The Blood of Olympus
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( ʤ · run on gαsolıne

Mensagem por Hela A. Deverich em Ter Dez 20, 2016 3:11 pm


Go on and light a cigarette...
 ♦ listening Trouble with xxx♦ words: 2006 ♦


A narrativa que segue abaixo serve para entender um pouco melhor como funciona a mentalidade e as atitudes de Hela Ahn Deverich.

O princípio



Era uma noite quente na tão famosa Califórnia, Jack era um jovem de 23 anos que havia acabado de assumir o negócio da família e comemorava com os amigos. Foi quando viu uma das mais belas e misteriosas mulheres de toda sua vida.

O que ele, certamente, não esperava, é que aquela única noite de prazer lhe renderia responsabilidades para uma vida toda.

21 de abril de 1998


Já era noite, a lua minguante brilhava com toda a serenidade do mundo pelo céu tomado de nuvens quando o jovem Jack viu uma mulher parada em sua sala com dois bebês em seu colo.

Ela então contou a ele quem era e qual era a natureza das crianças que ela lhe entregava.

Assim a criança que parecia ser um pouco maior e que já tinha os olhos abertos, olhando o mundo curiosamente recebeu o nome de Hela. Uma homenagem a deusa nórdica do submundo. Enquanto a menina de olhos fechados que parecia dormir tranquilamente recebeu o nome de Robin, em homenagem à falecida tia que fora uma pessoa doce e muito sábia.

Presságio


Nada, verdadeiramente bizarro ou grandioso acontecera na vida das gêmeas até uma certa noite, onde Hela empurrara uma Robin assustada que tentava acorda-la de seu sonho. Elas estavam com cinco anos e Robin estava jogada no chão quando a garota ligeiramente maior se sentou na cama. - Me desculpe, Rob. - murmurou baixo, um tanto atordoada ao que a irmã dissera ter ouvido Hela falar em uma língua estranha, mas que era - claramente - antiga.

- ... eu abri os olhos e então estava naquele lugar. O submundo do qual a vovó sempre nos conta histórias. - segredou ao que terminou a narrativa. - Tinha uma moça muito bonita lá. Acho que a conheço. - a pouca voz saiu ainda mais baixa.

Apenas mais uma narrativa...

Hela, definitivamente, não teve uma vida normal. Ambas as proles da magia viviam cercadas de esquisitices. Sempre que se irritava as coisas tomavam um rumo anormal.

A menina mais alta tinha um espírito sedento por sangue, onde ela demonstrava sempre ter ótimos instintos e reflexos. Hela era quem batia, raramente quem apanhava. Sempre defendia quem achava merecer. Não tinha amigos, nunca teve, acreditava que tal coisa lhe atrapalharia a capacidade aguçada de julgamento e reflexão.

Assumindo a culpa por cada evento estranho, tudo que ela recebia de seu pai era desafeto e broncas. Tinha tudo o que era necessário para ser uma filha pródiga e trazer orgulho ao homem que chamava de pai, entretanto em sua cabeça a ideia de que apenas ela ou Robin poderia ser a boa filha para que o universo mantivesse seu curso natural a mantinha em um caminho que cada vez mais a levaria para o fundo do poço.

Tendo problemas com o pai porque ele era mentiroso e sendo detestada por causa de seu gênio e seu ego, ela não sabia como aquela família poderia ser mais desestruturada.

Aos treze anos, ela já usava roupas escuras e maquiagem pesada para parecer mais velha e, de fato, ela parecia. Saía com os garotos de turmas acima para cometer vandalismo, sendo livrada pelo pai de um amigo que pagava suborno ao guarda, ou - em certas vezes - pela própria capacidade de ser ágil como um fantasma durante noite.

Claro que com a piora de sua conduta, a situação com seu pai não era das melhores. Eles brigaram de forma constante, onde Hela levava uma ou duas sacudidas. Vez ou outra, um tapa pela petulância, o que não mudava em nada seu modo de agir. Batendo a porta na cara do homem ao entrar no quarto, vendo Robin sentar sobressalta na cama e - muitas das vezes - até limpar o sangue de sua boca.

Não foram poucas as vezes onde a menina mais nova a questionava sobre suas atitudes, os lugares onde ia, as pessoas com quem andava... Robin, de fato, pareceu cansar-se de ver a irmã tomar a culpa por tudo mesmo quando não era ela a verdadeira culpada.

Ainda sim, sabia que não houvesse nada que pudesse fazer.

Aos quatorze anos, elas mudaram a cor de seus cabelos. O que finalmente as faria serem diferenciadas de fato. Hela não tinha ninguém além da irmã, mas notava que o fato de professores as confundir parecia irritar a menina que - agora - tinha os cabelos coloridos.

A única vez que Hela se lembra de ver o pai brigando com Robin fora quando ela, tentando manter o corpo igual ao da irmã a todo custo, fizera a mesma tatuagem que Hela, exatamente no mesmo lugar.

Naquele mesmo dia, a morena empurrara o homem e segurara no braço da irmã subindo até o quarto. Estavam a salvo. Ela se lembra de ter confortado a irmã, garantido que o pai a perdoaria, enquanto esta chorava e deixava sua camisa bege manchada com a maquiagem leve que usara.

Hela não dormira naquela noite.

Sentia-se claramente como uma ameaça à segurança e integridade de sua irmã. Mas não se via simplesmente indo embora para longe. As coisas ficaram piores quando sua avó veio a óbito. O pouco de sanidade que parecia restar em Hela havia ido embora.

Fora a única vez na vida onde Robin a vira chorar. Era um choro doloroso, sofrido. Ela se via gritando a cada vez que pegava no sono. Chegou a bater a cabeça na parede tantas vezes e com tanta força que o sangue quente pegajoso lhe escorria pela nuca.

Perdera o controle.

Quando o luto passou, ela se viu voltando para a bolha que dividia com sua irmã, ainda mais calada do que antes.

Elas existiam separadamente, Hela estava ciente disso. Ciente de que aquele cordão a manteria na superfície enquanto ele estivesse intacto. Mas algo começara a lhe assombrar.

A visão de monstros se tornava frequente. Ela se via correndo pela vida em quase todos os sonhos, acordando engasgada no próprio ar por vezes. Seu lado da cama ficava molhado com o suor de tal modo que parecia que alguém tinha virado um balde de água em sua cama.

Não apenas por uma ou duas vezes, ela via uma figura masculina e encapuzada a olhando pela janela do quarto, nessas horas ela se sentia completamente fascinada e tentada a ir até ele. Mas não demorava muito e ela piscava, então a figura sumia como sombra.

Já estava com quase dezesseis anos quando ouviu seu pai falando com uma mulher na sala. Gelou diante da possibilidade de aquela ser sua mãe. Eles se mudaram tantas vezes desde que elas nasceram. Como ela sabia onde estavam?

A presença da mulher era poderosa, ela sentiu isso antes mesmo de se atrever a olhar. Ficou ali. Parada ouvindo a conversa até que ela foi embora.

Não ouve porta batendo à sua saída. Seu pai apenas largou-se no sofá e ela correu de volta para o quarto, olhando as paredes fixamente, sentindo os pelos de sua nuca e braços se arrepiarem com o que sentira e vira ao entrar ali. Uma silhueta perfeita.

Gritou o nome da irmã e assim que a mesma se sentou a silhueta sumira.

Contou da conversa entre o pai e a estranha, sendo criticada por não ter olhado a aparência da mulher. Não disse para a irmã o porque não o fizera. Apenas deixou que passasse batido.

No dia de seu aniversário de dezesseis o pai a mandou até a rodoviária com a irmã, duas passagens, uma boa quantidade de dinheiro e um cartão onde ela poderia sacar mais dinheiro caso precisasse.

A explicação que ele lhe dera fora tão fantasiosa que ela se via duvidando de cada palavra. Mas antes mesmo de chegarem ao destino final do ônibus a ficha caíra. Era verdade. Ela tinha que acreditar. Tudo que lhe acontecera em sua vida...

Ainda sim, não acreditara em tudo. Desceu na grande NY e procurou um apartamento no subúrbio com a irmã. Não havia nada que pudessem fazer. O pai praticamente as expulsara, mas ela não acreditava que corriam perigo real de vida.

Estudavam pela manhã e Hela trabalhava em período noturno em um local que ela nunca contara a ninguém, nem mesmo a Robin - que ingenuamente acreditava que a irmã era balconista em uma lanchonete 24h -.

Hela vivia cercada de pessoas perigosas, de má índole, tendo o cheiro destas impregnados em seu corpo, o que lhe protegia dos monstros. Mas, com a idade, tornava-se inevitável que sua aura não fosse farejada.

Após ter a impressão de estar sendo perseguida por um ciclope, ela se viu questionando se não seria melhor procurar o tal Acampamento.

No dia seguinte, roubou as roupas de alguns dos clientes de seu trabalho e as vestiu, indo para casa. Acordou Robin de maneira delicada, dizendo que era hora de partirem. Sonolenta demais para questionar que roupas eram aquelas, Rob as vestiu.

Fizeram uma mala apenas com aquilo que consideravam estritamente necessário e de valor. Desceram pela escada de incêndio, mas não antes que Hela provocasse um incêndio no local de onde saíam.

Naquela altura, não havia nada que ela pudesse - de fato - perder além da irmã.

De carona em carona, elas chegaram ao Acampamento sãs e salvas. Algumas pessoas as olhavam torto ao verem suas roupas, outras questionavam curiosas o que elas faziam indo para um lugar no meio do nada.

Nada respondiam, nem mesmo elas sabiam o que responder. Em preces silenciosas, Hela só pedia para que chegassem bem ao novo lar. E de fato, chegaram.

Instantaneamente, a garota morena começara a treinar. Treinava de maneira árdua para mostrar à sua mãe que ela e Robin eram dignas de serem reclamadas. E mesmo em dias onde ela sentia sua fé naquilo tudo falhar, ela continuava a orar para sua genitora.

Já estava se sentindo cansada de tudo quando, durante o jantar, ela foi recebida por sua mãe. Uma filha de Hécate. Era como se, finalmente, ela houvesse se mostrado digna.

Ainda sim, mesmo no Acampamento, ela se vê lutando contra os próprios demônios. Não foi para o local por temer a própria morte. Foi para lá no intuito de garantir a segurança do sangue de seu sangue. Mas só chegando lá notou que, talvez, o melhor que ela poderia fazer por Robin, era mostrar-lhe que não deveria e não poderia depender de si.

Ela estava no fundo, tão no fundo que não deveria deixar ninguém se aproximar demais pois corria o risco de puxar a pessoa consigo. E esse era seu maior medo.

Ela era um universo único, vivo. Um mundo a parte como qualquer pessoa. Mas seus tons eram pesados, sobrecarregados de emoções e sentimentos que - para 90% das pessoas - poderia ser desagradável apenas imaginar.

Ela não era uma boa pessoa. Ela sempre fora muito consciente disso, era consciente também de que se não fosse por seu ego e autoaceitação, ela provavelmente seria bem deprimida com o que sabia de si. Porém, a não ser por alguns lapsos de consciência, ela não se arrependia de nada do que havia feito até aquele dia.

Talvez, somente talvez, ter destruído o cadáver do homem que fora seu pai. Mas a voz de seu patrono... ela lhe era, de alguma forma familiar, ainda sim, para Hela, parecia completamente estranha.

Sabia que um rosto bonito não salvaria sua alma, e por alguma razão, não sentia-se assustada com aquilo. Fizera o que achava certo. Sempre faria o que achasse certo, independente de ser ou não.

O Acampamento, no fim das contas, estava mostrando muito mais de sua humanidade e seus pontos fracos do que jamais havia deixado transparecer.

Em um pouco tempo lá, já sentira muito mais do que sentira durante toda a sua vida. Talvez, só talvez, os deuses estivessem ouvindo suas preces. E, só por um momento antes de sua morte, ela viesse a sentir o que era liberdade. Não que aquilo importasse de fato... mas se acontecesse, ela aproveitaria ao máximo.


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Hela A. Deverich
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