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O Mistério de Hefesto

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O Mistério de Hefesto

Mensagem por Athena em Qui Dez 29, 2016 6:56 pm





HEFESTO
A postagem do evento os mistérios dos deuses do Olimpo, com o titulo "A vingança de Hefesto" deve ser postado nesse tópico.


Palas Athena...
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Re: O Mistério de Hefesto

Mensagem por Maya Ock Kannenberg em Dom Jan 15, 2017 11:30 am


Quando você imagina um deus não esperava que ele pareça com um humano ou semideus comum, mais velho e mais descolado. Acho que perdi tempo demais imaginando alguém brilhando, e extremamente deslumbrante, não que Afrodite não fosse, ela era linda, assim como Ares, e ainda assim não deixavam de parecer com qualquer outra pessoa, a palavra comum os resumia bem. Eu estava sentada sobre a mesa de um quiosque qualquer, usando boné e óculos escuros enquanto espiava o casal por sobre uma revista. Mas espera, você não deve estar entendendo nada não é mesmo? Acho melhor começar explicando o que me aconteceu.

Podia ter sido qualquer outro semideus adormecido na floresta, mas fora eu a felizarda a encontrar o deus das forjas. Acredito que se tivesse escolhido outro campo, não teria me metido em tamanha encrenca, e para piorar tudo eu não conhecia Nova York. Foi ao acaso que fui selecionada para ajudar Lorde Hefesto com seu trabalho de cupido, e apesar de em algum momento já ter desejado ser espiã, também tenho preguiça demais para fazê-lo. É a vida, não há muito o que fazer. Fui pega de surpresa ao ser acordado pelo senhor do fogo, e quando dei por mim já estava a caminho de Nova York.

Acontece que eu sempre quis sair do acampamento, desejava ver a cidade grande e o comportamento dos humanos, só não esperava que isso fosse acontecer ao receber uma missão suicida de um doido completo. Espionar Afrodite e Ares não me parecia correto, mas eu precisava, primeiro porque tinha sido ameaçada de morte, e segundo porque era engraçado vê-los dividir um canudinho. É muito clichê essa coisa de casal do Olimpo, mas chega a ser engraçado. Na última hora já vi Afrodite surtar por uma unha, e Ares soltar Milk Shake pelas narinas. Confesso que estou rindo horrores, mas sem deixar que notem minha presença.

Me servi de mais uma porção de babatas, pois estava me aproveitando para comer às custas de Hefesto, Fora o acordo, ele me dava uma moto para perseguir os dois malucos, e o cartão de credito para me manter na cidade, em troca, eu atendia seu pedido. Deixei a revista de lado, e retirei os óculos os observando de canto, eles estavam a duas mesas de distância, mas eu conseguia ouvir suas conversas através do vento, era bem pratico na verdade, eu só precisava me concentrar uma vez ou outra. Nunca, jamais, queiram ouvir conversas de dois amantes, ainda mais sendo deuses, é meio nojento e beira a babaquice, mas como dito anteriormente, é a vida, fazer o que?

— Hefesto me pediu para escolher entre você e ele — A deusa dizia, parecendo seria, mas confesso que soava como uma patricinha que precisa optar entre dois cartões de credito diferente. Detalhe, a deusa estava vestida como uma, mas também era elegante, e o batom dos lábios reluzia em vermelho enquanto ela brincava com a borda do copo, seu drink era algo beirando a tropical, e tinha rodelas de limão sobre a borda. — Eu claro não escolhi ainda, disse a ele que não temos nada, mas você sabe que não consigo viver sem você querido, e também não posso me separar de Hefesto, Zeus surtaria, haveria guerra! — Que dramática. Pensei revirando os olhos, e jogando mais uma porção de fritas na boca.

Eu estava sendo paga para escutar essas ladainhas, ver beijos, e observar Ares olhando descaradamente para as pernas, bunda, e o decote de Afrodite, que devo dizer não é nada discreto. É claro que ela está chamando atenção, até a garçonete está babando dela. Não culpo os pobres humanos, pois entendo o efeito que um deus pode ter sobre eles, ainda mais esse deus sendo Afrodite, a rainha da beleza e a senhora do amor.

— E importa o que Zeus pensa? Me escolha logo e acabe com isso, pelo menos não precisarei ficar te agarrando em becos humanos, poderei te beijar no Olimpo, entrar no seu quarto e te deitar na cama como quero — Era impressão minha ou o rosto de Ares estava ficando vermelho? Posso dizer que não é constrangimento, é raiva, mas o problema é deles certo? Posso apenas opinar na minha cabeça. Concordo com Ares e Afrodite é fútil. Na verdade, está mais para uma galinha, pegando dois ao mesmo tempo, que egoísmo, podia deixar um pouco para as outras deusas, mas não, quer tudo para ela.

— Querido você sabe que isso é o que mais quero, mas não posso, tenho minhas responsabilidades, não podemos apenas aproveitar o encontro? Você prometeu que me levaria ao parque mais tarde, e eu ainda quero usar o barco do amor e fazer tudo tremer — Definitivamente uma safada, aquele sorriso não enganava ninguém, até eu tinha entendido o que ela queria. Sexo é claro. Ares caiu na lábia de Afrodite, naquele encanto, naquela magia que deixava todos hipnotizados por um simples olhar ou gesto, até mesmo eu. Tive que piscar diversas vezes para recompor a compostura e voltar a me concentrar.

— Eu prometi, e vou leva-la, sou homem — Ele bateu com o punho fechado no peito, como se pudesse comprovar sua masculinidade com aquele gesto tosco. Revirei os olhos, eu precisava do local, e precisava que eles dissessem. Inclinei o corpo para frente com maior interessante, e apurei os ouvidos, os olhos quase saltando, pois precisava daquela informação, e eles me daria. Estava tão perto... — Tem certeza que deseja ir para o Hyde Park? O Califórnia é mais longe, e é deserto — Ares pegou a mão da deusa por sobre a mesa, parecia um apaixonado completo. O que homens não fazem pelas mulheres que amam não é mesmo?

— Califórnia me parece bom também, mesmo sendo mais longe, tudo bem, nós vamos! — Afrodite bateu palmas animadamente, pois tinha acabado de ganhar seu presente do ano. Me remexi inquieta no assento e levei o Shake aos lábios, sugando boa parte do sorvete, eu precisava aguentar a tortura mais um pouco, pois não podia sair do nada e deixá-los desconfiar da minha falta de humanidade. Baixei a aba do boné para cobrir o rosto e voltei a puxar a revista, o restante da conversa parecia irrelevante, a não ser que alguém queira saber o que eles vão fazer no carrinho do amor. É melhor não, é um tanto nojento.

Os deuses se levantaram cerca de meia hora depois, juro que minha bunda ficou quadrada de tanto tempo que permaneci sentada. Minha comida esfriou e eu não sei como não adormeci por sobre a mesa. Pude velos passando por mim, e juro que ouvi um cochicho de ambos sobre “tomar mais cuidado da próxima vez” a qual ignorei, pois já tinha cumprido meu objetivo naquela sala. Deixei que eles se afastassem, e permaneci ali por cerca de cinco minutos a mais antes de acreditar ser seguro para sair. Quando dei por mim já estava na rua, pressionando um invento de Hefesto para convocá-lo.

O deus apareceu tão rápido que pulei surpresa, tinha faíscas de fogo escapando das barbas, e parecia muito contentes por receber boas notícias. — Eles têm dois parques, podem aparecer em qualquer um, mas é provável que vão para o Califórnia, mesmo assim, deixe algo no Hyde Park também, e na boa, você é muito trouxa se deixar essa passar em branco — Eu estava sim incentivando o deus, primeiro porque gosto de saber dos barracos, e segundo porque Afrodite é muito perua, traindo o marido na cara dura, credo. É, só mais um fato na vida dos deuses.

— Você fez bem, a moto vai guia-la até o acampamento, eu programei, pode ficar com ela — Respondeu Hefesto, quase pulei no lugar comemorando, pois, além de ter ficado viva, e não ser pulverizada ainda ganhei uma moto muito louca. — Valeu — Respondi, e o deus desapareceu em um bocado de névoa. Não perdi tempo, montei na moto e liguei sem cerimonias, rumo ao acampamento. O vento jogava meus cabelos para o lado, trazendo o cheiro forte da cidade poluída, mas a sensação de liberdade, era simplesmente maravilhosa.




O destino é um parente elegante do acaso.
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Re: O Mistério de Hefesto

Mensagem por Hela A. Deverich em Ter Jan 17, 2017 6:46 pm


Hefesto
 ♦ listening Heathens with xxx♦ words: 1414 ♦


Quem passasse pelo local estranharia uma garota asiática de cabelos longos e olhos negros olhando para o deus sem ao menos piscar enquanto ouvia qual era a missão da vez. Aquilo, de forma um tanto maldosa, fez Hela pensar: "Espelho, espelho meu, existe alguém mais corno que eu?"

Claro que, a garota jamais verbalizaria tal pensamento. Apenas lhe era um fato ocorrido. Hefesto não parecia um deus ruim, Afrodite que tinha, talvez, um certo espírito de libertinagem. Ainda sim... - E caso eu queria negar? - a voz da menina era suave. - Não acho que você tenha essa opção. - ela deu de ombros.

- Sendo completamente sincera, eu não pensei em negar. Isso vai ser um estouro e eu sou do tipo que gosta de ver o circo pegar fogo. - admitiu sem rodeios, vendo que o deus dera uma risada de escárnio. - Vai me ajudar somente pela esperança de ver?

- Senhor, com todo respeito, há boatos de que os filhos de sua mulher se sentem "intimidados" pelas crias de minha mãe. Além do mais, acabei de ajuda-la... e digamos que fiquei um tanto chateada pelo desespero para encontrar um baú de joias. Eu pensei até que ela tinha perdido a aliança. - a garota deu de ombros um outra vez.

Pegou um cigarro no masso amassado e o levou até os lábios, acendendo. Estava com fome e, a nicotina, era um ótimo enganador do estômago. A garota soltava lentamente a fumaça pelo nariz enquanto ouvia o deusa. - Você vai fazer o que eu pedi para que ela "se dê mal"?

- Não. Eu vou fazer o que o senhor pediu porque eu não acho que ainda seja minha hora de morrer. - a garota deu uma piscadela para o deus. - Se me der licença... tenho uma deusa para seguir. - ela terminou com o cigarro e o apagou, colocando a bituca no bolso traseiro da jeans, não jogaria aquilo ali, o lugar era extremamente limpo e não seria ela a sujar.

Tirando a capaz dobrada de dentro de um grande bolso interno do sobretudo ela a jogou sobre os ombros.  Puxando o capuz para cima da cabeça. Agora ela estava invisível e inaudível.

A necromante começou a procurar pelo deusa da guerra. Afrodite estava em seu quarto e, parecia muito ocupada em se arrumar. Você deve estar se perguntando se Hela não tem as mesmas necessidades básicas de todos os humanos. Bem, sim. Mas digamos que o controle da garota sobre o próprio corpo é bastante satisfatório.

Possivelmente ela se entupiria de comida assim que colocasse uma primeira colherada de alimento na boca. E dormiria um dia todo assim que tivesse chance. Também levaria um longo tempo no banho.

Mas algo dizia que o fato de ela estar ali ajudando os deuses como um bom peão seria bastante satisfatório para ela também. Pôde ver uma das ninfas que a ajudara a encontrar o baú se aproximando do deus, mesmo com uma distância segura ela pôde ver um bilhete em papel rosado sendo entregue ao deus da guerra.

Oras, Afrodite parecia até uma adolescente apaixonada.

Sorriu consigo mesma, seguindo o deus há uma distância de dois metros, algo que ela pensava ser segura. Então o deu entrou em seus aposentos e ela se viu obrigada a dar meia volta. Procurou pela ninfa que havia entregue o bilhete e não demorou para encontra-la.

Abaixou o capuz e jogou a capa para trás. Ela gostava daquilo. Ameaças. E, particularmente, quando se tem uma aura tão escura, é sempre bom aproveitar, não é mesmo? A garota só notou a aproximação da semideusa quando já era tarde demais.

Hela a segurou pelo delicado vestido com brutalidade, um sorriso sádico nos lábios e os olhos vermelhos pelo medo da jovem ninfa carregavam um ar travesso. - Diga-me... você trabalha sempre com Lady Afrodite? - por sorte, o local estava deserto, exceto pelas duas. - Deuses! O que você quer?

- Todo mundo sabe que ela é um tanto promíscua. Então, que tal você me dizer o que tinha naquele bilhetinho que deu para Ares? - a lâmina da faca brilhou quando Hela a mostrou para a garota em sua frente, por sorte não passava ninguém ali no momento. - Eu não sei! - ela respondeu de pronto. - Ela apenas deve estar marcando outro encontro. - disse a garota com os olhos fixos na lâmina.

- Mas isso é óbvio. - Hela bufou. Soltou a ninfa e revirou os olhos. - Você sabe ao menos me dar uma dica? - perguntou um tanto frustada. Aquilo era ainda pior do que a irritação. - Bem, ela disse algo sobre ser um lugar afastado do Olimpo.

- Tá... mas... horário? Dia? - perguntou enquanto guardava a adaga de volta em seu lugar. - Ela disse que seria na próxima lua minguante. - a garota confirmou com rapidez. - Por que essas perguntas?

- Alguém quer meu pescoço ou que eu descubra isso. - ela soprou alguns fios rebeldes da franja que estavam caindo em seu rosto. - Então, ou eu descubro, ou vou fazer companhia pra minha mãe no submundo.

- Se quer um conselho. Tente espionar os aposentos de Afrodite. - a menina olhou ao redor. - Há sempre pistas de onde serão os encontros deles. - ela segredou para Hela. - Uma boa hora é agora. Ela não está no quarto.

Um sorriso leve brotou nos lábios de Hela. Claro. Aquilo sera ótimo. - Obrigada. - agradeceu e deu às costas para a ninfa.

Estava na porta do quarto da deusa, novamente escondida pela capa, como procuraria?

Será que sua intangibilidade funcionava com paredes? Bem, se ela ainda tinha as duas mãos graças a ela, por que não tentar com as paredes do quarto da deusa?

Viu o braço virar sombra e, então, atravessar a porta do local. Sorriu e começou a se concentrar para que o resto do corpo fizesse o processo. Mas então ela pôde sentir de novo aquela aura tóxica de rosas. Fechou os olhos, soltando o ar levemente. - Eu posso explicar.

- Você tem trinta segundos antes de eu lhe transformar em um frasco de perfume. - a deusa disse visivelmente irritada.

Não demorou muito para que Hela contasse o plano de Hefesto e a "sútil" ameaça. - Então... se a senhora puder me ajudar.... digo, eu lhe ajudei com a arca. Se puder salvar meu pescoço, teria minha gratidão eterna. - ela disse séria.

Afrodite pareceu ponderar. Afinal, era sua "intimidade" ou a vida de uma prole divina - não que a garota importasse para ela de fato -. Ainda sim, a deusa deu um suspiro pesado e, muito a contragosto pegou um papel rosa semelhante ao que fora entregue para Ares. - Dê isso ao meu marido.

- São essas as informações que ele quer? - Hel franziu a testa. - Pode ser que sim, pode ser que não. Sabe, no fim das contas, ele não pode te punir por um trabalho mal feito. - Hela sorriu, trocando um olhar de cúmplice com a deusa.

Guardou o papel no bolso do sobretudo. - Obrigada, milady. - se curvou e, sendo novamente oculta pela capa, saiu do local.

Estava no local que marcara de entregar as informações para o deus com meia hora de vantagem. Tirou a capa e a dobrou novamente, colocando-a no bolso. Não demorou muito para que a presença - já familiar, de certa maneira - de Hefesto se fizesse ser notada.

- Bem... eu encontrei esse papel no quarto de sua esposa... - ela estendeu o bilhete. Ao menos superficialmente, continha a informação que a ninfa lhe dera. Não era de todo mentira. - Como conseguiu entrar no quarto dela? - certo, aquilo fora uma surpresa. Mas Hela era uma boa mentirosa. E uma boa mentirosa, além de acreditar nas próprias mentiras, sempre tinha uma mentira pronta na ponta da língua.

- Eu a ajudei com a "caixinha" de joias delas. Eu fui até lá dizendo que havia perdido minha capa e pedi para procurar... isso estava jogado no chão. - ela olhou com seriedade para o deus. Ele parecia ponderar se acreditava ou não. - Ela deixou você entrar lá tranquilamente?

- Claro que ela ficou chateada. Mas ela estava "me devendo um favor." - a garota encolheu os ombros. - Certo. Está dispensada. - e assim, com um aceno de mão, o deus mandou que a garota saísse o que, contentemente, ela fez.



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Re: O Mistério de Hefesto

Mensagem por Zoë Ehlert Nordberg em Sex Jan 27, 2017 3:33 pm

Not making any sense
Eu estava há mais de meia hora ouvindo Hefesto explodir comigo como se tivesse alguma culpa, enquanto mexia em minha foice, brincando com a ponta aguda mais poderosa que alguém poderia ter. Sua sobrancelha, arqueada, se fechou quando franziu o cenho ao se assustar com o soco poderoso que fez a mesa de madeira partir-se ao meio, e como se não bastasse, Hefesto gargalhou irônico com o susto da loira.

A única que fiz, foi revirar os olhos ao mesmo tempo em que gargalhava falsamente e, por fim, o ouvi praguejar mais uma vez. — Muito obrigada, Hefesto, mas prefiro “perder meu tempo” indo treinar na Arena. — Abri um sorriso fingido e me virei de costas, sentindo sua mão pegar em meu ombro e ficar suas unhas em minha clavícula, a única coisa que fiz no momento fora gemer de dor baixinho e fechar meus olhos, tentando pensar em qualquer outra coisa. Você vai aceitar, não tem escolha. Vai armar pra Afrodite tão bem, que seu prêmio virá ao final. — Conforme o ouvia falar, o ouvia afrouxar suas unhas em minha pele por cima do tecido escuro que aliviava parcialmente aquele aperto. Os meus olhos brilharam disfarçadamente ao ouvir a palavra “prêmio” e eu me pus de pé novamente. — Okay, desafio aceito. Prefiro me manter viva, só esse seu olhar já está me matando. — Brinquei irônica.

Sinceramente, falando do fundo do meu coração, eu era boa com armações e por isso, estava sempre pregando sacanagens contra os meus amigos, me dando memórias e histórias boas para contar futuramente, fazendo-os passar vergonha com tais acontecimentos. Com Afrodite não seria diferente, e com aquela deixa, me retirei do cômodo que estava com Hefesto e saí de fininho até um lugar afastado de Olimpo, jogando-me no jardim com a foice ao meu lado, de barriga pra cima, olhando para o nada. Pensando em tudo.

Hm, vamos ver… preciso de alguém que me ajude, alguém que trabalhe pra Afrodite. — Pensei alto e logo ouvi alguns passos atrás de minha cabeça que estava apoiada no braço direito. A luz clara foi tampada pela figura e meus olhos semicerram na esperança que eu conseguisse enxergá-la. Falando de Afrodite sozinha, semideusa? — Fui questionada e torci o nariz, me sentando ao vê-la se agachar na minha altura. — Sim, por que? Pode me ajudar? Caso contrário… — Falei um pouco ignorante, pigarreando ao final. Minha paciência aquele dia, Hefesto já havia a estourado. Um sorriso fraco tomou meus lábios e eu abaixei o olhar, pegando a foice em mãos. — Na verdade, posso sim… o que quer saber? — Suspirei e o sorriso fraco se tornou maldoso, algumas ideias surgiram em meu pensamento quando brinquei novamente com a ponta da foice.

Quão próxima és de Afrodite, criatura? — Perguntei e recebi um olhar confuso, a garota me fuzilando pelos olhos que escureceram ao chamá-la de “criatura”. Muito próxima, pra ser sincera, sei tudo sobre a deusa. — Comprimi os olhos tentando conter a excitação por estar tão abençoada naquele dia, as coisas pareciam andar pelo caminho certo. Engoli em seco e a olhei, passando a foice em sua garganta com cuidado, sem a machucar. — Bom, então vamos combinar algo. Você me diz onde e quando Ares e Afrodite vão se encontrar e eu te dou cinco mil dracmas em troca. — Murmurou baixo, admirando o que estava fazendo, enquanto brincava com a foice pelo seu rosto. O tremor em seu corpo era visível e o seu olhar de medo me dava satisfação, prazer, era inexplicável o que estava sentido.

Ela assentiu com a cabeça e eu sorri largo em satisfação novamente, retirando a foice de perto dela. Eles vão se encontrar em Nova Iorque, amanhã — Pausou um pouco, ainda tremendo de medo e um pouco assustada, tomando o ar necessário. — No 414 Hotel, às duas horas da tarde. O hotel é discreto, a fachada é vermelha, fica fácil achar. Apenas a siga. — Sua voz trêmula me fazia sentir espasmos pelo corpo, o legado do meu avô as vezes me assustava por me dar essas sensações de prazer em fazer um pequeno mal a alguém. E, depois de ouvi-la terminar falar, apenas assenti com a cabeça, me levantando. — Amanhã caso dê certo, eu mando alguém lhe entregar os dracmas. — Pisquei e me retirei dali, voltando novamente para o Olimpo a procura de Afrodite.

Bati cerca de cinco vezes seguidas em sua estupidamente decorada, deixando minha foice por fora, colocando ambas as mãos em minha frente e, segundos depois, ela me atendeu com um sorriso acolhedor e terrivelmente apaixonado. Sorri simpática em troca, tentando não fazer a chata, me segurando para não revirar os olhos. — Deusa… vim aqui avisar que me contrataram para fazer o serviço de quarto particular para vocês… digo, para você amanhã em Nova Iorque. Apenas para não correr risco. — A deusa me olhou estranha, mas riu ao final, maneando a cabeça em positivo como se concordasse. Sua roupa para a ocasião especial do dia seguinte estava posta em frente a grande janela, pegando sol por dentro do plástico que a protegeria de qualquer pó. Se eu fosse ligada à moda, diria que era uma bela roupa, mas o tanto de detalhe me enjoava. Sabe que deverá estar lá antes das duas, certo? Enfeitar completamente o quarto, deixando um ar… peculiar. — Sorriu apaixonada, arfando do mesmo modo. Quase vomitei ao vê-la falado tão entregue àquele sentimento. Assenti com a cabeça e fechei os olhos, fazendo uma reverência antes de me virar de costas e sair dali.

Estava há cerca de cinco minutos esperando ser atendida já sem paciência por Hefesto, ansiosa para lhe repassar a notícia e levá-lo comigo, querendo ver o circo pegar fogo da melhor maneira possível. Podia ouvir suas bufadas de fora enquanto batia o cabo da foice de fraquinho em meu pé até que ele abriu a porta irritado, se afastando no mesmo instante, voltando a adentrar o cômodo e, o que eu fiz foi revirar meus olhos, bufando com a sua atitude ridícula. — Vocês são tão possessivos… — Comentei aleatoriamente apenas para irritá-lo, fechando a porta atrás de mim ao notá-lo trincar o maxilar com raivoso, me olhando pelo canto das íris escuras de raiva. — É amanhã, vou arrumar o quarto deles antes de chegarem lá e você vai entrar comigo, ficando no armário até que seja a hora perfeita. — Sorri vitoriosa, vendo-o apoiar o rosto na mão, roçando os dedos na barba bem feita. Tudo bem, partiremos pela manhã. — O ouvi dizer pensativo.

Faltavam cerca de quinze minutos para o casal do século chegar, e minha barriga mexia-se ansiosa para ver o que aconteceria futuramente. — Bom, eu vou descer e esperá-la na recepção, entre no armário. — Mandei empurrando-o para dentro do armário que ficava exatamente em frente a grande cama king size, maior do que qualquer outra que eu já havia visto. O que fiz, foi sair do quarto trancando-o e descer para a recepção, vendo-a fazer o check-in assim que saí do elevador. Pus minha mão sobre as suas costas simpaticamente e ela me retribuiu. — Eu te acompanho, vamos? — Ergui uma mão indicando o caminho e ela olhou para o uniforme do hotel qual eu vestia. —  Onde conseguiu essa roupa? — Ela perguntou assim que entramos no elevador e eu apertei o andar do quarto.

Dei de ombros e ri baixinho, fazendo uma expressão de convencida, começando a ter um sentimento de culpa por saber que minutos mais tarde provavelmente ela estaria transformada em uma expressão triste e desesperada. — Tenho meus truques! — Brinquei, finalmente chegando ao andar e a levando até o quarto, abrindo a porta pintada em um branco gelo, dando-lhe espaço para entrar. — Estou pelo andar, caso precise. Vou lhe deixar a vontade. — Falei educada e lhe entreguei o cartão do quarto que servia como uma chave, me retirando do cômodo relativamente grande. Fiquei atrás de uma das paredes ao final do corredor, esperando Ares chegar e quando o vi, prendi meu riso.

Depois de alguns longos minutos que me pareceram horas, escutei uma gritaria vindo do quarto e finalmente soltei a gargalhada que tanto queria, correndo até o quarto e retomando minha postura, pegando o cartão extra no bolso da calça do uniforme e abrindo o quarto, vendo Hefesto trocar olhares que pegavam fogo com Ares que já estava seminu, e analisando um pouco mais a situação, percebi Afrodite me lançar um olhar de “Socorro!” e alívio, ao mesmo tempo. — Que presente de aniversário de namoro, hein Afrodite? — Hefesto proferiu nervoso e avançou em Ares, socando-lhe o rosto, fazendo-o voar contra a parede. Meus olhos se arregalaram e eu rezei à Perséfone que alguma paz se instalasse naquela hora. — Okay, pra não deixarmos as coisas piores... que tal irmos ao Olimpo resolver isso? — Sugeri com a voz um pouco alta, me pondo entre os dois, recebendo um olhar repreensivo de Hefesto quando coloquei ambas as mãos em seu peito para impedi-lo de se afastar.  É uma boa ideia. — Afrodite falou ao se levantar com o lençol cobrindo seu corpo, pegando as roupas que estavam jogadas pelo quarto.

Me retirei dali, junto com Hefesto, uma luz branca com uma fumaça cinza de alguma forma nos sugando no meio do corredor do nada e nos pondo no Olimpo. — Agora, faça o que tem que ser feito. Mas não faça nada com Afrodite, Ares é um garanhão, encantador e você já está quase na meia idade aparentemente. — Falei tirando uma com a sua cara e recebi um puxão de orelha. — MENTIRA, mentira! Não foi isso o que quis dizer. — Gritei desesperada no meio do jardim do Olimpo tentando me defender e ele me soltou, um suspiro de alívio saiu pelos meus lábios. — Estou indo. De nada, viu? Tá me devendo uma. — Brinquei mais uma vez enquanto ia me afastando, sendo sugada por outra luz clara que me levou de volta ao acampamento.

Uhh, essa foi tensa. — Sussurrei mais para mim mesma, pensando alto ao bater as mãos em minha roupa que ainda era o uniforme do hotel, andando apressadamente em direção ao Chalé para trocar aquelas vestes ridículas e estúpidas.
;You’re slurring all your words;


Última edição por Zoë Ehlert Nordberg em Dom Jan 29, 2017 10:50 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O Mistério de Hefesto

Mensagem por Beau G. Edmond em Dom Jan 29, 2017 2:11 pm



+16 A vingança de Hefesto
I Have a Date!
Sair do Olimpo era algo complicado para alguém que nunca havia pisado lá. Faziam alguns minutos que deixei Evie e a biblioteca da deusa Athena. A impressão que dava era que estava rodando no mesmo lugar, pois havia passado pela mesma casa rosa umas três vezes. Se eles faziam aquilo com o intuito de que semideuses se perdessem, conseguiam. Ao mesmo tempo era incrível, ver todos aqueles monumentos coberto de nuvens no chão. Acho que por isso que eu me perdia, ficava encantado pelas construções.

KABUM!

Aquele barulho de explosão fez o chão, escondido por entre as nuvens, tremer. Olhei assustado para o lado, ao ver uma fumaça preta não muito longe dali. Corri na direção de onde veio a explosão, até parar em frente a uma casa não muito grande se comparar as que ali existiam. Possuía paredes amarronzadas e era como se tivesse sido toda remendada com diversos tipos de metais.

Eu podia dizer que foi o instinto de proteção que me fez correr até ali e abrir a porta para ver se alguém havia se machucado, mas a verdade é que era o instinto curioso mesmo. Uma nuvem preta de fuligem veio em minha direção assim que a porta foi aberta, me fazendo legar a mão até o nariz e a boca, tampando as vias respiratórias em meio a tossidas fortes.

— Com licença? Tem alguém aí?

— Cof, cof, cof!

A voz rouca masculina surgiu por entre a fumaça que parecia nunca ter fim. Adentrei o local, abanando o tempo todo para afastar a fumaça até encontrar um homem robusto. Pude reparar mais nele, quando este deu um passo que permitiu que uma das poucas luzes do ambiente, pudesse iluminar seu rosto. Cicatrizes estavam espalhadas pela sua face provavelmente existiam mais por baixo da barba grande que ele possuía. Suas mãos grandes pareciam ter uma camada extra de pele dura, indicando que as utilizava de forma pesada. Não chegava a ser gordo, mas era largo, tamanho provindo de músculos exageradamente grandes. Aquele homem estava longe de ser considerado uma das sete maravilhas do mundo, quer dizer, do meu mundo.

— Por Zeus, será que isso nunca vai funcionar?! — Ele exclamou sem perceber minha presença.

— Está com problemas, senhor?

— O que? — Foi quando ele se tocou, finalmente, que não estava só. Virou em minha direção e me encarou por um momento — Quem é você? O que faz aqui?

— Ah, perdoe-me — Ele estava certo em estranhar minha presença — Sou Beau. Filho de Eros e Guard...

— Você é neto de minha esposa? – Ele falou quase que correndo em minha direção e se aproximando para olhar melhor, sem nem me deixar terminar a apresentação — Ela que te mandou aqui?

Foi quando entendi quem ele era. Agora com bem menos fumaça, era possível ver as maquinarias penduradas nas paredes e várias grandes mesas de trabalho. Era óbvio que ele era o deus das forjas, que burrice a minha.

— HEFESTO! VOCÊ É HEFESTO! — Falei quase em um grito — Não, não, Afrodite não me mandou aqui. Estava tentando sair do Olimpo quando ouvi a explosão e vim ver se alguém havia se machucado.

— Ótimo, então você vai me ajudar — Ele me puxou pelo braço sem nem ouvir se eu aceitaria — Senta ai! — E me jogou em uma poltrona surrada, mas bastante confortável. Ela estivera ali antes? — A minha esposa voltou a se encontrar com Ares, aquele que infelizmente tenho que chamar de irmão. Você tem que descobrir onde é o próximo encontro dos dois. Minha nova máquina irá atrapalhar o casalzinho.

Ele finalizou a fala com uma risada maquiavélica alta, que provavelmente, poderia ser ouvida do próprio Acampamento Meio Sangue. Engoli em seco. Por que eu? Eu estava tão cansado, só queria ir para casa.

— Senhor, eu adoraria ajudá-lo, mas eu estou bastante cansado e preciso retornar para o Acampamento.

— Como ousa desobedecer a uma ordem minha? — Ele fechou sua mão em punho, fazendo chamas recobrirem-na e bateu com força em uma de suas mesas — Olha, aqui, você é filho do Amor, é sua obrigação me ajudar. Se não... — Ele virou o rosto e encarou uma coleção de cabeças de animais mecânicos em uma das paredes — Se não, alguém vai se juntar a eles — Outra risada saiu de sua boca. Eu não acho que ele era maquiavélico daquela maneira, acredito que estava, apenas, tentando me amedrontar — Você tem até o fim do dia para conseguir as informações. Caso consiga, eu mesmo o levarei de volta para o acampamento.

Hefesto falou aquela ultima frase de modo mais tranquilo, antes de se virar e retornar para os seus afazeres, ignorando totalmente qualquer indicio de fala que eu houvesse articular. Que ótimo, ameaçado por um deus. Respirei fundo enquanto saía dali. Parei ao lado de fora da casa e olhei ao redor a procura de algo.

— E agora... Afrodite. Onde encontrar?

— O que você quer com a minha deusa?!

A voz gralhada surgiu em minha cabeça de repente, me fazendo recuar com o susto. De onde vinha?

— Quem está aí? — Olhava ao redor sem parar,a procura de qualquer presença.

— Aqui em cima, idiota!

Eu realmente tive medo de olhar para cima, mas fiz tal ato a ponto de ver um pombo branco em cima de uma das hastes que existiam no teto da entrada daquela casa mal construída. O pássaro balançou a cabeça algumas vezes enquanto me observava.

— Espera, como é que eu posso te entender?

— Você. Filho de Eros. Neto de minha deusa.

Sua voz era estridente e ele tinha uma maneira estranha de falar. Sim, era ele. Era macho, eu conseguia perceber não só pela sua voz, mas algo interior me fazia saber de seu sexo.

— O que você quer com minha deusa?! — A pergunta voltava a cortar minha mente, me fazendo ter uma leve de dor de cabeça.

— Ah, tem razão, você é o símbolo de Afrodite. A pomba branca — Era uma coisa óbvia que demorei um tempo a perceber — E o que você ta fazendo aqui?

— Eu observo o senhor Hefesto para a minha deu... — Ele levou as asas até o bico — O QUÊÊ? COMO EU FALEI ISSO?! O QUE VOCÊ FEZ COMIGO?

Então ele era um espião? Exatamente o que o deus das forjas tinha pedido para eu fazer. Saberia ele desse olho espião em sua cola? E como é que aquele pombo burro entregou as coisas assim tão rapidamente? É algum poder meu? Quantas dúvidas!

— AHÁ!

— POR FAVOR, NÃO CONTE A MINHA DEUSA QUE VOCÊ SABE — Ele sobrevoou em minha direção, pairando a minha frente — Por favor, moço, nem pra Hefesto!

— Olha aqui, eu posso não contar se você me ajudar!

— Qualquer coisa! – E se jogou no chão com as asas abertas, quase chorando.

— Eu preciso saber onde ela vai se encontrar com Ares, você pode me dizer?

— Aí o senhor já quer demais. Quer que eu traia minha rainha magnífica desta maneira? Desculpe-me, mas essa informação, não posso dar — Ele falou se levantando e virando as costas para mim — Adeus, semideus.

— Tudo bem, pois uma deusa vai ficar sabendo de um pombo idiota que entregou a espionagem para um semideus — Falei dando de ombros. Na mesma hora ele retornou para minha frente, voltando a se jogar aos meus pés.

— NÃAAO! POR FAVOR, PELO AMOR DE AFRODITE, NÃO FAZ ISSO!

— Então fala logo o que sabe! – Cruzei os braços em frente ao meu peito.

— Eu não sei de nada! Nadica! Quem ajuda ela com isso é Hímeros, ele que sabe dessas coisas!

— Hímeros? — Eu já ouvi falar daquele nome — E onde eu encontro esse homem?

Ele levantou a asa direita, ainda sem olhar para mim. Apontando para o leste, onde havia uma colina com uma mansão branca e detalhes dourados ao seu redor.

— Ali, onde minha deusa vive. Agora cumpra a sua palavra e fique de bico calado.

Arqueei as sobrancelhas ao ver aquele pombo burro tentando me dar ordens. Ele voou o mais rápido que conseguiu, após sua ordem. Aquela era a ave mais medrosa que conheci. Na verdade, era a única com que conversei. Dei uma risada enquanto começava a andar em direção a tal casa de Afrodite.

A caminhada até o destino durou alguns longos minutos. O cansaço da missão anterior estava bem forte. Eu estava tão distraído que nem percebi que adentrei a mansão sem nem pedir autorização. Só percebi quando passava por um corredor bastante luxuoso, cheio de brilho. Eu tinha invadido a casa da deusa.

— Diva que pariu! – Levei as mãos à boca.

Assustei-me ao percebi meu ato. Se ela descobrisse, eu estaria fodido. Adentrei na primeira grande porta que avistei, fechando-a delicadamente para não fazer barulho e ninguém perceber minha presença. Em vão.

— Você se esqueceu de que está em uma casa de deuses.

A voz masculina me fez virar em susto. Um belo homem, e põe belo nisso, estava deitado, completamente desnudo em uma cama adornada em ouro, apenas com um lençol branco cobrindo suas partes. Eu estava em um quarto tão belo quanto as outras áreas da casa que havia passado. Gelei com a presença do loiro. Seus traços me eram familiares, familiares até demais. Eu podia jurar que ele parecia comigo.

— Perdeu a voz, Beau?

— Você me conhece?

— Claro, acha que não conheço os meus sobrinhos?

É claro! Aquele era Hímeros. O irmão gêmeo de meu pai, Eros. Por isso o achei tão parecido comigo. Ter noção de quem ele era me causou uma sensação prazerosa e um calor tomou conta de meu corpo.

— Hímeros... — Falei baixo.

— O que está fazendo aqui? — Ele me pegou desprevenido. O suor escorreu pela lateral de meu rosto, por sorte, eu sabiam mentir bem.

— Vim ajudar Athena com uma coisa, aí fiquei sabendo que aqui era a morada de Afrodite e decidi ver se podia encontrar meu pai por aqui — Bem, era uma mentira mediana.

— Pobre ilusão de semideus, acreditar que os deuses se importam com seus filhos — Ele balançou a cabeça negativamente — Você não encontrou seu pai, mas encontrou algo melhor.

O Erote levantou-se, deixando o lençol cair de lado, revelando suas partes intimas antes escondida. Meu rosto esquentou, indicando um rubor forte em minhas bochechas. Não podia evitar o olhar para o seu instrumento de trabalho, mas tentava ao máximo me controlar para permanecer com o olho na parede. Ele caminhou ate uma outra porta, abrindo-a com uma das mãos e parando em frente.

— Você parece cansado — E de fato, estava — Venha. Tenho sais perfeitos para banho que ajudam a relaxar.

Era visível as segundas intenções em sua voz. Mas o mais incrível, era o quão forte a sua fala era. Ao ponto de me fazer caminhar em sua direção, sem ter o controle de meu próprio corpo. Uma excitação interna surgiu em mim ao me aproximar do meu tio, passando devagar e adentrando o banheiro espaçoso. O deus entrou em seguida, posicionando-se atrás de mim e fechando a porta rapidamente. Eu já sabia o que tudo aquilo indicaria.

{...}

Acordei em meio a um susto. Estava deitado ao lado do belo deus loiro. Quantas horas fazia que estava dormindo? Não sei. Mas sabia que tinha perdido metade do tempo que possuía para descobrir o próximo encontro de minha avó com Ares. Levantei-me sem fazer barulho e comecei a vestir minhas roupas que estavam jogadas no chão, ao lado da cama.

— Já vai?

Levei um susto ao ouvir a voz do deus. Levei meu olhar de encontro ao dele. Ele sorria com os olhos ainda semicerrados do sono.

— Não tenho muito tempo, tenho umas coisinhas para resolver — Vestia a camisa enquanto falava.

— Quando nos veremos novamente?

Outro susto me veio á tona, desta vez era mais uma surpresa. Um deus, com quem acabara de ter relações sexuais, queria me encontrar para repetir a dose? Choquei!

— Ahn... não sei — Tentei desconversar — Amanhã?

— Amanhã não posso, tenho uns... Afazeres com minha mãe.

Entendi na hora o que aquilo significaria. Era minha chance de conseguir fazer ele falar sobre o tal encontro. Abri um sorriso enquanto me sentava na beirada cama para calçar os sapatos.

— Ué, pode ser depois — Falei tentando parecer inocente — De que horas é o seu compromisso?

— Umas 16 horas, perto do entardecer — Ele deu de ombros.

— Então, melhor ainda, você fica livre a noite — Tentei dar uma piscada após a fala — Onde vai ser? Quer que eu te encontre lá?

— Lá no Bosque das Ninfas Rosa – Ele falou enquanto mexia em sua unha da mão direita — Mas é mais fácil eu ir onde você estiver. Só esteja pronto ao anoitecer.

Eu tinha conseguido o que precisava. Nem acreditava naquilo. Só que infelizmente, ou felizmente, em troca ganhei um encontro com o tal deus em questão. Inspirei profundamente ao terminar de colocar o calçado. Levantei-me e após algumas falas, me despedi do meu tio. Era até estranho me referir a ele daquela maneira.

Em poucos instantes, já estava de volta a oficina de Hefesto. Adentrando correndo e quase que sem ar.

— EU DESCOBRI! – Parava para respirar, ofegante — Desculpe a demora.

O deus parou tudo o que estava fazendo e se aproximou de mim, torcendo o nariz ao chegar perto. Ele me olhou de forma curiosa, levando um óculos, que agora usava, para mais perto de seu olho.

— Você fede a sexo. O que andou fazendo?

— Quer saber pra onde ela vai ou não? – Ele se calou na hora — Por volta das 16:00 de amanhã. Ao entardecer. Bosque das Ninfas Rosa.

— MARAVILHA! LUGAR PERFEITO!

— E o que é que o senhor pretende fazer?

— Isso é problema meu, moleque — E virou-se de volta para sua mesa — Dispensado.

E com um gesticular de mãos, uma nuvem de fuligem me envolveu. Fazendo-me tossir que nem a primeira vez que cheguei ali. Em um piscar de olhos, estava de volta ao acampamento, para ser mais exato, no chalé das Hespérides. Olhei preocupado para o espelho, vendo todo o meu corpo manchado de preto por causa da fumaça, mas com uma única pergunta em minha mente: “O que eu tinha acabado de fazer?”.

Afrodite me mataria quando descobrisse.

Equipamentos Levados (Embora, não utilizados):
↬ Armour Love - Uma armadura totalmente adaptável ao corpo do semideus, sendo esta constituída de ferro estígio e ouro, reforçando sua defesa e sua coloração é um leve rosa com gemas prateadas em alguns pontos.. Juntamente com à armadura vêm duas corrente que se esticam até 30 metros, sendo estas feitas de prata e bronze celestial e suas pontas possuem formatos de coração. As correntes possuem a habilidade que permite que o filho de Eros a controle que qualquer maneira. Apenas o filho de Eros pode vesti-la. Torna-se um colar com um pingente que o semideus escolher. [Indestrutível] [Caso a perce, retorna ao pescoço do semideus após dois turnos].

↬ Loving Arc - Uma réplica do próprio arco de Eros. Este é feito de ouro branco com detalhes coberto de bronze celestial, sua corda é coberta pela mais pura prata, é bastante elástica e jamais arrebenta. O arco materializa flechas mágicas assim que o filho de Eros toca na corda, sendo que as flechas possuem duas propriedade, uma é fazer com que pessoas fiquem apaixonadas ( durante 3 turnos ) pela primeira pessoa ou coisa que ver, e, a outra é que a flecha pode causar danos. A flecha materializada é toda feita de uma mistura de ouro branco e bronze celestial, sendo sua ponta um rubi vermelho no formato de um coração, tornando-a totalmente mortal. Quando não utilizado o arco se transforma em uma pulseira com um pingente no formato de coração. [Indestrutível] [Caso o semideus perca, o item volta ao seu pulso depois de um turno].

↬ Escudo espelhado – Um anel de ouro comum, com dizeres de proteção em grego antigo. Quando ativo se transforma em um escudo totalmente revestido com cristal espalhado. O escudo não é capaz de proteger o semideus contra a força física bruta, ou um ataque direto, pois sua propriedade é diferente. O escudo é capaz de defender contra poderes ativos por dois turnos, ou seja, um poder ativo lançado contra o semideus – como bolas de fogo, espinhos, ou algo semelhante – será desfeito pelo escudo, ou refletido de volta, o ataque retorna para quem o lançou. (a propriedade de desfazer o efeito do poder, ou refleti-lo de volta para quem lançou fica a critério do narrador). O escudo só aguenta proteger dois ataques simultâneos, depois volta a forma de anel, e precisa de três turnos de descanso antes de ser ativo novamente. O nome do semideus é gravado no interior do anel, e volta ao bolso do dono em caso de perda, extravio ou algo semelhante.

↬ Blades of garden: Conjunto de lâminas feitas de bronze celestial e adornadas com desenhos de animais. Sua empunhadura é feita de ouro, tão dourada quanto uma das maçãs do jardim das Hespérides. A lâmina é um tanto quanto fina e possui o tamanho de uma espada curta. As lâminas são curvas e dentadas em ambas as extremidades, podendo desferir danos de perfuração e corte. As empunhaduras possuem correntes de ferro entrelaçadas a si, de uma coloração terrosa. O usuário de tal arma pode utilizar as lâminas como espadas a curta distância ou utilizarem as correntes para manuseá-las. Quando não utilizadas, se transformam em um conjunto de braceletes feitos de corrente negra e com o desenho de maçã dourada.

Poderes Utilizados:
Passivos:
✤  Nível 3: Empatia natural: Os guardiões das Hespérides possuem uma aguçada empatia com toda a natureza em si. Sendo capazes de saber o que uma árvore, planta, animal e elemental está sentindo, podem cuidar desses seres, que no geral são mais amigáveis com esses semideuses. A empatia apesar de não dar capacidade para que se comuniquem com esses seres, faz com que consiga os compreender totalmente.
Ativos:
✤  Nível 7: Ornitotelepatia: Os filhos de Eros conseguem se comunicar com as aves telepaticamente e, as não mitológicas o obedecem ao ativar esta habilidade. Custo: 10%



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Beau G. Edmond
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Re: O Mistério de Hefesto

Mensagem por James F. Novak em Seg Jan 30, 2017 1:09 pm



Snow

James via os dois guerreiros se aproximando mais rápido, mas sabia que seria tarde demais quando chegassem. A sua respiração ficava cada vez mais pesada, seu corpo já havia desistido de tentar lutar para escapar da pressão que o prendia ao chão, e não havia qualquer chance de sobrevivência. A visão embaçada começou a se tornar negra quando o pulmão do rapaz queimou com a última vez que ele puxaria o ar... Como um humano. Um estridente som tomou conta de todo o lugar, um barulho muito parecido a uma explosão, e o jovem sentiu frio. Não o frio da morte, ele sentia-se cada vez mais vivo com aquela sensação gélida. Talvez tivesse uma chance. A visão voltou por alguns segundos, e ele viu o sátiro e os dois guerreiros parados antes de não ver mais nada.

Quando o rapaz abriu os olhos, achou que estivesse morto. Via-se perdido e completamente sozinho em meio ao... nada. Não havia uma pessoa, um objeto, não havia coisa alguma que não fosse ele mesmo e o mais completo vazio para onde quer que olhasse. E tão vazio quanto o exterior, era o próprio filho de Vulcano. Não havia qualquer traço de emoção, qualquer sentimento, absolutamente nada, apenas a razão. Ele estava morto, e era apenas isso o que importava naquele momento. Só quando tentou se mover, o jovem semideus percebeu que mesmo o seu corpo era algo inexistente naquele lugar. Seria aquele o fim? Sua consciência a vagar sem corpo pelo vácuo?

— Ei, moleque — o rapaz ouviu uma voz vinda de algum ponto bem atrás dele, e no mesmo instante percebeu seu corpo voltar a se materializar no nada enquanto virava para ver quem o havia chamado. Viu-se diante de um homem alto e musculoso, apesar de aparentar ter uma idade levemente avançada. Usava uma roupa de mecânico, com um grande avental de borracha sujo de óleo e com marcas de queimado cobrindo uma barriga um pouco maior que o normal. Tinha uma grande barba e cabelos castanhos e chamuscados. James sabia quem era. — Você não morreu ainda, mas vai se não me ajudar com algo.

— Pai? — O rapaz perguntou. Não tinha ideia de como sabia daquilo, mas de alguma maneira podia notar uma energia semelhante à que o próprio semideus sentia vinda dele. Um calor familiar, acolhedor e ao mesmo tempo hostil. Parte do rapaz sentia-se bem diante da presença do homem, mas outra parte queria estar o mais longe possível dele naquele instante. Sua força diminuía ao mesmo tempo em que aumentava. “Fogo e gelo... Grego e romano...” o rapaz lembrou-se das palavras de Phil ao ver o homem.

— Não exatamente. Sou Hefesto — disse. James lembrou-se do que o sátiro havia explicado, sobre as materializações de formas gregas e romanas dos deuses, mas não se importou muito com aquilo naquele momento. O quase-pai do rapaz parecia muito aborrecido com algo. — Mas esqueça disso agora. Afrodite fez de novo! De novo!

— Fez o quê? — James perguntou, confuso. Não conhecia muito a respeito de mitologia, apesar de ter crescido com uma mãe semideusa. No entanto, sabia que Hefesto e Afrodite eram casados, o que era algo bem estranho na mente dele.

— Ela e Ares! De novo! — Então tornou-se claro. James não sabia bem se sentia-se envergonhado, irritado ou o que com aquilo, mas entendia bem o que exatamente o deus queria dizer, e também o motivo de estar tão irritado. Mas também, não é como se pudessem esperar algo diferente da deusa do amor. — Não entendo! Como ela faz isso comigo toda vez.

— Er... Pai. Eu sou...

— Você é filho de Vulcano, não meu! — Retrucou o deus, interrompendo-o ao perceber o que o filho queria dizer. De qualquer maneira, James sabia que Hefesto também possuía filhos, então não é como se ele pudesse fazer muita coisa. — Enfim, você vai me ajudar. Vai seguir aqueles dois e descobrir onde eles vão se encontrar, tenho um plano para me vingar deles de uma vez por todas. Eu vou suprimir o poder das chamas que existe em você para que assim possa lutar apropriadamente caso precise, mas só farei isso uma vez. Você precisa aprender a controlar os seus dons sozinho e...

— Espera, espera — disse James, totalmente confuso com a quantidade de informações que o deus lançava de uma só vez. — Eu vou seguir Afrodite e Ares? Como eu vou seguir dois deuses dos mais poderosos sem que eles me notem? E como assim suprimir o poder das chamas? Controlar o quê?

— Desculpe, não sei lidar com pessoas. Máquinas processam tudo bem melhor e mais rápido — disse Hefesto, parecendo ainda mais aborrecido. — Eu tenho um dispositivo que é capaz de localizar Afrodite onde quer que ela esteja, você vai usar ele para encontrá-la. Porém, a armadilha que quero montar leva tempo, e por isso não adianta eu saber o local em que ela estará no momento, precisarei descobri-lo com antecedência. E é isso o que você vai fazer, dê um jeito de descobrir. Quanto aos seus poderes, você vai entender quando acordar.

— Mas e se estiverem longe? Como eu irei até eles?

— Apenas vá, garoto. Tenho um projeto para terminar. Quando conseguir o que eu quero, apenas diga Retornar bem alto — respondeu o deus, ao mesmo tempo em que agitava a palma da mão no ar, e aos poucos o nada começou a tomar uma forma diferente, e então o jovem acordou. Estava deitado em uma cama, em um local que não conhecia. Sentia sua cabeça doer e uma leve tontura tomou conta do seu corpo no momento em que tentou se levantar, porém ainda assim o fez, se forçando a ficar de pé apesar das pernas fraquejarem. Respirou fundo e fechou os olhos para recobrar as forças, e apenas então começou a se lembrar de tudo o que havia acontecido. Sentiu um peso em seu bolso, e um vento gélido tomou conta de todo o local.

James se sentia poderoso. Estranhamente forte, como nunca havia se sentido antes. Seu corpo estava gelado como o de um defunto, e uma aura com a mesma temperatura parecia emanar para todo o local. Ao seu lado, na cama da qual havia acabado de levantar, o jovem notou um arco e um machado que antes não estariam ali. Presentes de seu pai? No momento em que os tocou, viu os itens encolhendo aos poucos, até tomarem novas formas. O arco se tornou uma pulseira, que o rapaz vestiu, e o machado assumiu a forma de um canivete suíço que foi deixado no bolso, e só então James sentiu que havia algo mais ali.

Retirou do local algo que lembrava muito um GPS. O equipamento mostrava o mapa de Manhattan, e continua um círculo rosa que se movia pelas ruas bem devagar. James soube que era o tal equipamento responsável por rastrear a deusa do amor, agora restava descobrir como ele chegaria ao local, considerando que sequer sabia onde estava. Quer dizer, tinha quase certeza de que havia acordado no Acampamento Júpiter, porém isso não era nem de longe informação o suficiente. E ele não poderia simplesmente sair, isso levantaria perguntas demais. Não sabia o que fazer.

Demorou alguns segundos para que o rapaz notasse – graças ao déficit de atenção – o botão que havia logo abaixo do mapa de Manhattan. “Transporte rápido”, parecia ser exatamente o que o rapaz precisava naquele instante. Respirando fundo e ainda confuso por toda a mudança de ambiente, o rapaz clicou sobre a tela, e imediatamente sentiu-se mais leve. Notou uma luz azul passando por todo o seu corpo, e a cada ponto tocado por ela, sentia-se desmaterializar completamente, até o ponto em que era apenas uma cabeça flutuante, e no momento seguinte não havia mais nada.

Quando pôde ver novamente, estava diante de um espelho. A primeira reação que teve foi dar um salto para trás, o que quase fez com que ele caísse no chão graças à poça de água que cobria o piso de um banheiro onde estava. Felizmente, ele conseguiu manter o equilíbrio e, com um balançar da cabeça, acalmou-se o bastante para pensar. “Essa é minha vida agora, controle-se”, disse para si mesmo, olhando para o espelho. E foi o momento de levar mais um susto, ao ver seus olhos. As íris, que antes eram completamente azuis, haviam mudado. Um dos olhos brilhava em um tom forte de castanho que era quase vermelho, enquanto o outro possui um tom de azul tão claro que era quase transparente.

E, enquanto ele olhava, mais uma mudança. O olho vermelho começou a ficar mais claro a cada instante, ao mesmo tempo em que o banheiro esfriava novamente. A água que escorria pelas paredes e na poça na qual o rapaz quase havia caído se condensavam, tornando-se gelo, e o jovem sentia o poder fluir pelo seu corpo. O jovem lembrou-se de como Hefesto havia dito que iria suprimir o poder das chamas, e então se deu conta de que era o próprio poder de Vulcano que estava sendo contido. Phil dissera uma vez que havia um conflito dentro do rapaz, entre o gelo e o fogo. Se o fogo fosse suprimido, o gelo tomaria conta. Talvez fazendo isso o deus das forjas também conseguiria fazer com que os deuses não notassem quem James era.

Respirando fundo mais uma vez, o rapaz pegou o GPS. Naquele momento, não mostrava mais toda Manhattan, apenas uma pequena área, o que significava que James estava bem próximo da deusa. Diferentemente da última vez em que havia olhado, o filho de Vulcano notou um outro círculo, parecido com o de coloração rosa, porém de coloração azul. Experimentou mover-se um pouco, e notou que este fez o mesmo no mapa do GPS, indicando que aquela era a sua posição. Com isso, seria bem mais fácil encontrar a deusa do amor. Abrindo a porta do banheiro, o rapaz saiu para se deparar com uma grande cafeteria.

O local não tinha tantas pessoas, o que o tornava bem agradável. O aroma delicioso de café e chocolate preenchia o ambiente, fazendo com que James não quisesse sair de lá. Desde criança era um grande apreciador da bebida, de modo que não conseguia resistir a ela. Por alguns instantes, perdeu totalmente a concentração, importando-se apenas com a mistura de cheiros. Apenas foi tirado do transe quando sentiu o GPS vibrar em sua mão, parando para olhá-lo e notando que o ponto rosa e o azul estavam praticamente juntos. Então ele olhou pra frente, para se ver em uma nova situação de transe, assim como a maioria dos clientes e funcionários no lugar.

A mulher tinha longos cabelos loiros e lisos que caíam à altura da cintura. Mesmo àquela distância e sem precisar tocá-la, o rapaz podia notar a maciez da pele da deusa, a delicadeza de cada feição e traço. Seus olhos pareciam trocar de cor à cada instante, e mesmo que James passasse anos tentando e procurando em todas as línguas existentes, não conseguiria arrumar uma palavra que fosse suficientemente gloriosa para descrevê-la. O rapaz notava os olhares vindos de todas as mesas, dos garçons, de absolutamente todo mundo no local, homens e mulheres. O rapaz não teve a menor dúvida de quem era aquela diante dele. O que significava que o homem que a acompanhava era Ares, o deus da guerra.

O homem não era nem mesmo um pouco delicado. A brutalidade parecia sair dele para o ar, com os músculos bem definidos que ele havia convenientemente deixado à mostra, o corte de cabelo no estilo militar, e os óculos escuros que completavam o visual. O rosto tinha feições que definitivamente indicavam que não era alguém que qualquer pessoa devia enfrentar. James sentiu inclusive uma pequena pontada de medo tomar conta do seu corpo, que só foi afastada quando James desviou o olhar. Concentrando-se e tentando se manter focado em sua tarefa sem olhar para qualquer um dos dois deuses, o jovem sentou-se na mesa ao lado dos dois, esperando que um garçom chegasse para atendê-lo ao mesmo tempo em que mantinha os ouvidos apurados para tentar escutar o que conversavam.

— O que você acha? — perguntou a deusa do amor, em uma voz doce e melodiosa que encantou James, praticamente colocando-o em transe mais uma vez. Agora que estava mais perto, ele também podia sentir o aroma de rosas que Afrodite exalava, quase fazendo-o desmaiar.

— Pode ser — respondeu o deus da guerra, mais bruto e sem muita enrolação. Ao contrário da voz de Afrodite, a de Ares despertou um sentimento que James não costumava presenciar: raiva. Do nada, o filho de Vulcano sentiu uma grande vontade de derrubar a mesa e socar a primeira pessoa que visse pela frente cujos braços não fossem tão grossos quanto seu corpo.  — Mas você sabe o que vai acontecer se continuarmos desse jeito, não é. Aquele tosco nunca aprende.

— Deixe que eu tomarei conta dele... Dará tudo certo dessa vez — James retornou ao transe, e assim foi por um longo tempo. O rapaz não compreendia bem o que os deuses conversavam na maioria das vezes, e quando compreendia, eram apenas frases inúteis de dois apaixonados que de nada serviriam para ele. Novak já estava prestes a acabar o segundo chocolate quente pelo qual não iria pagar, e ainda não havia obtido nem mesmo uma palavra que servisse ao propósito de Hefesto. Após algum tempo, os deuses se levantaram, e o filho de Vulcano aproveitou todo o fascínio que eles causavam para rapidamente abandonar a cafeteria, aguardando-os do lado de fora.

Alguns segundos depois, Ares e Afrodite deixaram o local, e James aguardou até que eles estivessem longe o bastante para então se começar a segui-los, tentando se misturar entre todas as pessoas que caminhavam pela calçada. Porém, ele sabia que não conseguiria absolutamente nada daquela distância, precisaria se aproximar se quisesse obter alguma informação de verdade. Por isso, começou aos poucos a reduzir a distância entre eles. E então, parou. Parou não porque quis, mas porque uma onda forte de medo começou a tomar conta de seu corpo. Suas pernas bambearam, seu coração acelerou e ele sentia o corpo todo tremer. Aquela era a aura de Ares, ele sabia.

Os deuses afastavam-se cada vez mais, e James ainda não podia se mover. Seu coração se apertava em desespero, e sua respiração completamente descontrolada indicava que estava prestes a ter um ataque de pânico. E então a aura se dispersou, e James caiu para trás, chocando-se com o chão em uma escultura de puro pavor. Levou muito tempo e a ajuda de muitas pessoas ao redor para que ele conseguisse ficar de pé, e ainda mais para que suas pernas parassem de tremer e ele conseguisse força o bastante nelas para andar. De algum modo Ares havia percebido que estava sendo seguido. Novak havia subestimado o deus da guerra, e agora encarava as consequências do seu erro.

— Grande inauguração hoje, não percam! — O rapaz ouviu uma voz gritar, virando-se para ela. Não muito longe, havia um jovem distribuindo panfletos, e gritando a plenos pulmões sobre a inauguração de uma nova boate no centro de Manhattan. Imediatamente o filho de Vulcano teve uma ideia, e correu até o jovem, que ficou satisfeito em se livrar de metade dos panfletos que teria de entregar naquele dia. O GPS foi retirado do bolso uma vez mais, e James começou a seguir novamente a deusa do amor, tomando um caminho diferente que permitiria encontrar-se de frente com os deuses. O que seria necessário para que desse certo.

Foi quase meia hora de caminhada em um ritmo mais acelerado que o do casal para finalmente alcançá-los, e mais quinze minutos escolhendo as ruas certas que permitiriam para o filho de Vulcano encontrá-los sem correr o risco de sofrer mais uma vez com a aura de medo exalada pelo deus da guerra. Quando finalmente passou por eles, pôde voltar à rua principal, e então caminhou lentamente pelas ruas, entregando os papéis a qualquer um que quisesse receber, e repetindo as palavras do jovem que os entregava antes, enquanto aguardava que Ares e Afrodite se aproximassem.

— Olá! — Disse aos dois, com um sorriso, quando chegaram perto o bastante. Tinha medo de que simplesmente o ignorassem, mas por sorte eles pararam. — O que acham de visitar a boate Mirage hoje à noite? Faremos uma enorme festa de inauguração, e...

— Sem interesse, moleque — Ares respondeu após alguns segundos, começando a caminhar. Afrodite, no entanto, parecia interessada o bastante para querer ouvi-lo, mas ainda assim seguia o deus da guerra.

— E deuses com certeza conseguiriam uma área VIP — disse James, atraindo mais ainda a atenção da deusa do amor. — Vamos, deem uma olhada! — O rapaz entregou um dos panfletos para a mulher, evitando olhá-la para que não caísse em transe uma vez mais. — Temos boa música, uma enorme pista de dança, que eu aposto que agradaria os padrões elevados de Afrodite, além de, é claro, discrição. Não queremos que alguém interrompa os planos de vocês, não é mesmo? Sem falar na quantidade de corações a serem quebrados e brigas a serem iniciadas...

James notou a expressão de Ares se suavizar, e um leve sorriso surgir entre os lábios do deus. Já Afrodite parecia encantada – e completamente encantadora, o que fez com que o filho de Vulcano engolisse suas palavras seguintes. A deusa do amor trocou um olhar com o da guerra, e sem que precisassem falar nada, eles chegaram a um acordo.

— Estaremos lá — disse, e James sorriu como um idiota ao ouvi-la. A mulher rapidamente e de maneira sensual colocou a mão sob o queixo do rapaz, fechando sua boca e então virando-se junto com Ares para retomar seu caminho. Demorou um pouco para que o jovem romano se recuperasse, e quando finalmente o fez notou que Afrodite já estava longe o bastante para que ele pudesse retornar ao seu quase-pai com as informações que havia adquirido. Apenas esperava não conseguir o ódio de dois dos mais poderosos deuses do Olimpo com aquilo.

— Retornar! — Exclamou, e imediatamente as luzes azuis começaram a tomar conta do seu corpo da mesma maneira que haviam antes. E novamente, o rapaz se encontrava em meio ao nada, diante do deus das forjas. — Eles estarão na boate Mirage, hoje à noite — disse, enquanto entregava o último dos panfletos ao senhor do fogo, que o recebeu com uma expressão ainda aborrecida, mas que deixava escapar um leve sorriso.

— Pois bem, eu o mandarei de volta ao seu leito para que descanse — disse, e então tudo voltou a sumir.

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Re: O Mistério de Hefesto

Mensagem por Hades em Ter Jan 31, 2017 2:28 pm





AVALIAÇÃO
A forma de avaliação irá seguir o modelo abaixo:
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 2.000 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.000 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1.000 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 500 XP
Total: 5.000 + 500 de Bônus = 5.500 XP
Dracmas: Até 4.000.

Observação: Os valores descritos acima são de pontuação máxima, ou seja, a XP máxima que pode ser conquistada pelo semideus, e o valor máximo de dracmas. Esse valor pode ser diminuído de acordo com o seu desempenho no evento. Esperamos uma postagem com criatividade, excelência, bom desenvolvimento de trama, e muitos detalhes, então caprichem
Observação Dois: O Item especial e individual de casa missão, só será dado os campistas que conseguirem atingir mais de 4.200 XP

O item de Hefesto é o seguinte: A Vingança de Hefesto: Potencia: Gema de força que acrescenta +15 de dano a arma, e dobra seu peso durante dois turnos inteiros. (Fica em espera por mais dois).

Maya Ock Kannenberg
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.500 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 900 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 800 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 300 XP
Total: 4.200 + 300 de Bônus = 4.500 XP
Dracmas: 3.700.

Hela A. Deverich
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.700 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 700 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 700 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 300 XP
Total: 4.100 + 300 de Bônus = 4.400 XP
Dracmas: 3.400.

Zoë Ehlert Nordberg
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.900 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 900 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1.000 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 500 XP
Total: 4.800 + 500 de Bônus = 5.300 XP
Dracmas: 4.000.

Beau G. Edmond
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.700 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 900 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1.000 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 300 XP
Total: 4.600 + 300 de Bônus = 4.900 XP
Dracmas: 3.900.

James F. Novak
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.700 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 900 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 850 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 400 XP
Total: 4.450 + 400 de Bônus = 4.850 XP
Dracmas: 3.000.


Ἅιδης
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Localização : Importa? A morte ainda será capaz de te achar.

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