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O Mistério de Athena

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O Mistério de Athena

Mensagem por Athena em Qui Dez 29, 2016 7:55 pm





ATHENA
A postagem do evento os mistérios dos deuses do Olimpo, com o titulo "O livro perdido de Athena" deve ser postado nesse tópico.


Palas Athena...
Sometimes the power must bow to wisdom. You can be strong, may have power, but if you are wise, you are all well. And more than that, yes you can defeat them. Once warned that to save the world destruiri you-your friends, maybe I was wrong.
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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Helena Rodis Katsaros em Seg Jan 02, 2017 3:03 am

A marca de Athena
O segredo dos deuses
— Sua vez, Katsaros. — a voz de Quíron, grossa e imponente chamou na porta do Chalé. Mal esperou resposta e saiu trotando. Helena não queria fazer aquilo. Seu trabalho e vocação não eram aquilo. O que faria para a deusa da sabedoria? Sentia-se honrada por ser chamada pela própria para ajudar, mas depois de ter chamado o acampamento inteiro, não era exclusiva.

Sem levar muitos itens, a ceifadora saiu do acampamento e no momento que pisou o pé pra fora, fora envolva por uma forte luz que tomou seu corpo e no instante seguinte, estava no Olimpo. Mais precisamente no Templo da deusa da Sabedoria. Nunca havia visitado a morada dos deuses, e nem tivera vontade. Seu pai não morava ali, então nada ali chamava sua atenção. Mas não deixou de admirar o templo. Uma construção imponente, sublime e com seus traços marcantes. As colunas brancas com símbolos entalhados, tiraram o fôlego da semideusa.

Não quis falar com a deusa, por dois motivos: Respeito, e ficou sabendo que a mesma estava mau humorada. Logicamente não a incomodaria com aquilo, uma vez que o acampamento todo tentou e não conseguiu achar o livro. Seguiu diretamente para o andar de cima, onde foi orientada que era o andar da biblioteca. O livro não estava na biblioteca, o que era óbvio. Mas quem o pegou poderia ter deixado algum rastro ou indícios de onde estava.


Novamente sem fôlego ou reação, Helena empurrou as portas do lugar e seus olhos puderam contemplar a enorme biblioteca da deusa. Todos os livros que pudesse se imaginar estariam ali. Todos os títulos, gêneros e categorias. A semideusa mal podia imaginar o quanto poderia absorver ali, ainda mais tendo memória eidética. Caminhando devagar e passando os dedos pelos livros enquanto caminhava, tentou manter o foco no que viera fazer ali. Se demorasse demais, Athena ficaria mais mau humorada ainda. Não queria isso, definitivamente.

Puxou o primeiro livro, folheando suas páginas com admiração e afinco. Absorvia cada palavra ao mesmo tempo que procurava por pistas. O primeiro livro passou, o segundo, terceiro. No quarto, a capa era negra, com palavras escritas em vermelho. Um grego tão antigo que Helena teve dificuldade em traduzir. O título não dizia nada demais, por isso teve a ousadia de ler. Palavras aleatórias, que Helena lia em voz baixa sem perceber.

Nem percebeu também quando sem querer, acabou invocando algo. De primeiro momento, não viu ou ouviu nada, apenas um cheiro levemente de enxofre que começou a aumentar e tomar o ambiente. Um rosnado, Helena virou-se a tempo de soltar suas asas e cobrir seu corpo quando um cão infernal avançou sobre si. Sem saber, acabou invocando o maldito cão com aquele livro. Agora precisava se livrar dele antes da uma hora acabar, e antes que destruísse a divina biblioteca.

Alçando vôo, Helena parou alguns centímetros do chão, devendo ser quase um metro de distância. Olhando constantimente pra porta, mordeu o lábio e respirou fundo. Não queria sujeira, por isso fez com que uma rajada de penas caísse sobre o animal. Demorou um pouco em meio a rosnados e guinchados, até que ele se transformou em uma nuvem de cinzas, desintegrando-se.

Com o coração palpitando, a ceifadora pousou novamente no chão e começou a folhear novamente os livros, com mais afinco e dessa vez sem ler nada em voz alta. Seus dedos magros seguraram um pesado livro. Com símbolos de magia e coisas do tipo. Curiosa, o folheou com cuidado, lendo tudo com atenção. "Encontrar objetos perdidos" . Fora a expressão que prendeu sua atenção. Não tinha o título do livro, mas tinha uma informação importante: era de uma deusa grega. A irritar não era uma opção.

Seguindo as informações do livro, Helena procurou entre os papeis uma planta do Templo de Athena. Começaria por ali, daí seguiria para o Olimpo e finalmente algum lugar do mundo mortal. Estendendo sobre o chão e ajoelhando-se ao lado, a morena estendeu a mão e puxando a foice, fez um corte na palma da mão, com tamanho suficiente para que o sangue vertesse sobre o mapa. —Indica mihi ubi perdidit libro Athena — disse em latim. No momento que o sangue pingou no papel, o mesmo incendiou.

Todas as bordas eram consumidas pelas chamas, e no final, apenas um pequeno pedaço de papel havia ficado intacto. Um pequeno local, que Helena deduziu ser alguma sala particular de Athena. Conduzindo o corpo silenciosamente com as asas em ação, Helena seguiu o mapa até a tal sala, adentrando o lugar com cautela. O que podia se encontrar ali? Acabou encontrando uma mesinha e um baú no canto da sala.

Revirando as gavetas, não acabou encontrando nada além de papeis inúteis. Seu olhar caiu sobre o baú e mais uma vez temeu o que sairía de lá. Com uma das asas protegendo o corpo, e afastada o máximo que conseguiu, Helena abriu o baú de uma vez, vendo a tampa cair para trás e de seu interior sair... nada. Nem mesmo um feixe de luz ou uma hidra. Nada. Aproximando-se ainda cautelosa, viu que dentro dele havia um livro. O título, um tanto curioso.

Descendo as escadas até a sala principal, encontrou a deusa andando de um lado a outro. Suas feições, retorcidas em preocupação. — Com licença, senhora. Mas, algum outro deus adentrou seu templo? — perguntou curiosa. — Ahm, apenas Hermes me fez uma visita. — Helena abaixou a cabeça, retirando o livro de dentro das vestes e estendendo à ela. — Creio que ele lhe pregou uma peça. O livro estava dentro de um baú. Talvez tivesse colocado algum encantamento para não o encontrar, senhora.

E nesse momento, o céu estremeceu. A fúria de Helena ao pegar o livro fora tremenda, que o templo tremeu e Helena pensou que encontraria logo seu fim. Em segundos, a fúria foi contida e Athena virou-se para a semideusa. — Obrigada, prole de Thanatos. — e fez um sinal com a mão, para a garota sair. Obediente, Helena o fez, com o título do livro gravado em sua memória. "A marca de Athena — A tatuagem em um lugar nunca pensado "



.


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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Becka Klasfox La'Fontaine em Sex Jan 13, 2017 1:01 pm



↞ Minerva vira um tomate ↠
Quando lhe disserem que você não consegue, lembre-se que os grandes heróis já ouviram isso e nunca desistiram.

Uma taça de vinho repousava sobre a mesa a frente da Pretora. Cercada pelo conselho do acampamento romano, e tentando relaxar a mente com uma boa dosagem de Margaux um aristocrata com uma das vinícolas mais famosas na Itália. As vozes ficaram mais altas, e em algum momento, ela ouviu seu nome ser chamado. – Você vai – Foram as palavras do senador mais velho para a garota, que se limitou a arquear a sobrancelha, como se perguntasse o que estava acontecendo. – Você vai ao templo de Minerva, e vai ajudá-la em sua busca, não podemos confiar nos legionários para uma missão direta com uma deusa, é perigoso, e arriscado, seus poderes podem nos ajudar agora – Ele se levantou, plantou as mãos sobre a mobília da mesa e a encarou por um tempo. Becka não disse nada, ingeriu outro gole do vinho, e deixou os olhos mudarem para roxo, algo que evitava fazer com certa frequência. E no fim disso, apenas para irritar os velhotes ao redor, colocou a taça sobre a mesa e se espreguiçou. – Onde assinei dizendo que precisava fazer algo assim? Em nenhum lugar – A garota coçou o queixo pensativa, e abriu um sorriso petulante. – Se é assim tão importante, faça você mesmo – E dizendo isso se levantou, empurrando a cadeira para sair dali. Becka ainda conseguiu vislumbrar a figura mais velha mudar de vermelho raiva para roxo, e franzir as sobrancelhas, e com isso, saiu correndo.

...

Duas horas depois ela estava de frente para a deusa da sabedoria. Sua rota de fuga não deu certo, e as palavras só serviram para deixar os legionários ainda mais atiçados, e a obrigarem a seguir para o templo da mulher que faria do seu dia uma verdadeira loucura. Becka sempre adorou loucuras, mas não aquele tipo de loucura. Minerva continuava revirando livros, jogando prateleiras uma atrás da outra abaixo – Não literalmente, ela apenas bagunçava tudo, para depois arrumar tudo, e voltar a bagunçar tudo – uma tremenda maluca. E depois ela era a chamada de louca. – Não vai me ajudar? Ficara aí parada sendo que está sendo paga pelos seus serviços? Ande menina, comece a procurar – A deusa não era exatamente um poço de calmaria, e apesar de ser deveras atraente, era uma tremenda chata. – Que livro é, como é, qual o tamanho? – Perguntou ela, encaminhando-se para uma das prateleiras e começando a puxar o volume, nada interessante. Minerva corou em tons de vermelho berrante, o que intrigou a filha de Baco que lhe observava, mas ao respirar fundo, lhe respondeu à pergunta. – É um livro grosso, tem a capa vermelha e figuras, e um texto bastante marcante – Ela parecia seria ao dizer isso, e estava claro que não lhe daria mais informações.

A prole do senhor dos vinhos revirou os olhos, e voltou a vasculhar a prateleira de romances enquanto pensava. Anos antes aquela mesma criatura fora coroada pela terceira coorte por ser astuta, agora não seria diferente, pois não permitiria deixar os detalhes lhe escaparem sem fazer nada. Minerva era uma deusa sábia, mas um livro de economia não a faria corar daquele jeito, tão pouco um mistério ou uma comedia, de duas uma. Ou o livro se tratava de algo erótico que ela queria esconder, como um romance estilo cinquenta tons de cinza, ou era algo ainda mais picante. Becka sorriu maliciosa ao entender isso, e voltou a vasculhar, pulando as prateleiras de livros estudantis e partindo para os títulos mais ousados, como perereca louca e como atrair seu vizinho, mas para seu total desgosto, nenhum tinha a descrição dada pela deusa. As horas se passavam lentamente, e em algum momento Becka se sentiu irritada, talvez começando a pegar para si o humor da deusa. – Olha, o que você me deu não está ajudando em nada, qual a merda do título desse livro? – Perguntou ela, se virando com os olhos faiscando em direção a Minerva, eles mudavam de azul para roxo, e de roxo para mel acastanhado, algo que com frequência definia sua sutil mudança de humor. Minerva me fuzilou de novo, a aura da deusa reluziu mais forte, e ela entortou os lábios enquanto pela segunda vez, as bochechas coravam. – Eu já te disse que livro é, então procure, está sendo paga para isso – Desdenhou ela, Becka estava farta, soltou um gemido baixo e passou as mãos pelo rosto.

A semideusa passou para outra prateleira, e vasculhou mais uma montanha de livros, separando os vermelhos de lado sem nem ler o conteúdo. Quando juntou uma pilha completa, pegou-a nos braços e foi em direção a deusa. – É algum desses? – Perguntou ela, jogando a pilha sobre a mesa e a deixando vasculhar por si mesma. – Não, nenhum, não é esses – Reclamou, mordendo os lábios e olhando ao redor. Minerva parecia realmente perdida, e Becka se compadeceu da deusa, o que poderia deixa-la assim tão transtornada? A filha de Baco não sabia dizer. Suspirando retornou à posição anterior e voltou a remexer os livros, até que foi desperta pelo barulho da porta, e ergueu o olhar. Na entrada principal encontrava-se um deus, mas não qualquer deus, era Netuno parado e com um sorriso brilhante. O bronze natural de sua pele o denunciava, e aquela cara de cafajeste não enganava ninguém. Ele era lindo, meio idiota, mas não deixava de ser lindo. Era o dia oficial de encontrar os deuses.

O senhor dos mares invadiu o aposento, e estendeu a Minerva um livro de capa vermelha. – Trouxe de volta, achei que ia querer, você me emprestou semana passada e eu achei muito bom – O deus murmurou, o que fizera Rebecka arquear a sobrancelha e se aproximar, espiando por sobre o ombro da deusa. Tudo que conseguiu ver foi o título dourado, descrito como “Kama Sutra dos deuses” e uma deusa virar uma pimenta no meio da sala. Becka não conseguiu se conter, gargalhou alto enquanto Minerva se contorcia de vergonha, sentindo espasmos percorrerem o corpo todo. – Era isso? O alarde porque não queria perder um livro de posições do sexo? – Becka gargalhou ainda mais, lagrimas escapando dos olhos e o rosto ficando vermelho pela falta de ar, curvou o corpo para a frente e mais risadas lhe escaparam. Netuno confuso, olhava de uma para a outra como se não fosse capaz de compreender a cena, e realmente não era. Becka parou ofegante, as mãos sobre os joelhos e sorriu de novo. – Acho que o mistério foi resolvido, pelo jeito, seu livro voltou Lady Minerva, e isso quer dizer que posso ir embora – A garota ajeitou o corpo, e cruzou os braços de maneira petulante, apenas para ouvir a deusa gritar. – Suma daqui – E a fuzilar antes de se voltar para Netuno. Becka riu, e começou a caminhar, ao deixar o templo, ainda era capaz de ouvi-los cochichando entre si. É, os deuses são figuras engraçadas, ainda mais aqueles que tem um caso e não querem admitir.
Bônus de xp Dobrado:

Monstrinho céu azul: Dia de sorte: É um bônus de um mês para um semideus de sorte, onde, durante 30 dias a partir da data que essa bonificação for colocada no perfil, toda xp ganha pelo semideus multiplica por 2. Lembrando que essa bonificação só é válida para XP, para níveis não. (Valido até 30/01/2017)


Quer ser feliz? Seja louco, sorria sempre mesmo sem motivo. Meu estilo de vida liberta minha mente.Enquanto houver um louco, um poeta e um amante haverá sonho, amor e fantasia. E enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança.
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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Zoë Ehlert Nordberg em Seg Jan 16, 2017 6:15 pm

Not making any sense
Não era novidade que alguns dos deuses eram exagerados, gostavam de farturas em todos os sentidos da palavra, gostavam sempre do maior e do melhor e que sempre se perdiam eu suas próprias exigências uma hora ou outra. Dessa vez não fora diferente, Athena estava procurando um livro entre as 3 prateleiras que iam do chão ao teto, de um canto ao outro e que continham a maior variedade mundial de livros. Naquele momento, me encontrava de frente para Quíron que me pedia insistentemente para ir ajudá-la. Sinceramente? Naquela altura eu não era uma grande fã dela. — Eu não vou, Quíron… sinto muito. — Repeti mais uma vez com uma voz manhosa e me virei de costas para ele para começar a sair dali.

Mas, óbvio que ele não desistiria. O seu ato de pegar tão forte em meu braço me fez mudar de ideia automaticamente. — Aaahhhhh, tá bom! Que coisa chata. Eu ajudo ela. — Falei e minha resposta obrigatória fez o grande sorrir em agradecimento. Retribui, meio sem jeito, arrumando minha jaqueta.
× × ×
Não levei muitos itens para fora do Acampamento, apenas o necessário caso acontecesse algum imprevisto no meio do caminho. O que, com a minha sorte, provavelmente aconteceria algo de muito ruim. No caminho ao sair do Chalé, meu corpo foi tomado por uma luz brilhante e envolvente e em um piscar de olhos, me encontrava no Olimpo. É claro, como o que me mandaram fazer, estava justamente no templo da deusa da sabedoria. Era a primeira vez na morada dos deuses, por isso a minha surpresa fora visível quando meu queixo caiu em encantamento com o lugar.

A arquitetura era imponente assim como quem morava ali, o que não chegou a me intimidar, mas me deixou levemente apreensiva. Sabia porque estava juntamente na presença da deusa e ela sabia porque eu estava em sua morada também, então falar com ela meus motivos de estar ali era o que menos me preocupava naquele momento. Fora que acima de tudo, mesmo não indo muito com a sua pessoa, eu a respeitava assim como qualquer outro deus. Meus pés se moveram até as grandes prateleiras que continham livro sobre tudo o que você quisesse ler e ter subido tantos degraus me fez perder o fôlego.

Parei para respirar um pouco, procurar o ar desesperadamente, reclamando mentalmente por ter cedido tão rápido à Quíron. Sabia que de alguma forma, o livro não estava ali. Mas perderia tempo procurando mesmo assim, não me custaria nada ser um pouco mais atenta ao procurar um por um,  procurar por detalhes mínimos em sua capa.

“Encontrar livros sem saber sequer um detalhe… valeu Athena.” Pensou e xingou em um sussurro, pegando o quarto livro. Passou seus olhos pelo quinto, o sexto, o sétimo… até o vigésimo nono. E, quando me dei por vencida, bufei irritada e frustrada ao descer as escadarias e pousar meu corpo sobre um sofá. Havia procurado em todos os cantos sabendo dos mínimos detalhes da capa do livro, mas estava quase saindo dali. Quando me levantei, uma ideia veio em minha cabeça. Poderia ser boba assim como poderia ser útil.

Caminhei em passos apressados até a sua modéstia sala discretamente. Os deuses eram cheios de visitas, conversavam entre si, visitavam uns aos outros e volte e meia faziam convites peculiares, então não custaria nada perguntar algo para Athena. — Com licença… — Bateu no batente da enorme porta de madeira clara e sorriu sem jeito, juntando as mãos atrás de si. Os olhos de Athena subiram até os meus e por um momento pensei em recuar. — Me desculpe ser intrometida, mas talvez ajude… visitou alguém nos últimos dias? Ou, alguém veio lhe visitar? — Pigarrou ao terminar, esperando sua resposta.

A deusa pareceu pensar por alguns segundos, sua mão segurando seu queixo quando a mesma mordeu os lábios forçando sua mente para lembrar-se de algo relacionado à minha pergunta. O tempo que fiquei ali esperando, pude admirá-la melhor, cada traço seu. Seu rosto fixo e seu maxilar delineado, seus cabelos loiros perfeitamente cuidados a dava um ar jovial e encantador. Se não fosse tão irritantemente chata… quem sabe. — Talvez Ares tenha vindo aqui, em uma visita rápida. — Ela murmurou me olhando novamente, parecia que me fuzilava mentalmente. — Hm… okay. Obrigada. — Falei por falar, saindo do local e indo até a morada de Ares.

O vi sentado em um assento feito de mármore e pigarrei chamando sua atenção, ele me abriu um sorriso simpático e veio em minha direção, erguendo a mão em um cumprimento educado. Eu fiz o mesmo e sorri divertida, tentando descontrair a imagem nervosa que provavelmente era visível. — Bom, só vim perguntar se pegou algum livro de Athena? Se visitou ela ou coisa do tipo. — Fui direta e ele pareceu pensar, ainda um pouco surpreso com a minha astúcia, dando alguns passos para trás e entrando em um cômodo estranho. Voltou minutos depois com um livro em mãos e eu suspirei aliviada ao pegá-lo de sua mão.

— Agradeça ela. — Ele pediu e eu dei de ombros, fazendo uma careta engraçada. — Não tenho certeza se ela está num bom humor hoje… — Comentei, saindo da sua morada e partindo novamente em direção à Athena.

Queria chegar o mais rápido que fosse ou sabia que ela surtaria uma hora ou outra, seu nervosismo era aparente quando a vi pela última vez e eu não queria arriscar um castigo. Mais uma vez, bati algumas vezes em sua porta e entrei, deixando o livro milimetricamente arrumado em cima de um baú, ela me sorriu agradecendo e maneou com a cabeça para que eu saísse dali. Foi o que fiz, caminhei o mais rápido que pude para voltar depressa para o Acampamento. O lugar era aparentemente chato e algumas das pessoas que convivam também.

Distante o possível da morada de Athena, pude ouvir um rugido alto que chegou a estremecer as paredes e eu agradeci mentalmente por ser ágil o suficiente para sair e não perder meus tímpanos. “Obrigada mãe...” ri com meus pensamentos, sendo tomada novamente pela luz ao voltar para o Acampamento.
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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Hela A. Deverich em Ter Jan 17, 2017 7:47 pm


Athena
 ♦ listening Sucker for Pain with xxx♦ words: 1436 ♦


Hela havia acabado de banhar. Retornar ao Acampamento depois de toda aquela loucura com os deuses era reconfortante. A garota se vestiu, uma camisa branca de tecido fino e leve que lhe trazia uma sensação boa quando estava em contato com sua pele, um short jeans largo e meias pretas de lã que subiam até a metade das coxas.

Deitou-se na cama, comendo um saco de jujubas que ela dividia com Keera e Brontë. O dragão a olhava atentamente enquanto o corvo tagarelava ao fundo. Aquilo era como estar em casa para ela que, confortavelmente, abraçava o travesseiro enquanto seus dedos da destra se revezavam entre distribuir jujubas e virar as páginas do grosso livro de mitos e histórias da antiga Grécia.

Hela sempre gostara de estudar e, a melhor parte, sempre fora inteligente. Tinha capacidade de aprender e memorizar qualquer coisa que tentassem lhe ensinar e, no seu tempo livre, lia sobre monstros e como matá-los. A garota já estava quase pegando no sono quando caiu com um baque surdo no chão.

Sequer teve tempo de pegar qualquer arma ou qualquer coisa. Estava apenas com o livro na mão e o travesseiro entre os braços - que amortecera a queda -  quando se deu conta de que estava em uma gigantesca biblioteca.  Sentou-se no chão, fechando o próprio livro com cuidado e o coloco sobre o travesseiro. Seus olhos brilhavam como os de uma criança que vira um parque de diversões.

Haviam tantos livros, de tantas cores, formas, tamanhos, línguas, títulos... sorriu levemente. Aquilo poderia até mesmo ser um sonho, se ela não tivesse visto uma mulher loira, os olhos cinzentos e a feição séria lhe diziam exatamente onde ela estava.

A garota pegou o travesseiro e o livro, se colocando de pé. Embora ela estivesse pronta para dormir, não passavam de duas da tarde. - Lady Atena? - a garota perguntou com suavidade, se curvando quando a mesma a olhou. - Foi a senhora quem me trouxe aqui?

- Sim. Soube que você conseguiu realizar alguns feitos para outros deuses hoje. - Hela assentiu, silenciosa. - Bem... - a deusa a olhou da cabeça aos pés, parecia não entender porque a menina carregava um travesseiro. - Eu perdi um de meus livros. Eu tinha certeza absoluta de que o havia colocado na prateleira quatrocentos e dois, linha sete. Mas ele não está lá. Preciso que o encontre.

Hela piscou algumas vezes. - Bem... eu. Irei procurar. - Atena estava mal humorada, suas feições ditas como serenas estavam contraídas em um carranca, os lábios se crispavam de uma forma que Hela conheciam bem e ela parecia prestes a transformar qualquer um em livro. - Não demoro a encontra-lo!

Pedindo licença para a deusa, Hela colocou o travesseiro e o próprio livro em um canto onde não haveria risco de ninguém tropeçar. Bem. Havia uma coisa que Atena não lhe dissera. Qual era o nome do livro? "Merda.", xingou em um rosnado baixo.

Bem, vamos ver... que tipo de livro Atena poderia amar tanto a ponto de ficar naquele estado? Uma ideia brotou imediatamente na cabeça de Hela. Talvez o local onde o livro deveria se encontrar lhe desse uma dica. Ou talvez Atena tivesse um registro formal de onde guardava cada livro. Talvez ela pudesse perguntar para a deusa.

No entanto a ideia foi rapidamente interrompida quando ela ouviu alguém esbravejar para só em seguida perceber que esse alguém era a deusa da sabedoria. - Jinjja... - o muxoxo em coreano veio de forma involuntário.

A garota tentou procurar a tal prateleira quatrocentos e dois sem passar pela vista da deusa, algo que seria mais simples se ela estivesse com sua capa, além do mais as meias de lã escorregavam no piso liso e limpo e Hela se viu "derrapando" umas duas ou três vezes.

Virou para a esquerda, subiu, virou a esquerda, novamente para a direita e de volta para a esquerda. Já havia percorrido quase toda a biblioteca e ainda nem sinal nem mesmo da prateleira. Andou, andou, andou. Escorregou uma vez graças ao susto com outra demonstração de raiva da deusa e acabou ficando com os pés descalços, colocando as meias no bolso da jeans.

Ao menos cair lhe fora útil. Ela encontrara a tal prateleira. Bem, todos os livros daquela sessão pareciam ser de arquitetura e estavam separados por idiomas. O livro que estava faltando estava escrito em grego, aparentemente. Hela conseguiria ler aquilo.

Andando a biblioteca toda ela chegara à conclusão definitiva que não estava ali dentro. Então onde?

A garota praticamente escorregara pelo corrimão até estar de volta ao primeiro andar. Passou por baixo da escada e saiu em direção aos templos. Pode ser que Atena o tenha levado para lá para ler.

Adentrou o templo da deusa, a brisa soprando os cabelos que - de tão longos - se enroscavam nos braços da menina. Ela olhou a estátua da deusa com um sorriso. De todos os olimpianos, o único do qual Hela realmente gostava e respeitava era Atena.

Mesmo que dissessem que os filhos de Atena e Hécate não se dessem bem pois Atena era uma deusa cética, não costumava crer em magia e seus filhos, como que por hábito, pareciam herdar aquilo da mãe.

Não interessava a Hela se Atena era crente em magia ou não, no fim das contas, aquilo existiria mesmo que a deusa não acreditasse. Ceticismo não era algo suficiente para que Hela deixasse de admirar a sabedoria da deusa.

Andou pelo templo e sequer teve sinal do livro. Então, resolveu dar uma volta pelos templos dos outros deuses.

O livro parecia ter passado de sólido para gasoso já que Hela não encontrava nem mesmo rastro do bendito. Sequer no templo de Hermes, famoso por suas peças, ela encontrou algo. Ou no templo de Poseidon, deus por quem - supostamente - Atena tinha afeto.

A garota começava a morder os lábios nervosamente, então ela teve a brilhante ideia de procurar na sala dos tronos.

Sem tardar, ela estava lá dentro. O salão alto e imponente estava tão deserto que a necromante era capaz (ou era apenas uma sensação) de ouvir os próprios batimentos. Estava nervosa, sabia muito bem que não deveria tocar em nenhum dos tronos sob risco de ser feita em churrasquinho. Começou olhando os tronos que estavam na ponta, tomando todo o cuidado do mundo para não tocar em nada.

Não foi surpresa nenhuma quando ela viu o trono de Atena e notou um pequeno objeto ali. Chegando mais perto, mas não muito perto, ela pôde ver com clareza o que era. O livro!

Um sorriso surgiu nos lábios de Hela e a garota deixou que as asas brotassem de suas omoplatas, as assas de sombra baterem e a ergueram no chão o suficiente para que ela alcançasse o assento do trono para pegar o livro. Bingo! Sorriu, deixando-se ir ao chão novamente antes de dar um sumiço nas asas. - Você de novo. - ela reconheceu a aura de Hermes. - Eu ia devolver para Atena quando terminasse de ler. Mas quando ela começou a esbravejar eu achei melhor deixar aqui... uma hora ela encontraria.

- Bem, em uma próxima vez, talvez, o senhor devesse pedir emprestado para ela. - disse gentilmente, olhando para a expressão cansada do deus. Abriu a boca como se fosse perguntar algo, mas logo a fechou. - Se não se importa, preciso devolver isso para Atena. - ela disse gentilmente. Hermes assentiu, dando passagem para a cria da magia que saiu apressada dali.

Quando entrou na biblioteca, imediatamente topou com a deusa, se desculpando veementemente enquanto lhe estendia o livro. Talvez Atena tenha se sentido muito grata pela ajuda da garota e sequer comentou o fato de ela ter esbarrado em si.

A deusa olhou do livro para a garota, sorrindo levemente. - Muito bem... pode ir para casa, criança. - disse Atena assim que colocou o livro de volta na prateleira.

Hela se agarrou ao travesseiro e ao livro antes de sentir o corpo bater a cama. O corvo bateu as asas e Hela riu. - Você acha divertido fazer essas coisas? - ele parecia irritado. O que fez Hela rir ainda mais. - Tudo bem... não precisa ficar irritado, senhor nervosinho.

Enquanto o corvo praguejava, ela colocou o livro sob o travesseiro e se ajeitou. - Olha só... eu tive dois longos dias. Se não for pedir muito, eu gostaria de dormir, sir. - o corvo voou ao seu poleiro enquanto Brontë soltou uma baforada de ar quente.

Não demorou muito para que Morfeu a acolhesse no mundo de sonhos onde, ela mal sabia, reviveria as mesmas maluquices


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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Samanta Sink em Sex Jan 27, 2017 12:25 pm



O Livro de Atena
E as suas páginas escritas com o sangue dos soldados pelas eras, que vieram, que são e as que ainda estão por vir.


Os estampidos dos tiros se faziam tão altos quanto... bem, estampidos de tiros. O cheiro de pólvora misturado com sangue, barro e suor impregnava meu nariz e me deixava enjoada. Ao longe o descampado era explodido com granadas e morteiros enquanto homens corriam com suas armas, rifles carregados com um único tiro. Eram a linha de frente e corriam ensandecidamente até conseguirem derrubar um único inimigo com suas baionetas. Não eram treinados no uso de artilharia, infelizmente.

Ali, protegida pela trincheira, eu me sentia mais segura do que o restante dos soldados que corriam para suas mortes certas. Um tiro atingiu a borda, jogando terra e me fazendo me proteger. Ao olhar para baixo, um homem, padre, sentado no lamaçal misturando com sangue, vômito e fezes, me entregou um livro tão velho quanto o tempo. Seus olhos estavam turvos, trêmulos. Suas mãos geladas. Ouvi-o falar alemão, mas, estranhamente, eu o entendia.

— Esconda este livro... — Ele sorria, debilmente. — Podemos fazer... a deusa da Guerra... nossa aliada. — Tossiu uma nódoa de sangue. Havia um buraco de tiro em sua barriga. — Corra, soldado... Este símbolo. — Ele exibiu a mão para mim e, marcado em sua palma, com cortes feitos por uma faca, havia um desenho estranho. — Precisa gravá-lo... no recipiente... que esconder...

O coração bateu forte com o mero sentimento de ganhar a guerra e, assim, corri pelos túneis que se cortavam por outros. Soldados que passavam apressados por mim, volta e meia esbarrando ou me parando para pedir ajuda, com algum membro faltando. Eu havia recebido uma missão, pelo bem da Alemanha, e a cumpriria o quanto antes possível.

Assim que dobrei a esquina, pude divisar, ao longe, uma alta igreja de telhado laranja e construção branca. Era linda e me causava certa tranquilidade e até mesmo paz. Porém, um som agudo me invadiu os ouvidos, crescente, cada vez mais perto. Eu sabia o que era aquilo. Então, com um empurrão de minhas pernas, me joguei para dentro de uma casamata cavada debaixo da terra e a explosão aconteceu, me enterrando viva nos destroços e entulhos.

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Acordei com um sobressalto em minha cama e, conforme os olhos se acostumavam com a escuridão eu podia divisar o local em que estava: O Chalé de Ares. As paredes pintadas de vermelho contendo obras de arte de guerras, inúmeras guerras, travadas ao longo da humanidade. Os velhos ventiladores de teto que giravam a uma baixa velocidade, mas o suficiente para nos lançar alguma refrescante brisa. O roncar de meus inúmeros irmãos. Nunca estivera tão feliz em estar ali.

Sentia minha pele, costas e barriga, empapada por suor, assim como algumas gotas que escorriam por meu rosto. A respiração ofegante espelhava os esforços físicos que havia feito enquanto cativa no mundo dos Oneiros. Notei que eu havia sido a única que estava desperta àquela hora da madrugada.

Com as pernas suadas, agora descobertas e sentindo o frio da madrugada, sentei na cama, os pés tocando o chão. As mãos trêmulas, devido à grande adrenalina presente no sangue, tiravam os cabelos da frente do rosto.

— Aí... — Cutuquei meu irmão, vizinho de cama, e ele se revirou. — Porra, David. Acorda! — O filho de Ares me encarou com os olhos finos e a cara amassada de sono.

— O que houve, Sammy? Porque está acordada? — A voz sonolenta e, até mesmo um pouco decepcionada. O sonho devia estar bom.

— As Guerras nas trincheiras... foram travadas onde? — O perguntei, umedecendo os lábios logo em seguida.

— Ah, sei lá... — Ele fez uma pequena pausa, pensando. — Entre a Bélgica e a França.

— Valeu. — Me pus de pé e ainda senti seus olhos em mim.

— Samanta, quando você vai parar de dormir de calcinha e blusa? — O ouvi falar arrastado e, sem dirigi-lo o olhar, o respondi.

— Quando você cuidar da própria vida.

O caminho até o vestiário foi tranquilo, principalmente por não ter semideus algum em meu caminho, diferente do sonho, com pessoas mutiladas. O cheiro de sangue e outros resíduos do corpo humano ainda me arrancavam arrepios e náuseas. E quando as gotas de água, do chuveiro, tocaram minha pele nua eu começava a me sentir limpa. Era como se eu pudesse sentir a terra e o sangue serem lavados de mim e escoarem pelo ralo.

Quando saí do vestiário, enrolada na toalha, os primeiros raios de sol começavam a se esgueirar pelas frestas das janelas e, com velocidade, me vesti ao lado da cama, aproveitando o sono de todos os meus irmãos. Não demorou para que o toque da alvorada soasse e todos estivessem de pé. David se levantou e acariciou a própria nuca, suspirando. Seus olhos cravaram em mim.

— Porque queria saber aquilo? — Me perguntou, com dúvidas.

— É isso que eu quero descobrir. — Cutuquei minha própria têmpora. — Tive um sonho. — Meu irmão fez uma careta.

— Ish... — Deixou escapar. — E sabe o que isso quer dizer?

— Que tem algo lá enterrado a sete palmos, esperando por mim. — O respondi e saí do chalé, rumando diretamente para a Casa Grande.

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— Quíron, eu tenho uma... — Disse assim que a porta da Casa Grande se abriu, me liberando a passagem.

— Samanta! — O centauro estava atrás de sua mesa e podia ver sua expressão assustada, quase desesperada.

O fogo, na lareira, crepitava baixinho e tranquilizador, porém, não parecia surtir efeito no chefe do Acampamento, tampouco no Leopardo empalhado acima dela. A língua não parava de umedecer o nariz felino e aquilo me fez pensar que a criatura estava com calor. Também pudera, devido ao local que a haviam posto.

— Tenho uma missão importante pra você! — Meus olhos focaram nos do centauro, observando o castanho escuro, tão profundo quanto um desfiladeiro repleto de memórias e experiências. — Aproveitando que você é uma filha da guerra, preciso que você vá ao templo de Atena, no Olimpo. — Minha expressão devia estar totalmente torcida, pois Quíron deixou uma risada. — Relaxa esse rosto, Samanta. Vai acabar enrugando antes da hora. Não é nada complexo. Atena só precisa de uma ajuda.

— Ããããã... tá bem... — Acabei rindo de nervosa enquanto uma coceira começava a surgir na nuca. — A julgar por quem está pedindo... acho que não vai ser tão fácil assim, mas tudo bem.

— Vai sim. Olha... — Ele apontou para um espelho cujo reflexo era um pouco amarelado e, em seguida, tremulou, como se fosse liquefato.

— Isso é um portal? — Perguntei com um sorriso no rosto, orgulhosa por saber o que aquele artefato era.

— Sim, é um por... — Ele me olhou desconfiado. — Como você sabe?

— Eu li em algum lugar. — Abri um sorriso disfarçado, cheio de dentes. Não diria que havia pedido para Pandora fazer um para mim, ligando os Acampamentos Grego e Romano.

— Você tem lido? Que ótimo! Esse serviço é pra você! — Disse animado, trotando até atrás de mim e me encaminhando até o espelho.

Os sons de cascos se aproximando me fizeram recuar um passo e repensar uma, duas, quatro vezes cada palavra que eu dissera para Quíron. Me arrependia de ter dito que estava lendo sobre portais, principalmente por fazer o Chefe do Acampamento pensar que, assim, eu estaria apta a completar a missão. Deuses! Uma filha de Ares resolver um problema que a própria deusa da sabedoria não sabia resolver! Onde eu estava com a cabeça? Soterrada por entulhos de meu próprio orgulho, só pode!

Assim que fui conduzida até a frente do espelho pude observar o reflexo ali. O centauro era muito maior do que eu, cerca de 40 a 60 centímetros. Sua mão pousada em meu ombro, me dando um pouco de força e confiança para continuar e, em seguida, me empurrou para cima do espelho.

Foi como cruzar uma porta de uma loja climatizada

Ainda com os braços à frente do corpo senti os fortes ventos de altura varrerem minha pele e meus cabelos. A mudança de temperatura fez minha pele arrepiar ao passo que meus olhos semicerraram em frestas, nas pálpebras. A claridade alaranjada do reflexo do sol nas nuvens doía, como se sempre tivesse vivido na escuridão.

— É esse o efeito de visitar o Olimpo... – Divaguei, incerta, começando a dar os primeiros passos pelo caminho suspenso nos céus.

Vozes distantes conversando banalidades divinas me eram captadas, mas o nervosismo me impossibilitava de processá-las, tampouco entendê-las. Não conseguia, sequer, olhar para os deuses, em suas formas divinas. Era como estar cercada por vários sóis ofuscantes e, então, senti uma mão amigável pousar em meu ombro.

— Menina, o que está fazendo aqui? — Era uma voz feminina, melodiosa. Agradável de ouvir.

— Eu preciso achar Atena, no templo dela. — Comentei, com as mãos na frente dos olhos e, então, o que eu pensei serem dedos, afastaram minhas mãos para longe do rosto.

Forcei as pálpebras uma contra as outras em um âmbito de proteção de minha sanidade e do bem-estar de meus próprios olhos e, então, um óculos me foi colocado na frente do rosto, pude sentir.

— Pode abrir os olhos, agora...

Fiz o que a voz divina me dissera para fazer e, então, acabei por me espantar com a beleza daquela mulher. Seus olhos eram como um caleidoscópio colorido de cores já conhecidas e, até mesmo, cores impossíveis de se imaginar. Seus cabelos ondulavam macios com a força do vento, diferente dos meus, que eram rebeldes e se embaraçavam com facilidade. Seus dentes brilhantes esboçavam um sorriso até mesmo travesso, mas amigável e gentil. Os braços ornamentados com braceletes e pulseiras douradas, repletas de joias de todas as cores do arco-íris. Íris...

— Você é Íris... — Comentei mais para mim mesma do que para ela, mas aquele comentário arrancou da deusa um sorriso cômico.

— A própria, deusa do Arco-Íris e Mensageira dos Deuses. — Disse, orgulhosa.

— Mas esse não é Hermes? — A questionei, um tanto confusa, arrancando dela uma gargalhada contagiante.

— Querida, acha mesmo que Hermes consegue fazer o papel de Mensageiro com todas suas atribuições? Ladrões, viajantes, advogados, magia, mensagens... — Ela ia contando nos dedos e, depois, deu um tapinha no ar. — Eu o ajudo com a parte de mensagens, afinal, é para mim que vocês pedem mensagens de Íris, não é? — Sorriso orgulhoso.

— Você tem um ponto... — Maneei a cabeça em negativo. — Lady Íris, preciso encontrar a Biblioteca de Atena, acho que ela pode acabar me pulverizando se eu me atrasar. — Mordi o lábio inferior, me perguntando se também explodiria em pó dourado caso à tocasse. — Você sabe onde posso encontrá-la?

— Claro! Também sou guia! — Me respondeu exultante. A deusa me apontou a direção correta a seguir enquanto descrevia ordens e mais ordens, também gesticulando. — Vire a esquerda, depois continue pela rua até encontrar um cavalo dourado, Árion, que é constantemente alimentado por Tique. Neste momento dobre à direita e verá Nike jogando cartas com Nêmesis. Provavelmente estarão brigando, como sempre fazem. Passará pela academia de Cratos e, só então, verá a biblioteca de Atena.

Memorizei as palavras da deusa do arco-íris, movendo os lábios rapidamente e em voz baixa, quase como uma ladainha a ser memorizada, pois sabia que se me perdesse poderia acabar em sérios problemas com algum deus, em seu próprio território. E por mais que eu estivesse armada, enfrentar uma entidade capaz de te destruir com um sopro nunca é bom.

— Esquerda... Árion e Tique, direita... Nike e Nêmesis, Academia de Cratos e Biblioteca de Atena. — A deusa me sorriu e me senti aquecida.

— Correto! — Me ergueu o polegar e notei suas unhas muito bem pintadas, tão coloridas quanto o resto.

— Obrigada, Íris. — Comecei a correr em pique e, antes de virar a esquina, à esquerda, olhei por cima do ombro. — Lembrarei de fazer uma oferenda na próxima refeição!

Não parei para observar os demais deuses que passavam rápidos perante minha corrida acelerada, exceto aqueles aos quais Íris se referiu. O cavalo dourado, Ários, sendo alimentado com moedas douradas e pedras preciosas por Tique e, também, assim que dobrei a esquina pude ver Nike, com suas asas brancas e uma coroa de louros na cabeça. Em sua frente havia Nêmesis, tão linda quando a própria Afrodite, se não mais. Seus olhos vendados por um pedaço de pano não deixavam passar despercebidos uma carta escondida na manga da deusa da Vitória que, assim, levou as duas a brigarem com xingamentos.

A biblioteca surgiu em minha visão com sua estrutura branca e imponente. Sabia que conseguia vê-la por causa dos óculos que Íris havia me dado de presente e apenas por isso. As grossas colunatas sustentavam o teto e, sob a fachada estava escrito “Biblioteca de Atena” com legras gregas, maiúsculas e douradas. Bastante sugestivo.

Subi os degraus de dois em dois e empurrei as pesadas portas de bronze até pode passar pelo vão que elas liberaram. O cheiro de papel de pergaminho invadiu meu nariz com doçura e suspirei ali. Adorava o cheiro de livros, fossem novos ou velhos, mas não costumava lê-los. Para todo o lugar que olhava podia ver tomos e mais tomos antiguíssimos e, então, uma deusa da guerra caminhando em minha direção, de espada em mãos.

— Atena, Quíron me mandou para...

— Onde está o livro?! — Estava com um olhar fixo em mim e, então, notei em sua mão um gládio ameaçador.

A deusa vinha em uma forma imponente e bem ameaçadora. Os músculos eram tão firmes quanto os meus, assim como a altura se assemelhava à minha. Seus passos decididos e cheios de ódio me fizeram sacar minha própria espada, a mais resistente delas, para pelo menos me defender das investidas da deusa.

Sim, sua intenção podia ser sentida tão sólida quanto um soco na boca do estômago.

Quando o golpe veio em minha direção tive tempo apenas de transformar minha espada montante em uma espada menor e mais rápida, usando do Arsenal, enquanto blindava minha pele com Bronze. Bloqueei o golpe com precisão, fazendo faíscas chisparem no ar, assim como meu próprio sangue. Usara toda a minha força e perícia para aquele bloqueio e, mesmo assim, a deusa conseguira trespassar a defesa da espada e da minha pele.

— Eu vim ajudar! — Cambaleei alguns passos para trás e corri outros, me distanciando da deusa alucinada, levando a mão ao braço ferido. O sangue tingia meus dedos de vermelho. — Que livro é esse?!

— É um livro importante demais para ser perdido! — Mais um golpe, de cima para baixo, o que me fez erguer a espada na horizontal, acima da cabeça.

As espadas se chocaram uma vez mais e minha força, novamente, não fora o suficiente para frenar a brutalidade e precisão dos ataques de Atena. Meus músculos cederam à sua força divina e a espada da deusa desenhou um risco em minha testa, por cima da sobrancelha direita até a bochecha. Girei em um rolamento pelo chão e levei a mão já ensanguentada ao rosto.

— Você não devia ter feito isso... — Saiu em tom de ameaça e Atena apenas retrucou.

— Muitas coisas não deviam ter acontecido, mas você acha que... — Não dei tempo para que a mulher continuasse e parti para cima em uma corrida acelerada e rápida.

Nossa distância foi vencida em menos de um segundo e nossas espadas se chocaram uma, duas, três vezes, fazendo faíscas ganharem o ar como fênix que fogem da destruição iminente. Atena mantinha seus olhos focados nos meus, prevendo cada movimento, cada golpe, cada tentativa de rasteira. Era como uma dança sincronizada em que eu a atacava ao modo Ares e ela se defendia como uma estrategista nata.

O próximo golpe seria devastador, porém, com uma inclinação de corpo a filha de Zeus se esquivou perfeitamente e minha lâmina dividiu ao meio uma mesa de mogno. Papéis ganharam o ar, guiados por um vento e, numa continuação do golpe, investi contra a deusa que ainda estava no meio da esquiva. Ela era rápida, muito rápida. Seu escudo surgiu em seu braço, materializado em um passe de mágica e, assim, minha espada parou em pleno ar. O solavanco apenas não machucou meus braços por causa de minha perícia em lutar.

— Uma luta não é apenas força! — Sua espada veio em direção à minha perna, onde eu sabia ter uma artéria importante. Ela estava pronta para golpear e me matar ali mesmo.

Segurei seu escudo com força e o girei. O elemento surpresa fez o seu corpo girar junto com o braço e não demorou para a deusa da sabedoria ir para no chão. A espada foi brandida uma vez mais, no meio do movimento de giro, e me trespassou o ombro esquerdo, inutilizando meu braço, por hora. Não consegui evitar um grito de dor e sofrimento conforme o sangue escapava dali e sujava o chão da biblioteca.

— ATENA! EU QUERO AJUDAR! — Segurei o cabo da espada e a puxei do ombro, sentindo a arma da deusa queimar meus dedos. Não demorou para a arma cair ao chão, quicando e tilintando o metal. — MAS QUE INFERNO! — Segurei o ombro com força, estancando o sangramento como podia, porém, sabia que também sangrava pelas costas.

Juntei minha espada, que havia caído ao chão quando retirei a arma da Deusa da Sabedoria, cega pela ira, e corri por entre algumas prateleiras. Sabia que o que a filha de Zeus faria a seguir era uma brincadeira de gato e rato, principalmente por eu não conseguir conter a trilha de sangue que caía ao chão, depois de escorrer pelo braço e escapar pelo cotovelo.

Ao final da estante de livros, após uns 20 metros correndo, dobrei à direita e dei de cara um espelho de lâmina dourada, exatamente como a Casa Grande, exatamente como o que Pandora fizera para mim. Ele exibia meu reflexo, mas eu estava de pé em um campo florido e, ao fundo, uma igreja. A igreja do meu sonho. Um sorriso se desenhou em meus lábios, porém, ele morreu ao ver o reflexo da deusa, furiosa, atrás de mim.

— Merdaaaaaa... — Me protegi como podia, enrijecendo meus ossos como aço, minha pele como bronze e colocando a espada como bloqueio. Ainda assim fui brutalmente arremessada por um encontrão de escudo dado por Atena.

Meu corpo voou contra o espelho e meu ombro ferido atingiu a lateral, fazendo com que a entrada naquele portal fosse um tanto quanto turbulenta. Meu corpo girou no ar enquanto uma dor doce se espalhava pelo peito a partir da perfuração. As flores, petúnias, se banhando de rubro com respingos enquanto me levantava.

— Filha da... — Atena surgiu com um brilho dourado, mas precisou assumir sua forma mortal para não queimar todo o lugar. — O SEU LIVRO ESTÁ AQUI! — Ela não me deu ouvidos, e eu não aguardei sua reação.

Corri até o ponto em que me lembrava ter visto a igreja e, então, me joguei para o lado, me esquivando de um ataque da Deusa da Guerra, tal qual um déjà-vu. Eu sabia que o corpo do soldado alemão estava ali, abaixo de mim. Precisava estar ou eu seria uma semideusa morta.

Com o coração na garganta soquei a terra com toda a força que podia. O braço enterrou fundo, sete palmos, para ser exata. Meus dedos se fecharam contra ossos e sorri. A força foi extrema, mas puxei um corpo para a superfície, com raízes se rompendo, petúnias sendo mortas para que eu pudesse viver.

— TÁ AQUI! — Soltei o cadáver no chão, abraçado no livro. Em seus braços havia um símbolo gravado com sangue. Provavelmente era mágico e impossibilitava Atena de localizá-lo. — Tá aqui o seu livro! — Atena pareceu acordar um transe e pegou o tomo com a mão trêmula.


— O livro das Guerras das Eras. — Disse, olhando o tomo com os olhos cinzentos, agora, sem nenhum resquício da fúria de antes. — Este livro conta, em detalhes, cada uma das guerras humanas que já aconteceram, estão acontecendo ou irão acontecer... — Seus olhos pousaram em mim. — Como? — Ela perguntou, apenas.

— Eu sonhei... — Engoli em seco e respirei fundo, me mantendo de olhos fechados para tentar ignorar a dor, mas a lâmina divina doía muito mais do que as lâminas terrenas.

— Eu dei falta deste tomo essa manhã... Ele precisa ser escondido novamente.

— Será que você poderia... — Com um som que eu nunca poderia explicar, tampouco já o ouvira, Atena sumiu. Desapareceu no tempo espaço. — Me dar uma... carona... — A procurei no campo de visão, mas não a encontrei. — Merda!

Os regadores começaram a funcionar e deixei o corpo cair para trás. O sol fazendo uma dezena de arco-íris surgirem aqui e ali. Busquei uma moeda e a joguei ali, logo iniciando uma mensagem de Íris.

— Íriiiiis, lembra de mim? — Dei uma risada. — Então, pode me ligar com o Quíron? Preciso dos Pôneis de Festa pra sair da Bélgica...



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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Evie Farrier em Dom Jan 29, 2017 10:54 pm

O livro perdido de Minerva
Como apanhar de uma biblioteca
Sim, exatamente isso que você leu acima




Anteriormente...

Evie passou os últimos dias resolvendo questões divinas. Primeiro, um chamado inusitado da deusa Vênus em sua versão grega. Depois, um pedido velado de ajuda da deusa Juno, matrona dos deuses. Agora, ela estava pronta para retornar para a Califórnia e adentrar mais uma vez a sua rotina de líder da Segunda Coorte. Porém, uma última tarefa aguardava a filha da noite...


Atualmente no elevador do Empire States Bulding

A música irritante tocava constantemente. Como um elevador que dava acesso ao olimpo não tinha uma seleção musical mais interessante? Talvez Febo não tivesse tão bom gosto quanto diziam ter... Ou, talvez, fosse proposital colocar essas músicas que grudavam na mente de tão irritante que eram. Um suspiro escapou de meus lábios quando deixei que minhas costas repousassem contra a parede metálica, sentindo o vibrar que denunciava a descida. Estava distraída, lutando bravamente para pensar em outra música enquanto a que ressoava empurrava a melodia chiclete em meus ouvidos...

-Farrier! Graças aos deuses!

Um pequeno salto pelo susto e logo minha mão destra estava sobre o cabo de minha espada. Por uma pequena sorte, meus olhos perceberam o ser que simplesmente surgiu flutuando na minha frente. A pele acinzentada, os cabelos escuros e uma expressão de pânico que eu já desconfiava ser inerente daquela ninfa da brisa.

-É alguma missão sua me assustar? - questionou irritada.

-Você tem de retornar! - a ninfa exclamou.

-O que? De novo?! - a surpresa estava contida em cada entonação das palavras.

-É Minerva, ela solicitou seu auxílio, ela está muito, mas muuuito mal humorada.

-Essas deusas estão de TPM? - acabei pensando alto e, quase no mesmo instante, um tremor balançou toda a caixa metálica - Ok, foi mal ai se ofendi alguém.

A ninfa olhava-me como se algo estivesse muito errado com minha mente, mas tudo o que eu podia fazer era dar de ombros. Repousei as mãos sobre meu quadril, assumindo uma pose nada amigável.

-O que aconteceu dessa vez? - exigi saber – E é melhor você ser clara dessa vez.... Eu não sei o seu nome!

-Pode me chamar de Marion – ela respondeu subitamente tímida - Você poderia resolver isso? Se Minerva está irritada, logo a contraparte dela, Athena, está furiosa e isso é deveras perigoso...

Eu havia escutado sobre o poder dos nomes sobre as criaturas. As vezes era relativamente perigoso pronunciar o nome dos deuses, ou sequer pesquisar o nome de algum monstro na internet. Isso atraía energias e conferia certo poder para quem proclamava o nome. Descobrir como aquela ninfa se chamava a tornava alguém em minha vida e, inevitavelmente, isso era estranho. Suspirei, lutei contra a vontade de mandar tudo para o inferno, pois tudo o que almejava na verdade era retornar para o Acampamento Júpiter...

-Como fazemos para o elevador subir? - indaguei e resmunguei alto – Deuses, agora entendo porque a aposentadoria de um legionário é tão alta.

Marion sorriu de maneira culpada e, depois, apertou um botão estranho na lateral do elevador. Ele tremeu forte, obrigando-me a segurar mais firme na lateral dele com um medo, puramente justificável, de que aquilo fosse cair de vez. Porém, a sensação de subida intensificou, demonstrando que estávamos retornando para o Monte Olimpo.

(...)

Estávamos paradas a frente de uma enorme construção. Tinha aquele porte majestoso, com altas colunas e uma arquitetura renascentista.

-Essa é a biblioteca da deusa da sabedoria – Marion murmurou ao meu lado, talvez ela estivesse a mercê de todo o encantamento que uma bela construção poderia oferecer – E a deusa está lá dentro, boa sorte.

Deixei meu ar cansado escapasse por entre meus lábios em um suspiro. Ajeitei a minha jaqueta antes que meus passos incertos seguissem para a biblioteca de Minerva. Lá dentro, as paredes eram de tons neutros, em geral cinzas, o piso em mármore branco. Eu poderia tentar descrever o lugar fazendo referência a um filme quando um garotinho entrava em uma biblioteca mágica. Se pensou na biblioteca de Harry Potter que continha enormes estantes repleta de livros... Sim, você imaginou certo.

Eu estaria completamente sem norte se não fosse o barulho constante de algo caindo. Franzi o cenho, olhando para os lados e respirando fundo. Não era difícil de imaginar que quem provocava aquela sequência de som de destruição fosse a deusa. Então eu o segui, passando por duas prateleiras antes de finalmente encontrá-la revirando os livros, resmungando coisas para si mesma.

-Senhora? - chamei insegura.

-Onde está?! - ela rosnou e jogou dois livros para trás, pegando um terceiro para olhar a capa, e, mais irritada ainda, o jogou contra o chão - Onde está?!

-Ahn... senhora? - repeti o chamado, dando dois passos para trás apenas para manter uma ilusão de que quanto mais distante, mais segura estaria – Minerva!

-Oh finalmente! - a deusa romana ergueu o rosto, seus olhos cinzentos tempestuosos me fitaram em pura irritação - Um meio-sangue poderia ser o suficiente, mas não confio nisso, preciso de dois.

-Você poderia, por favor, ser mais clara no que deseja?

O que os deuses tinham que não sabiam ir direto ao ponto? Eu quero que você diga a verdade na minha cara; eu quero que você arranje um jeito de burlar as regras e salvar cinquenta mulheres grávidas; eu quero um cappuccino, por favor. Vê? Muito mais simples dessa forma!

-Eu perdi um livro que me é muito precioso e eu preciso encontrá-lo. Felizmente eu lancei uma magia na biblioteca por precaução, nunca ponderei que realmente, um dia, viria a usá-la! - ela apontou para a esquerda, esticando o braço inteiro de modo teatral – Siga por essa direção e a biblioteca há de responder onde está o meu livro. Boa sorte, a magia lançada foi realmente perigosa. Siga as pistas e responda as perguntas!

Minerva e seus jogos de sabedoria. Mas, antes que eu pudesse verbalizar qualquer reclamação, ela tornou a olhar para os livros com uma fúria que faria qualquer romano repensar a crença de que Minerva não era uma deusa da guerra. Em passos cautelosos, fui seguindo na direção que foi indicada, sempre mantendo um olhar atento a deusa. Ela poderia mudar o humor para o assassino e se livrar de uma pequena semideusa como eu. Quando julguei ser seguro, prendi a respiração, virei o corpo e corri.

Quase um metro depois meu corpo chocou contra o de alguém. Por um momento cogitei que aquele grito de susto havia escapado de minha garganta, mas minha voz não era tão grossa assim mesmo que estivesse com a garganta ferrada. Afastei dois passos para trás, pronta para atacar, quando finalmente vi o semideus a minha frente.

-Ué, Evie? - o garoto moreno e extremamente bonito também me reconheceu. Nosso primeiro e único encontro havia sido em uma fogueira, há pouquíssimo tempo atrás - O que você faz aqui?

-Beau? - lembrei o nome do filho de Eros um pouco depois – Fui convocada para ajudar Minerva, parece que ela perdeu um livro. Vim procurar. E você?

-Minerva? - ele repetiu um tanto confuso, mas logo a compreensão brilhava em seus olhos – Ah sim, a forma romana de Athena. Vim pelo mesmo motivo, Apolo veio me encher no chalé e pediu que eu ajudasse.

"Um meio-sangue não é o suficiente"

Claro, não bastava ser apenas outro meio-sangue, tinha de ser do outro acampamento. Aquele livro deveria ser mesmo muito importante para a deusa da sabedoria. Eu estava para contar para Beau as instruções rasas que a deidade havia dito, mas meu intuito foi interrompido por um grito. Troquei um rápido olhar com Beau e palavras não foram necessárias, corremos juntos seguindo a direção do grito. Acabamos por nos deparar por um enorme círculo, quase do tamanho de uma verdadeira arena de luta. Parecia ser o centro daquele andar da biblioteca.  

- Ela realmente não está em um bom dia. - acabei por dizer.

Mal as palavras haviam saído de minha boca, elas foram acompanhadas de um tremor. Senti uma mão em meu ombro enquanto tentava firmar os meus pés, o temor de um terremoto ali parecia ser surreal, mas válido. As estantes começaram a se afastar ainda mais, abrindo espaço como se fossem guiadas magicamente.

"Onde estou?"

A voz não parecia ser humana. Era sussurrada ao pé do ouvido, mas gritada por todo o ambiente. Aquilo era insano! O ambiente ao nosso redor foi modificando e, aos poucos, parecia que não estávamos mais em uma biblioteca, um ambiente completamente diferente sendo formado magicamente ao nosso redor. Era como uma rua movimentada, mas não um movimento qualquer, eram de monstros! Os monstros, de todos os tipos, alguns que eu reconheci e outros que eu não fazia ideia do que eram, estavam andando lado a lado.

- Acha que eles podem nos ver? - Beau indagou em um tom baixo.

Assim que a voz dele reverberou pelo lugar, todos os olhares viraram em nossa direção. Engoli em seco e senti um forte calafrio em minha espinha. Havia um único pensamento lógico em minha mente que expressava toda a emoção do momento:

"Ferrou"

-CORRE! - gritei assim que vi uma coisa realmente estranha e com vários olhos no rosto vindo em nossa direção.

Meu instinto mais lógico foi correr o mais rápido possível, seguindo a direção onde havia menos monstros possíveis. Cheguei a esbarrar em uma dracaenae, sendo necessário desviar depois de suas garras. Em um determinado momento, eu já não sabia se eu estava seguindo Beau, ou ele me seguindo, mas a sensação era de que não importava para onde corríamos, aquilo nunca parecia ter fim!

-Fodeu...

Estávamos cercados. De um lado, aves negras e horripilantes, e do outro dois ciclopes. Minha mão destra sacou a espada embainhada em minha cintura, algo me dizia que teriamos de lutar – e muito – para podermos escapar daquilo.

"Onde estou?"

-Você dá conta das aves? - Beau questionou já virando o corpo em direção aos ciclopes.

Resmunguei alto e um tanto indignada. O jantar de hoje seria ave assada, se fosse possível com molho barbecue! Girei a espada em minha mão e avancei com passos determinados. Mais atenta e menos assustada, com o sangue letejando cheio de adrenalina por minhas veias, eu finalmente podia entender melhor o meu inimigo. Ou inimigos. Eram quatro enormes aves negras e gordas.

Duas vieram em minha direção em uma rasante. Prendi o meu ar e meu instinto de guerra falou mais alto quando me fez cair de joelhos no chão, deslizando meu corpo por todo o mármore claro da biblioteca, as aves passando bem sobre minha cabeça. Girei e me pus de pé rapidamente, acertando um dos pássaros gordos na asa, em um movimento vertical com a espada. Porém, antes mesmo que eu ajeitasse a minha postura, a terceira ave voou atingindo meu ombro em cheio com suas garras. O ataque fez meu corpo balançar para frente, perder o equilíbrio e cair.

-Merda! - murmurei girando o meu corpo o mais rápido possível.

As aves não permitiram que eu me erguesse. Todas vieram em minha direção, atacando com as garras e bicando costas, pernas e braços. Eu tentava acertá-las cegamente, brandindo minha espada para todos os lados. Porém, tinha de manter a guarda fechada protegendo meu pescoço e rosto, usando do braço esquerdo erguido a minha frente, dificultando e muito a minha visão. Um rosnado irritadiço escapou de minha boca quando um corte mais fundo foi feito em minha coxa. Com o sangue fervendo por estar perdendo por um ataque tão fugaz, abri a palma de minha mão e deixei que a energia concentrasse em minha palma. Liberei a energia em forma de luz, formando uma esfera brilhante sobre a palma de minha mão, similar a uma pequena estrela.

A luminosidade repentina e nociva, fez com que as aves se afastasse, dando-me o espaço necessário para erguer o meu corpo.

"Onde nós estamos?"

-Beau! Onde estamos?! - gritei para o semideus grego – ONDE ESTAMOS?!

Uma ave, com a visão afetada pelo brilho estrelar, colidiu contra uma coluna e despencou no chão. Outra, veio desgovernada em minha direção, ofertando a chance que precisava para atacar com minha espada, em um corte limpo e brutal.

-COMO EU VOU SABER? - ele gritou de onde estava.

-DESCOBRE!

Como ele iria fazer isso? Não tinha a mínima ideia, apenas abaixava o meu corpo para um rasante furioso de uma galinha preta enlouquecida. Ao erguer o meu rosto, ajeitando minha postura, meus olhos se abriram em choque. A segunda ave vinha em minha direção, um ataque tão certeiro que eu não tinha habilidade de revidar. Eu praticamente via o modo como suas asas batiam, o corpo inclinando de modo a esticar as enormes garras em direção ao meu peito.

-BUKER HILL!

O grito de Beau veio acompanhado de uma explosão em pó. Meus olhos fecharam em uma tentativa instintiva de proteger a minha visão, porém eu senti quando as cinzas do monstro atingiram meu corpo. Tossi suavemente, sacudindo a mão a frente de meu rosto em uma tentativa de afastar a poeira deixada pela ave bestial.  

-O que foi isso? - Beau indagou ainda ofegante.

-Nosso primeiro teste – respondi lembrando das palavras de Minerva.

-Teste?

-Sim, para saber onde encontrar o livro.

-Ué, se tinha teste, por que Athena não fez e ela mesma descobriu?

-Ela criou uma magia com desafios que apenas semideuses podem cumprir – dei de ombros – De verdade, sei lá. Deuses são confusos.

Enquanto embainhava a minha espada, uma escada surgiu a nossa frente, ligando o andar que estevámos a um superior. Parece que tínhamos avançado no teste, enfim.

-Então o livro está em Buker Hill?

-Provavelmente – assenti com a cabeça, era a coisa mais lógica até o momento.

Seguimos juntos em direção a escada. Estávamos cautelosos, afinal depois de produzir uma dúzia de monstros no meio de uma pequena arena, o que mais aquela biblioteca poderia ser capaz de fazer?




Os deuses tinham uma visão muito deturbada do que deveria ser “teste” ou “desafio”. Por que sempre tínhamos de por nossas vidas em risco para provar algo? Eu não julgava quem odiava os deuses olimpianos pelas suas atitudes, esse sentimento era fácil de ser alastrado e nutrido quando se pensava nas coisas que fazíamos para sobreviver.

Após ter enfrentado monstros – dentro de uma biblioteca, super lógico não é? – e descoberto o local exigido por aquela estrutura mágica, eu liderei o caminho pelos degraus, sendo seguida pela prole do Cupido. Deveria admitir que, depois do episódio a pouco vivido, o garoto havia conquistado um pouco mais de meu respeito.

O segundo andar era repleto de... Bem, livros. As estantes estavam enfileiradas e repletas de edições e mais edições de livros. Algumas continham sessões com apenas pergaminhos amontoados.

-Será que ela já leu todos? – acabei pensando alto e, assim que terminei de pronunciar, percebi a idiotice que havia dito – Tsc, é claro que sim, ela é uma deusa! Mesmo sendo Minerva... – olhei para Beau ao meu lado – Ela é bem diferente como Athena, não é?

-Sim, os filhos dela são poderosos no AMS! – ele respondeu acenando com a cabeça.

Ao mesmo tempo em que os gregos e romanos possuíam similaridades... As divergências eram gritantes. Dei de ombros e acompanhei o guardião pelos corredores do segundo andar. Quando cinco minutos de calmaria se passaram, meu corpo já começava a ficar inquieto. Diferente do primeiro andar, em que fomos recebidos por aquele ataque surpreendente, a falta de ação causava certa agonia em meu espírito. Tentando desfocar a ansiedade, passei a olhar para as prateleiras cheias de livros ao meu lado.

-Não pode ser! – a exclamação veio quase tão rápida quanto meus olhos leram o título de um determinado livro – Como ela tem isso?

Duh. Ela era uma deusa! Mas como ela teria posse do diário do próprio Merlin? Por que Minerva e não Trivia ou, quem sabe, minha própria mãe? Então veio aquela coisinha impulsiva que desligava nossos cérebros por brevíssimos momentos. Mas que eram o suficiente para poder causar uma catástrofe. A curiosidade foi o impulso necessário para mover minha mão na direção do livro, o puxei almejando vislumbrar aquele livro tão antigo que as páginas pareciam quebradiças. Porém, a ação veio em total harmonia com o estalido, um som de algo sendo acionado por trás da prateleira.

-Isso não é bom! – Beau exclamou atrás de mim – Coloca isso no lugar.

-Ohhh shit! – prontamente coloquei o livro no lugar – Claro que uma coisa dessas iria disparar uma armadilha.

Primeiro escutamos os passos pesados, depois o arrastar de lâmina contra uma superfície. Eu amaldiçoava a minha curiosidade repetidas vezes em minha mente, pois tudo aquilo era culpa de um maldito livro. Com as armas já sacadas, eu e Beau não tivemos de esperar muito para ver o que nos aguardava. Saindo a esquerda, detrás de uma das prateleiras estava o nosso inimigo.

Uma armadura medieval completa portando uma espada bastarda.
Imagem de referência

Era possível escutar os mecanismos funcionando dentro da armadura, sendo fácil assim deduzir que era um autômato. O que levava a segunda conclusão lógica: era uma criação de Vulcano. Engoli em seco e olhei ao redor. Dessa vez nenhuma arena havia sido formada, o que provavelmente significava que aquilo não fazia parte do desafio da biblioteca em encontrar o livro perdido da deusa da sabedoria. Aquilo era, evidentemente, culpa minha.

Um passo mais pesado e ele estava se preparando para atacar.

-Beau! – chamei segurando minha espada mais firme entre meus dedos – Isso é uma armadura, provavelmente tem os mesmos pontos fracos que uma armadura tem. Você pode segurar os ataques enquanto eu golpeio esses pontos?

O plano era básico, mas nem sempre se precisava de algo complexo para derrotar uma armadura protetora de livros de magos épicos em uma biblioteca de uma deusa... Certo?

O guardião e filho do Cupido girou uma de suas espadas e pareceu se preparar para a batalha. Os passos pesados se aproximavam cada vez mais... Até se tornarem uma constante corrida. Eu me afastei com passos parar trás, tendo o vislumbre de Beau defendendo o ataque direto da armadura com sua espada de duas mãos. Com a adrenalina voltando a circular rapidamente por meu sangue, dei a volta por trás da prateleira o mais veloz que meus passos largos poderiam conquistar.

Apareci na mesma lateral da qual aquela armadura surgiu e pude observar a pequena batalha que acontecia. O pior? Era que o espaço era pequeno e a espada enorme do autômato não parecia se importar em atingir as prateleiras ao nosso redor. Beau usava de sua agilidade para esquivar e até tentava atacar, mas sua espada apenas produzia sons pesados quando atingiam a lataria prateada da armadura. Meu calcanhar batia repetidamente no chão enquanto observava cada movimento do autômato, buscando cada ponto desprotegido.

Quando a armadura ergueu a espada para o alto e desceu em um golpe vertical poderoso, eu vi ali a minha chance. Beau esquivou com perfeição do golpe, fazendo com que a espada pesada impactasse contra o chão. A força do golpe foi tamanha que rachou o piso da biblioteca. Com o corpo do autômato abaixado, eu sabia que era aquele o único momento em que ele estaria mais desprotegido. Corri em direção à armadura e em um movimento hábil e arriscado, saltei em suas costas segurando firmemente minha lâmina, meu corpo parando a sua frente antes que ele erguesse a sua própria espada. Fiquei a lâmina irregular no espaço da axila, onde malmente havia proteção. Usei de minha força herdada da deusa da guerra, implicando mais impulso para ter certeza de que a lâmina atravessaria a lataria.

-Beau! A parte de trás do joelho! É frágil também! – gritei a instrução para ele.

Eu vi a movimentação do semideus grego ao meu redor, mas notei apenas quando o autômato caiu de joelhos depois de ser golpeado por trás. Arranquei minha espada usando toda a força que tinha, a girei rapidamente para voltar a lâmina de ferro estigio para baixo e golpeei a área interna do cotovelo, onde a articulação do antebraço era mais frágil. Assim que o autômato deu sinais de que iria tentar levantar, afastei meu corpo para ganhar distância e não ser atingida por um possível contra-ataque.

Ele tentou levantar, mas a perna atingida por Beau fraquejou e o manteve de joelhos. Ele tentou usar a espada como apoio, mas seu braço atingido por mim tremeu e fez uma sequência de barulhos estranhos. Ele estava faiscando enquanto tentava voltar a funcionar normalmente.

-Vamos sair daqui – Beau chamou alarmado.

-Espero que ele não exploda! – passei correndo ao lado do autômato.

Partimos dali em direção ao primeiro lance de escadas que achamos, seguindo finalmente para o terceiro andar. Não derrotamos totalmente o autômato, mas o importante era que ele estava quebrado e sem conseguir levantar para a sua perseguição de máquina mortífera.  

-Não vamos contar essa parte para Minerva – anunciei sentindo um calafrio poderoso em minha espinha só de imaginar a deusa descobrindo que um pedaço de sua biblioteca estava destruída.

Definitivamente tudo o que eu mais queria agora era encontrar aquele maldito livro e sair dali. Bibliotecas eram um verdadeiro pesadelo!




Eu nunca mais teria a capacidade de adentrar uma biblioteca sem ter suspeitas a cada passo que desse. Aquilo era uma verdadeira loucura! Mesmo que loucura fosse o adjetivo mais usado para caracterizar momentos em minha vida.

Alcançamos o terceiro andar. Vivos de alguma forma, porém já com machucados e músculos começando a dar sinais de cansaço. O terceiro andar era similar a todos os outros. Amplos e repletos de estantes cheias de livros. Dessa vez, não me atrevi a observar os títulos dos exemplares únicos que a deusa da sabedoria tinha. Havia aprendido minha lição: nunca mais bisbilhotar coisas dos deuses.

Quando nos aproximamos do centro, a pequena arena formou-se mais uma vez. As estantes se moviam para o lado e dava espaço para que o desafio começasse. Troquei um olhar sério com o filho de Eros, mas logo tudo em mim adentrou no estado de alerta. Um tiro reverberou alto e estrondoso. Não um tiro de uma arma de fogo qualquer... Deuses, aquilo foi o som de tiro de canhão!

-Pela liberdade!!!!

O grito veio em algum ponto atrás de nós. Não tivemos tempo de virar o corpo, pois aquilo nos atingiu. Uma verdadeira legião trajando um uniforme antigo e azul. Ele marchavam com vigor, em mãos uma espingarda, na cintura, espadas sabres ou floretes. Eles passaram por nós como se não nos visse, indo de encontro a um outro inimigo. O uniforme vermelho berrante logo me jogou na mente todos os filmes históricos que eu já havia visto na vida. E foram muitos!

-Isso parece... – estava para dizer incrédula – É uma das batalhas do período da independência!

“Quem eu sou?”

A biblioteca finalmente começou a questionar. Graças ao primeiro andar, sabíamos que tínhamos de buscar por um nome. Mas ao escutar os tiros em meio a batalha meu sangue descendente de Belona ferveu em minhas veias.

-Vamos, temos de enfrentar os malditos ingleses!

Se deveríamos realmente combater ao invés de investigar... Eu nunca poderia dizer. Porém quem era capaz de me culpar? Estava em meio a um campo de guerra, ao lado dos americanos que garantiram o país livre em que vivia. Retirei a espada da bainha presa em minha cintura, a erguendo e seguindo o fluxo dos rebeldes. Se Beau iria me seguir? Não fazia ideia, meu foco estava atraído pela batalha, sedento por aquela briga!

O primeiro inimigo em vermelho surgiu. Nossas espadas colidiram, mas meu corpo avançou com força empurrando o dele para trás o tirando da base de ataque. Um desequilibrar, um chute no peito e uma espada fincada no centro do corpo... Apenas para ver a arma transpassar o inglês sem causar danos, como se fosse uma espada fantasma. Merda! Como podia ter esquecido que espadas abençoadas não feriam humanos? O europeu nem ao menos ergueu-se, deitado de onde estava seu punho encontrou o meu rosto em cheio. Eu merecia aquilo por ter me empolgado demais e ter deixado uma regra básica de lado.

Levantei sentindo a lateral atingida latejar de dor. Real ou não, os ataques eram sentidos com veracidade. Um soldado de vermelho ia avançando ao meu lado. Estiquei meu braço o deixando em posição horizontal ao meu corpo, enrijecendo meus músculos e firmando a minha base. Assim, o inimigo colidiu com meu membro superior na altura do peito, caindo para trás. Em movimentos rápidos, uma ação forte de chutar a cabeça dele para provocar um nocaute e o roubo de sua espada. Um florete de prata. O meu antigo inimigo já tinha erguido, minha espada caída no chão ao seu lado. Ele avançou com seu florete, sua pose impecável como esperado de um europeu. Dois choques de espada, um corte horizontal que me obrigou a pular para trás. Uma dança intensa, porém rápida. Dessa vez quando nossas lâminas colidiram, dei um passo para frente deixando que a minha lâmina escorregasse pela dele até alcançar a base. Próxima o suficiente para sentir o mal hálito dele, puxei a cabeça para trás e apliquei um golpe forte contra a dele, minha testa colidindo contra o nariz aristocrata.  

Dois soldados vieram de uma vez. Peguei a espada do casaco vermelho derrotado e girei ambas as armas brancas em minhas mãos. Graças a minha ambidestria, eu conseguia manipular as armas com perfeição. Eles vieram com tudo, ferozes pelo ambiente agressivo em que estávamos. A diferença? A sensação de júbilo se mesclava com a de fervor da batalha. Eu duelava com qualquer casaca vermelha que viesse a minha frente, em uma frenesi que eu não sentia a muito tempo. Recebia golpes, recuava e atacava com mais vigor ainda. Eu estava em meio a uma das batalhas que levou o país a liberdade política e econômica!

“Quem sou eu?”

Um cavalo passou por trás de mim, desequilibrando meu corpo, fazendo-me cair sobre um joelho. Em evidente fúria, ergui o olhar a tempo de ver um homem gigante descer do garanhão negro. Era um homem com um pouco mais de dois metros de altura, com um machado de duplas lâminas nas mãos. Ele veio em minha direção e eu preparei-me para uma batalha séria...

... Mas ele passou direto!

Virei o corpo em um misto de indignação e incredulidade. O inglês havia encontrado seu inimigo, um homem vistoso e que com toda a habilidade bloqueava ferozmente os ataques ágeis e mortais daquele gigante de casaco vermelho.

-Você perderá a batalha aqui William!

O homem inglês berrou derrubando o rebelde. Foi como um estalo em minha mente. Uma batalha na época da independência dos Estados Unidos. Bunker Hill. Por Belona! Nós estávamos revivendo a Batalha de Boston!

Se havia algo em que eu me dediquei nessa vida, foi o estudo de guerras. Poderia nunca saber fazer cálculos complexos, entender a física ou química. Minhas letras eram puro garranchos suficientemente compreensíveis. Mas histórias de guerra? Era o meu fascínio.

-Eu sei quem é! – gritei finalmente correndo em direção a Beau, ele duelava contra um casaco vermelho com adagas – É William Prescott, um dos comandantes da Revolução Americana!

Assim que pronunciei o nome do comandante, os soldados começaram a desaparecer lentamente. Os sons de guerra iam diminuindo, o ambiente se desfazendo. Suspirei frustrada, cansada e chateada. Poderíamos continuar mais um pouco daquilo e eu não iria reclamar.

Porém, uma última coisa estranha tinha de acontecer antes daquela pequena aventura terminar. Uma luz esférica e esbranquiçada apareceu sobre a cabeça de Beau, fazendo-me encará-lo com um semblante tão confuso que ele me encarou de volta tão confuso quanto.

-Tem algo na minha cara? – ele indagou desconfiado.

-Na sua cabeça – respondi e observei a pequena bola brilhante descer e flutuar entre nós – Ok, isso pode ser outra armadilha ou desafio...

No entanto, que escolha nós tínhamos? Aproximei e, por mais confuso que fosse dizer isso, capturei a luz em minha mão. Eu senti ela se materializar em algo. Ao abrir a palma de minha mão, havia um papel dobrado. Beau o capturou e franziu o cenho enquanto lia.

-A verdadeira história de William Prescott e os segredos místicos da Independência. Acho que esse é o livro! E aqui tem um monte de números, deve ser a localização do livro pois parecem códigos de longitude e latitude.

-Vamos procurar Minerva e terminar de uma vez com isso.

Dito isso, apenas busquei minha espada para embainhá-la mas uma vez. Estiquei meus músculos ao erguer os braços para a frente, resmungando baixinho ao sentir as dores provocadas. Descemos os dois lances de escadas em silêncio confortável, não eram necessárias as palavras quando tínhamos acabado de enfrentar uma sequência de batalhas em menos de uma hora.

Encontramos Minerva na entrada do seu templo, andando de um lado para o outro com um olhar tão impaciente que teria feito Júpiter pensar duas vezes antes de proferir qualquer coisa. Deixei que Beau tomasse a frente e falasse com ela. Ele era filho do Cupido e um guardião, era deveras mais social do que eu, uma filha da noite e da guerra.

-Charlestown! – Minerva exclamou assim que leu as coordenadas – Sei agora onde está o meu precioso livro. Espero que ele não tenha causado nenhum estrago...

Um livro causando estragos? Em outras circunstâncias a pergunta curiosa pularia para fora de minha boca e, provavelmente, me jogaria em uma nova confusão.

-Missão completa, Senhora – apenas falei e respirei fundo – Estou voltando para o Acampamento.

Olhei uma última vez para deusa e fiz uma leve mesura respeitosa com a cabeça. Porém, ao lançar meu olhar azulado para Beau, um sorriso grande foi ofertado facilmente.

-Foi uma honra lutar ao seu lado, Bo.

Uma breve despedida e meus passos já me guiavam apressadamente para fora dali. Deuses, eu queria apenas um banho frio para acalmar meus ânimos guerreiros. Se eu contasse a alguém que lutei ao lado de William Prescott, alguém acreditaria?


Poderes e Habilidades:


Nox

Nome do poder: Brilho Estelar II
Descrição: O semideus consegue produzir uma esfera de luz prateada, semelhante ao brilho das estrelas. Agora sua esfera ficou mais forte, e além de causar cegueira durante um turno inteiro, também cria uma leve ardência sobre a pele, semelhante a picada de um isento. Isso acontece porque a esfera produzida ganha fissuras de luz semelhante a agulhas invisíveis a olho nu, que causam cortes – sem abertura – sobre a pele, deixando pequenos riscos brancos na região atingida.
Gasto de Mp:  20 MP
Gasto de Hp:  Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 30 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Laminas II
Descrição: Conforme o treinamento do semideus evoluiu, sua precisão com laminas se tornou ainda mais evidente. Agora, outros tipos de laminas também se tornam perfeitas em suas mãos, e mesmo sem nunca ter manejado essa arma, terá certa facilidade em lutar com elas. Espadas longas e lanças, podem virar armas tão mortais em suas mãos, que é melhor seus inimigos se afastarem.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +70% de assertividade no manuseio de laminas (adagas, espadas, lanças, e etc).
Dano: +35% de dano se o oponente for acertado pela arma do semideus.

Belona

1 - A Arte da Guerra: Como herdeiro de Belona, o herói foi nascido para a guerra. Pragmáticos, conseguem enxergar cada aspecto de um conflito e se beneficiar com cada um deles.

1 - Ambidestro: O herói controla armas com as duas mãos com total habilidade.

1-contas: O filho de Belona pode repassar movimentos incomuns e tanto quanto exóticos, como pontapés giratórios, socos cruzados executados com perfeição e etc. É também capaz de utilizá-los em combate.

2 - General: Como especialistas em questões de batalhas e guerras, os filhos de Belona sempre são vistos como figura de liderança dentre os demais, especialmente em situações de conflito.

2-: Agora o filho de Belona consegue fazer movimentos mais difíceis com a adaptação da bruscalidade já com a arma, mesmo que ainda sejam iniciais.

2 Probatio: O semideus é mais frio que o comum, não criando laços que possam lhe atrapalhar quando em batalha. Além disso, parece ficar alheio quanto às notícias ruins, pois raramente emite emoções quando algum colega próximo é morto ou algo do gênero.

3: O parente de Belona é muito focado, levando seu treinamento mais a sério do que tudo. Também possui a capacidade de controlar sua fúria, extraindo as forças benéficas,  como a agressividade dobrada, e ainda assim, podendo raciocinar nesse estado.

4: O seu personagem consegue arremessar a arma contra o oponente com certa perícia, além de obter o controle elevado com a arma, podendo realizar todos os movimentos precisos sem gastar parte de sua energia.

Nível 5 - Herança de Ênio: Carregando o sangue da deusa Belona, o semideus tem uma incrível aura de seriedade. Seja pela sua atitude sóbria, sua cara feia ou simplesmente seus golpes fatais, homens, semideuses e monstros pensarão duas vezes antes de mexer com o herói.





Última edição por Evie Farrier em Dom Jan 29, 2017 10:58 pm, editado 2 vez(es)


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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Pandora M. Drumachesky em Dom Jan 29, 2017 10:54 pm




Era para ter sido um dia comum, mas não foi. E o resultado de tudo isso provem de uma magia inesperada, e completamente desastrosa. Os riscos no chão pareciam os mesmos, fumegavam de leve, e cheiravam a magia velha, e sobre o restante do que parecia um pentagrama, se encontrava um livro. Minha mente permanecia turva, encarando o objeto sem entender o que dera errado, tinha sido normal, eu tentara invocar a lança para iniciar os feitiços de encantamento e envenenamento para um filho de Ares, e agora, tinha apenas um livro. Meu braço esquerdo estava queimado por uma espécie de mancha preta fumegante, e ardia, mas meus olhos continuavam naquela estranha peça que tinha feito tudo dar errado. Eu podia esperar um demônio sair de um pentagrama, uma chuva de abelhas e até bolinhos, mas um livro? Era algo simplesmente fora do normal.

Cocei o queixo intrigada, e olhei ao redor apenas para ter certeza de que não estavam me pregando uma pegadinha. Nenhuma câmera escondida a vista, nenhum semideus de Hermes, nenhum amigo idiota. Ok, concordo que não estou ficando maluca, mas que minha mente de alguma maneira puxou um livro para dentro do meu laboratório. — Hmm — Murmurei para mim mesma, e puxei do canto uma espécie de vara, com dois garfos na ponta, um espeto. Usei-o para cutucar o livro, esperando que ele explodisse e estragasse todo meu trabalho, mas nada aconteceu. Dei de ombros e recostei novamente o espeto na parede oposta, me virando novamente e caminhando em direção ao livro. Algo me parou, ou melhor, alguém me parou.

Isso não foi educado, lembro-me que décadas atrás os jovens não eram tão impertinentes e mal-humorados, e nem costumavam me cutucar com varas, runf.
A voz vinha de todos os cantos, percorria o laboratório e as paredes, e me fazia encarar o tento parecendo uma lunática completa. — Já chega, não estou gostando disso, pode sair — Resmunguei, meus olhos azuis faiscando em direção aos prováveis esconderijos presentes em meu laboratório, onde o rato mesquinho que tinha me pregado aquela peça estava escondido.

Sair de onde? Foi você mesma quem me colocou aqui, e agora me culpa por isso?

Lá estava a voz novamente, rouca, como se saísse de um desenho animado e me contasse uma história, mas ao mesmo tempo, me fazia perguntas incoerentes e me fazia pensar ser uma tola. — E quem é você? Aparece! — Gritei, batendo os pés contra o chão de forma mimada, como uma criança que não pode comprar o brinquedo que queria em uma loja qualquer.

Eu? Eu sou aquele que vai narrar sua história daqui para frente, o livro puxado para fazer sua vida uma história completa! Eu sou o guardião de todos os sonhos, o aventureiro, o contador, mas não o escritor, eu sou o livro narrador, muito prazer. E sair de onde? Nem mesmo me mexi, estou aqui, parado, exatamente onde você me deixou.

Virei-me depressa, intrigada com a estranha voz, e me peguei encarando o livro maldito. Seria ele? Algo assim realmente existia? Sou uma bruxa, acredito em magia, e em tudo que não é real, mas aquilo estava muito além da minha compreensão e da minha sanidade. Franzi as sobrancelhas, e me abaixei para verificar aquele estranho livro. Ele persistia virado, sua capa era coberta por um tecido bordo, muito macio, e estranhos símbolos eram entalhados pelas extremidades, brilhavam em um tom de ouro chamativo. O virei para ler o título, mas o que vi me fez solta-lo sobre o chão novamente, ao mesmo tempo, um grito escapou de meus lábios, me fazendo arregalar os olhos e cair de bunda no chão, ao lado do livro.

Bem ali, no centro da capa residia o rosto de um humano, e ele flutuava, onde devia estar o pescoço, só existia fumaça, e o restante do corpo simplesmente não existia. Era um homem, aparentemente de 30 anos, a barba rala por fazer, os cabelos escuros caindo como cachos de um anjo sobre o rosto, e uma careta malandra presente, os olhos se estreitando de raiva. Ele tinha olhos incrivelmente azuis, de um tom diferente, que nunca tinha visto.

Isso não foi educado

Disse o livro, e foi ai que percebi que a voz da parede, do teto, e que falava comigo, pertencia a ele. Ao livro, ele era a pessoa que estava me pregando a peça, e isso me fez gargalhar alto, mas não porque estava achando graça, era de nervoso. Deuses! Que macumba estranha era aquela? Estava me deixando toda arrepiada, e a macumbeira aqui geralmente sou eu! Levei a mão a testa, apenas para me certificar de que não estava com febre, mas minha temperatura parecia estar normal. Uma careta surgiu em meu rosto, e meus olhos se fixaram no livro, agora curiosos. Eu ainda estava temerosa, mas sou do tipo que não fica quieta até ter todas as perguntas respondidas. — O que é você? — Soltei sem pensar muito. Mas bem, eu nunca pensava muito antes de falar algo, acho que é algo relacionado a minha preguiça.

O que sou eu? Acho que já respondi isso. Eu me chamo Narrador, ou o senhor de todas as histórias.

— Ah, e isso para que isso serve mesmo? — Que ironia, perguntar isso a um livro, esperava não tê-lo ofendido com minha pergunta, mas queria entender toda aquela situação.

Horas, pois, serve para contar histórias, eu narrarei a sua daqui para frente, fui enviado para tornar sua vida mais emocionante, ou mais patética.

Sinto que devia manter a minha boca fechada as vezes, e queria realmente conseguir isso. — Você é idiota assim sempre, ou só com quem te pergunta as coisas? — Resmunguei, mais para mim do que para ele, mas o livro é claro, foi impedido de me responder. Batidas fortes penderam das escadarias, me fazendo encarar a porta do laboratório desconfiada. — Só um minuto! — Gritei para o intruso, olhando ao redor a procura de um esconderijo para o livro falante, no improviso, puxei minha mochila e o atirei dentro, ignorando suas reclamações ao fechar o zíper. Coloquei-a sobre as costas e subi correndo, abrindo a porta com um estrondo.

Ali, de pé ao lado de fora estava o velho centauro. Quiron me sorriu de um jeito estranho, e de alguma maneira comecei a procurar na mente por tudo que tinha aprontado nos últimos dias, não me lembrava de ter causado problemas, nem de ter dormido durante os treinos e aulas, o que tornava sua visita algo completamente inesperado. — Oi — Respondi, abrindo um sorriso amarelo.

E ela estava nervosa pelo caminho, podíamos ver em sua expressão que tinha feito algo errado, sentia-se culpada é claro, mas quem a culparia por ter desviado a comida do refeitório para os próprios aposentos? Pandora era sempre faminta.

A voz chegou aos meus ouvidos, e é claro que Quiron também a tinha notado. Arregalei os olhos, mas tentei disfarçar e relaxar a postura, mudando o peso do corpo de um pé para o outro. — Vai me explicar isso, ou? — Perguntou ele. Dei de ombros, fingindo desinteresse ao procurar uma desculpa, mas para variar apenas um pouco, soltei a primeira coisa que me veio a cabeça. — Derrubei poção de fala no meu diário, e agora ele está lendo tudo que escrevi em voz alta — Mordi os lábios, sentindo as bochechas corarem pela mentira, mas agradeci mentalmente, pois, isso só ajudou com que Quiron acreditasse em minhas palavras.

— Prefiro não saber dos detalhes, de qualquer maneira, vim pedir que você vá para o Monte Olimpo, Athena precisa de ajuda para encontrar algo em sua biblioteca, e não consegui mais ninguém livre para enviar nessa missão, aparentemente, já dispensei boa parte dos campistas pelo mundo a fora — Quiron coçou a barba, como se estivesse pensando em como aquilo tinha acontecido, e eu me limitei a revirar os olhos, porque acabara de entender que tinha sido sua última opção, seria educado mencionar isso a ele? Meu estomago roncou alto, e o livro voltou a falar.

Ela sentia fome, poderia comer um caminhão inteiro de pizza, e mais tarde, dormiria sobre a relva, esperaria seu príncipe no cavalo branco, ou seria ela uma princesa? Era mais provável que sim.

Quis esganar aquele maldito livro, parecia que ele estava entrando na minha mente, isso me incomodava, mas me deixava ainda mais curiosa. Aquele estranho objeto tinha caído do nada no meu pentagrama, e seus poderes eram algo realmente surpreendente, ir até Athena talvez me ajudasse a descobrir mais sobre. — Eu vou — Avisei a Quiron, me espreguiçando. — E não, nem preciso de carona, eu pego o portal, obrigado — Dei de ombros, e apressada como estava me limitei a entrar novamente para dentro, e fechar a porta na cara do velho centauro, sem deixa-lo responder ou entrar em detalhes sobre a missão. Segui para baixo guiada pela curiosidade, o livro ainda preso na mochila, e o estomago roncando de fome. Daria tudo por um bolo de cenoura, coberto com chocolate, mas eu não tinha tempo nem para pensar em comida naquele momento. — Tudo bem amigão, mais tarde vou cuidar de você — Passei a mão sobre a barriga, peguei o cajado, e me atirei sobre o portal de luz brilhante, rumo ao olimpo.

...
10 Minutos mais tarde, naquele mesmo dia, nossa heroína se encontra em frente a porta da grande biblioteca de Athena, e estava faminta...

Ele se recusava a calar a boca, continuava narrando fatos do meu dia a dia como se fosse algo estupidamente normal, eis a questão, não era. Bati na porta da biblioteca, e aguardei uma resposta, mas tudo que ouvia eram estrondosos de coisas sendo derrubadas, ou, possivelmente lançadas contra a parede. Pulei assustada ao ouvir o trinco, e quando a deusa apareceu a minha frente, acabei não sabendo muito bem o que dizer. Athena estava descabelada, com olheiras abaixo dos olhos e o vestido completamente amassado, se não fosse uma deusa casta, teria brincado ao perguntar se a noite tinha sido boa, mas convenhamos que isso não é seguro.

Seus pensamentos eram impróprios, e ela desejava aquela deusa em sua cama, uma boa foda nunca poderia ser dispensada. Pandora parecia prestes a saltar sobre a deusa, que estava com a aparência desastrosa de um cachorrinho abandonado as margens da sociedade, pobre Athena, nunca seria desejada por outra. Essa deusa era digna de pena.

Arregalei os olhos, o livro tinha voltado a falar, e provavelmente me meteria em uma grande encrenca. Apressada, e sem saber exatamente o que dizer, me curvei em frente em frente a deusa. — Eu vim a mando de Quiron, creio que precisa de ajuda — Minhas palavras saiam rápidas, bagunçadas, mas a deusa assentiu me dando passagem, e se ouviu as palavras do velho livro, não comentou.

— Preciso que encontre um livro para mim, ele não é muito comum, e pode causar confusão se não o encontrar rápido, preciso tranca-lo novamente, estou achando que alguém o pegou — A deusa parecia realmente perturbada com o sumiço do livro, o que me faz pensar que talvez aquilo fosse realmente importante. De que tipo era, e qual o valor possuía, eu não sabia dizer, mas era capaz de imaginar algo como o conteúdo presente na imortalidade dos deuses, os segredos do Olimpo, da destruição, do caos, e coisas semelhantes. Isso podia ser bastante controverso, e na linguagem dos deuses, causaria uma bagunça e tanto.

— Pode me dar mais informações pelo mesmo? Talvez eu consiga rastreá-lo com magia — Expliquei, eu só precisava das runas certas, talvez um ritual ou algo do tipo. Athena parecia perdida em pensamentos, como se ponderasse sobre o que me dizer. — É um livro vermelho, e você vai saber que é ele quando encontra-lo, eu preciso sair, encontre meu livro, você tem duas horas até eu voltar — Dizendo isso, a deusa desapareceu em um flash de luz, e me deixou sozinha.

Vinte minutos mais tarde eu já tinha revirado várias prateleiras sem nada encontrar, tudo parecia comum demais, pacato demais, nada de especial, único ou extraordinário, estava começando a me deixar irritada. Bufei baixo, jogando um exemplar de “a arte da guerra” sobre a mesa mais próxima, rumando em direção a prateleira de livros. Naquele momento, Narrador se pronunciou mais uma vez. Confesso que já tinha me esquecido dele completamente.
Os minutos se passavam lentamente, e sem muita escolha a prole de Melinoe revirava a biblioteca, mas sua mente estava presa as guleimas que perdia com o tempo gastado com uma deusa que nem sequer ligava para ela. Pandora, a menina dos olhos azulados, agora se encontrava sem saída.

A voz saia arrastada, abafada por conta da mochila, mas ainda ecoava por todo o aposento, me fazendo estremecer. Eu jamais me acostumaria com a ideia de ter um livro falante, e ainda precisava resolver o que faria com ele. Dois mistérios em um dia, e ambos relacionados a livros, quem diria que eu podia ser tão culta? Caminhei até a mochila e abri o zíper, puxando de lá o livro vermelho, e o colando sobre a mesa. — Tudo bem livro, me ajude, você é um livro, deve saber sobre outros livros, é um contador de histórias afinal, me diga, qual o livro mais especial que pode existir nessa biblioteca? — Perguntei, encarando o rosto flutuante como se não tivesse nada melhor no mundo para fazer.

Achei que me deixaria ali para sempre, narrando sua história sem nada pertinente.


— Não foi isso que perguntei — Revirei os olhos, eu estava mesmo falando com um livro? Sim, e pior, tinha pedido a ajuda dele.

Eu sou um livro especial, mas como a pergunta não foi essa. Algo relacionado aos segredos do olimpo, tente a prateleira de cima, o livro dourado.

— Hm, estamos evoluindo — Respondi baixo. Desviei o caminho e subi em direção ao segundo andar, a biblioteca de Athena tinha muitos andares de qualquer maneira, então eu precisaria me guiar para não ficar perdida. — Dourado, dourado — Meus dedos percorriam a estante indicada, procurando pelo livro dourado, até pararem em um exemplar diferente. O livro reluzia como ouro. Puxei-o da estante, e passei os dedos por sobre o título “Como viver no paraíso” abri as páginas, e o folheei, mas nada de diferente me fez parar e achar que o livro fosse aquele. Suspirei frustrada, e o devolvi a estante.

— Não é esse — Gritei alto, descendo as escadarias em direção ao livro. — Falta algo, e ele não é vermelho, ele não é como... — Franzi a testa encarando o livro a minha frente, deuses, como sou cega. — Ele não é como você! — Arregalei os olhos, e peguei o livro em mãos, o abraçando contra o peito. — Pode me dizer engraçadinho, o que aconteceu para você cair direto no meu pentagrama? Ah mas como sou burra — Reclamei de mim mesma, o livro ria, parecia zombar da minha cara, mas eu não estava achando graça.

Fui pego..., mas tudo bem, eu vou lhe contar minha história. Tudo começou em um belo dia ensolarado, a deusa da sabedoria parecia cansada, distraída, o que nunca acontece, e acabou deixando meu armário aberto. O cadeado estava quebrado, ela não percebeu quando sai pela fresta, e para não ser pego, entrei no portal de luz ao canto, oculto pelas cortinas de linho vermelho, quando dei por mim, tinha sido sugado pelo pentagrama de uma garota magrela, e que só pensa em comer. O resultado disso foi que ela me trouxe de volta a biblioteca de onde sai, e agora não posso contar minhas histórias ao mundo! Eu seria épico, grandioso, todos se lembrariam do meu nome. Eu podia dizer e descrever Apolo nu, Dionísio bêbado, e o caso de Demeter com Hades! Você me tirou tudo isso, hunf.

Minha cara para aquela história era semelhante à de um Panda com sono. — Eu acho que esperava algo mais emocionante — Me vi comentando, e dei de ombros, duas horas mais tarde Athena recuperou seu precioso livro. O narrador na verdade não passava de um antigo contador de histórias, o home preso a capa já fora um humano, um filho de Athena que falou e contou demais, e acabou com uma maldição. Hoje, vive preso em um armário de vidro, narrando as histórias do que viu e do que vê, tudo sabe, tudo revela. Por isso Athena o mantém preso, para que não atormente, e nem cause confusão.
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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Beau G. Edmond em Dom Jan 29, 2017 11:00 pm



O livro perdido de Athena
My new roman friend
Aquele inicio de ano era provavelmente o mais movimentado que já tive em toda a minha vida, pelo menos até este momento. Quando finalmente eu podia tirar o dia para descansar depois de dois encontros loucos com deuses, eis que me surge o ultimo ao qual encontrei. Apolo. Tinha acabado de sair do banho e estava me trocando no quarto dos Chalés das Hespérides quando ouvi aquela voz familiar.

— Nossa! Rei de bateria, nota dez!

Embora eu não tivesse problema nenhum com nudismo, não tive como me assustar com o aparecimento dele na cama atrás de mim, me fazendo enrolar a toalha novamente ao redor do meu corpo antes de me virar para encará-lo.

— Você é louco ou o que? — Perguntei quase gritando — E como você entrou aqui?!

— Eu sou um deus, oras. Posso estar em qualquer lugar.

Revirei os olhos. Aquele exibicionismo dele era demais até para mim. Respirei fundo para acalmar do susto e logo tratei de me vestir, colocando uma cueca, calça jeans e camisa branca.

— Acho que vou começar a aparecer aqui mais vezes — Ele falou e soltou uma risadinha em seguida.

— Nem pense! — Levava a toalha aos cabelos para enxugar — Por falar nisso, o que está fazendo aqui?

— Como você é ruim! — O loiro balançou a cabeça negativamente algumas vezes, levantando-se da cama em seguida — Bem, como você me ajudou, achei que poderia te ajudar — Ele começou a andar pelo quarto — Se você começar a servir bem os deuses, pode se tornar um grande herói. O que me diz?

Para ser sincero, aquela proposta era tentadora. Eu gostava do fato de ser herói, gostava de ter a atenção dos deuses, isso não podia negar. Parei em frente ao espelho e comece ia ajeitar o cabelo, deixando-o levemente bagunçado.

— Certo, e...?

— Digamos que tenha outra pessoa precisando de ajuda. Athena, provavelmente já ouviu falar dela — Eu o encarei com uma expressão de como quem dissesse: “sério que você acha isso?” — Nem todos conhecem se você quer saber — Ele se pronunciou assim que me observou — Enfim, ela está uma fera porque desapareceu um livro na sua biblioteca. E achei que você podia ajudá-la, posso levá-lo lá.

— Apolo... — Arqueei as sobrancelhas ao encará-lo — O que é que você quer? Digo, o que você ganha em troca disso? — Eu sabia que para um deus se movimentar assim, era porque ele estava interessado em algo.

— Bem... Se você encontrar o livro, basta dizer que eu que o mandei até ela — E abriu um largo sorriso branco.

Era óbvio que ele queria alguma coisa dela e estava me usando para isso, mas a ideia de conhecer a biblioteca da deusa da sabedoria era algo irrecusável. Calcei o tênis de mesma cor que a camisa e fiquei em pé.

— Certo, só me deixe pegar meus equipamentos.

Peguei em cima da cômoda tudo o que acreditei que precisaria: o colar com pingente de uma asa acorrentada, a pulseira com pingente de coração, o anel de ouro com meu nome gravado, e os dois braceletes escuros com o desenho de maçã dourada. Voltei a ficar parado em frente ao deus após estar devidamente preparado.

— Pronto, podemos ir.

E sem falar nada ele repetiu o movimento do nosso ultimo encontro, me puxando para perto de seu corpo, praticamente colando nós dois e deixando aparecer um sorriso sacana em seus lábios. Revirei os olhos antes de levar uma mão a minha própria testa. Por que ele tinha que ser tão cafajeste?

Parte I


Em um piscar de olhos estávamos em frente a maior construção que eu já havia visto na vida: Várias colunas gregas seguravam o grande triangulo suspenso da entrada, onde havia letras douradas que formavam o nome da deusa em questão. As paredes por trás das colunas eram em um tom de amarelo mais claro que o normal. Eu não sabia nem como descrever aquilo.

Estive tão concentrado admirando o lugar que demorou um tempo até perceber que o deus da música havia desaparecido. Havia sido ‘largado’ por ele pela segunda vez consecutiva. Ele iria me pagar em algum momento.

Caminhei até a grande porta de entrada e empurrei com um pouco de força, até que ela abrisse o suficiente para que eu pudesse entrar. Se eu já tinha achado bonita por fora, o interior da biblioteca era ainda mais. Suas paredes acinzentadas com o piso em mármore branco davam um ar sério e clean, junto com as prateleiras prateadas repletas de livros.

Apesar de muito bonita, era possível sentir um clima pesado e tenso. Aos fundos um grito feminino de raiva ecoava pelo ambiente, juntamente com barulho de livros caindo ao chão. Provavelmente, Athena estava jogando tudo para o alto a procura de seu livro. Devia avisá-la de minha chegada. Então, tratei de tentar caminhar em direção ao local de onde vinha o som. Adentrando as estantes de livros.

Acho que já tinha se passado cinco minutos de caminhada e não tinha encontrado uma saída ainda. Ou aquilo era uma espécie de labirinto, ou só era muito grande mesmo. A impressão que eu tinha, era que não saia da sessão de fantasia nunca. Já andava quase desesperado, quando ao dobrar em uma “esquina”, formada pelas ruas de livros, esbarrei em alguém. O grito de susto saiu na mesma hora em que meu corpo era jogado para trás.

— AAAAAAHH!

Apoiei o pé direito e impulsionei o corpo para frente, evitando a queda de bunda. Já estava pronto para ativar alguma arma quando reconheci a figura feminina em minha frente.

— Ué, Evie? — Era a romana que havia conhecido na festa comemorativa na fogueira — O que você faz aqui? — Me sentia aliviado por ser alguém conhecido, embora não sei muita coisa a respeito dela ainda.

— Beau? — Ela falou ao lembrar o meu nome — Fui convocada para ajudar Minerva, parece que ela perdeu um livro. Vim procurar. E você?

— Minerva? Ah sim, a forma romana de Athena – Eu não era muito bom com as versões romanas dos deuses — Vim pelo mesmo motivo, Apolo veio me encher no chalé e pediu que eu ajudasse.

Olhei a redor no momento em que outro grito surgia. Meu olhar encontrou o da Evie que pareceu saber exatamente o que eu queria dizer: “vamos”. Corremos na mesma hora a procura da deusa, parando em um circulo que parecia ser o ponto de encontro das estantes. Provavelmente o centro daquele andar da biblioteca em que estávamos, o térreo.

— Ela realmente não está em um bom dia.

Evie falou antes de um tremor tomar conta do local. Segurei no ombro dela enquanto as estantes começaram a se afastar, formando um grande circulo como se fosse uma espécie de mini arena.

“Onde estou?”

A voz ecoou pelo ambiente no momento em que tudo se modificou. De repente, estávamos em meio a uma rua movimentada, não de pessoas, mas sim de monstros. As coisas aconteciam tão rápidas que nem conseguia abrir a boca para falar algo. S monstros até então, andavam de um lado para o outro.

— Acha que eles podem nos ver?

Perguntei tentando falar baixo, próximo ao ouvido da garota. A minha resposta veio após terminar a fala, quando todos os que passavam por ali nos encararam com seus olhos vermelhos. Eu não sabia identificar todas as espécies ali presente, apenas dois ciclopes e uma equidna.

— CORRE!

Evie gritou quando percebeu que eles avançariam em nossa direção. Não pensei duas vezes e segui sua ordem, correndo junto a ela na direção em que parecia haver menos encrenca. Já havíamos cruzado três ruas quando dobramos uma esquina a esquerda e um bando de aves negras pairavam no ar a nossa espera. Tentamos retornar pelo caminho que pegamos, mas os gigantes de um olho só nos encurralaram.

— Fodeu...

Realmente estávamos ferrados: De um lado, um bando com umas dez aves negras e do outro, os dois ciclopes. Meus batimentos aceleraram, algo me dizia que não sairíamos vivos dali.

“Onde estou?”

A voz voltou a aparecer, ela já estava me irritando. Eu ia lá me preocupar com onde aquele ser estava quando eu estava à beira da morte? Girei os pulsos algumas vezes, fazendo os braceletes que usava ativarem, transformando-os nas espadas duplas que possuía.

— Você dá conta das aves? — Perguntei a Evie enquanto me virava para os gigantes.

A verdade é que não tive tempo de ouvir se ela respondeu algo, pois um dos ciclopes avançou em nossa direção, rindo. Sua risada era estranha, assim como o seu andar. Ele tentou dar um soco ao se aproximar de onde eu estava, mas por sorte desviei e avancei com as espadas para cima dele, desferindo dois cortes paralelos em sua coxa esquerda. O monstro gritou de dor.

— Vai querer brigar comigo? Idiota!

Sem que eu percebesse, o outro ciclope me prendeu com suas grandes mãos, suspendendo-me um pouco do chão. Eu teria perfurado suas mãos com as espadas se elas não tivessem caído no chão no momento do ataque.

— Comida!

— Comida? Mal passada? Espera, é melhor assar antes!

E falando aquilo, fiz com que duas bolas de fogo surgissem em minhas mãos, dentro da mão gigante que me envolvia. Queimando tal parte do monstro, de forma que ele me soltou enquanto gritava de dor. Olhei de lado rapidamente para ver como a romana estava com as aves. Continuava viva, então era um bom sinal.

Rolei no chão em direção as espadas caídas, conseguindo apenas pegar uma delas. O ciclope que havia cortado a perna avançou em minha direção. Ainda deitado no chão, estiquei a espada de forma horizontal para impedir a mão dele de se aproximar. O outro bobalhão balançava as mãos queimadas e assoprava, esquecendo totalmente te mim.

“Onde estou?”

— Diva que pariu! Não está vendo que eu estou ocupado?!

Eu já estava muito estressado por causa daquela voz que perguntava aquilo o tempo todo. Impulsionei a espada com mais força contra o ciclope, cortando-o mais uma vez em sua mão. A voz misteriosa ficava ainda mais frequente, a raiva já tomava conta de todo o meu corpo. Levantei-me em um pulo e avancei para cima do gigante, quando ouvi a Evie gritar:

— Beau! Onde estamos?! — Ela atacava os pássaros durante a gritaria — ONDE ESTAMOS?!

— COMO EU VOU SABER? — Abria a palma esquerda, fazendo aparecer uma bola de água que lancei contra o monstro a minha frente.

— DESCOBRE!

Por que ela queria aquilo? Tanta coisa pra se preocupar e ela queria saber onde estávamos? Olhei rapidamente para o ciclope queimado, ele agora estava furioso e avançava em minha direção. Já estava desviando quando avistei na esquina uma placa com um endereço.

— BUKER HILL!! – Gritei o mais alto que podia para que ela escutasse.

De repente todos os monstros se desfizeram em pó. O ambiente começou a mudar e em poucos segundos, estávamos novamente no centro da biblioteca. O suor escorria por todo o meu corpo e os batimentos cardíacos não diminuíam. A outra espada caída já havia voltado para meu braço esquerdo em forma de bracelete, ficando apenas com a outra ativada, segurando em sua bainha.

— O que foi isso? — Perguntei ofegante

— Nosso primeiro teste — Ela ajeitava o cabelo caído no rosto.

— Teste?

— Sim. Ela criou uma magia com desafios que apenas semideuses podem cumprir. Para saber onde encontrar o livro.

— Ué, se tinha teste, porque Athena não fez e ela mesma descobriu?

— Sei lá. Deuses são confusos.

De fato ela tinha razão. Minha respiração já voltava ao normal quando uma escada dourada apareceu a nossa frente. Ligando o andar que estávamos para um acima.

— Então o livro está em Buker Hill?

— Provavelmente — Ela balançou a cabeça assentindo.

Seguimos em direção a escada. Pisei devagar, para ser sincero, eu estava com um pouco de medo que ela sumisse da mesma maneira que apareceu ali: de repente. Chegamos ao segundo andar depois de subir 27 degraus.

Parte II


Mais e mais livros estavam a nossa espera, provavelmente se eu vivesse num local como aquele, iria endoidar. Primeiro de tanto espirrar, livro velho me dava alergia, segundo porque não se via nada além de livros. Era de deixar qualquer um, louco. Me tornar Guardião, permitiu que adquirisse os conhecimentos do druidismo, é acredite, é bastante amplo. Eu gosto de saber das coisas, mas aquela biblioteca era exageradamente demais.

— Será que ela já leu todos? – Evie perguntou meio que inconscientemente — Tsc, é claro que sim, ela é uma deusa! Mesmo sendo Minerva... — Franzi a testa quando ela se referiu a deusa daquele jeito — Ela é bem diferente como Athena, não é?

— Sim, os filhos dela são poderosos no Acampamento Meio-Sangue — Respondi. Talvez em sua forma romana, a deusa, não seja bem quista.

Aquela era a primeira vez que havia parado para pensar: provavelmente éramos bastante diferentes. Não só na questão de pertencer a acampamentos diferentes, mas também, aparentemente, no modo de pensar. Olhei para a garota rapidamente, analisando-a. Ela tinha um ar de guerreiro que eu não possuía. Eu podia sentir que no fundo ela era uma pessoa boa apesar da imagem de séria que as vezes passava.

— Não pode ser! — A voz da garota quebrou o meu raciocínio — Como ela tem isso?

Virei o rosto em sua direção, vendo-a parar em frente a um grande livro antigo em meio a outros. Aquela seção era de fato interessante. Magias e afins. Outro livro do mesmo tema me chamou atenção, mas não tive nem tempo de refletir sobre o seu titulo. Quando estava me aproximando para ler, vi de lado a romana puxando o tal livro de Merlin. Tentei gritar ‘não!’, mas minha garganta secou instantaneamente.

Mexer em coisas do deuses não era algo de bom grado. Principalmente quando se trata de uma deusa furiosa por perder algo de sua coleção. Aquele meu pensamento havia se confirmado quando um estalo, que vinha de trás da prateleira, surgiu naquele momento.

— Isso não é bom! — Minha voz saiu meio que tremida em um desespero — Coloca isso no lugar!

Falei o mais rápido que podia. Mas não adiantou. Logo, o som de passos pesados tomava conta do local. Recuei algumas vezes até parar ao lado de Evie. Minhas pernas tremeram um pouco ao ouvir, em seguida, o som de lâmina contra uma superfície. A junção dos passos com a lâmina, tornava uma verdadeira sinfonia de filmes de terror. O que eu mais queria naquele momento, era ir embora dali. Engoli ao seco e tratei de ativar a outra espada e segurar, a que já estava transformada, mais forte em sua bainha.

Arregalei ambos os olhos quando avistei a criatura metálica vindo em nossa direção. Só faltava uma névoa ao redor e estar escuro para aquilo de fato ser um filme de terror. Já não bastassem aqueles monstros na entrada e agora uma armadura que se move sozinha? Olhei para a morena na mesma hora em que uma gota de suor escorria pela lateral de meu rosto. Nossos olhares se encontraram e eu tenho quase certeza que nossas mentes se conectaram por um instante, pois podia jurar que tinha ouvido-a pensar junto comigo: “Fodeu”.

Em meio aquela orquestra harmônica assustadora, era possível escutar barulhos de maquinaria abafados. O que significava que vinha do interior da armadura, ou seja, não se passava de uma espécie de autômato. Por um momento, me senti aliviado, respirando fundo e soltando em seguida. A ideia de enfrentar um espírito que possuía uma armadura, me arrepiava até os cabelos que não tinha. Saber que era uma máquina, deixava ele bem menos assustador.

— Beau! — Olhei-a na mesma hora — Isso é uma armadura, provavelmente tem os mesmos pontos fracos que uma armadura tem. Você pode segurar os ataques enquanto eu golpeio esses pontos?

Balancei com a cabeça, confirmando o seu pedido. Mais uma vez, fiquei aliviado, por ela tomar a frente daquilo. A verdade é que nunca tinha enfrentado um daqueles antes e ai não saberia o que fazer.

Girei o pulso direito, fazendo com que a arma que eu segurava participasse de tal movimento. Os passos pesados se aproximavam cada vez mais... Até se tornarem uma constante corrida. Meus batimentos aceleraram junto com os passos dele. Mordi meu lábio inferior antes de desviar do golpe que ele tentou desferir ao levantar sua grande lâmina e deixá-la cair em minha direção.

O fato de ser mais leve e rápido, era uma vantagem ali, conseguia fugir quase que com facilidade de seus ataques e sempre tentava desferir cortes em suas laterais ao passar junto. As ele era tão resistente que a única coisa que a lâmina fazia ao entrar em contato com a armadura, era sons de metais de chocando e algumas faíscas nas vezes que tentei percorrer com a ponta ao redor dele.

Em um desses momentos de esquiva, foi quando reparei a destruição que estava a se formar. Alguns livros já estavam espalhados ao chão. Se a Evie não fosse rápida o bastante, logo, todas aquelas prateleiras estariam no chão. E se a deusa já estava estressada antes, depois de ver aquilo, nos mandaria ao encontro de Thanatos sem dó ou piedade.

Mais uma vez, o autômato brandiu sua espada para o alto, antes de desferir aquele golpe vertical ainda mais forte. Ao ponto de rachar o chão. Dei uma cambalhota para o lado, fugindo de seu ataque. Ele demorou a se levantar, permaneceu com o corpo curvado, segurando a espada. Já estava me levantando para ir contra ele, quando avistei a filha da noite indo ao encontro surpresa (para ele).

Foi quando entendi o que ela quis dizer que ele havia partes frágeis. A garota atingiu o local de onde seriam suas axilas – se ele possuísse -, estava a atacar as dobras das armaduras. Por que não pensei naquilo antes?

— Beau! A parte de trás do joelho! É frágil também! — Ela gritou.

— Certo!

Respondi, talvez não alto o suficiente que ele conseguisse ouvir. Passei o braço pela testa, limpando o suor que escorria e corri até chegar atrás do inimigo. Sem pensar duas vezes, tratei de desferir um golpe contra a articulação do joelho, enfiando a espada na abertura que havia entre a armadura da coxa co ma panturrilha.

Ele caiu de joelhos após ser atingido, permitindo que Evie desse os golpes finais que o segurariam ali no chão por algum tempo. O autômato tentou levantar, mas a perna atingida por mim fraquejou e o manteve de joelhos. Tentou usar a espada como apoio, mas seu braço atingido pela Evie tremeu e fez uma sequência de barulhos estranhos. Ele estava faiscando enquanto tentava voltar a funcionar normalmente.

— Vamos sair daqui! — Falei já inclinando o corpo para a corrida.

— Espero que ele não exploda! — Ela falou já correndo ao meu lado.

Eu acho que ele iria explodir. O que eu esperava mesmo, era que não danificasse nenhum dos livros que ali estavam. Torci, para existir algum tipo de barreira mágica que os protegesse.

— Não vamos contar essa parte para Minerva — Ela falou enquanto corríamos na direção do primeiro lance de escadas que avistamos.

Parte III

O cansaço já começava a tomar conta de meu corpo quando finalmente chegamos ao terceiro andar. AS duas espadas em minhas mãos já retornaram a suas formas de braceletes. Quem poderia imaginar que uma biblioteca pudesse ser tão perigosa? Por um momento desejei que o Apolo não tivesse me procurado para ajudá-lo. Aquele deus só me colocava em enrascada, sorte dele ser bonito e eu na conseguir odiar pessoas belas.

Aquele andar não tinha nada mais de diferente do que os outros. Mais livros que deixaram a Evie animada. Eu só espero que desta vez ela tenha aprendido a lição: Não tocar em nada. Respirava fundo por causa do cansaço que já era evidente. Se nós não estivéssemos subindo escadas, eu iria acreditar que estaríamos andando em círculos. Tudo igual.

Quando nos aproximamos do centro, a pequena arena formou-se mais uma vez. As estantes se moviam para o lado e dava espaço para que o desafio começasse. Eu não podia acreditar naquilo. De novo? Encarei a romana com um olhar incrédulo, sendo correspondido quaseque da mesma forma. Dei um leve pulo para trás de susto quando um tiro de canhão ecoou. Aquela biblioteca conseguia me surpreender a cada nível.

— Pela liberdade!!!!

O grito veio em algum ponto atrás de nós. Não tivemos tempo de virar o corpo, pois aquilo nos atingiu. Uma verdadeira legião trajando um uniforme antigo e azul. Ele marchavam com vigor, em mãos uma espingarda, na cintura, espadas sabres ou floretes. Eles passaram por nós como se não nos visse, indo de encontro a um outro inimigo. O que diabos era aquilo? Uma batalha? Eu olhava espantado para toda a cena.

— Isso parece... — Ela parecia estar tão besta quanto eu, não que eu soubesse do que se tratava, é claro — É uma das batalhas do período da independência!

“Quem eu sou?”

Aquela voz misteriosa do primeiro andar havia retornado. Revirei os olhos assim que ela terminou a sua pergunta. Agora era pior, ela queria saber alguém em específico. Bufei algumas vezes.

— Vamos, temos de enfrentar os malditos ingleses!

Evie falou de um jeito tão... Visceral. Era como se ela tivesse se sentindo parte daquela batalha. Olhei espantado para a garota. Ela havia se transformado de um jeito que me assustou, por sorte eu estava do mesmo lado que ela, porque se tivesse enfrentando-a, com certeza arrumaria uma maneira de sair correndo.

— Temos?! — Ela nem me ouviu, saiu andando seguindo o fluxo dos rebeldes — Evie, espera, temos que descobrir quem...

Qualquer tentativa de conversa seria inútil, ela não escutaria mesmo. Estava tão cansado que tratei de ativar apenas uma das espadas de bronze celestial. Eu realmente precisava fazer aquilo? Aqueles homens mal notaram a gente ali. A resposta veio quando um outra ode vermelho brandiu a espada em minha direção. Levei um susto e levantei a minha de modo que ambas as lâminas se tocassem, impedindo a dele de se aproximar de meu corpo.

Não que eu fosse um expert em esgrima, mas aquele homem e os outros ali presentes, pelo que pude perceber, atacavam como animais em busca de carne. Eles não queriam saber se estavam fazendo da maneira correta ou se estavam expondo alguma parte do corpo e deixando indefesa. Apenas investiam a procura de sangue em suas lâminas.

O homem de vermelho, realmente estava na minha cola. A todo tempo avançava fazendo grunhidos. Foi quando em um movimento rápido, empurrei-o para trás e brandi a espada de baixo para cima em seu corpo. A espada o ultrapassou como se fosse fantasma. Foi quando lembrei que aquele material não atingia mortais, apenas seres imortais ou com sangue divino, no caso semideuses. A única coisa que consegui fazer com aquele ataque, foi retirar o chapéu que ele usava, ao bater na aba com a ponta da espada, e revelar sua bela face.

Abri um sorriso de lago quando o observei. Ele de fato era muito belo. Tinha o rosto quadrado, característica que sempre me chamava atenção, feições bem delineadas e cabelos negros brilhosos. Estava ali a chance de me dar bem naquela missão e não ser algo apenas brutal. Dei uma piscada rápida quando seus olhos encontraram o meu. O seu olhar que antes estava com a pupila totalmente contraída de raiva agora dilatava, mostrando o interesse que surgia.

O rapaz soltou sua espada no chão enquanto ajeitava o seu corpo, ficando em uma postura ereta e me encarando de forma sorridente. Seus lábios carnudos davam um charme aquele sorriso.

— Qual o seu nome? — Perguntei enquanto me aproximava dele.

— Theo — Sua voz era rouca, não sei se pelo cansaço ou natural mesmo.

— Então, Theo... — parava com o rosto bem próximo ao dele — Por que não deixamos esse pessoal se atacando e partimos para uma forme de ataque mais atrativa? — Perguntava aquilo enquanto passava a mão por cima do seu casado vermelho, sentindo seu braço forte que não era possível perceber por causa das vestes.

“Quem eu sou?”

Eu teria conseguido o que queria se aquela voz misteriosa não tivesse me desconcentrado e ter feito o Theo sair do transe. Na mesma hora ele levou as mãos até as cinturas, o que me deu tempo de recuar, e retirou duas adagas de dentro de suas vestes. Ele andava com aquilo? Perigoso e sexual.

Aquela altura, a espada já havia voltado a ser bracelete, já que não estava utilizando-a. Também não me dei o trabalho de reativá-la’ já que não funcionaria contra ele. Minha real intenção com aquele ‘boy’, era outra. Sorri de lado enquanto desviava facilmente de seus golpes.

— Eu sei quem é! — Evie gritou. Por um momento eu havia até esquecido dela — É William Prescott, um dos comandantes da Revolução Americana!

E falando aquilo, os homens começaram a desaparecer lentamente. Antes de sumir, Theo se ajeitou e sorriu de forma gentil. Aquela garota acabara de me fazer perder uma possível foda. Encarei-a de forma não muito feliz, mas ao mesmo tempo confuso com tudo aquilo. Ela me encarou da mesma forma, mas fixando o olhar superior ao meu.

— Tem algo na minha cara? — Esperava que não saísse de forma grossa aquela pergunta.

— Na sua cabeça — Ela respondeu antes da pequena bola brilhante flutuar entre nós, provavelmente era o que estava em cima de mim — Ok, isso pode ser outra armadilha ou desafio...

Só nos restava descobrir o que era aquilo. Embora eu tivesse uma leve ideia do que se tratava. A romana pegou a luz com uma das mãos e quando voltou a abrir, um papel havia se materializado em seu lugar. Peguei-o sem nem pedir licença, lendo em voz alta o que estava escrito.

— A verdadeira história de William Prescott e os Segredos Místicos da Independência. Acho que esse é o livro! E aqui tem um monte de números, deve ser a localização do livro pois parecem códigos de longitude e latitude.

Não pareciam. Eram. Como guardião eu sabia daquilo. Um de meus deveres era o de localizar objetos perdidos. Talvez aquela bola fosse um de meus poderes recém descobertos, não sei. Mas não tinha como eu saber onde o livro estava desde o inicio, já que não fazia noção de qual se tratava. Para poder conseguir a localização exata, eu precisaria saber o que estava procurando.

— Vamos procurar Minerva e terminar de uma vez com isso.

Concordei imediatamente. Não aguentava mais passar um minuto naquele lugar. Por sorte não tinha outro andar para ir, indicando que não haveria mais surpresas. Voltamos a descer as escadas que encontramos, retornando para a entrada, onde ouvimos os barulhos da deusa raivosa pela primeira vez.

Ela estava na entrada de seu templo, andando impacientemente de um lado para o outro. Olhei para a Evie que inclinou com a cabeça como se falasse para eu ir na frente. Ótimo, agora eu que seria o primeiro a ser fuzilado.

— Senhora?

Ela me fitou um olhar ameaçador e fulminante, que me fez bambear as pernas algumas vezes. Ela avançou, literalmente, em minha direção. Se eu não tivesse aberto a boca para falar, talvez ela tivesse me atacado.

— Encontramos seu livro.

A tensão do local logo mudou, transformando-se em um ambiente calmo e convidativo. Relaxei os braços, era como se tivesse tirado uma pedra das costas. Tratei logo de contar o acontecido para a deusa, agora bem mais calma.

— Charlestown! — A deusa falou assim que recebeu o papel e leu as coordenadas — Sei agora onde está o meu precioso livro. Espero que ele não tenha causado nenhum estrago...

Não entendi muito bem o que ela quis dizer com livro causando estrago, mas nada ali parecia ser apto a entendimento. Então dei de ombros, ignorando a sua fala.

— Missão completa, Senhora — Evie falou ao meu lado — Estou voltando para o Acampamento.

— Pois bem, eu também — Tratei de imitar o movimento dela, fazendo uma breve saudação em direção a deusa, mas me levantando de uma forma destrambelhada rapidamente — Ah, já ia me esquecendo! Apolo que me procurou para ajudá-la, ele que me mandou aqui.

A deusa semicerrou seus olhos ao ouvir aquilo, mas assentiu. Provavelmente ela sabia que o deus do sol queria algo com aquilo e que por isso foi atrás de alguém para ajudá-la.

— Foi uma honra lutar ao seu lado, Bo.

Foi engraçado a maneira que ela me chamou. Mas abri um largo sorriso, correspondendo ao dela. Balancei a cabeça, confirmando o que ela dizia, estava tão cansado que já não conseguia mais falar. Esperava que pudesse encontrá-la posteriormente, sem ser em missão, algo me dizia que poderíamos ser amigos. Mesmo ela estando em um lugar completamente oposto ao meu.

Andei em direção a saída. Mais uma vez, Apolo havia me colocado em uma enrascada de me levar para os locais sem me dizer como ir embora dali. Revirei os olhos de raiva ao lembrar dele. Precisaria arrumar uma maneira de retornar ao acampamento.

Equipamentos Levados:
↬ Armour Love - Uma armadura totalmente adaptável ao corpo do semideus, sendo esta constituída de ferro estígio e ouro, reforçando sua defesa e sua coloração é um leve rosa com gemas prateadas em alguns pontos.. Juntamente com à armadura vêm duas corrente que se esticam até 30 metros, sendo estas feitas de prata e bronze celestial e suas pontas possuem formatos de coração. As correntes possuem a habilidade que permite que o filho de Eros a controle que qualquer maneira. Apenas o filho de Eros pode vesti-la. Torna-se um colar com um pingente que o semideus escolher. [Indestrutível] [Caso a perce, retorna ao pescoço do semideus após dois turnos].

↬ Loving Arc - Uma réplica do próprio arco de Eros. Este é feito de ouro branco com detalhes coberto de bronze celestial, sua corda é coberta pela mais pura prata, é bastante elástica e jamais arrebenta. O arco materializa flechas mágicas assim que o filho de Eros toca na corda, sendo que as flechas possuem duas propriedade, uma é fazer com que pessoas fiquem apaixonadas ( durante 3 turnos ) pela primeira pessoa ou coisa que ver, e, a outra é que a flecha pode causar danos. A flecha materializada é toda feita de uma mistura de ouro branco e bronze celestial, sendo sua ponta um rubi vermelho no formato de um coração, tornando-a totalmente mortal. Quando não utilizado o arco se transforma em uma pulseira com um pingente no formato de coração. [Indestrutível] [Caso o semideus perca, o item volta ao seu pulso depois de um turno].

↬ Escudo espelhado – Um anel de ouro comum, com dizeres de proteção em grego antigo. Quando ativo se transforma em um escudo totalmente revestido com cristal espalhado. O escudo não é capaz de proteger o semideus contra a força física bruta, ou um ataque direto, pois sua propriedade é diferente. O escudo é capaz de defender contra poderes ativos por dois turnos, ou seja, um poder ativo lançado contra o semideus – como bolas de fogo, espinhos, ou algo semelhante – será desfeito pelo escudo, ou refletido de volta, o ataque retorna para quem o lançou. (a propriedade de desfazer o efeito do poder, ou refleti-lo de volta para quem lançou fica a critério do narrador). O escudo só aguenta proteger dois ataques simultâneos, depois volta a forma de anel, e precisa de três turnos de descanso antes de ser ativo novamente. O nome do semideus é gravado no interior do anel, e volta ao bolso do dono em caso de perda, extravio ou algo semelhante.

↬ Blades of garden: Conjunto de lâminas feitas de bronze celestial e adornadas com desenhos de animais. Sua empunhadura é feita de ouro, tão dourada quanto uma das maçãs do jardim das Hespérides. A lâmina é um tanto quanto fina e possui o tamanho de uma espada curta. As lâminas são curvas e dentadas em ambas as extremidades, podendo desferir danos de perfuração e corte. As empunhaduras possuem correntes de ferro entrelaçadas a si, de uma coloração terrosa. O usuário de tal arma pode utilizar as lâminas como espadas a curta distância ou utilizarem as correntes para manuseá-las. Quando não utilizadas, se transformam em um conjunto de braceletes feitos de corrente negra e com o desenho de maçã dourada.

Poderes Utilizados:
Passivos:
✤  Nível 1: Olhos do entardecer: Os olhos dos guardiões não são como os de seres como os mentalistas, que mudam permanentemente de coloração. Apenas durante a tarde, passam a emitir um brilho fraco que faz parecer que a irís modifica a todo momento de coloração, entre marrom, rosado, azul, roxo e dourado, simulando o céu durante o final do dia. Tal efeito de grande beleza, faz com que poderes de sedução e charme se tornem duas vezes mais fortes.
✤  Nível 2: Você pode despertar o desejo dos outros com apenas um olhar, ou com uma passagem, qualquer tipo de desejo se aplica nesta habilidade.
✤  Nível 3: Beleza divina - Os filhos de Eros têm a beleza ao seu lado, e tal vantagem pode ser bem perigosa. Toda vez que entrar em batalha, o filho de Eros poderá fazer com que seu corpo brilhe e que sua beleza fique "bem maior". Assim, alguns dos inimigos irão parar o que estão fazendo apenas para contemplar o semideus.
✤  Nível 5: Perícia em contra-atacar: Um bom guardião não é aquele que possui apenas poderosos ataques, já que quase sempre quando se protege algo, é atacado antes que possa fazer algo. Aperfeiçoando suas técnicas, desenvolveram uma brutal capacidade de contra-atacar. Ao fazerem tal ato, os danos de seus ataques são dobrados, assim como sua velocidade e capacidade de movimentar o corpo agilmente. Apenas funciona em contra-ataques.
✤  Nível 8: Corpo acrobático: As Hespérides fazem a dança das horas, no caso modificando o tempo de estadia solar de acordo com as estações. Pelos longos treinamentos e graça natural de seus corpos, os guardiões são capazes de desferir acrobacias com grande esmero, tendo mais chances de desviar através de esquivas. As acrobacias ainda podem ser feitas para ajudar em ataques e etc.
✤  Nível 10: Radar instintivo: Os guardiões das Hespérides não possuem esse nome atoa. Sendo responsáveis por guardarem tesouros, lugares e serem escolhidas para missões nas quais precisam proteger algo ou alguém, é natural que possuam instintos que as ajudem em suas tarefas. Ao estarem agindo em função da proteção de algo/alguém, mesmo que o objeto/ser que deve ser protegido se locomova para longe, irá saber sempre exatamente aonde ele está e se sofre perigo de vida/ser destruído. O instinto apenas irá cessar quando o objeto estiver em total segurança, ou quando não mais precisar protege-lo.
Ativos:
✤  Nível 2: Charme natural :Sua personagem é capaz de hipnotizar os outros, no início consegue fazer com que a pessoa faça coisas para você. Mas é uma habilidade a ser aperfeiçoada. No início pode-se mandar fazer apenas coisas fáceis.
✤  Nível 5: Controle elemental I: Como bons aprendizes druidas/xamãs, os guardiões são capazes de controlar minimamente os quatro elementos primordiais (água, terra, fogo, ar). Nesse nível são capazes de criar duas esferas em cada uma de suas mãos, podendo ser feita de um dos elementos escolhidos. A esfera poderá ser apenas arremessada em direção á um adversário, causando dano moderado de acordo com as características do indivíduo, suas fraquezas e resistências. (Cada esfera gasta 5 MP)



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Re: O Mistério de Athena

Mensagem por Kang Pipper em Seg Jan 30, 2017 8:00 pm

O poço
Se a insanidade se manifesta em consonância a grandes volumes populacionais, Nova Iorque era o ultimato do postulado; a prova física, cosmopolita e viva de organismos independentes corroídos por suas ambições. E, à medida que a jovem semideusa avançava, mais perdida aparentava estar. Havia sido convocada pela Deusa da sabedoria para que encontrasse algo em seu templo, localizado naturalmente no Olimpo. Que mantinha a cidade citada como sede, já que a chama da civilização encontrava-se em tal local – ainda que a jovem discordasse do fato pronunciado, entretanto nunca ousaria a questionar abertamente, temendo a fúria dos Deuses. Kang Pipper jamais poderia ser taxada como cega ou possuidora de alguma miopia ou qualquer outro problema relacionado a visão, entretanto encontrava serias dificuldade em localizar o edifício indicado. E ela sabia o exato motivo: as pessoas continuavam a esbarrar nela ou empurra-la para trás, presos em suas próprias rotinas para sequer fornecer uma informação simples a uma adolescente notavelmente perdida. Perceptivelmente continuar a se confundir em relação a qual rota deveria seguir, caso uma garota não houvesse a segurado pelos ombros, a guiando até um beco antes mesmo que a Kang pensasse em protestar.

- Olá! Me chamam de Maribel e eu sou uma ninfa. Você está procurando o Olimpo? Oh sim, Athena aparentemente te chamou. Então me siga.

A ninfa anunciou, disparando pela ruela que, aparentemente tratava-se de um atalho e, por puro reflexo, a semideusa desembainhou a adaga que se mantinha sigilada – até então – pelo moletom que trajava. Afinal, havia se habituado a não confiar em quaisquer criaturas mitológicas, mesmo que ninfas fossem consideradas inofensivas a semideuses. Por tais motivos que Pipper resolveu segui-la, mesmo portando tal arma e sendo prudente, mantendo certa distância. E, enfim, quando retornaram até a rua ladeada de seres humanos, Maribel parou em frente a um edifício bem estruturado e que deveria ter custado bilhões. Piscando para a semideusa antes de adentrar no ambiente adornado de câmeras. Sem grandes alternativas Pipper a seguiu, escondendo a arma no bolso do moletom de maneira discreta.

- Ela está comigo! – A ninfa anunciou para um recepcionista que parecia torcer o nariz diante da simplicidade da semideusa, no entanto parecia anormalmente calmo.

Provavelmente a adolescente nunca havia estado em um ambiente tão rico e bem decorado, de maneira que sentia-se suja e inferior, como uma pequena pulga indesejada. Tão perdida em pensamentos autodepreciativos que sequer notou quando adentraram no elevador, Maribel ordenando que seguissem para o andar de sempre. Só voltando a prestar atenção quando as portas requintadas se abriram, exibindo o esplendor da morada divina de maneira que a adolescente ofegou, provando risinhos na jovem ninfa que a segurou pelos ombros, a guiando para fora do elevador.

- Ual...

Pipper pronunciou, atingindo uma cor rubra ao notar que provavelmente estava sendo idiota. Entretanto a ninfa parecia apreciar as reações da asiática.

- É bem bonito e maravilhoso... eu até te mostraria outras coisas, mas olha. Athena está bem irritada. Parece que ela perdeu um livro e não parece muito contente. Então boa sorte. – A ninfa informava à medida que guiava Pipper pelo local adornado de ruas e de aspecto divino. – Ah sim, ar puro é uma benção. Odeio poluição.

Maribel comentou, quando percebeu que a semideusa mantinha-se observando o ambiente com encantamento. No entanto o passeio havia sido finalizado assim que Pipper notou que estavam em frente a um templo de aspecto grandioso. Naturalmente a semideusa olhou para os lados, buscando despedir-se e se desculpar com a ninfa, no entanto, a mesma havia sumido. Fazendo com a asiática engolisse em seco ao adentrar no templo.

- Desculpa, senhora, estou entrando.

A semideusa sequer esperava alguma resposta, entretanto se surpreendeu com um grunhido vindo da sua esquerda, sendo surpreendida ao entrar a Deusa no local. Athena estava despenteada, parecendo bastante brava – e ao mesmo tempo triste – enquanto revirava uma estante cheia de livros. A divindade sequer a olhou, antes de subir as escadas, deixando Pipper sozinha em meio a diversos livros espalhados pelo ambiente. A pergunta de qual era o livro queimando na língua da asiática, entretanto a menina não teve a oportunidade. Não tardando a avançar pelo local, passando a organizar os livros nas prateleiras bagunçadas. Concluindo que seria mais fácil arrumar enquanto buscava o livro misterioso.

Naturalmente a semideusa não esperava que, além daquele andar repleto de livros, houvessem ainda mais dois. Havendo diversos livros jogados pelas escadas e outros cômodos. E, piorando ainda mais a situação, a Deusa parecia mais incomunicável a medida que o tempo transcorria. Já haviam se passado meia hora quando a adolescente resolveu respirar um pouco do ar puro que revestia o olimpo, sentando-se em uma fonte que havia em frente ao templo. Contemplando a beleza evidente do local enquanto forçava-se a pensar nos possíveis livros que Athena poderia estar procurando. Sem grandes esperanças a semideusa olhou para cima, como se esperasse que uma benção de Zeus (que não fosse um raio) a acertasse, lhe dando inteligência e adivinhação. No entanto, o que vislumbrou, certamente havia salvado sua existência.

No topo da fonte havia um livro de capaz avermelhada, parecendo bastante antigo e requintado. E, naturalmente, sem se preocupar com as roupas, a semideusa entrou na fonte, deixando os sapatos para trás. A agua ia até os joelhos da adolescente e realmente não a incomodava. E, no próximo minuto, a semideusa estava enroscada na fonte, tentando subir, nunca tentativa de alcançar o livro. O que havia resultado em algumas quedas antes que Pipper acalcasse o livro. Se questionando se Athena reclamaria caso encontrasse o livro marcado de dedos molhados. Bastou que a semideusa adentrasse no templo para que sentisse a aura assassina que parecia rodear a Deusa, que parecia levemente alterada pela ausência da semideusa. No entanto a fúria da divindade, aparentemente, havia sido aplacada quando os olhos acinzentados se fixaram no livro que Pipper segurava.

Imediatamente Athena rompeu a distancia entra as duas e a Kang entregou o livro, que a mulher segurou como se estivesse reencontrando um filho.

- Onde ele estava, querida? – A Deusa questionou, analisando os possíveis estragos na capa da obra, identificava como “Água de poço em noite fria de lua cheia”. Só ai que a semideusa notou a ironia da situação.

- Ahn, estava na fonte aqui perto.

E, imediatamente as feições da Deusa se tornaram obscuras, enquanto ela se movimentava de um lado a outro na sala onde Pipper havia organizado os livros anteriormente.

- Como se não bastasse ter levado uma mulher para o meu templo, agora esse Deus safado pega meus livros para brincar, pff. – Athena resmungou, rodopiando os olhos, que logo se fixaram na semideusa. – Obrigada, Kang Pipper. Sinta-se livre para sair, caso deseje.

Pipper assentiu, se perguntando se seria rude oferecer ajuda para organizar os livros, no entanto não saberia que a Deusa iria apreciar sua companhia, de maneira que não tardou a se retirar do templo.


the night
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Kang Pipper
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Re: O Mistério de Athena

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