The Blood of Olympus
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Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Zoë Ehlert Nordberg em Seg Jan 16, 2017 4:04 pm

Not making any sense
Eu estava treinando com Nickin na floresta, estávamos entre socos, chutes e defesas faziam mais de vinte e cinco minutos. Apesar de o cansaço tomar conta do meu corpo por completo tudo o que eu menos queria era deixar me levar e ficar presa no Chalé por horas, quanto mais eu ficasse presa naquele cômodo, mais o cansaço me consumiria e mais eu engordaria de tanto comer e ler. E enfim, voltando ao treino… tudo ia bem, até eu me distrair com uma figura feminina conhecida e parar bruscamente, um sorriso apaixonado surgindo em meus lábios.

Eu corri para vê-la, falar com ela, tocá-la, mas o brilho branco e extremamente iluminado que apareceu em minha frente me impediu disso, deixando a pessoa distante e gritos de Nickin latejando em minha mente extremamente latejantes. A máquina disfarçada de um humano me enganou, me impulsionando para dentro dela.

× × ×
p a s t.

“Zöe, Zöe! Ei, acorda! Pelo amor de Zeus, Zöe. Que brincadeira sem graça!” Ouvi uma voz masculina gritar ao fundo, como se estivesse à minha frente. Aquela voz repetiu diversas vezes em minha mente durante toda a noite. Me remexi incontáveis vezes na cama até que, finalmente, em um pulo, me sentei na cama com a sensação de estar sem ar e respirei fundo tentando encontrá-lo. Abri meus olhos e os pisquei repetidas vezes, meu corpo estava frio e a impressão que eu tinha era que o estava no submundo de um iceberg. Coloquei a mão sobre o peito sentindo meu coração pulsar mais rápido do que o normal, parecia que teria um infarto a qualquer momento.  — Poor little girl. — Levantei meu olhar e observei Hades sentar ao meu lado na cama depois de ouvir aquela frase que fez meu estômago revirar. Tudo parecia um sonho aonde eu não poderia falar, apensar estava assistindo tudo o que estavam fazendo sem poder opinar, sem poder fazer algo.

As mãos do deus bêbado foram subindo pelas minhas pernas trêmulas por cima do pano do cobertor, mordi meu lábio em resposta com receio do que aconteceria em depois. Quando dei por mim, uma de suas mãos apertava minha coxa como fosse um estímulo, a outra que estava livre subiu mais um pouco e roçou em minha virilha. Naquele ato, abracei meu corpo e encolhi minhas pernas puxando o cobertor para cobrir meu corpo, como se aquele pano inútil fosse proteger meu corpo. Abri a boca na tentativa de gritar quando o vi vir para cima de mim, abrindo o cinto e desabotoando a calça em poucos segundos. — Hades! — Uma voz feminina falou e eu trinquei meu maxilar na tentativa de fazê-lo parar de tremer, meus dentes rangiam de forma dolorida quando o vi abrir e fechar o zíper instantaneamente. Seu ato só foi parado porque vi minha mãe, Persefone, segurar seu braço com tamanha força que o jogou contra a parede.

Me encolhi mais um pouco enquanto ambos gritavam entre si, vez ou outra apontando e olhando em minha direção como se a desgraça do mundo inteiro fosse minha culpa. Quando vi Hades avançar em direção à Persefone, meu instinto foi lançar em sua direção duas bolas de chamas. É claro que aquilo não era nada para ele, não fazia nem cócegas, mas desviei sua atenção para mim e quando ele se aproximou o suficiente, desferi um tapa de volta em seu rosto com o maxilar trincado de tanta raiva que corria pelo meu corpo. Também o percebi ranger os dentes, mas ele bateu as duas mãos na cama em ambos os meus lados e se ergueu novamente, ajeitando a postura e o cabelo, retirando-se do meu cômodo quase pisando nos próprios pés de tão bêbado que estava. — Me perdoa, eu não queria te fazer passar por isso… — A mais velha disse agarrando meu corpo para si e acariciando minhas costas. Fiz o mesmo, abracei seu corpo pela cintura e escondi meu rosto em seu pescoço. Não choraria, era forte o suficiente para aguentar aquela situação, mas eu nunca mais olharia no rosto daquele cafajeste, mas tinha consciência que fazer aquilo com ele com certeza me traria consequências.

f u t u r e.

De repente, quando apaguei no colo da mulher aparentemente jovem, acordei horas ou até mesmo dias depois atordoada e com o peito doendo, uma sensação ruim pesando meu corpo todo, me impedindo de sair da onde estava. “Não...” Uma voz veio em mente. “Esse não é seu ponto final e muito menos seu último suspiro, Zoë.” Um lugar duro, escuro, desconfortável e com uma energia totalmente negativa que aparentava sugar todas as forças do meu corpo. Quando abri meus olhos, pisquei algumas vezes na tentativa de me acostumar com o pouco de luz que entrava por uma fresta pequena.

Tentei fazer bolas de chamas para iluminar um pouco do local, mas o ato foi totalmente falho. Apesar de enxergar perfeitamente bem no escuro, tudo aquilo estava me incomodando e remexendo algo dentro de mim que eu ainda não conhecia. Se quisesse fazer algo, se quisesse tentar qualquer coisa, precisaria melhorar e sair dali.

Não sabia como estava lá, como havia chegado lá, mas me lembrava vagamente o motivo de estar em um lugar tão sombrio quanto o interior da onde eu vinha. O submundo poderia ser apavorante, frio e ao mesmo tempo quente, mas o lugar aonde eu estava, poderia ser e era muito pior. “Pelo amor de Zeus, eu preciso sair daqui.” Pensei ao tentar me sentar, encostando minhas costas na parede áspera, falhando miseravelmente e caindo de lado por não me sustentar naquela posição. Meus olhos se fecharam novamente quando uma porta que eu não fazia ideia de que existia, abriu. Minhas vistas ficaram doloridas e minha cabeça latejou insistentemente irritante.

— Zoë? Vem, vamos! — Ouvi uma voz feminina chamar e agarrar minha camiseta, me arrastando pelo chão. Eu simplesmente não tinha forças para levantar e andar com as próprias pernas, mas o que era notável fez braços fortes segurarem meu corpo nos braços segurando-o no pescoço e nas pernas. A única coisa que eu conseguia pronunciar eram murmúrios baixos como se estivesse resmungando.

p r e s e n t.

— Ehlert? Ei? — Ouvi alguém pronunciar meu nome e suspirar frustrado por eu não dar nenhuma resposta. Uns empurrões em meu ombro eram notados, mas eu não conseguia me mover, estava ainda um pouco sonolenta e fraca, precisava de algo para melhorar. — Quem é você? — Perguntei num fio de voz. O rapaz loiro arqueou a sobrancelha franzindo o cenho confuso, ele não sabia do que estava acontecendo e muito menos eu. — Nickin, filho de Éros. De acordo com o que eu sei, seu fiel amigo de treinos corporais. — Ele falou de cabeça baixa, sua voz mantendo o tom enquanto mexia com os próprios dedos.

Virei minha cabeça para o lado contrário e olhei por fora da janela aonde nevava e tudo parecia extremamente frio e frágil. Exatamente como eu estava naquele momento. — Você supostamente deve saber tudo sobre mim, hm? — Perguntei tossindo logo depois, sentindo a garganta secar. Coloquei minhas mãos nos dois lados da maca e impulsionei meu corpo para ficar sentada, maneando a cabeça para a água que se encontrava em uma pia próxima. Ele confirmou com a cabeça e me entregou um copo com água, secando as mãos suadas na calça disfarçadamente. — Eu deveria ter mudado o que fiz, Nickin? — Murmurei abaixando o olhar para o copo, brincando com a sua superfície com vergonha de olhá-lo.

Um silêncio se instalou no cômodo quando eu terminei falar, um silêncio incômodo que me fez lembrar da sensação de estar naquele cubículo medonho. Pelo seu olhar, ele sabia sobre o que estava falando. Sobre o que eu tinha feito no passado. Pelo seu olhar, ele me conhecia do avesso. E a única coisa que não me deixava extremamente desconfortável com aquilo, era a presença de Nickin que apesar de tímida, era amigável e confortável, acolhedora. Aparentemente, até então, tinha feito bons amigos no Acampamento.
;You’re slurring all your words;

Poderes:
ATIVOS
Hades > Level 4: Fogo Maldito I:
Também conhecido como fogo negro, é a chama utilizada por Hades para queimar, torturar, ou iluminar o reino dos mortos, usadas de muitas maneiras por este. O semideus, sendo filho do senhor de inferno possui a capacidade de dominar uma pequena parcela dessa chama, podendo usa-la para causar queimaduras em seu oponente. Lembrando que esse tipo de fogo não queima de maneira normal, ao tomar o corpo de alguém consome a região atingida até essa virar carne podre que dificilmente se regenera, permanece em estado morto. Nesse nível o semideus consegue criar no máximo duas bolas de chamas, uma pra cada mão, em pequenas quantidades. O Uso dessa habilidade consome 10 MP por turno usado.

PASSIVOS
Level 2:
Os filho de Hades enxergam no escuro tão bem quanto enxergam no claro.
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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Nanami Tsukushi em Seg Jan 16, 2017 6:45 pm



過去は変更できません
just another hell


O monstro está à espreita nas sombras
( 怪物は影に潜んでいるされています )

Não há muitos sons para serem ouvido: uma goteira não muito longe pingando de um cano enferrujado havia anos com suas gotas caindo sobre uma pequena poça no chão de cimento; o som de passos incomodados, de pessoas trocando o peso da perna ou caminhando devagar de um lado para o outro sem ter muito o que fazer; o barulho de punhos batendo contra um corpo, de ferro quebrando ossos; gritos. Não eram sons que captavam a atenção das pessoas presentes naquele recinto, eram todos tão comuns como os sons de uma rua movimentada; eram sons banais, o que chamava a atenção naquele lugar eram aqueles que caminhavam pelos corredores.

Haviam todos os tipos de pessoas ali. Todas com um histórico similar, talvez. Elas observavam os arredores certificando-se de que ninguém diferente ultrapasse os limites do recinto. Alguns, armados, apenas andavam de um lado para o outro, velhos o bastante naquele emprego para saberem que ninguém seria burro o suficiente para transpassar a propriedade do Clã. Era apenas um dia normal, e as pessoas normais que estavam ali apenas faziam seus trabalhos. Pelo menos eles esperavam que fosse um dia normal.

Mas não era.

Alguém diferente passou por um dos corredores. Era um homem alto de cabelos grisalhos que vestia um kimono negro com estampas escuras de animais brigando; ao mover-se as figuras pareciam mover-se também, apenas uma ilusão de luzes sobre o colorido das figuras. Ele não era um desconhecido, mas a presença do homem naquele recinto não era normal. Ao seu lado, vestida com um kimono branco, estava uma pequena criança, de no máximo 11 anos de idade, que tinha uma expressão séria e olhos vazios que não via-se em crianças de sua idade. Era um dia especial aquele.

Enquanto passavam, as pessoas que estavam ao redor paravam e curvavam-se em respeito, afinal aquele era o homem que paga seus salários e o que poderia facilmente acabar com a sua vida. Ninguém queria ver o lado ruim dele, não é? Pelo menos ninguém do lado de fora das celas.

Eles pararam em frente a uma porta de ferro. Um guarda vestido completamente de preto e com o rosto coberto por uma máscara de tigre a abriu. Do outro lado, um homem com trajes escuros e com o rosto também coberto por uma máscara, esta de uma coruja, fez um gesto para que entrassem. Não havia móveis, apenas a cadeira em que o homem sentava, não havia necessidade para eles, afinal aquela era uma cela e nenhum prisioneiro daquele lugar tinha o direito de ter qualquer conforto além da cadeira de metal gelada que lhes era proporcionada.

Mas o homem da máscara de coruja não era um prisioneiro.

Eles entraram, o Homem Coruja voltou o rosto e os olhos amarelados para a criança que corajosamente entrava no cômodo.

Nani yatten da, konna toko de?”


Não há para onde fugir
(実行するにはどこにもありません )

A mão agarrou Tenshi e Akki, e em um pulo ela saiu da cama, assustando dois outros campistas; um que deu um gritinho fino e segurou a almofada como um escudo e outro que deu um pulo para trás e acabou caindo de bunda no chão. As pupilas estavam dilatadas e o coração acelerado, os nós dos dedos esbranquiçados com a força desnecessária que segurava as kusarigamas. Por alguns segundos ela permaneceu naquela pose de ataque, os dois semideuses à frente sem saber ao certo o que esperar da garota asiática que falava pouco, mas era habilidosa o suficiente para temerem.

Ela abaixou as armas, pondo-as de volta na cabeceira da cama, mas ainda estava agitada. Diferente dos demais semideuses ela não costumava sonhar. Digamos que Nanami Tsukushi não era alguém que os deuses postavam sua confiança ou desejavam proteger, logo ter os típicos sonhos premonitórios ou os pesadelos que faziam algum sentido não era normal à ela. Nenhum sonho lhe era normal. Não lembrava nem ao menos a última vez que sonhara. Nanami Tsukushi era realmente uma garota estranha.

Mas falar de estranhezas naquele mundo é algo complicado. O que é definido como estranho no universo em que vive? Separar a linha de bem e mal já era algo complicado a se fazer para ela, o de normalidade e estranheza equiparava-se a primeira comparação. Talvez se não fosse quem era ela soubesse diferenciar as coisas. Os outros campistas pareciam mais capazes nessa tarefa. Seriam eles os normais?

Você gostaria de ser como eles?

Talvez. Não era uma possibilidade que encarava constantemente. Na realidade, não encarava muitas dessas indagações profundas sobre quem era. Foi moldada desde nova para saber quem deveria ser, e caminhava naquela direção. Não havia esquinas para virar ou becos na estrada que seguia. Apenas caminhava na direção lhe apontada.

Talvez...

O “talvez” é sempre uma palavra forte, juntamente com o “se”. Há muitas pessoas imersas nelas, que afundam-se todos os dias nas possibilidades do que poderia ter sido que quase afogam-se. Nanami não era assim, mas naquele dia, por alguma razão que não sabia ao certo como explicar, ela resolveu melhor seu pé naquele vasto mar de “se” e “talvez”.

Venha.

E ela foi. Não sabia dizer para onde seguia, apenas seguia. Passou por pessoas que mais lhe pareceram borrões, pelas construções de Nova Roma, por árvores e mais árvores. Para onde ela estava seguindo? Por quê estava seguindo algo? Nem ela mesma sabia responder isso. E, ao chegar ao seu destino tudo tornou-se mais confuso.

Mude a sua história.

Era estranho pensar nessa possibilidade. Mudar quem era. Mudar seu passado. Mudar... Mudanças não eram ocasionadas pelos seus desejos pessoais, nunca foram. Eram mais uma questão de necessidade ou ordem. Agora ela tinha a opção; ela tinha uma escolha. Talvez a segunda escolha possível de toda a sua vida. A primeira havia a tornado quem era. A segunda mudaria a primeira.

( . . . )

Nani yatten da, konna toko de?”, a frase foi dita em um tom engraçado, apesar dos olhos amarelos do homem por trás da máscara a fitarem friamente e sem um pingo de graça.

O outro homem, o de kimono preto o qual apresentei à vocês anteriormente, chamava-se Kenji Tsukushi, o chefe do Clã Izanagi. A criança ao seu lado, Nanami Tsukushi, era a sua filha adotiva e a herdeira do clã e do conglomerado de sua mãe. Mas ela não era única filha do casal, caso você imagine isso, eles tinham outros dois filhos, mas nenhum deles tinham 1% das habilidades ou inteligência que a filha adotiva mostrara ter. Ela havia sido escolhida pelos pais, e escolhida por Fukurou, o homem da máscara de coruja.

“Hajimemashite. Watashi wa Tsukushi Nanami desu. Yoroshiku onegai shimasu.”, a criança curvou-se em respeito ao se apresentar. As pequenas mãos à frente do corpo, os olhos voltados para o chão. Ergueu-se novamente depois de alguns segundos. Durante a sua vida já havia aprendido a interpretar quando estava à frente de alguém de importância para seus pais. Aquele era um alguém importante. “O que o clã Izanagi pode fazer para o senhor?”, era uma pergunta padrão, e ela a repetiu como se já tivesse a feito muitas outras vezes; e de fato havia.

A Nanami do presente observava a cena, a mesma cena com que sonhara um pouco antes. A memória eidética a permitia lembrar minuciosamente dos detalhes, mas estar ali “do lado de fora” era diferente da lembrança que possuía. Caminhou pelo cômodo sem janelas e de luz fluorescente, dando uma volta ao redor das três únicas pessoas ali.

Fukurou deixou escapar uma risada e então voltou-se para Kenji, para quem apenas fez um gesto de cabeça. O líder do clã olhou para a filha com seus olhos severos. “Não me decepcione.”, foi o que disse somente antes de sair e deixa-la para trás em uma pequena cela com um homem de máscara.

Vocês devem estar chocados com isso. Como um pai deixa sua filha em uma cela que só tem uma entrada e saída trancada com um homem que nem a face mostra? Mas àquela altura da vida de Nanami muitas coisas chocantes já haviam acontecido, essa era a menor na escala.

“Sendo você filha de Kenji-san, deve saber já sobre os monstros e impuros.”, o homem levantou-se da cadeira, era alto demais, forçando à pequena Nanami a virar a cabeça para enxergar o rosto do homem. A Nanami do presente, porém, não precisava de tanto para ver o rosto da máscara que na sua memória estava escuro por sombras. A criança assentiu. “O que você deve fazer com os monstros e os impuros, Nanami-hime?”, a criança deu um passo para trás, para tentar enxergar os olhos amarelos de Fukurou. “Matar todos.”

O homem-coruja assentiu vagarosamente. “Nós somos conhecidos como Hakobune. Alguns fazem parte de clãs, como você, outros são independentes e outros vivem conosco na sede. A nossa ideologia é como a do clã Izanagi, mas agimos de forma mais ativa, criança.”, ele retirou a máscara. Em seu rosto havia três grandes cicatrizes, como se um animal o tivesse arranhado. Seus olhos eram amarelos e pareciam brilhar, e seu cabelo escuro era comprido. As feições asiáticas e qualquer expressão parecia distorcida pelas cicatrizes. “Você deseja tornar-se uma de nós?”

Era aquele o momento.

Ela havia feito escolhido aceitar. Depois disso foi treinada pelo clã Hakobune, que junto dos treinos do clã Izanagi gerou a maior parte das cicatrizes que possui hoje. Foi lá que tornou-se quem é. A arma que sempre foi instruída a ser. Nanami fitou a sua eu menor. “Recuse.”, sussurrou para a outra. Ela não sabia se desejava realmente aquilo. Não sabia dizer se aquela era uma escolha que queria, mas a curiosidade berrava em seu interior. E se...?

“Devo recusar a sua oferta, senhor. Moushiwake arimasen.”, a criança curvou-se em desculpas. Sua memória era diferente daquela, então observou toda a cena com mais atenção. O rosto distorcido de Fukurou tinha uma expressão estranha, assim como seus olhos amarelados também. Não lembrava de ter visto aquele tipo de expressão em seu rosto antes.

A cena tornou-se embaçada, e um clarão repentino a cegou por alguns instantes. Quando seus olhos acostumaram-se à claridade ela notou não estar mais na cela de concreto conversando com seu mestre. Ou seria ex-mestre?

Esse é o seu novo futuro...

O monstro anda sob o Sol agora.
( 怪物は今太陽の下で歩きます )

Nanami Tsukushi não sorria muito. O sorriso só era mostrado quando necessário, não em momentos aleatórios e como reação à uma piada sem graça que alguém contou. Eram raros os momentos em que um sorriso delineava seu rosto e forçavam seus olhos pequenos a quase fecharem. Mas, aquela Nanami sorria.

A Nanami que estava à frente, aquela que tornou-se seu futuro tinha cabelos compridos em ondas castanhas, usava maquiagem e um vestido estampado com flores de cerejeira. Seus olhos brilhavam e seus dentes frequentemente estavam à mostra devido às muitas vezes que sorria. Ainda que parecesse mais velha do que a Nana do presente, ela possuía um brilho jovial.

Seus braços não possuíam cicatrizes ou suas costas possuíam tatuagem. À primeira vista era até mesmo difícil dizer que aquela garota de traços gêmeos da herdeira do clã Izanagi poderia ser a própria.

“Diga à mamãe que já estou indo ao encontro. Sim, sim, Sakamoto-san, eu sei. Haai.”, a voz da sua outra eu tinha um tom completamente contrário ao seu, ainda que fosse a mesma voz. Ela passou um batom rosa no lábios, olhando-se num espelho redondo com moldura dourada que ficava naquele quarto.

Era um quarto estranho.

As paredes brancas eram enfeitadas com quadros de pinturas famosas, um candelabro enorme de cristal caia do teto alto e meio abobadado, a cama com dossel era grande e tinha um estilo antiquado e cores douradas e pastéis rosas. Todo o quarto parecia ser de uma princesa que gostava bastante de arquitetura medieval. Em uma das paredes havia um grande quadro com várias fotos pregadas, assim como alguns recados, ingressos de shows, fitas, medalhas, e muitas outras coisas que eram fúteis e desnecessárias para a verdadeira Nanami. Ela foi até o mural, enquanto a “ela do futuro” retocava a maquiagem.

Nas fotos, Nanami sorria animada e feliz junto de outras pessoas que nunca conheceu no seu presente real. Metade das fotos eram com sua mãe e seu irmão mais novo, e apenas uma delas estava toda a sua família junta. Seu irmão havia mudado também, assim como a ela daquela realidade. Ele tinha as tatuagens. Ele tinha as cicatrizes. Ele quem não sorria.

Aquela vida era, sem dúvida, uma vida normal.

Mas não era a sua vida. Era a vida que seu irmão deveria estar vivendo.

Escolha...

A Nanami do futuro saiu do quarto, e a do presente a seguiu. A casa ainda era a mesma, mas haviam mais quadros nas paredes, de pinturas e de fotos. Seguiu pelo corredor principal do terceiro andar e passou pela porta aberta do escritório de seu pai. A Nanami mais velha parou de andar em frente à porta, seu sorriso sumiu e seu olhar permaneceu algum tempo no chão. “Mamãe está nos esperando no restaurante, otousan.”, o homem ergueu o olhar para a filha, era o olhar sério que ele normalmente tinha, mas havia uma diferença ínfima nele, e Nanami não sabia ao certo qual era. “Diga à ela que estou ocupado demais para esse tipo de coisa inútil.”, a Nanami do futuro soltou um suspiro silencioso e curvou-se em respeito antes de sair.

Faça a sua escolha.

Aquela parecia uma vida estranha. E aquela era uma Nanami estranha. Se aquela era a vida normal que os demais tinham; se aquele era um estado normal para se estar, ela imaginou que ser estranha não fosse tão mal. Era bizarro pensar que pudesse ser algo diferente do que é, não porque gostava de ser assim, exatamente, e sim porque de alguma forma esquisita e distorcida fora imposto para ela que era uma peça fundamental nos clãs. Ela entendi agora o porquê era importante, e essa importância era tamanha que seu irmão não poderia substituí-la, nem mesmo se ele fosse mais capaz dentro daquela realidade anormal.

Escolha...

Mais uma vez pulou da cama, as armas em punhos, dois semideuses assustados, mas dessa vez ela não deixou-se seguir, apenas colocou as armas de volta à cabeceira e sentou-se novamente na cama. Respirou profundamente duas vezes. E, roboticamente, recitou uma frase que foi obrigada a repetir por muitos anos de sua vida: Han kami ni shi o.”


Benção:
Monstrinho céu azul: Dia de sorte: É um bônus de um mês para um semideus de sorte, onde, durante 30 dias a partir da data que essa bonificação for colocada no perfil, toda xp ganha pelo semideus multiplica por 2. Lembrando que essa bonificação só é válida para XP, para níveis não. (Valido até 16/02/2017).


Última edição por Nanami Tsukushi em Qui Jan 19, 2017 3:29 pm, editado 2 vez(es)


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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Joyce Karin Overwhite em Qui Jan 19, 2017 2:11 pm

/// Tripping on skies, sipping waterfalls

Presente
Tem dias que eu acordo pensando em você, em fração de segundos vejo o mundo desabar.


O chalé de Thânatos nunca pareceu algo tão reconfortante para a russa desde a sua chegada. Tinha sido levada para o ambiente naquela manhã, onde um grupo de garotos e garotas - todos vestidos de roupas escuras e de aparência assustadora - lhe diziam para onde ir. Era tudo muito semelhante ao instituto para garotas que frequentava em Moscou. Quase nenhum feixe de luz orbitava dentro do cômodo que parecia mais com um casebre rústico do lado de fora, mas que por dentro comportava um grande espaço e organização clementes por alguém que se dizia instrutor. Não estava tão atenta o quanto queria, algo parecia sugar suas energias de pouco em pouco e sempre que piscava os olhos, sentia-os pesando gradativamente. Joyce passou a pensar na viagem que tinha feito até o acampamento, foram mais de vinte horas locomovendo-se para lá sem nenhuma pausa para sono, o que deixava sua mente retardada para o que quer que acontecesse. A reclamação já era algo distante em seus pensamentos, levada pela demência repentina que havia lhe domado, como se uma voz lhe chamasse ao fundo, bem baixinho, num acordo para que se atendesse, estaria descansando por tempo o suficiente para estar renovada logo no despertar. Podia jurar que se tratava de madame Margareth indiciando as garotas a prestarem serviço militar, ordenando que limpassem aqui e ali e logo fossem servir de escória para os soldados em formação no pátio do instituto Goldrick. − Mal saio e ainda sou atormentada por essa mulher. − um gemido frustrado escapou pelos lábios da jovem, que estava perdida em pensamentos enquanto seus irmãos e irmãs pareciam apenas fazer parte da decoração do chalé, vegetando para provarem que a existência deles provava alguma coisa. − Esquisitos. − murmurou para si mesma, em mais um resmungo. − Ei, você. Isso é meu, deixe ai. Tá pensando que vai dominar o que não é seu porque sou novata? Tá enganada, ow gótica suave. − ergueu-se ainda meio bamba, quando uma garota de cabelos curtos e olhos estreitos mexia em sua mochila ao lado da cama. A menina deu de ombros, mas não deixou de encará-la como se estivesse planejando alguma coisa. Tentasse o que fosse, Joyce poderia ser muito mais cruel do que ela pensara. Várias garotas do instituto poderiam comprovar, por mais que sua vontade tenha sido não fazer nada do que tinha sido obrigada. Ah, se pudesse mudar o passado... Será que faria o mesmo? Sabia, apenas em olhar para Marian Margareth, que qualquer passo dado em falso, teria sua vida arrancada da maneira mais cruel que poderia vir a pensar algum dia. De fato, aquela mulher tinha o poder de lhe prestar os piores pesadelos. Aquela garota tinha lhe lembrado Brenda, alguém que tinha deixado para morrer durante uma punição. Alguém que poderia ter ajudado. A única coisa de que realmente tinha noção daquele momento, foi a de quando se levantou para tomar um pouco de ar e seguiu em passos mansos até a floresta. Já não estava tão consciente o quanto achava, pois seus pés a levavam para um tipo de portal fantasmagórico com uma forte luz esbranquiçada, tragando-a para uma dimensão que, para ela, era praticamente a realização de um desejo ao ter querido que o tempo voltasse.


Passado
É tipo um vício que não tem mais cura. E agora, de quem é a culpa?


Estávamos indo bem. O período de caça era sempre muito satisfatório, pois éramos as veteranas no jogo e sempre víamos as novatas sofrerem pela forme rude em que Madame M. lhes dava ordens. Na verdade, era assim com todo mundo, mas ao contrário das que ainda choravam e levavam os comandos como insultos, era um tanto engraçado ver as expressões desoladas a cada erro cometido. Quer dizer, também não existiam erros graves: Madame M. gostava de tudo saindo do seu jeito, até mesmo a forma firme em como pisávamos nas folhas molhadas e soterradas pela areia negra do pântano. − Elas não vão aguentar e vão parar no kenkas. − falou baixo quando duas não conseguiam agir sobre a pressão da mulher mais velha, cuja já exibia grossas veias no pescoço moreno. Madame Margareth não gostava de ser nomeada por seu alto título na patente militar. Para ela, seria sempre Madame M. Tratava-se de uma mulher negra legítima, de pele cor de café e cabelo crespo. Seus olhos eram duas bolas pretas intensas e rígidas, os lábios grossos eram ressecados, mas sempre estavam cobertos por uma camada de batom vermelho como se ela ainda se importasse em cuidar da beleza. Uma coisa que Joyce aprendeu sobre ela, fora o fato de que a mulher não se enxergava nas próprias dimensões. Todas as veteranas sabiam de seu ódio por si mesma, por ter nascido preta e sofrido com preconceitos por aceitação. A vida sofrida de Madame M. poderia ser um exemplo para muitas outras negras ou qualquer outra mulher, se ela não tivesse estragado tudo ao se tornar uma pessoa egocêntrica, invejosa e grotesca. Sua crueldade era o ponto forte, pois não suportava ver um rosto branco, bonito demais para ela. − Para o kenkas! − a mulher gritou no ouvido de seus soldados, assustando boa parte das garotas. Ali era daquele jeito... Se uma errava, todas pagavam o preço daquele erro até que a sincronia existisse com toda a turma. Joyce já estava acostumada, pois havia sofrido naquilo por um ano e sete meses até que todas, finalmente, tinham entrado no eixo certo. Agora que apenas era expectadora, e o braço direito de Madame M. por mérito em combate - tinha matado duas companheiras para isso, não por querer, apenas tinham sido forçadas a lutarem até a morte - e boa conduta. O olhar negro voltou-se para o ponto exato onde a loura estava, junto de Carrie, a outra encarregada. Joyce e Carrie quase nunca se falavam. Costumavam ser um quarteto, e por um mal destino, cada uma matou a outra e simplesmente não conseguiam olhar para os olhos uma da outra e relembrar cada momento. Tinham se tornado um tipo de fardo, mas nunca eram vistas separadas. − Carrie, hoje a tarefa é sua. Já temos a sorteada para a amostra grátis do que acontece quando se erra em meu batalhão. Joyce, você fica de guarda para o caso de algo sair errado. Não é por acaso que está como a melhor guerreira de todos os tempos deste maldito instituto. − um calafrio percorreu a cervical da loira, que apenas assentiu e encaminhou-se lado a lado com Carrie para o kenkas, ou como chamavam secretamente, a sala da tortura. E aquilo passava longe de ser uma brincadeira ou uma piadinha interna. Era a mais pura e crua verdade.

Quando entrou, Carrie acendeu a luz do grande espaço. Ao contrário dos outros dias, acendeu apenas a central, onde uma lâmpada caída iluminava uma cadeira velha no centro, com água inundando todo o local na altura dos pés. − Jogue-a aqui. − pediu a Madame M. que adorava ver como suas encarregadas agiam. Eram como suas filhas ali dentro, apesar do pensamento jamais ser posto para fora de alguma outra forma. Ao pegar uma ruiva pelo braço, Joyce levou a menina até a cadeira, já amarrada e amordaçada. Seu peito parecia congelado por uma geada incômoda e mesmo que o pior trabalho estivesse pelas mãos de Carrie naquele dia, não podia negar a sensação de torpor que lhe adornava. Era sempre assim. − Vou deixar algumas coisas claras, novata. − Quando Carrie virou-se de costas para Joyce, ela sabia que tudo já havia começado. Então, apenas segurou a menina de forma que seus seios encostassem o assento da cadeira e rasgou sua calça bem sobre o traseiro, fingindo não se importar com o corte que havia deixado na carne alva. Brenda, a nova vítima, remexeu-se inquieta aos gritos, mas a mordaça impedia qualquer som alto e as amarraduras eram fortes o suficiente para paralisar um cavalo. − Temos um padrão para infratores. Todos pagam pelo preço do seu erro, mas hoje é dia especial, pois Madame M. está de bom humor e quis que apenas a culpada pagasse o pato. Mas, você será usada de amostra para as outras. Se errar de novo, passará pelo mesmo caminho de hoje, mas não se preocupe, porque não estará sozinha. Todas vão passar pelo mesmo, mas você sofrerá muito mais, pois carregará a culpa de tudo. − a voz gélida e rouca de Carrie, uma morena de olhos cinzas nublados e de quase dois metros de altura era completamente aterrorizante, ao menos para Brenda. Joyce poderia não mais dirigir a palavra à garota, mas lembrava-se das noites em que tinha lhe ouvido chorar por meses seguidos. Agora, ela segurava um pedaço de ferro não tão grande, mas era grosso e um tanto que pesado. Já tinha suas partes corroídas pelo tempo e algumas bolas de ferrugem podiam ser vistas. Ela não estava armada com mais nada, apenas com aquilo, e o estrago feito...

Brenda se mexeu por completo, os olhos antes avelãs eram duas manchas vermelhas carmesin, tal como o sangue que escorria de seu traseiro como se fosse uma torneira aberta. O ferro estava lá, e Carrie não fez a gentileza de tomar algum cuidado. Parecia domada por alguma raiva que tirou-lhe o controle, pois não tinha existido aquela peculiar respiração profunda antes de cometer o estupro. Ela simplesmente fez. Talvez, porque Brenda lembrasse Troian, uma das garotas que haviam morrido em campo, e que tinha estuprado Carrie logo quando chegara ao instituto. − Carrie, não é assim que fazemos. − Joyce suspirou, apertando a mão no coldre preso na cintura, sentindo os dedos se fecharem em torno da Taurus Rt838 reluzente. O sorriso psicótico da morena assombrou os pensamentos da loura, que deu um passo para trás ao vê-la puxar o ferro, e colocar uma outra vez, sem nem olhar para Brenda. A essa altura, a menina já tinha desmaiado. O sangue não parava de escorrer. − O que foi? Agora quer proteger essas garotas? Por que? Por que nunca passou por isso? − Carrie parecia realmente possuída, agora, que dava passos em direção de Joyce. − Não. Apenas não é assim que fazemos, você sabe disso. − sacou a pistola, vendo lágrimas caírem pelos olhos da companheira, que ainda sorria como um serial killer costumava fazer. − Faça. Você já foi uma covarde. Não erre desta vez. − por um momento, aquelas palavras confundiram a menina. Do que ela estava falando sobre já ter sido covarde? Carrie percebeu que teria de forçar Joyce até o seu limite, então apenas pegou o ferro outra vez e repetiu o gesto com Brenda. Uma, duas, três vezes, matando-a. Os ferimentos surgiam conforme ela diminuía ainda mais a falta de cuidados, passando a penetrá-la não somente no traseiro, como em sua genitália. − Carrie, pare! − e o sorriso doentio aumentava. A porta se abriu, bem quando Madame M. passou para dentro. − O que é... − sua voz foi cortada por um tiro. Carrie já não sabia se sorria ou se chorava enquanto escorregava até o chão, e Madame Margareth tinha seus olhos arregalados em puro choque, tendo dado três ou quatro passos cambaleantes para trás. A multidão que se seguiu atrás daquele momento foi tumultuando o kenkas, muitos gritos horrorizados eram formalizados com o vislumbre do corpo de Brenda na cadeira, ou talvez... Pelo de Madame Margareth, que dava seu último suspiro pelas mãos de seu soldado preferido. Joyce.



Futuro
E o que é que você vai fazer pra eu voltar?


A cela era muito confortável para alguém que não queria advogados ou qualquer menção de sair dali de dentro por um bom tempo. Joyce estava cansada do mundo, das coisas como eram e de uma sociedade completamente domada por instintos selvagens. Era sabido que estaria ali dentro, longe de tudo e todos até que seus cabelos brancos surgissem e quem sabe, a morte batesse em sua porta. Matar Madame M. não tinha sido algo difícil e nem que lhe tirara a consciência todas as noites em que deitava a cabeça no travesseiro. Sabia que tinha feito certo, que havia dissipado a crueldade sem tamanho daquela mulher. E claro, até uma boa ação tinha seus preços. Não tinha conseguido salvar Brenda de sua infeliz situação, pois nem Carrie tinha conseguido suportar a dor de se ver na posição daquela menina e ter sofrido a mesma coisa. − Está na hora de dormir, detenta, faça seu dever aqui dentro se não quiser ficar por mais tempo. − Joyce negou com a cabeça, já estava deitada a algum tempo, só não tinha um pingo de sono. Estar aprisionada te dava mil e um motivos para pensar em todas as suas atitudes, e para ela não era diferente. Já tinha estado no lugar de Carrie, já tinha cometido atrocidades em formas inocentes, se assim poderia dizer. Ou era ela, ou era a vítima. Estar presa era pouco para o que merecia, e ainda tinha um pouco de sorte por não estar recebendo nenhum tratamento de choque ou estar exposta ao comunismo social desvairado da atualidade. Foi ainda pensando que caiu em sono profundo, sentindo como se estivesse sendo sugada para outro lugar, bem longe de toda aquela realidade devastadora que lhe assombraria para o resto da vida. 


De volta ao presente
O céu explica tudo pros nossos corações


Os olhos azuis encontraram o céu aberto, iluminado por estrelas brilhantes e em grande quantidade. Várias risadas soavam logo atrás, junto de um barulho alto de uma música que tocava. A cabeça de Joyce latejava, ela estava desorientada e não sabia dizer onde estava. Lembrava-se apenas de ter saído do chalé de Thânatos para pegar ar e... Aos poucos, tudo foi voltando. Mas como? Olhou melhor ao redor, e notou que ainda estava no acampamento, rodeada por bêbados em uma festa secreta perto do lago. Se levantou com um pouco de dificuldade, apesar de estar um pouco mais afastada da festa propriamente dita, poderia dizer que tinha bebido demais e tinha tido alucinações com o passado e futuro. − Maldita dor de cabeça. − resmungou, se levantando, não percebendo que alguém passava na mesma hora em que dava o primeiro passo para longe dali. Seguiria direto sem nem se importar com a pessoa descuidada que não olhava por onde estava andando, mas o fez, sem algum motivo aparente. E para sua surpresa, deu de cara com uma garota de cabelos louros e olhos azuis, como os próprios. Ela era bonita, tinha uma pele extremamente clara e nenhuma falha aparente. − Foi mal. − desviando os olhos, Joyce correu para longe dali, atordoada demais para se dar conta de que, pela primeira vez na vida, tinha se desculpado com alguém. Não com as palavras diretas, mas, tinha feito.




benção:
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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Evie Farrier em Sex Jan 20, 2017 8:20 pm

o trio fantasma
o enigma do tempo
o passado, o presente e o futuro



Antes de começar:
Esse evento foi baseado em minha trama pessoal, que é caçar demônios que foram invocados pelo meu futuro inimigo. A base do enredo a seguir é que Evie entrou nesse mundo cedo demais e isso transformou o seu futuro, para pior.



Quem eu fui uma vez...

Era um velho cliché dito por qualquer professor de história. Para entender o que estava acontecendo no presente, era preciso entender o que aconteceu na história. Qual o bem mais precioso de um ser que senão a sua história? Cada ato, cada momento, cada suspiro de prazer ou de derrota. Os arranjos desafinados do passado de alguma forma faziam parte da orquestra que compunha cada passo na nossa atualidade.

Dizem que uma ação sempre geraria uma reação que, por sua vez, traria uma consequência que influenciaria em outra ação. Um ciclo sem fim de consequências e resultados.

Uma constância de “e se...” pode tonar-se quase infinita, se começássemos a pensar nas possibilidades que não escolhemos. E se eu não tivesse comido aquela comida estragada? E se não tivesse fugido de casa? E se eu tivesse confiado em tal pessoa? Ou se eu tivesse desconfiado demais de outra? E se eu tivesse ido? E se eu tivesse permanecido?

...e se...

Nós éramos reféns de nossas escolhas. Decisões que eram tomadas sem pensar, atitudes feitas no furor da paixão ou na bagunça da ira. E se tivéssemos a chance de fazer algo diferente? E se pudéssemos tomar uma decisão diferente?

...e se...

(...)

Acampamento Júpiter
Alojamento da II Coorte
1:50 AM


Um resmungo foi abafado contra a fronha do travesseiro. Meu corpo estava inquieto, minha mente um verdadeiro caos. Mesmo que tivessem sidos dias agitados, graças as festividades de fim de ano, eu sempre conseguia apagar sobre o meu leito – não tão confortável – e adormecer feito uma pedra.

Naquela noite havia algo de diferente.

Algo tão inquietante que parecia sussurrar ao pé de meu ouvido, mesmo que não houvesse de fato uma voz. Algo que cutucava a minha atenção em uma frequência interminável e irritante. Assim que eu atingi o nível impaciência, sentei sobre o colchão e olhei ao redor. A maioria dos campistas estavam adormecidos, sendo possível até escutar o ressoar pesado de algumas respirações. Levei minhas mãos até o cabelo e o baguncei tentando extravasar aquela agonia que incomodava o meu peito.

Levantei de supetão, fazendo as molas de meu colchão rangerem com o movimento abrupto. Calcei chinelos, busquei um casaco velho e sem pensar duas vezes sai do alojamento da II Coorte. Sabia que era proibido caminhar pelo acampamento depois do toque de recolher. Mas eu precisava seguir aquela sensação ou morria incomodada com ela. Oh, certamente não era um exagero, pois nada no mundo dos semideuses realmente era exagerado. Tudo era possível, complicado e estranho.

Não permiti que minha mente interferisse no caminho que tomava. Meus passos sendo guiados por aquele chamado não clamado, mas sim sentido. Logo moça a floresta no meio da noite. Por certo muito temeriam aquele lugar e diriam até mesmo ser medonho sem a luz solar. Porém, para mim, tinha o seu certo encanto. As árvores mal iluminadas pela luz lunar. A falta de barulho advindo do acampamento ativo permitia que os sons da natureza se sobressaíssem. Enquanto o véu da noite cobrisse o céu, eu me sentira confortável e até mesmo perigosamente segura.

-Mas o que...?

Acabei por pensar alto assim que vi um brilho sutil entre as árvores. Com o cenho franzido e a curiosidade alastrando em minhas veias como um incêndio descontrolado, aproximei-me da luminosidade estranha. Quanto mais perto, mais intensa ela se tornava. Azulada. Esbranquiçada. Mágica. Era assim que eu poderia descrever o que surgiu a minha frente, em uma parte oculta da floresta. Um portal mágico que parecia gritar e sussurrar meu nome.

Uma pequena parte de mim alertava o perigo. Outra parte de mim era atraída fortemente para chegar mais perto... e mais perto... e mais perto... Até que eu toquei a luz e me vi sendo devorada por ela.

Se havia algo próximo a sensação de ser abduzido, definitivamente ser sugado por um portal mágico se encaixaria nisso. Tudo pareceu girar e se contorcer a minha frente, nenhuma imagem fixa, apenas um caleidoscópio de cores confusas e opacas. A sensação de velocidade fazia meu estômago embrulhar ao ponto de me encolher com as mãos sobre a barriga. Eu queria gritar, mas o medo de que se abrisse os lábios meus órgãos escapassem pela boca era totalmente real.

Porém tudo parou de forma abrupta.

Pisquei várias vezes enquanto sentia o meu corpo cambalear dois passos para o lado. Repousei as mãos sobre os meus joelhos, inclinando um pouco o corpo para frente. Busquei o ar como se tivesse me afogando segundos atrás e tivesse finalmente emergido para fora da água. Olhei ao redor tentando me localizar. Meu queixo caiu vários centímetros sem acreditar no que eu estava vendo.

-Evie, você está bem? Eu sei que disse que não queria ir na montanha-russa, mas era só ter me dito que você passava mal nessas coisas!

Meu corpo ergue-se rapidamente e virou pra trás, em busca da dona da voz. Como isso era possível? Mas era. Ali estava uma garota nos seus dezesseis anos, pele bronzeada e cabelos castanhos claros. Seu nariz arrebitado era uma das coisas que eu mais adorava, assim como os olhos cor de mel.

-Miranda? – o meu tom não escondia a confusão que eu tinha dentro de meu peito.

-Duh, quem mais seria? – ela aproximou e deu um tapinha em minha testa em brincadeira, mas logo seu semblante tornava-se sério – Você está bem? Quer água?

Miranda Roberts havia sido o meu primeiro amor, quando eu tinha 14 anos. Olhei ao redor ainda de lábios entreabertos. Reconheceria aquele lugar mesmo se estivesse sonhando. Era o parque de diversões de São Francisco, o lugar onde eu tive o meu primeiro encontro. Deuses, aquela noite havia mudado toda a minha vida. Pois ao mesmo tempo em que eu dava o meu primeiro beijo, entendia melhor minha própria sexualidade... Eu tinha levado o meu primeiro fora.

No auge de minha adolescência eu tinha conhecido Miranda, filha de Mercúrio. Extremamente inteligente em burlar as regras sem ser pega, eu havia criado um rápido fascínio. Ela se movia mais rápido do que qualquer outro semideus que eu havia duelado até então. Ela conseguia coisas que eu nunca ousei perguntar como o havia feito. Ela era linda e imprevisível. Em meus momentos mais inspirados, costumava compará-la com uma tempestade. Eu havia sido desafiada por um dos garotos da II Coorte em chama-la para sair. Foi uma das coisas mais assustadoras que havia feito, mas tinha conseguido e isso resultou em uma fuga para o parque de diversões.

Lembro o quanto havia me divertido. O quanto tinha adorado o beijo e de como fiquei extasiada. Aquela noite foi a primeira vez em que tinha assumido sem temor que também gostava de garotas. Um passo extremamente importante para o meu eu pessoal.

-E-eu estou bem – respondi e olhei para mim mesma, trajando roupas simples, mas que definitivamente eu tinha me livrado uns bons anos atrás – Ahn, nós podemos só pegar algo doce?

-Para uma garotinha que anda sempre com uma carinha séria, é surpreendente a forma como você gosta de doces! – Miranda exclamou e riu – Vamos fazer assim? Nossos tickets acabaram, eu vou comprar mais e você se entope de açúcar. Nos encontramos aqui em... quinze minutos?

-Claro que sim!

Meu corpo seguiu o antigo roteiro. Era o fluxo natural das coisas e, mesmo que houvesse essa segunda consciência, o que eu faria de diferente? Oh, talvez apenas a beijasse mais uma vez, quem sabe assim ela se convenceria a sair comigo outra vez? Animada, corri para a barraca de algodão doces e esperei de maneira impaciente na fila.

-Farrier?

Franzi o cenho ao chamado de meu nome realizado por uma voz grossa e masculina. Então um homem surgiu em meu campo de visão. Ele usava roupas negras e tinha uma horrível cicatriz no rosto. Era impossível impedir que meu corpo arrepiasse com a brutalidade evidente, obrigando-me a recuar um passo para trás.

-Eu não quero confusão – falei tentando parecer firme.

-Muito menos eu, criança. Eu me chamo Victor Hale Farrier, eu sou o seu tio!

-Eu não tenho família! – exclamei brava por um estranho ter tocado em uma ferida nunca cicatrizada – Vá embora!

-Você precisa vim comigo, Evie. Você precisa saber o quanto antes o que aconteceu com seu pai para poder se preparar para o que está por vim. Veja – ele mostrou o seu antebraço tatuagem, mas não uma tatuagem qualquer, era uma marca romana cheia de traços! Isso indicava que ele havia feito parte da legião por anos – Você precisa compreender muitas coisas criança...

Eu lembro o que havia feito. Minha ansiedade de ficar com Miranda e a repulsa por receber ordens de estranhos me fez negar veementemente o pedido daquele homem. Quando ele insistiu, o presenteei com um belo chute entre as pernas, desisti do algodão doce e fui atrás de minha primeira paixão.

Mas dessa vez eu presentei atenção. O homem era um ex legionário e em seus olhos azulados eu encontrava certa familiaridade. Olhei para o ponto em que sabia estar a barraca de tickets mais próxima, onde estaria Miranda.

...e se eu fosse com ele?

-Seja rápido!

E ali estava marcado a mudança. Um novo desencadear de acontecimentos graças a duas palavras. Victor sorriu e me guiou até um carro escuro e velho no estacionamento. Ele abriu o porta-malas e meus olhos dobraram de tamanho com tudo o que eu vi ali. Armas, milhares dela e todas com estranhos símbolos.

-Você primeiro precisa saber que seu pai foi um grande homem e---

-Todos falam isso, diga algo novo!

-Ele morreu salvando sua vida.

Um nó se formou em minha garganta. Até aquele momento eu nunca havia recebido uma resposta clara para o que aconteceu com Arthur Farrier. Todos apenas diziam o grande legionário que ele havia sido. Qualidades que eu nunca iria saber se eram realmente condizentes ao pouco do homem que eu tinha em minhas lembranças. Mas ali estava alguém que proclamava ser meu tio. Um homem que sabia uma parte de minha história que ninguém mais parecia saber.

-Você precisa tomar cuidado Evie, a ignorância pode ser uma benção – Victor dizia em tom baixo e apressado – Há muitos mistérios nesse mundo que não é divulgado. Aprenda que nem todas as verdades são para todos. Há demônios que apenas certas pessoas podem enfrentar e--- oh merda! – ele interrompeu a fala e pegou uma das inúmeras espadas do porta-malas e me puxou bruscamente para atrás de si – Não importa o que você veja, não se envolva!

-Mas o inferno que eu vou deixar de batalhar!

-Você não está pronta ainda!

-Eu nasci para briga!

Ele me olhou de um jeito irritado e eu retribui o olhar sem nem ao menos piscar. Essa pequena guerra fútil perdurou até que um grito horrendo foi escutado. Não era nada comparado ao que eu já havia escutado antes. Era potente e aterrorizador, de um timbre animalesco e de algo que provavelmente não era desse mundo. Apesar da minha vontade de entrar na briga, mesmo que de maneira imatura e totalmente passional, Victor fez algo que me fez odiá-lo por vários meses.

-Desculpe pequena, mas você não está pronta ainda.

Haviam poucas coisas que me surpreendiam, mas o soco de direita aplicado na lateral de meu rosto definitivamente entrou para a minha pequena lista. Meu corpo caiu no chão, meus sentidos zonzos pela força aplicada no golpe. Minha visão ia escurecendo aos poucos, ao compasso que minha respiração se tornava cada vez mais pesada.

Eu vi meu suposto tio lutando bravamente.

Eu vi seu inimigo como uma enorme sombra demoníaca.

Quando minha visão finalmente apagou, meu último pensamento foi o de que nada mais seria o mesmo.


Quem eu poderia me tornar


Ao despertar a primeira coisa que eu senti foi o cheiro forte de enxofre. Resfoleguei forte, pisquei meus olhos diversas vezes até se acostumar com o ambiente penumbro ao meu redor. Olhei para baixo tentando acalmar a onda de tontura que assolava minha cabeça, mas foi ao direcionar meu olhar para minhas mãos que eu notei o meu estado.

Os nós de meus dedos estavam vermelhos, como se tivesse passado horas golpeando o tronco de uma árvore. Minhas roupas não cheiravam bem e eram bem escuras, estranhas. Eu sentia meu semblante pesado e sério, como se eu fosse incapaz de exibir qualquer tipo de emoção. Repuxar meus lábios em um sorriso? Era impossível.

Escutei um resmungo. Meus olhos cansados buscaram a origem daquele som... Apenas para encontrar um homem amarrado com correntes escuras. Meus pés moveram-se para perto da vítima, percebendo o quanto ele estava machucado. A blusa social estava rasgada com cortes de lâmina, manchada em sangue por todos os lados. Os dedos das mãos estavam quebrados e em um ângulo que embrulharia o estômago de qualquer um. Minhas mãos adentraram os cabelos escuros e oleosos, puxando a cabeleira ao ponto de fazer o homem tombar a cabeça para trás. Aquilo não era o rosto de um homem descente, mas sim torturado. Estava tão cheio de hematomas e cortes que eu mal podia vislumbrar os seus olhos claros.

-Está pronto para me dizer onde ele está? – indaguei em uma serenidade fria como a brisa do polo norte.

-Vá... Para... O Inferno! – ele dizia com extrema dificuldade, havia dor em cada palavra pronunciada.

-Eu estou te dando todas as chances, McCoy! Diga-me onde eu encontro aquele maldito e eu te dou até mesmo néctar para se curar e sobreviver!

O homem torturado nada respondeu. Eu pude escutar o barulho provocado pela garganta e em reflexo afastei o corpo escapando do cuspe lançado em minha direção. O sorriso fraco chegava a ser miserável ao ser esboçado por um rosto tão machucado. A raiva se alastrou rapidamente em minhas veias, como se aquele ato de desrespeito fosse um grande ultraje. De minhas costas, puxei uma espada e a girei em minha mão antes de dar o golpe.

Não houve hesitação ou erro. A espada estava sendo penetrada em uma estocada forte e firme, certeira no coração do homem. Não havia remorso, nem rejúbilo. Havia nada que fizesse meu coração disparar em resposta a uma emoção. Apenas um enorme vazio refletido em meu olhar enquanto puxava de volta a minha espada. O corpo do homem apenas caiu para frente, sento impedido de colidir contra o chão apenas pelas correntes. Fiz um movimento com a espada que jogou o excesso de sangue no chão escuro, tornando a coloca-la presa em minhas costas.

Ao dar as costas, o único sentimento que podia identificar era o de decepção por ter perdido tempo com aquele informante. Suspirei começando meu caminho de retorno, subindo dois lances de escadas até me deparar com um galpão antigo. Havia um pedaço de espelho quebrado na parede e a imagem que refletiu ali me fez arrepiar.

Meu rosto estava com uma mancha de guerra ao redor dos olhos. Uma cicatriz enorme desenhava desde o meu maxilar até a base de meu ombro esquerdo. Mas o mais assustador era o vazio dentro de meus olhos azulados. Não havia mais brilho de vida. Não havia mais nada que denunciasse um sentimento que fosse. Gélido. Impenetrável.  Ajeitei meus ombros e meu olhar tornou-se mais determinado do que antes.

Precisava encontrar aquele maldito homem e vingar todos aqueles que havia perdido. Não parecia me importar com o que eu me transformaria no meio de caminho. Um monstro. Ou um demônio. Minha alma parecia encontrar alento apenas na ideia barbara de vingança.

O galpão não estava vazio. Haviam camas e redes, assim como mesas cheias de mapas e estantes com poucos livros e armas, muitas armas. Haviam dois garotos afiando espadas enquanto um outro, realmente grande com seus dois metros de altura, passava os canais em uma televisão realmente antiga.

-Conseguiu algo? – o garoto alto questionou.

-Não – foi a resposta curta ofertada por mim.

-Você não pode continuar usando a nossa sede para fazer suas torturas insanas – o rapaz ergueu-se.

-Faz parte do acordo! – cruzei os braços sem me deixar intimidar – Eu ajudo a proteger a área, vocês não fazem perguntas.

-Mas isso é demais, eu estou tendo pesadelos com os gritos desses infelizes!

-Deveria ter pesadelos com o que vai acontecer se eu não conseguir as informações que preciso!

-Ah sim, porque você é a loba solitária em uma missão salvadora que só você pode lidar! – ele urrou sem se preocupar com o tom de voz usado, mas nada daquilo me abalava – Fique conosco Farrier, nós podemos te dar abrigo e usar de suas habilidades.

-Você sabe minha resposta – pela segunda vez naquela noite, dei as costas a alguém sem sentir remorso algum – Eu não tenho casa e jamais terei novamente.

-A deixe ir Lucas, desiste logo dessa garota! Ela desistiu dela mesma. Somos renegados, não precisamos de mais problemas.

Um dos garotos que afiava a espada disse com certo desprezo. Eu não conseguia culpa-los, então apenas sai do galpão depois de pegar minha jaqueta de couro. Para onde ir? Não sabia ao certo. Todas as minhas esperanças estavam na obtenção de novas informações com aquele infeliz morto no subterrâneo. Mas minhas buscas estavam resultando em uma frustração dolorosa.

Naquele futuro eu tinha me resumido a alguém com uma busca incansável e insaciável. Havia sacrificado minha vida como legionária. A cada dia desistia um pouco mais da minha humanidade para dar voz ao monstro que todos nós tínhamos enclausurado dentro de nós. Sozinha. Sem um lugar para ir. Como um tubarão que só sabia nadar para frente ou morreria. Não havia mais noção de certo ou errado, apenas o que era necessário fazer.

E o que era necessário não era bonito. Era demoníaco. Era sujo de sangue e banhado em desgraças. Aquela era a possibilidade que um “sim” havia me dado, um futuro tenebroso e cheio de perigoso.


Quem eu sou


Voltar a acordar foi como um grande golpe de realidade. O meu corpo sentou na cama ofegante e com o grito preso na garganta. Meus olhos bem abertos demoravam a informar a meu cérebro onde eu estava.

Alojamento da segunda coorte.

Pulei da cama tão rápido que quase tropecei os pés no lençóis. Cambaleante, desesperada, corri em direção ao banheiro. Praticamente soquei o interruptor que acendia as luzes e paralisei na frente do espelho.

Carinha de dezenove anos. Confere.
Rosto sem cicatrizes. Confere.
Nenhuma mancha de guerra. Confere.
Meus olhos não estavam monstruosos. Confere!

Um suspiro de alívio escapou de meus lábios. Sonhar com monstros, com situações complicadas... Em nada se comparava a sonhar com uma versão tão cruel e fria de si próprio. Olhar no espelho e encarar seus olhos encontrando apenas o vazio... Deuses, era assustador!

Retornei para a minha cama ainda com cada memória do pesadelo que tive em modo de repetição. Se eu tivesse seguido aquele homem, eu teria me tornado aquela pessoa tão diferente? Respirei fundo deixando meu corpo desabar sobre o colchão, o som das molas parecendo incomodar os legionários mais próximos. Porém, bastou ajeitar-me um pouco mais que aquela sensação incomoda de algo me chamando retornar.

-Nem que o inferno congele eu saio daqui!

E apenas para proteção, cobri meu corpo dos pés a cabeça com o lençol. Afinal, qual a proteção maior que esse mundo poderia oferecer em uma cama que, senão, um cobertor sobre o seu corpo?





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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Kang Pipper em Sex Jan 20, 2017 11:14 pm

...
A história de Kang Pipper – ou Kim Nayoung, como seria chamada por aquele que havia seduzido a Deusa primordial da Noite – iniciou-se muito antes de seu nascimento. O preludio dessa trajetória nos remete a Kim Hye Jeong ou simplesmente a avó da nossa protagonista.

Na capital Sul Coreana, a ascensão ao estrelato havia sido cruel para Kim Hye Jeong: das aparições esporádicas em novelas de pouca audiência ao primeiro papel como heroína de um drama histórico, a jovem havia enfrentado uma empreitada que era frequentemente utilizada como exemplo da meritocracia genérica na península. Em adição, a natureza minimalista de suas conexões pessoais, que nunca foram expostas ao público, sempre foram dignas de curiosidade por parte da população sul-coreana. Escândalos nunca eram propagados quando se tratava do primeiro amor da nação. Aos vinte e nove anos, Hyejeong detinha uma legião de fãs para assisti-la em caso de fogo. Nem mesmo sua gravidez fora de um casamento foi capaz de abalar sua sólida popularidade. Um caso bem-sucedido de inseminação artificial suportado pelo departamento médico da Universidade de Mulheres Ewha completava a imagem acolhedora da atriz, que deu à luz a Kim Jong Hyun após uma gestação de muito fervor.

O primogênito cresceu sob holofotes e câmeras cinematográficas em um espetáculo midiático equiparado ao nascimento de herdeiros do trono de Buckingham. Ainda que boatos acerca da veracidade de tal inseminação genética surgissem vez ou outra, com provas genericamente fundamentadas em um senso superior de justiça e exposição intrínsecos à misógina península, especulações eram abafadas quase que imediatamente. Sete anos após o nascimento do novo primeiro amor da nação, a lendária estrela fez sua última aparição em público em um evento. A aparência impecável não delatava nenhum sintoma de desequilíbrio, ou dissonante a habitual harmonia clássica. Na madrugada que seguia a premiação, a figura diminuta de Kim Jonghyun em um pijama branco segurando uma pelúcia de coelho era carregado aos prantos para dentro de uma viatura policial como a única testemunha do suicídio da mãe, que despertava a comoção nacional ao passo que os artigos eram divulgados. Essa foi a última vez que Kim Jonghyun foi visto em solo coreano.

O cadastro de pessoa física e a certidão de nascimento de Kim Jonghyun, filho de Kim Hyejeong, foram deletados de todos os sistemas de controle populacional durante aquela semana e o menino havia sido anunciado pelos psiquiatras como agente de um homicídio culposo, onde não há intenção de matar. Segundo o laudo, Jonghyun havia oferecido as pílulas — que já eram de uso cotidiano para sua mãe — após uma crise de depressão experimentada pela atriz. Legistas anunciaram que efeito do álcool com o teor periculoso do medicamento havia causado a morte de Hyejeong. Curiosamente, dezenas de escândalos sexuais envolvendo outras celebridades eclodiram e os boatos sobre a corrupção do presidente tiraram o nome da falecida atriz das manchetes até enterrar a moça e seu filho desaparecido no completo anonimato. Os títulos de primeiros amores da nação haviam sido transferidos a atrizes que emergiram repentinamente.

Você não precisa ser um cientista político ou um investigador particular perito em seu ofício para descobrir os furos na narrativa. Por que uma inseminação artificial quando Kim Hyejeong poderia casar com qualquer homem (ou mulher) da nação e ainda contar com incrementos em sua popularidade? Por que escândalos envolvendo celebridades proeminentes — como os favores sexuais que ocorrem nos bastidores da indústria musical e a desarticulação de um girlgroup — foram ao ar na manhã seguinte da morte de Hyejeong?

A industrialização acelerada da Coréia do Sul é suportada por conglomerados de empresas que manipulam figuras políticas em detrimento do benefício próprio, e quando o assunto engloba interesses monetários, os fins talvez justifiquem os meios. Enviar um menino de sete anos psicologicamente abalado por ter sido dito como a culpado do suicídio misterioso da única figura familiar para um internato na Califórnia não iria ferir ninguém, não é mesmo? As crises de sociofobia e fotofobia potencialmente manifestadas por esse mesmo jovem em um futuro próximo eram problema dele. As inúmeras fugas do antro religioso que se iniciaram aos quinze anos sob a premissa de "encontrar seu pai" foram taxadas como fruto de delírios: Kim Jonghyun não tinha um pai.

Aos dezesseis anos Kim Jonghyun nunca mais fora visto pelos docentes e estudantes do internato religioso. Uma fuga bem-sucedida havia o prendido as ruas imundas e boemias da cidade banhada pelo mar. Naquele momento o destino do, até então psicologicamente instável e sociofobico, foi definitivamente traçado. Apesar das constantes fugas e atos julgados como anormais o jovem nunca havia machucado alguém ou dado indícios de depressão, pelo contrário. Jonghyun havia esquecido do passado, apagando as memórias da própria mãe como uma maneira de proteção, entretanto o cérebro do menino havia criado uma ilusão de que possuía um pai. Por mais que insistissem em contraria-lo.

Porém quaisquer traços de uma personalidade agradável haviam sido definitivamente enterrados assim que o asiático se viu tendo a própria vida ameaçada, com uma arma pressionada contra o estômago. Naquela noite a existência de Kim Jonghyun havia sido salva e poupada por um homem, conhecido por ser um traficante que controlava a região. Preso por lhe dever cada batimento cardíaco, o garoto – pois não passava disso em tal época – tornou-se um criminoso. O mesmo transgressor que havia deixado uma pequena criança de dois meses em um beco escuro, esperando que o destino fosse generoso com Kim Nayoung.

E, de fato, o mundo havia contribuído para que os desejos de Jonghyun se tonassem concretos. Após quatorze anos, desde que Nayoung tornou-se Kang Pipper, a filha de uma gitana, as memorias nebulosas de uma possível infância ainda atormentavam a prole de Noite. A ausência de uma figura paterna só servia para afligi-la durante a infância, aliada ao conhecimento que havia sido abandonada em um beco escuro por um rapaz de, no máximo vinte anos. Quem seria tal homem? Talvez até fosse um possível irmão. Mas a resposta de fato nunca chegou, lhe sobrando apenas divagações inúteis. E com os anos as coisas tornaram-se mais fáceis. Blanca – a cigana que havia acolhido Pipper como filha – lidava com o absentismo de qualquer figura paterna para a menina da própria maneira, ainda que buscasse secretamente alguma representação masculina em meio a comunidade cigana que acolhesse a pequena asiática em tal época. Mas a Kang mantinha-se inabalável, tanto pela idade como pela teimosia. De qualquer forma, o tempo pode levar tudo. Os princípios, virtudes, defeitos e qualidades: todos eles se vão.

Aos onze anos, a personalidade de Nayoung se modelava de forma precoce. Diante das dificuldades financeiras experimentadas, seu tempo passou a ser fragmentado em seções de estudo e de cuidados com a casa. Afinal Blanca estava sempre trabalhando, fosse lendo o futuro de indivíduos desamparados ou vendendo guloseimas em quitandas. Pipper aprendeu desde a infância que levar a vida pelo lado ruim apenas lhe traria tristezas. Era possível ser feliz mesmo se alimentando de maneira precária e passando noites em claro afim de concluir atividades solicitadas pela escola. Atitudes assim arquitetavam um monstro. Não um monstro no sentido literal da palavra, mas uma armadura inabalável que compactuava com modo peculiar de Pipper de ver o mundo com tamanho otimismo.

Caso Kim Jonghyun se recordasse da própria mãe e pudesse apreciar a criança que Kang Pipper havia se tornado possivelmente veria uma versão livre de traumas e de problemas psicológicos de Kim Hyejeong.

E, ao contrário do que crenças populares ditavam e insistiam em compactuar, Pipper não havia sido gerada por amor ou quaisquer outros sentimentos positivos que seus progenitores poderiam nutrir um pelo outro. Entre Jonghyun e a Noite só houve luxuria e interesses. Nyx o alimentava com dinheiro e companhia, usufruindo do corpo do delinquente, afinal aquela era a profissão de Jonghyun. Aquela criança, concebida puramente por atos carnais parecia, posteriormente após seu crescimento, ser dotada de todo sentimentalismo e positivismo que faltavam em seus progenitores biológicos ironicamente.

Eventualmente tal criança tomou a forma de uma adolescente e seu sangue divino manifestava-se com fervor. Empurrando para o fundo da mente quaisquer preocupações em relação a suas origens sanguíneas. Afinal aos treze anos Pipper possuía a certeza que vislumbrar criaturas de distintas anatomias – em relação ao habitual – não era algo comum. E, diferentemente da grande maioria dos semideuses, não houveram sátiros ou criaturas místicas que tentaram leva-la ao acampamento. Logo havia determinado sentimento que remetia à loucura sempre que enxergava cachorros maiores que o comum ou mulheres que, ao invés de pernas, possuíam rabos de cobra. No lugar de tais guias houve apenas um amigo, um garoto nomeado como Laurence, que havia suspeitado da ascendência divina da jovem asiática. Bastou que encontrassem com cães infernais para que o descente de Apolo – Laurence – concluísse que a Kang realmente era uma semideusa.

Novamente, Pipper experimentou um amadurecimento repentino. Obviamente a jovem não descreveria suas ambições para o futuro de tal forma, afinal sequer sonhava em possuir parte divina. Desejava cursar alguma faculdade que a permitisse ajudar pessoas, assim como pretendia dar uma vida confortável a sua mãe adotiva. Mas não contava com alguns empecilhos. A súbita revelação de suas origens foi o primeiro obstáculo. Ainda que metafórico, um obstáculo que sanava certas dúvidas que a atormentavam desde a infância. Sua mãe era uma deusa primordial, o que explicava – em partes – o abandono que sofrera no passado. O quebra cabeça que sempre assolou os pensamentos da asiática se concretizou e, instantaneamente, ela fora capaz de compreender certas anomalias de sua vida.

Não havia tempo a perder após a descoberta e, imediatamente, Kang Pipper tornou-se uma campista e frequentadora assídua do Acampamento Meio-Sangue. Foi durante a primeira noite da recém descoberta que uma aura azul escura a agraciou, anunciando a quem desejasse ver de quem Pipper era descendente. Semideuses veteranos intitularam o episódio como uma “reclamação formal”. A deusa da Noite finalmente se manifestou. Mesmo que não fisicamente, sua presença parecia cada vez mais constante no cotidiano da pequena adolescente. Cotidiano este que se tornou uma rotina atarefada, preenchida por passatempos simplórios que quase sempre envolviam aprender como defender-se de monstros. Isolando o fato de ser majoritariamente habitado por seres mitológicos e híbridos de deuses e mortais, o Acampamento Meio Sangue parecia – e era de fato – um espaço recreativo e acolhedor. Aquele local tornou-se um segundo lar.

E, àquela altura, a jovem havia decidido novas prioridade. Primeiro precisava torna-se forte o suficiente para não oferecer riscos aqueles com quem desejava estar perto. Isso significa poder conviver entre humanos sem atrais quantidades razoáveis de monstros que poderiam acabar ferindo-os. Mesmo sem que pudesse perceber seu foco havia se modificado, se fixando em torno da sobrevivência. Empurrando para o fundo da cabeça quaisquer expectativas de reencontrar aquele que havia a rejeitado quando bebê. Conclusão que havia chegado após tomar conhecido da sua origem divina, afinal Deuses não cuidavam de suas crianças, entregando a responsabilidade ao lado humano da nova vida gerada.

No entanto O Tempo possuía outros planos para a menina. Foi durante uma noite qualquer após o natal, quando os pensamentos degringolavam como neve em torno da cabeça adornada de preocupações fragilizadas de Pipper que tudo mudou, sem que a semideusa fosse capaz de notar. Recordou-se do passado não tão distante onde dedicava seus minutos a criar suposições sobre a própria vida, caso pudesse – desde jovem – ter ciência de que não havia sido realmente abandonada por Nyx. Se lembrando dos próprios desejos, aqueles sonhos que eram mantidos sob custodia em uma parte reclusa da cabeça da adolescente. O desejo de conhecer o homem que havia a abandonado naquele beco inóspito. Os olhos de Kang ocultaram-se nas pálpebras por poucos segundos, mergulhando diretamente nas memorias mais sombrias que habitavam sua mente.

Sua consciência havia sido fisgada numa espécie de sonho semelhante a realidade, ao menos julgava assim ser. Seus pés, ausentes de qualquer calçado, afundavam na terra adornada de grama e neve. Sendo beijada pelo frio que fustigava a pele desprotegida, contemplando o bosque escuro se estendia por toda uma rota igualmente mergulhada no breu completo. O sussurrar cortante do vento uivava friamente por uma mera e simples extensão adornada por poucos pontos iluminados, ofuscados pela chuva congelada que caia. A iluminação precária não era obstante para afastá-la da floresta, sequer sentia medo ao analisar a aparência inóspita do local. Algo exercia uma atração anormal, guiando-a por entre a vegetação. Pouco se importando com os mosquitos que deixavam trilhas de vermelhidão pelos braços. A dor física que, invariavelmente, havia rastejado até ela não era tão ruim quanto poderia ser, sendo posta em segundo plano sem titubeação. Ou talvez a atenção de Pipper estivesse fixada unicamente em uma borda de coloração azulada, parecendo fazer parte daquela arvore de maneira totalmente não natural.

Um suspiro havia se desprendido dos lábios avermelhados pelo frio e uma compreensão perpassou pelos olhos negros. Estava sonhando e seu subconsciência havia, de algum modo, mesclado a realidade com a qual convivia a uma série que havia visto recentemente. Onde uma espécie de portal a levava a uma dimensão semelhante a real, entretanto desabitada e ausente de tudo. E, de algum modo, a atração que sentia era proveniente daquele portal. Caso possuísse ciência que aquilo não se tratava de um sonho, a adolescente jamais teria contemplado a luz fraca que a ondulação azulada emitia, deixando-se ser sugada pelo mesmo. E, se soubesse o que a aguardava do outro lado, independentemente de ser algum devaneio ou não, jamais teria saltado em tal portal.

Seu corpo havia experimento uma sensação gélida, que percorria toda coluna, como se alguém estivesse injetado gelo no local. Assim como uma tontura se apossou do equilíbrio da jovem, semelhante a umas das reações provocadas pelo álcool. Naturalmente os olhos fecharam-se, já que não conseguia registrar nenhuma das imagens que surgiam como flashes, lhe deixando enjoada com facilidade. E, enfim, o corpo de Pipper trombou com algo solido, afastando-a da sensação de que estava flutuando em um túnel gélido, porém o enjoo continuou. Fazendo com que a adolescente se sentasse, ainda de olhos fechados, comprimindo o rosto contra o concreto ausente de calor. Afim de aplacar a inquietude estomacal. Um, dois, três minutos fora o tempo necessário para que Kang erguesse a cabeça, registrando o local inóspito em que se encontrava. Ainda que sentisse o cheiro de salinidade e uma brisa úmida.

As ruas estavam desgastadas, assim como as construções e alguns poucos veículos estacionados pelo local. Postes que, supostamente deveriam fornecer iluminação, estavam falhando e outros sequer ascendiam. E, ao permanecer mergulhada no profundo silencio, Pipper notou que determinado barulho era proveniente de algum ponto próximo, como se alguma festa estivesse ocorrendo. Àquela altura os pensamentos de que tudo trava-se de um sonho confundiam a cabeça da semideusa, afinal a realidade do local era impressionante – apesar de vazio. E ela continuava trajando o costumeiro pijama e com os pés descalços. Mas tal situação não havia sido o suficiente para mantê-la parada, sob a iluminação errante. Ao menos a noite estava alta, lhe oferecendo determinada proteção.

Sem muitas alternativas, Pipper passou a movimentar-se, seguindo o barulho crescente. Ela não conhecia tal música, entretanto a batida contagiante parecia ter saído de alguma memória dos anos 2000. Com um suspiro, ela aproximou-se do aglomerado de pessoas, ainda que aquele não fosse o centro da movimentação, já que muitos dos indivíduos estavam em estágio avançado de embriaguez e sequer conseguiam se equilibrar, outros discutiam com fervor. Felizmente o corpo magro e pálido de Pipper sequer fora notado pelos ébrios. E o caminho até o verdadeiro pandemônio foi dotado de uma estranha tranquilidade. Pipper havia colidido com, pelo menos, duas pessoas, mas nenhum pareceu nota-la, mesmo que seus corpos estivessem se tocado em determinado momento. Obviamente, Kang sequer entendia o que estava ocorrendo. Entretanto, de alguma forma, seus olhos se fixaram numa figura que se mantinha parada na entrada de um bar, aparentemente.

Os olhos eram de um azul escuro, a pele extremamente alva e seus cabelos mais escuros que a noite. Os traços asiáticos eram evidentes naquele rosto e, ao todo, a figura de tal mulher era destoante em comparação ao ambiente sujo e inóspito. As roupas bem alinhadas no corpo indicavam certa riqueza e tal mulher parecia enxerga-la e mantinha os olhos hipnotizantes fixos na pequena asiática, a analisando, como se Kang Pipper fosse uma espécie de diamante bruto a ser lapidado. Naturalmente um arrepio subiu pelo corpo da semideusa, fazendo-a querer mover-se para longe de tal figura, porém seu corpo se manteve no lugar, como se estivesse preso numa espécie de feitiço. Os lábios pigmentados da mulher se moldaram em um sorriso e ela atravessou a distância entre ambas.  

- O passado é magnifico, querida Pipper ou seria Nayoung?! – Nyx questionou, envolta em pura ironia, movendo as mãos pelos cabelos escuros de Pipper, como se avaliasse a semelhança obvia entre ambas. – Somos tão semelhantes nessa forma, meu amor... Você foi uma obra de arte e será um peão valioso, apenas seja uma boa garota e jogue de acordo com as minhas regras.

O corpo de Pipper estava congelado no mesmo local, seus lábios sequer possuíam a coordenação para iniciar algum movimento e a intimidação que a Deusa exercia sobre seu corpo era forte o suficiente para deixa-la com dificuldades para pensar. Entretanto, Kang nunca havia sido classificada como tola, de maneira que havia percebido que aquela era Nyx, a Deusa que havia lhe gerado. Mas, de alguma maneira, o primeiro encontro entre ambas não provocava determinadas doses de espanto ou respeito, afinal a pequena adolescente parecia anestesiada e paralisada pelo mais puro sentimento de preservação. Queria, sobretudo, sobreviver aquele encontro.

Nyx era assustadora, impondo e dobrando Kang Pipper a sua própria vontade. E, naquele momento, a consciência da semideusa duelava – inconscientemente – com o poder esmagador que a genitora exercia sob seu cérebro.

- Você cresceu bem, tão jovem e tão talentosa. Querida, você nasceu para ser grande. Pipes... Não é assim que a chamam? Tão carismática e inocente... Claro, nisso somos tão diferentes. Mas saiba, um dia eu era exatamente como você, até casar com meu querido irmão. Mas você não parece que vai cometer os mesmos erros com aquela criança de Hécate...

Nyx riu. Enviando choques pela coluna da semideusa que, se pudesse, se moveria em descontentamento. Porém, a Deusa parecia pretender continuar com tal conversa, ainda que – em partes – seu conteúdo mal fosse registrado pela adolescente, que se mantinha ocupada expulsando a divindade primordial da própria cabeça.

- Infelizmente, meu amor, terei que instruí-la nessa pequena missão, ou você irá fugir como um ratinho assustado. – A Deusa esfregou a cabeça de Pipper e, se fosse qualquer pessoa, o ato teria sido carinhoso. Entretanto a repulsa havia sido instintiva. – Você irá entrar nessa porta, o único homem asiático se chama Kim Jonghyun e ele carrega um pequeno bebê no colo, esse homem é seu pai. Você não será notada por ninguém, querida, não se preocupe. Quando chegar a hora a sua presença será revelada.

E, como se estivesse sendo controlado, o corpo de Pipper entrou em movimento, adentrando no local sem ao menos olhar para trás. Porém, assim que as portas se fecharam nas costas da semideusa, a pressão que parecia martelar em seu cérebro desapareceu e, novamente, Pipper retomou o controle dos próprios gestos e ações. Sentindo-se mais leve, entretanto a tontura havia se apossado novamente da adolescente. Imediatamente os olhos se fecharam e ela cambaleou até uma das mesas, enfiando o rosto na superfície emadeirada enquanto pressionava as têmporas. Sentia a verdade de toda a situação mesclar-se com o embrulho no estômago que sentia, culminando numa vontade de vomitar ainda maior. As revelações anteriores latejando na mente da jovem. Sabia, de alguma maneira, que deveria levantar o rosto e buscar pelo homem que Nyx nomeara como seu pai, aproveitando-se da invisibilidade que havia sido ofertada. Entretanto o nojo que sentia pela própria Deusa que havia a gerado, deixava Pipper envolta numa áurea de instabilidade e confusão.

Nunca imaginaria que o primeiro encontro entre ambas pudesse ser daquela maneira. Entretanto sentia-se aliviada por ter sido poupada, ainda que pressentisse que em determinado momento pudesse se arrepender do fato. A adolescente suspirou, esvaziando a cabeça lentamente e passando a prestar atenção nos sons do ambiente, afim de esquecer completamente as cenas protagonizadas anteriormente. Uma música que não era agitada, mas também não era lenta, tocava, sendo agraciada por murmúrios e barulhos de pratos e copos entrando em contato com a superfície da madeira das mesas. Ainda que não houvesse observado o local com afinco, Pipper sabia da simplicidade do ambiente, que mais possuía álcool do que uma decoração digna. E, aparentemente, os clientes de tal bar não se importavam com o fato, muito pelo contrário. Já que o frequentavam. Kang suspirou, enroscando as pernas e erguendo o rosto, rodopiando os olhos por todo estabelecimento sem receio.

Os indivíduos ali presentes eram tão diferentes quanto iguais, a maioria eram homens e variavam em termos de aparência física. Alguns eram altos, outros baixos, de diversos tons de peles e roupas distintas. As poucas mulheres presentes no local eram tão destoantes entre si como os homens. Entretanto, Pipper não deu atenção ao fato, já que seus olhos se fixaram em um homem que parecia possuir, no máximo, vinte anos. Era alto e de olhos puxados, cabelos negros e envolvia uma criança enrolada em um manto azul. Imediatamente a semideusa se ergueu do local que ocupava, caminhando até o homem enquanto estudava os traços alheios com curiosidade. Sem que notasse, lagrimas escorreram pelas bochechas avermelhadas. E uma sensação indescritível se apossou da adolescente enquanto compreendia o que estava se passado. Ela estava no passado, no exato momento em que Nyx a entregou aos cuidados de Kim Jonghyun. O homem que havia a abandonado mantinha uma expressão neutra enquanto a própria Pipper, bebê, mantinha-se adormecida. Havia um copo adornado de um liquido âmbar que eventualmente o homem bebericava.

Kang percebeu que haviam notas de dinheiro espalhadas pela mesa de madeira envelhecida e, em um último gole, Jonghyun sorveu todo o liquido restante no corpo, levantando-se e se dirigindo a saída. Deixando o dinheiro para trás. A semideusa estava surpresa pelo movimento iniciado de maneira repentina, naturalmente passando a segui-lo. Ainda que houvesse se atrasado ao parar para limpar o rastro de lagrimas que haviam sido deixadas pelo rosto. Jonghyun movimentava-se pela noite como se a conhecesse e possuísse ciência de como e para onde as ruas tortuosas levavam. A semideusa o seguia de perto, sem conseguir raciocinar sobre o que estava ocorrendo, de tão anestesiada que estava.

- Acho que sua mãe é louca. – O homem asiático riu sozinho, inclinando o rosto para observar a criança adormecida. – Kim Nayoung é bom nome? Eu acho que sim, não fique brava depois.

O progenitor da semideusa anunciou, retirando uma chave do bolso e a encaixando na fechadura de uma pequena casa que parecia prestes a ser esmagada pelos prédios que a ladeavam. Pipper mal teve tempo de adentrar no local antes que a porta fosse fechada. A casa era simples, ausente de moveis e qualquer outra coisa. Havendo alguns panos no chão, que provavelmente o asiático utilizava como cama, assim como uns poucos utensílios domésticos. As paredes desgastadas e cheias de infiltrações demonstravam um grau de pobreza que a semideusa nunca havia presenciado.

- Estamos em casa, parceira. É estranho saber que tenho uma filha, não me leve a mal Nayoung, só que sua mãe foi uma moça. – E Pipper não poderia concordar mais com a afirmação. – Acho que você já comeu... amanhã eu vejo o que posso te dar, mas algo me diz que você não pode comer sardinha, não é mesmo?

Kim Jonghyun riu sozinho, não encontrando resposta na pequena criança, apagando a luz e deitando-se. Apoiando a criança no próprio braço. Pipper percebeu, com determinado pesar, a postura protetora e cuidadosa daquele homem, sentindo os olhos arderem pela segunda vez naquela noite. Imediatamente a semideusa abriu a janela, escapando para a noite, sem conseguir manter-se parada ao presenciar tais cenas. A primeira meta, naquela noite, foi achar um supermercado. A adolescente novamente sequer fora notada enquanto acumulava produtos que julgava necessários no carrinho, depositando uma quantidade de dracmas no caixa antes de deixar o local de compras para trás, carregando sacolas cheias de suprimentos para a pequena casa onde, parte de si, dormia tranquilamente.

Durante o caminho Pipper se permitiu chorar ao analisar a situação que havia enfrentado. De alguma maneira, havia mergulhado no passado, descobrindo não só o nome do pai, como também o nome que havia recebido ao nascer e que, ao contrário do que achava, Jonghyun não parecia ser um homem dotado de um caráter ruim. Possuía tão pouca idade e experiência de vida, no entanto já havia enfrentando mais batalhas do que adultos de quarenta anos. Naquele instante a determinação inabalável da semideusa se fez presente e ela decidiu que, de alguma forma, deveria tentar fazer com que Jonghyun decidisse ficar com ela. Não sabia, no entanto que aquela era exatamente o plano de Nyx.

Que aquela criança, a Pipper do passado, crescesse ausente de energias positivas e se tornasse alguém digna de receber o título que dispunha: Filha da Noite.

Foram só semanas mais tarde, ao menos assim que a jovem julgava, já que o tempo parecia confuso a cada novo dia que surgia. Que a decisão de Jonghyun fora tomada, durante uma tarde particularmente quente. O asiático de pouca idade encarava o rosto sorridente da pequena Nayoung, passando os dedos sujos pelo rosto minúsculo da filha. Enquanto sussurrava o quanto sentia por deixa-la. E, quando a noite caiu, e ambos – Pipper e Jonghyun – já estavam na rua movimentada a semideus sentiu o manto de invisibilidade ser desfeito, observando quando os olhos do homem pousaram sobre ela.

Ao longo dos dias a adolescente havia conseguido roupas melhores e um tênis, passando a tomar banhos esporádicos quando a oportunidade surgia. E, naquele momento, os cabelos estavam presos e as roupas se mantinham alinhadas no corpo, todas de coloração escura e de simplicidade evidente. Jonghyun a observou, arqueando as sobrancelhas, como se estivesse tendo pensamentos obscuros sobre a aparição repentina da semideusa.

- Nyx. O que você faz aqui? Achei que tinha dito para nunca mais se aproximar de mim e nem da garota.

Pipper arqueou as sobrancelhas, não tardando a se recordar das semelhanças perceptíveis que havia entre ela e a Deusa no dia que haviam se encontrado. Ela mordeu o lábio inferior e olhando para os lados, passando as mãos pelos cabelos. Então Jonghyun sabia que havia se envolvido com uma Deusa?! O asiático, no entanto, continuava a encara-la como se desejasse a fulminar. E, Pipper julgava que esse era realmente o desejo do seu pai.

- Ahn... – Pipper sussurrou, cravando os olhos na rua adornada de paralelepípedos, porém o seu pai não havia lhe dando chance de continuar a falar.

- O que você quer? Já não teve o suficiente? Fica enviando comida para mim, como se isso fosse o suficiente. Você só me colocou em problemas.

A Kang sentiu a própria garganta se fechar e os olhos quase transbordarem em lagrimas, ainda que sentisse que, de fato, Nyx merecia um tratamento ao arrisco. Ela não conhecia a história daquele homem, entretanto via naqueles olhos desconhecidos uma mesma determinação que encontrava nos próprios. E a meta de Jonghyun, naquele momento, era manter Pipper – que achava ser Nyx – longe da própria filha. Que, por ironia, era a própria que ele desejava manter afastada. Um suspiro desprendeu dos lábios da semideusa, enquanto as opções eram contempladas pela mente da jovem. Sabia que assumir ser a própria criança nos braços do asiático o assustaria, entretanto fingir ser Nyx não estava nos planos da adolescente. Porém aquela parecia ser a sua única opção. E, mordendo o lábio com força, Kang o encarou de volta. Exibindo a mesma determinação inabalável.

- Eu não irei mais me aproximar... querido. Mas caso você abandone... a minha criança eu irei toma-la e irei a usar em meus planos. – Pipper anunciou como se fosse uma criança mimada exigindo algo. – E tornarei o seu futuro ainda pior!

Imediatamente os olhos de Jonghyun se arregalaram e o homem correu pela rua, como se desejasse proteger-se da provável fúria que enfrentaria ao ser obrigado a lidar com a Deusa. E, pela segunda vez, o corpo da adolescente havia sido sugado por uma espécie de portal gélido, que parecia enviar o mais profundo dos calafrios pela coluna de Pipper, deixando-a incomodada e levemente adornada de dormência. O enjoo, no entanto, dessa vez não estava presente. Porém ela sentia como se pudesse vomitar a qualquer instante. Os flashs piscavam em cenas distintas e a cabeça de Kang dava voltas e mais voltas a cada nova imagem. Dessa vez, cheiros também pareciam complementar a mistura que era viajar no tempo. Definitivamente deixando-a exausta. A situação estava insuportável a um ponto que a adolescente fechou os olhos, pressionando as têmporas enquanto tentava manter a última refeição dentro do próprio estômago.

Quando os olhos voltaram a se abrir, Kang Pipper – a líder do chalé de Nyx e mais uma campista perdida no antro de confusões do acampamento meio-sangue – já não mais existia. Kim Nayoung era o nome da jovem, de cabelos curtos, como os de um rapaz, e olhos espertos que vivia pelas ruas imundas da Califórnia, roubando bêbados e indivíduos alterados para ajudar o pai a pagar as contas. O corpo tremeu sob o colchão sujo, analisando – no próximo segundo – o ambiente desconhecido que ocupava. Era um quarto parcialmente sem mobília, exceto pela mesa e cama que ocupava. Haviam roupas penduradas em uma espécie de varal improvisado e outras três portas indicavam que a casa não se resumia apenas ao cômodo que ocupava. Pipper inspecionou as roupas que trajava, concluindo que se assemelhava a um adolescente de doze anos, sentindo a ausência do peso familiar dos próprios cabelos. Porém não se importou o suficiente pela perda dos fios.

O barulho de chuveiro se infiltrava pelos ouvidos da adolescente e, de alguma maneira, sabia que se tratava do seu pai... não tardou que o choque se tornasse evidente nas feições da adolescente ao notar que havia tido um pai, havia crescido ali. E, de alguma maneira, memorias passaram a surgir à medida que se forçava a se recordar de um passado que sequer havia vivido.

- Nayoung? Você deveria continuar dormindo, amanhã temos trabalho, lembra? Ou precisa que eu repasse o plano com você? – Pipper arqueou as sobrancelhas, limpando as lagrimas que quase transbordavam, embasando a visão. Sequer compreendendo o que Jonghyun estava falando.

- Pai... acordei para beber água.

E a risada do homem ecoou pelo ambiente enquanto Kang levantava-se, sendo recebida pela frieza do chão e se dirigindo ao cômodo correto por pura sorte. Abalada demais para permanecer encarando os olhos do próprio progenitor. Pipper cambaleou até a mesa, enterrando o rosto e as mãos na mesma. Assumindo uma expressão repleta de pavor ao lembrar de como havia, aos oito anos, mudado a própria aparência, se assemelhando a um rapaz, com medo que fizessem algo apenas por ser meninas e como, um ano depois, passou a assaltar indivíduos que sequer aguentavam o próprio peso. Aperfeiçoando a técnica de roubo ao longo dos anos e se sentindo orgulhosa de casa pequeno delito que cometia, aproveitando-se dos próprios poderes para intimidar aqueles que a ameaçavam. Pipper havia se tornado uma criminosa por influência do próprio pai. E, contemplando o silencio da cozinha, Kang compreendeu que nunca havia posto os pés no acampamento, nunca havia criado laços com seus, até então, amigos. Sequer conhecia sua mãe adotiva, a mulher que havia lhe dado dignidade e um nome.

Apesar do próprio coração assumir que amava Kim Jonghyun, o homem que havia sofrido para cria-la em tal realidade. A crueldade impressa naquelas relações ausentes de dinheiro era fria demais. E, Kang Pipper, havia sido criada adornada de amor, apesar de dificuldades.

Os dedos se enterraram nos cabelos curtos enquanto a decisão havia sido tomada. Com um suspiro, a semideusa se ergueu. Rumando até o quarto do pai – que já estava adormecido. Contemplando as feições de contentamento que eram exibidas no rosto bonito. A adolescente apoiou-se na parede, fechando os olhos e desejando que fosse levada de volta. Que pudesse ter a antiga vida de volta. Mas, quando retornasse, Kang Pipper jamais esqueceria o destino que poderia ter tido, as milhares de oportunidades que sua vida enfrentou. E, aquela menina, sabia o que deveria fazer ao retornar a antiga vida. Procuraria o pai e, de alguma forma, o daria uma vida digna.

- Por favor, me leve de volta. – Ela implorou, fechando os olhos e, quando os abriu novamente, a decoração familiar do chalé de Nyx a agraciou.


OBS::
Eu sei que há detalhes demais e muitas palavras, entretanto isso é necessário para explicar cada ação futura de Pipper a partir desse ponto, peço perdão pois minha narração decaiu em determinado momento do texto. E nenhum poder foi utilizado ou arma.


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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Hefesto em Sex Jan 20, 2017 11:48 pm


RESULTADO DOS TESTES DE LIDERANÇA DE CHALE

Obs: As recompensas e situações referentes ao evento serão dadas amanhã até as 15:00 horas, essas são apenas as avaliações resultantes aos semideuses que tentaram liderança de chale, ou coorte.

Os seguintes membros se apresentaram aptos a passar no teste: Ariel Sehn Kahlfels , Beau G. Edmond e Evie Farrier
Esses membros receberão instruções dentro de 24 horas para seguimento em sua nova função.

O membro: Guilherme R. Mckinnon foi recusado, explicação em Spoiler.
Explicação:

Guilherme, sua postagem foi avaliada por três deuses para não sermos injustos. Ela apresenta erros de concordância, escrita, pontuação, e grafia bem evidentes, além disso, os requisitos que procuramos em lideres ainda não foram encontrados. Sua postagem ficou “faltando algo”, pois pareceu mais um resumo dos acontecimentos e fatos, e achamos que precisa de mais detalhe, mais informações e explicações. Acreditamos que pode melhorar, e caso precise de ajuda, nos dá staff estamos dispostos a fazê-lo. Não se sinta frustrado por ter sido recusado nessa primeira vez e tente de novo, oportunidades não faltarão para torna-lo ainda melhor, continue evoluindo e aprendemos, acreditamos que você tem potencial para tal. Acreditamos que você tenha potencial, afinal seu texto apresenta uma boa estrutura e você sabe o básico sobre pontuação e afins. Creio que você possa evoluir e crescer bastante narrativamente, caso trabalhe em cima dos seus erros. Tente ser um pouco mais detalhista em suas futuras narrações, assim como uma sequencia logica de acontecimentos, pois em si, essa postagem ficou relativamente confusa.





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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Zeus em Sab Jan 21, 2017 2:32 pm





AVALIAÇÃO

Premissa de outono: Gema com efeito floresta, além de adicionar +20 de dano a uma arma, também dará a ela o efeito floresta. Com essa gema, a arma do semideus é capaz de trazer o outono, fazer as folhas das arvores de moverem como laminas afiadas de encontro ao inimigo, mover a grama e torna-la escorregadia. (Funciona por dois turnos inteiros quando ativa, depois precisa de mais dois turnos de espera). Gasta 20 de MP por turno usado.

Espirito ancestral: Gargantilha de prata com um pingente de ampulheta. Quando o semideus tiver a mente tomada por ilusões de um inimigo, o espirito é ativo, toma a mente do semideus e a limpa até deixa-la clara novamente. (Só pode ser usado uma única vez por evento/luta, ou missão.)

Forma de Avaliação, evento do passado presente e futuro.
Trama e Enredo (Historia) – 2.500 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.500 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 500 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 2.000 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 9.000 XP
Dracmas: Até 8.000.

Observação: Os valores descritos acima são de pontuação máxima, ou seja, a XP máxima que pode ser conquistada pelo semideus, e o valor máximo de dracmas. Esse valor pode ser diminuído de acordo com o seu desempenho no evento. Esperamos uma postagem com criatividade, excelência, bom desenvolvimento de trama, e muitos detalhes, então caprichem.
Observação dois: A gema “Premissa de outono” só será dada a DOIS campistas que se destacarem no evento, podendo não ser dada a nenhum se as postagens estiverem em nível médio, ou ruim, ou dada a um único semideus se a postagem dele for Excelente.
Observação Três: O Item “espirito ancestral” só será dado os campistas que conseguirem atingir mais de 5.200 XP

AVALIAÇÕES

Hela A. Deverich
Trama e Enredo (Historia) – 2.100 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.400 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 100 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.000 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 7.100 XP
Dracmas:  7.000

Rory Christensen
Trama e Enredo (Historia) – 2.100 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.100 XP
Realidade da Postagem – 1.300 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 300 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 800 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 6.600 XP
Dracmas:  5.000

Robin A. Deverich
Trama e Enredo (Historia) – 2.200 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.300 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 300 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.000 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 7.300 XP
Dracmas:  6.000

Emmanuelle S. Henz
Trama e Enredo (Historia) – 2.400 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.500 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 500 XP
Bônus:  2.000 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 8.900
Dracmas: 8.000

Lauren L. Hill
Trama e Enredo (Historia) – 2.400 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.300 XP
Realidade da Postagem – 1.400 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 400 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.400 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 7.900 XP
Dracmas:  7.300

Ariel Sehn Kahlfels
Trama e Enredo (Historia) – 2.300 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.400 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 300 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.500 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 8.000 XP
Dracmas:  7.500 x 2 =15.000

Beau G. Edmond
Trama e Enredo (Historia) – 2.100 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.300 XP
Realidade da Postagem – 1.400 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 400 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 800 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 7.000 XP
Dracmas:  6.000

Evan Di Priore
Trama e Enredo (Historia) – 2.000 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.300 XP
Realidade da Postagem – 1.300 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 300 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 700 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 6.600 XP
Dracmas:  5.000

Guilherme R. Mckinnon
Trama e Enredo (Historia) – 1.800 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.000 XP
Realidade da Postagem – 1.100 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 100 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 200 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 5.200 XP
Dracmas:  4.000

Zoë Ehlert Nordberg
Trama e Enredo (Historia) – 2.000 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.400 XP
Realidade da Postagem – 1.100 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 300 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.000 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 6.800 XP
Dracmas:  6.000

Nanami Tsukushi
Trama e Enredo (Historia) – 2.500 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.500 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 500 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.600 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 8.600 XP x 2 = 17.200
Dracmas:  8.000

Joyce Karin Overwhite
Trama e Enredo (Historia) – 2.300 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.300 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 300 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.300 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 6.700 XP x 2 = 13.400
Dracmas:  6.500

Evie Farrier
Trama e Enredo (Historia) – 2.500 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.500 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 500 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.800 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 8.800 XP
Dracmas:  8.000 x 2 =16.000

Kang Pipper
Trama e Enredo (Historia) – 2.500 XP
Escrita: Gramatica, erros, pontuação, coerência, concordância – 1.500 XP
Realidade da Postagem – 1.500 XP
Criatividade, estratégia em combate e desenvolvimento – 1. 500 XP
Bônus: (Dado a quem merecer xp a mais por algo em que se destacou) – 1.700 XP
Total: 7.000 + 2.000 de Bônus = 8.700 XP x2 = 17.600
Dracmas:  8.000

OS DOIS DESTAQUES DESSE EVENTO SÃO: Emmanuelle S. Henz e Evie Farrier e ganharam a gema premissa de outono para ser combinada a uma unica arma, parabéns.


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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

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