The Blood of Olympus
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O Místerio de Afrodite

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O Místerio de Afrodite

Mensagem por Athena em Qui Dez 29, 2016 7:56 pm





AFRODITE
A postagem do evento os mistérios dos deuses do Olimpo, com o titulo "O medo de Afrodite" deve ser postado nesse tópico.
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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Pandora M. Drumachesky em Sab Jan 07, 2017 2:18 pm




Eu sei muito sobre magia, mas não o suficiente. Me pergunto qual o problema dos deuses, eles aparecerem quando querem, como querem, e ainda nos usurpam o que mais gostamos quando bem entendem. Isso não passa de um ato egoísta, que naquela manhã fora descontado de uma maneira bastante impertinente, me retirando da mesa do café. Foi do nada, veio num clarão de luz e me pegou de surpresa, quando dei por mim estava à frente da porta de uma maluca, encarando minha melhor amiga. Wtf? Arqueei a sobrancelha, encarando o rosto de Lauren a medida que cruzava os braços, sua expressão demonstrava uma confusão tremenda, mas seus olhos refletiam algo que fez uma careta surgir em meu rosto. – Não me olhe assim, juro que essa macumba não foi minha, eu estava muito feliz com a minha torta de ameixa – Reclamei, dando de ombros.

Não foi preciso perder muito tempo com explicações vagas, primeiro, sabia que não era minha culpa, e segundo, uma moça verde apareceu do nada, separando-nos como uma alface gigante em uma plantação. Me perguntou qual o gosto de uma criatura como aquela, seria proibido come-las? Ela terá que desculpar minha falta de jeito, e perdoar meus pensamentos sobre comida, afinal foi ela quem me arrancou do café da manhã. – Lady Afrodite precisa de ajuda, e eu também, as minhas amigas entraram no quarto da deusa, e sumiram a um dia, Afrodite não fala com ninguém, e pediu ajuda – Disparou o Alface, falando conosco como se pudéssemos trazer a solução com magia. Eu poderia invadir o quarto da deusa, mas não estava disposta a dispensar meu tempo, correr o risco de ser fritada, e ainda presenciar um ménage. Sim, tenho uma mente bem fértil.

- Vamos sair daqui Lauren, já temos loucas demais nessa nossa vida de semideusa – Murmurei, pensando em como criar um portal para deixar o Olimpo. Nunca praticara magia de viagem, mas nunca é tarde para uma primeira vez. – Não! Por favor, vocês têm que me ajudar, ela enlouqueceu, e se não fizerem algo, corremos um sério risco – Murmurou a Ninfa, muito séria e empurrou-me de encontro a porta. – Fala sério, a comida do mundo vai acabar se não salvarmos Afrodite? – Perguntei, cruzando os braços sobre o peito, estava começando a ficar irritada, e eu nem era filha de Ares. – É uma possibilidade – Respondeu ela. E se fosse mesmo, nossa obrigação seria ajudar Afrodite. A comida do mundo é um tópico deveras importante, que supera até mesmo a minha preguiça. Já disse que sou metade urso? Acredito que comecei a virar.

- O que acha disso? – Perguntei a Lauren, não faria nada sem aquela garota, pois, Afrodite era uma deusa, e uma bem maluca por sinal, embarcar naquela aventura sozinha seria o mesmo que cometer suicídio. Porém, acima de tudo, se Lauren estivesse comigo, eu seria capaz de não me preocupar, ela poderia salvar o dia, e eu poderia invocar alguns bolinhos enquanto tento não ser fritada pela deusa do amor. Minhas suspeitas forma confirmadas apenas com o sorriso de Lauren, mas suas palavras ainda fizeram questão de ressaltar tudo. Estava feito, iriamos ajudar a deusa do amor.

Bufei baixo me virando de encontro a porta, e bati na madeira algumas poucas vezes. Nada aconteceu, não que eu esperasse que purpurina saísse voando por debaixo da madeira, mas esperava, alguma coisa! Passamos os minutos seguintes plantadas como margaridas, Lauren tentou bater uma segunda vez, e quando a porta se abriu perante ela, desconfiei que Afrodite não fosse com a minha cara. A deusa aparecera majestosa a nossa frente, mesmo um pouco desajeitada, era linda, eu tinha que admitir, porém uma linda superficial que não fazia muito meu estilo. Eu gostava de pessoas normais, pois com o anormal convivia de graça, e sem nem pedir.

Voltemos aos fatos, Afrodite era uma neurótica louca que precisava de ajuda, e lá estava ela, prestes a nos devorar. Não no sentido literal, são apenas palavras deixando minha boca em um momento de tensão, se querem uma história menos maluca, procurem o livro dos três porquinhos, nesse aqui não vai rolar. Eu demonstrava meu interesse – completamente nulo – enquanto ouvia as palavras de Lauren. Meus olhos percorriam a mobília do quarto, literalmente virada de ponta cabeça, mas nada me atraiu a atenção, não até bater com a vista mais ao canto, onde um verdadeiro banquete se formava. Encontrei minha missão naquele momento, Lauren podia salvar o dia certo? Enquanto eu me aproveitava da comida dos deuses.

Surpreendi-me com a furtividade de minha melhor amiga ao aproximar do meu corpo, e sussurrar rente ao meu ouvido, palavras essas que completei com um comentário um tanto maldoso. – Eu acho que ela é biruta – Dei de ombros, entrando no quarto e puxando Lauren comigo. Ao me ver na parte de dentro, com a minha amiga plantada de pé muito perto, a porta se fechou. Não ouvi o clique da fechadura, mas apostaria todas as minhas dracmas que agora estávamos trancadas. – Oba, não temos mais escolha, vamos ficar aqui com a deusa mais... – Me contive, não podia falar que a deusa era maluca na sua frente, então me limitei a sorrir amarelo. – Então tia, qual o problema? – Perguntei, tentando me fazer de seria sem muito sucesso. Não sou boa com coisas que exijam certa responsabilidade, acho que a vida é louca demais para perder meu tempo me preocupando com coisas desnecessárias.

Lição de vida: Nunca ajudar ou oferecer ajuda a um deus, eles são medonhos. Afrodite é uma deusa fútil e que precisa urgentemente receber um terapeuta, talvez ele a ajude a encontrar a cabeça. A missão nos dada era bem simples, não fossem os acasos. Encontrar um vestido era uma tarefa fácil para um armário comum, para um do tamanho de três quartos? Nem tanto, ainda mais quando parecia estar fechado a décadas, e coberto de baratas no chão ao teto. Descobri naquele pequeno tempo que Lauren e Afrodite tem algo em comum, ambas repudiam os animais, mas a primeira pelo menos enfrentou esse medo. Ri baixinho, seguindo com ela pelo monte empoeirado, o cajado em mãos para iluminar o local. Não tinha problemas com locais escuros, minha mãe era a deusa dos fantasmas, e a escuridão sempre agradara minha pessoa.

-Sempre achei que filhos de Ares não tinham medo de nada, tem certeza que a sua mãe não é a doida? – Brinquei, apenas para descontrair o clima com Lauren. Dei de ombros, seguindo com ela a procura do vestido, ao mesmo tempo, mantinha a mão fechada e os dedos se movendo para remover as roupas do meu caminho. É oficial, eu amo a magia, mas meu plano de comer o banquete de Afrodite e deixar Lauren se virar tinha ido para o ralo. Eu não deixaria minha amiga sozinha de qualquer maneira, e podia cobrar a comida mais tarde. Suspirei vasculhando ao redor, eu precisava de um vestido preto e cheio de frufru de deusa. Fico me perguntando do que adianta ser deus, se eles não podem estralar os dedos e conseguir o que quiserem num passo de mágica. Na verdade, eu acho que podem, só gostam de ver a gente se ferrando na maioria das vezes, damos espetáculos, e eles apreciam isso.

Lauren estava irritada, e de alguma maneira isso me divertia. Era engraçado ver o rosto bonito da filha de Ares se contorcendo em caretas de mau humor, me fazia querer gargalhar alto. – Serio? Eu achei que a gente tinha que entregar para ela lavado, somos oficialmente as salvadoras dos vestidos perdidos – Brinquei, erguendo o cajado ao redor para ganhar mais visibilidade e encontrar o vestido. – Como vamos encontrar no meio de tudo isso? – Perguntei, mais para mim do que para Lauren, mas não importava, se não desse certo podia invocar um vestido daqueles, e colocar um flamingo como rabo, talvez ela gostasse de flamingos afinal. Me afastei de Lauren uns minutos, indo vasculhar as gavetas de Afrodite, ela tinha muita renda, roupas sensuais e fantasias eróticas, cheguei a encontrar um chicote, uma máscara e um pacote de camisetinhas, e gargalhei alto com isso. Deuses são surpreendentes.

Foi o estrondo alto que me fez despertar procurando ao redor, até me deparar com minha amiga caída do outro lado do armário. Corri até ela, fazendo uma bola de luz com a mão livre, e iluminando todo o aposento. Arregalei meus olhos com o espetáculo a frente, minha melhor amiga caída aos pés de dois seres – Ninfas – com calcinhas de fio dental presas a boca. Uma careta surgiu em meu rosto ao olhar o restante, marcas de batom vermelho pelo corpo, e as pernas amarradas com uma espécie de corda dourada. Lauren, não estava muito melhor, talvez chocada pelo estado das coitadas, e enquanto a mesma gritava com Afrodite, eu corri em socorro das duas. Usei magia para soltar as cordas, e a faca para cortas as calcinhas presas as bocas das duas, por fim analisei os rostos das duas e saquei cubos de ambrosia dos bolsos. – Isso sim é cruel – Murmurei, entregando a elas duas que não paravam de chorar e agradecer. – Eu sei, vem, vamos sair daqui – Puxei as duas pelos pulsos, querendo deixar o templo da deusa maluca.

Maluca é pouco, quem em sã consciência amarra duas Ninfas com calcinhas, porque quebrou uma unha? Só Afrodite mesmo. Puxei as duas Ninfas e as ajudei a andar, as duas se mantinham atrás do meu corpo, talvez com medo pelo ocorrido, e sempre perto, não que eu pudesse ajudar caso a deusa quisesse fazer algo com elas, não poderia, mas tudo ficaria bem em poucos minutos. Quando alcançamos o fim do armário, Lauren ainda tentou agredir Afrodite com as palavras, e eu me limitei a manear a cabeça em direção a porta. – Vão – Pedi as Ninfas, então me aproximei de Lauren e lhe toquei a mão. – Vamos sair daqui, agora – Pedi baixo. As Ninfas continuavam plantadas ali, tremendo dos pés à cabeça, e foi só quando Lauren comandou-as para fora – me arrastando junto – foi que elas deixaram o aposento.

A palavra do dia certamente era magia, pois foi a segunda vez naquele dia que eu fora tragada por um portal de luz brilhante, e quando dei por mim, já estava no acampamento. Os bufos de Lauren ao meu lado foram o estopim, não sei o que deu em mim, mas gargalhei alto, porque agora percebia como a cena toda era cômica. Ninfas com calcinhas na boca, filhas de Ares surtando com baratas e uma deusa irritada por quebrar a unha. Loucura de dia. Isso me fez rir mais, Lauren me seguiu ao entender o que tinha acontecido, e eu a olhei ainda rindo. – Tudo bem, agora, você me deve um almoço, vamos lá eu como seu prato também – Murmurei faceira da vida, a puxando pelo pescoço com um dos braços, usando o outro para bagunçar seus cabelos. – Então tem medo de baratas? – Provoquei, a largando e correndo em seguida, pois sabia que aquelas palavras poderiam me matar. É, o dia foi louco.
Bonus:
Dia de sorte: É um bônus de um mês para um semideus de sorte, onde, durante 30 dias a partir da data que essa bonificação for colocada no perfil, toda xp ganha pelo semideus multiplica por 2. Lembrando que essa bonificação só é válida para XP, para níveis não. (Valido até 30/01/2017)





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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Lauren L. Hill em Sab Jan 07, 2017 2:25 pm

don't wanna waste my time
O dia estava calmo, mas calmo o suficiente para passar em branco sem acontecer algo extremamente estranho. E Lauren não poderia estar errada, em um momento estava treinando e segundos depois atordoada por uma luz branca que a levou para outra “dimensão”. Não era exatamente uma outra dimensão, mas sim o Olimpo. Deuses, sempre achando que devíamos estar sempre prontos para eles na hora e local que quisessem.

Em um segundo, Lauren lutava contra um semideus novato num treino básico e no outro encarava sua melhor amiga com um olhar perdido e confuso. Seu primeiro ato foi coçar os olhos e pensar que tudo aquilo não passava de um sonho, mas depois de reabri-los constatou que realmente estava em frente a porta da deusa Afrodite por algum motivo que ainda não fazia ideia, e junto dela, Pandora a encarava com os braços cruzados. — Não me olhe assim, juro que essa macumba não foi minha, eu estava muito feliz com a minha torta de ameixa. – Lauren a olhou indignada e também cruzou os braços. — Eu estou tão perdida quanto você, Panda. Estava num treino e agora, aparentemente, no Olimpo. Quase soquei seu rosto. — Disse rindo ao final tampando a boca para abafar o riso, recebendo um tapa no ombro em seguida. Tapa esse que a fez retomar sua postura.

A porta amadeirada encontrava-se em frente as duas e Lauren poderia sentir as mãos suarem por conta da luva protetora de luta. Instantes depois, uma moça com alface nos afastava fazendo Lauren rir um pouco descontrolada. O que diabos estava acontecendo agora? — Lady Afrodite precisa de ajuda, e eu também, as minhas amigas entraram no quarto da deusa, e sumiram a um dia, Afrodite não fala com ninguém, e pediu ajuda. — O Alface proferiu disparado e um pouco desesperado, fazendo Lauren recompor-se e dar total atenção sobre o que o Alface falava. Sua vida não poderia estar mais cômica do que naquele momento: falava com um Alface, estava inexplicavelmente no Olimpo acompanhada de sua amiga e extremamente confusa. Quando a prole de Ares percebeu Pandora se impulsionar para se retirar, segurou-a pelo braço de forma firme a fazendo ficar e ouvir o que o Alface ainda tinha para falar. — Ei! Não negamos ajuda… isso pode ser sério, Panda. — Disse fechando a expressão, seus olhos ainda demonstravam confusão mas estava disposta a ajudar lady Afrodite com o que fosse. Estaria mais disposta ainda a achar as Ninfas.

No momento seguinte, aquela coisa estranha empurrou Pandora e por proteção Lauren a empurrou de volta um pouco mais forte do que deveria, fazendo-a cair no chão, pondo-se em frente a Pandora. — Se quiser nossa ajuda, as coisas terão de mudar por aqui. — Lauren trincou o maxilar e relaxou um pouco mais observando-o no chão e com uma expressão dolorida, sentiu a mão de Pandora em seu ombro e relaxou, ajudando o Alface a se levantar. — Fala sério, a comida do mundo vai acabar se não salvarmos Afrodite? — Escutou Pandora e prendeu o riso, estar com a melhor amiga era mesmo sempre um motivo de risada. — É uma possibilidade. — Lauren engoliu seco e pigarrou logo depois, tentando limpar a garganta. Agora tudo se tornaria questão de comida e sabia que a Feiticeira só ajudaria a deusa Afrodite por comida. A prole de Ares rolou os olhos e encarou a melhor amiga por alguns segundos, fechando sua boca e abrindo várias vezes. — O que acha disso? – A ouviu perguntar e deu de ombros, um sorrisinho convencido tomando conta dos seus lábios enquanto arrumava suas luvas. — Você sabe que não nego ajuda. — Falou por falar, aquela ajuda poderia lhes render algumas recompensas.

Pandora se virou de frente para a porta e bufou, erguendo o braço e batendo várias vezes na porta. Ficaram o que pareceram longos segundos com cara de bunda em frente a porta, batendo o pé no chão enquanto esperava alguma resposta. Mais algumas batidas, dessa vez de Lauren. Quando menos esperaram a porta se abriu e uma figura desajeitada – mas ainda sim bela – apareceu assim que a porta abriu-se por completo. — Lady Afrodite? — Tomou a coragem de perguntar e a olhei sem expressão alguma tentando ser neutra à situação para não criar mais confusão. — Estamos aqui para ajudar, se possível. Queremos saber o que aconteceu, como as Ninfas sumiram… As coisas não estão normais por aqui… — Lauren disse em relação ao Olimpo, observando todo o quarto bagunçado. Imaginava que por serem deuses, tudo fosse um pouco mais organizado, mas aparentemente era o contrário. Desviou o olhar da deusa que voltava para o quarto, para o Alface que aparentava se morder inteiro de nervosismo e depois para Pandora, que abriu a boca vendo todo banquete posto à direita do quarto.

Por incrível que parecesse, Lauren encontrava-se totalmente normal em relação àquela confusão e faria o possível que fosse para normalizar a confusão no Olimpo e voltar o quanto antes para a sua cama. — Acho que teremos mais problemas do que imaginei. — Lauren cochichou aproximando-se do ouvido da melhor amiga, sabia que teria ela para qualquer situação que fosse e sabia que sem ela ali, Pandora não iria em frente com aquela situação. Era fiel à amiga e não quebraria sua lealdade.

— Ela sendo biruta ou não… a gente deveria ajudar. — Sussurrou novamente tentando não movimentar tanto a boca e entrou no cômodo mesmo sem a autorização da deusa. Seu corpo automaticamente ficou estático quando ela se virou e fuzilou a semideusa com os olhos. — Se querem me ajudar, comecem pelo armário. Preciso do meu vestido, tenho um encontro em breve. — Pela primeira vez a deusa se pronunciou e um sorriso travesso brotou nos lábios de Lauren. Talvez ela soubesse bem quem iria acompanhá-la nesse encontro. Seus olhos cruzaram o cômodo até o grande armário e depois virou o pescoço para trás, chamando a melhor amiga com um maneio de cabeça.

Bufou e revirou os olhos se apressando até o grande armário. Quando o abriu uma pequena muda de roupas caiu sobre seus pés e Lauren arregalou os olhos, percebendo um riso preso de Pandora. — Acho que teremos um pouco de trabalho… — Murmurou baixo olhando para trás rapidamente. — Assim, só pra facilitar nosso trabalho. Detalha o vestido, por favor? — A semideusa prole de Ares pediu para a deusa aumentado o tom de voz a medida que entrava no armário e percebia insetos mexerem aos seus pés. Baratas, seu maior pesadelo. Mas, mais um pesadelo sendo enfrentado mesmo que não quisesse. Seus olhos se fecharam forte e um suspiro saiu da sua boca. — Não sei como é filha de Ares. — Pandora disse com uma voz risonha e Lauren sorriu sem jeito a fuzilando com o olhar.

A cada centímetro que pisava naquele armário sem fundo, Lauren dava um espirro pela poeira que havia se formado ali e sentia algo ser esmagado pelo seu tênis. Afrodite não mexia nele pelo que pareciam décadas e tudo aquilo lhes traria mais dificuldade para achar o tão esperado vestido. — Ele é um preto básico e longo, no decote tem rosas rendadas também em preto, simples. — A deusa disse como em um deboche no final e Lauren respirou fundo para não falar besteiras. Aparentemente também estava começando a se irritar com aquele escarcéu todo junto com Pandora. E apesar de gostar de ajudar aos outros, também gostava de ser ajudada. “Bela, recatada e do lar.” Lauren pensou ironicamente e riu abafado vendo Pandora encará-la com um sorriso. — Só queria avisar que vou procurar esse vestido, mas não vou lavar e nem limpar esse armário! — A demônio gritou já mais a dentro e ouviu a risada da melhor amiga ajudando-a a procurar.

Procurando atentamente o vestido em ambos os lados com calma, Lauren “trombou” com uma teia de aranha e a retirou-a com as mãos as balançando depois para soltá-la da palma da mão. Ser demônio de Nyx estava a ajudando, a cada metro daquele armário a escuridão ficava maior e poder enxergar o que fosse no escuro facilitava um pouco da situação. Alguns cabides depois, quase sem poder ver a luz do quarto, a prole de Ares avistou um vestido com os detalhes exatos que a deusa havia falado. Mas, por um momento de distração a mesma tropeçou, caindo no chão de madeira e fazendo um estrondo relativamente alto, segundos mais tarde ouviu gritinhos finos de reclamação e xingamentos inaudíveis. Bufou se levantando e batendo na roupa para tirar o pó, olhando para baixo. — Espera… o QUE? — Lauren proferiu confusa, Pandora ainda estava na entrada do armário procurando detalhadamente quando correu até Lauren com uma luz em mãos e seu queixo caiu observando as ninfas.

Ao agachar-se no nível das ninfas e arregalar os olhos, imaginou que cairia para trás… mas não foi exatamente o que aconteceu. A prole de Ares ficou estática as olhando enquanto ao fundo ouvia Pandora falar algo e as ninfas murmurem coisas sem sentido. Na verdade, elas mão conseguiam falar algo por conta da boca “amarrada”. O que aconteceu a seguir foi: Lauren e Pandora ajudaram as ninfas a sair do armário e minutos mais tarde, Lauren voltou com o vestido em mãos jogando-o em cima da deusa. — Posso saber o que tá acontecendo aqui? — A semideusa questionou com uma expressão séria enquanto soltava as ninfas e as via gemendo pelo pouco de dor dos membros amarrados. — Elas foram fazer o mesmo que vocês e tiveram a má sorte que eu me irritei com a minha unha. — Afrodite falou com um sorrisinho irônico enquanto analisava as unhas que estavam próximas ao seu rosto. Lauren bufou e riu sem graça tombando a cabeça para trás, olhando para Pandora pelo canto dos olhos. Notou uma presença se aproximar de si e retomou a postura. — Eu precisava culpar alguém, sabe? — Silabou ao final com um sorriso travesso, se afastando e indo em direção ao armário, fechando-o.

A prole de Ares fechou o punho e sentiu um toque macio na mão logo depois, era Pandora a tocando para acalmá-la. Agradeceu com um sorriso sem mostrar os dentes e fechou os olhos, respirando fundo. — Tudo bem, agora que já achamos seu vestido, vamos levar as ninfas e dar o fora daqui. Manda um beijo pro meu paizinho, sogrinha. — Sorriu irônica e puxou Pandora pela mão, maneando com a cabeça para as ninfas a seguirem. — Cuidados com as palavras, Lauren. — Afrodite disse antes das garotas fecharem a grande porta de madeira atrás de si.

— Não acredito que isso não se passava apenas de um desleixo e vaidade daquela deusa... perdi meu dia de treino por conta de um vestido. E Ninfas. — Disse irritada enquanto sentia a mão de Pandora bagunçar seus cabelos, ao mesmo tempo que tentava acalmar Lauren, Pandora não conseguia parar de rir jogando a cabeça para trás e colocando a mão livre na barriga.

Mais uma vez a mesma coisa. Uma luz tomou a visão de Lauren e segundos depois estavam no Acampamento. A prole de Ares bufou levemente irritada, arrumou a camiseta do treino que vestia encarando Pandora que a olhava com um sorriso divertido no rosto e prendia o riso. Balançou a cabeça em negativo e gargalhou jogando a cabeça para trás, começando a caminhar em direção ao refeitório.

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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Hela A. Deverich em Ter Jan 17, 2017 7:45 pm


Afrodite
 ♦ listening lost on you with xxx♦ words: 1022 ♦


O bilhete louco fedendo a rosas vermelhas e perfume estrangeiro brotou na frente da garota, caindo com um ruído seco. Hela o pegou. Olhou para o mesmo, lendo e relendo várias vezes.

Bem, ela já estava ali mesmo, não é?

Caminhou até a porta do quarto da divindade, parou ali hesitante. Alguém realmente estava histérica, afinal, ela podia sentir o odor de rosas até mesmo ali. A porta abriu e, do nada, Hela se viu dentro de um quarto extremamente luxuoso e glamouroso com uma deusa tipicamente como as que eram esculpidas agindo de forma histérica. - Certo... certo. A senhora me chamou até aqui porque disse que algo horrível aconteceu. O que houve?

- Eu não consigo encontrar a minha caixinha de joias! - Hela piscou algumas vezes, aturdida. - Sua... caixinha de joias? - coçou a nuca levemente, a testa franzida. Ela quase perguntou se aquilo era sério, mas sabia que precisaria tomar cuidado com a própria língua.

- A senhora pode me dizer onde a viu por último? - murmurou, ainda sem saber muito bem o que fazer. - E me dizer como ela é.

Certo. O que Afrodite descreveu a seguir era mais um tipo de arca, onde você costuma enfiar coisas bem maiores do que joias ao invés de um "caixinha".

Bem, Hela estava com uma deusa irritada ao ponto de exalar cheiro de rosas que estavam lhe embrulhando o estômago e que já havia dado o sumiço em duas ninfas que haviam estado ali numa tentativa de lhe ajudar. A filha de Hécate se questionava o porque de a deusa ainda não ter lhe feito nada. Talvez porque, havia uma mínima chance, de Afrodite receber uma surpresa nada agradável da deusa tríplice depois.

Continuava a procurar por ali, chegou até o ponto de abaixar e olhar debaixo da enorme cama, quando ouviu duas vozes baixas por ali. Encontrou um batom e um estojo de pó compacto falante. - Hm...? Lady Afrodite? - perguntou calmamente, ainda receosa pelo fato de que a deusa andava de um lado para o outro aos berros. - A senhora... são as ninfas? - perguntou, seguindo a fala de um pigarro.

- Ah, sim, sim. Eu quero as minhas joias! - a deusa esbravejou a plenos pulmões. - Bem, se a senhora puder transforma-las em ninfas de novo... creio que três são mais rápidas que uma. - o tom da necromante era cauteloso.

Por um momento Hela de viu sendo transformada em um vidro de perfume importado, mas não foi o que aconteceu. O batom e o pó deram lugar para duas ninfas muito bonitas. - Onde vocês não procuraram? - a garota perguntou, a irritação da deusa era quase palpável.

- No closet. - sussurrou uma das ninfas. Oh, deuses. Hela não queria pedir para ter que mexer no closet de Afrodite. Ainda sim... - Milady? - a deusa a olhou com o belo rosto já distorcido pela histeria. - Nós podemos procurar nos seu closet? - o tom tranquilo tentava passar a mesma sensação para a deusa e para as ninfas que tremiam.

Hela mal ousava respirar enquanto esperava a reação da divindade. Não demorou muito para, a contragosto, a deusa concordar e, à uma velocidade impressionante, as três jovens começaram a procurar por todo o closet.

Foi quando estavam na sessão dos vestidos que uma das ninfas tropeçou em um baú de tamanho razoável. Parecia bater com a descrição que Afrodite havia lhe dado e, quando Hela tentou ergue-lo sozinha, descobriu que ele era pesado demais.

Bufou e, com a ajuda das ninfas e várias paradas estratégicas, ela estava de volta ao quarto da deusa que, agora, penteava o cabelo repetidamente, como se aquilo fosse acalma-la. Deu um leve pigarro, olhando ao redor sem saber muito como chamar a atenção da mesma.

- O que houve? - perguntou a beldade, batendo com a escova na luxuosa penteadeira. - Bem... eu não sei se era essa a sua "caixinha" de joias. Mas eu supus que sim. - a garota apontou para o baú de madeira vermelha com entalhes de rosas e pedras preciosas.

Com uma expressão surpresa a deusa se levantou, empurrando Hela para o lado para abrir o baú. - Você tocou em algo? - a deusa olhou-a depois de parecer conferir cada uma das joias que, Hela admitia, eram belíssimas. Mas não era algo que a garota tivesse necessidade de se ver usando. - Não, senhora. - a resposta foi formal.

- Ah, criança. Não precisa ser tão formal! - a deusa colocou um dos grandes colares, passando as pontas dos dedos de forma luxuriosa pelas pedras e o metal que, Hela poderia jurar, era ouro branco. Deuses, como aquela mulher era insana.

- Era apenas isso que a senhora necessitava? - a menina perguntou, já se afastando com a postura rígida. - Sim! O que posso fazer para lhe agradecer pela ajuda? - aquela pergunta pegara Hela de surpresa.

Havia negado agradecimentos de Apolo e Hermes. Mas Afrodite conseguira deixa-la abismada com tamanha futilidade. - Por hora, não há nada. Digamos que... está me devendo uma. - um sorriso que ficava entre a malícia e o sadismo brotou nos lábios da necromante assim que ela terminou a fala.

Afrodite pareceu não entender. Levemente confusa.

A garota soprou um beijo para a deusa, de maneira carinhosa - por incrível que pareça - e saiu do ambiente que já não fedia mais tanto assim.

Ainda sim, ela deu um suspiro aliviado ao respirar o ar puro de um local externo ao cômodo. Sentou-se um pouco, no chão mesmo, mexendo-se de um lado para o outro em uma tentativa de se "alongar" antes de ir embora.

A tentativa, assim como a oportunidade de ir embora, foi frustada quando uma grande figura surgiu em sua frente. Ela estava fora do Acampamento havia quase um dia. Quase um dia inteiro. Quem, em nome de Zeus, iria impedi-la de voltar para o Acampamento e tomar um merecido banho dessa vez?

A resposta veio rápido assim que, com os olhos semicerrados, ela olhou para cima e viu a grande figura do senhor das forjas.



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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Alexis C. Chwe em Qui Jan 26, 2017 1:47 pm


A goddess ultimate bad hair day — ☀
SOLO + AFRODITE & LILY, A NINFA (NPCS). - WHERE: AFRODITE'S ROOM

Definitivamente Alexis estava cansada. De verdade, ela estava exausta de uma semana atarefada após alguns acontecimentos que deixaram a menina, normalmente sorridente, bem abalada. Deitou em sua cama, cobriu o corpo todo e relaxou, entrando em sono tão profundo que agradeceu por não ter sonhos naquela noite. Ultimamente a cada sonho que tinha Lexi se metia em situações cansativas e completamente incomodas para si.
Tudo teria sido perfeito, caso pela manhã não tivesse sido acordada por barulho de seus irmãos, mas sim por uma ninfa escandalosa que mexia em suas cobertas e a puxando com urgência.

“Ande, ande! Temos que ir logo! Ande!” a ninfa chamava enquanto confusa Lexi esfregava os olhos e tentava colocar as ideias no lugar.

A semideusa puxou seu corpo novamente para a cama, resmungando alto e levando a coberta novamente para o rosto. Detestava quando a acordavam, detestava quando a apressavam e detestava ainda mais quando essas duas coisas ocorriam ao mesmo tempo. Quem raios aquela ninfa pensava que era? Se tinha algo que fazia Alexis Carter Chwe sair do sério era o que estava acontecendo naquele momento.
“Yah! Neo Micheoseo?” a menina gritou, batendo as mãos no colo ao erguer o corpo e sentar-se abruptamente na cama para fitar a ninfa que, assustada, deu alguns passos para atrás e pareceu se acalmar. “Quem raios é você e por que está me tirando da cama assim?”

“Senhorita, eu preciso da sua ajuda! É urgente, por favor!”

“Eu perguntei quem é você! Aish... Você enlouqueceu? O que eu faria pra ajudar uma ninfa? Eu estou exausta, me deixa em paz!” e de novo a menina deitou-se, cobrindo até o último fio de cabelo com a coberta e se encolhendo ali.
O problema era que por mais que estivesse mal-humorada, ainda assim, Alexis se importava demais com os outros para ignorar o verdadeiro desespero que a pobre ninfa demonstrava. Era uma péssima oportunidade para se meter em problemas, mas não conseguia imaginar que ela pedia com tanto desespero e Lex a ignorava. Com um suspiro profundo ela retirou o tecido da face, revelando apenas os olhos que logo capturaram a presença da pobre ninfa, encolhida em um canto e com os olhos suplicando por ajuda.

“Ta... Onde temos que ir?”


-x-x-x-


Estava tudo certo até ela ser levada para o lugar onde – aparentemente – teria que ajudar. O problema é que se encontrava no Olimpo, em frente a gigantesca porta do quarto de sua avó e com uma expressão totalmente confusa.

“Por que me trouxe aqui?” ela sussurrava exasperada para ninfa que se apresentou como Lily.

“A-As outras ninfas disseram que lady Afrodite tinha um grande apreço por sua mãe...”

“E por que não buscou minha mãe? Ela ainda está viva, sabia?!”

“M-Meu acesso é mais fácil ao acampamento” Lily murmurou muxoxa, encolhendo-se conforme falava. Lex sem nem perceber tinha um tanto da aura dos descendentes de Afrodite, algo que intimidava as pessoas normalmente, mas nesse caso remetia a pobre ninfa à sua senhora que estava quase enlouquecida. “Me desculpe, senhorita... Vo-Você foi minha última esperança, duas amigas minhas já desapareceram aí dentro...”

Os olhos de Alexis se arregalaram um pouco, fazendo-os ficarem um pouquinho redondos com a surpresa. Com as mãos erguidas ela elevou a voz e percebeu logo em seguida ter sido seu pior erro.
“E VOCÊ QUER QUE EU SUMA?”

Assim que terminou de falar não teve nem tempo de se arrepender. A grande porta se abriu e Afrodite – que antes estava surtando demais para perceber que sua neta chegara – a puxou para dentro de súbito, fazendo com que a semideusa mal visse o que havia a levado para dentro dali.
A decoração a deixou totalmente maravilhada, era tudo lindo. Detalhes, móveis, o imenso closet aberto que dava visão a uma imensidão de roupas maravilhosas e... Bem, tudo estava lindo, menos o cabelo da deusa a sua frente que, pela expressão, estava explodindo em irritação.

“O que houve com o seu-”

“Não ouse perguntar” a deusa sentenciou fulminante, apoiando ambas as mãos no cabelo e bufando enquanto andava de um lado para o outro.

Lex definitivamente não fazia ideia que a deusa da beleza era capaz de ter um “bad hair day”. Na verdade, de tudo que aprendeu na vida, sempre teve a conclusão de que aquele dia terrível na vida das mulheres era causado porque em algum momento elas deixaram Afrodite brava e como punição elas tinham o pior dia de suas vidas com a aparência do cabelo no pior nível possível.
Não precisava muito para a menina descobrir o porquê fora chamada ali e deduzir o motivo das ninfas terem desaparecido. O humor de sua avó estava muito mais que instável e tudo o que ela precisava era que sua aparência voltasse ao de sempre. Só não entendia por que ela não conseguia fazer aquilo sozinha, afinal a beleza era seu domínio. Pensando um pouquinho enquanto se aproximava da olimpiana Lexis pôde ligar alguns pontos, fazendo um “ah” com a boca sem emitir som algum.
Afrodite sentou-se em sua grande cama, enterrando a face nas mãos e suspirando pesadamente enquanto sua neta dava passos hesitantes em sua direção, parando ao seu lado e a observando antes de perguntar em um tom doce e baixo.

“Quem ousou fazer isso, lady Afrodite?

A deusa gemeu de desgosto, olhando para a menor com os olhos lacrimejando e a maquiagem borrada pelo choro. Ao que indicava a maldição que rogaram nela fora contra sua aparência.

“Hera! Aquela vaca!”

Os olhos de Alexis se arregalaram com medo que a senhora do Olimpo ouvisse aquilo e acabasse sobrando para si, mas ao olhar em volta percebeu que nada havia mudado além do fato de Afrodite colocar-se em pé e desandar a falar.

“Literalmente uma vaca! Aquela maldita me amaldiçoou porque eu não levei a sério seu desafio. Eu disse para ela que se aqueles animais imundos que a representam voltassem a aparecer em meus momentos no mundo mortal eu os faria sumirem! E o que ela fez? Pediu ajuda e fez uma maldição contra minha beleza, aquela invejosa! Só porque eu fiz um lindo leque com as penas daquele maldito pavão!”

E não parou. Afrodite reclamou por muito tempo, enquanto Alexis apenas assentia e tentava não rir em alguns momentos que a deusa se referia a Hera daquela forma. Ela parecia realmente irritada, ora como estava irritada. E não era para menos. Quando a criatura divina terminou seu discurso – que por sinal foi aos berros – e seu longo desabafo, sua neta apenas assentiu analisando a situação e ousou perguntar mais sobre o ocorrido no mesmo tom de antes.
“E as ninfas?”

“Oh? Aquelas inúteis?” Afrodite questionou surpresa com o interesse da menina, sentando-se novamente na cama e batendo a mão no colchão imenso, como se chamasse Alexis para se aproximar. “Uma delas era uma tapada que me disse que eu estava horrorosa mesmo após todo o meu esforço! A outra... A outra imbecil riu do meu cabelo assim que entrou! Pode uma coisa dessas?”

“Mas que absurdo!” Lex exclamou, sentando-se onde a deusa indicara e assentindo para concordar com tudo o que ela dizia. “Como puderam ousar?!”

“EU SEI!!!”

Com um sorriso gentil a semideusa assentiu novamente, observando o estado da aparência da deusa e resolvendo fazer o questionamento principal.

“E em que eu posso ajuda-la, lady Afrodite?”

“Ah, tão compreensiva! Você realmente tem um pouco de mim, é tão linda e eficiente!” a deusa murmurou, gesticulando e apoiando as mãos no rosto novamente, como se lembrasse de seu estado. “Lily, a única ninfa que não foi uma inútil, me disse que os mortais costumam resolver questões de aparência sem magia ou nada... Como eu. Nada magnifico e essas coisas. A maldita Hera me deixou com essa maldição que me impede de fazer algo para resolver minha aparência enquanto eu estiver me achando horrível, só posso fazer algo quando me sentir linda novamente. E bem, sos mortais que me lembro sua mãe seria a única filha que eu permitiria me ver nesse estado, cruzes, eu não quero que mais nenhum ser me veja assim! Além de você, docinho, que vai me ajudar a consertar isso tudo, hm?”

Se a menina não estivesse expressando a surpresa que sentiu em sua face, com certeza estaria expressando ao verbalizar sua confusão.

“Mwo?”

“É simples! Você faz essa... Coisa de mortal. E eu me lembro disso pra te recompensar qualquer hora. Ou não, já que você é minha neta e pode fazer isso como uma grande oferenda a sua amada avó. Lily providenciou tudo o que os mortais chamam de necessário, aquela coisa, a maquiagem. Está tudo ali em cima da minha penteadeira, você pode lidar com cada detalhe que precisar.” dito isso a deusa se levantou, indo até o móvel e apontando para a diversidade de kits de maquiagem e cabelo que se encontravam ali. Sentou-se, evitando olhar pro espelho e resmungando como tudo estava um horror com essa maldição e, logo, olhando para Alexis como se a intimasse para se aproximar e fazer algo por si.

Naquele momento a pequena agradecia mentalmente por cada resquício de vaidade de sua mãe em todos os dias de vida, porque apesar de não serem fãs de maquiagem tanto Charlotte quanto Alexis aprenderam o suficiente para ajudarem amigas em dias de aparência ruim. A semideusa se aproximou do local em que Afrodite se encontrara e deu início ao seu trabalho, rezando mentalmente para que ela ficasse satisfeita com o resultado do que faria.
Lex desembaraçou o cabelo da deusa, fazendo o possível para que ela não resmungasse perguntando “o que é essa sensação horrível que você tem me causado ao tocar nos meus belos cabelos?” a cada puxão que a escova dava, suspirando aliviada ao ver os longos cabelos de Afrodite já arrumados. Não como antes em uma perfeição absoluta, mas arrumados de forma simples e não mais espetados como uma vassoura. A ideia que tinha para resolver a bagunça de um cabelo danificado era não abusar demais, até porque não sabia fazer nada magnifico que não fosse mais demorado. Tinha receio de usar tempo demais e irritar a deusa ou errar algo por não ser profissional, então apenas se empenhou em fazer uma trança embutida, enfeitando o cabelo da deusa com algumas pequenas flores e detalhes que a ninfa Lily trazia para si.
Para a maquiagem ela limpou toda a bela face, murmurando um “Uau” ao ver que a beleza de Afrodite, mesmo em sua forma mortal ali na sua frente após um dia de aparência ruim ainda era de tirar o fôlego. A menina usou poucas coisas, a face realmente não precisava de muito mais do que usava em si mesma para arrumar a deusa de forma apresentável. Após terminar, a Chwe respirou fundo, afastando-se três passos antes de avisar que havia terminado tudo, apenas por precaução.

“Pronto...” murmurou baixinho, mexendo nos dedos e fitando os pés esperando que, ao menos, saísse dali viva. Demorou um tempo para que ouvisse algum som dali e, curiosa, acabou erguendo o olhar e se deparando com Afrodite sorridente analisando seu reflexo.

“Se eu saísse do Olimpo agora para ver os mortais, seria a mortal mais sutilmente bela existente aos olhos deles! Você conseguiu colocar o que eles chamam de beleza mortal em mim, estou satisfeita! Me sinto realmente linda, pena que não vou usar esse seu esforço por muito tempo, ah.” e com um estalo de dedos logo ela estava novamente deslumbrante, daquele jeito que só Afrodite tem. “Obrigada, criança.”

Alexis assentiu, um pouco sem jeito pelo agradecimento em junção com a presença tão imponente da deusa. Assim que viu o olhar da olimpiana a alcançando, se curvou em respeito e voltou a postura ao normal, mas sem fita-la diretamente. A deusa sorriu e chamou Lily, logo dando algumas ordens para a ninfa e dizendo onde havia confinado as outras duas que ficaram de castigo por esse período. Lexi olhou para aquele ser diretamente e com um sorriso e aceno de mãos Afrodite a enviou de volta para o acampamento meio-sangue sã e salva, para alívio da garota.








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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Simon Montgomery em Qui Jan 26, 2017 4:52 pm

The First of Many

Minha chegada ao quarto de Vênus fora rápida, não tive nenhum empecilho desde que sai do Acampamento Júpiter. Estava de frente a porta de madeira da deusa, ergui minha mão cerrando meu punho, quando eu estava quase encostando na porta, a deusa me puxou pelo braço para dentro de seu quarto, quase me fazendo cair.
Logo ao me adentrar no local, pude ver o monte olimpo por uma parede de vidro enquanto passava o olho rapidamente pelo quarto. Também pude ver um espelho enorme em outra parede que mostrava todo o quarto, incluindo duas estátuas de pedra bem realística.
- AAAAAH! - O grito choroso da deusa rompeu o silêncio da sala. - Eu sou uma deusa, isso não pode... - Ela não completou e tornou a chorar. - Eu era uma deusa... Minha vida está arruinada. - Ela falava alto, como se eu não pudesse a escutar.
Quando ela parou de falar, voltei meus olhos ao seu rosto para que nossos olhares de encontrassem, mas percebi que isso não iria acontecer, seus cabelos estavam cobertas por uma echarpe negra, seus olhos cobertos pelo mais escuro dos óculos e o vestido que usava, combinava inexplicavelmente com a echarpe. Seu rosto deveria ter um quilo de maquiagem, mas mesmo assim permanecia bela.
- Pare, você ainda está deslumbrante. - A deusa virou-se de costa para mim e, pelo espelho, pude ver que ela colocou a mão em seu rosto, uma cena digna de Shakespeare, a parte de trás de sua cabeça, estava menos coberta, consequentemente com o tecido mais transparente, isso possibilitou que eu observasse que não era mais um cabelo, ou pelo menos, não era apenas cabelo.
"Algumas mexas dela estão com uma textura escamosa, deve ser isso que a esta deixando frustrada, vou marcar uma hora no salão pra ela..." - Pensei, antes de ver uma das mechas se mexer. - "Não, espere, isso não me parece cabelo..." - Meu pensamento foi interrompido por um forte chiado, vindo de onde deveria ser o cabelo da deusa. Novamente minha atenção voltou-se ao choro da deusa, foi então que ela falou:
- Essas coisas... Não existe produto que arrume meu cabelo agora. - Ela voltou a virar-se para mim, com fortes lágrimas escorrendo de seus olhos. - Você tem que conseguir uma maneira de me consertar. - Nesse momento eu pude perceber do que ela falava. As estátuas, a vestimenta... batia com a história das górgonas, ela tinha sido pega pela mesmo maldição.
- O que aconteceu com você Vênus? Como isso aconteceu? - Perguntei desesperado, tentando pensar em uma maneira de reverter aquela situação.
- Eu precisava de um novo perfume, o meu acabou, então eu sem querer entrei no quarto da Minerva, e magicamente aquele lindo frasco, com um cheiro maravilhoso espirrou em meu rosto pra eu poder ir na cidade e comprar um novo. - A imposturia era nítida na voz da deusa.
- Então é isso? Um perfume te fez ficar parecido com as górgonas? - A deusa parou por um momento para respirar, e eu percebi que tinha cometido um erro. - Digo, eu vou encontrar uma maneira de concertar isso, só preciso arrumar uma maneira de criar um antídoto... - Cocei meu queixo pensando. - Ja sei! Me espere aqui, não deixe ninguém te ver assim até eu chegar, não devo demorar.
Saí do quarto da deusa, e andei tranquilamente pelo olimpo, até a entrada, esperando que eu encontrasse com algum dos Deuses que sabiam que fui chamado. Chegando na entrada, pude ver que Júpiter e Juno conversavam ao longe, então segui em direção da biblioteca. A entrada da biblioteca era cercado por dois pilares quadriláteros grandes e grossas.
Cuidadosamente observei dentro da biblioteca, encontrando Minerva que terminava seu livro. Não sabia se eu deveria ou não estar ali, mas eu não tinha escolha. Me escondi atrás de um dos pilares que estendia uma grande e escura sombra devido iluminação, devia ser o suficiente para me esconder, coloquei meu capuz e me mesclei com as sombras esperando Minerva sair.
Febo, Marte, Diana, Netuno, Mercúrio e Baco, não costumavam ficar no Olimpo, então não tinha que me preocupar com eles, Vulcano deveria estar trabalhando em algum novo projeto, Ceres e Minerva seriam os maiores problemas nesse momento.
Poucos minutos depois de eu ter me escondido, Minerva saiu da biblioteca, rapidamente me esgueirei para dentro da biblioteca. A biblioteca tinham diversos livros, desde o chão, até o teto. Duas escadas de diferentes tamanhos estavam em diferentes lugares na sala, no centro da sala havia apenas uma mesa com vários livros abertos.
Comecei a procurar algum feitiço ou algo que pudesse reverter a situação de Vênus e encontrei apenas um livro, de capa dourada, com o título "Itens do inventário" me deu a resposta que eu precisava.
"Nome: Reset History
Descrição: Um item com capacidade de restaurar qualquer coisa ao estado que estava na hora determinada, desde que seja em menos de 24 horas.
Como usar: Regule o relógio até a data e hora que quer restaurar o objeto ou ser, aperte o botão vermelho e espere até que o botão vermelho brilhe.
Localização: Sobre a mesa da biblioteca sagrada."
Guardei o livro no local certo pensando o que poderia ser esse item. Em cima da mesa haviam apenas livros e mais livros abertos, fechei alguns dos livros e fui criando uma pilha de livros em cima da mesa de madeira. As pilhas foram divididas pois eram livros demais para se manter em apenas uma.
Após alguns minutos organizando em ordem alfabética os mais variados livros, cheguei a uma pequena caixinha de vidro. Ela possuía arestas feitas de ouro e protegia um mini suporte de colar, com um relógio de ponteiros externos de bronze e um pequeno botão vermelho.
Retirei a proteção de vidro e peguei o colar com cuidado, não havia nenhuma magia de proteção ou coisa parecida no objeto, o que facilitou significativamente meu trabalho. Coloquei o relógio no bolso de minha calça jeans e segui até o quarto de Vênus novamente.
Ao passar pela porta de madeira, vi que Vênus não estava mais chorando, apenas estava sentada em sua cama, encostada na parede abraçando seu joelhos, parecia me ignorar enquanto olhava para a parede de vidro.
- Eu consegui o que vai te consertar. - Disse me aproximando da cama enquanto Vênus olhou em minha direção. - Eu peguei o relógio na biblioteca sagrada, mas preciso saber qual horário que você se transformou.
- Mas como... - Suas sobrancelhas arquearam demonstrando surpresa, embora não tenha ido além com a conversa. - Foi pouco depois das 8:00... Deve funcionar, obrigada. - Ela pegou o colar e colocou no pescoço, configurou o relógio no horário ás 08:00 e apertou o botão vermelho.
- Desculpe-me, mas eu tenho que perguntar. - Respirei fundo e continuei. - Por que eu? Por que você não chamou um campista mais experiente, ou até mesmo um dos seus filhos pra te ajudar? - O botão do colar ficou vermelho enquanto ela me encarava.
- Porque se fosse algum outro campista, eu não poderia fazer isso: - Disse ela me entregando o colar. - Sua atividade é nunca mencionar os acontecimentos daqui para ninguém, a partir do momento em que sair desse quarto. Eu sou sua superior, certo? - Eu havia feito uma promessa, quando eu entrei para a Coorte II, que não poderia ser quebrada, eu prometi cumprir as atividades designadas a mim pelos meus superiores, então isso deveria ser um segredo que eu levaria para meu tumulo.
- Então assim que eu sair deste quarto, não contarei para ninguém se assim deseja... mas tenho algo a fazer ainda aqui dentro. - Me levantei da cama, enquanto ela me encarava confusa. Coloquei o colar em uma das estátuas de pedra e girei o ponteiro para ás 08:00, fazendo com que a jovem ninfa voltasse a ser normal. - Como eu suspeitava.
A Ninfa ainda estava muito atordoada para processar o que aconteceu hoje, e eu aproveitei esse tempo para repetir o processo com a outra estátua, assim que a segunda Ninfa foi libertada, meu semblante de feliz e inocente mudou, se tornando um pouco mais sombrio.
- Vocês não podem contar para ninguém o que viram aqui. - Eu disse pausadamente segurando um ombro de cada uma das ninfas. - Vocês tem que prometer pelo Rio Estige. - Encarei as garotas, que com o olhar assustado responderam.
- Nós prometemos pelo Rio Estige que nunca falaremos sobre os ocorridos de hoje. - As duas ninfas saíram da sala junto comigo. No momento em que ia fechar a porta, acenei com a cabeça para Vênus, que me respondeu acenando.

Sometimes, we need change our history.
Credits: Panda



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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Evie Farrier em Sex Jan 27, 2017 1:33 am

God May Cry
Quando deusas choram
Sentimentos são, como uma canção... de rock'n'roll




Faltavam poucos dias para a virada de ano e o Acampamento Júpiter encontrava-se agitado. O natal havia passado saudoso para a maioria dos campistas, já que era inverno e aqueles que residiam na segurança do lugar eram os semideuses que não tinham condições ou lugar para retornar quando o verão acabava.

Meus planos eram os de apenas tratar aqueles dias como qualquer outro período do ano, um dia normal de treinos e obrigações como centuriã. Porém, faltando apenas três dias para a virada de ano, aquele dia poderia se considerar tudo, menos normal. Meus olhos tinham o vislumbre do glorioso Empire States, meu corpo travado por meros minutos enquanto minha mente processava o motivo que me trazia até o outro lado do país.

Um chamado de Afrodite. A versão grega da deusa do amor e beleza. Tentar recusar um pedido de socorro entregue em um bilhete com cheiro de rosas vermelhas era praticamente impossível, assim como lutar contra a curiosidade do que se tratava toda aquela situação um tanto quanto inusitada. Ajeitei minha postura e adentrei o prédio movimento e, ao chegar no elevador, antes que o segurança reclamasse que não existia o andar divino, puxei a manga de minha jaqueta para exibir a tatuagem romana que existia em meu antebraço.

O Monte Olimpo era, talvez, o ápice de toda a loucura que eu já havia visto em minha vida. Uma realidade alternativa, uma dimensão a parte da própria Terra. A grande morada dos deuses olimpianos e outras criaturas. Não era a toa que o brilho de curiosidade estava mesclado ao de encantamento, pois a cada passo que eu dava era como se estivesse explorando um mundo inteiramente novo. Havia criaturas belas caminhando de um lado para o outro, algumas aladas, outras etéreas. Várias ninfas. E por falar em ninfas...

-Você é a romana?!

O pulo que eu dei para trás foi em um genuíno susto. De repente, havia-se formado a minha frente uma garota que flutuava, a pele branca acinzentada. Minha mente demorou a processar que ali surgia uma ninfa do tipo Aura, uma ninfa das brisas.

-Sou...? – meio que havia indagado, meio que havia afirmado, a confusão era evidente em meu olhar.

-Graças aos deuses! – ela exclamou em um visível alívio – Venha comigo!

Os dedos finos firmaram-se ao redor de meu pulso e, mesmo que ela aparentemente tivesse uma estrutura magra, foi com bastante força que a ninfa puxou meu corpo. Obrigada a acompanha-la, resmunguei e ajustei meus passos largos para não acabar tropeçando com a velocidade em que a ninfa do ar guiava-me em meio ao olimpo.
A área dos templos era majestosa. A arquitetura era indescritivelmente perfeita e, havia rumores, de que uma filha de Minerva - ou melhor, Athena - tinha ajudando a reconstruir algumas partes destruídas durante a batalha contra os titãs. No entanto, não houve muito tempo para admirar o ambiente, a ninfa estava praticamente me sequestrando ao puxar-me com apenas explicações vazias de que aquilo era urgente e que outras ninfas corriam risco de vida.

-Ela está trancada por dias! Minhas amigas tentaram tirá-la de lá e nunca mais saíram! – a ninfa parou de frente a uma porta de madeira rosada – Você tem de fazer alguma coisa!

-Fazer o que exatamente? – perguntei um pouco irritada com a falta de informações consistentes.

-Fazer o que heróis fazem! Salvam o dia!

Dito isto, ela apenas empurrou-me pelos ombros. Meu corpo chocou-se com a porta de madeira rosada, tropeçando alguns passos à frente. Virei com xingamentos na ponta da língua, mas tudo o que eu vi foi a porta fechando com força. Respirei fundo e senti aquela mesma fragrância de rosas advinda do bilhete de socorro. Meus olhos azuis começaram a vagar ao redor captando o ambiente ao qual eu fui, literalmente, jogada. Era como um quarto de princesa moderno e antigo ao mesmo tempo. Havia uma grande varanda por onde passava uma brisa suave, balançando as cortinas brancas e quase transparentes. Uma enorme cama dossel no centro em tons frios de rosa e branco. Havia borboletas flutuando, alguns pássaros repousando livremente pelo quarto.

Mas a figura desolada sobre o colchão definitivamente atraiu minha atenção por quase um minuto completo. E ainda assim não foi o suficiente para acreditar no que estava presenciando. A mulher estava em meio a várias almofadas, o cabelo loiro em um penteado trançado era divinamente perfeito. O vestido grego era branco com detalhes rosados, os pés descalços. Ela chorava abraçada a uma almofada. Uma deusa estava chorando e, não qualquer uma, era a própria deusa do amor e beleza.

-Ahn... – pigarreei tentando chamar a atenção.

-Você chegou! – ela levantou o corpo de supetão, enxugando rapidamente as lágrimas e parecendo ajeitar o cabelo já perfeito – Se aproxime!

Mesmo desconfiada, aproximei-me a passos lentos. Afrodite arrastou o corpo pela cama e aquilo era naturalmente encantador. Até mesmo a forma com que ela sentou na beirada da enorme cama e cruzou as pernas, seus ombros caídos demonstrando certa fragilidade.

-Me disseram que era urgente... – disse um pouco sem jeito – Mas ninguém me disse o que aconteceu de fato então... O que há?

A deusa finalmente me encarou diretamente. Meu coração pareceu desfalecer dentro de minha caixa torácica. Procurar os adjetivos referentes a beleza parecia inútil, pois nada de fato iria encaixar-se na descrição da deusa a minha frente. Até mesmo porque pequenos detalhes estavam sempre mudando. A tonalidade de seus olhos, pequenas formas de seu rosto e até mesmo a cor de seu cabelo mudava gradativamente.

-Ele... Ele me rejeitou! – Afrodite disse com dificuldade, soluçando ao final.

-O que? – repeti confusa, temendo ter processado a informação de maneira errônea – Alguém rejeitou você?

-Sim! – Afrodite puxou uma almofada para abraçar fortemente contra seu peito – E-ele não quis ficar comigo!

Eu franzi o cenho questionando-me quem recusaria a companhia de uma deusa do amor e, no fundo, o achava corajoso por conseguir dizer não a uma entidade divina. Afrodite jogou-se contra o colchão e, dramaticamente, colocou a costa da mão sobre a testa.

-Ele tem outra pessoa, eu sei que sim! – ela começou a lamentar-se – Como ele pode trocar-me por outro alguém? Eu já tenho de dividi-lo com aquela deusa bipolar!

-Senhora... – chamei cruzando os braços – Poderia ser um pouco mais clara? Qual a urgência em...

-Adônis me rejeitou! – ela vociferou voltando a sentar-se de supetão, seu rosto vermelho e os olhos raivosos – Aquele grego ousou dizer que preferia passar seus quatro meses livres... bem, livre!

Ao menos o rapaz já havia sido nomeado. Adônis. Por que o nome me era familiar? Agitada pela rompente furiosa, Afrodite levantou da cama e passou por mim, passando a andar de um lado para o outro pelo seu quarto no templo.

-Quem é Adônis? – ousei questionar.

-Oh pelo meu divino! – Afrodite colocou as mãos na cintura – Como você não sabe quem é Adônis? Ele é simplesmente um dos rapazes mais viçosos e lindos que já viveu na Terra! Eu o amo por milênios e fui a primeira a nota-lo. Mas Ares ficou ciumento, você sabe como é o ciúme do deus da guerra?

-Não---

-Sim! É insano quando provocado! Ele matou meu Adônis e desde que ele foi para o submundo aquela infeliz também criou afeição por ele. Fizemos um acordo, ele passaria seis meses comigo e os outros seis com ele. Mas claro que isso nunca seria suficiente, eu o amo! Você sabe o quanto é intenso a forma que eu amo, pequena semideusa?

-Nã---

-Exatamente! É demais! – ela me interrompeu mais uma vez, fazendo-me revirar os olhos e suspirar com aquele monólogo – Então brigamos mais uma vez, Perséfone sempre sentiu inveja de mim e queria o que era meu. Então o todo poderoso para evitar que eu a vencesse, criou essa regra estúpida. Adônis passaria quatro meses comigo, quatro com ela e quatro livremente. Mas ele sempre passou os quatro meses livres em minha companhia!

-E agora ele escolheu não passar com você – deduzi finalmente o que tinha acontecido.

-Sim! – ela me olhou como se eu tivesse feito uma grande descoberta – Eu sabia que você entenderia, Evie Farrier! Ele escolheu ficar livre nesses quatro meses e pediu para que eu não o procurasse.

-Ele explicou o porquê? – questionei mais por curiosidade.

-Apenas disse que teria mais quatro meses comigo depois, queria um pouco de espaço! Como ele pode ser tão cruel? O que eu fiz para ele? Diga-me, romana!

Franzi o cenho enquanto minha mente processava toda a angustia dos deuses. Romanos mais velhos, ex-legionários, sempre diziam que os deuses podiam ser onipotentes, mas sempre eram reféns de suas emoções. Por isso havia as guerras e os romances, por isso cada deus era tão diferente um dos outros. Afrodite parecia apavorada com a ideia de ter sido rejeitada pelo seu eterno amante, desolada por ter recebido um não. Olhei ao redor buscando algum modo de responder a deusa.

-O que aconteceu com as ninfas? – perguntei de repente, lembrando-me da informação dada mais cedo.

-Elas se atreveram a pensar que poderiam aproveitar e ir atrás do meu Adônis! – Afrodite abriu um sorriso vingativo – Então as transformei em flores.

Ela apontou para dois jarros de flores na lateral próxima da cama. Eu engoli em seco, percebendo o real perigo ali: se eu dissesse algo errado, poderia ter o mesmo fim que as outras ninfas. Deuses, quando o drama se tornou algo tão perigoso?! Minha mente procurava por algo, mas tudo o que vinha era o meu espírito inquieto com toda aquela situação. Tentava bolar mentiras, uma forma de consolar a deusa, mas quando eu vi já estava gemendo em frustração.

Deuses, eu vou virar uma planta.

-Senhora Afrodite – chamei colocando as mãos dentro do bolso de minha jaqueta, assim ela não veria o quanto estavam trêmulas – Qual a importância dos sentimentos?

Isso fez a deusa parar de resmungar sozinha e me fitar com um semblante neutro. Aquilo era ainda mais assustador. Ela teria ficado ofendida com a pergunta que eu tinha feito? Ou teria se irritado por me intrometer em um domínio seu? Engoli em seco e recuei um passo, acabando por sentir as minhas pernas colidirem com a cama.

-Mesmo os sentimentos ruins têm a sua importância, certo? E-eles são necessários – o olhar dela cravados em mim deixava-me nervosa ao ponto de gaguejar – O sentimento de rejeição é uma merda, você pensa estar se dedicando para uma pessoa e ela te dispensa – inspirei fundo lembrando das casas de família em que estive, no quanto foi difícil mudar e tentar se adaptar a uma realidade que nunca foi minha de verdade – Mas é importante para você valorizar quem te quer bem – passei a língua por entre meus lábios, os sentido secos graças ao nervosismo – Dói pra caramba, eu acho que a maioria dos meios-sangues sabem disso. Mas se você mudar o ângulo da coisa, você vai lembrar daqueles que te querem bem de verdade e valorizar quem merece ser valorizado, te ensina até a ser desconfiado com as pessoas, pois todas têm um lado ruim. Mas,  sinceramente, quem sai perdendo é esse babaca!

Depois de despejar todos os meus achismos, engoli em seco. Afrodite veio caminhando em minha direção, sua expressão ainda neutra era, na verdade, assustadoramente intimidante. Quando ela se tornou uma presença ameaçadora, meu corpo caiu para trás na cama, pois não havia mais para onde fugir.

-Vocês são criaturas incríveis – foi o que ela disse, abaixando o rosto até está em minha altura – A verdade é algo subjetivo, Farrier, e essa sua verdade tocou meu coração machucado. Eu sabia que você me ajudaria.

-C-como assim? P-por que eu?!

-Porque você não sabe mentir – a deusa grega sorriu de uma maneira fofa e serena – Falaria o que os outros não teriam coragem de pronunciar – aqueles olhos hipnotizantes caíram sobre os meus e me fizeram reféns... Até que ela ergueu-se de vez e parecia que ia saltitar no lugar – Céus! Isso é maravilhoso! Você vai encontrá-la!

-Encontrá-la? - não consegui evitar a genuína expressão de confusão.

-A sua Guerreira Escarlate, oh deuses!

-Guerreira Escarlate? Uma inimiga? Ela é perigosa?!

-Oh querida, ela vai derrubar sua guarda de uma maneira inesquecível!

-Isso é uma profecia?

-Já disse demais e acho que já estou pronta para sair!

-O que?! Senhora!

-Pode retornar, querida. Obrigada pela sinceridade, eu precisava disso! – Afrodite parecia ainda mais resplandecente e animada – Lembrarei disso futuramente.

-E as ninfas? – recordei olhando para as flores – Você poderia recompensar-me as libertando.

-O que você ganha com isso, querida? Elas estão bem assim, não estão machucadas e daqui uns anos poderia cogitar em libertá-las.

-Não é natural delas, senhora. Eu imagino como seria estar no lugar delas, parada e vivendo contra a minha natureza...

Ela revirou os olhos e soltou um alto suspiro resignado. Foi apenas um gesto de banal, tão simples e gracioso, que as flores começaram a ganhar tamanho e forma. Até que se transformaram em duas ninfas similares a qual me “guiou” até o templo de Afrodite. Elas se entreolharam, correram para o meu lado, agarraram meus braços e praticamente começaram a me arrastar.

-Vamos enquanto ela está bem! – a da esquerda sussurrou.

-Obrigada, nós vamos recompensar você te levando em segurança para o Acampamento. Agora vamos! – a da direita falava rapidamente.

-Até mais jovem romana! – Afrodite cantarolou uma despedida.

Aos tropeços, sai do templo da deusa do amor, vendo aquela porta rosada mais uma vez se fechar ao ser conduzida por ninfas. Deuses, quando algo fosse ser normal nesse mundo olimpiano, o Tártaro viraria um jardim florido.

curiosidade informativa:
O mito de Adônis é real, ele foi amante da deusa Afrodite e morto por Ares. Quando morreu, ele ganhou a afeição de Perséfone e as deusas, basicamente, brigaram por eles. Qualquer coisa só confirmar no google hehe. Animei em fazer esse mistério só pra fazer referência a um mito real *o*




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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por James F. Novak em Seg Jan 30, 2017 2:29 pm



The beast

Era o segundo dia de James no acampamento, e o rapaz já estava completamente fascinado com tudo o que via por lá, desde a estrutura de organização que os romanos possuíam à excelente engenharia empregada em casa construção. Um dos campistas veteranos havia mostrado todo o local a ele, explicando como eram as divisões das Coortes e como funcionava a hierarquia, além de passar horas falando sobre tudo o que o Acampamento Júpiter tinha de bom e de ruim. Os Jogos de Guerra pareciam ser realmente interessantes, e o filho de Vulcano ainda não sabia para qual Coorte entraria, mas ansiava pela segunda. Não tinha um motivo claro para isso, mas algo o dizia que encontraria o seu destino ali. Talvez fosse onde ele encontraria as respostas para os seus dons.

Após todo o tour pelo local, o jovem se preparava para o jantar. O poder que Hefesto havia suprimido no dia anterior, permitindo que a outra parte tomasse conta do seu corpo, simplesmente retornara com tudo, fazendo com que a força gélida abandonasse completamente o rapaz. O deus das forjas havia dito que James teria de aprender a suprimir as partes sozinho, o que provavelmente indicava que o rapaz não teria acesso a ambos os poderes ao mesmo tempo. Ainda assim, o legado não tinha noção de até onde iriam suas capacidades. O que exatamente ele poderia fazer e até que ponto as habilidades de cada deus poderiam despertar caso as outras fossem suprimidas.

Perdido em meio a pensamentos a respeito de suas habilidades, James sequer percebeu um novo peso em sua mão. Um volume que simplesmente havia se materializado lá por mágica, e que o jovem só notou quando um aroma;; doce de rosas vermelhas invadiu as suas narinas. Ele já havia sentido aquele cheiro no dia anterior e, assim como em tal ocasião, o odor causou um efeito hipnótico, deixando o rapaz com a cabeça leve e tonto, quase sentindo que iria desmaiar por alguns segundos. Era o cheiro que Afrodite exalava, responsável por fazer o romano ficar encantado no meio da missão que o senhor das forjas o entregara.

Quando o rapaz procurou a fonte de tal aroma, viu-se segurando uma delicada folha de um papel que ele não conhecia, fino e leve, e de coloração rosa. Inicialmente o rapaz se assustou e soltou a folha, observando enquanto o vento a levava para longe, por conta de sua leveza. Porém, instantes antes da folha tocar o chão, ela simplesmente desapareceu, e o aroma voltou. Novamente, James estava segurando o papel. Curioso, ele resolveu olhar o conteúdo, e deparou-se com duas palavras em uma caligrafia fina e bela, muito bem desenhada, porém aparentemente feita às pressas, pois haviam falhas em um ponto ou outro: ajude-me.

Após ler, James sentiu o seu corpo mais leve. Percebeu todo o mundo ao seu redor escurecer e tornar-se completamente enevoado, e todos os movimentos simplesmente se cessaram. Ele nem precisava esperar que o processo fosse terminado para saber que logo estaria em outro lugar, pois havia experimentado exatamente a mesma sensação no dia anterior. Bastaram dois segundos para que o mundo simplesmente desaparecesse por completo, e então começasse a se materializar novamente, em um ponto completamente novo... E rosa. A cor foi tudo o que o rapaz conseguiu ver por um longo tempo, tão intenso que pareceu cegá-lo, para apenas então tudo voltar ao foco.

O jovem semideus estava em um lugar completamente desconhecido, e completamente belo. A decoração era em tons de branco e rosa, com diversas esculturas, vasos e quadros para ornamentar tudo. Colunas gregas na cor branca completavam a beleza do lugar, que teria prendido a atenção de James por um longo tempo se não fosse a situação em que se encontrava. O rapaz estava de frente para uma enorme porta de marfim, e diante de um grupo de ninfas – apenas sabia o que eram porque Phil explicara o básico a respeito do mundo divino. Os espíritos pareciam desesperadas, e batiam à porta com força.

— Senhora, senhora! — Uma delas gritava, em histeria. — Abra a porta, senhora! Deixe elas saírem, por favor! Elas não quiseram vê-la assim, eu juro que todas nós só queríamos te ajudar!

— O que houve? — O filho de Vulcano perguntou, e só então os espíritos pareceram notar que ele estava ali. Ao se virarem para ele, o jovem notou que algumas tinham lágrimas nos olhos, o que fez com que o seu coração se acelerasse e um leve frio na barriga o deixasse ansioso para saber o que exatamente estava fazendo naquele lugar. Parecia ser sério, e James não podia deixar de pensar que a culpa era dele. O que teria Hefesto feito à deusa do amor para deixá-la assim tão irritada? Será que Afrodite havia convocado o rapaz ali apenas para se vingar dele?

— Oh, graças aos deuses, você chegou! — Uma das ninfas falou, correndo na direção dele e empurrando-o para frente. Instintivamente, o filho de Vulcano tentou reagir, mas acabou sendo puxado pelas outras ninfas. — Afrodite pirou! Ela está completamente louca e trancada no quarto dela desde ontem por causa do que houve com ela...

— Mas isso era esperado, coitadinha — interrompeu uma das ninfas que o puxava. — Depois do que houve com ela, até eu iria querer me esconder por um bom tempo.

— Mas hoje ela começou a gritar, histérica! — A outra ninfa voltou a falar. — Ela parecia estar com medo de alguma coisa, então duas amigas nossas entraram no quarto sem permissão, e desde então nós não as vemos. Elas simplesmente não nos respondem, e sabemos bem como Afrodite é...

— Elas devem ter visto ela naquele estado, e deixaram ela bem irritada — a terceira ninfa começou a falar. — Se eu conheço bem a nossa senhora, elas nem devem mais estar nesse mundo agora. Devem ter virado pó, ou pior... ficado feias para sempre!

— E é por isso que você está aqui — a primeira retomou sua fala. — Afrodite disse que um semideus viria para ajudá-la, e que não deveríamos fazer nada até que ele chegasse. Espere aqui — a ninfa voltou a bater na porta com força. — Senhora, ele está aqui! Ele chegou! — Dito isso, ela voltou a olhar para James, com um olhar suplicante. — Nos ajude, por favor. E salve nossas amigas.

— E-e-entre! Rápido! — A porta se abriu sozinha quando o filho de Vulcano se aproximou dela, e todas as ninfas imediatamente se afastaram em saltos, com medo. O rapaz deu um passo para frente, hesitante, e então parou por alguns segundos. Ainda estava vivo ao fim desse tempo, portanto continuou, ainda devagar. Adentrava o quarto da deusa, como pôde notar pela disposição dos móveis e a decoração do espaço que devia ter três vezes o tamanho de sua antiga casa, que não era pequena. Os olhos correram rapidamente pela enorme quantidade de espelhos, armários, e finalmente chegou à cama, onde viu... — NÃO OLHE PRA MIM! — Afrodite gritou. Ela estava de pé sobre a cama, encostada na parede e, pela visão de relance que James teve, completamente nua.

— Perdão, senhora — o semideus disse, em um misto de respeito e medo. Estava diante de uma deusa completamente histérica que provavelmente tinha bons motivos para querer matá-la e, para piorar, estava nua. Sua mãe dissera que a vida de um semideus era repleta de coisas loucas e que não faziam sentido algum, e naquele momento ele finalmente entendia o que ela queria dizer com isso.

— A c-culpa disso é sua! — A deusa soluçava levemente em meio a algumas palavras, demonstrando que passara um bom tempo chorando e, como James temia, a deusa do amor realmente estava com raiva dele. — A explosão de Hefesto me fez ficar HORRÍVEL! — As palavras das ninfas começavam a fazer sentido na cabeça dele, o motivo da deusa ter se trancado desde a noite anterior, sem permitir que ninguém a visse. Porém, algo havia mudado, fazendo com que Afrodite começasse a gritar, e o Novak tinha medo do que isso seria. — Eu passei o dia int-teiro para conseguir preparar os p-produtos certos e voltar a ser eu, e quando eu fizesse isso, iria pessoalmente até você para te transf-formar em uma formiguinha e então te esmagar sob o meu salto quinze.

— Senhora — James sentiu medo. Não sabia quão grande era o poder da deusa do amor, porém sabia que não teria qualquer chance contra ela. Bastava um olhar para que ele estivesse completamente apaixonado e perdido. Se Afrodite oferecesse a ele que se transformasse em uma formiga, não pensaria duas vezes antes de aceitar por ela, e aquilo o assustava tanto que ele sequer sabia o que dizer em seguida.

— Eu não vou m-mais fazer isso, pois há uma punição bem maior te esperando — um misto de alívio e medo ainda maior tomou conta do rapaz. Havia sido chamado ali apenas para ser punido? Não tinha noção alguma do que fazer. — Agora há p-pouco eu fui pegar os produtos que tinha preparado no banheiro quando eu vi... uma... uma... — a deusa parou por alguns instantes, quase como se reunisse coragem o suficiente para falar, o que deixou o rapaz ainda mais apreensivo. O que seria tão terrível a ponto de assustar um dos doze deuses do Olimpo? — UMA BARATAAAAAAAAAAAAA — a deusa começou a tremer e fazer movimentos estranhos de asco, como o rapaz pôde ver com sua visão periférica. — MATA ELA, MATA, MATAAA!

James sentiu vontade de rir. Nunca imaginou que uma deusa seria tão... Humana. Porém, já havia presenciado o ciúme de Hefesto no dia anterior, percebendo que as divindades tão veneradas nos tempos antigos eram tão comuns quanto qualquer pessoa, com o bônus de ser imensamente poderosos e imortais. De qualquer maneira, o jovem filho de Vulcano sentiu-se completamente aliviado ao ver que aquele seria o seu único desafio, e que se o cumprisse escaparia da cruel morte de ser um inseto esmagado. Portanto, apenas assentiu, sem dizer qualquer palavra – pois Afrodite ainda estava em meio a uma crise -, e olhou em volta do quarto até encontrar a porta que provavelmente levaria ao banheiro, para onde seguiu com um ar renovado de confiança.

Até o momento em que abriu a porta do banheiro – o que fez com que Afrodite desse um gritinho de histeria atrás dele. O filho de Vulcano não estava diante de uma barata. O que estava na frente dele era um monstro, do tipo que ele nunca acreditou que encontraria antes. O inseto era mais alto que ele, e várias vezes mais comprido. Não estava de frente para ele, mas ainda assim o jovem sentiu uma grande repulsa tomar conta de seu corpo e revirar seu estômago. Uma sensação de puro asco fez com que cada pelo em seu corpo ficasse arrepiado, e ele pensava em fugir dali quando um vento cheirando a rosas o empurrou para dentro do banheiro e em seguida fechou a porta, fazendo o filho de Vulcano se lembrar que era fazer aquilo ou morrer.

O chão do banheiro estava inundado graças à água que caía da enorme banheira de Afrodite, o que explicava o porquê da deusa estar nua. Provavelmente estava preparando-se para o banho quando viu aquela abominação da natureza e fez exatamente o que James queria fazer naquele instante. Porém, não podia. Sua vida literalmente dependia daquele ser morto. Felizmente, a barata não parecia ser hostil. Talvez não o tivesse notado, mas até então não fizera um movimento sequer que o colocasse sob ameaça, dando ao semideus um pouco mais de tempo para que ele pudesse pensar no que fazer. Sabia que baratas eram naturalmente resistentes, o que significava que aquela deveria possuir ainda mais força em sua carapaça. Ele deveria chegar próximo o bastante para atacá-la por baixo, o que o assustava.

E havia a questão de suas habilidades. Precisaria fazer o mesmo que Hefesto havia feito no dia anterior se queria ter alguma chance real de enfrentar aquilo. Não tinha qualquer experiência em combate, então sabia que se fosse depender apenas das suas aptidões físicas, com certeza iria falhar. Precisava do poder das chamas, ou do poder do gelo, mas como? Lembrou-se de como sentiu o frio fluir pelo seu corpo quando o fogo foi suprimido, fazendo com que tudo ao seu redor congelasse. Tentou concentrar-se naquela sensação, trazer de volta o que ele havia sentido e fazer com que o frio corresse pelas suas veias uma vez mais, enchendo-o de energia e poder.

Então, sentiu a sua consciência fluir. Era quase como se mergulhasse, sua mente afundando cada vez mais em algo pesado e bem mais forte que ele. Seus sentidos começaram a se perder aos poucos, enquanto fluía mais e mais, vendo o ambiente ao seu redor desaparecer em uma névoa fina, e dar lugar a outro completamente diferente. Este era feio, sem qualquer sentido ou lógica, mas antes que pudesse reconhecê-lo, seus olhos se fecharam, cedendo ao enorme peso sobre as pálpebras. James quase sentia como se fosse... dormir. Lenta e profundamente, sua consciência se perdeu. E então o filho de Vulcano acordou.

Sentia seu corpo suspenso no ar, sendo segurado apenas pelos braços, completamente esticados – tanto que chegava a doer. Não conseguia abrir os olhos por algum motivo, mas ainda assim sentia que algo se enrolava desde suas mãos até os ombros. De um lado, ele sentia sua pele congelando com o toque do que quer que o prendesse, enquanto do outro lado sentia o corpo inflamar, porém nenhum dos dois lados o machucava. Apenas o puxavam, mantendo seu corpo suspenso no ar. Ele queria abrir os olhos, porém simplesmente não conseguia. Tinha medo do que veria caso abrisse. Ainda assim, ele compreendia o que era aquele lugar, e o que ele devia fazer.

Sua mão fechou-se com força na corrente de fogo, e ele começou a se puxar. Colocou toda a sua força nisso, sentindo o corpo arder ainda mais, e dessa vez sentiu dor. O lado que antes estava envolvido pelo gelo começava a aquecer-se rapidamente, lançando uma dor extrema sobre o corpo do rapaz, que quase sentia que seu braço seria arrancado. Teria gritado, se qualquer som saísse da sua boca. Pensou em desistir, porém pela primeira vez em sua vida estava presenciando aquilo, e decidiu ir até o final. Continuou a puxar a corrente de chamas com força, até que uma pequena parte do outro lado queimava, e ele não conseguia mais. Aquele era seu limite.

Seus olhos se abriram, e mais uma vez ele estava diante do enorme inseto. A barata não havia se movido nada, o que talvez significasse que o tempo que havia passado puxando as correntes não passasse de algo da sua mente, que não influenciava na passagem de tempo do mundo real. A cabeça do rapaz doía, e ele se sentia levemente tonto, mas podia sentir o poder fluindo pelo seu corpo. Porém, era pouco. A quantidade não era nem mesmo parecida com a que sentira com a influência de Hefesto, e o esforço que o rapaz havia precisado fazer era imensamente maior. Precisaria trabalhar nisso, pois não podia quase morrer para ter acesso a uma quantidade tão baixa de suas forças.

Mas aquela não era a hora de pensar nisso. Por puro instinto, o rapaz levou a mão ao bolso, onde guardava seu canivete suíço, e este imediatamente expandiu-se até se tornar um enorme machado de guerra, o que ela já esperava. O que não estava esperando é que uma pequena esfera metálica caísse do bolso, e também se expandisse ao tocar o chão. Aos poucos, a esfera começou a ganhar volume e magicamente cresceram asas e membros também feitos de metal, até assumirem a forma de uma grande fênix robótica, que começou a voar pela sua cabeça. O rapaz sentiu-se um pouco mais calmo sabendo que teria ajuda extra, e então preparou-se para avançar.

Porém, não literalmente. Não tinha coragem o bastante para avançar contra aquele ser asqueroso e enorme, e por isso decidiu tentar um outro modo de atacá-lo. Para começar, ele teria de limitar o movimento da barata, pois não queria ser atacado ou nem mesmo que aquilo olhasse para ele. Uma das sensações mais incômodas que o rapaz se lembrava era olhar para o rosto de uma daquelas, e isso em tamanho reduzido. Não, ele não queria de maneira alguma fazer isso. No lugar, empunhou o machado de guerra com firmeza. Sentia-se estranhamente familiar com o toque da arma, quase como se já soubesse exatamente o que fazer com ela, e então a lançou.

O item foi atirado com força total, e girou no ar em um som cortante até que se chocou com uma das patas da barata, cortando-a completamente. O problema foi que então a criatura o notou. E James caiu no chão molhado quando a barata se virou para ele. Não por medo, embora ele estivesse sim assustado, porém a sensação que experimentava era completamente diferente. Aquele rosto esquisito, as patas, aquela cor estranha... James sentia um arrepio passar pelo seu corpo enquanto a besta o olhava, e o rapaz sentiu seus membros se retraírem em puro nojo e repulsa. E então a barata começou a avançar, o que apenas piorou a sensação. Ele definitivamente não seria capaz de fazer qualquer coisa para fugir de sua investida.

E então ele sentiu o calor. O monstro estava quase o alcançando, para fazer sabe-se lá o quê, quando um brilho alaranjado surgiu em sua frente, vindo de algum ponto acima dele. O calor das chamas não incomodou ao filho de Hefesto, mas o inseto recuou em um silêncio que apenas piorava toda a sensação de repulsa que James sentia. O único som que a barata fazia era o de água respingando com suas patas a pisar. Novak olhou para cima, vendo a fênix lançar uma rajada de chamas contra seu inimigo, que se contorcia e fugia para longe rapidamente. A quantidade de fogo não era grande o bastante para matar a besta, mas ainda assim a mantinha afastada e com medo, o que deu ao romano tempo o bastante para se recuperar.

Colocando de pé em um salto, James sentiu seu machado. Não tinha ideia de como, mas conseguia sentir sua presença ao longe, no local em que o havia lançado antes. Sentia o metal da arma responder ao poder que emanava de seu corpo, e então decidiu tentar algo. Concentrando-se levemente, o rapaz ergueu a mão, e pôde ver no outro lado da sala a arma também começar a levitar. Com mais um movimento de mão, a lâmina da arma foi lançada com toda a velocidade, cortando outras duas patas da barata e fazendo com que um líquido estranho, talvez sangue, se misturasse à água. O inseto se contorceu mais uma vez em sua fúria silenciosa, e mais uma vez avançou contra o rapaz.

— Fênix! — O rapaz gritou, sem saber como exatamente deveria chamar o robô. Rezava para que o animal o entendesse e seguisse aos seus comandos, porém não sabia se isso realmente aconteceria. Deveria estar preparado para o pior, portanto sua mente começou a trabalhar em modos de se esquivar. — Queime ela!

Felizmente, o robô compreendeu, e novamente uma pequena língua de fogo saiu de seu corpo, quase como se formasse um escudo na frente do filho de Vulcano. A barata novamente se contorceu e fugiu o mais rápido que podia com suas pernas debilitadas. No lugar de simplesmente se esquivar, como havia feito da última vez, ela começou a subir pela parede do banheiro, lembrando o jovem semideus que tais insetos tinham essa capacidade. Outra das capacidades que sua memória falhara em trazer era uma das mais atormentadoras a respeito daquelas criaturas: elas conseguiam voar. E como diziam pessoas muito inteligentes, não existiam heteros quando baratas começavam a voar.

No momento em que a besta se lançou ao ar, James correu. Correu muito. Muito mesmo. Quase escorregou no chão molhado enquanto se lançava para frente o mais rápido que podia, mas o alvo da barata não era ele. O pesado e gigantesco corpo se chocou com o ouro brilhante da fênix, lançando-a contra o chão e derrubando-a. O robô voltou a se erguer no céu, porém com uma altitude bem menor, e voando de um jeito desleixado. Provavelmente não aguentaria outro ataque como aqueles, mas talvez não precisasse. James havia tido uma ideia com aquele salto, e talvez sua estratégia anterior pudesse ser totalmente descartada em troca de uma ainda melhor.

— Fênix, continue! — O rapaz gritou mais uma vez. — Queime-a até que ela o ataque novamente!

O autômato rapidamente seguiu a ordem, voando de sua maneira tosca até a barata, e voltando a lançar fogo sobre ela sem parar. O inseto novamente se contorceu e tentou fugir, mas a fênix o perseguia sem parar. James pôde ver que o fogo estava fraco, então não tinha muito tempo. Sem hesitar, correu contra seu machado, ao mesmo tempo em que o puxava na sua direção, de modo a empunhá-lo rapidamente, e bem a tempo. A barata logo começou a subir na parede mais uma vez, e o romano correu para junto da Fênix, mantendo o machado seguro nas duas mãos e aguardando até o momento certo chegar.

Instantes depois, o animal se lançou ao ar, e o legado imediatamente atirou sua arma em sua direção. O machado deu meio giro antes de começar a entrar na barriga da barata, a parte mais desprotegida de seu corpo. O inseto começou a cair na direção de James, ameaçando esmaga-lo, porém explodiu em uma chuva de pó dourado antes de poder tocá-lo, fazendo com que James caísse no chão, em puro alívio. O machado caiu bem na sua frente, por pouco não o matando, mas ele nem ligou. Aquela havia sido sua primeira batalha de verdade, e ele continuava vivo. Mal podia acreditar.

Passou minutos no banheiro, sem ousar se mover, antes de lembrar que deveria voltar para Afrodite. Então se colocou de pé, recolhendo a sua arma e transformando-a novamente em um canivete suíço. A fênix pousou sobre seus ombros, e o rapaz abriu a porta ainda olhando para baixo, para que assim não visse a deusa.

— Ela está morta — James disse, após alguns segundos de silêncio.

— Mesmo? — A deusa parecia um pouco desconfiada, um pouco assustada, por isso sua voz soou bem insegura.

— Virou pó... Estou livre para ir agora? — O jovem não estava muito bem. Sentia o poder indo completamente embora do seu corpo, o que o deixava tonto e fraco. Não sabia bem o que estava falando, e sua voz parecia lenta e carregada.

— Claro, eu irei te mandar de volta... — a deusa disse, um pouco mais calma. — Apenas deixe-me rematerializar as ninfas que eu explodi.

— Você as explodiu? — James perguntou, quase não contendo a vontade de olhar para o rosto da deusa. — Por quê?

— Elas entraram no meu quarto e me viram como estou agora, o que você queria que eu fizesse? — Perguntou Afrodite, como se explodir dois espíritos fosse a coisa mais normal do mundo. James pensou em protestar, porém não tinha forças para isso. Na verdade, sequer tinha forças para se manter de pé... Aos poucos, o rapaz sentiu a consciência o abandonando novamente, e seu corpo caiu no chão, pesado.

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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Beau G. Edmond em Seg Jan 30, 2017 3:30 pm



O Medo de Afrodite
I'm a stupid adviser
Finalmente paz. Fazia quatro dias desde a grande confusão envolvendo os deuses do Olimpo. Primeiro, Dionísio, por vingança, engravida um monte de mulheres ao mesmo tempo, deixando Hera louca. Depois, Apolo, tenta conquistar uma mortal que é a reencarnação de Helena de Tróia e só consegue por causa de meu poder. No dia seguinte, ele aparece em meu quarto querendo que eu ajude Athena a encontrar um livro que ela perdeu, mas eu precisava dizer que ele que tinha me mandado lá, provavelmente queria algo com ela. E quando eu achava que finalmente estava livre, ao sair da biblioteca da deusa, escuto uma explosão que acaba por me levar ao laboratório de Hefesto. Resultando em ajudá-lo a descobrir onde será a próxima traição de Afrodite com Ares, informação que para conseguir, precisei dormir com o meu tio, Hímeros.

Passei a mão em minha testa, limpando o suor que escorria só de lembrar de tudo aquilo que vivi nesses últimos dias caóticos. Por fim, estava livre, vivendo os dias de forma tranquila no acampamento. Já se passavam das 13 horas, quando decidir ir ao refeitório para almoçar. Se tinha duas pessoas lá, era muito. Peguei a comida e me sentei em uma das grandes mesas vazias. Quer dizer, a que eu escolhi, parecia estar vazia. Foi só eu sentar, para um homem loiro de vestes de cetim, aparecer ao meu lado.

— Você está encrencado.

Assustei-me ao perceber quem era o homem ao lado. Hímeros, o meu tio que eu havia citado ali em cima e que dei um bolo nele há três dias. Ele estava diferente, agora uma barba rala cobria o seu rosto e era bem entranho vê-lo daquela maneira, bem vestido. Ou melhor, com roupas.

— Hímeros! O que você está fazendo aqui?

— O que será? — Ele me olhos com desdém. Era fácil me controlar perto do Erote, pois desta vez ele não emitia a sua aura sexual, provavelmente estava chateado comigo — Eu descobri tudo. Você irá concertar o seu erro.

E sem que eu pudesse falar nada, ele me levou para o local onde vivia com a sua mãe. Toda a estrutura do acampamento havia se transformado na casa luxuosa que tive o prazer, ou desprazer, de conhecer esses dias. Estávamos parados em frente a uma grande porta de ouro maciço com filetes em ouro branco.

— Ai ai ai, o que houve?

Ele me prendeu contra a parede ao lado da porta, me segurando pela golada camisa que usava e apoiando o braço direito no paredão.

— Eu sei que foi você que falou a Hefesto do encontro de minha mãe com Ares — Era possível ver chamas no interior do olho dele — Ele conseguiu aprontar e ela agora está ai dentro, não sai de jeito maneira.

Caramba! O que o deus das forjas aprontou? Três dias sem sair do quarto? O sentimento de culpa me veio na mesma hora, me fazendo abaixar a cabeça e nem conseguir mais olhar o deus nos olhos.

— E pra piorar — Tem mais? — Duas ninfas tentaram trazer comida para ela, entraram e até hoje não saíram. Ninguém tem coragem de entrar aí dentro mais.

— Ai sobra pra mim...

— Claro! — Ele vociferou — Você foi responsável por isso, agora resolva!

E me soltou para colocar sua mão na porta, magicamente, uma pequena entrada se abriu e ele me jogou lá dentro. Tentei virar para reclamar, mas a entrada já havia desaparecido. Respirei fundo antes de observar o lugar onde estava. Aquele quarto era gigantesco. Cheio de almofadas em tons de rosa, um belo lustre de cristal, cortinas que combinavam com o estofado e com o jogo de cama da cama de casal, um viveiro com duas pombas brancas,o símbolo da deusa. Enfim, se eu fosse contar tudo que existia ali, precisaria de dois dias.

— Quem é?

A voz vinha da cama. Mais precisamente de uma colina que se formava no meio dela, indicando a presença de alguém, escondido em baixo das cobertas.

— Beau, filho de Eros.

— O que você quer?

— Seu filho, Hímeros, me mandou aqui para ajudá-la.

— NINGUÉM PODE ME AJUDAR! — E caiu em um choro desesperado — Vá embora!

Por mais que eu quisesse, eu não podia. Iria carregar a culpa em minhas costas eternamente. E se ela soubesse que eu tava envolvido na vingança de Hefesto, aí que não daria certo mesmo. Tratei de caminhar até me aproximar do pé da cama.

— Você sabe que é minha avó né? — Era até meio idiota falar aquilo — E eu nunca conheci ninguém da minha família, mas aprendi que quando tivesse uma, não poderia deixar alguém que fizesse parte dela, sofrer. Então, não vou embora ate lhe ajudar.

— Claro que sei! — Ela se calou para escutar o que eu falava — Você até que fala bonito, para alguém que não acredita no amor.

Ela precisava lembrar daquilo? Estava de frente para a deusa que representava aquele sentimento. Passamos alguns segundos em silêncio até que ela decidisse abaixar a coberta e revelar sua face. De fato, era uma das mulheres mais belas que já vi. Seus cabelos reluziam o pouco da luz do sol que moça as janelas dali, ora loiro, ora dourado. Por que aparentemente eu era o único da família que não herdou a coloração de tais cabelos? Loiros eram meu ponto fraco.

— E então, posso saber o que aconteceu?

— Meu marido. Hefesto — Ela falou de um jeito como se não fosse algo bom ser casada com ele — Criou uma espécie de câmera que transmite para todo o Olimpo, quando se está ativada. E distorce a pessoa. Durante meu encontro as escondidas com Ares ele fez isso e me deixou gorda para todo mundo ver. Agora todos daqui viram um ‘não corpo’ meu.

E voltou a cair no choro após contar a sua ‘triste’ história. Era até estranho ouvir aquilo, afinal, quem acharia que ela não era bela com qualquer corpo que a parecesse.

— Calma, é só por isso que a senhora não quer sair?

— Só?! Só?! Você acha pouco?!

— Mas, vó — Eu não sabia nem se podia chamá-la daquela maneira — Você é a deusa da beleza, fica linda em qualquer corpo, em qualquer roupa.

— Eu sei! — Ela já parecia um pouco mais confiante — Mas aquele não era meu corpo real. Agora as pessoas acham que o jeito que Adam por aí, é pra esconder quem eu sou de verdade.

Ai que confusão. Como eu ia poder dizer a ela que aquilo não tinha nada de errado? Ou melhor, que as pessoas logo esqueceriam?

— Veja bem — Falei enquanto tomava a liberdade de sentar na ponta da cama, eu estava virando um folgado de carteirinha — Logo as pessoas esquecem. Mas se isso é tão importante pra você, por que não junta a todos para um pronunciamento e explica o ocorrido?

— Acha que vai funcionar?

— Ué. Você pega a maquina de Hefesto, mostra como funciona e ai entenderão que foi um truque. E se não tentar, nunca vai saber.

— E então, eles voltarão a me amar — Ela sorriu — Já sei! — Falou pulando da cama e em um estalar de dedos, seu vestido grego branco que usava, havia se transformado em um robe de  cetim rosa. Provavelmente estava sem roupas intimas por baixo — Vou também mostrar a eles, meu corpo de verdade!

Como é?! Não não! Eu fiz a deusa querer aparecer nua em público? Meu deus, eu não prestava para conselhos. Ela saiu correndo em direção à porta.

— Senhora, espera!

— Sim? — Falou já com a mão na maçaneta dourada.

— O que aconteceu com as ninfas que entraram aqui esses dias?

— Ah, já ia me esquecendo delas.

E com um balançar de mãos a porta do viveiro se abriu, fazendo as duas pombas brancas voarem para fora e começarem a tomar uma forma mais humanoide. Abri a boca assustado ao ver aquilo. As ninfas, depois de recuperadas, trataram de sair em desespero do quarto, passando sem nem encarar a deusa novamente.

Afrodite deu um sorrisinho e balançou os dedos da mão direita, um típico ‘bye bye’ de patricinhas que vimos em filmes. Respirei, aliviado, e me joguei na cama. Por sorte não foi preciso dizer que ajudei Hefesto com aquilo. Já estava me levantando para sair, quando o estalar de porta indicava a presença de alguém.

— Para onde pensa que vai? Você me deve um encontro.

Hímeros sorriu de forma sacana ao fechar a porta atrás dele. Eu estava ferrado.

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Re: O Místerio de Afrodite

Mensagem por Vênus em Ter Jan 31, 2017 5:36 pm





AVALIAÇÃO
A forma de avaliação irá seguir o modelo abaixo:
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 2.000 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.000 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1.000 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 500 XP
Total: 5.000 + 500 de Bônus = 5.500 XP
Dracmas: Até 4.000.

Observação: Os valores descritos acima são de pontuação máxima, ou seja, a XP máxima que pode ser conquistada pelo semideus, e o valor máximo de dracmas. Esse valor pode ser diminuído de acordo com o seu desempenho no evento. Esperamos uma postagem com criatividade, excelência, bom desenvolvimento de trama, e muitos detalhes, então caprichem
Observação Dois: O Item especial e individual de casa missão, só será dado os campistas que conseguirem atingir mais de 4.200 XP

Afrodite - Poção fotográfica: Misture um fio de cabelo de qualquer outra pessoa a esse liquido, e você será ela. A poção fotográfica tem o efeito de transformar aquele que o bebe na pessoa a quem ele deseja ser, porém seu efeito é de apenas um dia. (Contém o suficiente para uma magia).

Pandora M. Drumachesky
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.800 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 950 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 900 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 300 XP
Total: (4.650 + 300) x 2  = 9,900 XP
Dracmas: 4.000

Lauren L. Hill
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) –  1.800 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.000 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento –  950 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 300 XP
Total:  4.750 + 300 = 5.050 XP
Dracmas: 4.000.

Hela A. Deverich
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.800 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 950 XP
Realidade da Postagem – 900 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 850 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 300 XP
Total: 4.500 + 300 = 4.800XP
Dracmas: 3.700

Alexis C. Chwe
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 2.000 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.000 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 000 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 500 XP
Total: 5.000 + 500 = 5.500 XP
Dracmas: 4.000 x 2 = 8.000

Simon Montgomery
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 1.300 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 500 XP
Realidade da Postagem – 700 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 700 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 100 XP
Total: 3.200 + 100 = 3.300XP
Dracmas: 3.000

Evie Farrier
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) – 2.000 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.000 XP
Realidade da Postagem – 1.000 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 000 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 500 XP
Total: 5.000 + 500 = 5.500 XP
Dracmas: 4.000 x 2 = 8.000

James F. Novak
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) –  1.700XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância –  900 XP
Realidade da Postagem –  900XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento –  800 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 300 XP
Total: 4.300 + 300 =  4.600XP
Dracmas: 3.500

Beau G. Edmond
Trama e Enredo, forma que resolveu o problema (Historia) –  1.950XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância –  950XP
Realidade da Postagem –  900XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento –  900XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 400 XP
Total: 4.700 + 400 = 5.100 XP
Dracmas: 4.000



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Vênus
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