem dos primeiros turnos, sendo acoados pelas investidas inimigas e tendo de se defender como podiam. Azor gritava insultos e provocações tão alto que nem mesmo o bater de asas forte impedia suas mensagens de chegarem até o outro interlocutor. O homem fazia isso porque sabia que estava ganhando e que aquela era a maneira mais fácil de intimidar seus inimigos.

Não disposto a morrer ali - e muito menos deixar que seu maior companheiro morresse -, Ab manobrou em direção às montanhas com os templos antigos. A cena mais parecia a de perseguição do quarto livro da saga Harry Potter, sendo que naquele caso ele era perseguido por um dragão enquanto voava em um dragão e não em uma vassoura. As patas e caudas das bestas de escamas quebravam as montanhas onde quer que esbarrassem, trazendo mais confusão ao momento. Tudo piorou quando Erick passou a lançar bolas de fogo e estas, por não acertarem seu alvo em movimento, destruíam pouco a pouco as montanhas enevadas.

A perseguição continuou com os dois dragões se arranhando e tentando se morder como podiam. Abramov lançava alguns raios, pois atacar à distância era sua única alternativa em meio à disputa titânica, mas Ahai os aparava com a lança. Assim, após um embate que não parecia ter fim, Grizfolk foi atingido pelas garras do inimigo maior bem na altura da barriga e começou a perder altitude.

— Griz! — um desespero que até então era inédito para o rapaz tomou conta de seu corpo.

Com toda a força que tinha, o Levitz tentou ajudar seu aliado guiando-o em direção ao templo. Sabia que voando com ele seria mais rápido chegar até a fonte, entretanto, se viu sendo perseguido de perto - algo que já esperava -, pela dupla adversária. Mil situações passaram pela cabeça do semideus naquele momento, sendo que movido pelo instinto de lealdade e proteção optou pela mais arriscada: saltar sobre o dragão inimigo e atrasá-lo.

— Por favor, confie em mim — sussurrou ao ouvido da mascote antes de abandoná-la e voar em direção ao rosto da fera que vinha mais atrás.

Os olhos da besta de escamas vermelhas eram imensos e assustadores, mais ainda com os dentes afiados da bocarra. Entretanto, Abramov aproveitou que era menor, comparado ao tamanho colossal do monstro voador, e voou com tudo tentando acertar uma de suas órbitas oculares com a lança. Ele até teria conseguido, não fosse o fogo cuspido em sua direção como ação de defesa da criatura. Com os reflexos apurados, manobrou para o lado direito e arremessou o escudo contra a parte lateral inferior da barriga do bicho. Seu ataque se conectou com o alvo e lhe arrancou filetes de sangue, não sendo suficiente para causar muito estrago.

— Você não pode nos vencer. Desista, criança do verão — insultou com gargalhadas altas.

Irritado, e ainda desesperado por ver que Erick ainda estava na cola de Grizfolk, o lanceiro foi ainda mais imprudente: voou em direção ao dragão por baixo. A barriga parecia ser a parte mais exposta de toda a extensão daquela coisa, concluiu. Sem perder tempo, ele espetou três vezes as escamas mas mal conseguiu danificá-las, sendo atingido pela palma de uma das patas traseiras e arremessado longe. Conforme voava sem controle em direção à neve, fez uma prece interna por ajuda, não ligando para o fato de ali, tão longe de sua terra natal, os deuses não terem domínio sobre as coisas.

Era ele por ele mesmo.

Seus olhos se abriram ao sentirem a neve bater contra as próprias costas. Estavam próximos da fonte mágica e nem tinha percebido, reparando apenas ao ouvir o grito de dor por parte de Griz quando este foi atingido por uma rajada de fogo. A marca de queimadura em formato de mão no ombro direito do jovem adulto ardeu no mesmo instante, fazendo-o se contorcer na neve. Queria fazer aquilo parar, não aceitava seu único amigo sofrer por sua culpa. Antes tivesse aceitado a morte sem mete-lo no meio daquilo. Mas estava feito, não tinha volta... de fato não tinha. Mas tinha uma saída. A tatuagem especial brilhou e outra vez Ab se teletransportou, dessa vez parando ao lado do dragão de bronze que tentava segurar as chamas com uma rajada de raios.

— Solte e beba da água — gritou apontando para fonte. metros atrás deles.

— Não seja tolo. Saia daqui, vou comprar tempo para que fuja — Grizfolk falou com a voz fraca já que estava ferido.

— Não vou te abandonar, mesmo que eu morra por isso — respondeu mais certo do que tudo. A ligação que ambos tinham possibilitava a mascote saber que nada faria o humano mudar de ideia. — Eu aguento por alguns instantes, preciso apenas que você beba a água.

— Farei isso — contabilizou cinco segundos antes de se virar em direção à fonte.

Abramov rapidamente saltou em frente às chamas cuspidas pelo dragão vermelho e atiçou os ventos, empurrando-as para os lados sem que pudessem lhe atingir. Quem viesse de fora imaginaria que ele na verdade tinha criado uma parede invisível e que o fogo batia e escorria para cima, baixo e lados. Um efeito bonito de se ver mas que era custoso e exaustivo. Tão cansativo que fez ele cair sobre um dos joelhos, ciente de que não aguentaria mais. Dez segundos já tinham se passado e Azor Ahai já estava certo de sua vitória, até que Griz bateu as asas e em uma investida rápida atingiu a cabeça do inimigo alado com um arranhão.

O ataque dos enviados de Zeus quebrou o clima ofensivo dos servos de Érebus, possibilitando que o meio-sangue se recompusesse para continuar lutando. O legado de Baco olhou para seu aliado e sem precisar dizer nada, deixou claro o que pretendia. Ao apontar para o céu com a lança, um raio caiu em cima de Grizfolk e este o enviou de volta para cima. Em questão de segundos uma chuva de trovões tomou conta do cenário, sendo esta uma verdadeira tempestade de raios.

A tormenta causada pelos filhos do trovão começou a destruir todo o lugar, inclusive o dragão vermelho que era brutalmente atingido pelas descargas elétricas de alta potência. O Cabeça de Leão gritou mais insultos em forma de protesto, nada contente com aquilo. Ele chegou a ter de pular na neve para não ser atingido por um dos relâmpagos que caiu bem em cima de sua montaria. Com a vantagem de terreno e clima, a besta de asas de bronze montou em cima da vermelha, empurrando-a contra o chão e abrindo ferimentos feitos em suas escamas.

— Sua chance — bradou.

Sem precisar que fosse dito duas vezes, Abramov saltou do aliado e caiu em cima da barriga de Erick. O campista chegou a ouvir os lamentos e ameaças do outrora fantasma que lhe enganara durante toda a missão. Todavia, nada do que o dragão das trevas pudesse dizer o faria voltar atrás. Sem piedade, Ab cravou a lança em uma das feridas expostas na couraça do dragão de fogo, fazendo-o urrar de dor. Em seguida, foi perfurando-o em todas as áreas possíveis até ver Azor correr em sua direção.

— Vou fazer você pagar por isso, semideus — arremessou a lança em direção ao rapaz, mas este defendeu o ataque com o escudo.

— Errado. Eu vou fazer você pagar — seus olhos brilharam em fagulhas elétricas e então desferiu o ataque final.

O herói apertou as duas mãos na haste da lança e a enfiou com tudo na parte ferida do dragão vermelho que dava em seu coração. Sangue de dragão molhou todo seu rosto e corpo, antes do bicho literalmente explodir em pó dourado e contaminar toda a visão dos três elementos que sobraram em cena. Um grito diabólico ecoou naquele fim de mundo congelado, junto de uma energia negra que ficou espalhada ao redor do semideus antes de ir em direção ao guerreiro de armadura. A queimadura no ombro do Maciej ardeu conforme a tal energia passou por ele, fazendo-o cair sobre os dois joelhos e levar a mão até ela.

— Eu pretendia fazer isso de maneira rápida, mas agora vou destruir o espírito de vocês antes mesmo de matá-los — sua voz soou mais macabra do que o normal e sua aparência estava diferente. Ainda era o mesmo homem de antes, não obstante, a tal aura maligna o cercava provavelmente melhorando seu desempenho em batalha.

— Você está em desvantagem — se dirigiu ao cavaleiro, quando o último relâmpago da tempestade caiu dando esta por encerrada.

— Griz, eu farei isso sozinho — se levantou, cuspindo o sangue da boca antes de sacar a espada e o escudo.

— Por que faria isso? Ele não parou o dragão quando você estava sozinho — indagou, mantendo-se atrás de seu dono e pronto para agir.

— A profecia é clara: eu devo combatê-lo. Não se pode ir contra isso — lembrou das palavras na fogueira do oráculo.

— Venha, eu acabo com você e depois monto ele para sair daqui — levantou a mão direita e então a lança que empunhava magicamente apareceu em sua mão.

— Isso é pelo meu pai e toda a cidade, arrombado — usou a arma de ouro imperial como condutora para um raio lançado contra seu oponente.

Abramov fez o primeiro movimento ao correr em direção ao inimigo. Na metade do caminho lançou o escudo, porém, o disco foi defendido pela lança do cavaleiro. Não só isso, Azor girou a arma sem sair do lugar e chamas negras incandesceram ela, sendo atiradas logo em seguida contra o meio-sangue. Meio-sangue este que conseguiu voar e escapar do contra-ataque inesperado mas, sem imaginar que o homem pudesse ser tão rápido, se viu sem ações ao ter a distância entre os dois encurtada de maneira brusca.

"Merda", foi a única coisa que conseguiu pensar ao ver que mesmo correndo sobre a neve Ahai era absurdamente veloz. A mão livre do servo de Érebus agarrou seu pé antes que pudesse voar alto e o puxou para baixo, chocando suas costas contra o chão. Ab grunhiu alto por já estar ferido, tendo tempo apenas de erguer o escudo (que magicamente apareceu em sua mão novamente) para se defender do ataque inimigo. Quando o ouro imperial da lança inimiga se chocou com o do disco defensor, faíscas voaram pelo cenário. Rapidamente o lutador que estava por baixo se teletransportou para longe, ganhando espaço para respirar após o desastre da primeira rodada.

— Essa é a Sedenta por Sangue, minha fiel companheira — mostrou a lança reluzente. — Ela já tinha bebido incontáveis litros de sangue antes de você sequer nascer, moleque.

— E esse aqui é o Aegis — levantou o escudo que tanto se orgulhava. — Ele já amassou muita cabeça de maluco irritante antes e você é o próximo.

A segunda rodada foi iniciada pelo cavaleiro, que abriu a boca e literalmente cuspiu chamas negras. Estava mais do que óbvio que de alguma forma os poderes do dragão tinham sido absorvidos por ele. Seja como for, o defensor rolou pela neve a fim de desviar do ataque e conseguiu, sendo surpreendido pelo arremesso da Sedenta por Sangue. Uma manobra imprevisível e rápida, impossível para ele se defender ao ponto de apenas desviar e mesmo assim ser atingido de raspão pela lâmina.

"Ela tá...", ficou sem reação ao ver o sangue do corte em seu braço esquerdo ser sugado pela arma cravada ao seu lado. Mais estranho que isso foi quando ela retornou para a mão de seu dono, levando os últimos filetes de glóbulos vermelhos junto. Abramov cravou Gunir, sua arma principal, na neve também e invocou as mesmas águias de antes. Os pássaros voaram sobre o armadurado disparando descargas elétricas, mas ele conseguia desviar de todos e ainda destruí-las com o fogo. Irritado, o californiano partiu para cima determinado a derrotar seu inimigo de uma vez por todas. A iniciativa partiu de seu lado, todavia, o domínio da disputa foi inteiramente do mais velho. O qual conseguia aparar todos os ataques com a lança e ainda contra-atacar com maestria usando o mesmo tipo de item. O atacante conseguiu apenas destruir uma das ombreiras de seu inimigo, antes de se afastado com vários cortes pelo corpo.

— Mais sangue pra minha amada — falou feito um lunático, enquanto a lança ficava mais e mais vermelha com o sangue do semideus.

O instrutor do Acampamento Meio-Sangue estava passando por maus bocados, isso era notável. Seu oponente tinha anos luz de diferença em questão de experiência, além, claro, de estar abençoado de alguma forma pelo dragão que havia acabado de morrer. Somente Zeus lançando um raio direto ali para seu filho sair como vencedor. "É isso", exclamou mentalmente. Ele de fato nunca superaria a maestria com lanças por parte de seu adversário, contudo, podia atrapalhá-lo ao ponto de igualar seus níveis ou até mesmo superar o dele.

— Ok, vamos ver se você gosta disso — limpou novamente o sangue da boca e então ativou os campos eletromagnéticos.

Na mesma hora o Cabeça de Leão tentou atacar mas se viu quase impedido por uma força invisível. Até mesmo se mover era problemático para ele que sentia a armadura tremer sem parar. A força do eletromagnetismo era tanta que o guerreiro coberto por metais se viu sem escolha senão se desproteger gritando insultos intercalados com questionamentos de como o meio-sangue fazia aquilo. A fisiologia dracônica do homem foi revelada conforme ele tirava as partes da armadura - até mesmo um rabo e chifres de dragão ele tinha. Claro que enquanto Azor Ahai retirava partes de sua armadura, o rapaz avançou  se aproveitando da vantagem comprada. Aegis foi lançado outra vez antecedendo uma descarga elétrica conduzida à distância por Gunir. O disco se conectou com o elmo de seu alvo, jogando-o longe ao mesmo tempo em que o ataque elemental eletrocutava todo o corpo do homenzarrão.

"Agora ou nunca", Ab voou para cima de seu oponente erguendo a lança pronto para acabar com aquele desafio, mas, para sua infelicidade, o matador de dragões mesmo quase paralisado pelo choque literalmente abocanhou a ponta do item dourado e puxou o semideus para perto. A mão direita coberta por energia ruim apertou o pescoço do herói olimpiano, sufocando-o sem dó.

— Você realmente achou que me derrotaria, tolo — era nítido o prazer em seus olhos ao torturar sua vítima.

Grizfolk se agitou ao longe pronto para intervir, não obstante, visualizou o olhar determinado do membro da prole de Zeus e nada fez. Mesmo sentindo sua vida literalmente ser sugada através do toque entre ambos, Abramov levou as duas mãos ao braço que o erguia no ar. Com elas, usou toda sua energia restante para parar aquela drenagem vital usando sua eletricidade própria. Sabia que a quebra de energias era possível através do elemento intrínseco, então quando fechou os olhos e se lembrou de toda a injustiça que por anos acometeu aquele vilarejo por culpa de algo tão banal quanto a pura maldade, superou o servo das trevas e trocou a transição de forças.

A drenagem foi interrompida e o toque do meio-sangue literalmente fritou o homem até ele cair sobre os joelhos, completamente rendido e derrotado. Partes de sua armadura ainda estavam tremendo no chão próximo a eles, ao passo em que seu elmo amassado era a única coisa parada na neve de tão pesado.

— Às vezes devemos aceitar que nosso papel em uma peça acabou — comentou para seu oponente, usando o restante de suas forças para levantar seu escudo uma outra vez. — Meu pai tem uma grande dívida com você por seu passado, Azor Ahai. Mas se corromper em nome do puro egoísmo foi sua sentença de morte. E esta é irrevogável — cravou a ponta da arma no peito desprotegido do homem matando-o no mesmo instante.

Abramov conseguiu apenas soltar o item do cadáver antes de cair no chão sem energias para continuar. Uma dor tremenda lhe fazia se agoniar na neve, incapaz de dizer qualquer palavra além de pedir para que aquilo parasse. O dragão de bronze correu em auxílio de seu dono, sendo esta a última coisa que o campista viu antes de desmaiar pela fraqueza e excesso de ferimentos.

(...)

Uma brisa agradável entrava pela janela escancarada do recinto, vez ou outra mais forte que o normal ao ponto de acordar o enfermo. Os olhos pesados do moreno se abriram com dificuldade, demorando cerca de trinta segundos antes de assimilar tudo que via e se situar no espaço. Um bocejo forte escapou por seus lábios, seguido por uma espreguiçada necessária. Nisso, seu ombro ardeu de leve e então ele se lembrou de tudo. Ansioso, tentou se levantar da cama mas foi ai que percebeu os tubos conectados em suas veias.

— Quê? — deixou escapar com a voz fraca.

— Você tá acordado, deuses, que alívio — Selena, sua melhor amiga, disparou pela porta.

— Ele não morreu! De novo! — Daumus entrou saltando com suas pernas de bode, como leal escudeiro do paciente.

— Quando cheguei aqui? — sentiu uma tontura forte. — O Griz, cadê o Griz?

— Se não fosse ele... o coitado tá descansando na praia, o único lugar que ele cabe — riu. — Ele voou com você do Alasca até aqui!

Um alívio tomou conta de seu coração, satisfeito em saber que não tinha perdido seu amigo.

— Eu tô tão mal assim? — tentou tirar um dos tubos e então sua pele reagiu de maneira violenta e dolorida, com escamas literalmente brotando sobre a epiderme e depois se escondendo de novo. A dor foi tanta que ele caiu com o torso novamente sobre a cama. — Mas quê...

— Grizfolk contou tudo o que aconteceu. Estão tentando reverter o quadro, mas você meio que virou um dragão — sua expressão era séria, impossibilitando qualquer teor cômico.

— Tipo, literalmente um dragão.

Pedido Especial:
A premiação seria a lança do inimigo final, porém, como conversei com Érebus, ela não me seria mais útil então eu poderia pedir outra coisa. Fiz o enredo todo voltado para esse pedido e deixei meio que nas entrelinha como ele sem querer conseguiu isso. O intermédio foi a nova cicatriz: a marca da mão queimada em seu ombro. Ela meio que ajudou a energia do dragão à ser absorvida por ele durante o momento final da luta. Na verdade foram dois momentos: o primeiro quando o dragão morreu e o poder dele foi para o Azor Ahai passando pelo Ab na hora - eu descrevi isso (e foi o criador da missão que inventou isso de passar poder do dragão, vale lembrar); e no fim quando o Abramov impediu de ter sua vida sugada e, ao reverter o processo, absorveu um pouco da energia maléfica/dracônica do homem. Assim surgiram as habilidades abaixo (eu pretendia colocar uma só com os efeitos, mas separei em duas para ficar mais claro). E antes que pensem que é um monte de coisa, no caso é uma recompensa só dividida em partes, igual meu eletromagnetismo que eu pedi em uma habilidade só mas os deuses reformularam em três poderes.

Nome do poder: Fisiologia Dracônica: Grandiosidade Inerente
Descrição: Ao ter derrotado o dragão encantado por Trevas, um resquício da magia negra e maléfica ficou em Abramov, o que lhe ajudou no fim da batalha contra o Cabeça de Leão. Ela acabou alterando seus genes mágicos e deixando efeitos colaterais após a luta: sua força é passivamente maior que a da maioria como parte do poder do dragão vermelho. Além disso, seu espírito se torna incorruptível pela purificação na água sagrada do templo de dragões, a qual purificou, inclusive, a parte maligna da energia absorvida.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 30% em força e não pode ser afetado por nada que vise corromper seu espírito/alma (como ilusões maléficas, possessões e etc);
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Fisiologia Dracônica: Apoteose
Descrição: Com essa habilidade Abramov pode ativar os genes dracônicos adormecidos dentro de si e alterar parcialmente sua aparência. Escamas nascem sobre sua pele, lhe conferindo resistência física extra, além de um rabo de dois metros que é completamente funcional. Seus dentes se tornam mais afiados e garras também aparecem. Por fim, ele pode lançar chamas pela boca como uma ação extra rápida por turno com custo. É uma forma bestial hedionda para aqueles que o observam.
Gasto de Mp: 150 MP; 50 MP cada vez que usar o fogo;
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 30% resistência física;
Dano: As chamas lançadas por sua boca dão 60 de dano; Seus ataques físicos desarmados, com o rabo, dentes ou garras/punhos, dão 40 de dano base.
Extra: Essa habilidade fica ativa por 5 turnos e só pode ser usada 1 vez por tópico/missão;

duplicador de XP:
Nome: Pacote intermediário de XP - Nível 3
Descrição: Por 2 meses em OFF, todo ganho de XP do semideus é duplicado. (Valido até 14/03/2018)

Além disso, essa missão foi reciclada durante a promoção então é +50% XP também!

Itens Utilizados:
ϟ Gunir [Um pequeno pingente em formato de raio, decorado em ouro branco com um talo transversal bem no meio; apesar da aparência rústica, é de uma beleza e elegância invejáveis. | Efeito 1: se transforma em uma lança de mesmas propriedades do pingente. | Efeito 2: a lança absorve eletricidade estática ambiente e a transforma em eletricidade dinâmica, dessa forma, é capaz de gerar descargas elétricas que podem curar seu portador, ou serem usadas para dar dano à longa distância em seus oponentes, tendo ¼ do poder do Raio de Zeus. A arma precisa estar em movimento, mesmo que simples, para esse efeito acontecer. | Ouro Imperial | Sem espaço para gemas. | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do Acampamento]

• Escudo de Ouro Imperial [Apelidado de Aegis o Terceiro, é uma réplica de mesmas dimensões do escudo de Zeus, assim como o que Thalia Grace possuía na série. O rosto da Medusa é seu ornamento principal, tornando o item assustador para monstros e até semideuses que o encaram. Diferente dos escudos normais, ele pode ser lançado e cortar seus inimigos, graças à uma fina camada de ar que o circula, tornando suas extremidades afiadas. Pelo lado interno, foram desenhados e inscritas runas e talismãs que conferem ao item qualidades mágicas. Graças aos efeitos novos, o escudo passou a ser meio invisível, o que acarretou em um efeito visual novo. Seus inimigos uma hora veem o rosto da Medusa, e em outra nada, o que pode causar ainda mais terror. Porém, o grande truque está nessa furtividade do item, que, ao ser lançado, e torna extramente perigoso por não poder ser visto direito. | Efeito 1: a arma é revestida por uma fina corrente de ar, tão fina que acaba permitindo um corte mais afiado, provocando 40% (+20% pela runa de ar) a mais de dano e dobra as chances de causar danos a materiais de resistência superior | Efeito 2 (mecânico): a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado | Efeito 3: Também conhecido como efeito bumerangue, Abramov poderá lançar o escudo em direção a algo sólido que irá rebater em um determinado ângulo seguindo uma linha reta atingindo um segundo alvo, depois o escudo retornará para seu braço independente do resultado ou para onde foi rebatido | Efeito Bônus¹: o item foi embebido em uma poção de vento especial, recebendo assim 50% de imunidade contra o elemento vento, podendo até mesmo repeli-lo, a depender do efeito | Efeito Bônus²: ainda graças à poção, ele possui uma fina camada de ar que o deixa quase invisível, o que torna difícil para inimigos identificá-lo | Ouro Imperial | Gema 1: Rubi Imperial –  Adiciona 40 de dano à arma. Gema 2: Tanzanita Imperial - Adiciona 35% de roubo de vida. (Todo dano causado volta para a vida do usuário. Caso o golpe com a arma causa 100 de dano, 15 viram HP para o semideus atacante.) | Resistência: Beta | Status: 100%, sem danos | Épico | Ganhado no evento Quando o Passado Revive]

Tatuagens Utilizadas:
Noturno | Habilidade Peculiar | (Um desenho de um raio simples na cor amarela) | Efeito: Concede ao semideus a habilidade de teletransporte, permitindo que ele se mova de um ponto para outro em um piscar de olhos, podendo se locomover para até 500 metros de distância gastando apenas 15 MP por teletransporte. | Atrás da orelha direita | Marca média | Permanente |

Tunk | Habilidade Peculiar | Uma águia elétrica batendo as asas, toda em azul e branco | Efeito: Concede ao semideus a habilidade de ficar intangível até dois turnos seguido com o intervalo de mais dois de recarga. O gasto de MP dessa habilidade é continuo, ou seja, enquanto o semideus estiver com a habilidade ativa, continuará perdendo 30 MP por turno.| Costas, na altura do ombro direito | Marca média | Permanente |

Habilidades Ativas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Bolas de Energia
Descrição: O semideus consegue acumular sobre a ponta dos dedos, cinco esferas de energia pequena, e atira-las contra o inimigo como se fossem balas – só que mais rápidas – que ao baterem contra o corpo do inimigo, deixando a sensação de dormência no local atingido, e o membro ou parte do corpo formigando de uma forma irritante, o deixando mais lento, e atordoado durante um turno inteiro.
Gasto de Mp: 5 MP por esfera de energia
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 7 HP por esfera que atingir o corpo, totalizando 35 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Intimidação
Descrição: A prole de Zeus/Júpiter possui um olhar penetrante e, quando enfurecido, os olhos da prole tornam-se – aparentemente – elétricos avisando a inimigos que um golpe logo irá ocorrer. E, quando isso ocorre, o próximo golpe do semideus causa +10 de dano.
Gasto de Mp: -10 de MP
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +10 de dano.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Invocação de Águias II
Descrição: O semideus crava sua espada/lança sobre o solo, e consegue invocar até 5 águias elétricas para ajudá-lo em batalha. Os pássaros possuem descargas de energia pequena que podem deixar os inimigos atordoados, e permanecem em campo por até duas rodadas.
Gasto de Mp: 20 MP por pássaro invocado.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 10 HP por descarga que o passado soltar contra o inimigo, podem liberar até 3 cargas de energia cada. 30 de cada pássaro totalizando 150 HP.
Extra: Permanecem em campo por duas rodadas inteiras, cada pássaro tem 30 de HP, se forem mortos, desaparecem antes.

Nome do poder: Controle dos Ventos II
Descrição: Agora você adquiriu um melhor controle dos ventos, agora consegue criar campos de gravidade negativos e grandes ventanias, que podem erguer objetos maiores, também atrapalha o inimigo ao se locomover em campo, o tornando lento. Sua visão ficara turva, e a dificuldade de acertar algo em campo é grande.
Gasto de Mp: 60 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Dura dois turnos, o semideus não é afetado pela tempestade e pode continuar lutando normalmente, ao contrário do inimigo que fica vulnerável.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nome do poder: Mimetismo taurino
Descrição: O touro é um dos animais sagrados de Zeus/Júpiter. Nesse nível, a prole desse deus poderá assumir a força de um touro por 3 turnos.
Gasto de Mp: 40MP por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +50% de força
Dano: +15% de dano em golpes físicos.
Extra: Nenhum

Nome do poder: Rei Furioso
Descrição: Apontando sua espada/lança para um determinado inimigo, um raio cairá do céu e o atingirá. Este raio não é forte o suficiente, e não poderá matar seus inimigos, mas consegue atordoa-lo e deixa-lo incapacitado de lutar pelo turno seguinte, os olhos do oponente ficarão turvos, e seu estomago embrulhado, além dos músculos pareceram ficar meio trêmulos. Isso o impede de usar poderes ativos que precisem de mira, pois, não será capaz de acertar o filho de Zeus/Júpiter, armas a mesma coisa.
Gasto de Mp: 50 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 60 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Voo V
Descrição: O semideus concentra uma grande parte de sua energia e consegue içar a mais metros do chão. Ao redor de seu corpo, correntes de ar o mantem estável e equilibrado, ele também consegue ficar mais rápido. Esse é o nível final, onde ele domina a arte de voar e usa isso ao seu favor.
Gasto de Mp: 40 por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Já pode se erguer até 100 metros acima do solo.

Nome do poder: Geração de eletricidade III
Descrição: Nível final do poder. Agora, por ser mais experiente do que quando iniciou, o semideus já domina com tamanha maestria que pode literalmente lançar raios por ai. Os raios não são tão poderosos quanto os naturais, ou os criados por seu pai, porém, eles ainda mantém a característica de serem rápidos e quase impossíveis de desviados.  
Gasto de MP: 100 de Mp para cada ativação da habilidade, seja ofensiva ou defensivamente
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 150 podendo dobrar caso a vítima esteja molhada ou com fissuras na pele
Extra: Nenhum

Nome do poder: Liberação
Descrição: Ao utilizar o poder ‘Absorção’ o semideus poderá canalizar toda a energia absorvida, provocando uma tempestade de raios em torno de um ambiente ou disparando em um inimigo toda essa descarga.
Gasto de Mp: - 250 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: - 500 de HP.
Extra: Ao utilizar tal poder a cura pela eletricidade fica bloqueada por cinco turnos.

Habilidades - Dragão de Bronze:
Nome do poder: Sopro Elétrico III
Descrição: O dragão jovem pode expelir eletricidade pela boca em uma linha reta que atinge 20 metros de comprimento e 1,5 metros de largura.
Tipo: Ativo
Dano: 50-70
Gasto de MP: 25
Bônus: Pode causar uma paralisia parcial pela eletricidade.
Extra: Necessário um turno para usá-lo novamente.

Nome do poder: Habilidade de Voo
Descrição: Ao atingir esse nível o dragão possui uma habilidade de voo que caracteriza os dragões como terror dos céus. Ele está mais ágil e mais veloz.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Gasto de MP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Extra: O dragão se tornou uma perfeita montaria alada.

Nome do poder: Linguagem Comum
Descrição: Nesse nível, se a lealdade estiver no mínimo nível 3, o mestre poderá ensinar a língua comum ao dragão e ele poderá falar.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Gasto de MP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Extra: Apenas uma língua. No nível 10 poderá ensinar outra, caso desejar.

Nome do poder: Tormenta Final
Descrição: Um poder que pode ser utilizado em conjunto com Abramov ou separadamente. O dragão bate suas asas e então agita os céus acima para criar uma tempestade de raios no cenário. A área pode alcança até 1km de distância em todos os sentidos a partir de onde foi criada. Dura 3 turnos.
Tipo: Ativo
Dano: 150 cada raio que acertar um inimigo.
Gasto de MP: 150
Bônus: O fenômeno, através da ligação empática entre homem e dragão, melhora os atributos físicos do semideus e o revitaliza durante sua duração. + 30% em todos os atributos físicos e recupera 50 de HP e MP independente da habilidade Cura Final (que também pode ser ativada ao ser atingido pelos raios)
Extra: Abramov pode optar por ajudar na criação da tempestade, nesse caso pagando também o custo integral da habilidade, para duplicar seu alcance (podendo encobrir toda uma grande cidade), o dano em cada raio atingido e a duração.
Kyra
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Abramov Levitz
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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

Mensagem por Febo em Ter Jan 30, 2018 12:58 am


Abramov Levitz

Recompensa máxima: 20.000 xp/dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 17%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

Recompensas finais: 9.700 xp (reduzido pela metade por conta da habilidade recebida) + 4.850 (50%) = 14.550 x2 = 29.100 xp + 9.700 dracmas + habilidade especial

Status finais: HP: 415/1360 [- 945 pelos golpes recebidos, queda e energia vital sugada]
MP: 710/1360 [- 650 pelos poderes ativos utilizados]

Grizfolk: 100xp e 1 nível de lealdade. - 150MP pela habilidade ativa Tormenta Final.

Comentário:
Você foi ótimo, queridão! Sua escrita é bastante clara e fluída e por isso eu nem percebi que gastei um bom tempo lendo sua missão. A única coisa que me incomodou foram os errinhos cometidos pela falta de uma revisão, então por isso houve o desconto na escrita. Este desconto se deu pela repetição de palavras (às vezes num mesmo parágrafo ou em parágrafos adjacentes), por palavras escritas erradas (como "Leviz" em vez de "Levitz") e por um corriqueiro caso da vírgula em que, pela ausência dela, a sentença ficou corrida e gritando pela pontuação (como em "[...]os itens de missão se juntaram e flutuaram até a abertura da porta abrindo-a.”, por exemplo). Fora isso, ficou tudo bem feitinho. Meus parabéns!

Qualquer dúvida sobre a minha avaliação pode ser tirada por MP!
habilidade adquirida:
A segunda habilidade sofreu uma pequena modificação no gasto de MP e na duração, ao passo em que ambas receberam nivelamento para domínio.

Nome do poder: Fisiologia Dracônica I: Grandiosidade Inerente
Descrição: Ao ter derrotado o dragão encantado por Trevas, um resquício da magia negra e maléfica ficou em Abramov, o que lhe ajudou no fim da batalha contra o Cabeça de Leão. Ela acabou alterando seus genes mágicos e deixando efeitos colaterais após a luta: sua força é passivamente maior que a da maioria como parte do poder do dragão vermelho. Além disso, seu espírito se torna incorruptível pela purificação na água sagrada do templo de dragões, a qual purificou, inclusive, a parte maligna da energia absorvida.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 30% em força e não pode ser afetado por nada que vise corromper seu espírito/alma (como ilusões maléficas, possessões e etc);
Dano: Nenhum.
Extra: Necessário nível 95 para domínio dessa habilidade.

Nome do poder: Fisiologia Dracônica II: Apoteose
Descrição: Com essa habilidade Abramov pode ativar os genes dracônicos adormecidos dentro de si e alterar parcialmente sua aparência. Escamas nascem sobre sua pele, lhe conferindo resistência física extra, além de um rabo de dois metros que é completamente funcional. Seus dentes se tornam mais afiados e garras também aparecem. Por fim, ele pode lançar chamas pela boca como uma ação extra rápida por turno com custo. É uma forma bestial hedionda para aqueles que o observam.
Gasto de Mp: 175 MP; 50 MP cada vez que usar o fogo;
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 30% resistência física;
Dano: As chamas lançadas por sua boca dão 60 de dano; Seus ataques físicos desarmados, com o rabo, dentes ou garras/punhos, dão 40 de dano base.
Extras: Essa habilidade fica ativa por 4 turnos e só pode ser usada 1 vez por tópico/missão. Necessário nível 105 para domínio dessa habilidade.

Atualizado por Mercúrio.
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Febo
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Re: [Missão OP] Blood in Fire and Ice - Missão para Abramov

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