The Blood of Olympus
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Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

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Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Athena em Qui Dez 29, 2016 7:51 pm





OS FANTASMAS DO TEMPO
Mexer com o passado nunca foi uma boa ideia. Os deuses sabiam disso, os monstros, e os semideuses também, mas o senhor do tempo estava prestes a aprontar uma daquelas, uma chance, uma única chance de mudar tudo... Eles aceitariam?

Foi na madrugada de inverno durante a virada de ano que tudo aconteceu. Não passava das duas da manhã, mas muitos semideuses se sentiam inquietos, e foram eles que se levantaram durante a noite, deixando o chalé e caminhando em direção a floresta. As arvores lhe chamavam, e eles atendiam ao seu chamado um por um, nunca se encontravam, e pareciam sempre muito confusos, perdidos. Encontrariam ali, escondida em uma parte oculta e confusa um portal de luz reluzente, aquele que também os levaria direto para um momento crucial de suas vidas, no passado...

Transferidos para um lugar distante, em uma realidade totalmente diferente, em seu tamanho original, e vendo exatamente o que aconteceu, aquele momento crucial que o tornara o que é. A pessoa, o herói em que se transformara, tudo levava aquele momento, acontece que mudar o passado, também muda o futuro, muda a pessoa que você é, e o que se tornou. O senhor do tempo volta a repetir, eles aceitariam?

Aceitariam... teve sua resposta mais tarde, naquela mesma madrugada, ao ver alguns deles sendo atirados no espaço tempo como se brincassem em uma piscina no meio do verão. Encontrariam ali uma preciosa lição, e a chance de mudar tudo, e tornar-se completamente diferente. Eles não sabiam onde estavam se metendo, e visitariam seus três fantasmas, os chamados: Passado, futuro e presente.
Informações e Regras::

• Eis que lhes apresentamos a chance de mudar tudo, mexendo com o passado o futuro se alterna, e o presente que conhecem já não será o mesmo. O herói que um dia se tornou mudou completamente, e o risco que isso te apresenta é grande. Mexer com o passado é perigoso, mas mexer com o passado que o tornou quem é? Bem, o tornara alguém completamente diferente.

• O Evento é simples, basta realizar uma postagem nesse mesmo tópico, entrando em uma máquina do tempo. O senhor do tempo colocou um portal do espaço tempo na floresta do acampamento, e por algum motivo muito forte, você foi atraído diretamente para ele. Se atravessar o portal, vai parar direto em algum momento do seu passo, então basta seguir as instruções. Seu post deve ser um momento passado de sua vida que o tornou o que é. Tem que ser um fato de extrema importância, que o moldou completamente, pode ser o que quiser, pois depende muito de sua trama pessoal. Fazendo isso, você deverá apresentar em sua postagem algo que mudou seu passado, o que você fez de diferente que mudou o seu passado? Responder essa pergunta é crucial. Ao mudar o passado você será puxado novamente para o espaço tempo, uma força invisível que irá jogá-lo diretamente para seu futuro. Com isso, a descoberta: Seu futuro já não é mais o mesmo, você é uma pessoa completamente diferente, possivelmente aqueles que conheceu não façam mais parte de sua vida, ou não o reconhecem – pois não chegaram a lhe conhecer – ou provavelmente algo aconteceu com eles. A questão é, seu futuro está diferente, e provavelmente, de uma maneira que você não irá gostar, as lições que aprendemos no passado influenciam de forma drástica nosso futuro, nos tornam quem somos, e ao tirar isso, a coisa muda completamente. Ao entender isso, e se deparar com tudo que não gostou tomara um choque de realidade, porque finalmente compreender o que fez, e com isso, volta ao espaço tempo uma terceira vez. Será jogado então no presente, voltando exatamente para onde tudo começou, sua cama, sendo puxado por um chamado oculto, você tem duas alternativas: Voltar a dormir, acreditando que tudo não passou de um sonho, deixando tudo exatamente da maneira que deveria ser, ou voltar ao portal, e começar tudo de novo, bagunçando seu futuro de uma vez por todas.

• As instruções estão todas acima, a postagem é uma (narrativa one post), e deve conter no MINIMO 40 linhas, sendo considerado um número pequeno devido a quantidade de informações que deverão estar presentes no texto. Templates com menos de 500 px de largura acarretam na perda de pontos. Não apresentar: Cores berrantes que dificultem a leitura, fontes desenhadas ou muito pequenas (usar mínimo tamanho 12 em Arial, para outras aumentar o tamanho).

• A data limite de postagem – prazo final – é dia: 20/01/2017

• Duvidas devem ser enviadas via MP ao responsável pelo evento: Athena, podendo também ser sanada pelos seguintes deuses: Zeus, Venus, Hades e Héstia.

• As premiações estão previamente definas, porém só serão reveladas ao final da postagem, lembrando que a qualidade de postagem reflete no prêmio, erros de português, contexto, realidade, tudo altera sua premiação.

• Bom evento a todos.
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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Hela A. Deverich em Sex Dez 30, 2016 10:32 pm


Who I am
 ♦ listening empty gold  with xxx♦ words: 1804♦

Sufocando um grito, a prole da magia sentou na cama. Suas mãos estavam em sua garganta. Ela podia sentir o cabelo colado em sua nuca e seu rosto, sua cama estava completamente úmida. Tinha os olhos cheios d'água.

Estivera sonhando com a avó. Era a única coisa capaz de lhe arrancar lágrimas. A necromante passou as mãos trêmulas pelo rosto. Ela poderia ter sido alguém melhor, parando para pensar, poderia ter sido a filha prodígio que ela tanto tinha habilidade para ser. Poderia ter trazido orgulho a seu pai, a sua avó...

De repente, um impulso súbito de ir até a floresta a tomou. Levantou, olhando ao redor, olhou para o corvo que dormia tranquilamente em seu poleiro. O dragão que lhe lembrava muito uma noite cheia de estrelas estava deitado aos pés de sua cama, de modo silencioso, ela saiu do chalé e caminhou para o coração da floresta.

Diferente das outras vezes em que saíra do chalé, ela não se encontrava armada. Ainda usava o short fino de flanela e a regata velha, quando pôde ver uma luz esquisita brilhando ali perto. "O que você acha de mudar a sua vida? Corrigir todos os seus arrependimentos...", a voz soou arrastada, tentadora. - Isso é perigoso. - Hela respondeu prontamente. Os pelos de sua nuca se eriçaram.

"Você estava pensando nisso agorinha mesmo, não era? Por que não aceitar?", a semideusa se manteve calada. Por que ela não aceitaria? "Porque é estúpido, Deverich.", a voz de sua avó ecoou em sua mente. Ah, sua avó. O que ela não faria para tê-la orgulhado...

- Eu... posso? - ela perguntou, o medo diminuindo um pouco a medida que lhe passou pela cabeça a vontade de ser alguém a pessoa que ela sempre fizera de tudo para não ser. Como seria sua vida se ela fosse alguém melhor?

Ela estendeu a mão para o portal, hesitante. "Apenas vá, criança.", a voz tentou outra vez. Dessa vez com sucesso. E Hel logo se viu caindo por uma cascata de lembranças. Ela não sabia dizer o que estava acontecendo até que ela estava ao lado de si mesma com seus sete anos de idade.

Ela lembrava daquele momento. Aquela briga fora a razão pela qual o pai lhe batera pela primeira vez. Mas daquela vez, ela não havia feito nada. Lembrava-se claramente de a confusão só ter acabado quando ela entrou na frente da irmã e acabou sendo mordida com tanta força pela gêmea que seu ombro sangrara de uma forma horrenda.

Então fora aquele o momento ela se dera conta de que deveria pagar pela irmã? Naquela época, elas ainda eram fisicamente idênticas e ninguém poderia dizer com exatidão quem era a besta selvagem que estava mordendo e socando a garota que estava por baixo.

Seus olhos voltaram-se para o relógio no pátio. 09:42. A diretora aparecia em exatamente um minuto. - Rob! Para, Rob. - ela se viu gritando, enquanto puxava a irmã pela cintura. Da outra vez, ela entrara no meio, separara as duas e todos pensaram que ela quem havia começado, sendo Rob obrigada a apartar. Ela não havia desmentido. - Robin! - continuou a gritar, puxando a irmã que lhe desferia socos e chutava. A outra menina ainda caída no chão. - Robin, para com isso! Ela não vai mais falar da gente, para, Rob! - a garota começou a ceder. Mas era tarde demais. A diretora havia visto que a culpada era menina que estava nos braços de Hela.

Ela sabia o que viria a seguir. Seu pai seria chamado. Aquele pesado olhar de repressão que fazia Robin temer pela irmã agora estaria sobre ela. Arrependeu-se da mudança de atitude no mesmo momento em que a porta da casa onde moravam se fechou.

- Me perdoa, Rob.- ela sussurrou para a garota ao seu lado, a culpa lhe tomava por completo.  

Então sentiu-se sendo puxada. Se ir para o passado era como cair, ir para o futuro era como ser sugada para o olho de um furacão.

Viu-se no meio de uma sala ampla, bem iluminada. Levou uma fração de segundos para reconhecer o antigo escritório do pai. Correu até o espelho. Ela estava com quantos anos? Pôde lembrar-se de algumas coisas da qual não lembrava antes. Estava formada.

E o Acampamento? Levou a mão ao pescoço. Pôde sentir o colar/arco por dentro da camisa social. Ela havia ido ao Acampamento. Mas foi só abaixar o braço para que ela notasse uma coisa. Um pequeno detalhe. A tatuagem em seu pulso esquerdo não existia mais.

Passou o polegar da destra pelo local. O que tinha acontecido? O que ela fizera? O desespero e o arrependimento começaram a crescer.

Se viu descendo até o estacionamento e entrou em um carro que a intuição dizia ser seu. Olhava ao redor com certo temor e certa ansiedade. Aquilo era reversível? Esperava que sim. Iria para o Acampamento e procuraria seus amigos e sua irmã, pediria ajuda a eles para encontrar aquele estranho portal outra vez.

Parou o carro no pé da colina e subiu a mesma correndo, louca para entrar no Acampamento. Alguns campistas a olhavam com estranhamento. Como instinto, foi correndo ao chalé dos ceifadores, onde um rapaz loiro abriu a porta. - A Robin está? -  perguntou com crescente nervosismo. - Robin? Não tem ninguém aqui com esse nome.- ele parecia confuso ao responder. Robin não era ceifadora? Ela deu as costas ao garoto, indo ao chalé de sua mãe. Procurou por todo ele, ignorando o olhar curioso de alguns de seus irmãos.

Por algum motivo ela não se lembrava do que acontecera com Robin. Sua respiração estava pesada, sentia-se inteiramente assustada. Só queria sua irmã naquele momento e, por que diabos não a encontrava?

Sentiu a garganta queimar com crescente desespero, até que uma outra pessoa lhe ocorreu. Foi até o chalé de Nyx e bateu na porta com tanto desespero que os campistas que estavam ali perto a olhavam como se ela fosse louca. Viu a porta se abrir e estava pronta para cumprimentar a familiar filha de Nyx, mas era outra garota. - A Pipper está? - a menina negou com a cabeça. - Ela deve estar na Arena. - disse com simplicidade.

Hela saiu novamente, correndo com certa dificuldade até o local que antes lhe fora bem familiar. Pôde ver a filha da noite, o que lhe acalmou um pouco o coração. Ela ainda era uma excelente guerreira e não havia mudado quase nada... exceto pela enorme cicatriz que lhe tomava o rosto.

Esperou que a mesma acabasse seu treino e, quando esta estava saindo, lhe abordou. - Pips! - disse em tom bastante sonoro, vendo a mesma voltar-se para si com a espada apontada para seu pescoço. - Calma, sou eu. - ergueu as mãos, porém a espada continuava pronta para cortar-lhe a garganta.

O que ela havia feito agora? - Você ficou louca? Esqueceu do que acordamos? - Hel assentiu. Não se lembrava de nenhum acordo entre elas. - Covarde. - a garota resmungou, deixando Hela confusa. Talvez a garota tenha percebido a confusão, pois acabou vacilando um pouco no "fuzilamento com os olhos". - Olha... eu não sei, de verdade, o que eu fiz pra você estar... estar tão zangada.

- Você se esqueceu? Daquela noite em que você saiu correndo como uma covarde e me deixou para morrer com sua irmã e Annabeth. Você se esqueceu disso? - era visível a irritação da menor. - Mas eu não fui embora! Eu fiquei. E você arrancou a cabeça daquela coisa. - justificou a garota. - Você ficou? Então onde está Robin? - Hel pareceu pensativa. - Ela morreu. Porque diferente de você, ela tinha coragem.

Hel ficou quieta, absorvendo as palavras da garota. - Me ajude a voltar no tempo. Eu... eu posso corrigir tudo. - disse em tom solene. Pipper balançou a cabeça em negação. - Você perdeu mesmo o juízo que lhe restava. Acho que a sandice a afetou, afinal. - guardou a espada. O olhar pena que ela dirigiu à prole da magia doeu tanto quanto um soco no meio da face.

Pipper saiu andando, sem nem mesmo olhar para trás e Hel se viu sem nenhuma perspectiva de obter ajuda. Ainda sim, ela correu até o meio da floresta. Correu com todo o seu ser, sua vida realmente dependia daquilo. Chegou ao lugar que antes abrigava o portal e não encontrou nada. - Não. Isso não é justo! Você não me disse que ela ia morrer. - falou com visível mágoa, as lágrimas corriam livremente por seu rosto, pingando pesadas no chão. - Você não me disse que aquilo ia acontecer com a única amiga que eu já fiz.- agora a irritação se misturava com a mágoa. - Você me enganou. Eu quero a minha vida de volta! Não me importo de ser completamente ferrada... - ela sentiu as pernas cederem. Caiu de joelhos, as mãos ajudando a apoiar o tronco. Graças ao soluços que tomavam conta do corpo magro, ela se viu tremendo. A voz saindo baixa. - Por favor... por favor. Me devolva a minha merda de vida de volta. Eu aprendi a lição.

Sentiu uma fisgada no meio do corpo, como se a puxassem por um laço. Ainda sim, pareceu não notar que estava sendo novamente transportada para seu quarto no chalé dos necromantes. Não notou também que usava o mesmo pijama velho. O mesmo short de flanela e a mesma regata. O corvo despertou em seu poleiro com o choro da menina. - O que houve? Sonhou que perdeu a dignidade? Não se preocupe, você nunca teve de fato. - aquela voz rouca e zombeteira a tirou do transe de lamentação. - O que? - perguntou, olhando ao redor. - Não finja surpresa, você sabe que... - ela pulou da cama de forma ágil, fechando a janela. - Keera! Eu estou de volta. Eu nunca achei que ia ficar tão feliz por ter essa vida de merda de volta. - ela disse com um enorme sorriso, pegando uma jujuba para dar ao corvo. - Você andou batendo a cabeça? Isso pode ser perigoso. Se quiser eu vou chamar a sua irmã e...

- Minha irmã? Você falou mesmo da minha irmã? - o alívio tomou todo seu ser. De repente, ela já não chorava ou tremia mais. De repente, tudo estava em seu lugar. Então, ela sentiu novamente aquela força a chamando para a floresta. - Sabe Keera... eu acho que é o momento ideal para eu voltar a dormir. Aproveitar que... que eu já estou ciente de que não tenho mais dignidade. - sorriu com uma gentileza que fez o corvo soltar uma série de resmungos sobre "transtorno bipolar".

Deitou-se, cobriu-se e finalmente sentiu o corpo relaxar aos poucos. Naquele momento ela tivera certeza, tudo era exatamente como tinha de ser.




Última edição por Hela A. Deverich em Ter Jan 10, 2017 4:33 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Rory Christensen em Sab Dez 31, 2016 7:08 pm



Os três presentes.
O que foi e o que poderia ter sido.


Rory não conseguiu se lembrar do exato momento em que acordou, apenas pegou-se encarando o teto estrelado do chalé de Nyx enquanto seus pensamentos voavam a mil por hora. Ele conseguia sentir que alguém estava perturbando sua mente, mas ele conseguia sentir que não era a presença de Nyx, que era mais sombria e amargurada.
Rory se sentou na sua cama e ficou olhando para o seu quarto. Havia mais dois meio irmãos que dormiam junto com Rory, mas apenas uma cama além da dele estava sendo ocupada. Alguém havia sumido e Rory seria um péssimo irmão se não fosse procurar.
Eram três horas da manhã já, era a hora em que a noite estava mais densa e calada, mas estranhamente havia uma grande movimentação fora dos chalés. Rory viu diversos semideuses saírem de seus chalés e irem em direção á floresta.
“Como ninguém está vendo isso?” Rory pensou, indignado.
Normalmente o semideus seria mais prudente quanto a seguir eles até a floresta, mas ás três da manhã o seu senso de prudência já havia ido dormi. O garoto pegou um casaco em seu chalé e foi seguindo até a floresta, enquanto olhava o céu banhado de estrela. Ao se aproximar da floresta, começou a ficar ainda mais estranho.
-Vire á direita, precisamos ir nos divertir. – Uma voz ressoou ao fundo. Era a voz da namorada de seu pai.
Rory procurou entre as árvores pra ver quem estava causando isso, mas não conseguiu achar ninguém. Não era possível ser ela de verdade, Rory havia matado essa mulher antes de sair da Suécia.
-Vamos pra esquerda. – Agora ouviu sua própria voz ao fundo, que ficava mais real cada vez que ele adentrava no coração da floresta.
Rory chegou até uma árvore enorme que possuía uma grande entrada na parte mais baixa dela. Era com certeza uma árvore mágica, as suas folhas verdes brilhavam no meio da noite.
-O que você faria pra mudar o futuro? – Uma cópia quase idêntica a Rory sai de dentro da árvore, porém o cabelo era mais curto e o semideus observou que a cópia não possuía as mutilações pelo braço.
-Quem é você? – Rory perguntou cautelosamente, sem expressar nenhuma emoção na voz.
-Eu sou você há alguns meses atrás. – a cópia fica frente a frente com Rory. – Eu sou você que está dirigindo um carro com aquela mulher enquanto se decide se vira á esquerda ou á direita. – Ele aponta a sua mão esquerda para o lado direito. – Se você decidir ir para á direita, você levará aquela mulher para o campo para admirar a vista daquele campo. A sombra vai falar na sua mente e você vai matar aquela mulher, vai matar o seu pai e vai vir pra cá. – Ele aponta a mão direita para o lado esquerdo. – Se você virar para a esquerda você vai para a sua casa descansar e seu futuro vai ser completamente diferente.
Rory encara para o portal em estado de choque. Será que ele poderia realmente mudar a sua vida. Não é que ele não gostasse da vida no acampamento, mas a sua vida antiga era perfeita, e agora ele poderia ter tudo aquilo de volta.
-O que eu tenho que fazer? – Rory volta o olhar para a sua cópia que lhe encarava de volta com um sorriso sonso.
-Apenas entre, descubra o que poderia ter sido e não o que foi.
Rory respira e inspira profundamente, fecha os seus olhos e conta até três. A chance de mudar o seu futuro era tentadora. Rapidamente algumas lágrimas foram caindo pelo rosto magro do garoto, enquanto ele pensava na sua vida passada e no seu momento presente. As pessoas ali do acampamento não precisavam dele ali, mas o seu pai sim. Rory abaixa para entrar no portal e de repente tudo muda.

Rory encosta a sua cabeça no vidro do carro, enquanto suas mãos estavam no volante. O garoto olha para a janela do passageiro, onde conseguia ver Julia, a namorada de seu pai, fazendo as compras de inverno. Eram apenas alguns detalhes que faltavam. Por isso Rory a deixou ir comprar sozinha.
O garoto abre o porta-luvas e pega de lá um cigarro, tirando o isqueiro de seu bolso e o acende. Rory dá uma tragada no cigarro e joga a fumaça pela janela.
-Ela vai demorar séculos. – ele suspirou impaciente enquanto buzinava três vezes. Ele olha novamente pra ela e ela faz um sinal para ele manter a calma.
Rory coloca na rádio para matar o silencio. O radialista falava que esteve inverno seria o mais longo em cem anos, onde dificilmente o sol iria aparecer nos céus no mês.
-Era só o que faltava. – Rory suspirou, lembrando-se de seus traumas.
-Ei, impaciente. – Julia abre a porta do banco de trás, colocando as compras, e depois se dirige para sentar no banco do passageiro. – Você não deveria estar fumando. – Ela fala ao olhar com reprovação o cigarro.
Rory sabia no fundo que aquilo era teatrinho, então só deu o seu cigarro para ela. A mulher pega dá uma tragada e devolve para o garoto. Julia havia feito uma promessa de nunca mais fumar, mas nunca chegou a cumprir de verdade.
O garoto liga o carro e começa a dirigir, dando algumas tragadas no cigarro pelo caminho. Após alguns minutos Julia desistiu e pegou um cigarro para si, tirando o isqueiro do bolso do garoto. Enquanto andava, Rory olhou para o céu nublado. Fazia algumas semanas que ele não via o sol de verdade, ele estava sempre escondido pelas nuvens. Ele dirigiu até uma placa que dizia: á direita: Saída da cidade; Á esquerda: a avenida.
-A gente deveria se divertir um pouco. – Disse Julia, enquanto pegava no ombro de Rory. – Vamos observar os campos. A gente tem tempo. – Rory olhou pra ela. A mulher tinha um sorriso enorme.
-A gente vai se atrasar, além disso, eu quero descansar. A cada dia que passa o clima está mais frio. Vamos pra esquerda.
-Vamos pra direita. Eu juro que quando chegarmos à nossa casa eu irei fazer aquela sopa que você ama. – Ela fala animada. – precisamos criar memórias juntos.
Rory fica pensativo por alguns segundos, mas por fim dá o sinal de que iria virar para a direita. Quando ele olha para o lado pra concordar com a ideia, ele viu a mulher coberta de sangue. Rory sentiu o peso de suas memórias retornarem: Se lembrou de Julia morrendo, se lembrou de seu pai morrendo e também de lembrou de Nyx.
“Descubra o que poderia ter sido” – A voz falou da cópia de Rory falou em sua mente.
-Desculpa mãe... – Rory fala sem querer. – Julia. – ele se corrige. – Vamos pra casa mesmo. – Ele vira á esquerda e seu mundo muda completamente.

Rory se encontra sentado na calçada de uma rua qualquer. Ele olha para cima e vê a total escuridão. O semideus confere no seu relógio.
-Ainda é meio dia. – Ele fala ao ver as horas. Rory tenta se levantar, mas sente uma extrema dor na sua perna. Ele olha para o baixo e vê que a sua coxa estava sangrando. – Isso é marca de tiro. – Rory reconheceu. Ele sabia bastante sobre as feridas de bala, já que mexer em armas era o que fazia pra viver.
Rory encara a rua da calçada em que estava sentado. Todas as lojas estavam fechadas e os apartamentos e casas pareciam estar todos abandonados. Os postes de luz estavam falhando algumas vezes, deixando a rua totalmente escura. O semideus se encolhe de frio. A temperatura estava caindo rapidamente.
-Noite... – Rory pensou. – Está de noite, está frio e há um sentimento de miséria. – diz tentando associar ao fato, dando um sorriso ao descobrir o que havia acontecido. – Nyx. – concluiu.
Antes de ele ter mudado o seu passado, Rory havia sido perturbado durante o inicio do inverno por Nyx, que colocava pensamentos inquietantes na sua cabeça, era isso o que havia o levado a cometer todos aqueles assassinatos. O garoto coloca a mão na cabeça e tenta focar na presença de Nyx, mas ele não conseguia mais sentir a presença da deusa primordial.
Rory olhou novamente para a sua perna machucada, mas viu que o sangramento já havia parado, por isso decidiu encarar a dor de qualquer forma. O semideus se levantou e sentiu uma pontada que parecia ferro quente atravessar a sua perna, mas mesmo assim decidiu continuar. Ele foi andando á passos lentos pela rua, tentando achar algo ou alguém que pudesse lhe algum tipo de informação.
-Alguém? – Rory dá um grito esperando que alguém lhe respondesse, mas, como esperado, apenas havia o silencio. – Preciso de abrigo. – Ele falou, esfregando a mão uma nas outras para esquenta-las. O garoto não havia percebido antes, mas a roupa que estava era totalmente inapropriada para o frio. Uma camisa branca fina e uma calça vermelha de pijamas com símbolos de estrelas que estavam vermelhas por causa do sangue de Rory.
-Vamos lá. – Ele falou e foi caminhando, batendo de porta em porta. O garoto andou apenas meio quarteirão até entrar numa casa destrancada.
Era uma casa simples de madeira, construída para aguentar o frio. As janelas estavam devidamente fechadas. Havia uma lareira que era inútil sem lenha. Rory olhou ao redor e fica procurando o interruptor das luzes. Quando acha, ele agradece mentalmente á uma divindade lá em cima e liga as luzes. Não havia nenhum móvel ali, parecia que a família tinha se mudado ao invés de saído ás pressas.
Rory procurou na dispensa alguma coisa que pudesse lhe ajudar com o ferimento, mas não havia nada. O garoto vai até o segundo andar e se senta perto de uma janela. Ali dentro estava mais quentinho do que lá fora. O semideus descansa a cabeça e entra em modo de hibernação, uma habilidade dos semideuses de Nyx para se curar rápido.

Havia um grande conflito na mente do jovem semideus. O conflito era entre as memórias da vida que Rory tinha e agora entre as memórias que nasceram ao ele mudar o seu passado. Para o bem de Rory, durante os sonhos ele conseguiu recuperar parte da memória do que o levou até ali, mas, para a sua infelicidade, ele começou a esquecer do Acampamento Meio-Sangue.
Quando Rory acordou, ele sentiu o seu corpo pesado. Lentamente ele foi recuperando os seus sentidos e o controle sobre o seu corpo. Esse é o problema da hibernação: quanto mais tempo você hiberna, mais duro vai ser pra você voltar á rotina. Rory suspira e se senta um pouco, ele estava faminto.
-Quando eu virei á esquerda. – Ele pensou, tentando recapitular o que aconteceu. – Eu fui sofri um acidente de carro durante o caminho. – Ele falava, sem ver muito sentido em tudo. – Acordei num hospital com a Julia morta. Eu me culpei e acabei procurando um jeito de livrar ela. Tentei invocar a voz em minha cabeça. – Ele começa a chorar. – Mas acabei trazendo Nyx pra essa cidade. – A sua respiração se acelera e o garoto começa a soluçar. Ela se apossou do meu corpo e matou diversas pessoas. O resto se mudou. – Ele coloca a mão no rosto. – Eu destruí metade do mundo ao deixar aquele demônio correr solto pelo mundo. – Ele dá um grito ao se lembrar da pior parte: A parte de seu pai tentando matar Rory antes de Nyx lhe matar. Foi dai que veio o tiro. –Eu não quero mais. – Ele dá um grito. – Me tira daqui. – Ele fala, sem conseguir respirar por causa do ataque de ansiedade que estava tendo.

Então novamente ele estava no carro, com o volante já preparado para virar a esquerda. O garoto olha novamente para Julia ensanguentada. Ela não estava realmente ferida, aquilo era apenas o fruto de sua imaginação para o que ainda iria vir.
-Vamos para o campo. – ele expressa um sorriso falso. – espera... – ele diz antes de virar. – Eu te amo. – ele fala, sem olhar pra ela e então muda pela segunda vez todo o seu passado.

Rory se encontra na porta de seu chalé observando os semideuses indo para a floresta. Ele estava com medo do que iria acontecer se alguém mudasse o passado de forma irreversível, mas a parte dele ele havia feito: não havia estragado nada.
Rory fechou a porta do chalé e voltou a dormi.


Hibernação:
☪ Hibernação noturna: Quando o filho de Nyx está fraco ou precisando se recompor para batalha, este pode entrar em estado de hibernação. Todo o ambiente ao seu redor fica frio e escuro. Sua pele se torna mais pálida do que costuma ser. Esse procedimento não pode ser realizado durante uma batalha, e sim em lugares calmos.



RoryC
Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Robin A. Deverich em Dom Jan 01, 2017 12:50 am

HUHUH
SLEEPLESS
NIGHT! (Oh No!)
Seu corpo relaxava gradualmente, conforme um fio de vento tocar-lhe seu corpo que vinha da janela com centímetros abertos, porém juntamente dele, pequeno soares de vozes finas e calmas a fazia remexer-se na cama, a despertando de seu sono. Robin abriu os olhos em uma confusão aparente, passando a mão sobre as pálpebras em uma tentativa de faze-la acordar mais rápido. Sentou-se sobre a cama, olhando ao redor em busca do que havia lhe acordado, tentando entender o que de fato poderia ter acontecido. Levantou-se da cama, passando as mãos sobre o cabelo antes de ouvir novamente as vozes, identificando-a da direção da janela. Curiosa, Robin vestiu-se de forma rápida, pegando todas as suas armas e a equipando, saindo do chalé em direção a floresta. Ela sentia que quanto mais se aproximava das vozes, mais seu corpo se mexia de forma que ela estranhamente não podia reconhecer. De fato, ela estava sendo hipnotizada. Caminhou por mais alguns passos em floresta adentro, notando uma luz estranha ao longe. Apressou-se então a caminho do lugar, avistando uma enorme porta, possuindo uma maçaneta tão brilhante quanto pedras preciosas. – O que é isso? – Perguntou para si mesma, aproximando-se cuidadosamente. Ouvindo uma estranha resposta. – Esta se sentindo triste? Venha mudar as coisas... seja alguém melhor... -  Ainda hipnotizada, esticou sua mão em direção a mesma e encaixando sobre a maçaneta, a qual com um só alavanco, ela empurrou para baixo, puxando a porta para abri-la. Assustando-se ao ver que luzes fortes brilhavam ainda mais, consumindo o corpo de Robin por inteiro.

Ela não saberia dizer como havia chego ali, porém Robin estava em meio a uma estrada. Olhou ao redor, tentando entender a sua localização, porém nada parecia estar certo. Ela se perguntava onde estava, e porque aquela porta havia lhe jogado até aquele local, quando notou ao longe uma luz vinda em sua direção. Eventualmente, ela tapou os olhos com as mãos e então, pode ouvir apenas o barulho de freios e logo após, ferro e plástico tocando ao chão de forma brusca. Robin retirou os braços, procurando o portador do barulho, avisando ao longe um carro estranhamente familiar capotar em diversas voltas sobre a floresta a dentro, quebrando arvores em seu percurso. Ela não pensou duas vezes antes de mover-se em direção ao carro, correndo em disparada sobre os matos, desviando de arvores e estilhaços restante de uma espécie a qual não se parecia mais com um carro, apenas velhas serrarias de ferro.
Sua chegada até a proximidade não demorara muito, porém a visão que teve lhe estilhaçou. Ela podia claramente ver sua irmã, Hela, próxima ao seu pai que não parecia mais conter vida em corpo, porém o mesmo se mexia como se sua alma estivesse confusa e devastada, e com apenas um movimento, Hela levantou o braço enquanto segurava sua típica espada, podendo ser ouvido apenas os gritos desesperado de Robin. – HELA, NÃO!. – Gritou com força, vendo a garota que era fielmente sua cópia virar em sua direção, para então, observar seu pai apunhala pelas costas com um pedaço de vidro que havia sobrado, e então, sua vida se desmoronou por completo. Sem reação alguma, Robin sentiu o corpo perder todas as forças, caindo de joelhos sobre o chão, sentindo as lágrimas grossas caírem sobre o seu rosto pequeno e pálido. Ela estava devastada. E não sabia quanto tempo havia passado sentada sobre o chão de terra da floresta, e muito menos o que havia acontecido com seu pai. – Levante, filha de Hécate. – Ouviu a voz, tão suave porém tenebrosa. Ela não queria, por Zeus, como ela desejava que fosse seu corpo completamente ensanguentado sobre o chão e não o de Hela. Robin suspirou, levantando seu olhar para mirar novamente o corpo de sua irmã, porém aquela noite não estava sendo da mais comum, e ela claramente, podia ver a figura de sua irmã em uma forma brilhosa e distinta, olhando sem expressão para o horizonte. – Você foi escolhida. Ceife a alma daquela semideusa, e jure lealdade a mim, Thanatos. – Robin estava ofegante, mas não por esforço algum a qual ela não havia feito, mas pelo fato de sentir que a partir dali, seu corpo e cognição haviam mudado completamente. A garota se levantou, caminhando com receio e medo em direção a luz branca que era a sua irmã, e ao chegar em frente a mesma, seus olhos novamente se desmancharam em lágrimas. – Me perdoe... – Sussurrou, levantando os dedos afim de toca-la, e ao fazê-lo, notou apenas a mesma aos poucos se tornar fragmentos, deixando sobre a mente de Robin apenas o sorriso disperso de Hela.  

E junto com a luz branca de sua irmã, uma maior tomou o corpo de Robin, a fazendo acordar desta vez, em seu quarto em Detroid, a qual dividia com Hela. Porém, as coisas não pareciam ainda estar normais. Ela podia sentir o cheiro suave de panquecas sendo feitas, e isso despertou o seu estômago. Seus olhos varriam o quarto ao redor, e tudo ali parecia sido feita e decorado para uma só pessoa, e isso a deixou extremamente desorientada. Levantou caminhando em direção a cozinha com passos rápidos, notando seu pai cantarolando em frente ao fogão. E onde estaria Hela? Por que ela estava ali em Detroid e não no acampamento? Seus devaneios foram cortados ao ouvir a voz de seu pai. – Bom Dia preguiçosa. – O notou se aproximar, dando um selinho em sua testa antes de passar a mão pelo os seus cabelos, o bagunçando completamente. – Você não sabe a felicidade que eu sinto em ver seus cabelos da cor naturais. – Ele pronunciou, se distanciando para terminar de arrumar a mesa do café da manhã. Injuriada, a garota virou-se de encontro a um pequeno espelho que continha no armário, vendo o reflexo perfeito de Hela sobre o espelho. Aquilo definitivamente não poderia ser possível, afinal, o que diferenciava as duas era o cabelo, e agora não sobrara nada.

Engolindo o sentimento de choro, a garota sentou-se para o café da manhã, comendo de forma silenciosa enquanto ouvia seu pai comentar sobre a vida deles, e o quanto estava feliz pelo fato da garota ter ido passar aquele feriado em casa, com ele. Porém, ela não se sentia bem, não se sentia feliz, e quando seus olhos erguiam-se de encontro a ele, apenas via a imagem do assassinato de sua irmã, e aquilo a fazia perder completamente qualquer sentimento que possuía por ele.
Sem dizer se quer uma palavra, a garota levantou-se da mesa caminhando em direção ao seu quarto. – Me desculpe por falar demais. – O ouviu dizer, a fazendo sentir o desejo de cuspir sobre o chão. Novamente, ela não sabia por quanto tempo ela havia passado ao andar de um lado para o outro no seu quarto, enquanto seu pensamento se resumia apenas em ‘’Devo Mata-lo”. Entretanto, ela sabia o suficiente que não conseguiria sobreviver a causa de seus atos, e decidida sobre o seu futuro, a garota caminhou em direção a sala, notando o senhor tão parecido com ela dormir tranquilamente, e então foi a cozinha, pegando a faca mais afiada que encontrou, parando atrás do sofá a qual ele estava. – Por Zeus, me perdoe por isso. – E com um manuseio firme, a garota desceu a faca em direção ao pescoço de seu pai com toda a força que ela continha, notando a mesma adentrar completamente sobre a pele dele, tendo sangue jorrado por todos os lados. Em desespero, a garota deu passos para trás ao puxar a faca para fora, notando o corpo de seu pai cair no chão, a fazendo encostar sobre a parede, passando a costa da mão sobre o rosto para tentar limpa-lo. Porém, ela estava novamente devastada, e ela sentia seu peito doer. O que ela havia feito? – Não posso lidar com isso. – Gritou, chorando de maneira extravagante. Ela precisava se vingar, porém não saberia mais como viver sem o seu pai, muito menos sua irmã.

Admirou então a faca em sua mão, a segurando firme em direção ao seu peito, soltando soluços grossos. – Por favor, devolvam a minha vida de volta. Por favor, por favor... eu prefiro Hela do que ele.– Sussurrou, segurando a faca firme em direção ao seu peito. – É só isso que eu peço... – Sentia-se fraca, e mesmo que seu corpo estivesse vivo, sua alma não era mais a mesma. – Por favor... – Pediu em sua última clemência, sussurrando praticamente inaudível antes de tomar a faca em direção ao seu peito.

‘’Miau...’’ ‘’Crow...’’, ouviu os sons, seguidamente de bater de asas, e então, seu corpo se levantou em um impulso. – Onde eu estou? – Gritou, andando de um lado para o outro no quarto de seu chalé, deixando cair ao chão pequenos enfeites de seu quarto. – Robin? – Ouviu a voz de seu corvo, Poe, chamar-lhe sua atenção, a fazendo olhar para ele assustada. – Poe? Onde eu estou? Cadê a Hela? – O corvo bateu as assas, pousando sobre a cama de Robin, mexendo seu pescoço em forma típica de sua raça. – Que eu saiba, em seu próprio chalé, quer que eu dê uma olhada? – O Ouviu, sentindo uma enorme vontade de pega-lo em seu braços e o apertar, porém apenas se controlou, voltando a se deitar na cama após respirar de forma profunda. – Sim, por favor. – Se certificou, o notando bater as assas e sair pela brecha da janela, fazendo a garota se acomodar sobre a cama para se esquentar, abrindo um sorriso de alívio ao ver que o motivo dela ainda estar viva, dormia tão próxima de si. – Obrigada, a sei lá quem. – Sussurrou, caindo novamente em sono profundo, porém desta vez, sem nenhum sonho aparente.



— I am still in ruin
Nobody knows who i am.!


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Robin A. Deverich
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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Emmanuelle S. Henz em Seg Jan 02, 2017 11:17 pm

☾ Sobre Sonhos ☽
Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.



“Prologo: Encontrar o que foi perdido, destruir o que foi lembrado”

Contos de fadas não são apenas sobre encontrar um belo príncipe. São também sobre realizar os sonhos e lutar por aquilo que se acredita. São acontecimentos da vida, ainda em branco, sobre as páginas de um livro qualquer, e são eles que nos fazem sonhar, acreditar que somos capazes de levantar e seguir em frente... Evangeline virou a página, erguendo o olhar para encarar as gêmeas, que mais uma vez implicavam uma com a outra enquanto corriam pelos jardins. Lia em voz alta, como de costume, enquanto observava as travessuras de suas pequenas, sempre atenta, muito atenciosa. Na mansão Henz os dias sempre foram repletos de felicidade, as tardes eram sempre divertidas, e entre sonhos e brincadeiras as irmãs Henz cresciam de forma saudável.

Emmanuelle era a mais velha das gêmeas, e também a mais curiosa, e enquanto corria pelos jardins perseguindo uma borboleta, também se pegava sonhando acordada. Aos olhos de uma criança tudo é belo, as cores são mais vivas, os animais são fascinantes, e a vida por si só se torna uma eterna brincadeira. Enquanto corria, se afasta da mãe e da irmã, embrenhando-se mais a fundo pelo jardim, tinha impressão de estar voando enquanto os pés tocavam o solo, as mãozinhas estendidas na tentativa de capturar a borboleta. Tinha se encantado pelas estranhas cores que preenchiam suas asas, não eram azuis e nem roxas, tinham marcas espalhas em tons de ciano, mas as pontas se tornavam rosa, e o centro era tão dourado quanto um anel do mais puro ouro. Era delicada é claro, e muito pequena, mas não foi nada disso que lhe chamou atenção.

Ninguém além dela percebeu o brilho sutil que a borboleta emanava, aquele prateado cintilante que percorria todo o corpo do ser, e que a instigava a chegar mais perto, era claro, o lado divido da criança dando os primeiros sinais de que queria florescer. Emmanuelle nunca viu o mundo da forma que ele era, para ela tudo sempre foi diferente, moldável, as nuvens tinham formas, não eram apenas onduladas como descreviam, ela certamente capaz de ver coelhos, joaninhas e objetos dançando por um salão. Criava historias e imaginava que as flores falavam, sempre foi atraída pelo sutil brilho de vida da floresta, e gostava de como as folhas balançavam com o vento, e de como ele parecia acariciar sua pele. E tudo isso são informações retiradas da cabeça de uma garotinha com apenas cinco anos. Aos olhos de uma criança, tudo se torna mais encantador.

Mais tarde, naquela mesma noite, Emmanuelle não quis se deitar. A janela do segundo andar permanecia aberta no quarto das crianças, as primeiras estrelas a muito tinham começado a aparecer, e sobre a cama de dossel branca, e totalmente infantil, era possível ver uma garotinha empoleirada. Seus cabelos castanhos lhe cobriam a face rosada, e seus olhos esverdeados brilhavam de forma travessa, não estava com sono. Sua irmã ressonava em outra cama mais ao canto, era idêntica a ela, porém mais tranquila, e cansada pelo dia tinha sido tomada pelo sonho dos anjos. Evangeline adentrou o quarto, as mãos sobre as costas como se escondesse algo, e um sorriso doce presente no rosto.

Emmanuelle saltou da cama, e correu para abraçar as pernas da mãe, evitava fazer barulho apenas para não acordar a irmã gêmea. Ela sorria, especialmente agitada naquela noite, mas era culpa da babá que tinha deixado a menina ingerir açúcar demais, e agora, não era capaz de faze-la dormir. A mãe servira como escape, e apesar de estar com a aparência cansada, não conseguia deixar de se encantar pela filha mais velha. Emmanuelle sempre fora gentil, e a mãe podia ver traços da menina brilhante que viria a ser no futuro. — Está sem sono, não é mocinha? — Evangeline puxou a filha para os braços, beijando sua testa ao aninha-la no peito, Manu sorriu, entretida pelo olhar abrilhantado da mãe. — Mamãe, de onde vem os sonhos, e porque não posso vê-los? — Perguntou a garotinha, surpreendo a mais velha com a pergunta repentina.

— De onde tirou isso, querida? — Curiosa, Evangeline se sentou sobre a cama, mantinha a criança sobre o colo, muito atenta as palavras infantis, até porque, não sabia de onde Emmanuelle tirava algumas coisas. — Do seu livro mamãe, você disse, dos sonhos das fadas, são das fadas que vem os sonhos? — Perguntou novamente, ficando de joelhos sobre as pernas da mais velha, e aproximando o rosto do dela. Manu tomou a face da mãe entre os dedos gordinhos, percorrendo suas bochechas com os dedinhos, mas se mantinha concentrada, pois desejada ter sua pergunta respondida, e se não fosse atendida, bem, não saberia como iria sobreviver.

Para uma criança, pequenos ensinamentos podem ser muito valiosos. — Bem, o sonho não vem das fadas, querida, eles vêm de outro lugar — Evangeline procurou as palavras, precisa encontrar uma maneira de explicar para a filha, e faze-la entender sem confundir a pequena cabecinha, repleta de perguntas estranhas, porém curiosas. — Eles vêm de dentro querida, eles vêm daqui — Evangeline tocou o coração da filha com a ponta dos dedos, e empurrou de leve para não machuca-la. — Mas se vem daqui, como a gente tira? — Manu encarou a mãe, confusa e curiosa, queria arrancar o sonho do peito, e se pudesse teria feito naquele mesmo momento.  — Lutando por eles, podem tirar muitas coisas de você minha filha, mas quem você é, ninguém pode mudar, e o que você acredita, ninguém tira de você, se você quer seus sonhos, lute por eles, e eles virão até você — E apesar de não entender nada do que fora dito pela mãe naquela noite, Manu jamais esqueceu suas palavras.  

[...]

A temporada no acampamento nunca fora tão longa, mas Manu não desejava ir embora, e enquanto ouvia as patas de Molly castigando a relva, também se pegava pensando no motivo que a levara até ali. Naquela noite algo estava diferente, Manu sentia isso no vento, no mistério pesado de magia no ar, no vento uivando em seus ouvidos, como um lobo a chorar pela perda da matilha. Ela não sabia o que exatamente era, mas algo estava diferente. — Você também sente? Por isso está agitada? — Perguntou ao lobo, Molly ergueu a cabeça, bateu as patas dianteiras no chão e uivou. O lobo não falava é claro, mas Manu era capaz de captar seus pensamentos. “ Tem alguém aqui, e está se aproximando, depressa, esconda-se”. A caçadora mordeu os lábios, e com o coração aos pulos puxou uma flecha, preparando o arco enquanto se camuflada entre as arvores da floresta, oculta pela noite, dificilmente seria identificada.

— Onde? — Sussurrou, Molly rosnou para o ar, os pelos se eriçando enquanto as presas vinham a mostra, o lobo não estava normal, e isso estava perturbando a jovem caçadora. — Molly! Onde ele está? Concentre-se — Pediu baixo, usando o tom de comando que com frequência não usava. É estranho ser a melhor amiga de um lobo, mas Emmanuelle nunca foi uma pessoa normal, e não convivia com muitas pessoas, portanto, fazer amizade com sua companhia de caça lhe parecera bastante sensato. “Está por toda parte, não consigo sentir”, respondeu o lobo, a encarando de um jeito que a deixou com medo, animais sentem quando são ameaçados, mas Molly raramente reagia daquele jeito em uma batalha, até porque era ligada a Manu, e deveria protege-la.

O lobo uivou, gritou para a lua em pleno horror, e correu em direção a floresta. — Molly! Mas que merda — Manu praguejou, algo que raramente fazia, e partiu atrás do lobo pela floresta. Enquanto corria pode entender o sentimento que tomara Molly, algo como atração em pleno ar, a puxando em uma direção sem qualquer controle, a fazendo querer chegar mais perto. Era como o charme dos filhos de Afrodite – que não lhe afetava – instigava e castigava, e apesar de estar ciente dos próprios atos, não tinha controle do próprio corpo. Quando atingiu a parte profunda da floresta, guiada por um poder sem controle, e um instinto quase predatório, Manu se deparou com um cenário intrigante, novo e perigoso. Podia sentir o poder que emanava no ar, a risada de alguém preenchendo seus ouvidos, como se sussurrasse e a mandasse chegar mais perto.

A caçadora hesitava na campina, os olhos pregados sobre um portal de luz reluzente, o arco esquecido, e uma faca entre os dedos. Manu não reparara na faca, nem no sangue pingando sobre a grama manchando as folhas verdes com vermelho berrante. Tinha sido seu instinto de sobrevivência falando mais alto, mas distraída, lhe cortara a palma e parte dos dedos, e ela sequer sentia. — O que é isso? — Murmurou para si mesma, largando a lamina e se aproximando, até parar de frente para o portal reluzente. Seus olhos não tinham foco, estavam banhados pela luz da lua, e seus pensamentos já não lhe pertenciam, ela só precisava.... Chegar mais perto. Foi o que fez, chegou a tocar o portal cristalino com a ponta dos dedos, mas fora detida.

O lobo veio do nada, pulou sobre ela e cravou os dentes sobre seus braços, e no mesmo momento, Manu despertou. — Mas que diabos você está fazendo Molly? — Rugiu a garota, empurrando o lobo para examinar a ferida. — Mas que ótimo! — Murmurou, rindo da própria ironia, atacada pela melhor amiga, quem diria que isso podia acontecer? — Ficou maluca? — Perguntou de novo, Molly choramingou, levou a pata a orelha e abaixou a cabeça, algo persistia errado com ela, e Manu não estava gostando disso. Olhou ao redor, só então percebendo o que estava acontecendo, e onde se encontrava. — Meus deuses — Manu se levantou, ainda atordoada, e com o braço pingando de sangue, as presas de Molly tinham perfurado fundo, e causado grande estrago no braço da semideusa. Não se importava no momento.

O portal ainda estava presente, mostrando-se poderoso na presença da semideusa, como se a desafiasse a mergulhar em seus mistérios e cair no mais profundo vazio, mas o pior de tudo, é que apesar de estar desperta, Manu ainda se sentia tentada. — Meus deuses — Voltou a repetir, ainda estava muito próxima daquele estranho objeto, mas não ousara chegar mais perto, até ver o reflexo dos cabelos dourados de sua mãe, os olhos azuis, e a pele clara. — Mãe? — Manu chamou baixinho, e caminhou depressa até o reflexo da mulher que tanto amava. — Mãe... — Chamou de novo, a voz saindo um pouco mais embargada dessa vez, e lagrimas brilhando nos olhos. Uma das poucas coisas que Manu sentia faltava na vida era Evangeline.

É claro que a mulher não estava morta, mas ela também não podia chegar perto, isso a destruía. — Ah mamãe... me desculpe, eu falhei, falhei com você — Murmurou baixinho, falando com o reflexo como se ele pudesse mesmo ouvi-la. Riu engasgado, e deixou que as lagrimas banhassem suas bochechas, e foi quando tudo desandou de vez. Manu se virou na tentativa de controlar os próprios sentimentos, e ao fazê-lo se deparou com o lobo, Molly estava estranha, e Manu sabia disso, mas não esperava por um segundo ataque. O lobo saltou sobre ela, as patas bateram de encontro ao seu peito, e Manu foi jogada para o portal de luz, sugada para o mundo no qual não compreendia.  

...

As ruas de Munique estavam cobertas pelas festividades de Weihnachtsmarkt – feiras de natal na Alemanha – encantando a cidade com suas luzes, e com o clima festivo. A comida rolava solta, e a praça àquela hora da noite já se encontrava lotada. Já passada das dez da noite na torre dos sinos, onde um grande relógio marcava o andamento do tempo naquela cidade. Emmanuelle se sentia perdida, não entendia como tinha ido parar na cidade natal, e tão pouco compreendia o que estava acontecendo. Festividades como aquela tinham um determinado tempo, e só aconteciam uma vez ao ano, mais precisamente uns dias antes do natal – quatro dias antecedentes a véspera – e esses dias, já tinham se passado a cerca de uma semana. — Para uma criança com um rosto tão bonito, você é muito seria, aqui, pegue um biscoito — Murmurou a velha senhora da barraca de bolinhos açucarados, lhe estendo uma bandeja repleto de biscoitos de natal, enfeitados com açúcar e confete. — Obrigado — Murmurou Manu, ainda confusa com os acontecimentos.

A caçadora pegou um dos biscoitos, não sentia fome, e seu estomago embrulhava com as lembranças de minutos atrás. Recordava-se de ter deixado o acampamento através de um portal, da imagem confusa da mãe, e do braço pingando sangue, e ao pensar nele, seus olhos se desviaram para a ferida, agora inexistente. — Que esquisito — Suspirou baixinho, e voltou-se para a senhora que ainda a olhava. — Não vai comer? Estão gostosos, prove — Incentivou ela, Manu assentiu, mordiscando o biscoito sem muita vontade, até que deixasse a senhora totalmente satisfeita, e o estomago querendo devolver o conteúdo. — Me desculpe, mas estou me sentindo um pouco estranha hoje, você pode me informar em que dia, e ano estamos? — Perguntou ela, tentando buscar informações precisas do que exatamente estava acontecendo.

A senhora devia achar que ela estava louca, pois Manu pode ver a careta de confusão que se formara com sua pergunta, e como seu olhar transmitia a sensação de pena. — Estamos em dezembro querida, de 2004 — Respondeu ela, puxando um dos biscoitos e colocando sobre a boca. O coração de Manu saltou sobre o peito, disparando enquanto a garganta ficava seca, ela sentia que ia vomitar. Aquilo era certamente impossível, se estavam mesmo em 2004 ela deveria ter apenas 5 anos, não 18, isso não poderia estar acontecendo. — É algum engano... não, isso não está acontecendo — Manu levou as mãos à cabeça, os dedos embrenhando-se pelos cabelos castanhos enquanto girava nos calcanhares, precisava confirmar suas suspeitas. — Obrigada! — Gritou para a senhora, e então se misturou a multidão.

A festa ficou para trás assim que Manu virou o quarteirão, embrenhando-se pelas ruas já conhecidas da cidade em que nascera, os casarões se tornaram amplos, e sobre as janelas da cidade era possível distinguir as luzes dos candelabros. Cinco velas acesas para comemorar as festividades, dependuras sobre pinhos e coroas de flores verdes, estava linda. Manu sempre gostou daquela época do ano, sempre achara que a cidade ganhava tons de magia em dezembro, mas não esperava que um dia pudesse ser capaz de voltar a vê-la, e agora estava de volta, quando não deveria estar. Manu acelerou os passos, o coração prestes a saltar pela boca a medida que se aproximava da mansão Henz, uma construção antiga com tijolos vermelhos e de aparência nobre. Tinha escadarias na frente – ela se recordava bem – que sempre ficavam cobertas pela neve a partir de outono, sua mãe sempre lhe impedira de brincar nelas, apenas por supor que poderia escorregar.

Um carro passou a frente, buzinando pela rua enquanto um homem gritava com ela, mas Manu não parou. Virou a esquina e escorregou sobre as próprias botas e então a viu. Era a mesma velha casa de tijolos vermelhos no centro da rua, as luzes acesas da janela de baixo davam um ar sereno a velha residência, trazia paz e conforto, mas também fazia seu coração falhar. Manu não percebeu que estava chorando até se aproximar de seu lar de infância, e tocar o vidro com a ponta dos dedos, limpou a janela, e espiou para dentro. Lá estavam elas, a exatos 13 anos atrás, sentadas em frente a lareira enquanto brincavam com as meias a espera de São Nicolau. Emmanuelle – a criança de cinco anos – tinha os cabelos amarrados por fitas vermelhas, usava o vestido de festa escolhido pela mãe, e saltitava contente ao redor da irmã gêmea. Tessa segurava seu ursinho de pelúcia favorito entre os braços, tinha um biquinho de manha sobre o rosto, e coçava os olhos para espantar o sono. Eram crianças adoráveis – observou ela – mesmo que já não existissem.

Evangeline estava sentada sobre o tapete persa em frente a lareira, um livro de contos repousava em seu colo, e ela ria de alguma coisa que as meninas tinham feito. Manu se recordava com precisão daquele dia, lembrava de ter esperado pelo papai Noel até quase meia noite, e de ter tentado entrar na lareira para esconder biscoitos e sinos com o intuito de atrai-lo mais rapidamente. É claro, que a mãe não permitirá que fizesse nada disso. Aos olhos daquela menina tudo parecia muito fácil, mal sabia que a vida estava lhe preparando grandes armadilhas. Manu se afastou da janela, e deixou que o corpo escorregasse pela calçada, sentia-se esgotada, e só queria poder voltar, pois não compreendia o que estava acontecendo. A morena deitou a cabeça entre os joelhos, e pela primeira vez rezou por ajuda aos deuses. Eles nunca lhe escutaram, e provavelmente naquele momento não seria diferente, sempre esperaram muito daquela, e com isso, lhe tiravam as coisas com certa frequência, a obrigando a chegar num limite que nem sabia ser possível.

Manu escorregou as mãos pelas mexas escuras, e naquele momento a porta se abriu. A garota se encolheu embaixo das escadas, embrenhando-se na noite na tentativa de não ser notada. Era Doroth – a empregada da mansão – retirando o lixo como de costume. Fazia isso todos os dias tarde da noite, e depois ia para própria casa, voltando na manhã seguinte para ajudar na mansão. A porta se fechou novamente, mas pelos minutos seguintes Manu permaneceu deitada, o coração se acalmando à medida que a garota clareava os pensamentos. Ela não era mais uma garotinha, e com frequência tinha que lembrar a si mesma desse fato. Não tinha mais medo do escuro, e nem dos barulhos das escadarias rangendo, não precisava fugir, sabia controlar os próprios poderes e manejar armas, ela era – com frequência – capaz de defender a si mesma, e proteger outros tantos.

Manu abriu as asas assim que se viu completamente sozinha, deixou que as pontas se estendessem pelo beco, então alçou voo até se ver empoleirada sobre o telhado da própria residência. Abraçou os joelhos, e encarou a lua como se ela obtivesse todas as respostas. — Nunca me passaste uma provação como essa — Murmurou, conversando com Lady Ártemis. — E de tudo que eu esperava...bem, já não importa certo? — Riu sozinha, limpando o rosto com as costas da mão, e suspirou, outra lembrança lhe vindo à mente. Naquela noite Manu tinha afirmado para a mãe que vira um anjo subir pela janela, Evangeline rira da criança, dizendo que os anjos só podiam ser vistos por pessoas especiais. Agora entendia que aquilo não passava de uma premissa de si mesma dando um sinal para a mais nova de que tudo estava prestes a mudar.

Na manhã seguinte ele estaria a sua porta, beijaria a mãe de forma dócil e sorriria para as crianças. Nada pareceria estranho, mas aquele homem certamente mudaria tudo isso. Manu abraçou os joelhos, e permitiu-se ter um momento de calma enquanto encarava o vazio. O motivo de estar ali ainda não tinha lhe passado pela cabeça, porém sabia que aquela chance não lhe fora dada em vão. Presa no passado que lhe pertencia imaginou como seria mudar tudo, imaginou como seria se não tivesse que sofrer. A vida teria ganho mais cores para a pequena garotinha dormindo tranquilamente abaixo de seu corpo, Manu daquela época poderia ter sido feliz, e quando voltasse tudo estaria resolvido, ela só precisava dar um fim naquilo que um dia a machucara de uma forma tão profunda. — É isso? Uma chance de mudar tudo? — E lá estava ela encarando a lua uma segunda vez, tão solitária no céu quanto ela na terra.

— Porque? Porque agora quando tudo ficou bem você faz isso comigo? Eu achei que estava tudo certo, você tinha aceitado! — A garota mordeu os lábios, e desviou o olhar com irritação, aquilo não podia ser verdade, mas ao mesmo tempo, lhe parecia tentador, e em dado momento daquela noite ela decidiu que faria. Manu se livraria daquilo que mais a atormentava, e jamais voltaria a ter medo.

...

Na manhã seguinte a esperança era o que mantinha aquela garota de pé, com a promessa de um futuro maravilhoso que viria pela frente, e para isso, só precisava embarcar em uma missão de morte e enviar a alma de um desgarrado para o próprio tio. Hades certamente ficaria contente com o trabalho da sobrinha, pois, teria a chance de mandar mais uma alma para ser torturada nos campos da punição. A garota empoleirou-se no telhado ao amanhecer e aguardou pelo que pareceram horas. Sentia as mãos queimando de nervosismo, e estralara os dedos por tempo demais. O corpo estava tenso, cada musculo rijo sobre o tecido fino de suas roupas, e asas faziam cocegas em suas costas, a instigando a liberta-las, algo que só o fez quando o viu se aproximando da rua.  Manu saltou do telhado, usando as paredes para se balançar feito uma gatuna, até estar com os pés firmemente presos ao chão.

Puxou duas laminas – adagas – para as mãos, empunhando-as com uma destreza que poderia parecer impressionante. Checou ambos os lados da rua, apenas para se certificar de que não estavam sendo observados, então avançou. A garota deu o bote assim que ele atingiu o beco, prendeu uma das laminas em seu pescoço enquanto a segunda ia de encontro ao peito do homem, o mantendo preso. Qualquer movimento brusco o faria perder a garganta, e ele sabia disso, pois permanecera calada.  — Se tentar correr, fugir, ou gritar, eu te mato mais rápido, se ficar, se permanecer calado lhe dou o direito de saber o motivo que o levou a perder o pescoço — Sussurrou ela, estalando a língua no seu da boca ao soltar as palavras de maneira rude, e o puxou em direção ao beco.

Manu arrastou o homem pelos becos de Munique, e para ela não foi difícil encontrar um casarão abandonado, tão pouco invadi-lo e jogar o homem no porão. Soltou-o apenas quando se certificou de que estavam seguros, e foi então que a jovem entendeu o que estava fazendo. A ficha caíra no exato momento em que pregara os olhos em seu rosto, e se dera conta de que aquele homem – mais novo no passado – fora o responsável por destruir sua vida, cobri-la de pesadelos e impedi-la de dormir. O responsável pelas milhares de vezes que tivera o corpo mutilado por uma faca de cozinha, e fora dormir coberta de machucados sangrentos. O mesmo homem, que tentara viola-la um dia. No passado, quando nem o conhecia sentia medo dela, agora a raiva movia cada parte de seu corpo, fazendo suas presas ficarem a mostra, e seus olhos se tornarem trovejantes.

— O que é você? — Ele tivera a ousadia de se pronunciar no momento de sua morte, mas Manu não tinha qualquer pretensão de responde-lo no momento, estava pensando, lembrando de cada ferida, do facão e da noite da floresta. Da chuva molhando seu corpo enquanto era perseguida por aquele lunático, lembrou-se do olhar dele ao se aproximar dela, e das palavras que cuspira contra seu rosto. “Você é minha” dissera ela, sussurrando enquanto a prendia sobre o chão, uma criança impedida de escapar das mãos de um monstro qualquer. Ele lhe descera o facão contra a coxa naquela noite, a noite em que tudo mudara para ela, mas a lembrança? Jamais fora apagada de sua mente. Ele não conseguira cumprir seu plano, mas chegara bem perto, e o passado pavoroso de Emmanuelle Henz fora marcado por toda uma eternidade.

— Que irônico, você morrer pelas minhas mãos e nem saber quem eu sou, pior ainda, não saber o porquê — Manu riu, engasgando ao perceber que chorava, ainda o encarando de uma forma ameaçadora. — Você arruinou a minha vida, me tirou os sonhos que mamãe prometeu que não podia me arrancar, você assombrou boa parte das minhas noites, e me deixou passa-las em claro, tem ideia do que fez comigo, você se quer sabe?! — Rugiu a garota, aproximando-se do homem. Peter recuou sobre a parede, era sensato ao menos naquela época. Foi fácil para ele lidar com uma criança, mas Manu já não era uma criança, era uma seguidora da lua, era uma semideusa que conseguia controlar os poderes. — Olha eu paguei todas as minhas dividas ao Franco na semana passada, se está aqui para me matar certamente ouve um engano — Ele a encarou seriamente, como se cogitasse matar aquela criança com meras ameaçadas vãs.

— Franco? Não conheço nenhum Franco, e sinceramente não pretendo conhecer, não vou deixar que destrua minha vida uma segunda vez... — Manu baixou os olhos por um curto momento, o suficiente para que ele se aproximasse dela e lhe tocasse seu rosto. Foi um erro é claro, mas ela congelou, pois, a lembrança retornara ainda mais forte, e agora ela sentia o medo. Começara nas costas um pouco abaixo da coluna, e subira lentamente até que a cor sumisse de seu rosto. — Você é uma gracinha, podíamos deixar isso de lado e aproveitar de outra maneira — Nojo, não existe outra palavra para descrever a repulsa que ela sentia daquele homem, mas o medo.... Ele era forte, e a estava possuindo. Manu fechou as mãos ao lado do pulso, e ele ousou se aproximar ainda mais.

— Não! — Gritou ela, cuspindo as palavras com uma fura que não lhe pertencia. — Não, nunca mais! — Manu bateu contra o peito do homem com força, e o empurrou para o chão, as mãos ganharam vida própria, e o arco surgiu como num borrão de imagens naquela cena eloquente. Ela se sentia mais morta do que estivera em toda sua vida, mas recuperaria a vida assim que mandasse a alma de Peter com uma passagem só de ida para o Inferno. — Mande lembranças ao meu tio — murmurou a garota, e então atirou. Três flechas comuns – pois armas divinas não ferem humanos – bastaram para que o corpo caísse sem vida, uma sobre o pescoço, e duas sobre o coração.

Manu suspirou, largou o arco e caiu de joelhos. Os olhos arregalados e a boca aberta, sua respiração se tornara falha. — O que foi que eu fiz... — Aquilo podia ser perdoado pelos deuses, mas não por ela. Manu tirara a vida de outro alguém – que merecia – mas, jamais se perdoaria por isso. — Oh meus deuses, o que foi que eu fiz... — Sussurrou de novo, o olhar desfocado e preso no homem morto.

Ela descobriria em breve... exatamente o que tinha feito.

Manu foi sugada uma segunda vez, sentiu o estomago repuxar enquanto o invisível a tragada em direção ao nada, para uma dimensão paralela que não lhe pertencia no momento. Manu foi puxada em direção ao futuro que a estava esperando.

...

No centro de Munique um prédio espelhado se destacava com uma nitidez impressionante, e no último andar daquele prédio nossa protagonista encontrava-se sentada sobre um sofá vermelho. Parecia perdida, sequer escutava o que a mãe lhe dizia conforme olhava pela janela. — Manu, meu bem, eu estou falando com você, está me ouvindo querida? É importante, os acionistas estão aqui em uma hora e... — Onde estavam todos? Ela deveria estar no acampamento, já passava das dez da manhã e a aula de arquearia deveria começar em breve. A matilha, Ariel.... Arregalou os olhos, aquela cidade, Munique, já não pertencia a ela.

— Me desculpe, mamãe posso sair por um momento? — Ela sentia que precisava de ar, e apesar de amar a mãe não conseguia lidar com aquilo. Manu sentia o peito pesar, a lembrança de estar a minutos atrás vigiando o corpo de uma pessoa morta. Não era capaz de respirar. — Eu volto... — Sussurrou pare Evangeline, e correu em direção a porta, pois se não o fizesse, se mataria. Conforme passava pelos corredores de cabeça baixa, também se perdia nos próprios pensamentos, e se quer notava as pessoas ao redor lhe observando como se estivesse louca, mas a trombada com uma pessoa em especial mudou sua perspectiva por completo. Manu se deparou consigo mesmo de pé, a sua frente, só que mais velha. — Manu? — Murmurou Tessa, sem entender o que se passava com a irmã. A garota gemeu, soluçou baixinho, e assustada com a resposta da irmã, Tessa a puxou para o escritório.

— Que diabos está acontecendo com você hoje? Não comeu, não fala, está parecendo perdida enquanto anda pelos cantos — Tessa só faltava sacudi-la enquanto falava. Fechou a porta evitando olhares curiosos, e lhe encarou buscando uma resposta. — Tess, em que ano estamos? — Perguntou Manu, sentindo o peito apertar de forma brusca uma segunda vez, estava certa de que morreria dilacerada pela culpa. — 2027, você bebeu? — Tessa não a estava levando a sério, e aquilo era ainda pior. — Manu o que diabos está acontecendo com você? — Tess se aproximou, tomando-lhe o rosto e encarando seus olhos. — Onde está Ariel? — Manu murmurou, seguindo em disparada com as palavras. — E Ailee, Molly? O acampamento? Quiron deve estar furioso comigo, e eu tinha prometido a Sadie que passaria um tempo com ela, deuses, estou tão ferrada — Suspirou, sem conseguir desviar o olhar da irmã, e enquanto falava, pode sentir a tensão no corpo de Tessa se tornando cada vez mais presente.

— Manu... — Tessa sempre fora cuidadosa com as palavras, e podia sentir o desespero da irmã muito presente em seu olhar. — Me desculpe, mas eu não sei quem são as pessoas, e eu acho que elas nem existem — A expressão de Tess era seria, e apesar de não ter conseguido recompor a postura, ao dizer, parecia completamente sincera. Foram essas simples palavras que fizeram o mundo de Emmanuelle ruir, e a realidade bater à porta. Ela tinha mudado o próprio passado, e suas ações interferiram em sua pessoa, a pessoa que um dia se tornara, pura, gentil, e generosa, coberta de lições, ensinamentos, e honra, se fora completamente.

...

— Não! — O grito estridente ecoou pela barraca da tenente das caçadoras, e pertencia a ela. Agitadas demais pelo estranho som que escapara dos lábios de sua tenente, as demais seguidoras de Ártemis invadiram a barraca. Manu encarou uma a uma, lagrimas queimando seu rosto de porcelana enquanto os olhos esverdeados exibiam um nítido brilho de tristeza. — Manu? — Era Ailee, falando baixo à medida que se aproximava, calculava cada passo, com medo de assustar a melhor amiga, e faze-la adentrar em outro pesadelo. — Está tudo bem, foi só um sonho — Murmurou a filha de Hades, ainda mantendo certa distância. Manu respirou fundo, e conseguiu assentir, mas as imagens de tudo que acontecera ainda eram nítidas em sua mente. Não sabia distinguir a realidade e o sonho, e não sabia se o que tinha acontecido fora mesmo real, ou fruto de seus pensamentos e sonhos mais loucos. O que quer que fosse, tinha aprendido sua lição. O passado trás ensinamentos valiosos, e por mais doloroso que possam ser as lembranças, são elas que nos mantem vivas para seguir em frente, em busca de algo melhor.

— Está tudo bem — Repetiu a garota sobre a cama, como se tentasse convencer a si mesma de que realmente estava tudo bem, e aos poucos, seu coração relaxou. — Ariel e Tessa? — Manu perguntou a Ailee, sabendo que poderia confiar a vida aquela aliada, e só de tê-la por perto, já servia como certo conforto. — Molly? — Completou baixinho, e ao ver o lobo invadiu a cabana, soube que compartilhavam de algo obscuro, estava bem ali, presente em seus olhos. Manu tinha visitado seu passado, mudara seu futuro, e tivera a chance de mudar tudo retornando ao presente, e tudo que queria agora era correr para os braços de alguém. — Eu já volto, preciso ver uma pessoa — A morena se moveu rápido, jogou as cobertas e puxou os tênis, e ainda vestida com o pijama disparou barraca a fora, tomando a trilha da floresta que levava em direção aos chalés do acampamento. Não se importou, ninguém a estava olhando de qualquer maneira, e ela precisava ter certeza de que tudo estava bem.

Ao atingir o chalé de Psique esmurrou a porta com força, tinha saltado os degraus das escadarias de dois em dois, apenas para chegar mais rápido, e agora ofegava sobre a porta conforme batia sobre a madeira. — Atenda, por favor atenda — Murmurou, e não aguardou muito. Ainda sonolenta Ariel apareceu na porta, os cabelos bagunçados e uma careta de sono presente no rosto, Manu não esperou, atirou-se em seus braços e a abraçou-a com força, enquanto murmurava. — Graças aos deuses — Um agradecimento silencioso bastou para que se calasse, e enquanto puxava Ariel para mais perto e selava seus lábios em um beijo, também descobria que o futuro estava bem ali, em seus braços. E que na curta distância de algumas passadas, sua irmã ressonava, com a certeza de que seus sonhos se concretizariam. No fim de tudo Evageline estava certa, o futuro é turbulento, mas são os sonhos que fazem dele alguma coisa melhor, e eles estão ali, alcance das mãos de quem luta por eles.






Everyone wants happiness without any pain, but you can't have a rainbow without a little rain.







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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Lauren L. Hill em Ter Jan 03, 2017 2:53 pm

changing the past
Lauren estava dormindo e naquele momento seu subconsciente parecia querer levá-la para o passo. O passado qual se pudesse, mudaria tudo. Tudo se passava no dia em que descobriu sua outra personalidade, o dia que não deveria ter saído de casa nem por um decreto oficial do governo. O dia que matou duas pessoas e a culpa enorme que carregava nas costas desde então, havia superado apenas externamente, mas por dentro a tortura era constante. Tudo naquele momento a trouxe um futuro indescritível. Um futuro breve que a deixou basicamente no fundo do poço de início, e que dois anos após se reerguer parcialmente escreveria uma nova Lauren, escreveria um novo livro com capítulos cheios de altos e baixos; com certeza com mais altos, diria.

A olimpiana acordou assustada quando o sonho tornou-se pesadelo e os raios de luz entraram pelas enormes janelas do Chalé a fazendo ter certa dificuldade para abrir os olhos. Como sempre ao se levantar, fez sua higiene matinal e colocou sua roupa de corrida retirando-se do local para finalmente fazer sua corrida pela floresta. Naquele dia Lauren não imaginava que teria uma surpresa. A surpresa. A máquina do tempo impulsionou a semideusa para dentro de si, seu corpo sendo submerso por aquela áurea colorida semelhante ao universo. Os sinais estavam na frente de si o tempo todo, seu subconsciente estava a dizendo aquilo desde a hora que deitou a cabeça no travesseiro.

×××

Fechou os olhos ao mesmo tempo em que seu pulso se fechou e seu corpo tremeu de nervosismo. Relutava para abrir os olhos, relutava em se mexer e seu receio em sair da onde estava era imensurável. O suor escorria pelo pescoço e seus olhos abriram instintivamente ao ouvir passos se afastarem e o barulho de um motor de carro ligar. Seu pé atrás de sempre lhe impedindo. — Vamos Lewis! — Ouviu sua tia chamar por seu nome do meio, um costume que tinham. Seu coração acelerou no mesmo momento. Não, ela não iria sair daquela casa por nada. Algo a impedia de pôr seus pés para fora ou até mesmo respirar - sua respiração era pesada e lenta. A garota sempre fora instintiva e algo lhe dizia para não sair de casa. Não hoje e talvez nem amanhã.

Se levantou por impulso, o sangue correndo por suas veias esquentando seu corpo, abriu a porta com violência sem querer, seu desespero para lhe dar um abraço era imenso e assim que trombou a tia no meio do caminho, a abraçou pelos pescoços com força quase que a sufocando. — Que saudade, que saudade… Quanto tempo! — Disse afobada, puxando as bochechas da tia para conferir se não estava sonhando, tocando seu rosto, apertando seu nariz entre os dedos e a apertando contra si novamente. — Eu não achei que sentiria tanto a sua falta! — Lauren disse com um sorriso terno nos lábios quando observou a expressão confusa da tia e gargalhou da expressão. Óbvio que ela não estava entendo nada, como estaria? Só Lauren sabia o que estava acontecendo naquele dia. Provavelmente ela não estava entendendo nada do que estava acontecendo e para ela, nada do que Lauren fez da primeira vez era memorável. Ela realmente não sabia. — Do que está falando, Lewis? — A semideusa a ignorou, a abraçando de lado novamente e deixando de lado o assunto, descendo as escadas em direção à cozinha. Era justamente sua intenção ali, mudar tudo o que tinha feito. Evitar decepções com a pessoa qual mais se importava.

Minutos mais tarde...

Ouviu passos se aproximarem do cômodo aonde estava, a cozinha, sua fome era imensa e estava comendo tudo o que via pela frente – até o que não gostava. — Tia, eu não vou hoje. Não estou me sentindo bem... — Recebeu um olhar repreensivo quando a viu se aproximar e tocar-lhe a testa para constatar que a jovem estava quente e parcialmente suada. Tudo o que estava acontecendo até agora, estava amedrontando Lauren. O que aconteceria se permanecesse dentro daquele imóvel? Qual seriam as consequências? — Céus Lauren! Você está pelando! — A tia proferiu preocupada e saiu do cômodo apenas para voltar minutos depois com um termômetro em mãos. Lauren ergueu o braço permitindo colocar o objeto entre a axila e confirmar o que já era óbvio. — Você vai passar o dia na cama, 39 graus de febre. Tudo o que tiver que tomar vai ficar separado na bancada da cozinha. Tenho que ir trabalhar, se cuide! — A tia disse depois de deixar um beijo casto na testa úmida de Lauren, deixando-a sozinha naquela manhã estranhamente incerta. Finalmente teria uma nova chance para dar orgulho a sua tia, sua mãe de coração e criação, seus sentimentos por aquela mulher era imensurável e se pudesse descreveria em palavras, em uma folha em branco. Mas não conseguia. Só sentia uma nova chance, sentia que poderia mudar, poderia ser diferente.

16h55. O mesmo horário do último fato. Sua tarde tediosa havia passado dolorosamente lenta e quando estava quase pegando no sono despertou ao ouvir o telefone tocar freneticamente. Levantou-se lentamente sentindo pequenas dores no corpo. — Alô? — Perguntou ao ouvir respirações pesadas do outro lado da linha quando atendeu ao telefone. — Lauren... Nunca se esqueça... De quem você é... Essa pessoa maravilhosa... Eu te amo, minha filha. — Ouviu a voz fraca da sua tia do outro lado. Seu olhar fixo na TV à sua frente enquanto escutava sua tia respirar a procura de ar desesperadamente, sua fala cortada por conta do sangue tossido que notavelmente começava a arranhar sua garganta. — Tia, por favor... Não! Não faz isso comigo. Não me deixa! Eu te amo, por favor... — Sua voz chorosa e manhosa, desesperada ao ouvir a última respiração da pessoa que mais protegia e amava naquela vida. Lauren deixou o telefone sem fio cair da sua mão, e seus joelhos foram de encontro ao chão coberto por carpete. Sentiu as mãos umedecerem e abaixou o olhar que encontrava-se imerso de lágrimas, podia ver borradamente um líquido vermelho encharcar suas mãos e naquele momento sabia que havia feito a pior decisão da sua vida. Seu choro era desesperado e dolorido, seu peito apertava a cada vez que procurava mais ar e força para chorar.

Mas não teria tempo para se lamentar sobre isso quando ouviu a porta da sala se arrebentar – não só a porta como toda a estrutura dela. Escutou passos mútuos apressados. Poderia notar uma respiração ofegante e pesada, uma presença forte atrás de si começando a deixá-la incomodada e um rugido forte fazer seus cabelos voarem bagunçados instantes depois. — Ah não! — Lauren proferiu irritada. Sua sede por luta percorrendo seu sistema sanguíneo a fazendo criar forças o suficiente para lutar com aquela animal. Um urso gigante e musculoso em sua frente, partindo para de si e dando-lhe uma patada no seu torso a fazendo bater contra a parede branca. Os quadros da família na parede caindo ao seu lado e o vidro quebrando-se em pedacinhos. “Resista Lauren...” A voz grossa ecoou em sua mente enquanto lamentava-se no chão. O monstro mágico partia para cima de si novamente, pegando-a pelo corpo com a boca. Os dentes afiados machucando sua pele, arranhando-a a cada passo que era dado pelo menos a fazendo escorregar da sua boca.

Lauren gemia de dor, sua roupa de corrida era totalmente rasgada e sua pele amostra. Fora novamente atacada longe pelo animal, dessa vez passando pela ilha da cozinha e parando atrás da mesma. Seu corpo sangrava e doía. Estava fraca tanto fisicamente quanto psicologicamente, não aguentaria lutar com aquele monstro gigante. — Filho da mãe! — Gritou nervosa e profundamente irritada ao perceber uma faca aguda e de um tamanho médio ao seu lado. Se levantou de pé rapidamente, correndo em passos rápidos e ágeis. Pulou sobre a bancada e depois de correr dois ou três passos, pulou sobre o monstro irritante, atingindo-o com a faca em seus olhos repetidamente. Uma luz branca tomou o cômodo, o monstro havia sumido e Lauren caiu no que parecia ser uma superfície desconhecida. Não fofa e muito menos dura, apenas parecida flutuar. Apagou como se dormisse, não sabia aonde estava e muito menos como estava.

Não importava o que fizesse, o que aconteceria consigo, a decisão que tomasse, Lauren não deveria ter mudado nada do que aconteceu. Seu destino naquele dia era enfrentar aqueles homens e havia fugido disso. Céus, como fora covarde. Teve a chance de mudar seu destino de tantas outras formas e novamente havia tomado a decisão errada.

×××

Por um momento, sentiu tudo ao seu redor mudar: o ambiente, o chão no qual estava agachada, o clima de onde estava e a luz. Tudo pareceu mais escuro e mais úmido. De repente seu cabelo estava completamente encharcado. Suas roupas grudavam em seu corpo e também encontravam-se molhadas. Lauren gemeu ao tentar levantar-se, seu corpo estava dolorido como se estivesse caído de uma altura de um prédio de 10 andares. “Como você é estúpida, Lewis...” Uma voz tomou seus pensamentos. Sentiu pingos em seu rosto e por um momento tentou levantar, podia sentir uma pequena presença começar a se formar em sua volta, olimpianos cochicharem seu nome. E, quando menos esperou, seu corpo fora pego por braços firmes, o cheiro do perfume que vinha do pescoço alheio não lhe era estranho. A figura da pessoa vinha em mente mas milagrosamente não conseguia se lembrar do nome ou sequer da onde o conhecia. A figura era morena e tinha um estilo alternativo, cheio de tatuagens e pôde notar o cabelo negro. Seus olhos mal se abriam por conta dos pingos de chuva que caíam sobre si, mas podia notar que estava em uma floresta, árvores cobriam deixando o ambiente escuro. — Quem... É... Você? — Perguntou pausadamente, sentia um líquido metálico sair por sua garganta ao tossir e abraçou o corpo alheio. — Agora não, Lauren… — Sua pergunta sendo notavelmente ignorada. Como aquele rapaz sabia que estaria ali? Ou havia apagado por tanto tempo que seu desaparecimento foi percebido? Tudo, exatamente tudo estava confuso na cabeça de Lauren. Sua mente confundindo passado com presente, presente com futuro e futuro com passado. Nada era coerente.

Ao abrir seus olhos totalmente percebeu estar em um local branco como a areia da praia. Vozes vinham ao fundo enquanto Lauren acordava aos poucos e se localizava, gemeu de dor tentando se mexer e seus olhos piscaram diversas vezes. Percebeu as vozes se calarem e um silêncio terrível se instalar no local, chamou um pouco da atenção por se mexer notavelmente. Sentia seu corpo ainda um pouco fraco e mal sabia o porquê de todo aquele pequeno drama. — Lauren? — Ouviu uma voz forte mas ao mesmo tempo doce e gentil a chamar e uma mão macia pegar a sua esquerda. Era a única voz que reconhecia naquele momento. A voz era uma mistura de tristeza e preocupação, ao mesmo tempo que demonstrava “raiva”. A voz da namorada, a voz que tanto gostava de ouvir e que pelo que parecia tão pouco tempo, a matou de saudades. — Laur...? — Lauren gemeu irritada ao ouvir a segunda voz, uma voz mais grossa, masculina. Ainda não reconhecia aquela voz, não reconhecia aquele rapaz mas sua energia a fazia estar de forma subconsciente conectada à ele, lhe dando a impressão de que o conhecia.

— Laur, eu não sei por onde começar... mas vou tentar começar pelo básico... — Uma loira tomou a frente pigarreando e rindo anasalado com um sorriso triste nos lábios, exitou por um tempo enquanto Lauren trocava olhares com todos os presentes ali. Estava extremamente confusa e sua cabeça latejava irritantemente. — Bom, vamos começar por: você sumiu por três dias e tem dormido por dois. Isso porque os fluídos da máquina do tempo haviam a prejudicado e incrivelmente a afetado de forma negativa, sugando toda a sua energia ao passar para o futuro novamente. — Seus olhos se fecharam automaticamente e um som agudo atingiu sua cabeça junto com as últimas imagens que tinha de sua tia. Todo aquele "passeio" que aparentemente havia feito, pareceu como se tivesse lutado por horas contra um monstro imortal. Novamente caiu no sono profundo.

15 horas depois...

— Katherine... — Murmurou ao acordar, seu corpo cansado sendo forçado a abrir os olhos e passando-os sobre o pequeno ambiente no qual ainda se encontrava de recuperação, encontrando alguma figura conhecida. Segundos mais tarde sentiu uma mão pegar a sua e sorriu fraco. — Você falou esse nome a noite inteira… — Ouviu sua melhor amiga dizer, Ariel, era a única que lembrava de conhecer. O seu rosto lhe trazia memórias boas e divertidas que faziam seu coração pular no peito. — É o nome da minha tia, Bae. — Disse ao lembrar-se do apelido carinhoso entre as duas. — Eu matei ela… quer dizer, o que eu tentei mudar a matou. — Seus olhos lagrimejaram ao lembrar do que havia feito e isso ainda era a única coisa que passava por sua mente nitidamente sem deixá-la confusa e com uma dor irritante na cabeça. — Se sente melhor? — Ariel a perguntou séria. Péssima hora para questioná-la sobre seu bem estar mental ou físico. — Como vou me sentir bem com o que fiz? — Questionou retoricamente virando o rosto para o lado contrário, não conseguia olhá-la. Não queria sair dali nunca mais. — Quem eram aquelas pessoas aqui ontem? — Lauren percebeu a boca da melhor amiga se fechar e abrir diversas vezes. Era notável que a semideusa prole de Ares teve consequência com o que havia feito. Uma delas: não se lembraria dos últimos 4 meses do acampamento e muito menos de quem havia conhecido durante. — Eu lembro dos seus rostos, tive sonhos confusos e constantes com eles, mas não lembro seus nomes. Nem o que são pra mim. — Desabafou e seu olhar desviou da melhor amiga para perceber a porta aberta logo atrás. As figuras ali presentes eram loira e morena, a garota loira tinha suas bochechas úmidas, sendo assim notável que estava chorando ao ouvir o que Lauren havia dito. O rapaz moreno encontrava-se intacto, talvez submerso em seus pensamentos e um pouco chateado. Se doía na demônio não lembrar deles, imagina em quem ainda mantinha sua sanidade intacta e todas as lembranças com Lauren.

— Sumi por três dias e apaguei por mais dois, foi isso? — Lauren perguntou um pouco exitante, quase uma semana e Ariel assentiu com a cabeça em positivo. Seus ferimentos feitos pelos dentes do monstro ainda ardiam um pouco e mal estavam curados. — Sim, se meteu em uma encrenca grande, hm? Como sempre. — Ariel disse com um sorriso divertido no rosto e Lauren apenas forçou um sorriso alegre. — Vai permanecer em observação por mim e pela Manu por um bom tempo. — A semideusa franziu o cenho, quem era Manu? Sua confusão presente no rosto a cada frase estranha que escutava desde que acabara de acordar. — Caso você não lembre, Manu é a minha namorada. — Lauren fez uma cara surpresa ao ouvir Ariel dizer aquilo e riu por poucos segundos, sentindo a barriga e o peito doer. Estar com Ariel era sempre motivo de risadas mesmo que o momento fosse trágico.
×××

Naquela mesma semana depois de toda a confusão a prole de Ares retomou seus treinos leves até que seu corpo estivesse cem por cento para finalmente voltar a fazer missões. Estava na arena basicamente treinando seu corpo enquanto um filme passava em sua cabeça. Passou a se reaproximar das pessoas que Ariel dizia serem amigas de Lauren e percebeu as memórias condizerem com todas as pessoas que voltaram a estar ao seu redor. Seus laços de amizade e confiança começaram do zero, dando-lhe confiabilidade e conforto para estar novamente no Acampamento. — E aí princeso, como está? — Ouviu Cameron dizer animado, soltando um riso anasalado logo depois, quando se sentou ao seu lado. Tudo parecia novo como se estivesse novamente chegando no Acampamento. — Bom, já faz uma semana, estou consideravelmente melhor. — Sentia-se segura ao lado de Cameron e agora entendia porquê era ele quem tinha de achá-la quando fora expelida de volta para o Acampamento. Passaram algum tempo conversando e Lauren finalmente contou tudo o que havia lhe acontecido para Cameron, observando-o assustado e surpreendido. Mas em todo esse tempo de recomeço, Lauren sentia falta de alguém que havia visto na primeira vez que tinha acordado na enfermaria. Uma morena alta, de cabelos negros e um corpo modelo qual necessitava. — Cam, conversamos depois, preciso me certificar de algo. — Disse ao se levantar e respirar fundo, deixando um beijo na bochecha do rapaz. Lauren podia sentir que finalmente havia amadurecido e que o passado, presente e futuro podem trazer ensinamentos valiosos e aprendizados que com certeza levaria até o dia de sua morte.

“End of the night, looking at me. What do you see? Wish I could read your mind...” No meio do caminho, Lauren trombou com quem esperava encontrar mais cedo ou mais tarde e seus lábios se abriram em um sorriso largo. Notou a prole de Afrodita ficar surpresa e riu anasalado. — Acha mesmo que eu iria esquecer de você? — Questionou retoricamente e recebeu um abraço desesperado de saudade, retribuindo com um pouco de mais força. Abraçar a namorada lhe dava uma sensação de alívio no peito ao mesmo tempo que sentia-se confortável. “Give me your warmth I've never know...” Mais um trecho do que parecia ser a sua música favorita, o ritmo soando perfeitamente na cabeça da semideusa. A prole de Ares deixou um beijo casto na testa da namorada e se afastou um pouco para olhá-la ternamente. — Me disseram que havia se esquecido de algumas coisas, então eu presumi o pior… — O olhar triste de Skylar abaixou encarando as mãos entrelaçadas e o coração da mais velha errou uma batida. Lauren acreditava que por algum motivo, todos os presentes que havia recebido de Skylar tinham a mantido consciente de que aquela mulher era sua namorada. — Eu estava com o anel e com o colar que você me deu. Como esqueceria? — Confessou e mostrou em seu dedo o anel mostrando que atualmente estavam namorando há duas semanas. Céus, quantas coisas haviam acontecido em tão pouco tempo com Lauren, mal sabia como havia mantinha sua sanidade intacta. — Que saudade… — Lauren murmurou próxima do ouvido da namorada e beijou a curva do seu pescoço, um ponto estratégico que tinham. Abraçando-a novamente de forma firme. Não esperava nunca mais perdê-la de seus braços e de certa forma, pensar sobre aquilo a deixava desesperada. Agradecia internamente por mais uma chance de estar ali presente, de ter ganhado uma segunda chance para consertar os erros do passado e viver um passo de cada vez para o futuro.

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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Ariel Sehn Kahlfels em Ter Jan 03, 2017 10:16 pm







they can read all about it

I wanna scream til the words dry out
You've got a heart as loud as lions so why let your voice be tamed. You've got the words to change a nation but you're biting your tongue. You've spent a lifetime stuck in silence afraid you'll say something wrong. If the truth has been forbidden, then we're breaking all the rules.
If no one ever hears it how we gonna learn your song? Maybe we're a little different, there's no need to be ashamed. You've got the light to fight the shadows, so stop hiding it away, come on. So put it in all of the papers, I'm not afraid
Boa parte do dia havia sido bem produtivo. Finalmente tinha encontrado Lauren, Hell e Cameron, podendo agradecê-los e aproveitar a presença deles. Porém, tinha passado a maior parte em companhia de Lauren, onde conversaram por um bom tempo. Ariel informou que agora namorava Emmanuelle, mas ninguém além delas estava sabendo. Ainda treinaram juntas e arrumaram algumas alas para ganhar pontos extras com o acampamento. Quando anoiteceu, cada uma fez o caminho para seu chalé, no intuito de descansarem a fadiga que haviam adquirido com o tempo de atividade realizada. Para Ariel, aquilo era importante, pois precisava começar a se movimentar para readaptar o corpo com uma rotina pesada e ter a força que sempre mostrara para si mesma.

Ariel se remexeu inquieta, inconsciente. Já havia caído em sono profundo, mas uma sensação estranha acompanhada de um formigamento na nuca não lhe deixava dormir por mais de dez minutos em sequência. A cama bagunçada era prova da dificuldade para dormir, algo que era inexplicável para a morena, que jamais havia sofrido uma inquietação tão grande para que pudesse completar o ciclo do seu sono. Quando um calafrio percorreu sua coluna, a filha de Hades levantou-se desajeitadamente, tonta demais para poder dar um passo ou seguir caminho para algum lugar. Então, apenas esperou alguns minutos com as pálpebras cerradas e os cílios batendo contra a pele abaixo dos olhos vez ou outra, quando estes tremiam involuntariamente. − Argh. − suspirou, sabendo que não conseguiria mais pregar os olhos, então levantou-se quando sentiu firmeza para sustentar o próprio corpo sem bambear, e seguiu para o templo. Uma estátua de Psiquê encontrava-se bem ao centro, com uma fonte d'água ao redor. O tom da água era exatamente o mesmo que a cor dos olhos da mentalista, e assim que pôs os pés no lugar, a pequena tatuagem em forma de borboleta azul reluziu, identificando o seu lar. A alguns dias tinha adotado uma preferência específica por estar ali, livre da presença de qualquer outro semideus. Não demorou para que se abaixasse, pondo-se de joelhos diante de sua soberana. − Olha sempre para o olhar salvador, tão contrito e delicado. Agradece a habilidade celestial de poderes te transformar... − com a voz roupa, proferiu a oração lascada na pedra que sustentava a estátua que já havia memorizado em um latim perfeito. − Põe-te a serviço dela, donzela, mãe, rainha, todos os teus sentidos. Ó Deuses, tende piedade. − terminou em um sussurro, rouca demais para que a voz soasse mais alto que aquele tom. Outro calafrio lhe percorrera a coluna assim que os lábios grossos e desnudos de qualquer tom que não fosse o da própria boca, e tão quanto fora o estado de sonolência que lhe atingira fortemente, da mesma forma, a morena levantou-se e caminhou. Mas, diferente do esperado, sua caminhada era em sentido contrário para o dormitório. Ia para fora do chalé, os pés descalços encontrando a grama fresca logo em frente, bem onde o U das pequenas cabanas que eram os outros chalés se encontravam, desviando o caminho para a floresta. Vozes chamavam seu nome a cada novo passo que dava, como se servissem de alerta para o caminho que deveria seguir. Ariel não estava acordada, nem dormindo e nem tinha problemas com sonambulismo. Nada explicaria sua situação, tal como a força que lhe empurrava para aquele lado, lado no qual nem ela mesma já havia pisado desde a sua chegada ao acampamento.

Uma luz esbranquiçada fosca atraía os olhos praticamente fechados da morena, que continuava seguindo como se estivesse bem e nada daquilo estivesse acontecendo, até que uma aura misteriosa parecia lhe envolver conforme se aproximava. Nada mais era que o banho de luz de um portal encontrado entre duas árvores, que parecia lhe atrair. Não tinha como resistir ao chamado, nem estar ciente de que era um ela estava, afinal. Então, quando ultrapassou o espaço entre as árvores e desapareceu da madrugada atordoante daquele dia, tudo o que a prole do deus da morte sentiu, foi o corpo sendo sugado para um lugar que jamais pensaria em estar uma segunda vez.  


6 anos antes, new york, berkelen street, ed. felicity jones, 995, passado
O prédio inteiro pegava fogo. A multidão começava a se formar em torno da avenida, e os primeiros gritos por ajuda saíam desesperados e alarmantes. Haviam crianças nos apartamentos, adultos que tentavam fazer alguma coisa para tirá-los de dentro. Animais de estimação assustados, esperando por uma providência de seus portadores. − Olhem aquela fumaça! Uau! − quando a voz esganiçada de Brooke chegou aos ouvidos de Ariel, por trás do balcão de atendimento do Liv Coffee's, ela se obrigou a seguir o olhar de todos que estavam dentro do estabelecimento. − Parece ser um incêndio. − a loira repetiu, e arregalou os olhos quando conseguiu enxergar a correria. − Ariel, você mora a duas quadras daqui, certo? Se eu não estiver errada, a nuvem de fumaça parece estar vindo de lá ou de algum lugar muito próximo. − saindo dali de trás, a maior se aproximou, visando o espectro se formando no ar, com algumas fagulhas da chama dando sinal de onde tudo acontecia. E por um infortúnio, Brooke tinha razão. − Eu vou lá! − já tinha tirado o avental branco com finas linhas em azul escuro, jogando-o em qualquer lugar do ambiente de trabalho. − É perigoso, vol... − Brooke já não podia tentar alertá-la, pois a porta envidraçada se fechava com força contra o batente, e tudo o que fez, foi olhar a silhueta de Ariel se afastando mais e mais.

Quando alcançou a rua, já não sentia os pés por completo. Latejavam e alguns pingos de suor cobriam sua face, como outras partições do corpo esguio. A respiração ofegante não impedia Ariel de começar a a ultrapassar os corpos, depois de perceber que se tratava do prédio em que morava com a mãe. Do décimo sétimo andar, nada mais do que chamas e vidro eram vistas escapulindo pela passagem que um dia já tinha sido uma janela, fazendo com que o coração da menina de apenas quinze anos bater pesadamente. Mas, nem tudo era desespero, pois podia ver que alguns residentes do prédio já estavam no térreo, saindo pela porta principal que ainda permanecia intacta. Faltava pouco tempo para que o fogo avançasse e chegasse ali, tal como alguns andares onde se era possível vislumbrar que as chamas também não tinham domado ainda. Começou a procurar por Esther enquanto passava pelas pessoas, não encontrando a mãe em nenhum lugar ali da frente. Já começava a se sentir atordoada, apesar de que algo em si sabia muito bem o que estava acontecendo. − Ernest, onde está minha mãe? − questionou ao jovem nerd do andar anterior no qual residia. Sempre recebia as piores cantadas dele, e se forçava a acreditar que teria uma informação valiosa dessa vez. Mas, o olhar morto nos olhos de Ernest e os lábios comprimindo-se desajeitadamente fizeram uma sensação de torpor lhe fermentar as veias. Ele apenas negou com a cabeça, e apontou para dentro do prédio, e teve que lidar com Ariel correndo para dentro sem pensar duas vezes, ultrapassando a barreira de policiais e bombeiros que estavam no local. Suas pernas longas alavancavam o corpo esguio escada a cima, desviando de pequenos pedaços de móveis que começavam a despencar drasticamente, e sem que sentisse o ar lhe escapar a cada novo degrau que pulava, subiu os dezessete andares sem notar a forma em como seu corpo desviava das coisas e as sombras das chamas próximas pareciam lhe proteger de queimaduras. A porta trancada não demorou para ser aberta com um chute violento, com Ariel passando para dentro do cômodo que um dia havia sido sua moradia.

O teto desabava de pouco em pouco, os estofados já não serviam para nada tal como os demais apetrechos espalhados pelo apartamento. Uma tosse seca unida a um gemido baixo chamou-lhe a atenção para com o som, seguindo o caminho tendo que desviar do que caía em sua direção. Um pedaço do teto caiu bem ao tempo em que a morena entrava no quarto, impedindo a passagem de volta. − Mãe? − chamou, vendo-a caída no chão, praticamente desacordada. Os olhos azuis da mulher de meia idade que não aparentava ser muito mais velha que a filha viraram-se para a figura reluzente de uma Ariel desfocada e com uma aura ofuscante ao seu redor. Um bidente aceso no topo de sua cabeça não era escondido pela névoa, não para ela que tinha meio sangue olimpiano, mas que jamais havia tido sua proclamação. Um sorriso pequeno e fraco surgiu nos lábios rachados e acinzentados pela poeira do incêndio, fazendo a mais nova se sentir confusa com o que via. − Ariel... Filha... − tossiu outra vez, um bolo de sangue sendo posto pra fora no mesmo instante. Ariel travou, compenetrada na cena de sua mãe desvanecendo diante de seus olhos. Pegou o celular no bolso, e a falta de sinal fez com que a garota o jogasse contra a parede incendiada mais próxima. Não tinha muito tempo. − Saia. − Esther pediu, fraca. Já estava começando a sentir o corpo gelar, a vida lhe abandonando em um estágio avançado. − Não fale, poupe suas forças. Já inalou muita fumaça, eu preciso tirá-la daqui. − ordenou, a voz alguns tons mais graves enquanto tentava pensar numa maneira rápida de seguir com a mãe pelo mesmo caminho que tinha vindo. − Não perca tempo comigo, Ariel! − ainda que em um tom baixo, a mulher vociferou brava com a teimosia da filha. Sem mais o que fazer para esticar aquele momento, Ariel agachou-se perante Esther, passando um braço ao seu redor. Fumaça entrava por seu nariz e boca, mas ela não se importava. Nada mais tinha a sua atenção, nem mesmo os pulmões que começavam a queimar pela química forte que inalava em forma de poeira, apenas o fato de que tinha de tirar sua mãe dali de dentro.

Esther remexeu-se desconfortável, não tinha inalado muita química, apenas a poeira do material utilizado na construção do prédio, tendo que se subestimar até conseguir rasgar um pedaço da própria camisa e cobrir o nariz e boca. Ariel não se preocupou com isso, enquanto sustentava o corpo da mulher com um braço e colocava o outro ao redor do próprio pescoço para que Esther tivesse algum apoio. − Eu não consigo andar... – Ariel ouvia as próprias batidas do coração, ainda estavam um pouco distantes, mas ainda sim eram escutadas nitidamente por cima da voz de sua mãe. Assolou o corpo mais para a direita quando uma explosão vinda da cozinha fez um estrondo alto ecoar pelo apartamento. Um jato de água forte atravessou a janela, derrubando as duas em lugares diferentes. Os bombeiros tentavam controlar as chamas ali, já que Ernest havia alertado que a morena tinha corrido para dentro do prédio. Alguns outros começavam a subir as escadas em uma fileira organizada, puxando uma segunda mangueira para abrandar o fogo lá dentro, mas estava começando a ficar difícil de ver alguma coisa. Alguns estilhaços de vidro vieram em suas direções não muito em seguida, com mais uma explosão vinda da cozinha. O gás acabava de começar a vazar, e não demoraria muito para que o apartamento explodisse junto com tudo o que estava dentro, causando mais um desfalque ao prédio, que poderia cair a qualquer momento. Ariel sentia os braços arderem nos lugares onde pequenos cacos de vidro lhe cortaram, alguns fincados em sua pele, outros tendo rasgado boa parte de sua blusa e algumas partes da calça jeans grossa. Um corte surgiu no supercílio, ardendo veemente enquanto ela se erguia outra vez, teimosa demais para deixar sua mãe para trás. A vista turva ainda não era um problema, apesar da tontura que começava a tirar sua atenção da órbita do apartamento, seguindo até a mãe aos tropeços. Culpa daquilo vinha pela ligeira inalação química e da poeira que corria solta de um lado para o outro, intoxicando o interior da morena. − Se proteja, cubra o nariz e a boca! – Esther choramingou baixinho ao olhar para a filha teimosa, que não fazia questão de se proteger apenas para lhe tirar do perigo. Não queria ser salva, já não acreditava mais em vida após tanta desgraçada dentro do prédio enquanto fora dele George chegava, desesperado com a notícia de que a filha e a neta estavam presas dentro do apartamento que tinha lhes presenteado alguns anos antes de partirem de Vancouver. Diferente da neta, ele aguardou ao lado de fora, o coração disparado no peito velho e derrotado pelo cansaço de um dia de serviço. Ernest tinha os olhos cheios de água, pois sabia que todos já estavam fora do prédio, com exceção de Esther e Ariel. Apreensivo, ele e o restante dos habitantes esperavam pelo momento em que elas saíssem pela porta, escoltadas pela equipe de bombeiros, mas nada acontecia.

De volta lá dentro, Ariel cambaleou até um pedaço do teto caído no meio do que antes era a sala, o concreto amolecido pela combustão dos móveis lhe eram mais um agravante para se inspirar. Um filete de sangue escapava por seu nariz, e quando viu sua mãe se levantar ao se segurar com força em um pedaço de caibo firme vindo do teto, seus olhos se arregalaram. Aquele não poderia ser... Esther gritou, sendo jogada um pouco para frente. O choque havia fritado seu sistema racional, e desacordada, a mulher colidiu contra o concreto no centro da sala bem à frente da filha. Ariel sentiu o coração parar ao ver sangue escorrendo dos ouvidos e nariz da mãe, apressando-se para sair de onde estava e passar os braços da mulher diante dos ombros. Mas antes que se movesse, outro jato de água passou raspando por seus cabelos, lavando-as como um banho em queda d’água. Um bombeiro apareceu na porta, gritando para que elas se segurassem, enquanto outro pedaço do teto desabava, prestes a puxar o décimo oitavo andar para baixo, e apressar a queda do prédio. Olhou para o lado, por cima do ombro, vendo mais sangue escorrer por seu ombro, sangue de sua mãe. A equipe logo apareceu atrás, quatro homens se aventurando de uma vez para dentro do apartamento, puxando a mangueira de qualquer jeito para que a boca espichasse água para onde pudesse alcançar. No momento exato em que braços fortes circularam seu corpo e o peso de sua mãe já não fosse um incômodo nas costas, uma luz branca ofuscou seus olhos, e quando os fechou, sentiu uma sensação estranha de que estava caindo.



12 anos depois, new york, Moravian Cemetery, 2205 Richmond Rd, Staten Island, futuro
Uma figura esbelta e alta vestia um vestido negro que ia até um pouco abaixo de seus joelhos. Um chapéu também preto cobria seu rosto ao possuir um véu grosso que escondia sua expressão fúnebre diante do túmulo. Seus dedos trêmulos seguravam um buquê de rosas brancas que combinavam perfeitamente com o tom de pele arruinado a doze anos atrás pelo incêndio protagonizado no prédio onde residia. Os cabelos cor de cobre não apareciam, presos debaixo daquele chapéu pelo motivo de que já não tinham mais o mesmo brilho de antigamente. A pele fina possuía marcas daquele fatídico dia, e olhando de onde estava, Ariel parecia estar se vendo em um filme com longa produzido por uma equipe hollywoodiana. Era dois de novembro, dia de prestar homenagem aos mortos, e se perguntava por que estava ali, até lembrar-se do motivo real. Chegou mais perto, caminhando lentamente, as emoções compostas até o momento. A silhueta negra abaixou-se perante o túmulo, a mão magra deslizou sobre a lápide negra de granito, era a mais bonita dali. Os ombros encurvaram-se repentinamente, e a morena caiu em um choro amargo, e de onde estava, sentiu a angústia daquelas lágrimas. A dor, a culpa... E logo viu o próprio avô se aproximar numa cadeira de rodas de onde estava naquela cena, naquele vestido que não combinava com o seu corpo por mais que estivesse bonita nele e confortá-la ao segurar a mão descansando no granito. O túmulo de sua mãe era lustroso, muita gente ao redor fazendo movimentos semelhantes, mas disparavam olhares discretos para onde eles estavam, penalizados com a cena. Dando mais alguns passos para perto, parou quando viu o avô sussurrar algumas palavras, e logo olhar para frente, bem para onde estava parada. Por um momento, ele pareceu ter lhe visto, pois o tom azul claro de seus olhos pareceram adquirir uma luminosidade que não existia a segundos atrás. Vagarosamente ergueu uma mão, para saber se ele a veria, mas o homem negou com a cabeça e afastou o olhar novamente. Viu quando ele usou o polegar para coletar um par de lágrimas, enxugando no terno elegante que adornava sua silhueta. Ali, teve certeza de que se via ao lado do homem em um tipo de vislumbre ou dejavu, não saberia explicar ao certo.  

Cansou de ficar ao longe, olhando para onde as coisas aconteciam, sem entender nada. Queria ver melhor e passar a absorver as coisas, mas antes de dar o primeiro passo, viu uma das primas ultrapassar o próprio corpo que se desformou ligeiramente, como se fosse fumaça. Logo seguiu com ela, que chorava silenciosamente. Ariel tentou lhe perguntar algo, mas sua voz não parecia alcançar o mesmo plano que a menina mais baixa de treze anos. Lembrava-se dela enquanto ainda era um bebê, mas reconhecia o rosto simétrico e os inconfundíveis olhos verdes sempre alegres. Quando chegaram mais perto, George lhe direcionou pequenas palavras, pedindo para que a pequena se aproximasse, mas ela se negou. Não queria ter de ver mais de perto o que seus olhos queiram negar a algum tempo, desde que tinha aprendido o que era morte, e seu significado para com os mortos. Ela queria que a mulher que não passava mais de um monte de ossos dentro daquela lápide se erguesse e lhe cuidasse como sempre fazia, o que não iria acontecer. A criança irrompeu num choro silencioso, e Ariel sentiu a tristeza que lhe abatia. Subiu os olhos, bem quando o chapéu de seu próprio corpo destapou a visão da data de nascimento e de óbito lapidadas no granito. A própria agonia fez o peito da semideusa doer ao notar de que a mulher que havia salvo não tinha durado mais de seis anos. Naquele instante, poderia ver como o tempo era injusto ao lhe mostrar o destino final da única mulher que tivera um papel importante em sua vida. A única pessoa com quem realmente contou e dividiu uma vida nada banal, que lhe dera tudo o que uma criança poderia querer, mesmo que não tivesse dinheiro o suficiente para lhe passar tantas coisas. Agora, se vendo naquele instante, abaixada sobre a lápide da mãe em trajes finos, soube que levava uma vida fluente e ocupada. Certamente para lhe ocupar a mente do que era óbvio e evitar de pensar na morte que poderia ter evitado. Imaginar que seus esforços não tinham valido apena no fim era algo desestimulante, e Ariel sentiu como se um buraco tivesse sido aberto logo abaixo de seu corpo, começando a sugar suas energias. Seus ombros caíram e ela suspirou pesadamente no lugar, colocando as mãos dentro dos bolsos da calça. − Era de se esp... – antes que concluísse a frase, seu corpo ergueu-se da lápide após deixar o buquê de rosas brancas como homenagem prestadas, e o choque ocupou a face da Ariel espectadora no exato momento em que o chapéu deixou a cabeça e no lugar do tom de cobre envelhecido, madeixas brancas encontravam-se expostas e presas em um coque formal muito elegante. A mão desnuda de uma luva de cetim logo fora coberta, e um lenço dobrado fora oferecido por George, para que a mulher tossisse e manchasse o branco leitoso com um vermelho escuro. O homem suspirou, e Ariel se deparou com sua mãe com lágrimas escorrendo dos olhos claros transparentes pelo choro, a postura muito refinada para demonstrar mais sofrimento do que aquilo.

Seus olhos desviaram para a lápide, e quando viu a própria foto ali, tudo pareceu sumir de repente. Não estava se vendo ao lado do avô. Não era o seu corpo bonito demais num vestido daquele. Não era o seu choro. Sua mãe estava viva, seu esforço tinha valido a pena, mas... Não tinha durado para contar a história. Agora, daquele ponto de vista, podia rememorar os avisos de sua mãe para que protegesse o rosto da fuligem e da poeira química espessa que nublava o apartamento no dia do incêndio. Paralisada, contemplou o momento em que todos passavam por seu corpo, fazendo-a se dissipar outra vez, e não formar-se novamente.

Ao escolher salvar sua mãe, alterou o próprio destino, sucumbindo à morte no lugar dela.



6 anos antes, acampamento meio-sangue, presente
Piscando várias vezes, a morena abriu os olhos, atordoada o suficiente para se levantar em um pulo. − Ariel? Calma, não se mova tanto! – Lauren sibilava, preocupação estampada em seus olhos. Ariel tinha lágrimas nos olhos, era um movimento involuntário que não tinha passado percebido pela filha de Hades. Ao perceber que ainda era tarde e que a melhor amiga vestia um colete de escalada e braceletes de proteção, piscou mais algumas vezes até se recuperar do baque. − Está tudo bem? Você caiu lá de cima, pareceu que bateu a cabeça. – só por precaução, Hill levantou a cabeça dela e deu uma verificada. Nada parecia estar errado com Ariel. − Eu estou bem. – comentou, quando a voz parecia ter se estabilizado. − A quanto tempo estamos aqui? – perguntou, batendo as mãos contra o jeans escuro, notando que eram observadas por alguns campistas. Todos desviaram suas atenções ao notar que ela estava bem. − Eu... Nós saímos...? – para Lauren, ela parecia confusa demais, e talvez fosse melhor leva-la para uma das tendas dos filhos de Apolo para que verificassem de uma forma mais profunda. − Eu não estou entendendo muita coisa, mas não saímos daqui. Saímos dos estábulos, depois de uma volta com os pégasos. Você e Emmanuelle passaram um bom tempo por lá, após isso viemos para cá, mesmo comigo dizendo para você descansar um pouco, decidimos treinar um pouco de escalada. Você subiu primeiro, é maior, então tomou vantagem... Mas de repente caiu e passou um minuto desacordada. – explicou pausadamente, ainda checando se estava tudo bem em sua forma discreta. Nada fazia muito sentido ainda, pois as cenas em sua mente pareciam reais demais para que algo fosse apenas um sonho ou ilusão. Em um minuto tinha visto o próprio destino mudar, ao alterar uma ação no dia em que vira a mãe morta em um incêndio. No lugar de salvá-la, tinha descido para chamar a ajuda de bombeiros, mas o teto desabou por cima do corpo já sem vida de Esther, e quando chegou, já era tarde. Mas, naquele sonho tinha decidido ajudar a mãe, e acabou por inalar química demais. Aquilo, com certeza lhe fez sucumbir a mercê de alguma doença respiratória e cardíaca, durando apenas seis anos a mais. O tempo exato em que tinha sido reclamada e entrado pela primeira vez em solo mágico, encontrando o acampamento, mas desviando do caminho para mais tarde reencontrá-lo.

Olhou bem para a filha de Ares, e percebeu que talvez, se tivesse feito aquilo, jamais tivesse a conhecido. Ou Manu, ou Hell, ou qualquer um dos amigos. Tudo, por causa de uma ação tomada de forma diferente. Não teria sobrevivido para dar segmento a própria geração, nem mesmo para apreciar qualquer que fosse a paisagem frente de seus olhos. Não teria vivido para ver o mundo evoluir e os homens, vagarosamente, perderem lugar para a tecnologia que era sua própria criação. Não veria as crianças nascerem praticamente sabendo de tudo, não teria o prazer de contemplar o rosto de um filho ou filha que pudesse chamar de seu ou sua, jamais se casaria, jamais teria algum relacionamento que já não tivesse sido vivenciado. Não veria Brooke ou Ruby, nem Max ou Francis no Liv Coffee’s. Não veria o próprio reflexo nem o nascer ou pôr-do-sol. Não passaria de ossos dentro de um bloco de granito bonito e que de nada serviria. − Está bom por hoje. Desculpe. – se moveu, não dando tempo para Lauren lhe responder, e um pouco tonta, correu de volta para o chalé ignorando os chamados. Quando chegou no U com todas as pequenas cabanas que não eram exatamente pequenas em seu interior, Ariel fora diretamente para o que pertenciam aos mentalistas de Pisquê. Assim que fechou a porta, deslizou com as costas nela, e irrompeu em um choro desesperado. Soluçava com força, o rosto abaixado sobre os ombros enquanto estava encurvada. Queria distância do que dizia respeito a morte naquele momento, queria esquecer de quem era filha, ao mundo que pertencia e a tudo em que estava envolvida. Tudo aquilo somava um peso nos ombros da semideusa, que não queria ter de ver a cena de sua mãe praticamente partida ao meio estar viva, e acabar por conseguir lhe salvar, mas saber que isto causaria na própria morte, e que tal coisa acabaria não só com a vida de Esther, mas também de George e de todos a quem tinha algum vínculo forte. Passou bons minutos ali, chorando, pondo tudo para fora.

Quando conseguiu levantar, tomou um banho demorado e livrou-se de tudo. Da mágoa, da tristeza, angústia.... Mas não da dor. Tinha esfregado os braços com tanta força que era possível enxergar claramente os cortes pelas unhas grandes e pontudas que haviam rasgado a própria pele. Com nojo. Sentia-se tão pequena, cansada... Se deitou, sentindo-se exausta, e tentou dormir ao fechar os olhos e se manter livre de qualquer pensamento por dez minutos. Mas, isso não deu certo. Inquieta, começou a se remexer de um lado para o outro. Trocou o lado no qual estava deitada, mexendo no travesseiro para ajeitá-lo e quem sabe, dormir um pouco. Naquela noite ela não pregaria os olhos por nem um segundo, e não saberia dizer quando conseguiria dormir outra vez. Em sua mente, um chamado que já havia se tornado familiar fora feito, e sabia que em menos tempo do que poderia, estaria em paz. Então, quando o consentimento lhe foi dado, se projetou entre as sombras do dormitório, se transportando até o lado da única pessoa que seria capaz de mantê-la firme no presente, sem nenhuma vontade de mudar o passado e sem manter expectativas para o futuro onde ninguém controlava:

Emmanuelle.

A filha de Poseidon não questionou o que havia de errado com sua namorada. Envolveu-lhe em seus braços, apertando-a rente ao peito de forma protetora. Estavam deitadas em uma rede montada um pouco distante do acampamento que as caçadoras haviam levantado, para terem mais privacidade naquele momento de sensibilidade para Ariel. Sabia que algo extremamente poderoso lhe tirava a atenção, e fez a única coisa que Ariel realmente dava valor. Cuidou dela até que a verdadeira paz acalmasse o coração e a mente sombrios da mulher.




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Finalmente rico: Durante um mês OFF todo os dracmas ganhos pelo semideus serão duplicados. (Valido até 30/01/2017)


Última edição por Ariel Sehn Kahlfels em Dom Jan 08, 2017 9:29 pm, editado 2 vez(es)














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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Beau G. Edmond em Sab Jan 07, 2017 5:10 pm



Because of you, i never stray too far from the sidewalk. Because of you, i learned to play on the safe side. So I don't get hurt
I'm saving me ? +18


O cansaço tomava conta do meu corpo no fim daquela comemoração de ano novo. Muitos campistas continuavam na fogueira, animados. Como havia interagido com poucos e estava sozinho naquele momento, o corpo que pedia cama falou mais alto do que a vontade de conhecer outras pessoas. Adentrei a floresta em direção ao chalé das Hespérides.

Mal entrei e já fui tirando toda a roupa que usava. Jogando a camisa na escadaria que descia até chegar a parte interna do chalé. A calça em cima do sofá da sala de convivência próxima ao jardim. E por fim, a cueca e sapatos no pé da cama. O lado positivo em ser o único guardião até então, era poder andar e ficar como bem entendesse ali. Joguei-me na cama coberta por lençóis esverdeados e apaguei em poucos minutos.



“Beau. Beau. Beau.”

Aquele chamado ecoava sem parar em minha mente. Eu me mexia de um lado para o outro até que finalmente abri os olhos. Não sabia que horas eram. O suor escorria por todo o meu corpo, era como se estivesse dentro de uma sauna. Levantei-me na mesma hora, sem entender o que estava acontecendo. A voz continuava a me chamar incansavelmente. Caminhei quase que em transe para fora do cômodo. Sabia exatamente de onde vinha aquele chamado.

Saí do chalé sem nem me importar com a nudez total. A floresta precisava de mim e eu ia atender o seu chamado. Esse era um dos papeis dos guardiões, afinal. Por isso que nosso chalé encontrava-se no meio dela, para proteger a natureza local.

As vozes das árvores iam se intensificado a cada passo que dava. O caminhar por entre a vegetação não durou muito, logo dei de cara com uma forte luz azulada que pairava entre um arbusto e outro. Aproximei o mais devagar possível. Era como se houvesse um imã dentro daquela luz que me atraía de uma forma inexplicável. Estiquei o braço até tocar na luz com a ponta do dedo indicador. Aquele toque foi o suficiente para ser devorado pelo brilho daquele portal.

p a s t.

O ambiente mudou completamente. Eu continuava em uma floresta, mas não mais a do acampamento. Chovia muito forte naquela noite. Como eu tinha ido parar ali? Não sei. Mas aquele lugar não me era estranho. Comecei a andar em direção a saída da vegetação. De alguma forma, eu sabia como me virar ali dentro.

Parei assustado ao chegar ao fim da floresta e avistar uma casa grande e com portas amadeiradas. Arregalei os olhos na mesma hora. Meu coração disparou. Eu estava de frente ao orfanato em que fui criado. Por isso aquela floresta me era tão familiar, brinquei durante muito tempo ali.

Ao longe, uma forma se aproximava da porta de entrada. Lágrimas se misturaram com a água da chuva que escorriam sobre meu corpo. Reconheci aquela cena na mesma hora. Ou melhor, reconheci o cesto que a pessoa carregava. O cesto que foi deixado no orfanato com um bebê dentro.Essa história foi contada por décadas, até utilizaram o tal objeto como decoração em uma área do lugar. Meu corpo congelou, eu não conseguia me mexer, apenas observar a cena de longe enquanto me debulhava em lágrimas.

A mulher coberta por um sobretudo encapuzado se aproximou da luz de entrada do orfanato e deixou o cesto com o bebê em frente a porta. Ela já estava indo tocar a campainha quando, em um impulso, corri em sua direção gritando.

— NÃO FAÇA ISSO!

A mulher se assustou, recuando e deixando seu capuz cair. Revelando as belas feições e cabelos negros ondulados. Seus olhos eram iguais aos meus, levei um choque quando avistei. Então aquela era a mulher que me pôs ao mundo. A mulher que me abandonou. A mulher cuja face era desconhecida. Minha mãe.

Em seu rosto havia uma expressão de medo enorme. Não sei se por causa do meu aparecimento repentino ou por causa da minha nudez, que eu nem me importava naquele momento. Mas quando lembrei, tratei de tentar tampar meus órgãos com as duas mãos.

— Não faça isso — Falei de uma forma mais calma — Essa criança vai sofrer. Ninguém vai querer adotá-la. Os outros deste lugar irão rir dele. E ele nunca vai saber o que é o amor.

— Como você sabe? — Lágrimas escorriam sem parar dos olhos dela.

— Porque... — Eu podia falar? Eu queria. Mas era como se uma bola impedisse de contar que seu filho estava ali em pé, parado — Eu também sou órfão. Eu também fui abandonado. E sei como é isso.

A mulher caiu em prantos, ajoelhando-se e levando as mãos ao rosto. Direcionei meu olhar para a minha versão mais nova. Eu já não tinha mais lágrimas para que caíssem. A mulher então limpou seu rosto e falou com uma voz chorosa para mim.

— Mas você não entende. Se ele ficar comigo, ele vai sofrer. Eu não sou uma boa pessoa. Eu não tenho lar, eu... Ele vai ter vergonha de mim.

Ajoelhei-me em frente a ela e segurei suas mãos, tentando falar da forma mais amorosa possível para acalmá-la.

— Não tem dor maior para um filho, do que estar longe de sua mãe — Falei enquanto olhava em seus olhos marejados — Dê uma chance.

A mulher ficou um tempo encarando o bebê até que se levantou e assentiu com a cabeça. Mas antes de pegar o cesto com o bebê de volta, ela retirou o sobretudo que usava e colocou-o me mim, finalizando com um beijo em minha testa. Uma completamente maternal.

— Você precisa disso mais do que eu.

Ela então pegou o cesto com o bebê e saiu correndo em meio à chuva, até desaparecer na escuridão. O que eu tinha acabado de fazer? Seria o correto? O medo bateu em mim de uma forma inexplicável. Mas a sensação de finalmente poder ter visto o rosto de minha mãe, era incrível.
Não tive como aproveitar aquele misto de sentimentos, pois, antes que eu pudesse respirar, senti como se tivesse sido fisgado por um anzol. Sendo coberto pela mesma luz forte logo em seguida.

f u t u r e.

Desta vez eu estava em uma espécie de quarto cheio de lixo. Pôsteres de homens na parede fazia parte da decoração juntamente com metade de um espelho quebrado e dois colchões sujos no chão. Em um deles, uma mulher mais velha tossia constantemente. Olhei para o seu rosto e reconheci na mesma hora a morena que abara de encontrar em frente ao orfanato, só que com mais rugas que antes.

— Filho... Vá, não se preocupe comigo. Aproveite... Cof cof... Aproveite que está sem movimento para ir.

Eu não sabia o que dizer. A verdade é que não entendia o que ela estava dizendo. Apenas ajoelhei-me ao seu lado e segurei sua mão. Era visível que ela não estava bem. Eu posso não ter convivido muito tempo com ela, mas doía ver minha mãe naquele estado. Já estava abrindo a boca para perguntar o que tinha que faze,r quando a voz masculina eccou pelo corredor fora do quarto.

— BEAU, TEM CLIENTE ESPERANDO JÁ.

— Fuja! Fuja! — Era o que ela dizia.

O homem gordo com bigodes grossos apareceu na porta coçando o saco. Um sorriso amarelo e sacana apareceu em seus lábios ao me ver ajoelhado e despido, apenas com o sobretudo cobrindo partes de meu corpo.

— Minha putinha já está pronta? É assim que papai gosta — ele avançou em minha direção — Vamos, seu macho de hoje já está lhe esperando. Trate de fazer direito desta vez, não vou mais perder cliente por Furico doce seu, entendeu?

Eu apenas fiquei boquiaberto quando entendi o que se passava ali. Então por isso que ela me doou. Ela era prostituta. Morava em um puteiro e por isso não me queria ali. Acabei me tornando outra ovelha para aquele lobo.

— O que foi? O gato comeu sua língua viado? Levanta! — Ele segurou em meu braço e me puxou com força, me fazendo ficar em pé na mesma hora — Esse rabinho ta limpo? –— Perguntou ao passar a mão em um lado de minhas nádegas.

Um arrepio percorreu todo o meu corpo, mas não de prazer. E sim, de nojo. Um reflexo automático de sua ação me fez desferir um soco em sua face, fazendo-o cambalear para trás.

— NÃO! — Minha mãe gritou numa tentativa de se levantar da cama.

— Como é seu filho de uma Diva?

Eu podia jurar que o chão começou a tremer quando ele avançou para cima de mim. Mas acho que era apenas meu psicológico por causa de seu tamanho. Ele tentou dar um soco com sua mão esquerda, mas eu era mais rápido e mais elástico que ele. Consegui me abaixar para desviar e desferir outros socos seguidos em sua grande barriga, jogando-o para trás novamente.

— Filho da Diva!!

Ele urrou aquele xingamento mais uma vez. Meteu a mão em sua calça e retirou uma arma mediana de lá. Não tive tempo nem segurar em sua mão antes da bala sair. O desgraçado atirou em cheio o peito da senhora que chorava sem parar no canto da cama. Ouvir o grito de dor dela, foi o mesmo que ter recebido o tiro. Eu tinha que protegê-la, era o meu papel. Eu falhei.

A raiva tomou conta do meu corpo e em um movimento rápido, avancei para cima da bola de banha. Um brilho vermelho intenso tomou conta de meu corpo, ofuscando a visão do mortal. Ele soltou a arma e levou aos olhos em meio a gritos. Na mesma hora, peguei o revólver no chão e sem pena, atirei três vezes em locais distintos do grande corpo dele.

Minha mão tremeu, nunca tinha feito aquilo antes. Fiquei um tempo paralisado, até que a arma caísse devagar de minha mão frouxa. Virei o rosto na direção da mulher deitada em meio a sangue com os olhos abertos. Aproximei-me ainda em estado de choque e abaixei suas pálpebras.

Observei-a em silencio até cair em prantos. As lágrimas caiam sem parar. O soluço veio na hora que comecei a falar em forma confusa.

— Mãe! Me... Me perdoa! Foi tudo culpa minha! — Fechei os olhos com força — Eu não devia ter feito aquilo. Eu não deveria ter te conhecido. Mãe... — Eu não sabia mais o que falar. O choro aumentava proporcionalmente a culpa que sentia — ME PERDOA! — O grito saiu junto com uma explosão de emoções antes de ser envolvido pela luz forte mais uma vez.



“Beau. Beau. Beau.”

Aquele chamado ecoava sem parar em minha mente. Eu me mexia de um lado para o outro até que finalmente abri os olhos. Não sabia que horas eram. O suor escorria por todo o meu corpo, era como se estivesse dentro de uma sauna.

O que tinha acabado de acontecer? Que sonho estranho era aquele que tive? Aquela voz em minha mente continuava, mas será que era real ou apenas reflexo do sonho que tive? Escolhi acreditar na segunda opção, respirando fundo e fechando os olhos para voltar a dormir. Espero não ter que me lembrar daquele pesadelo outros dias.



— Você sabe quem eu sou?! – Dei um sorrisinho sacana quando algo surgiu em minha mente, me aproximando do rapaz ao lado da morena — Quer dizer que você sabe tudo sobre mim? O que mais sabe? Andou me observando é? – Falava em uma voz rouca enquanto levava um dedo até a gola de sua camisa.

Poderes Utilizados:
Passivos:
✤  Nível 2: Perfume primaveril: As Hespérides possuem atributos semelhantes as horas, espíritos que presidem as estações do ano, sendo taxadas como deusas primaveris. Os guardiões da deusa possuem um natural perfume agradável, que remete aos que o sentem, as doces e agradáveis tardes da primavera, ficando mais calmos e amorosos, evitando que sentimentos negativos como raiva, medo, angústia e depressão passem e deem lugar para a felicidade e amor. O perfume de seus corpos pode ser sentido apenas por aqueles que estiverem em uma distância máxima de cinco metros.
✤  Nível 3: Empatia natural: Os guardiões das Hespérides possuem uma aguçada empatia com toda a natureza em si. Sendo capazes de saber o que uma árvore, planta, animal e elemental está sentindo, podem cuidar desses seres, que no geral são mais amigáveis com esses semideuses. A empatia apesar de não dar capacidade para que se comuniquem com esses seres, faz com que consiga os compreender totalmente.
✤  Nível 4: Escoteirismo: Os guardiões possuem total capacidade de sobreviverem em meios urbanos, rurais ou selvagens, mas tal habilidade não foi herdada simplesmente por uma benção recebida. Através da convivência com seres selvagens e dos conhecimentos adquiridos, possuem as habilidades de um escoteiro graduado; conseguindo montar uma fogueira através de folhas e pedaços de pau, improvisar abrigos, disseminar entre plantas que sejam venenosas e etc. Qualquer conhecimento característico de um escoteiro, esses semideuses dominarão com louvor.
✤  Nível 5: Perícia em contra-atacar: Um bom guardião não é aquele que possui apenas poderosos ataques, já que quase sempre quando se protege algo, é atacado antes que possa fazer algo. Aperfeiçoando suas técnicas, desenvolveram uma brutal capacidade de contra-atacar. Ao fazerem tal ato, os danos de seus ataques são dobrados, assim como sua velocidade e capacidade de movimentar o corpo agilmente. Apenas funciona em contra-ataques.
✤  Nível 8: Guardião sagrado: Ao estar protegendo algo, alguém ou um lugar, os guardiões das Hespérides sentem como se estivessem verdadeiramente cumprindo o objetivo de suas vidas. Repletos de adrenalina em seus corpos, não deixam que dores os incomodem, aumentam sua força em 50% e se tornam selvagens, sendo capazes de se moverem tão rápido quanto uma raposa.
✤  Nível 8: Corpo acrobático: As Hespérides fazem a dança das horas, no caso modificando o tempo de estadia solar de acordo com as estações. Pelos longos treinamentos e graça natural de seus corpos, os guardiões são capazes de desferir acrobacias com grande esmero, tendo mais chances de desviar através de esquivas. As acrobacias ainda podem ser feitas para ajudar em ataques e etc.
Ativos:
✤  Nível 3: Brilho tardio: Ao estar em perigo, o guardião pode fazer com que todo seu corpo brilhe intensamente em uma coloração avermelhada. O brilho fará com que todos aqueles que olhem em sua direção, tenham sua visão ofuscada durante uma rodada. A luminosidade ainda emite um intenso calor naqueles que ousem aproximar em uma distância de dois metros, fazendo com que a pessoa sinta a ilusão de que sua pele está queimando, assim não suportando se aproximar mais. Pode ser utilizado três vezes por missão/evento. (Gasto de 15 MP)




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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Evan Di Priore em Sab Jan 07, 2017 11:02 pm


You Wake Up
find a whole new life and jump in


J
á se passava das duas da madrugada quando Evan acordou inquieto. Ele levantou, sentando-se na cama superior do beliche em que dormia. Em seu interior: uma vontade estranha de ir até a floresta. Ele olhou para a cama em baixo da sua, sua irmã dormia tranquilamente nela. Pulou, para descer e pisar em chão firme. Não se deu ao trabalho de calçar uma sandália, saiu do jeito que estava: usando apenas o seu pijama listrado, branco com roxo.

Ao sair do quarto, o filho de Dionísio levou as mãos aos ouvidos até se acostumar com o som alto do local. Provavelmente algum de seus meios-irmãos ainda comemorava a festa de ano novo no salão. Sua hipótese foi confirmada ao passar por lá e encontrar um rapaz loiro que dançava sozinho com uma lata de coca diet em sua mão. Ele pareceu nem perceber o italiano caminhando chalé a fora.

Evan logo chegou ao local desejado. Ele adentrou a floresta e caminhou por entre as árvores. Não sabia dizer para onde ia, apenas seguia uma espécie de intuição. Intuição essa, que o levou até uma espécie de fenda dimensional, que emanava uma forte energia cósmica. Ele se aproximou ate sentir a energia o puxando para dentro. Teve vontade de ir, mas recuou ao lembrar que não estava acompanhado de sua gêmea, aquela que sempre estava ao seu lado em suas aventuras.

Ele então olhou para trás, como se procurasse alguém. Sem sucesso. Não havia sinal nem de animais, provavelmente ele era o único ser acordado por perto. O italiano deu meia volta e começou a retornar para o chalé, mas parou, olhando uma última vez para a fenda. A curiosidade era algo que o fisgava com força. Ele então mordeu o lábio interior e sem pensar voltou até a energia cósmica, tocando-a com a mão direita.


{ 6 anos atrás }


Para um menino de 12 anos, Evan tinha um corpo incrível. Sua estatura não era tão diferente que a dos garotos daquela idade, mas seu corpo continha músculos definidos que os outros não possuíam. Isso graças a vivência no circo. Sei treinamento com os tecidos desde pequeno, possibilitou-o tornar-se uma das grandes atrações daquela trupe. Talento esse que herdou de sua mãe.

O garoto circense encontrava-se atrás de grandes cortinas vermelhas, vestindo um collant colado, roxo e brilhoso, que deixava seu corpo a mostra. Quem visse de longe, não acreditaria que aquele garoto tinha menos que dezessete anos. Do outro lado das cortinas, a plateia esperava ansiosa pelo dançarino aéreo, ouvindo o anuncio em italiano da atração seguinte.

O filho de Dionísio balançou um pouco seu corpo, preparando-o para a apresentação e olhou para o lado. Encontrou o olhar de sua irmã que assistia ansiosa e que sorriu, movimentando os lábios como se quem dissesse: “Arrasa”. O locutor anunciou o rapaz. A plateia aplaudia e gritava ao mesmo tempo em que as cortinas se abriam e o canhão de luz era direcionado para o jovem sorridente que surgia.

Evan acenou durante sua caminhada até os dois tecidos brancos que caíam do topo da lona até o chão. Ele parou me frente do seu equipamento, balançou as mãos algumas vezes para retirar o suor e segurou nos panos assim que a música começou. Ele deu uma volta completa antes de impulsionar seu corpo para cima e começar o seu show de acrobacias aéreas.

Sua performance durou 30 minutos no ar e mais 2 só de aplausos. Quando todo o espetáculo acabou e ele já estava se trocando ao lado de sua irmã, um homem de terno e gravata adentrou o trailer em que estavam.

— Com licença. Evan?

— Sim? — O garoto virou ao mesmo tempo que sua irmã

— Me chamo Paolo — Ele estendeu a mão e ambos se cumprimentaram — Sou diretor do Gran Cirque Mellamore. Vim hoje assistir vocês, pois estamos precisando de mais gente para completar nosso elenco. Conversei com seu avô e disse que queria você em meu show.

O garoto abriu a boca e encarou a irmã, que ao mesmo tempo em parecia feliz, a tristeza tomava conta de seus olhos. Os dois nunca se separaram e o homem parecia estar interessado apenas nele.

— Essa é a minha ultima passagem pela cidade, se aceitar, temos que ir agora.

O filho do deus do teatro olhou para a sua gêmea, que o abraçou forte na mesma hora. Ele sabia o que aquele abraço significava.

— Vá. É uma grande oportunidade que não deve ser desperdiçada — Ela falou baixo em seu ouvido.

Os olhos de Evan marejaram, duas lágrimas caíram de cada um de seus olhos. O garoto olhou para o homem mais velho e balançou a cabeça de forma positiva. Após alguns minutos ajeitando sua mala, o menino saiu do trailer acompanhado de seu mais novo chefe. Rumo a um futuro desconhecido.


{Futuro distorcido}


A cena modificou. Evan, agora mais velho, encontrava-se em um galpão abandonado, com um monte de gente ao seu redor encarando-o.

— Já tem mais de um ano que não recebo nada?! Como assim você não vai me pagar?

O Paolo, homem que o contratou mais novo, deu uma risada alta, puxando mais outras das pessoas que assistiam a cena.

— Você aceitou, você assinou o contrario. Só seria pago se tivéssemos dinheiro para pagar a todos. O seu dinheiro vai para o domador que é mais importante que um moleque que faz viadagem com os tecidos.

A raiva percorreu todo o corpo do semideus. Ele deu meia volta e saiu em pisadas fortes do ambiente em que se encontrava.

— NÃO SE ESQUEÇA DA SUA APRESENTAÇÃO ÀS 7 HORAS! — Berrou o homem sujo.

Evan entrou em seu trailer, batendo a porta com força. Sentou no sofá cama que possuía e caiu em prantos. Ele nunca devia ter aceitado o contrato daquele homem. Sentia falta da sua família, sentia falta principalmente da sua irmã. Tinha uma foto dela ao lado do abajur, dormia observando-a toda noite. Mal tinha comida, quanto mais dinheiro para ir dali. Todo o circo estava caindo aos pedaços. Mas ele estava decidido: aquele seria seu ultimo show, fugiria dali durante a madrugada.

O relógio badalou sete vezes, indicando a hora de sua apresentação. Evan já estava posicionado no palco quando foi anunciado. Ele entrou, o canhão de luz o encontrou. Silêncio. Se havia 10 pessoas na plateia era muito. Ele não e intimidou com a falta de aplausos na sua entrada. Segurou o tecido no momento em que a música trágica começou e deu inicio a sua apresentação.

Aquela música mexeu com o seu sentimental. A cada movimento que fazia pendurado naqueles tecidos imundos, uma lágrima escorria. Pensava em seu circo, em sua mãe, em seu avô e na sua irmã. Não tinha noticias deles há seis anos. Não aguentava mais aquele lugar, aquelas pessoas. O choro intensificou durante a subida no tecido. Sua tristeza foi transformada em medo quando ao chegar no topo dos tecidos: O estalar da barra que segurava o pano ecoou por todo o local, despencando na mesma hora com o garoto enrolado no equipamento.

A caída pareceu ser em câmera lenta com toda a vida de arrependimento passando na cabeça dele. Se não tivesse aceitado participar daquele circo, estaria ao lado de sua irmã naquele momento e não estaria caminhando em direção a morte. Suas lágrimas seguiam o caminho inverso ao do corpo do garoto: subiam.


{ Presente Real }


Evan acordou quando sentiu suas costas ricochetearem o colchão que dormia. Levantou-se sem ar, respirando fundo para recuperar o fôlego. O semideus levou a mão até sua resta que pingava de suor e ao se tocar do que tinha acontecido, olhou para a cama de baixo da que dormia. Lyanna estava lá, dormindo tranquilamente. Ele chorou aliviado, tudo não passara de um pesadelo. Voltou a deitar-se e esperou que Morfeu o acariciasse.

Poderes:
Nível 1- Talento Natural: Você tem aptidão para a interpretação e disfarce. Aprenderá a falar e se vestir como uma outra pessoa.  Seu personagem é bom em peças de teatro por natureza, tornando coisas convincentes com a simples encenação. Os espectadores podem ficar tão impressionados a ponto de instigarem, querendo saber mais sobre o assunto falado, ainda que não seja real. É claro que em um nível tão básico, seu talento ainda está em desenvolvimento e falhas são comuns quando você passa a atuar como outra pessoa ou outro objeto.





#PastPresentFuture #Evento

Lorde, The Hunger Games.



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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

Mensagem por Guilherme R. Mckinnon em Seg Jan 09, 2017 4:06 pm


New Time
Um novo começo

O Chalé de Ares se encontrava em completa escuridão, suas camas alinhadas como e um acamamento militar dispostas de cabeça para a parede se encontravam de quase todas, vazias, apenas uma no fundo da construção se encontrava ocupada, um legionário, que de visita a seus irmãos gregos, ele se encontrava deitado, seu rosto pálido continha um semblante de medo e terror, Suor escorria por sua testa e o mesmo suplicava em um sussurro para que alguém salvasse sua família.

Em seu sonho o Garoto foi remetido a seu passado, no momento exato em que sua mãe se encontrava pendurada a frente do velho chalé da família, a mulher que estava suspensa por um arpão curvo em seu tórax a qual a ponta se erguia de seu tórax, a mãe do legionário possuía um sorriso fino e em seus últimos suspiros de vida abençoou seu filho o dizendo que grandes feitos o aguardavam.

O sonho fora interrompido por um voz masculina que ecoava na cabeça de Guilherme. `` A Chance de Moldar seu passado, modificar seu presente para um novo futuro o aguardar ´´, o garoto não sabia oque aquilo significava oque o deixou mais nervoso em relação ao que acontecia, seus olhos quase se fecharam quando este tentou encontrar algum de seus irmãos do chalé.

O garoto sentou-se sobre a cama tão rápido que gotas do suor frio que percorriam seu corpo caíram sobre o colchão, que por sua vez já se encontrava ensopado, o Filho de marte se levantou ainda com suas vestes de dormir, um calção de basquete Negro e sem camisa, o chamado ainda se mantinha como um lamurio ecoando em sua mente, e o mesmo seguiu a voz que a cada passo aumentava sua intensidade, o garoto então chegou a porta do chalé onde outros vários campistas eram vistos em estado de  quase sonambulismo correndo em direção aos bosques .
Guilherme avançou junto aos outros como se seu corpo fosse puxado para entre as arvores, foi quando uma figura sem forma, coberta por mantos de pura escuridão o cercou voando em seu torno, as arvores do local pareciam se curvar sobre ele, e o tempo a sua volta parecia pesado como chumbo, a figura tomou a forma de um pequeno garotinho, possuía olhos estreitos e amedrontados como se tudo fosse o ferir, o filho de marte logo o identificou, era a si mesmo, a cicatriz no queixo, o sangue na testa era Guilherme com 6 anos, no dia a qual perdeu sua mãe, a copia mais nova do garoto o olhou e o abraçou, este ato tornou o tempo a volta da prole da guerra leve e liquido, porem o tempo correu ao contrario o levando direto a um dia antes da morte de todos seus entes querido.
                                                                      x-x-x
Os únicos sobreviventes foram ele e seu primo,  quando o legionário deu-se por si estava novamente com 6 anos, seu cabelo em forma de pinico, seu grande sorriso, sem nenhuma cicatriz e com seu braço ainda no lugar.

Lá estavam todos de sua família, sua mãe, sua tia, seus avós e seu primo a seu lado, ambos possuíam a mesma idade e eram deveras parecidos, possuíam o mesmo sorriso destrutivo de crianças hiperativas, a única diferença eram as cores de cabelo, castanhos os de Guilherme e negros de Anthony.

Ambas as crianças correm em direção a os adultos, mas a prole de marte se lançou no pescoço de sua mãe como se não a visse a séculos, era quase uma verdade, o mesmo não soltou sua mãe e ela espantada com o ato respondeu o abraço com força e ternura, e então uma lagrima fria escorreu pelo rosto da ex Seal, era como se a mesma soubesse oque se sucederia.

Estava tudo como o jovem Legionário lembrava, as cadeiras de madeira, as armas na parede, a lareira acesa, e a preocupação de sua família, e este estava disposto em salvar todos.

a noite começava a cair, e o medo se tomava geral, enquanto uma visita chegara a porta de carvalho do velho chalé, Marte estava disposto a tirar todos de lá, mas a mãe de seu filho se recusou a deixar tudo para trás por uma simples ameaça, e quando o grande relógio badalou em meia noite tudo se iniciou.

Marte já havia partido a muito tempo, e as irmãs MCkinnon se preparavam, o vento gélido subia o colina trazendo consigo um cheiro pútrido, no pé do morro sobre a sombra do velho salgueiro se via uma imagem aterrorizante que assombra os sonhos de Guilherme até os dias de hoje, um ciclope carregando corpos desmembrados a pouco mortos pois o sangue ainda escorria deixando um rastro vermelho sobre a grama, o monstro armado de um arpão com uma corrente, a arma que matara metade de sua família, a arma a qual atravessou a mãe do meio sangue Romano.
O monstro caminhava lentamente sobre a propriedade em direção a o chalé, a mãe da prole da guerra avançou a frente de todos portando consigo uma espingarda com balas de bronze celestial, a cada tiro que batia na armadura do monstro um nó se formava na garganta do garoto que passo a passo seguia sua mãe de longe, pois sabia que teria que interferir antes que ela perdesse a vida.

O ciclope iniciou seu movimento de ataque girando as correntes e as preparando para lançar, o meio sangue se impôs a frente de sua mãe, mas a sua frente seu primo se colocou sendo atingido em cheio pela arma de ferro negro, o garoto mortal fora morto no lugar de sua tia, Guilherme entrou em pânico e sentiu novamente o tempo se tornar liquido, a ele a ultima imagem que lhe sobrou fora do sangue de seu primo sobre seu corpo, os olhos mareados durante o turbilhão temporal que abafava os gritos de dor da prole da guerra.

O menino feito de trevas voltará a aparecer mas a cada segundo ele envelhecia mais e mais, se tornando um homem com seus trinta anos de idade, ele vestia terno negro, não tinha o olho esquerdo e tinha em seu peito uma medalha cinzenta, a medalha dada a um Seal por bravura, o homem abraçou seu eu adolescente com carinho e compaixão pelo sentimentos de seu passado.
                                                               x-x-x-x
Quando o tempo se tornou normal novamente Guilherme era só um observador, a frente se cinco túmulos de ônix, cinco nomes de mesmo sobrenome eram disposto, Elias, Faye, Andromeda, Mag e Antony MCkinnon, todos tinham da mesma data, de morte, o Eu do futuro olhou para ele mesmo mais jovem em com ternura sorriu e lhe contou oque aconteceu.

Naquela noite, quando Antonhy se pós a minha frente mudando o passado, algo ruim aconteceu, uma vida levada no lugar de outras, não pode acontecer, nós mudamos nosso passado, moldamos o presente, e destruímos nosso futuro, mamãe te disse isso quando morreu pela primeira vez, ela sabia que isso poderia acontecer de alguma forma, não mude, oque aconteceu tinha que acontecer, não torne-se oque eu sou.

Em um grito de dor em angustia, ambas as figuras temporais choraram juntas, a dor guardada no ser a quem ele se tornaria, a dor guardada em quem ele foi e a dor guardada em quem ele é, Guilherme enlouqueceu, sentiu-se culpado por ter perdido quem não devia, o tempo não deveria ser mudado, ele devia aceitar seu passado, viver seu presente e esperar por seu futuro.

O tempo voltara atrás o levando novamente no turbilhão, para sua morte ? para o dia a qual este cometeu suicídio ? não.
                                                                         x-x-x-x
A cama ainda estava ensopada quando de sobressalto este levantou com o mesmo chamado, ele não havia viajado no tempo mas teve um preludio do que aconteceria se ele seguisse o chamado, foi então que ele observou seu telefone, algo raro dentro dos dois acampamentos, onde uma pequena mensagem estava escrita, o remetente dizia o seguinte.

`` Feliz ano novo primo, sua mãe ficaria orgulhosa de você, de seu primo Mortal Anthony``

Guilherme sorriu e voltou a deitar sua cabeça no travesseiro ignorando vozes estranhas.sabendo que o passado não se deve ser mudado, mas que o presente, esta dadiva divina deve ser vivido, para que não nos arrependemos no futuro, que se prender ao passados lhe segurará em memorias muitas vezes ruim.

Um novo ano começara e era apenas um recomeço não um fim.


`` Não se prenda ao passado, viva seu presente e apenas fantasie seu futuro.´´



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Re: Evento: O trio fantasma passado, futuro e presente

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