The Blood of Olympus
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O castigo de Ares- Missão para Nero

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O castigo de Ares- Missão para Nero

Mensagem por Vênus em Sex Jun 24, 2016 12:25 pm


O castigo de Ares

O temperamento de Ares anda afetando os mais jovens, um ônibus foi virado na avenida principal e crianças encontram-se mortas, pedestres brigam pelas ruas, casais já não dão assim tão certo. As noticias não são boas, as guerras dispararam de um canto a outro e todos no acampamento meio sangue parecem prestes a explodir, irmãos contra irmãos, Diva de chalé e semideuses se matando na arena. Ares desapareceu a dois dias, fontes confirmam que a fúria do deus já atingiu mais de uma cidade, e se não for libertado logo, bem, coisas graves tendem a acontecer. Os campistas do chalé de Eros encontram-se mais eufóricos do que nunca, sua força dobra quando a guerra atinge o máximo, e todo aquele conflito entre os demais semideuses os está deixando de fato um tanto agitados, porém não exatamente afetados, apenas são capazes de sentir a fúria do pai. Nero fora chamado a casa grande logo de manhã e Quiron selecionara o campista para uma missão, cabe a ele aceitar ou não salvar a todos.
Regras e informações:

-Ares desapareceu e isso vem causando tumulto no mundo todo. Você campista de Ares deve resgata-lo. Não se sabe quem ou porque ele desapareceu, o enredo, o vilão, onde ele está preso ficara todo a critério de você, com algumas básicas instruções.
• Você deve encontrar ao menos um vilão no caminho (monstro)
• Ares deve estar preso por um castigo, e quem o conteve deve ser outro deus, de sua escolha (preferencialmente um Olimpiano)
• Ao tentar liberta-lo deve enfrentar um segundo oponente, de sua escolha, em seguida tentar convencer o deus que o prendeu a solta-lo.
-Mínimo de 40 linhas e sabemos bem que é um numero pequeno visto a quantidade de detalhes que podem ser trabalhados em one post.
-Você tem duas semanas a partir da data de hoje para realizar a postagem.
-Templates berrantes, finos e com fonte pequeno acarretam na perda de pontos.
-Poderes e habilidades em spoiler ao fim do post
-Duvidas enviar MP
-Boa sorte.



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Re: O castigo de Ares- Missão para Nero

Mensagem por Nero Khan em Qua Jul 13, 2016 2:55 pm


O castigo de Ares


 
   A maçã estava a meio caminho da minha boca, mas eu esqueci o que estava fazendo quando uma cadeira passou voando à minha frente, indo a se espatifar na parede ao lado.
   - Foi você quem pegou a minha lança! Devolva! - A voz feminina, pertencente a uma das minhas irmãs, gritou em fúria. Aparente havia sido ela a arremessar a cadeira pela sala, e por um momento tive o receio de que estivesse falando comigo, mas outra voz, agora de um garoto, respondeu do outro lado:
   - Eu não peguei a porcaria da sua lança! O que eu iria querer com aquela coisa velha e quebrada?!
  Ela soltou um grito de fúria e pulou em cima dele, e o que se seguiu foi uma mistura de socos e chutes enquanto os dois rolavam pelo chão empoeirado. Todos que estavam ali, encostados nas paredes, deitados nas beliches ou afiando suas armas os olhavam, mas ninguém parecia disposto ou interessado em ir separá-los. Muito menos eu, que não era louco ao ponto de tentar aplacar uma briga entre dois filhos de Ares, que mais pareciam dois lobos se atracando.
  Mordi a maçã enquanto calmamente os observava. Brigas eram comuns no chalé cinco, irrompem a todo instante por qualquer motivo, mas não pude deixar de notar que nos últimas dias aconteciam com mais frequência. E preste atenção, porque a coisa é seria - se chegamos à um ponto em que alguém começa a achar que os filhos de Ares estão brigando além da conta, algo está errado. E, pensando bem, não eram só as crianças da guerra que aparentavam estar mais agressivas. Por todo o Acampamento os semideuses estavam se desentendendo, brigando ou batalhando uns com os outros de uma forma que fazia pensar que estavam no meio de uma guerra. Na última vez que passei pelas enfermarias elas estavam lotadas, e o último treino de espadas foi interrompido quando um filho de Deimos fez um corte profundo, porém com muita sorte não letal, em um filho de Démeter.
  Sob outros aspectos, porém, as coisas não estavam tão ruins para o nosso lado - e nisso me refiro ao lado do chalé cinco. Não era realmente raiva ou adrenalina que estava fazendo os meus irmãos brigarem, isso nós sempre tivemos em excesso, era a energia que emanava de todo aquele caos. Como legítimos filhos do deus das guerras, em principal as guerras brutais, um ambiente de lutas e conflitos era de fato o nosso habitat natural. Isso nos dava mais disposição, energia, força e uma quase incontrolável vontade de socar o punho na cara de alguém. Os que tinham menos autocontrole já estavam fazendo isso, como por exemplo esses dois que se degladiavam agora mesmo no assoalho. Até eu me sentia impelido a fazer alguma coisa, qualquer coisa, precisava apenas gastar essa energia. Ontem havia ficado até depois da janta treinando sozinho na arena, e mais cedo tinha batido meu recorde de tempo subindo a parede de escalada. Mas, na verdade, não era só por causa de toda essa confusão. Desde que voltei da luta contra o Cavaleiro de Prata, sentia que havia alguma coisa diferente, e não me refiro apenas as costelas quebradas, luxações, sangramentos internos e feridas expostas, mas também a uma vontade de continuar lutando. Era como se o medo que eu sentia antes devido a minha fraqueza houvesse desaparecido, sido arremessado para fora junto com um pouco de sangue durante a luta.
  Joguei o miolo da maçã em um cesto de lixo que havia em um canto, então desviei da briga e sai para fora do chalé. Era início do dia, quase na hora do primeiro treino, o de combates corpo-a-corpo. O Sol brilhava no leste, em tons levemente alaranjados enquanto fazia a sua subida. Suspirei, atravessando com cuidado o caminho ao redor do chalé que eu sabia estar recheado de minas terrestres, por fim rodeando um monte de arames farpados que ao que parece deveriam imitar uma cerca ou algo do tipo. Foi quando pisei na grama coberta de orvalho do outro que algo estranho aconteceu. Primeiro ouvi um zumbido alto, agudo, que me fez levar as mãos as orelhas para tentar abafalo - o que não deu em nada, pois o som parecia estar vindo de dentro! Caí de joelhos, tonto, com os olhos fechados. Então o zumbido se transformou em um grito, um rugido de fúria como o de uma besta selvagem. Então parou, tão rápido quanto começou, mas a sensação continuou por alguns minutos. Sentia que minha cabeça rodava, além de uma ânsia de vômito que por sorte consegui controlar. Mas que diabos foi isso? De fato o grito parecia ter vindo de dentro da minha cabeça, sacudindo cada molécula do meu corpo.
  Estava tão desnorteado com os sentidos aturdidos que levei alguns segundos para perceber que chamavam meu nome.
   - Nero? Nero Khan? Ahn... Ei, você está bem?
  Então os meus sentidos voltaram todos de uma só vez, o que não era algo legal, pois na prática era como se alguém acionasse todos os alarmes de um sistema de segurança ao mesmo tempo. A surpresa de ter alguém atrás de mim, principalmente mediante as circunstâncias atuais, fez com que eu agisse por instinto. Girei o corpo em uma rasteira que atingiu os dois pés de quem quer que fosse que estivesse ali, fazendo com que ele caísse de costas com um sonoro "Ai!", e quase simultaneamente me pus em pé sobre ele com a adaga, que sempre carregava presa ao cinto, em mão apontada para ele.
   - Quem é você? - Disse, ainda em alerta. Não era comum que eu atacasse as pessoas, mas ao que tudo indicava eu havia acabado de ser atacado por alguma coisa.
   - Ei, ei, ei! Calma aí! - O garoto gritou, tentando se proteger com as mãos estendidas. - Eu sou o Glow, só vim trazer uma mensagem.
  Só então reparei que se tratava de um dos sátiros que viviam no acampamento. Um pouco envergonhado, estendi a mão para ajudá-lo a se levantar.
   - Foi mal, é que... - franzi o cenho - você também ouviu aquele som?
   - Hum? Que som? - Ele parecia confuso, mas nem um pouco zangado por ter dito arremessado no chão.
   - Ah, nada, esquece - ainda sentia um pouco do enjôo.
   - Já esqueci - declarou, então continuou: - Aliás, Quíron está te chamando e pediu que eu fosse atrás de você. Ah, ele pediu. Por isso gosto dele. O outro sempre fica mandando e mandando e mandando, mas ele não, ele sempre pede com educação e...
   - Glow! - Chamei a atenção dele, percebendo que ele estava agitado, como se tivesse ingerido muito açúcar ou cafeína. O que era provável, pois nenhum sátiros em condições normais de funcionamento iria falar mal do sr. D, o que eu entendi por sendo "o outro", pelo medo que sentiam dele. - Você disse que Quíron estava me chamando?
   - Ah, sim, sim. Lá na Casa Grande. Ele está te esperando lá. Lá na Casa Grande. É só você ir por ali e...
   - Eu sei onde fica, obrigado - o interrompi e me virei para ir na direção onde Quíron estava. O jeito que o sátiro falava estava fazendo minha cabeça voltar a doer.
  À essa hora a maioria do Acampamento já estava acordado, e logo se viam adolescentes saindo dos chalés, muitos com cara de sono, outros agitados, e alguns até aparentando estarem enraivecidos. Passei por um grupo de filhos de Hermes que estavam discutindo e contornei o refeitório até a Casa Grande.
  Quíron estava na varanda, encolhido em sua cadeira de rodas. Fitava o Acampamento, e seus olhos castanhos percorriam desde o grupo de filhos de Hermes que discutiam até a arena onde já se era possível ouvir o som de espadas se chocando. Suspirou, então me viu chegando. Sorriu, embora fosse possível ver a preocupação por trás do seu rosto.
   - Bom dia, senhor Khan.
   - Senhor Quíron - cumprimentei. - Mandou me chamar?
   - Sim, sente-se. - Indicou uma cadeira.
  Me sentei defronte a ele, então esperei que falasse. O centauro porém demorou um pouco para começar a falar, ficou me encarando como se me examinasse ou tivesse simplesmente se esquecido que eu estava ali bem na sua frente. Já estava me sentindo desconfortável e com uma forte vontade de estalar os dedos na frente dele para ver se ainda estava acordado, quando ele enfim falou:
   - Deve ter reparado que as coisas andam estranhas no Acampamento. E não só no Acampamento, infelizmente. O mundo inteiro parece ter recebido uma injeção de adrenalina e raiva, as pessoas estão brigando umas com as outras por toda parte. Conflitos, conflitos sérios, alguns até mesmo geopolíticos, estão estourando por todos os países. - Fez uma pausa, como se esperasse que eu dissesse algo, mas como eu não disse nada ele continuou: - Você sentiu alguma coisa estranha nos últimas dias, Nero?
  Por um instante fiquei em dúvida se contava a ele sobre o que tinha acabado de acontecer, mas então decidi falar:
   - Hoje, um pouco antes do sátiro me encontrar, eu ouvi um zumbido alto, muito alto, que parecia vir de dentro de mim e que depois se transformou em um grito ou um rugido, não sei muito bem o que era, só sei que fiquei tonto e senti que minha cabeça iria, sei lá, saltar para fora do corpo.
  Parei, achando que ele fosse me dizer que eu estava ficando louco. O velho centauro me encarou por um tempo, como se pensasse no que eu havia dito, então perguntou:
   - Era um grito de dor ou...?
   - Estava mais para um grito de raiva, um rugido de fúria - disse.
   - Sabe se algum de seus outros irmãos sentiu algo assim?
   - Não, senhor. Eu estava fora do chalé, indo pro refeitório - parei de falar, encarando o rosto pensativo de Quíron. - O que isso quer dizer? Digo, isso que eu ouvi?
   - Isso pode querer dizer - começou a dizer, encarando os meus olhos - que seu pai está tentando se comunicar com você. Ou, no mínimo, com algum dos filhos dele.
  Fiquei em silêncio por um tempo.
   - Por quê? - Disse, enfim. Estava confuso.
  O centauro suspirou, olhou para cima, para o céu que ia se anuviando, como se vê-se algo que eu não podia ver, é só então respondeu:
   - Ares desapareceu. Ninguém no Olimpo parece saber o que houve com ele, e se sabem não quiseram me contar.
   Olhou para mim, esperando para ver o que eu iria dizer. Mas, afinal, o que eu poderia dizer? Só havia uma pergunta na minha mente.
   - Como? - Como o deus mais barulhento e irritante poderia ter desaparecido sem ninguém saber de nada, era a pergunta completa.
   - Eu não sei - falou. - Como disse, ninguém parece saber. A única coisa que sabemos é que ele precisa ser encontrado, e logo. Todo esse caos é a manifestação do seu poder, o que indica que o deus pode estar tentando se libertar de alguma coisa. - Fez uma pausa, então continuou: - E é aí que você entra.
  Não era precisa ser muito inteligente para perceber o que ele queria.
   - Então, quer que eu vá atrás do meu pai, certo? Não, obrigado. Não tenho nenhum motivo para querer ajudá-lo.
  E de fato não tinha. Ares nunca se importou em sequer falar comigo nos últimos dezesseis anos, nem mesmo quando eu soube que era seu filho. Por que esperavam que eu o ajudá-se agora?
   - Nero - Quíron parecia abatido, o que me surpreendeu -, eu entendo que você esteja frustrado...
   - Frustrado?
   - Com raiva - corrigiu. - Esse é um sentimento comum entre todos aqui. O abandono dos deuses nunca foi fácil para nenhum meio-sangue, pelo menos no começo, mas depois de um tempo você começa a perceber que eles fazem um grande favor a vocês estando longe. Ao negarem a presença deles, vocês conseguem ficar a salvos até terem idade para se defenderem.
   - Sabe muito bem, senhor Quíron, que a presença dele não foi a única coisa que Ares me negou. - Havia uma entoação diferente na minha voz quando disse isso, uma mistura de mágoa com desprezo.
  O centauro me encarou por alguns instantes, então o vi suspirar pela terceira vez.
   - Muito bem. Não posso obrigá-lo a ir, afinal. De qualquer forma, é melhor assim. A tarefa exigiria muito de você, temo que mais do que possui, será melhor que escolha outro de seus irmãos.
    Ai
  Agora ele jogou baixo. Fechei os olhos e me inclinei para trás com a cadeira, soltando um resmungo arrastado.
   - Ok, eu vou. Mas que fique claro que não estou fazendo isso por Ares. Quero apenas mostrar para ele que... Eu não precisa da... - não consegui achar a palavra. Da ajuda? Dos poderes dele? Que ele me de algum reconhecimento? Do amor dele?
  Quíron não precisava que eu terminasse. Talvez soubesse que eu de qualquer forma não iria conseguir terminar a frase.
   - Fico feliz em houver isso. Precisamos resolver esse problema o mais rápido possível... - nesse momento ouviram uma gritaria quando o grupo de filhos de Hermes começaram a brigar para valer e o Conselheiro Chefe do chalé deles correu para tentar apartar. - Como pode ver, o poder da guerra é muito forte e influente entre as pessoas, em principal as que já tem o instinto e o treinamento de guerreiros. - Então começou a se levantar, ou melhor, a sair de dentro da cadeira. Fiquei em pé e dei espaço. - Agora, ninguém sabe exatamente onde Ares está. Mas na última vez que foi visto estava se dirigindo para Québec para... - a gritaria começou a aumentar. - Preciso ir. Vá até o condado, lá deverá descobrir alguma coisa.
  Então partiu galopando em direção ao tumulto.
  Me deixei cair na cadeira de novo. O enjôo e a dor de cabeça haviam passado, mas agora tinha uma nova sensação me incomodando. Estava prestes a ir para o Canadá ajudar a pessoa que eu menos gostava no mundo. E, o pior, isso atrasaria ainda mais a minha missão verdadeira.


  De volta ao chalé, agora vazio, esparramei sobre a minha cama tudo que eu tinha e que pudesse ser útil em uma missão. Peguei minha moeda, é claro, e a guardei no bolso do casaco. Em seguida foi a vez da adaga que eu embanhei e prendi no cinto. Então olhei para mais um item, um bracelete na forma de cobra. Tive que pensar um pouco - muito, na verdade - antes de decidir colocar ele no antebraço. Para ser sincero, aquela coisa ainda me assustava. Foi uma sorte, uma grande sorte, eu ter sobrevivido depois de enfrentar o antigo portador dela. Isso já devia fazer uma semana, mas ainda tinha um hematoma roxo no peito onde ele me atingiu com um soco em ultra-velocidade.
  Por fim apenas enchi a mochila com duas garrafas térmicas d'água de 500 ML, quatro barras de cereais, gazes e uma corda. Então me veio uma idéia súbita. Recolhi tudo o que eu tinha, todas as armas, itens, mantimentos, tudo que coubesse dentro da mochila e joguei tudo lá dentro, com exceção do meu escudo maior que era grande demais para caber e incomodo demais para ser carregado no braço. Joguei a mochila nas costas e sai.
  À essa altura já era quase hora do almoço, mas não quis perder tempo indo até o refeitório, até porque não sentia fome no momento. Em vez disse, rumei direto para a Colina Meio-Sangue, coroada pelo grande pinheiro. Assim que cheguei no topo me virei, para olhar o vale lá em baixo. Aquele era, sem a menor sombra de dúvidas, o acampamento mais estranho de todos, com chalés de cores e materiais diferentes, um refeitório sem teto, uma arena, tudo no estilo grego clássico, além dos campos de morango e da Casa Grande onde Quíron deveria estar caso não esteja resolvendo outro problema com os campistas. Mas também esse lugar havia sido a minha casa por muito tempo. Foi aqui onde descobri quem eu era de verdade. Sem dúvida, o Acampamento Meio-Sangue havia sido o melhor lugar onde eu já estive. Mas agora eu precisava ir. Haviam outras coisas que eu precisava fazer além dessa tarefa. Com uma última olhada para aquele lugar, me virei e caminhei em direção a autoestrada.
  Aconteça o que acontecer, quando essa missão acabasse eu não iria mais voltar.


  Devo ter caminhado por, sei lá, uma hora e meia. O sol do meio-dia brilhava bem acima de mim, tão quente que me fazia amaldiçoar Apolo a cada novo passo. Parei sob a sombra de uma árvore para tomar um gole d'água em uma das garrafinhas térmicas, e nesse momento ouvi um ronco de motor se aproximando. Olhei para a rua e, indo na mesma direção que a minha, vinha um ônibus da cor azul forte. No mostrador luminoso que havia na frente na parte superior do parabrisa eu podia ler claramente a frase "Thamanta YN".
  Pera, o quê? Desculpa, foi a dislexia. Para uma pessoa com dislexia só havia uma coisa pior do que letras, letras luminosas. O mais provável é que estivesse escrita "Manhattan, NY", uma vez que ele seguia em direção a Manhattan.
  Guardei a garrafinha na mochila e fiz sinal na beira da estrada para que o ônibus parasse. Por um segundo achei que ele fosse passar reto, mas então começou a diminuir a velocidade até que parou. Corri para a porta que se abriu e parei diante do cobrador.
   - Manhattan? - Ele perguntou.
   - Sim - respondi, meio ofegante devido ao fedor de gasolina.
   - Dois dólares e cinquenta.
  Vasculhei os bolsos por um instante até encontrar um punhado de dólares, então entreguei o valor cobrado para ele e caminhei para dentro. Haviam poucas pessoas ali, mas mesmo assim caminhei até o final do ônibus para me sentar no último banco. Joguei a mochila no lado e relaxei por alguns instantes. De Manhattan deveria ser fácil ir até Québec, seria preciso nada além de dinheiro para o trem ou táxi, o que eu não tinha, um passaporte para passar pela fronteira, o que eu não tinha, e um acompanhante maior de idade para conseguir o visto, o que, adivinha? Eu também não tinha!
  Revirei os olhos e bufei. Onde estava com a cabeça quando aceitei esse missão idiota? Onde Quíron estava com a cabeça quando me enviou para essa missão idiota sem nem ao menos me dizer como resolver os pormenores? Talvez conseguisse entrar ilegalmente no Canadá às escondidas, o que não seria realmente um problema, visto que o país é grudado nos Estados Unidos, e não me refiro só as fronteiras.
  Ah, Canadá. O que houve com você? Um dia põem fogo na Casa Branca, e no outro vira o jardim dos outros.
  Passou-se mais meia-hora até que o ônibus cruzasse a grande ponte que eu nunca consigo decorar a porcaria do nome e adentrasse em Manhattan. Não demorou muito para que eu percebesse que havia algo errado na cidade. Não podia ser muito mais do que 13h00, pouco tempo após o horária de pico, porém as ruas estavam um verdadeiro caos. Postes de luz estavam caídos em cima de carros que bateram neles, outros carros pareciam ter colidido uns com os outros, e por toda parte nas calçadas as pessoas trombavam umas nas outros e iniciam discussões e brigas. E em nenhum lugar era visível uma só viatura da polícia.
   - Então era isso que Quíron quis dizer... - murmurei, olhando através do vidro.
  Tinha acabado de pegar a mochila quando senti o ônibus balançando.
   Batemos em alguma coisa, pensei. Então outra vez. Não, alguma coisa bateu na gente.
  As portas se escancararam e um grupo de três pessoas entraram, todos os três portando facas. Um deles rendeu o motorista e o cobrador, enquanto os outros seguiram pelo corredor e anunciaram o assalto.
  Engoli em seco. Três simples mortais armados com facas não eram problema para mim, mas Quíron vivia repetindo que não deveríamos usar nossas habilidades contra as pessoas comuns. Eu poderia tentar arrombar as portas traseiras, o que não teria dificuldade com a minha força, porém ao menos tempo aquela porcaria de instinto de heroísmo não me deixava abandonar o ônibus com os seus passageiros sento assaltados.
  De qualquer forma, antes que pudesse decidir o que fazer um dos assaltantes chegou até onde eu estava. Apontou a faca, que de perto pude ver que se tratava na verdade de um canivete, na minha direção e depois fez um gesto para a mochila.
   - Passa pra cá, xara.
   Sério? Alguém ainda diz xara?
   - Quer saber? - Disse, mentalmente mandando todas as regras de Quíron irem se foder. - Acho que vou ficar com ela.
  O treinamento com adagas deveria na teoria nos preparar para situações assim, mas na prática era tudo questão de improviso. Em um movimento único eu segurei no seu pulso da adaga e o puxei na minha direção, ao mesmo tempo em que chutava o seu calcanhar fazendo com que ele perdesse o eixo de equilíbrio e me inclinava para o lado. Sua adaga então se fincou no estofado do banco e eu desferi um soco contra a lateral da sua cabeça, controlando a força para que ele apenas ficasse inconsciente. Joguei ele para o lado logo em seguida e me levantei, esperando a reação dos outros dois. Primeiro ficaram parados lá confusos, como se tentassem processar o que estava acontecendo. Finalmente o que estava mais na frente pareceu ter notado que eu era apenas um adolescente de dezesseis anos e tomou coragem para avançar. Com a faca em mão - essa sim se tratava de uma faca de cozinha -, ele avançou na minha direção e tentou me degolar com um golpe em horizontal. Os passageiros próximos gritaram, mas para mim o golpe pareceu tão desajeitado e inútil que achei que me esquivar seria perda de tempo, e no lugar disse optei por contra-atacar logo de cara. O próprio golpe aos meus olhos, que já haviam visto muitos semideuses experientes o realizando de maneira majestral, pareceu ter começado em câmera lenta. Portanto com ambas as mãos segurei naquelas barras de ferro que ficavam no teto para quem estivesse em pé poder se segurar, enquanto simultaneamente dava um salto dobrando a coluna e as pernas, para então estica-las em um chute duplo contra o seu peitoral que o arremessou alguns metros para trás estatelado no chão.
  Soltei as barras e caí em pé, encarando o último dos assaltantes. Ele fez menção de que iria atacar, mas então olhou para os dois comparsas desacordados, pensou melhor e se precipitou pela porta em fuga.
  Sorri. Então minha alma quase foi jogada para fora do corpo quando o ônibus irrompeu em aplausos e eu me assustei. Fiz uma vênia, mais por graça, então me lembrei de um dos principais conselhos de Quíron: "Nunca chamar atenção dos mortais em demasia". Portando, firmei a mochila nas costas e saltei para fora do ônibus.


  Ok, esse é o relatório da situação atual: eu estou a quase duas horas perdido à pé no meio de uma Manhattan quase anárquica sem saber pra qual direção fica o Canadá.
  É claro, você deve estar pensando: "Para o Norte, dãã." Mas onde diabos fica o Norte? Nas aulas de sobrevivência do Acampamento eles ensinavam a como se orientar a partir das estrelas, mas o problema é que não havia a porcaria de estrela nenhuma no céu.
  Ou havia?
  O Sol é uma estrela, afinal, e após as 15h00 ele estaria bem adiantado em seu movimento natural em direção ao Oeste. Primeiro passo: localizar o Sol. Precisei ir para o meio da rua - o que não teve problemas, já que pela primeira vez na história não havia trânsito em Manhattan - mas consegue ver ele à direita da rua principal que subia. Tomando a rua como base central, e levando em conta a posição atual do Sol e seu movimento (Aliás, esse termo sempre esteve errado, uma vez que na verdade somos nós quem estamos nos movimentando.), então à minha direita ficava o Oeste e à minha esquerda o Leste. Sendo assim, eu estava de frente para o Sul e o Norte se encontra logo às minhas costas.
  Quem diria, aulas de Geografia serviam mesmo para alguma coisa na vida real.
  Segui na direção que rezava para ser a correta, ao mesmo tempo em que outro problema me vinha. Eu tinha um mapa dos Estados Unidos na mochila e havia decorado uma parte superficial dele, o suficiente para me dizer que ainda teria que atravessar metade do estado de Nova York para chegar no Canadá. Respirei fundo, tentando por tudo não surtar e começar a quebrar os carros estacionados ou algo assim, quando aquele zumbido ecoou novamente. Alto, agudo, aparentando estar duas vezes mais alto que da última vez e prestes a fazer minha cabeça explodir. E como da última vez, se transformou em um rugido de fúria, como um grito de guerra aterrorizador, para então se silenciar. Só quando cessou foi que eu dei conta que estava caído no chão. Tentei me levantar, mas assim que fiz força para ficar agachado caí novamente com as mãos apoiadas no asfalto e vomitei tudo que havia comido mais cedo. Minha cabeça ainda zumbia quando enfim consegui ficar em pé com algum esforço. Pisquei algumas vezes, tentando desanuviar a visão. O gosto do vômito ainda estava na minha garganta, portanto retirei toda a tampa de uma das garrafas térmicas e despejei a água na minha boca, cuspindo logo então. Joguei o resto na minha cara para despertar, então guardei a garrafa vazia e comecei a caminhar. Não cheguei a dar muitos passos quando ouvi um barulho alto como o de um trovão, mas em que se misturavam o som de rodas com o de cascos e o relinchar de cavalos. Me atirei para o calçada, quase como se ouvisse o aviso, e então uma quadriga passou por onde eu estivera meio segundo atrás. Fez uma curva logo à frente e voltou, parando ao meu lado no meio da rua. Me levantei, sentindo um arranhão na mão esquerda, e olhei para a monstruosidade parada ali. Era enorme, toda negra, feita de madeira e metal retorcido, sendo puxada por quatro cavalos igualmente negros com olhos de fogo. Mas o que realmente chamou minha atenção foi quem estava segurando as rédeas. O deus virou o rosto na minha direção, com um sorriso maldoso.
   - Olá, irmão. Que surpresa encontrá-lo por aqui.


   - Deimos?
  Era mais do que claro de quem se tratava. Ao contrário de Phobos que representava o simples medo irracional, a aura de Deimos emanava puro pânico, pavor. Mas o que diabos ele estava fazendo ali? E o mais estranho...
   - Onde está Phobos? - Até onde eu sabia, os dois gêmeos quase nunca se separavam.
   - Ah, nosso irmão está oculpado com outras coisas mais importantes - disse, como se também preferisse estar fazendo outras coisas. - Por isso sobrou para mim vir até aqui.
   - E o que você está fazendo aqui? - Era difícil tentar tratar o deus com respeito, principalmente enquanto as emanações de medo que viam da aura dele entravam em choque com a minha, que me protegia de sentir medo.
  Ele sorriu com desdém e desceu da quadriga. Tinha assumido a forma de um adolescente com dezessete ou dezoito anos, usando uma jaqueta de couro marrom.
   - Ora, não vá me dizer que não ouviu, maninho. Nosso pai está gritando ordens para nós, o que acha que está causando tudo isso? - Fez um gesto em direção à cidade. - Ele mandou que eu viesse encontrar você para que lhe entregasse isso.
  Então jogou alguma coisa na minha direção e eu a apanhei na ar, vendo então que se tratava de uma chave presa à um chaveiro na forma de uma cabeça de javali.
   - Cuide bem da quadriga, geralmente não deixamos mais ninguém pilotar ela.
  Olhei da chave para a quadriga, então dela para o deus.
   - Duas coisas: a primeira, eu não sei pilotar essa coisa; e segunda, pra que diabos eu precisaria de uma chave?
  Ele pareceu ofendido.
   - Em primeiro lugar, pirralho, a quadriga não é uma coisa, é um estilo de vida - revirei os olhos ele continuou: - E em segundo lugar, ela vai se transformar em qualquer coisa terrestre e que possa se mover que você queira, basta usar a chave no buranquinho da ignição.
  Ele disse como se fosse algo óbvio. Estava quase tudo entendido, só faltava uma última coisa.
   - Por que você mesmo não vai atrás dele? - Fazia mais sentido, sendo os gêmeos os filhos preferidos de Ares que sempre o acompanhavam nas batalhas, além do fato de serem deuses facilitar um pouco as coisas.
  Os olhos de Deimos faíscaram quando eu disse aquilo, porém ele se contentou em dar um passo para o lado deixando o caminho livre para a quadriga.
   - Porque é mais divertido ver você apanhando do titio, irmãozinho.
  Sorriu em zombaria, e antes que eu pudesse perguntar o que ele queria dizer com aquilo, desapareceu. Sua voz, porém, permaneceu um segundo a mais, se propagando pelo vento:
   - E lembre-se, pirralho: nenhum arranhãozinho na pintura nova.
   - Pode deixar... - murmurei, sozinho.
  Fiquei um tempo olhando para a quadriga, sem saber o que fazer. Sou só eu ou você também acha estranho que um de meus irmãos imortais tenha aparecido do nada me oferecendo ajuda? Principalmente esse irmão sendo Deimos.
  Mas, se for verdade o que ele disse, foi Ares quem o enviou ali. E fazia até algum sentido, visto que foi um pouco após outro daqueles zumbido barra rugidos.
  Um dos cavalos relinchou, impaciente. Suspirei e tomei coragem para ir até eles, saltando para cima da quadriga. Assim como Deimos havia dito, tinha um buraquinho de ignição no metal próximo às correias. Enfiei a chave lá dentro e girei no sentido horário, e imediatamente a quadriga começou a tremer como se fosse desmontar. Segurei com força nas rédeas, mais para não cair, os cavalos relicharam e bateram os cascos no chão, e um segundo depois tudo mudou. De uma hora para a outra a quadriga havia desaparecido, e no lugar dela eu me via sobre uma moto, uma hayabusa da cor preta.
  Ok, eu demorei alguns segundos para assimilar o que havia acontecido ali. Todo aquele emaranhado de madeira e metal tinha se convertido na moto mais estilosa do mundo, os cavalos haviam desaparecido - talvez tenham virado o motor ou sei lá - e no lugar das rédeas eu segurava no guidão da hayabusa.
  Certo, eu não tinha carteira de motorista, mas isso não significava que eu não sabia dirigir. Na verdade, o principal motivo para eu não ter feito a carteira é que no instante em que completei dezesseis anos o mundo saiu dos trilhos. Mas, bem, uma parte de mim dizia que isso seria muito arriscado - principalmente por não ter nenhum capacete incluso -, mas outro parte gritava "Acelera logo!!".
  Advinha quem ganhou?
  Dei partida acionando a embreagem, girei o acelerador fazendo o motor roncar e soltei o freio. A moto disparou em linha reta, e só quando cheguei na esquina lembrei que estava indo para a direção errada. Fiz a curva derrapando o pneu traseiro no asfalto, mudei a macha e acelerei, ganhando velocidade rumo ao Norte.


  O mostrador luminoso do painel informava que a hayabusa mantinha uma velocidade constante de 120 km/h, um valor totalmente acima do permitido naquelas ruas. No entanto, não havia nenhum policial ou guarda guarda de trânsito para me multar, e assim que cheguei na interestadual mudei outra vez a macha e acelerei até atingir os 150 km/h. O vento chicoteava os meus cabelos e minha jaqueta, fazendo ambos se agitarem, mas o estranho era que mesmo a ausência de uma viseira não incomodava a minha visão. Na verdade, quanto mais acelerava mais adrenalina era liberada no meu corpo, e com isso os meus instintos naturais ficavam cada vez mais apurados. Como era comum a presença de outros veículos na interestadual, como carros de passeio, ônibus e caminhões, nunca na minha vida fiquei tão grato por ter TDAH, assim ficava mais fácil para desviar deles sem colidir de frente com o que estava vindo na outra mão. Assim que ultrapassei os que estavam à minha frente, deixando um bom pedaço de caminho livre, acelerei ainda mais, passando dos 180 km/h, e depois dos 190 km/h, até o ponteiro beirar a marca de 200 km/h. E continuei acelerando, inclinando o corpo para frente para reduzir o atrito com o vento. Não era à toa que a hayabusa tinha o apelido de falcão peregrino, a ave mais rápida do mundo. A moto parecia voar.
  O vento rugia ao meu redor. Eu tinha plena consciência que à essa velocidade qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, desde um buraco na estrada a um simples besouro que batesse em mim, me faria ser jogado na estrada e despedaçado no asfalto.
  Só conseguia ver os borrões coloridos dos carros que passava na outra pista. O marcador de combustível não se movia, o que poderia indicar que a moto não requeria gasolina, e sendo assim não precisei parar para abastecer nem uma vez.
  Eram 17h37, segundo o relógio digital do painel, quando enfim alcancei a fronteira e comecei a reduzir a velocidade. Agora era o vento frio de inverno que batia em meu rosto, e a julgar pelos montes de neve à beira da estrada havia nevado por ali noite passada. Bastava cruzar a fronteira para entrar no Condado de Québec, e de lá para Québec City. Mesmo assim, parei em um desvio de estrada de chão.
  Alguns metros à frente haviam os postos de fronteira, onde a polícia rodoviária checava os passaportes e outros documentos. Não tinha como contornar, uma vez que naquela região os dois países eram divididos por um grande rio e a única forma de chegar ao outro lado era pela ponte.
  Eu não sabia o que deveria fazer, e já estava uns bons cinco minutos parado ali quando um caminhão de carga dubla passou por mim, tão rápido que o vácuo que se formava atrás dele quase me fez perder o equilíbrio. Vi que ele ia em direção à guarita e não fazia nenhum sinal de que pretendia reduzir a velocidade - não que frear pudesse adiantar muita coisa agora. Ouvi os gritos e vi as pessoas correndo para longe, e não pensei duas vezes. Dei partida na hayabusa e acelerei, voltando à estrada e seguindo o caminhão.
  Aquilo era, o mais provável, outro resultado da crescente onda de raiva que se espalhava entre as pessoas. O caminhoneiro não se importou em destroçar a cancela da guarita, atropelar viaturas e ir abrindo caminho a força até o outro lado. Eu me mantive à uma distância segura, nem tão perto e nem tão longe, desviando de estilhaços e aproveitando para cruzar a ponte no meio da confusão.
  Por fim o caminhão se chocou com o bloqueio canadense que havia do outro lado, fazendo com que várias viaturas fossem jogadas para os lados e que o motorista enfim perdesse o controle. Vi, quase que em câmera lenta, a carroceria tombando pro lado, fazendo com que o caminhão inteiro capotasse e fosse se arrastando pelo asfalto, produzindo faíscas e um som de trituração. Engoli em seco, não dava tempo de frear ou mudar de direção nessa velocidade, estava à uma batida de coração de me chocar contra a parte de baixo do caminhão quando tomei impulso e saltei. Por sorte, por muita sorte mesmo, eu caí sobre um monte de neve na beirada do asfalto. A hayabusa, por outro lado, se estilhaçou contra o caminhão, e não levou nem dois segundos para que as faíscas encontrassem o tanque do veículo maior e ambos fossem envolvidos em uma grande explosão.
  Enquanto observava, caído de costas na neve, os estilhaços sendo cuspido ao redor, a única coisa que conseguia pensar era na voz de Deimos:
"E lembre-se, pirralho: nenhum arranhãozinho na pintura nova."


  Pela posição do Sol, que ia desaparecendo no Oeste, devia ser umas 18h00, ou um pouco mais do que isso. Com a noite também vinha a brisa gélida, que penetrava mesmo por dentro do casaco. Agora, à pé, caminhava na beira da estrada, entre o asfalto e uma floresta de pinheiros. Não fazia a menor idéia em que ponto de Québec me encontrava, apesar de já ter consultado o mapa duas vezes.
  Então, de repente, ouvi um farfalhar de folhas e imediatamente me virei para floresta, com o meu instinto de perigo disparando. Minha mão apertava o punho da adaga, pronto para sacá-la ao primeiro sinal de ameaça, mas após dois minutos nada aconteceu. Olhei para os lados, as ruas estavam vazias. Me acalmei, estranhando o alarme falso, e continuei andando. Dois segundos depois, uma criatura saltou das sombras na minha direção. Por sorte, suas presas se fecharam na minha mochila e não em mim, e em um movimento automático eu torci os braços me livrando dele e saltei para frente, rolando no chão para longe da criatura e então me virando na direção dela me apoiando sobre um joelho e com a adaga em mão. Consegui a encarar por apenas três segundos, o suficiente para ver que ela tinha o tamanho de uma onça, mas que sua aparência lembrava a de uma raposa - com exceção das partes metálicas. O lado esquerdo da cabeça, assim como uma das patas dianteiras, uma parte do tronco direito e a calda eram metálicas, como se fossem robóticas.
   - O que di... - comecei, mas então, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, aquela criatura se virou e correu para dentro da floresta, levando com ela a minha mochila.
  Me detive por dois segundos, confuso, sem saber o que diabos era aquilo, mas então me lembrei que tudo que eu tinha estava naquela mochila e corri atrás dela.
  Por algum tempo consegui ver ela, mas não demorou muito para a criatura desaparecer por entre as árvores. Continuei a perseguição, desviando de árvores e raízes, me guiando pelos rastros dela, e quase a alcancei próxima de uns arbustos, mas então cometi a inacreditável proeza de bater a cabeça em um galho baixo enquanto corria.
  Caí de costas no chão, zonzo, ouvindo os passos da raposa-ciborgue desaparecendo ao longe. Bufei, com raiva de mim mesmo, então fiquei em pé, uma mão apoiada no tronco da árvore e a outra no hematoma na minha testa. Não conseguia mais ver a criatura, e a floresta agora estava mergulhada no escuro da noite. Ou seja, eu não conseguia mais ver porcaria nenhuma!
  O que era aquilo, afinal? Nunca havia ouvido falar de monstros que eram metade máquina. Haviam os autômatos, mas aqueles eram máquinas por inteiro. E no que esse importa, afinal? Não tem como eu encontrar ela agora nesse escuro!
  Ou... tem?
  Eu não recebo nenhum dos poderes de Ares como meus irmãos, mas havia recebido as habilidades naturais, sejam físicas ou psicológicas. Uma dessas habilidades, que eu descobri há poucos dias, se diferenciava um pouco das outras. Todas era, por assim dizer, passivas, ou seja, se atiravam sozinhas mesmo alheio à minha vontade. Essa, todavia, podia ser ativada quando eu quisesse. Não era nem ofensiva nem defensiva, mas sim uma habilidade de caça.
  Segurei em um dos galhos da árvore e me ergui com um impulso com as pernas, ficando assim sobre o galho. Fiquei de frente para a direção em que a criatura havia fugido, então fechei os olhos. Respirei fundo, e quando os abri novamente minha visão perdeu a capacidade periférica,  tornando-se linear, em tons avermelhados, e avançou por entre as folhas e os troncos das árvores, até alcançar a primeira forma de vida consciente. Os contornos eram difusos, quase indistinguíveis, e o que eu realmente conseguia ver com clareza era a circulação sanguínea dentro das veias, dezenas de linhas curvas que se sobrepunham umas às outras, rubras. Formavam o desenho de um quadrúpede, de tamanho médio, com a cabeça abaixada. Saltei da árvore e avancei na direção da criatura - torcendo para que fosse a criatura -, pisando com calma para não fazer tanto barulho, mas ao mesmo tempo impaciente.
  Era difícil se guiar na floresta durante à noite, principalmente quando a copa das árvores eram tão juntas que bloqueavam a maior parte do brilho das estrelas e da Lua, mas após o que pareceu ser cinco minutos de uma curta, porém psicologicamente longa, caminhada por entre troncos de árvores, raízes e arbustos, finalmente cheguei próximo à estranha criatura.
  Com a visão já normal, pude ver que ela estava bebendo de um riacho iluminado pelo brilho prateado da Lua, bem visível naquela parte onde não haviam tantas árvores próximas. Ao seu lado estava a minha mochila.
  Então, eu ataco a criatura de surpresa ou vou direto para a mochila? Nem um nem outro, pois assim que dei um passo à frente pisei pisei em cima de um graveto que se partiu. O ruído seco pareceu ecoar como um tambor na quietude da floresta. Imediatamente, a raposa-ciborg se virou na minha direção e atacou com o salto  mais ágio que eu já havia visto. Por instinto, me atirei para o lado e ela passou direto por mim, mas mesmo assim senti uma ardência no ombro esquerdo. Só quando me levantei novamente percebi que suas garras haviam feito um corte de raspão no meu ombro, nada muito sério.
  Não abstante, a criatura se preparava para uma nova investida, mas dessa vez eu estava preparado. Tirei do bolso do casaco a minha moeda e a pressionei já em um movimento horizontal com como braço, no mesmo instante em que ela saltava novamente em direção ao meu peito, pronto para abri-lo com suas garras. Nesse momento minha mão foi preenchida por um punho revestido em couro, ao mesmo tempo em que a lâmina de bronze se materializava no ar, e tudo que senti foi a resistência do corpo da criatura se abrindo como um pedaço de pão sendo cortado por uma faca quando o fio da lâmina a acertou.
  A parte ruim, foi que imediatamente ela se desfez em pó dourado, e esse pó veio todo para a minha cara.
  Tossi, tentando limpar o rosto com a mão livre. No chão junto ao pó havia algumas peças de bronze, e reconheci imediatamente como as partes metálicas da raposa. Havia acabado de me abaixar para pegar o que parecia ser metade do rosto dela, quando a peça se desfez como se oxidasse por completo em um segundo. O mesmo aconteceu com as outras, até que não sobrou mais nada da raposa-ciborg. Eu estava confuso, e ainda curioso sobre a origem dessa criatura parte animal parte máquina, mas eu era um soldado e estava em missão. Isso significa que não poderia perder mais tempo. Recolhi minha mochila e a joguei nas costas, mas assim que me virei dei de cara com pelo menos cinquenta daquelas criaturas.

  Raposas como a que eu acabei de eliminar dessa vez estavam acompanhadas por lobos do tamanho de ursos, ursos do tamanho de dois ursos, cobras que pareciam pequenos basiliscos e até coelhos do tamanho de cães, todos com partes robóticas embutidas.
   - Boa noite - murmurei. - A amiga de vocês foi para lá.
  Apontei para a minha esquerda. Engoli em seco. Mas que porcaria de floresta é essa? Ouvi que o Canadá estava evoluindo tecnologicamente, mas não ao ponto de transformar seus animais em ciborgs gigantes.
  Um dos lobos começou a se aproximar, rosnando e me encarando com seu olho robótico vermelho brilhante, e eu me preparei para o combate, apertando o punho da espada e ficando em posição de luta. Isso seria apenas uma ação simbólica, é claro. Podia vencer algumas dessas criaturas, mas não todas, muito menos se atacassem juntas.
   - Certo - rodei a espada na mão -, podem vir.
  Porém, não vieram. Isso porque quando terminei de falar o chão tremeu e eu quase caí, conseguindo me equilibrar ao fincar a ponta da espada no chão. Atrás de mim, o monte de pedregulhos do outro lado do riacho começou a se dividir, com metade indo para a direita e metade para a esquerda, como um porta automática de shopping.
  Lá de dentro, pude ver ao me virar, saiu um homem de quase dois metros e meio de altura, robusto, a roupa de mecânico manchada de graxa e a barba chamuscado, trazendo em uma mão um alicate e na outra um martelo.
  - Muito bem - disse, a voz retumbante -, quem está fazendo tanto barulho?


   - Você - O deus olhou para mim, a expressão parecia furiosa. - É filho do meu irmão. Sinto a energia dele em você. O que está fazendo aqui?
 Tentei esconder a minha expressão de atônito, mas era difícil.
   - Eu... Eu... - Caramba, que movimento a gente tem que fazer com a língua mesmo para as palavras saírem?
   - Ah, é óbvio. Veio atrás dele. Como o achou aqui? É uma das minhas forjas mais bem escondidas.
   - Eu... A raposa...
  Ele passou os olhos pelos animais, agora parados, apenas observando.
   - Onde está a B-23? - Então olhou para a espada na minha mão e soltou uma exclamação de indignação e fúria que me fez dar um passo para trás. - Quem você pensa que é para invadir a minha floresta e destruir a minha criação?!
  Talvez tenha sido a repentina onda de ódio que religou o meu sensor natural de perigo, ou apenas o efeito da surpresa passando, mas de uma para outra recusei a voz e defrontei o deus com um olhar igualmente furioso.
   - Foi ela quem me atacou e me trouxe até aqui! - Gritei de volta.
  Imediatamente percebi que ele não estava acostumado a ser respondido dessa maneira, pois ficou chocado e tão atônito quanto eu estava poucos segundos atrás. Porém diferente de mim ele se recuperou rápido.
   - Como ousa gritar com o Deus das For...
   - Será que dá para os dois calarem a boca?!
  Uma terceira voz, mais grave e ressonante, berrou de dentro da caverna atrás do deus. Imediatamente lembrei do que Hefesto - era meio óbvio a identidade dele, ok? - havia dito logo no começo.
   - Ares está aí dentro?
   - Não te interessa.
   - É claro que eu estou, seu idiota! Me tire logo daqui!
  O deus bufou e me deu as costas, voltando para dentro da caverna. Segui ele saltando por cima do riacho antes que as rochas voltassem a se fechar. Lá dentro, dei de cara com a oficina mais bagunçada que eu já havia visto. Pilhas de parafusos a um canto, montanhas de engrenagens no outro, molas, porcas, ships de Diva e placas de bronze espalhadas pelo chão, além de um painel hei-tech e um terno pendurado em uma parede. O que mais me chamou a atenção porém foi uma gigantesca esfera de bronze no centro da sala, com a parte da frente espelhada, transparente, e guardando lá dentro um homem de aparência bruta, de corte de cabelo militar, usando uma jaqueta de couro e óculos escuros, provavelmente para ocultar os olhos que eram apenas globos de fogo.
   - Já era hora de você aparecer!
   - Oi pra você também - resmunguei. Essa era a primeira vez em que via o meu pai.
   - Cala a boca e me tire daqui de dentro para ensinar à esse idiota a respeitar o irmão mais velho!
   - Você não vai sair daí até se desculpar! - Hefesto gritou.
   - Vá para o Tártaro!
   - Será que dá para alguém me explicar o que diabos está acontecendo aqui?!
  Tanta gritaria estava me deixando nervoso. Não estava mais com a espada, que agora já havia encolhido novamente para moeda, mas pensava seriamente em sacar ela de novo.
  Tanto Hefesto quanto Ares me olharam, ambos parecendo zangados e ao mesmo tempo constrangidos.
   - O que foi? - Insisti.  
   - É que... bem... eu tinha um encontro em Quebéc City...
   - Com a minha esposa.
   - ... E esse imbeciu me pegou com essa coisa quando estava saindo do restaurante.
   - Quem você está chamando de imbeciu?...
  Depois disso eu parei de ouvir. Quíron, se um dia eu voltar para o Acampamento eu mato você. É sério que ele me mandou para outro país para lidar com um caso de infidelidade de mais de três mil anos entre deuses?
   - Pegue esse martelo e enfie no...
   - Calem a boca! - Finalmente perdi a paciência, e provavelmente a prudência também. - Lord Hefesto, solte ele e vamos acabar logo com isso.
   - Não! Eu já me cansei da traição desses dois!
   - Cara, você é feio e manco, e ela não te ama, aceita. Com todo respeito, mas você obrigou Hera a te dar Afrodite como esposa. Agora ela prefere outro. Supera, tá cheio de deusas por aí desfilando pelo Olimpo, tenta arranjar outra e parem logo de uma vez com essa maldita estupidez!
  Mais uma vez Hefesto pareceu chocado, como se não tivesse processado o que acabara de ouvir. Ares, por outro lado, começou a gargalhar. Então os olhos do deus das forjas pareceram soltar tantas faíscas quanto sua barba.
   - Você... Como você ousa... Falar assim... MATE ELE!
  No primeiro segundo eu não entendi a ordem, mas logo depois um enorme urso de pelagem negra, com as patas dianteiras e todo o lado direito da cabeça feito de bronze, saltou de cima de uma pilha de caixas com os dizeres "Autopeças UmOlho" e por uma fração de segundo não caiu em cima de mim. Por sorte, ou mais provável pela semana inteira de treinamento na pista de obstáculos e minha condição física natural de guerreiro, consegui desferir um salto mortal para trás digno de um atleta olímpico e escapar do golpe mortal que rachou o chão de concreto. Ouvi o grito de "Rá!" de Ares, ao mesmo tempo em que puxava a adaga.
  Sim, você ouviu bem, a adaga. A adaga para enfrentar um urso-ciborg de quase trezentos quilos. Por quê? Por eu estou no meio de um monte de caixas e entulho, não tem como manusear uma espada direito aqui, muito menos uma lança. De fato, o próprio urso encontrou dificuldades em avançar quando tentou vir novamente na minha direção, mas sua força e vigor bastava para limpar rapidamente o caminho.
  Sem ter como correr e vendo um enorme monstro sanguinário vindo na minha direção fiz o que qualquer um faria na minha situação, pulei pra cima dele - É, talvez não qualquer um, só os loucos ou suicidas; eu me encaixo nos dois casos. Pisando em uma caixa e dando um forte impulso com a perna, me lancei no ar e rodei o corpo, um movimento que parecia contrariar as leis da física se visto por uma pessoa comum, e caí sobre as costas do urso virado para frente. A fera imediatamente urrou e se pôs sobre as patas traseiras, confusa e furiosa, tentando me derrubar de cima dela. Talvez por reflexo, me segurei com uma das mãos na pelagem dele próxima ao pescoço e com toda força que pude reunir enfiei a adaga em seu olho robotico. O mostro urrou novamente, dessa vez de dor, e em um movimento brusco para o lado me desequilibrou e me arremessou na direção de várias caixas empilhadas da Autopeças UmOlho, que pareciam estar cheias de parafusos e peças de bronze. A batida me fez perder os sentidos por alguns instantes, mas logo recobrei a consciência, dando conta imediatamente do sangramento do lado esquerdo da cabeça e da dor que percorreu meu corpo de uma só vez. Vi um borrão na minha frente e pisquei para clarear a visão, e imediatamente o borrão se transformou no enorme urso negro à poucos centímetros de mim, o olho perfurado soltando faíscas, farejando o ar na minha direção. Nem tive tempo para tentar descobrir se me fingir de morto realmente funcionava, já que ele imediatamente percebeu que eu continuava vivo e se ergueu, pronto para me extrassalhar com suas garras de bronze.
  Sem conseguir me mover, instintivamente coloquei os braços na frente do corpo e fechei os olhos, em uma tentativa patética, porém compreensível, de me defender. Quando senti o braço esquerdo pesando achei que fosse a pata da criatura colidindo com ele, mas se passaram várias instantes e tanto o peso quanto o braço continuavam lá. Abri os olhos, confuso, e a primeira coisa que vi foi uma placa de prata na na minha frente e presa ao meu braço. Quando afastei o braço para o lado, dei de cara com a estátua cinza-pedra de um urso gigante pronto para atacar.
  De alguma forma, o Escudo da Gorgona havia se materalisado sozinho no meu braço, saindo da forma de bracelete, deixando o urso frente à frente com o rosto da Medusa.
  Fiquei vários segundos olhando incrédulo para a estátua, e tudo que eu podia pensar era em por que em nome de Ares eu não havia lembrado do escudo antes?
  E falando em Ares...
   - Rá! Viu só? Ele acabou com o seu bichinho! Agora me tira daqui!
  Com um pouco de esforço consegui me levantar, tirando uma caixa que havia caído sobre minha perna direita, e caminhei meio mancando na direção de Hefesto.
   - Ou você tira ele daí, ou eu tiro. - Ou talvez deixe os dois trancados aí dentro, pensei.
  O deus me encarou por alguns segundos. Ainda trazia o escudo no braço, virado para a direção da porta da caverna-oficina. Um trovão estourou no céu e o deus das forjas bufou, caminhou até o painel hei-tech, apertou alguns botões e saiu por uma porta lateral, levando com ele o terno.
  A esfera de bronze se dividiu no meio e os pedaços caíram um para cada lado. No meio, Ares permaneceu parado por um tempo, agitou a mão na frente do rosto para espantar a poeira e tossiu uma vez.
   - Hum... Nada que eu não pudesse ter feito.
   Então por que não fez?
   - Já posso ir? - Disse, amargo. Nunca havia pensado em como seria quando encontrasse o meu pai, porque nunca tinha realmente pensado que o encontraria. Decepção não é bem a palavra.
   - Claro. Ainda está com a quadriga? Imagino que Deimos o tenha encontrado.
   - Bem, sobre isso... Acho que ela furou um pneu no caminho até aqui...
  O deus me encarou por alguns instantes através das lentes dos óculos escuros.
   - É nisso que dá deixar crianças dirigirem. Imagino que agora vou ter que te enviar diretamente para o Acampamento e...
   - Não - cortei imediatamente.
   - Não? - Ares pareceu confuso.
   - Não posso voltar agora. Eu... Eu tenho que ir atrás dela.
  Ares mais uma vez ficou em silêncio por um tempo. Ele sabia quem "ela" era.
   - Ela está viva, não está? - Pela primeira vez, minha voz esteve ao ponto de se quebrar.
   - Está - o deus assentiu por fim.
   - Onde?
   - Você não vai gostar do que irá encontrar no final dessa estrada, o melhor a fazer é voltar para o Acampamento e esquecer.
  Outro trovão. Voltar e esquecer? Ele só poderia estar brincando!
   - Eu não vou voltar! Ela é a minha mãe, eu jurei que iria encontrá-la! Se não quer me ajudar, ótimo. Eu acho sozinho. Estou acostumado a não ter nada seu.
  Me virei para sair, mas algo na voz de Ares me fez parar.
   - Você ainda não está pronto para entender, garoto. As Parcas me fizeram deixar você afasto disso tudo por dezesseis anos, até que a profecia...
  Dessa vez o trovão soou mais próximo.
   - Que profecia? - Tinha voltado a me virar para ele.
   - Ainda não está na hora. - Ares ajeitou os óculos. - Não me culpe pelo que vai encontrar, eu o avisei. Se quer encontrá-la, precisará antes de três coisas. A primeira está em Detroit, lá você saberá como encontrar as outras.
  A imagem do deus começou a tremular, rapidamente se dissolvendo.
   - Até outra hora, garoto - então sumiu.
  Detroit... Foi onde passei toda a minha vida. Vou ter mesmo que voltar para aquela cidade?
  Suspirei e caminhei para a saída da caverna-oficina. A missão para Quíron e Ares estava cumprida, o que me deixava livre para iniciar a minha.
 
 
 


Equipamentos:
• Faca de Bronze

• Moeda das Armas -De ouro imperial, em um lado a imagem de uma espada e na outra de uma lança, quando uma das faces e pressionada, esta vira o item correspondente, Espada: Metade prata metade bronze, ambos vermelhos, extremamente afiadas, Lança: Longa e de ouro negro, cabo de couro preto e resistente

• Pingente de Sangue: Pingente feito do sangue dos guerreiros mais vitoriosos. Ao utilizar esse item, as almas dos guerreiros virão em seu favor e lhe proporcionarão um exército de até 4 guerreiros zumbis.


Habilidades:

Passivas

 2 – Espírito de Guerra: Ares é o deus da guerra, profundo amante de combates e um dos principais deuses amantes da morte. Seus filhos possuem um espírito parecido com o do deus, de modo que todos os conhecimentos referentes a guerra (Como sinais de comunicação, técnicas de sobrevivência básica, manuseio de armas e tudo mais o que tiver ligação direta com guerra), surgem naturalmente na mente do semideus, mesmo que ele jamais tenha passado por alguma situação de dificuldade.

2 - Velocidade atlética: Um bom combatente sempre está preparado físicamente para os futuros combates, sendo que as proles do deus da guerra evam a sério seus treinamentos rígidos, buscando sempre serem melhores. Devido a condição física e biológica natural do semideus, e de seu empenho nos treinamentos, são quase tão rápidos e ágeis quanto filhos de Hermes, conseguindo correr longas metragens sem se cansarem. Movimentos de finta, esquiva e outros que requeiram velocidade/agilidade, sempre possuem 50% mais chances de funcionar contra inimigos mais lentos, além de perderem em uma corrida apenas para seres tão velozes quanto filhos do deus mensageiro.

3 - Força I: A força é sem dúvida alguma a principal arma de um guerreiro,que o faz vencer seus inimigos mesmo que precise utilizar apenas seus punhos. Independente do porte físico do filho de Ares e da sua idade, o semideus terá a força de um atleta de MMA profissional, sendo capaz de carregar até cinquenta quilos e desferir poderosos golpes desarmados capazes de causar danos internos sobre o corpo de monstros e humanos.

3 – Deboche: Guerras não são travas apenas pelo uso de força bruta, mas também utilizando estratégias para enfraquecer o psicológico dos inimigos, como aconteceu a Napoleão Bonaparte e o exército Nazista ao tentarem invadir a Rússia. Assim como o deus da guerra, os filhos do deus sabem utilizar bem de palavras sarcásticas para debochar de seus adversários, fazendo com que eles fiquem fúriosos. Oponentes vítimas de deboche, passam a lutar "ás cegas", golpeando o filho de Ares sem utilizar estratégias ou pensar, ficando mais vulneráveis e deixando seus pontos fracos desprotegidos.

4 - Arma em Punhos - As proles de Ares aprendem desde cedo a importância de suas armas, não as deixando ou arriscando perde-las, não importa o que aconteça. Nenhum golpe pode tirar uma arma das mãos de um filho de Ares durante o combate, estes vão segurar suas armas com força e elas apenas irão poder serem removidas caso o semideus não esteja as segurando, ou caso morra.

4 – Sexto sentido - Em meio a um campo de batalha, descansar não é opção e os filhos de Ares sempre estão atentos. Além de conseguirem notar com mais precisão e facilidade sinais de aproximação (sons, cheiro e etc), esses semideuses possuem uma espécie de sexto sentido, de modo que ao serem alvo de um ataque direta ou indiretamente, pressentirão o perigo, podendo se prepararem melhor para o combate e evitarem serem emboscados.

7 - Aprendizado rápido: Em meio a uma batalha, Ares precisa de reinventar seu modo de lutar as vezes, para que não seja surpreendido e consiga derrotar os mais diversos oponentes. Os filhos do deus da guerra possuem uma mente aguçada, capaz de aprenderem rápidamente os movimentos efetuados para o desferimento de um golpe. Ao verem um oponente ou aliado efetuar um golpe físico (Apenas golpes que não sejam mágicos ou elementares), o semideus conseguirá copiar o mesmo movimento com perfeição, seja ele executado apenas com armas ou por utilização de poderes ativos.

Ativos
N/A



Última edição por Nero Khan em Qua Set 07, 2016 10:05 am, editado 1 vez(es)


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Re: O castigo de Ares- Missão para Nero

Mensagem por Vênus em Qui Jul 14, 2016 10:47 am


Missão Concluida

+1500 XP + 700 Dracmas
Ponto final: Nada mais nada menos que aparentemente um ponto em forma de prato, completamente negro, porém muito mais fino como papel, não pode ser rompido, é feito de material magico. Tal ponto pode se esticar e dobrar de tamanho, ou diminuir a ponto de se tornar um pequeno anel negro no dedo do semideus. Quando em uso, jogado em uma superfície plana, ele vira um tipo de passagem. O semideus, ao se atirar dentro do buraco negro é capaz de criar uma saída de sombras, que podem leva-lo a três lugares distintos. O monte Olimpo, o retorno para o acampamento meio sangue, e o parque principal de Nova York.




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Re: O castigo de Ares- Missão para Nero

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